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Full text of "Portugal e os estrangeiros. Segunda parte"


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ESTRANGEIROS 



PORTIGAL 



K OS 



ESTRANGEIROS 



SEGUNDA PARTE 



PO a 



MANUEL BERNARDES BRANCO 



VOJLUiMK 111 



LISBOA 






OCT 121971 



V. 3 



DICGIONARIO 



nos 



ESCRIPTORES ESTRANGEIROS 

QUE ESCHEVERAM ACERCA DE ASSUMPTOS PORTUf.UEZES 



N 



«Mais la beauté des détails, la force d'expression, la poèsie du 
stile, la variélé qu'il a jettó dans ses récits, la noblcsse et Téléva- 
lion de ses sentiments, feront toujours regarder le Camoêns comme 
un grand poete, par ceux-même qui sont persuades qu'il n'y a quun 
Intêret national, qiii ait pu persuader à les portugais que la Luúade 
cst supérieure au Tasse et à lout ce qui a été fait dans ce genre 
depuis Homère et Virgile». 

Journal des Sçauants, 1735, pag. 535. 



IVADASI (JOANNE ).— Auclore, ejiisdem Societatis Jesu. 

Annus dierum memorabiliwn Societatis Jesu, sive Commentarius qiiotidianae 
virtutiSj notahilem unius vel plurium in Societate vita [unclorum, virtute quapiam 
insignium memoriam in menses diesque quibus obiere partite distribuíam comple- 

xus . Anluerpiae. Apud Jacohum Meursiutn, anno 1665, 8." gr., 373 pag. 

afora as não paginadas. 

Falia de um grande numero de porluguezes; por exemplo: Adão Francisco, 
fallecido no Cabo Comorim em 1549; João da Beira; Duarte da Silva, uprimus 
fuit qui Japonicam Grammaticam Lexicaque copiosa composuit magno Sociorum 
usu», pag. 10; o lisboeta Affonso de Castio, inartyrisado nas Molucas; Pedro 
Mascarenhas, martyr em Salcele; o coadjuctor Am])rosio Fernandes, fallecido 
n'um cárcere no Japão; o padre Balthazar Gago, que escreveu um livro contra 
os bonzos; Paulo do Valle, inartyrisado na costa da Pescaria; Francisco da 
Costa, que ensinou em Roma e em Évora, e foi a Marselha visitar a cova de 
Santa Maria Magdalena ; Francisco Pinto, rnartyrisado nas serras desertas do 
Ibiapana; Martinho de Mello, notável pela sua obediência; Vicente Álvaro, rnar- 
tyrisado pelos mouros; Jeronymo Alvarez, que dava nas vistas por causa da sua 
pobreza; o padre brazileiro João de Almeida; Melchior de Siqueira, lisboeta; o 
algarvio Manuel Martins; Balthazar Barreira, o chefe da missão da Guiné; Luiz 
de Queiroz, missionário na Florida; Henrique Henriquez, missionário por cin- 
coenla annos na costa da Pescaria; o padre Gabriel da Cruz, missionário na 
índia ; António de Mello, mestre de grammatica; Rodrigo de Menezes, estudante; 
AíTonso Nunes Barreto, reitor do coUegio de Lisboa (Santo Antão), contando 

1 



2 NA ■ 

apenas vinte e sete annos de idade; Christovão Rodrigues, que viajou pelo Cairo 
e Alexandria, tornando-se notável pelas suas penitencias; Francisco Peres, que 
foi o reitor de quasi todas as casas dos jesuitas na índia; o noviço Francisco de 
Andrade; iManuel Fernandes; Luiz de Gouveia, mestre de noviços em Cochim e 
Coulão ; Pedro Martins, bispo do Japão ; João Cardim, natural de Braga ; Luiz 
de Cerqueira, bispo do Japão ; Alexandre Coelho, que pelejou contra os turcos ; 
o padre Ignacio Martins; o noviço Gaspar da Fonseca; Pedro Bastos Duarte da 
Costa, fundador de um coUegio; Bartliolomeu Gonçalves, estudante; Manuel 
Barreto, pregador no Japão; Gonçalo da Silveira, pregador no Monomotapa; 
Luiz Gonçalves da (Gamara, bem conhecido no reinado de El-Rei D. Sebastião ; 
Fernão Gomes, pregador no México; António de Andrade, missionário na índia; 
Vasco Ferraz, natural do Porto; Paulo de Azevedo, mestre de philosophia eui 
Évora; Gonçalves de Medeiros, um dos primeiros jesuitas que entraram para a 
companhia de Jesus; George de Távora, natural de Coimbra; Leão Henriques, 
grande zelador da companhia de Jesus; Bento Goez, missionário na índia Orien- 
tal; Manuel de Barros, grande missionário; Luiz Caldeira, grande missionário na 
Ethiopia; Sebastião Barradas; Balthazar, que acompanhou D. Sebastião á Africa; 
Teixeira, que sabia grego e hebraico ; etc, etc, etc. 

Hebdomada SS. Ignatii et Xaverii cultui et imitationi sacra; auctore ;, 

cum ejiisdem Hehdomada meditandae aeternitatis et hymnis variis. Coloniae, apud 
Joannem Busaeum, 1668. 285 pag. 

Hebdomas SS. Ignatii et Xaverii cultui et imitationi sacra. Coloniae, 1668. 

Somnium Xaverii. Tyrnaviae. Typis academicis, 1636, in-8.° 

NAIVTES (FR. BERNARDO DE ). 

Katecismo Indico da lingua Kariris, acrescentado de varias praticas doutri- 
naes e moraes, adaptadas ao génio e capacidade dos índios do Brazil. Lisboa, 
1709, 8.°, 1 vol., WÀ pag. 

NAPIER (ADMIRAL CHARLES ). 

An account of the rvar in Portugal, between Don Pedro and Don Michel. 
By . London, 8.°, T. & W. Boone, 1836. l.« vol., xvi-369 pag.; 2.°, xi-336 pag. 

NAPIER (HON. WILLIAM ). 

Further strictures on those parts of Napiers history of the Peninstdar war, 
ivhich relieved to the military opinions and conduct of General Beresford. Added 
a report of the operations in the Alemtejo and Spanish Ec^tremadiira, during the 
campaign of 1811, hy B. D. Urban. London, 1828. 

Reply to Beresford^s Observations, by W. Napier. Londres, 1832. 

Carta dirigida ao ill."'" e ex.^° sr. António de Serpa Pimentel, ministro das 
obras publicas, por . Lisboa, lypographia franco-portugueza, 1860, 8.", 8 pag. 

Napier pretendia, em nome de sir Morton Peto, a entrega do deposito feito 
conforme um primeiro contrato que havia sido realisado com referencia á con- 
strucção de um caminho de ferro em Portugal, e ser embolsado das despezas que 
tinha feito em estudos c plantas. 

NAPIONE (G. GALEANI ). 

Esame critico dei primo viaggio di Amerigo Vespucci ai Nuovo Mundo. Letto 



NA 3 

i>ell' Academia Imperiale delle Scienze, Leíteratiira, e Belle Arti di Torino, li 6 
decemhre 1810. Torino, 1810, in-i.°, 106 p.ig. 

O Catalogo Maisonneiive, de 1867, di/ : «Este extracto não é citado por 
Brunet na nomenclatura das obras d'esle historiador; mas Brunet nunca citou 
as Memorias da academia, e nem mesmo as da Academia imperial, e apenas 
mencionaremos este discurso, porque deu origem a uma resposta tão rara como 
interessante : Osservazioni suW esame critico dei primo viaggio di Amerigo Vea- 
pucci ai Nnovo Mondo. Firenze, 1811 (?).» 

Esta resposta foi vendida por 31 francos no leilão Maisonneuve, e o Esame 
ipenas tinha subido a 9 francos e 50 cêntimos. ^ 

NAUBONA (EUGEIVIO DE ).— Parocho de S.Christovâo de Toledo. 

Heciiperacion dei Brasil. 

Falla-nos Nicolau António d'esta obra a pag. 362 do vol. i da sua Biblio- 
theca Nova, não nos dando, comtudo, nenhuma outra indicação a tal respeito. 

NARRATIO epistolica Alberti Balazy, philosophiae in Collegio S. J. Leopo- 
liensi aiiditoris ad A. R. P. Joannem Argentum S. J. nuperrime in Polónia Prae- 
positum Provinciae, in qua referuntur feriae post acceptum de SS. Jgnaíio et Xa- 
verio inter Divos cooptatis nuntiiim institutae Leopoli. 1622, Jeroslaviae, in-4.<* 

NAURATIO eorum quae Duaci pro celebranda Sanctorum Ignatii et Fran- 
cisei Xaverii Canoninatione gesta sunt. Duaci, apud Viduam Petri Telu, 1622, 
in 8.° 63 pag. com estampas. 

«Volumesinho raro e curioso, contendo a narração e a descripção dos feste- 
jos que foram celebrados em Douai a 12 de junho de 1622, por occasião da ca- 
nonisação de Santo Ignacio e de S. Francisco Xavier. É ornado com doze estam- 
pas mui mediocremente gravadas a agua forte, mas que bastam para darem uma 
idéa dos monumentos occidentaes que ellas representam. Nota-se entre esses 
monumentos uma representação do Monte Parnaso, executado pelos cuidados de 
Marc Wion, impressor, bem como uma Pyramide, erigida por meio de sociedade 
por dois outros impressores João Bogard e Ballbasar Bellère. N'uma das faces 
d'esla pyramide, lia-se a inscripção seguinte: 

Jesu Curisto, Pontífice Máximo 
Aeterno Europae Sospitatori 

porque de poucos annos subjugou a Bohemia e a Pannonia; derrotou o Palatino 
' outros rebeldes, matou os lluguenotes francezes junto de Rupella, arrebatou 
Juliaco ao inimigo para perturbar o monstro da heresia outras tanías vezes der- 
rotado n'estas provincias por Santo Ignacio e pelos sócios da mesma milicia, 
com a espada da palavra- 

«Pequena collecção de retratos de alguns homens illustres e dos mais abali- 
sados martyres da companhia de Jesus, foram expostos em Douai quando se ee- 



' Deschamps et G. Burncl, Manuel du libraire et de 1'amateur de livres. Supplemetit. CParis, 1880), 
tomo II, pag. 6. 



4 NA 

lebrava a festa da canonisação de Santo Ignacio, fundador d'esta, e de S. Fran- 
cisco Xavier, seu companheiro. Douai, veuve Laurent Kellan, in-8.% 1622, 2 
partes, pag. 103 et 3i.»^ 

W AU U ATIVE (A) of the late accident in the new-exchange, on lhe 21 and 
22 of November^ 1653 Stylo Vet. Written hy the most ISoble and Itlustrious Lord, 
Dou Pantaleon Sa^ Brother to His Excellency of Portugal ^ Exlraordinary Legate 
in Etiglandj to his much esteemed Nobilities of England, and to ali of the beloved 
and famons City of London, from Newgate's Prison. London, printed in tiie 
year, 1653, S." gr., ii pag. 

Biblioltieca publica de Lisboa. 

NAIIRATIVE of the plans and proceedings of a comittee acting on behalf of 
the British civil and military claimants on Portugal. London, 1839, 4.** 

NARRATIVE of the persecution of H. Joseph da Costa Pereira Furtado de 
Mendonça, to which are added the Bye-Laws of the inquisition of Lisbon. With 
portraits. London, ISU. 2 vol. 

NARRATIVE of the politicai changes and events which have recently taken 
place in the Island of Terceira, describing the manner in which the natives have 
been oppressed by a licentious soldiery under the direction of a few ambitious and 
designing demagogues. By an eye-witness. London, printed by Bedford and Ro- 
bins, 1829, 4.°, 41 pag. 

NARRATIVE personal of adventures in the Península during the war 
1812-1813. By an Officier. London, 1827. 

NARRATIVES of the career of Hernando de Soto in the conquest Florida, 
as told by a knight of Elvas, and in a Relation by Luiz Hernandez de Biedma, 
factor of the expedition. Translated by Buckingham Smith. New-Yoik, 1806. 

NATIOIVAL Museum. Jaargang VIL fase. 7. 8. S. Gravenhage, 1865, 8.» 

Toni. VII. 1865, 7, 8. Maandei. (fase. Julli, Augustus) cont. pp. 263, a 264. 

Brievea uit mijn Dagboek 1858-1861. Aan board van Z. M. fregat Evertsen. 
Brief 17 a 18. Lissabon, 31 mai 28 Junij 1860, p.ig. 273 a 274. Camoens. Son 
monument au Campo de S. Anna. 

Jaargang VIII. fase. 1, 2. S. Gravenhage, 1866, 8.° 

Cont. pp. 20 a 28 (1 Aflev. Januírij) I. 1. Belinfante. De Africaine, Vasco 
de Gama, Camoens, De Lusiade Pp. 41 a 4i. (2 Aflev. Februarij), Camoens, Lu- 
iade lli Zaiig 118 en vol. Strofen. Overzetling door Dr. Wap. 

NATOLl (D. FRAIVCESCO ). 

Dellc gr alie e miracoli 02)erati dali' Apostolo deli' Indie S. Francesco Saverio 
in Potami Tetra di Calábria. Relatione di . Raccolta per ordine di Mons. 



Auguslin cl Alois de Backcr, Bibliothéque des écrivains de la compagnie de Jesus, vol. iv, pag. 184. 



NA 8 

Illustriss. Vescovo di Mileto ali Ilhistriss. ed Excellent. Sign. Marchesa d'Arena. 
Bologna, 1653. Presso Gio. Baltista Ferroni. 

NAUTIAT (J.). 

Map of Spain and Portugal exhibiting the chains of mountains tvith their 
passes, &c. London, 1812. 

NAVAUCHUS (SCUIPMAIV ) JACQUES.— Natural de Hanscotte, 

povoação da Flandres franceza. Foi um dos primeiros missionários da província 
belga. Em loGi professou em Louvain. Morreu em Anvers em 12 de maio de 
1576. 

Epistolas Indicae de Stupendis et praeclaris rebus, quas Divina Bonitas in 
índia, et variis Insulis per Societatem nominis Jesu operari dignata est, in tam 
copiosa Genthm ad fideni conversione. Lovanii, apud Rutgerum Velpium, Biblio- 
pol. lurat. Sub Castro Angélico. Cum privileg. Reg. ad 4 annos. 1566, 8.° peq. 

Contém : 

Francisms Xavier Petri Ignatio Generali Societatis PraepositOj et Fratrihus 
Romae, Patavii, ParisUs, Colonioe, Valentiae, et in Lusitânia literis operam 
dantihns. Datada de Cochim, a 15 de janeiro de 1544, pag. 1 a 26. 

Epistola M. Gaspari Belgae ex Soe. Jesu Preshyteri, quas (sic) ex Ormutio 
Insula siniis Persici Co7iimbricam ad suos fratres oc sócios dedit anno 49, Ormu- 
tii IV Idus Decemb., pag. 27 a 94. 

Alia epistola eivsdem M. Gaspari ex Soe. lesu Presbyteri in Lusitaniam data. 
Ormulti, 1551, pag, 95 a 130. 

Alia epistola P. M. Gasparis Belgae ad fratres suos Soe. lesu, &c. Goae, 
1553, pag. 131 a 136. 

Alia epistola R. P. Gasparis rectoris coUegii Soe. Jesu Goa in Índia, ad R. 
P. M. Ignatium, eiusdem Societatis Praepositum Generalem. An. 1553. Goae, prid. 
Id. lanua., pag. 137 a 154. 

Ex litteris Rev. P. Henrici Henriquez missis ex Urbe Punieali 8 Idib. No- 
vemb. anu. 1550 ad Rev. M. P. Ignatium, pag. 155 a 159. 

Novella exeerpta ex epistola Rev. P. Magistri Franeisei Xavieri Soe. lesu in 
Índia Praepositi Provineialis, ad Rev. P. nostrum P. Ignatium de Laiola (sic) 
Praep. eiusdem Soe. generalem. Anno 1553, pag. 160 a 163. 

loannes de Beyra Sacerdos Soe. lesu ad R. P. Ignatium Praepos. generalem 
eiusdem Soe. Ex Cochim VI. Id. Febr. 1553, pag. 164 a 174. 

Descriptio rituum et morum quae in tnsida nuper inventa ad septentriona- 
lem plagam lapam nuncupata servatur, pag. 175 a 198. 

P. Ignatio a Laiola (sic) Generali Soe. Jesu Melchior Nunezius. Anno 1554, 
pag. 199 a 225. 

Litterae Patris Antonii Quadra ad P. Magistrum Mironem. Goae, 8 dec. 
1553, pag. 226 a 259. 

Ex Epistola P. Antonii Quadri, anno 1550, missa: ex hoc D. Pauli Collegio 
(GoanoJ. 13 Cal. Decemb. 1559, pag. 260 a 333. 

Ex Epistola Ludoviei Frois. Goae, 1 Dec. 1560, pag. 334 a 354. 

Ex Epistola Ludovi Frois, ad Fratres suos in Europa agentes. Goae, VI Id. 
Decembr., 1560, pag. 355 a 387. 



6 NA 

Ex Epistola P. Emanuelis Tercierae ad fratres Soe. lesu. Goae, 8 Cal. lanuar. 
1560, pag. 388 a 399. 

Ex alia Ludovici Frois, ad fratres in Europa decentes. Goae, Idib. Deeeinb. 
1560, pag. 400 a 477. 

Excerpta ex litteris P. Michaelis Bariili, Goae scriptis ad eos qiii sunt de Soe. 
nominis lesu in Lusitânia (1555). Pag. 478 a 481. 

Capita quaedam selecta ex literis Arii Brandonii, datis ad Collegiales Socie- 
tatis lesu Conimhrieenses, X Cal. Jan. 1554, pag. 482 a 489. 

Paraenesis Doctoris lannis Agricolae Ammoniij quis fructus ex hujus libelli 
lectione sit eoUigendus, pag. 490 a 496. 

Eis o conteúdo^ da primeira edição de Louvain; é mister indicar as diíTe- 
renras das duas edições seguintes, e fazer notar que a data de 1659 citada por 
Sotwel, está errada. 

Epistolae laponicaej de multoruni gentihum in variis Insulis ad Christi fídem 
per Societatis nominis lesu Theologos conversione. In quibus etiani mores, leges, 
locoimmque situs, lueulenter describuntur. Lovanii, apud Rutgerum Velpium, Sub 
Castro Angélico. Gum privilegio Régio ad 4 Annos, 1569, in-8.^ 2 yoI. 

A epistola dedicada ao conde Palatino do Rheno e duque de Baviera, Gui- 
lherme, é assignada por M. Hannardus de Gameren Mosaeus, poeta laureatus et 
in numero Aulicorum Bavariae minimus, é datada: Lovanii, Calend. Januar. An. 
1569. Contém esta epistola a historia do estabelecimento da companhia na Bél- 
gica. 

Excerpta quaedam ex Epistola R. P. Franeisci Xavier, Praepositi Provinda- 
lis Indiae, ad Praepositum generalem. An. 1549, 19 Cal. Feb. Coccini. 

Exemplum litterarum R. P. Magistri Xavieri Provincialis Praepositi Soe. 
lesu in índia ad eos quae de eadem sunt Societate in Europa dal. Mart. an 1553, 
pag. 1 a 42. Ex Coceino, 29 Jan. 1563. 

Ex Epistola Patri Dalcenae Soe. lesu e Japonia ad fratres Conimbricenses 
missa. Anrio 155i, pag. 43 a 73. 

P. Balthazar Gagus, P. Ignatio Societ. lesu Praepos. gener. 23 Sept. 1555, 
pag. 73 a 82. 

Segue-se uma carta: Vigésima tertia Novemb., Melchior Nunesius, on. 1555, 
a qual é o complemento da precedente. 

Eduardus Sylvius Soe. Jes. fratribus stiis in índia agentibus, e Bongo, 4 Idus 
Sept. An. 1555, pag. 85 a 93. 

Alia quaedam desumpta ex Epistola P. Cosmae Torres, pag. 94. 

Ex literis Ludovici Froisii Malaccae scriptis, ad fratres suos, Goae agentes 7 
Januarii Anno 1556, pag. 95 a 110. 

Segue-se: Rex Firandi. R. Patri M. Melchiori, pag. 110 a 111. 

Ex alia Eduardi Sylvii, Bongi 10 Sept. scripta anno 1555, pag. Hl a 131. 

Litterae Melchioris Nunesii Provincialis Soe. lesu in índia, ex Chinensi portu 
Machnan, ad suos in Christo fratres in Índia agentes, pag. 131 a 159. 

Exemplum Literarum M. Melchioris Nunesii Coccini, in índia scriptarum. 8 
Januarii anno 1558, pag. 160 a 189. 



' Auguslin cl Alois de Backer, Bibliotltrijue dcs écrivains de la compagjiic de Jesus, vol. iv, pag. 462. 



NA 7 

Exemplum literarum P. Gasparis Villelae ex laponia ; datum Bongi Kalend. 
Sept. 1559, pag. 189 a i96. 

Exemplum epistolae P. Balthazaris Gagi, ex laponia. Anno 1559, pag. i97 
a 224. 

Ex epistola P. Francisci Vierae, 18 febr. scripta. Anno 1558, pag. 225. 

Ex epistola P. Antonii Quadri, Praep. Provinc. Indiae ad fratres Conimbri- 
censes scripta mense novembris Anno 1559, pag. 225 a 226. 

Ex literis P. Balthazaris Diarii ad Provincialem Indiae 3 Decembris anno 
1559, pag. 227. 

Ex epistola Liidovici Froysii. Goae, 6 Mus Decemb. scripta 1560, pag. 227 
a 230. 

Ex epistola Casparis Villelae, Soe. Jesu Sacerdotis, Meaco missa ad siios 
fratres 17 Aug. 1561, pag. 230 a 262. 

O volume termina por um Cármen ad lectoreni, pag. 262 a 263. 

Epistolae íaponicae de multorum gentiliuni ad Ghristi fidem conversione, per 
Societatis lesu Theologos. Pars altera. Lovanii, apud Rutgerum "Velpium, Sub 
Castro Angélico, cnm privilegio Reg. 1569. 

Epistola R. P. Cosmae Torres, ad R. P. Anthonium Quadrum Praep. Soe. 
lesu provinda Indiae (BongiJ, 8 octob. anno 1561, pag. 21a 33. 

Ex epistola loannis Fernandes Bongo in laponia, ad Fratres Goenses scripta 
8 octob. 1561, pag. 33 a 70. 

Ex epistola Lavrentii ad Provincialem Indiae, et alios Societatis Fratres. 
Meaci, 2 Jan. 1561, pag. 71 a 85. 

Ex literis Aloysii Almeidae ex laponia (BongiJ, 1 octob. 1561, pag.* 85 a 123. 

Ex epistola Melchioris Nunesii ad fratres suos in Europa, 21 Decembris 
1561 (Coccini), pag. 123 a 124. 

Ex litteris R. P. Ludovici Froisii, ad fratres suos in Christo, 5 Nonas Octo- 
bris scriptis, 1564 (Firandi), pag. 124 a 158. 

Ex literis Petri Mascarenes, Ternate, idibus novembris scriptis anno 1564, 
pag. 158 a 167. 

Ex epistola P. Petri Mascarenes a Moluccis missa, pag. 167 a 173. 

Ex alia epistola P. Mascarenae, pag. 173 a 176. 

Ex epistola P. Emanuelis Nobregae ad suum Praep. Generalem Soe. lesu, et 
suos fratres in Europa agentes, ex urbe Salvatoris, anno 1552, pag. 177 a 186. 

Epistolae Indicae et íaponicae de multarum gentium ad Christi fidem, per 
Societatem lesu conversione. Item de Tartarorum potentia, moribus, et totius pene 
Asiae religione. Tertia editio cum índice castigatior et auctiori. Lovanii, apud 
Rutgerum Velpium, Sub Castro Angélico. Cum privilegio Régio ad 4 annos sub 
sig. I de Witte, 1570, 8.- peq. 

Epistola dedicatória ao cardeal Olhou Truchses e prefacio como na edição de 
1566. 

As seis primeiras carias estão incluidas n'esta epistola, e são as mesmas das 
edições de 1566 e 1570, mas a paginação é diílerente; na ultima edição o typo é 
mais miúdo. 

Ex litteris P. Antonii Quadri ad P. Magistrum Mironem 1556. Goae, 8 de- 
zembro 1555, pag. 105 a 126. 



8 NA 

Excerpta ex litteris P. Michaelis Barulij Goae scriptis ad eos qui sunt de So- 
cietate nominis Jesu in Lusitânia, Goae, 1555, pag. 127 a 129. 

Capita quaedam selecta ex litteris Arii Bandonii, datis ad Collegiales Soe» 
lesu Conimbricenses, X Cal. Jan 1554, pag. 129 a 134. 

Ex epistola P. Antonii Quadri, Anno 1559 missa, ex D. Patdi Collegio Xlll 
Cal. Dec. 1559, pag. 135 a 182. 

Ex epistola Ludovici Frois. Goae, 1 dez 1560, pag. 182 a 194. 

Ex epistola Ludovici Frois, ad Fratres suos in Europa agentes. Goae, VI Id. 
Dec. 1560, pag. 195 a 215. 

Ex epistola P. Emmanuelis Terceirae ad Fratres Societatis Jesu. Goae, 8 Cal. 
Jan. 1560, pag. 216 a 223. 

Ex alia Ludovici Frois, ad Fratres in Europa agentes. Goae, Id. Dec. 1560, 
pag. 223 a 272. 

Ex epistola P. Henrici Henriquez ad Rev. Patrem Praep. Generalem, &c. Ex 
Manara Insula 6 Idus lanuarii 1561, pag 272 a 275. 

Ex epistola P. Joannis Meschitae ex vinculis ad P. Henricum in Commorino 
scripta, 29 Aug. 1560, pag. 276. 

Ex altera ejusdem epistola ex hoc mari lafanapatano XVII Cal. Oclob. 1560, 
pag. 277. 

Jo. Meschita ad FF. Collegii Conimbricensis Soe. lesu. Coccini, Vil Cal. Feb. 
1561, pag. 277 a 289. 

Admodum R. in X.to D" Florentino Bouchortio Soe. lesu. 

Estfi carta, a qual narra o marlyrio de alguns inglezes mortos no seio da 
pátria, é datada de Lovanii, Cal. Oclob. 1565, e assignada Jacobus Namarchus 
Ondischotanus, pag. 290 a 298. 

fi. P. Ignatio Praep. Gener. Soe. Jesu. É assignada por João da Beira, Co- 
chim, 6 dos idos de fevereiro 1553. De pag. 299 a 305. 

Ex litteris Petri Mascar enes. Ternatae. Idibus Nov. scriptis 1564, pag. 305 
a 311. 

Ex epistola Petri Mascarenas a Moluccis missa. Sem data. Pag. 311 a 314. 

Ex epistola Petri Mascarenae. Sem data, pag. 314 (numerada 74) a 316 (nu- 
merada 314). 

Epistolae laponicae, de multorum in variis Insulis Gentilium ad Christi fidem 
conversione, Illustrissimo Principi Domino D. Gidiel. Bavariae Duci dicatae. Ac- 
cessit demum rerum ac verborum Index locupletissimus. Lovanii, apud Ruiegerum 
Velpium sub Castro Angélico. Cum privilegio Régio. 1570, in-8.° 

Excerpta quaedam ex epistola R. P. Francisci Xavier, Praep. Provincialis 
bidiae, ad Praepositum Generalem. An. 1549. Coccinii 19 Kal. Feb., pag. 3 a 5. 

Descriptio rituum et morum Japonicae, pag. 6 a 20. Uma nota marginal 
attribue esta descripção a Paulo Sanfidio, japonez baptisado por S. Francisco 
Xavier. 

Epistola, pag. 20 a 36. Esta carta é datada: Congaxima, 5 de novembro de 
1549, e assignada por Francisco Xavier. 

Exemplum literarum R. P. Francisci Xavieri ad eos qui de eadem sunt So- 
cietate in Europa. Anno 1552, ex Coccino, 29 Jan. 1552, pag. 37 a 62. 

Ex duabus R. P. Francisci Xavierii ad R. P. Ignatium Praep. Generalem 
ejusdem argomenti epistolis anui 1552, pag. 62 a 67. 



NA 9 

Ex epistola Petri Dalcenae Soe. lesu e Japonia ad fratres Conimbricenses 
missa anno 1554, pag. 68 a 86. 

Rev. P. Ignatio a Loyola Gener. Soe. lesu Melehior Nunesius, 1554, H6 a 103. 

Eduardtis Sylvius Soe. lesu fratribus in índia ogentibus, 4 Idus Sept. 1555, 
pag. 103 a 109. Alia quaedum desumpta ex epistola P. Cosmae Torres, mensis 
Aug. 1555, pag. 108 a 109. Et alia Eduardi Sylvii, Bongi 10 Sept. scripta anno 
1555y pag. 109 a \f{. 

P. Balthazarus Gagus P. Ignatio Soe. Jesu Praep. Gen. 23 Sept. an. 1555, 
pag. 121 a 126. 

Litterae Melehioris Nunesii Prov. Soe. Jesu in Índia, ex Chinensi portu Ma- 
chiian ad suos in Christo fratres in índia agentes, Novemb. 23 anno 1555, pag. 
127 a 14i. 

Ex litteris Ludovici Froisii Malaecae scriptis ad fratres suos, Goae agentes, 
7 Januarii anno 1556, pag. 145 a 153. Rex Firandii Rev. Patri M. Melchiori, 
pag. 154. 

Ex epistola Melehioris Nunesii Coeeini 8 Jan. anno 1558, pag. 154 a 171. 

Ex epistola P. Anthonii Quadri ad fratres Conimbrieenses Anno 1559, pag. 
172. Ex litteris P. Balthazaris Diarii ad Provincialem Indiae 3 Dec. 1559, 
pag. 173. 

Ex epistola Ludovici Froisii, 6 Idus Deeemh. scripta anno 1560, pag. 173 
a 174. 

Exemphim litterarum P. Gasparis Villela ex Japonia, Bongi Cal. Sept. 
1559, pag. 175 a 179. 

Exemplum epistolae P. Balthazaris Gagi, ex Japonia anno 1559, Bongi 
KaL Nov., pag. 179 a 194. 

Epistola R. P. Cosmae Torres ad Antonium Quadrum Praep. Soe. lesu Pro- 
vinciae Indiae, Bongi 8 Octob. Anno 1561, pag. 195 a 207. Á frente (l'esla carta 
lemos : Epistolae Japonicae Rev. D. Domino Gerardo ab Hamericourt Episc. Au- 
domnrensi et Abbati S. Bertini dicatae. Estas palavras indicain-nos que a segunda 
parte da edição de 1569 vae ser eni grande parte reproduzida, e por isso nos 
contentaremos com citar as palavras das cartas e a paginação; 

Ex epistola íoannis, &c., pag. 207 a 229. 

Ex epistola Laurentii, &c., pag. 230 a 238. 

Ex litteris Aloysii Almeidae, &c., pag. 138 a 260. 

Ex epistola Melehioris, &e., pag. 261. 

Ex epistola Gaspari Villelae, Meaco missa, Saquariae, 17 Augusti, pag. 262 
a 280. 

Ex litteris R. P. Ludovici Froisii. Anni 1564. Firandi, III Non. Oct., pag. 
280 a 296. E a mesma carta que na edição de 1569. 

Fx epistola P. Manuelis Nobregae ad suum Praep. Gen. Soe. Jesu ad suos 
fratres in Europa agentes. Anno 1552. (E.r urbe Salvotoris), pag. 396 a 401. 



IXWAUKKTE (D. MAirJíIV FEUIVAIVDEZ DE ).— Ministro ju- 
bilado dei supremo consejo de aimiiantazgo. 

Dissertaeion histórica sobre la parte que tuvieron los espafioles en las guerras 
de ultramar ó de las cruzadas, y como influyeron estas expediciones desde el siglo 
XI hasta el xv, en la extension dei comercio marítimo y en los progresos dei arte 



10 NA 

de navcfjar. Leida cn la Real Academia de la Historia por su individuo de nu- 
mero . 

No vol. V das Memorias da academia real de historia de Madrid trata tam- 
bém (los cruzados portuguezes e cita os nossos auctores. 

NAVARRO (D. JOAQUI3I J ). 

Apuntes sobre el estado de la costa occidental de Africa y prmcipalmnite de 

las possessiones espaíiolas en el golpho de Giiinéa, por . Madrid, 1859, 

Esta obra trata também das nossas ilhas de S. Thomé e Principe. 

NAVERY (UAOUL DE ). OÍEcier d'academie. 

Les voyages de Camoèns, par . Paris, A. Hennuyer, 1880, 8.", vi-;36i pag. 

«Ao escrever este livro, não teve o auctor em vista mais do que popularisar 
um dos maiores vultos de que as letras se ufanam, e de collocar n'um verdadeiro 
quadro as scenas da vida tormentosa do Luiz de Camões. Se os Lusíadas não 
são muito conhecidos na França, a existência do poeta que os escreveu ainda o 
é menos. 

«Ao darmos n'este volume um grande logar ás viagens de Camões, esboçá- 
mos a historia da descoberta das índias, poema escripto com a espada pelo Gama 
e pelo Albuquerque anles de Luiz de Camões ter composto os Lusiadas. A im- 
portância que tomam hoje todas as questões que se ligam á historia do nosso 
globo, poderá ajuntar-se ao interesse d'esta parte do livro. Finalmente, na ultima, 
graças à documentos novos, foi-nos possível restabelecer com toda a sua verdade 
certos factos relativos aos últimos annos do poeta. Teria este estudo ficado in- 
completo, se não houvéssemos colhido das obras soltas de Luiz de Camões, suas 
canções, elegias e sonetos, as passagens nas quaes elle patenteia seus mais recôn- 
ditos pensamentos. Era mister mostrar ao leitor, quanto possível, Camões pin- 
tado por elle mesmo. Pedinios, por isso, a Mr. Ferdinand Denis, esse viajante 
infatigável, esse sábio, cuja erudição só é igualada pela sua benevolência, a au- 
ctorisação para extrahirmos da sua traducção diversas poesias do illustre portu- 
guez. Testemunhãmos-lhe aqui nosso vivo reconhecimento por ter tido a bondade 
de nos ajudar com suas luzes e seus conselhos. 

«Possa este livro, tributo de homenagem prestado á memoria do maior 
poeta de Portugal, ajudar a propagar pela França o nome e as obras de Luiz de 
Camões. 

* 
# # 

«A universidade de Coimbra occupava então um logar tão dislincto no meio 
das mais doutas escolas, que o erudito Clenardo aííirmava nas suas cartas: que 
n'ella se explicava Homero como o teriam explicado em Athenas. Alem d'isto, 
contava ella então em o numero de seus professores,^a AfTonso^^ Prado, que veiu 
a ser um dos mais celebres reitores d'ella ; Francisco Manzon, o hábil doutor de 
Alcalá; mestre Pires João Pedrezza, da ordem dos pregadores, do qual seus 
contemporâneos faliam coni^admiração.^O licenciado Francisco Coelho n'eila en- 
sinava o direito canónico. Alguns annos depois de ter dado todo o esplendor á 
univorsidade de Coimbra, D. João III estabelecia sessenta e quatro bolsas no 
collegio de Santa Barbara, em Paris, para os mancebos portuguezes que desejas- 



V^ se 



NA » 



sem n'esta cidade continuar ou terminar seus estudos; ao mesmo tempo, Diogo 
de Teive, que tivera a iionra de ser reitor da universidade de Paris, voltava para 
Coimbra com o fim de n'e]la continuar seu ensino, o qual tinha de dotar a pe- 
ninsula com tantos homens de merecimento; então, todos os talentos se forma- 
vam e desenvolviam em Coimbra. Entre os poetas e os sábios aventureiros que 
mais tarde visitaram as costas de Africa, e desembarcaram na Tndia para n'esla 
região procurar impressões e inspirações novas, não ha um só que recebesse em 
outra parte o ensino, a não ser em Coimbra, do humanista Diogo de Gouveia, 
antigo reitor da universidade de Paris; de Pedro Nunes, o mais hábil cosmogra- 
pho e o maior mathematico de seu tempo; de Vicente Fabrício, professor de 
grego, de quem se honrava a Allemanha, e de quem Glenardo (Klenartz) falia 
em termos cheios de enthusiasmo; finalmente de Brisset, o professor mais velho 
da universidade de Paris, que tentava encaminhar em Portugal a sciencia da 
medicina para os princípios de Hippocrates, e livral-a do ensino exclusivo da 
sciencia árabe.» 

NAXERA (MANUEL DF: ). — De la compafiia de Jesus, predicador 

de Su Majestad, catedrático de escritura de la compania de Jesus en la univer- 
sidad de Al cala. 

Sermon en las sumptuosas exéquias que celebro el muy religioso convento de 
las carmelitas recoletas de Madrid, en 14 de febrero de 1660. A sua fundadora 
la Sefiora Baronesa D. Beatriz de Sylveiraj Seilora de las villas de Sylveira, 
Cuevas de Canatazor, y de Valde Colmenas, &c., Predicole el Recerendisimo P. 

i|/. . Ordenado por el Reverendisimo P. M- Fr. Diego Ramires, de la Orden 

de Santo Domingo, Calificador dei Consejo supremo de la Santa Inquisicion; Prior 
Que ha sido de los Conventos de Nuestra Seilora de Atocha, y de S. Thomas de 
Madrid; Definidor de la Provinda de Espoiía, Visitador y Vicário General de 
los Reynos de Aragon, Confesor y Testamentero de la dicha Senora, con un Epi- 
toinedesu Testamento. Em Lisboa. Com todas as licenças necessárias. Na officina 
de Domingos Carneiro, anno de 1661, 4." 

O testamento tem 10 pag. e a oração fúnebre 2Í2. 

"Foi a senhora baroneza D. Beatriz da Silveira, natural de Lisboa, casada 
com o sr. barão D. Jorge da Paz da Silveira, cavalleiro da ordem de S. Thiago, 
commendador de S. Quintino de Monte Agraço, senhor das villas de Silveira, 
Cuevas de Cafiatazor, etc, o qual falleceu em 30 de dezembro de 1647.» 

Sermon de la Dominica de la Quinquagesima en festividad dei Santissimo 
Sacramento y quarenta horas. Lisboa, por Paulo Craesbeck, 647, 4.", 65 folhas. 

Ha vários outros sermões (feste mesmo auctor, também em iiespanhol, e 
estampados na mesma typographia. 

IV E ALE (ADAM ). 

Letters from Portugal and Spain ; containing an account of lhe operations of 
the armies under their E.rcellencies Sir Arthur Wellesley and Sir John Moore, 
jrom the landing of the troops in Maundego by to the battle at Corunna. Illustra- 
ted with engravings by Healh, Tittles, Warrcn, &c. London, 1809, 4.", 1 vol. 
XVI 348-116 pag. Com um mappa e estampas. 

NED CLINTOX^ or the Commissary. Comprising adventures and events 
during the Peninsidar War. London, 182o. 3 vol. 



12 NE 

IVÉE DE LA ROCHELLE (J. FR.). 

Recherches historiqiies^ et critiques sur Vétablissement de Vart typogrophiqxie 
en Espagne et en Portugal, pendant le xv siècle. Bourges, 1830, in-8.° 

NEGOCIO de las cuentas de D. António de Ramon y Carhonel con el go- 
bierno de S. M. F. Lisboa, typ. de Lallemant, &c., 1858. 55 pag. 

iXELLA solenne Professione nel venerabile Monasterio di Santa Margarita 
in Trastevere di Roma deW Ordine di S. Francesco delia Signora suor Maria 
Rosa Geltrude de Sousa. Sonetto dedicato alV Illustrissimo & Eccellentissimo Si- 
gnor Don Rodrigo Annes de Saa Almeida (sic) e Menezes, Marchese di Fontes, éc. 
In Roma. Nella slamperia delia Reverenda Camera Apostólica, 1716, foi. 

IVEMNICU (PHILIPl» AN RE AS ).— J. U. L. 

Portugisisches Waaren — Lexicon in drey Abtheihmgen. 

Portugisisch, Deutsch und Englisch. 

Englisch und Portugisisch. 

Deutsch und Portugisisch. 

Von . Hambourg, 1817. Gedruckt in der Bõrsen-Halle bei Conrad Miiller. 

4."* gr., muito largo. 342 pag. 

Esta obra foi pelo seu auclor submeltida .1 approvação do P. G. de Massa- 
rellos, o qual diz em carta datada de Hamburgo em janeiro de 1817: 

«Tenho a honra de devolver-lhe o manuscripto do Diccionario das Mercan- 
cias — porlugucz-inglez-allemão, que V. M. me communicou para eu revisar, 
emendar e amplifical-o. Ainda que pela minha longa ausência da pátria me sen- 
tisse já pouco apto para tal empreza, comtudo fiz o que pude para desempenhar 
o seu honroso conceito . . . 

"Sem lisonja lhe declaro agora que o resultado passou muito a minha espe- 
ctativa, pois a riqueza e perspicuidade que n'este diccionario original e único no 
seu género achei em todos os artigos da minha competência, bem pouco rumo 
me deixaram para emendas ou addições.» 

\EOMEMA Tuba máxima clangens sicut olim clanxerunt unisonae prima 
ft secunda Tuba magna Lusitânia buccinante ad Principes universos. Itálico dia- 
lecto translato Romae, hispânica phrasi transcripta Matriti. Gallico stilo exarata 
Parisiis. Typis mandata Ulissis-Augustae, 1759. 4." de xvin-l)3 pag. 

\ Eli VI (ANTOMO ). 

/ ÍAisiadi di Luigi Camoens. Traduzione di . Seconda edizione illustrata 

con note di D. li. Si aggiungono le notizie biografichc deli' Autore. Varii Cenni e 
Giudizio intorno ai poema e gli argomenti de Canti. Milano. Dalla Socielà Typo- 
graph. Dei Classici Italiani. 1821. 8." gr. l.«, xxxvii-271 pag.; 2.°, segue de 
273 a 517 pag. Óptimo papei, e estampas de Gallo Gallina. 

O 1." volume contém: 

1." Avvertimento degli editori ; 

2." Compendio delta vila di Luigi Camoens, scritto dalla Signora baroneza 
di Stael; 

3." Giunta dei Signor Villenave ai Compendio delia vita dei Camoens; 



NE *3 

4." Cenni dei Sig. Sismondo de' Sismondi sopra una miova edizione de' Lu- 
siadi e sopra esso Poema ; 

5.° Giudizio de Giovanni Andreas sopra 1 Liisiadi di Camoens ; 
6." Prefazione dei Traduttore ; 
7.0 Soggetto storico dei Poema. 

]\ETO (D.). 

Noticias recônditas y posthumas dei proceding de las Inquisiciones de Espana 
y Portugal. 2 vol. Villa Franca, 1722. 

INETSCttER (P. M.). 

Les hollandais au Brésil. Un mot de replique à M. Varnhagen. La Haye, 
1873. 8.^ gr., 19 pag. 

NEUBALER (M.). 

Notes sur des manuscrits héhreux existant dans quelques Bihliothèques de 
VEspagne et du Portugal. 1868. 

Vem no vol. v da obra: Arrhives des Missions scientifiques et littéraires. 
Paris, 1868. Começa a pag. 423. 

Diz que em Lisboa encontrou sómeole dois manuscriplos liebraicos: um é 
uma Bíblia escripla em 5060 (1300 de J. C), contendo no fim o Scpher han 
Nikkoiid, de H. D. Kamhi. E o outro uma parte das lamentações que se recitam 
nas synagogas a 9 do Ab. Algumas d'estas lamentações têem sido desconhecidas 
até hoje, principalmente a que trata da expulsão dos judeus da Ilespanha. 

Este relatório é deficientissimo. 

\EUGEBAUER (JOSEPIl ).— Jesuíta, da província de Áustria. 

Suas carias escriptas acerca das missões, foram impressas no Weltbott do 
P. Slõklein: 

Erster Brief F. Josephi Neugebauer, eines zeUlichen Mithelfers, aus der Gesell- 
schafft Jesu, Ocsterreiclmchen Provinz, an F. Ignatium HeindI, derselhen Gesell- 
schafft und Provinz Religiosen geschrieben zu Lissabon, dem 26 April 1737, pag. 9 
a 12. 

Ziceyter Brief Fratris Jofephi Neugebauer, Soe. Jcsu aus der Oesterreichi- 
schen Provinz íind Gesellschoffl Geisllichen, geschrieben in der Ilalblnsid Sahete, 
ndchst Goa, in Ost-Indien, dcm 20 Jennef 1738, pag. 12. 

Drities Brieflein F. Josephi Neugebauer, Soe. Jesu, an gemeldeten F. Ignatium 
Heindl, Soe. Jesu, geschrieben zu Goa, dem 30 April 1738, pag. 26. 

Vierter Brief F. Josephi Neugebauer, S. J. an F. Ignatium HeÍ7idl, derselben 
Gesellschafft, geschrieben zu Macao in China in 21 November 1739, pag. 27. 

Zehentes Brieflein F. P. Josephi Neugebauer, Soe. Jesu Missionarii aus der 
Oesterreichischen Provinz, an F. Ignatium Heindl, derselben Gesellschafft und Pro- 
vinz Religiosen, geschrieben zu Macao, dem 20 Christmonats. 1750, pag. 108. 

Eilfter Brief R. P. Josephi Neugebauer, Missionarii Soe. Jesu, an F. Igna- 
tium Heindl, derselhen Gesellschafft, geschrieben zu Macao, in China dem 29 
Christmonats 1750, pag. 110 a 124. 

Zôlftes Brieflein R. P. Josephi Neugebauer, der Gessellschaffl Jesu in Cochin- 
china, an F. Ignatium Heindl, derselben Gesellschafft, geschrieben zu Macao, dem 
3 November 1752, pag. 144 a 145. 



i4 NE 

\EU]tf A\N (JAMES L ). 

The ivine and its fruit, embracing an historical and deseriptive account ofthe 
gi'appe, its cuUure and treatement in ali countries ancient and modem. London, 
18o4, 8.°, 1 vol. xii-388 pag. 

j\EUVAIi\E à S. François Xavier ^ Ajmtre des Indes et du Japon, contenont 
Vahrégé de sa vie, Vorigine de la Neuvaine. Des réflexions sur les vertus du Saint 
et son éloge. Par un Père de la Compagnie de Jesus. A Lyon. (^hez Jacques J^ons. 
1710». 

NEUVILLE (MR. JACQUES DE QUIEIV ). 

Na Gazeta de Lisboa, de 1716, a pag. 48, diz: 

«Também fez mercê do habito da ordem de Christo, com 300iêOOO réis de 
renda eíYecliva, ao cavalheiro Le Quien de la Neufviile, francez, académico real 
das inscjipções e medalhas, em gratificação de haver escripto no seu idioma a 
Historia de Portugal » 

NEUVIIED (Pi;i.\CE WIED DE ). 

Voyage au Brésil dans les années Í815j 1816 et 1817. 

NEVELTES Bemalde von Lissabon. Leipzig, bey Karl Wilhelm Kiichler 
1799. 4.", 504 pag. 

NEW ENGLISH and portiiguese Spelling Book. London, 1747. 

NEW MILITAR Y map of Spain and Portugal. Published by J. Stockdale. 
London, 1811 

Carte colorée, en 2 feuilles l'",63 X 0'",213. 

NEW PASKAilUT van V ophomen der Straat Gibraltar tussen de kusten 
van Algarve j Andalusiaj Barbaria en Marrocco, dcc. Carte de navigation. Amster- 
dam. 0"',57 x O^SO. 

NEW (A) POUTDGUESE GRAMMAR. London, 1768. 

5.« edição. Lishon, 1812. 

10.» edição. Londres, 1827. 

NEW YORK HERALD. 

Em o numero de 26 de abril de 1880 publica um artigo sobre a traducção 
ingleza dos Lusíadas, de DuíT, com extraordinários elogios a Camões. 

NEWE UMREKANTIII'^ landte und in newe weldte in kurtz verganger 
zeylhe erfunden. Níireinbergk, George Sliichss, 20 setembris 1508, in-fol. 

Livro dos mais raros; alem da viagem dos portuguezes em volla da Africa 
e nas índias, e das relações das viagens de Colombo e de Vespucci, contém uma 



AugastiD el Alois de Uacker, Dilliolhèque des icrivains de la compagnie ae Jé$us, vol. vii, pag. 203. 



NO *s 

caria do Rei D. Manuel.de Portugal ao Papa Júlio II, datada de 12 de junho de 
1508, na qual relata as novas descobertas dos portuguezes. Foi vendido por 210 
francos no leilão Asher, em 1865 ^ 

NEWELANDES (OF TOE) and of lhe people \ founde hy the messengers 
of the kyn ge | ofportygale named Emanuel. \ Of the | dyvi rs vacyovs cristened. Oj pope 
John and his landes and of the costely keyes and wonders melo | dyes that in that 
lande is. | Emprented hy me John of Desborove, s. l. n. d., in-4, gotli. de 24 ÍT, in- 
numeradas, e 30 linhas na pag. inteira. 

É o primeiro livro inglez que contém uma noticia a respeito da America 
(chamada aqui Armenka, assim como Lisboa é baptisada LassaboeneJ. É uma 
obra infinitamente preciosa, a qual foi paga por vinte e cinco libras e dez schillings 
no leilão Caldecotl. Mr. Harrisse, segundo o que assevera Herberl e Dibdin, diz 
que o nome do Rei de Portugal, Manuel, fallecido em 13 de dezembro de 1521, 
e os insultos dirigidos a Luthero, que foi queimado em effigie no anno de 1522, 
podem servir de base para marcar a data da impressão. 

Emquanto ao typographo John of Doesborough ou antes Jan vau Doesborhj 
exercia pelo menos sua profissão em Anvers até 15252. 

IVICOLAUS VISSCOEU. 

Hispânia et Portiigalliae regna^ per . 1680. 

Niemve ende perfecte Caerte van het Coningryck ende Portugal end Algarve. 

MCERON (PÈUE ). 

Mémoires pour servir à Vhistoire des hommes illustres, par le . Paris, 

1737. 

Traz uma biographia de Camões traduzida de apontamentos dados pelo 
conde da Ericeira. 

NICOLAS (CHEVALIER ). 

Relation des fétes que le comte de Tarouca a donné au snjet de naissances de 
deux Primes de Portugal. Utrecht, 1714, in-12. 

NICOLAS (FRAY PABLO DE S. ). 

Antiguedades eclesiásticas de Espana, en los cuatro primeros siglos de la 
Iglesia. Dedicadas ai I^Jxcelentisimo Seíwr Don Balthazar de Zufiiga Guzmnn 
Sotomayor y Mendoza, Duque de Arion, &c., por . Madrid, 1725, foi. 

Trata extensamente das discórdias enti'e Braga e Toledo, por causa da pri- 
mazia. 

NIEREMBEIIG (JOÃO EDSEBIO ).— Natural de Madrid. 

Vida de Santo Ignacio y de S. Francisco Xavier. Madrid, 1645, foi. 

NOBILE (GAETANO ).— Cavaliere de' Reale ordine dei Salvatore 

di Grécia e di S. Michele di Baviera, decorato delle medaglie di oro dei mérito 



' Deschanips et G. Burnel, Snpplément au Manuel da Uhralre de Biirnet, vol. ii, pag. 2?. 
« Id., id. 



16 NO 

civile, lii Francesco I di Napoli, de' benemerenti di prima classe di Roma e di 
altre simili di onore, premialo con le medaglie di mérito nella prima esposizione 
italiana di Firenze dei 1861, e nel iniernazionale dei 1862. 

Omagio Hpographico. Napoli. Slabilimeiíto cromo-tipographico di Gaetano 
Nobili, 1862, foi. max. 

NOBLE (LE ).— liitendant militaire, chevalier des ordres royaux et 

militaires de Saint-Louis et de la Légion d'Honneur. 

Mémoires sur les opérations mililaires des (rançais en Galice^ en Portugal et 
dans la vallée du Tage en 1809, sons le commandement du Marechal Soiãt, àtic de 

Dalmatie, avec un Atlas militaire, par . A Paris, chez Barrois Tainé, 1821. 

4.°, 360 pag. 

NOBOZENSTWO ku czci S. Francitzka Xawera S. J. Liców, Dr. S. Froycy, 
1748. Leopoli, typ. SS. Trin. Id. sem logar nem data. 

NONIUS (L.). 

Hispânia s. populorum, urbium, insularum ac fluminum in ea descriptio. 
Antuerpiae, 1607. 

NOÚIE (J. W.). 

A new eharte of the Cape Verde Islands, draivn from the lotest authorities. 
Lisbon, 1824. 

NORIS. 

Songes de François Macedo dans son itinéraire de S. Augustin, dissipes avec 
facilite par Fidgence Fosseus, augustin, professeur en theologie, addressés au R. 
P. Macedo. 

«Francisco Macedo, portuguez, da ordem dos frades menores, auctor mui 
fecundo, com mais de oitenta annos de idade, publicou um livro a respeito da 
Encarnação, ao qual dá o epithelo de singular; nome, diz Norris (pois é este 
quem se occuita sob o pseudonymo de Fosseus), que não merece, por causa de 
sua doutrina singular, mas por causa de ser único. Lembrou-se o auctor de pôr 
no fim d*esla obra uma dissertação contra o monachismo de Santo Agostinho, e 
um ilinorario de Santo Agostinho. Como diz que sente prazer em se lembrar e 
em fallar de Santo Agostinho, e que tem mesmo gosto de se lembrar d'elle, deu 
isto motivo ao cardeal iNorris para colleccionar e refutar, debaixo do nome de 
Sonhos, as falsidades que notou n'este itinerário. Menciona cerca de cincoenta e 
uma, que lhe dão motivo para se divertir á cus^a do pobre padre Macedo 

«Julgarão das outras por esta : Macedo declara que para o futuro o anno 
indui)ilavel do nascimento, baptismo e morte de Santo Agostinho, ha de ser, 
para o nascimento 355, para o baptismo 3H8, e para a morte 431. Vós sois bem 
imperioso, diz- lhe Norris, fazendo assim leis sonhando, mas apenas sereis obede- 
cido pelos sonhadores. Vosso anno do nascimento de "Santo Agostinho é um 
sonho, pois nasceu a 13 de novembro de 354; o do baptismo não o é inferior, 
pois foi baplisado a 2'i- de abril de 387 ; e finalmente o da morte não passa de 
phantasia, pois morreu a 28 de setembro do anno 430 í. 



Joumat det Sçavans. 17U2, (lag. 44. 



NO 17 

NOlllSll (UEiVUICI ). — S. U. 

Cirdinalis, Paraenesis ad V. C. 

Joannem Hardiiinum S. J. P. Opus poslhumnm. Accessit ejusdem Thraso, seu 
miles Mticedonicus, Plautino sale perfrictuSj, opera Annibalis Corradini Veronen- 
siSj apud Paulum Marret. 1709. 

«Eis-aqui duas obrinhas, que não deixaram de parecer bem longas ás pessoas 
que, nenbuiii interesse tornando pelas questões pessoaes dos sábios, lêem tão so- 
mente para utilisarcm com as leituras. 

«A primeira é eonlra o padre Hardouín, jesuila, e a segunda contra o padre 
Macedo, franciscano portuguez. 

«Encontramos á frente do volume dois pequenos prefácios, um do que 
cuidou da edição, e o outro do impressor. O primeiro só diz respeito á Parae- 
nesis, que foi, segundo dizem, composto por occasião da apparição de uma folha 
volante, impressa ha vinte annos, sob o pseudonymo de Eumenkus Pacatus, e 
que foi por aquelle tempo attribuida ao padre Hardouín. Era a critica de algumas 
passagens do livro de Epochis Syro-Macedonum, composto pelo padre Norris. 
Este sábio religioso, que depois morreu cardeal, coinpoz então este escripto para 
responder, tanto á critica de sua obra, quanto a uma outra folha volante dirigida 
pelo mesmo auctor ao fallecido Mr. Vaillant, celebre antiquário. 

«No seu seguudo prefacio, que diz respeito igualmente ao padre Hardouín e 
ao padre Macedo, pretende o impressor que o padre Norris, pouco tempo antes 
da sua elevação ao cardinalado, havendo composto sua Paraenesis, não julgou 
depois que fosse de sua dignidade tornal-a publica, nem entrar em disputa, sendo 
cardeal, como o houvera feito não sendo mais que religioso agostinho; suppri- 
miu, portanto, a obra que vê hoje a luz da publicidade. Talvez o azedume e os 
gracejos que, de uma obra de critica fizeram uma peça cómica e uma satyra, 
contribuissem tanto, como nenhuma outra consideração, para a fazerem suppri- 
mir. O escripto contra o padre Macedo, publicado pelo padre Norris sob um 
pseudonymo, é ainda cousa bem diíFerente, tanto pela aspereza das exprobações, 
como pelo numero e acerbidade dos gracejos. 

«O auctor sabia de cór todos os ditos picantes de Plauto, e não se poupava 
muito no tocante ás applicações que d'estes fazia. 

«O impressor acrescenta que, entre as obras do padre Hardouín, que agora 
mesmo acabaram dé ser impressas em Amsterdam, não se encontram as duas 
folhas das quaes se trata aqui. 

«O padre Macedo tinha então oitenta annos e havia escripto 44 volumes, 53 
panegyricos, 60 discursos latinos, 105 epitaphios, 500 elegias, 110 odes, 212 epis- 
tolas dedicatórias, 500 epistolas familiares . . .« 

NORMANN (II.). 

Perlen der Weltlileratur. Aesthetisc-kritische Erlãuterung Massischer Dichíer- 
werke aller Nationen. Stuttgart, 1883. 

No vol. I. Die Lusiaden von Camoens. Resume de 1'action avec heaucoup de 
citations et notices biographiques et littéraires. 

NOTAS (LAS) dei relator con muchas otras anadidas. E no fim: Esta 
obra fué impresa en Salamanca, y acabóse á xx de mayo. Afio de mil y cccc y 
xcix anos. 



í8 NO 

Edição não citada. Mendez attribue a paternidade do opúsculo ao dr. Fer- 
nando Diaz de Toledo, secretario do Rei de Portugal, D. João II, e indica uma 
edição anterior, de Valiadolid, de 1493 ^ 

NOTE siir Ventrée de vive force d'une escadre française dans le Tage, le 14 
judiei 1831, Paris, 1844. 

IVOTES on the 'pretended riqht of the Princess of Grand Para to the jwrtu- 
guese throne. London, 1830. , 

NOTIOE BIOGRAPUIQUE sur Son Aliesse Impériale Dona Marie Amé- 
lie de Bragance, Princesse du Brêsilj Leipsic, 1857. Imprinierie de B. G. Teubner. 
4.° 77 pag. 

iVOTlCE et juslification du titre et bonne foy avec la quelle Von a étahly la 
nouvelle colonie du Sacrement de S. Vincent en la situation appellée de S. Gabriel, 
snr les hords du Rio da Prata. Suivant la de Lisbonne. Haye, 1713. 

NOTICE of the life and writings of dr. Félix Avellar Brotero. 
Foi publicada no Botanical Magazine. London. (Septembro e outubro de 
1845.) 

JVOTICE sur André Alvares d'Andrade et sa description de la Guinée. 
Paris, 1842. 

NOTICIA breve de la enfer^medad de la Duqueza de Aveiro y Maqueda. 
Madrid, 1715, 4.'» 

. NOTICIA cierta de la famosa batalha y victoria que cortsegnieron los por- 
tugueses e aliados a las armas dei Rey D. Felipe V en el campo de Almanza a 25 
de abril de 1707. 4.° 



NOTICIA de la milagrosa imagen de S. Francisco Javier, que se venera en 
el real Collegio de S. Ildefonso de Mejico. 1802, in-12. 

NOTICIA de las funcciones y fiestas con que se ha celebrado el desposorio de 
la Serenissima Seíiora Infanta Dona Carlota Joachina, nieta dei Bey, hija de los 
Príncipes Nuestros Senores, con el Serenisimo Seíior Infante de Portugal Dou Juan, 
hijo de la Beyna y dei Rey Fidelisimos. Para Supplemento de la Gaceta de Madrid, 
de 1 de abril de 1785. 

Existe um exemplar na bibliolheca publica de Lisboa. 



' Descliamps et G. Brunei, Suppltment au Manuel du libraire, vol. ii, pag. 39. 



NO 1« 

NOTICIAS extraordinárias que contienen lo mas tracte que han fet los Im- 
periais ai germa dei Rei de Portugal que tenian prés. Barcelona, Staiup. de J. 
Romeu, 1643. 

NOTICIAS individuales de lo obrado en cinco dias en Castilla, porias armas 
dei Rey, comandadas por el conde de la Piiehla, de Portugal. Zaragoza, 4.°, por 
F. R. e Mendoça. • 

NOTICIiVS recônditas y posthumas dei procedimiento de las Inquisiciones de 
Espana y Portugal j con sus ^yresos. Por un anónimo. Villa Franca, 1722, 4.», 1 
vol., 140 pag. 

NOTIZIE intorno agli scritti di Manuel Maria Barbosa du Bocage. Lettera 
Del Cav. Giovenale Vegezzi-Ruscalla. Al Marchese Dâmaso Pareto. Asti, 1860. 
Tipografia de' Fratelli Paglieri, 47 pag. 

Dolce è vedere nel primo tempo estivo 
Adornarsi il mattin di vagiu fiori, 
E r arena lambendo i chiari umori 
Scorrer dei moUe e lamentoso rivo. 

Dolce è 1' udire il tenzonar giulivo. 
D' innamorati aligeri cantori 
Fra r ombre fresche ed i suavi odori 
D' opaca selva o cespuglioso olivo 

Dolce è veder ne la stagion di Flora 
Stagion d' amore azzurri i cieli e i mari, 
E r erba giovinetta che s' infiora. 
Però piú dolce è aver, se a ciò t' invita ' 
11 mio dolor, dagli occhi tuoi si cari 
Morte d' amor, che senza amor tal vita 

Te ne presento un altro ugualmente di genere erótico nel quale parmi siano 
osservate tutle quelle condizioni che il Tasso nel terzo discorso sull' Arte poética 
vuol si trovino ne' sonnetli, cioè quella soavità, questa venustà e quella amenità 
di concetli que fan belli i lirici componimenti: ' 

Deh I vieni a liberar, diletta Armia, 
II triste schiavo e a consolar V amante, 
Che sconforlato, e in lacrime ogni instante 
Un pensiero, un sospir, Donna, t' invia. 
Giorno piu puro 1' occhio tuo mi dia ; 
Piú vago fior mi moslri il tuo semblante 
Del fior di Citerea ; fior corruscanle, 
Che coir aura d'aprile comparia. 
Inimica d'amor ô la tardanza; 
Qui vieni, amica, a compiere il riscatto 
D' uom che mal freiía Tavida speranza. 



»» NO 

Vien nel rivo a specchiarti, e dalla sponda 
Aniirar come, illuse dal ritralto. 
L' aure amorose ne accarenzau 1' ouda. 
E per ultimo ne reco uno che discovre in pensieri 
Ben altri clie erolici, e ci riduce alia memoria 
Quello dei cigno di Valchiusa, che dice : 
•Padre dei Ciei dopo i perduli giorni». 
Ovvero quello delio svenluralo cantore di <" ^tTr.^ ^^ • 
■ Padre dei Ciei, ch'aitrâ nabe ii calle». 
Picciati de farne lettura: 

La face de' miei di si è fatia oseura * 

Di milie affetti fra la turba ardita, 

Eppur credelli, oh mia fatal svenlura I 

Fosse eterno il cammino delia mia vita. 

Comnie tutto quagiu píissa e uou dura 

Or veggo appieno; è ilusiou svanila ; 

Io pur dovrò morire ! sluzí >'alura 

1/ estrema fossa a me vícina addita. 

Oh ! piacer'. miei compagni e miei tiraiini, 

Quest' anima che sento illanguidire, 

Per voi fu tratta in braccio ai disinganni 

Oh Dio I . . . vicino ali' ultimo parlire 

M'acquisli un punto ciò cb'hao perso gli anni; 

Chi viver non sapea sappia morire. 

Nel quarto verso delia prima slrofa, V autore rifieri un veríssimo pensiero^ 
che mi ricorda quello dello celeberrimo Younç' ' -^''-^ ""ima delle sue n^"- ^■'*'» 
egli dice deli' uomo : 

He thinks himself ímmortal ; 

AU men thiok ali men mortal but themselves. 

Egli è genlile como Anacreonte allcr che tocca pid leggiere corde ; ed ecco- 
(ene pur un bel saggio nella seguente canzonetta indritta alia rosa : 

Tu fior de Venere Quanto ai diurno 

Purpúrea rosa. Sol fiammeg^Maiite 

Lieta, fraganle. Cede la pallida 

Pura, odorosa ; Luna inconstante, 

Tu eh' a ogni fiore Tanto a Marilia 

ínvidia fai. Rosa, tu cedi 

Come Marilia Tu che il prímieio 

Grazia non hai. He' fior ti credi. 



lim ser ariporpi 



NO 



21 



1/ onnipossente 
Fervido Amore 
Le pose fiamma 
Pid vi^-a in core. 
Tu vesli acuie 
Spine pungenli ; 
Eir ha soavi 
Labbra riiienti. 



S' inorgoglisce 
De' fior la Oea, 
Flora, tua madre, 
Quando li crea. 
Pêro Marília 
Nel dolc« viso 
Bellezza accoglie 
Di Paradiso. 



i.on is^>oiuieniar 
Da te non hanno 
L' aure che mille 
Baci te danno 
.Marília belia 
Sente, respira, 
Miei doici canui 
Ode e sospira. 



Amore dica 
Se bella sei 
Pià di Marii 

Lo dica Venere, 
Ch* noi sen viene 
Ma no ... m' inganno, 
Egli è il mio bene! 



Volgiamoci ad un genere ancor piti semplice di poesia, quello di Pilpai o 
Bidbai neirindia. 

Qnesto poeta, nativo di Villa Rica (Brasile), fu fâcciato da suoi malevoli 
d' aver preso parte in una cospirazione contra il Governo; fu quindi trasportato 
ad Angola nell' Africa, dove mori nei ferri. II suo aiFetto per Marília fu reailà, 
non ctiimera. Egli veramente i' amava, e negli orrori dei cárcere il cjinlare di 
Lei e sol di Lei, fu Túnica e rx>stanle sua occupazione. Nel 1844 io publicai la 
traduzione deirintiero canzionière di questo poela (Torino, stamperia sociale). 
Cosi oitre il Camões abbiamo in italiano anche il Gonzaga. 

n passero in gabbia 



Neiia gabbia imprigioiiaio 
Lamentando il suo destino, 
Slava un x-ago passerino, 
Che fra sè dicea cosi : 

No, non, v' è nel mondo ai certo 
In angel piíi sfortunalo. 
Pai mio nascer fui dannato 
A trar vila in servitíi. 
E accresce il mio dolore 
I! pensier ch'un di contento 
Svolazzava a mio talento 
Sn le piante, in mez^o ai fior. 
Maledella mií» imprudenza, 
Ed il visco Iradilorel 
Ah ti venga. o cacciatore, 
Fulmin tosto a incenerir ! 



Peccai forse? A tue semenli 
Dimmi, ho dato forse il guasto? 
Feci il corvo suole usar? 
No; d'agrestj inculte piante 
In que giomi mi nutriva, 
Epperó nulla rapiva 
Air umana società. 
Airumana . . . No, crudeli, 
Di ragione il l)enefizio 
rx)lmi v' ha d' inganno, vixio 
E bruttura il fero cor. 
Se voi siele si gelosi 
Delia vostra libertate, 
(kín qual dritlo v' usurpate 
Poi la noslra liberlà? 
Ciò che in voi tesori vale 
NuHo avrà per noi valore ? 



Í22 



NO 



Ogni dritto 1' oppressore 

Deir oppresso scancellô 

Debolezza sol ne tarpa 

O c' irifrena in gabbia i vanni, 

Che il diritto dei tiranni 

Sul Ia forza assiso slà. 

Ebbe r uom la primazia 

Sovra Tordine animale 

Pur 1* iniquo sen prevale 

A oitraggiar la Deita 

Ma che dico? Ah triste! iiivanno 

Mihi querelo di mia sorte, 



Nulla monta in faceia ai forte 
Di giustizia ragionar. 
Qui r angel cesso il raceonto 
Di sue pene e di sua rabbia, 
Perche presso delia gabbia 
Giunger vede il suo signor. 
Su le spalle ha 1* archibugio, 
E nel suo carniere ei porta 
Selvaggina meta morta 
E meta presso a morir. 
Dalle barbare ferite. 



A D. Ignez de Castro 



Coprito r ara, 
Sfogliate i flori, 
Morite, amori, 
Ch'Ines mori. 

Misero sposo 
Stemprati in pianto, 
Chè il vago incauto 
Per te spari. 



L' ebúrneo seno, 
Tesoro occulto, 
Da duro insulto 
Non la salvo. 

II sol, che vide 
Gr immani oltraggi. 
Nasiosi i raggi, . 
Si spaventó 



Queir alma pura 
II cielo or serra, 
Trista la terra 
Che la perdô ! 



Qui canta il gufo, 
Qui r lupo rugge, 
La terra muge, 
S' oscura il di. 



Centro la cruda 
Rabbia ferina 
Forma divina 
Nulla pote. 



Coprite r ara, 
Sfogliate i fiori, 
Morite, amori 
Ch' Inês mori. 



NOTLEY (EDWIIV A,). 

A comparative grammar of the frenchy italian, spanish, and portugíiese lan- 
guages. A copious vocabiilanj alphabetically arranged is appended. London, 18G8, 
8." oblongo, xv-396 pag. 



NOUGARET (P. J. B.). 

Aventures les plus remarqnables des rnaríns, ou Précis des naufrages et acci- 
dents sur mer les plus extraordinaireSj depuis le xv siècle jusqu'á 7ios jours. Ou- 
vrage utile aux navigateurSj aux naturalistes, et rédigé pour Vinstruction et 

Vamusement de la jeunesse. Orne de quatre estampes en laille douce. Par . 

A Paris, cliez Tourneux, 1821, in-8.^ viii-444 pag. 

Relativamente a Portugal, traz o seguinte: 

Naufrníjfí (lo Manuel de Sousa, pag. 1 a li; 



xNO 23 

Le vaisseaux portiigais Lc Saint-Jacqiies, monte par Vamiral Fernando Men- 
doza, hrisé sur les écueils appellés Baixos de Judia, à soixante dix lieiíx des cotes 
orientales de l' Afrique en 1586, pag. 32 a 39 ; 

Nanfrages dans la mer des Indes et sur les cotes de Siam, au seizième siècíe, 
par Fernando Mendes Pinto, pag. 45 a 55 ; 

Natifrage Doccum Chamnam, mandarin siamois, au cap des Aiguilles, à Vex- 
tremité méridionale de V Afrique, en 1686, pag. 168 a 193 ; 

Naufrage d'ime patache portugaise sur un bane de sable, vis-à-vis des iles 
Calamianes, mer des Indes, en 1668, pag. 194 a 200. 

IVOUVEAU guide de conversations modernes ou dialogues usuels et familiers, 
contenant, en outre, des nouvelles conversations sur les voyages, les chemins de fer, 
les bateaux à vapeur, éc. En six langues : français, anglais, allemand, italien, 
espagnol, portugais. A 1'usage des voyageurs et des personnes qui se livrent à Vétude 
d'une ou de plusieurs de ces langues, par MM. Bellenger, Witcomb, Stener, Zi- 
rardini. Pardal et Moura. Paris, librairie européenne de Baudry, 1875, 8.® peq., 
217 pag. 

IVOUVEAUX Advis des Indes Orientales et du Jappon, concernant la con- 
version des gentils, envoyez au General des Jésuites. Paris, 1581, in-8.'' 

Volume mui raro. Foi reimpresso no anno seguinte em Lyon, em casa de 
Benoist Rigaud, 1582, 8.» 

IVOUVEL Abregé de tous les voyages aiitour du Monde depuis Magellan jus- 
qu'à D'Urville et Laplace (1519-1832), orne de seize gravures en taille douce. 
Nouvelle édition revue et corrigée par une Société d'Ecclesiastiques. Tours, 1838. 
2 vol. in-S." 

NOUVELLES de Van 1587, des royaiimes de Japon et de Chine, situes aux 
Indes Orientales; tirées d'une lettre du Provincial de la Compagnie de Jesus. 
Douay, 1588, in-S.» peq. , 

NOUVELLES interessantes au sujet de-Vattentat commis le 3 septembre 
1758, sur la personne sacré de Sa Majesté Très-Fidèle, le Roi de Portugal. Romae, 
ex-typis Reverendae Camerae Apostolicae. 1760. 

Segue : 

Recueil des pièces qui n'avaient pas encore paini en France, concernant le 
procès des Jésuites et de leurs complices en Portugal. Sem logar nem data. 

NOVA UEGNI Portugalliae et Algarbiae descriptio multis in locis emendata 
a Joanne de Ram. Amstaelodami, apud Joannem Ramires, 1720. 

NOVA RELATIO Histórica de rebus in índia Orientuli a Patribus Socie- 
latis Jesu, anno 1598 et 1599 gestis a R. P. Nicolai Pimenta, visitatore Societatis 
Jesu, ad R. P. Claudium Aquavivam ejusdem Societatis Praepositum Generalem 
missa. Moguntiae, ex-oflicina typographica Joaunis Albini, 1601, in-8.» 200 pag. 

Esta carta é datada de Goa, 8 das Cal. de Janeiro 1599. 



24 NO 

IVOVA VICTOUIA dei S. Re de Portugallo in índia et de Ia presa de la 
cita de Malacha che fa Fochi 25 milia et de molli altri insule et regni Uqiiali asu- 
bingati ala Fede Cristiana &c., de loro habiti e costumi portature de arme co lo 
carricho de ire nane grosse de mercatantia portate da índia in Portugallo, la uia 
e lo modo de conquisfare terra Sancta con malte altre gentileze . . . cavata da una 
lectera dei Re de Portugallo; mandata alia Sa^itità dei Nostro Sanctissimo Leone 
Decimo Pontífice Máximo. 

NOVAS EXTRAOUDIIVARTAS que cojitenen lo mal tracte que han [et 
los Imperiales ai germa dd Rey de Portugal que tenian prés Cartas que donan 
noticia de las cosas de Alemanya ; y la preparado de guerra en Inglaterra. Ab 
Llicencia en Bnrcelona. En Ia Estampa de laume Romeu davant sant laume. 
Any 16i2. 4 folhas nâo paginadas. 

Bibliotheca publica de Lisboa. 

IVOVELLE interessante in propósito degli affari dei PortogaUo e delV atten- 
tato commesso a 3 settembro 1758 sulla sagra e Real Persona di S. M. Fedelissima 
Ginseppe 1. Traduzione dalV originale francese. Derna, 1760-1761, in-4.", 3 vol. 

novíssima et accuratissima regnorum Hispaniae et Portugalliae mappa 
gcographícus cura M. Sciitteri. 1740. 

novíssima regnorum Portugalliae et Algarbiae descriptio emendata a 
F. de Wit. Amstaelodami, 1680. 

novo mundo (O). Periódico {Ilustrado do progresso, da politica, litte- 
ratura, arte e industria. Nova- York. Escriptorio do Novo Mundo, 39 e 41. Park 
Bow. 1870. 

Também n'aqui!lla cidade se pubh'cava ao mesmo tempo La America illus- 
irada. Nova-York, .1. C. Rodrigues. 

' Hoje (março de 1892), estou habilitado a provar que a lingua portugueza 
nos Estados Unidos é mui cultivada, e que é muito grande o numero das obras 
portuguezas estampadas n'aquellá celebre republica. 

NUEVA UELACION^ y curioso romance, en que se declara el con flicto que 
causo á la Ciudad de Lisboa, y su jurisdiccion, á la disformidad de un Monsiruo 
Marino, que se encalló en el margen dei Mar, arrojado de una grau tormenta; y 
el pavoi' que les occasionó los repetidos bramidos, que para dar el ultimo aliento, 
expedia ; con lo demás que verá el discreto Lecior. Succedió á 23 de Enero de este 
presente ano de 1137. 

No fim: (^on licencia. En Madrid. 4 pag. em verso. 4." 

Bibliotheca publica de Lisboa. 

NUEVA 8 y curiosas coplas sacadas de el Juego de los Cientos, a la feliz 
ricloria de Nuestro Catholico Monarca Felipe V, que Dios guarde y prospere 
muchos afios para e.rãltacion de nuestra Santa Fé Catholica y frcno de rebeldes. 
Conipuestas por un particular ingenio. 



NY 25 

NUIV (TIIE) of Arouca. A tale. London, 1822. 

IVUOVA delia prese delia gran Cita di Diu per lo invictissimo Re de Por- 
togallo et de Vartegliaria^ et grandissimo tesore che dentre vi si trovo. 1536, 4.° 
peq. Com o titulo em letra gothica e armas de Portugal. 

Um exemplar vendido no leilão Tross em 1872, subiu a 90 francos i. 

NUOVO y curioso romance dei estrago causado el dia de Todos Santos en la 
villa de Huelva ; declarase como reverto la Mar, y el Rio, pereciendo mas de dos 
mil personas, arruinados los Templos y las casas, y assistiendo los poços vecinos, 
que han quedado, en chozas, dando noticia, como cayendo en el Convento de la 
Victoria parte de su Templo, y Altar Mayor, entre sus ruínas se encontro el Sa- 
grario todo rompido, menos el Sagrado Copon, que lo cuhria milagrosamente en 
médio ladrillo ; con otras particularidades. Ano 1755 Sevilla, en la Imprenta de 
Joseph Padrino. 

NYEL. — Jésuite, préceptcur dcs Infants d'Espagne. 

Lettre oii il est parle de Varrivce de D. Alexandre Metello Sousa e Menezes, 
ambassadeur de Portugal vers rEwpcreur de la Chine, des honnenrs qu'on lui fit, 
des cérémonies observées en cette occasion. Pekin, 8 octobre 1827. 

Vem nas Lettres Édifiantes, tomo in, pag. 449 a 456. 

IVYE DIGTE5 Af SchacJi Staffell. Kiel, 1808, 8.» 

A pag. 17o vem um poemeto intitulado Camões, em versos do diíTerentes 
medidas, e a modo dramático, sendo interlocutores: Camões, um frade, o Jau de 
Camões, e vozes de Anjos. Contém 24 pag. 2 



Dcsclíanips ol G. Bnincl, Supplcmevt au Mannel dn (ihrairc, vol. n, pag. 51. 
Garrett, Gamõoí, pag. 278, edição de Lisboa, 18i4. 



«Lo Princo Heiíri, fils dun sonverain, donl Ics ciais n"ólaiont 
pas plus gratids que la inoilió (l'unc do nos módiocrcs provinces, 
cnlreprit de pénétrer le reste de la terre, et de s'en rendrc le mailre, 
à litro de découverte.» 

fL'Espion Chinois, vol. i, pag. 218.) 



OATII and no Oath, or Le serment de D. Miguel. Translated froiii Lêfjiíi- 
mité portugaise. London, 1830. 

Partie seconde du complot contre le Prince D. Michel. Paris, 1827. 

OBERSTEINTEU (H.). 

Nach Spanien and Portugal. Reise-Erinnerungen aiis deu Jahren Í880 und 
1882. Wien, 1803. 203 pag. in-8." 

Cap. III e IV : Lissahon, Porto, Braga, Coimbra, Camões. 

OBSERVACIOXES criticas acerca de la conoersacion entre un foraslero 
y vecino de la islã de Leon sobre los derechos de la Princeza dei Brasil á la suce- 
sion eventual dei throno de Espana. Cadiz, 1811, 4." 

OBSERVAÇÕES sobre a historia natural de Goa, feitas no anno de 1784, 
por Manuel Galvão da Silva. Nova Goa, 1862. 

OBSERVATIO^S critiques d'iin romain sur Ics rejléxions d'un portugais, 
ou Nouveau Supplement aux dites reflexions sur le Memorial des Jésuites presente 
ã N. Saint Père le Pape Clement XIII en Europe. 1760. Sem logar de impressão. 

OBSERVATIONS des Jésuites de Borne sur le manifeste de Portugal de 12 
Janvier. 1758. 



28 OL 

OBSERVATIONS siir la conduite du ministre de Portugal dans 1'affaire 
des Jésuites. Traduction de Vitalien. 2 parties. 1761. 

OBSKIWATIOIVS sur lesdroits au throne de Portugal. P;iris, I8â9. 67 pag. 

OBSERVATIO]\S sur 1'attmtat du 8 sepiembre 1758 contre la vie du Boi 
de Portugal. 

OBSEIWATIONS sur un livre intitule Philippes le Prudente fils de Charles 
Ic Quint, verifié Roíj legitime de Portugal, des Algarves, des Indes et du Brésil; 
composé en latin par D. Jean Caramuel Lobkowitz, religieu.r de Vordre de Cis- 
teaux, docteur de Louvaín & ahhé de Melrosc: à Anvers. A Paris, chez P. Rocolet, 
Imprimeiír et libraire ordinaire du Roy, au Palais, en la galerie des prisonniers, 
aux armes du Roy et de la ville, 1641. 

ODDI (LONGAUO DE GLI ). 

Vita e virtu delia Serenissima Mariana d' Áustria Begina di Portogallo. Roma, 
1766, in-8.« 

ODE per Vanniversario de S. M. il Be D. Fernando di Portogallo. Lisbona, 
1856, in-fol. (II ventinove ottobre). 

OFFICIA Sanctorum Francisci Xaveni, Thoniae a Villa Nova, Bernardim 
Senensis, Petri Nolasco, Francisci Salesii, Andreae Corsini, mandato AlexaU' 
dri VI] Breviariis rowanis apponenda. Vilnae, 1667, in-4.** 

OFFICIER (A]V ).— An employed in his army. 

Memoir of the campaigns of the Duke of Wellington in Portugal and Spain. 
London, 1820. 

OFFICIER FRANCAi;S, attaché au service de D. Miguel. 

Campagnes de Portugal en 1833 et 1834; relation des principaux événemens 

et des operations militaires de cette guerre par un . Paris, 1833, 8.» gr., 

viii-311 pag. 

O auctor, que é o barão de Saint Pardoux, é um verdadeiro amigo de 
D. Miguel, e logo na primeira folha do livro põe a seguinte epigraphe: 

«Un Rol si aimé de son peuple, un peuple si aimé de son Roi, étaient 
dignes d'un meilleur sorl.» 

0>KELLE\ (JOAIVNES ).-- Praienses Collegii Ciconini Conviclor. 

Sa?icto Francisco Xaverio Indiarum apostolo se svasque philosophicas theses 
puhlic.e propugnandas. Data post tertium pro arhitrio vénia apponendi. Floren- 
tiao. 1706. Ex lypograpliia Paperiana, in-fol., 32 pag. 

OLI>E^'Bl I\(;ERI (PIIILIPPI ANDBEAE ). J. Cli. Jiirispruden- 

liae Iam publica^, quain privatne in int-lila Genevensi Republica professoris. 

Thesaiiri rernm puhlicnrum pars prima contincns regna llispaniae, Lnsiía- 
niae; regna Asiae; regnum Asiac ; rcgmim Jnponiruni : Tartaricum: Chincme ; 



OL 



áo 



MiKjni Muijons , Pemiae^ Turciae^ Tartariae ; Regnum Tessanum et Maroceanum 
denique regnum Abyssiiwrum. Cura et stiidio. Genevae. Apud Samuelem de Tour- 
nes. 1075. 

Bibliotheca publica de Ajuda. 

OLDKIVOW (REV. JOSEPH ).— M. A. of Chrisfs Gollège, Cam- 
bridge, perpetuai curato of Holy Trinity Chapei, liordesley, Birmingham. 

A month in Portugal. By tJie . London, 1855, 8.^ ix-165 pag. 

«As margens do Minho são mui bellas, tanto no território hespanhol como 
no portuguéz. Enxergavam-se bellos montes, algumas vezes com capellas nos 
seus pincaros, e férteis valles. Aqui e alli ob*ervam-se eastellos e agradáveis 
aldeias, algumas das quaes me traziam á lembrança as praias de Loch-Lomond. 
Entre eslas eu fiquei particularmente encantado de Villa Nova da Cerveira. 
Podiainos também avistar as alturas de Caminha. O rio alargava-se á medida 
que o Íamos descendo, e por fim lornou-se tão largo como o Tamisa em Chelsea, 
ou mesmo ainda mais largo.» Pag. 16. 

«Vianna está lindamente situada na foz do Lima.» Pag. 21. 

f'A vista que se observa da ponte do Lima é magnifica.» Pag, 24. 

«Portugal torna-se notável por suas más estradas.» Pag. 24. 

"Os portuguezes conservam as suas estradas em péssimas condições para 
ohslarem á invasão dos hespanhoes.» Pag. 25. 

«Em Harcellinhos íiquei e.spanlado por encontrar sete igrejas!» Pag. 20. 

«As publicações mais vulgares em Portugal são livros de indignos escripto- 
res francezes.» Pag. 28. 

«Fiquei espantadíssimo de que os presos das cadeias me pedissem esmola.» 

«A igreja de S. Pedro de Rates é uma bella construcção normanda do sé- 
culo XI.» Pag. 31. 

«Os mouros deixaram evidentes traços de sua primeira oceupação n'estc 
paiz, tanto pelo estylo das construcções, como pelas feições dos seus habitantes.» 
Pag. 34. 

«Porto, onde entrámos a 5 de maio, é na realidade uma cidade muito linda 
e imponente.» Pag. 35. 

«A vista do rio e do mar é encantadora.» Pag. 36. 

«As margens do Douro são mui bellas e românticas, e otferecem á gente do 
Porto muitas vistas encantadoras de diíTerentes partes da cidade.» Pag. 36. 

«O Douro é muito menos considerável do que o Tejo, mas as bellezas que 
do Douro se observam são muito superiores.» Pag. 37. 

«A vista que das Fontainhas se gosa ainda é mais brilhante e esplendida. 

A pag. 39 declama contra a extincção dos conventos em Portugal. 

«O Porto, visto de Villa Nova, apresenta uma vista muito linda e soberba.» 
Pag. 49. 

A pag. 51 faz bastantes censuras á sé do Porto*. 

«Todas as sés de Portugal são pequenas, mas o eífeito geral da de Vizeu 
é mais solemne do que o de qualquer outra que tínhamos visto.» Pag. 78. 



' Esle escriplor inglez, apesar de protestante, é um ervido apologista das ordens monásticas em 
Portugal. Esle padre inglez approva a existência das imagens. (Pag. 90.) 



OL 

30 

«O rio Zêzere é afamado por sua belleza, mesmo entre os bellos rios de 
Portugal.» Pag. 99. 

"Thoinar é uma povoação muito bonita.» Pag. 107. 

«A Tentativa theologica do padre António Vieira é uma das mais hábeis 
defezas contra as usurpações dos Papas. « Pag. 108. 

«Em Ourem, as eôres das arvores, dos arbustos e das flores são muito 
bonitas. « Pag. liO. 

«O templo da Batalha é uma construcção de estupenda magnificência, e a 
gloria architectural de Portugal. «> Pag..lll. 

«Tudo ai li nos penetra com o senso da sua sublimidade». Pag. 111. 

"É impossível dar uma idéa dos claustros.» Pag. 114. 

«A porta Occidental da igreja é admiravelmente magnifica.» Pag. 115. 

Batalha 

We were kneeling in Batalha, about the dawn of day, 

When the aisles were dim and shadowy, and the roof was wan and grey, 

Hand by our own Philippa's tomb, where, neath that royal pile, 

Upon the cold and marble lips still dwells a heav'nly smile. 

And by her victor-hushband's side, through Him That died to save, 

She testifies that earthly love is njightier than the grave. 

And we thought of our dear land and hers, that lies beyond the sea, 

And we prayed for swift and safe return, if God'.s good pleasure be. 

Then, once more gazing on the scene, we turned and went our way. 

For o'er lhe mountains, many a league, our weary journey lay. 

But ne'er to see such church as this so thought we as we pass'd 

Till we reach the New Jerusalém, which God us grant at last. 



O caso é^que esta estirada poesia, á qual o auctor dá o pomposo nome de 
Batalha, em vez de cantar as bellezas d'este edifício, só trata de considerações 
religiosas. 

Diz a pag. 118 que no tempo da missa estavam reunidas na igreja da Ba- 
talha não menos de duas mil pessoas. 

«A situação de Lisboa, erguendo-se sobre vários montes na margem direita 
do Tejo, é realmente magnifica; e também o é a vista d'el]a do rio.» Pag. 130. 

«A immundicie, porém, é extraordinária, como o confessam Beckford em 
1787, Southey em 1796, Lord Byron em 1809 e Mr. Matthews em 1817. Oldknow, 
porém, confessa que no seu tempo as cousas estavam já em melhor estado.» 

Pag. i:h. 

«Lisboa é agora uma das mais aceiadas cidades da Europa, pelo menos 
(Paquellas que eu tenho visto.» Pag. 131. 

Faz ardentes votos, a pag. 134, para que a igreja do Carmo em Lisboa seja 
restaurada e entregue ao culto. 

<«0 aqueducto das aguas livres é estupendo.» Pag. 135. 

Concorda com Southey, que diz ser Cintra «mais bella que sublime, mais 
grotesca do que bella». Pag. 140 

E remata este volumesinho acerca da innnundicie em Portugal. 



OM :fi 

OLISIPO5 sive ul perveiustae lapidtitn inscriptiones habentj Ulyssippo, vulgo 
■Lisbona florcntiss. Portugalliae empormm. Grande viie tirée de Braun et Hogenherg. 
15710'",20xO'",48. 

Na mesma folha uma outra vista: Cascale oppididum et Bethelem; prope 
OUsiponem. O"", 12 x 0"',48. 

OLIVEIRA (SATURNINO DE SOUSA E ). 

Elementos grammaticaes da língua nbundu. Loanda, 1804, 4.*' xv-71 pag. 

OLIVE!\ZA LUFFMANN. 

A strong fortress of Portugal. London, 1801. 

Mertola, from the north. Belle gravure^ colorée. By J. C. Stadler. (\ers 1800). 

OLLA POTRIDA literarische Quartalschrift von O. Richard. 1779. Berlin, 
Wevei'sclie Buchh. 2 vr 1., 8.° 

Vol. i: ( VierteljahrgangJ cont: Abhandlungen und vermischte Adfsãtze, pag. 246 
a 260. Portugiesische Dichter: Luiz de Camões (Vida e litteratura.) 

OLLENDORF (D. H. G.). 

Nouvelle Méthode pour apprendre à lire^ á écrire et à parler une langue en 
six móis, appliquée au portugais. Ouvrage entièrement neuf à 1'usage de tous les 

établissements d' instruction publique et particuliers de Vun et Vautre sexepar . 

Paris, 8." gr., 478 pag. 

OLLOQUI (D. EMÍLIO ). 

Fray Luis de Sousa. Drama histórico en três actos dei Visconde de Almeida 
Garrett, traducido por . Lisboa, imprensa nacional, 1859. 

OMAGICO ILDO A. A. R. 

Per gli gloriosi sponsali effectuati fra' gli reali figliuoli deisempre Massimo 
Monarca Giovanni Quinto, Be di Portogallo e d' Algarbe, e dei Re Catholico Fi- 
lippo Quinto di Castiglia. Sonetto di . 

OMAGGIO TIPOGRÁFICO. 

Per le nozze di Sua Altezza Reale Maria Pia di Savoja con Sua Maestá 
Don Luigi I, Re di Portogallo e delle Algarvie. Omaggio dei tipógrafo fiapoletano 
Caetano Nobile, cavaliere de' reali ordini dei Salvatore di Grécia e-di S. Michele 
di Baviera, decorato delle medaglie di oro dei mérito civile, di Francesco I, di Na- 
poli, de' benemerenti di prima classe di Roma e di altre sirnili di onore, premiato 
con le medaglie di mérito nella prima esposizione italiana di Firenze dei 1861, e 
nella internazionale di Londra dei 18G2. Napoii, stabilimento cromo tipográfico 
di Caetano Nobile, 1862. Foi. max. 

E un altro fior di tua regai corona 

O Itália si scompagna ! 
E sen fregia la terra, a cui fan zona 

L'Atlantico e la Spagna ; 

Antiqua, Ínclita terra, 
Che novi fali nel suo grembo cr serra. 



32 OM 

Qual dagli eterei padiglion la liice 
Rutila si riversa, 

E gioia e vila sfolgorando adducc 
Ove natura aspersa 
Tacea di nebbia folta, 

Ne' granii veli delia noite avvoKa; 

Tale, o sabauda vergine, risplendi 
D' ai te speranze opirne, 

E dei tuo amore i Liisitani accendi ; 
Popol che un di la cima 
Deir alma gloria tenne, 

Quando spiegava a nevi mar le antenne. 

E 01- le occidue varcando afriche spume, 
Or d'America l'onda, 

Gli ozi sdegnando delle ignavo piume, 
S' ebbe 1' aura seconda 
In mille audaci eventi 

Emulator di glorie e di porfenti. 

D' egregi fatli Lusitânia è piena, 
Cui nnlla musa oblia. 

Quando ne aspirerai Taura serena, 
Formosissima Pia 

Ne udrai la gloria e il vanto, 

E dei gran cigno portoghese il canto. 

Oht spiega il vello sulle ambrosie trecce, 
E nella tua belleza 

Vola, come d' amor volan le freece, 
Al tripudio, ali' ebbrezza 
Delia pátria novclla, 

A cui sei raggio d' amorosa stella. 

Bello, di rósea giuventíi, sul Tago, 
Te lo scettralo aspetta 

Sposo, delle tue grazie altero e vago, 
Che nella sua diletta 
Vede con giusto orgoglio 

Crescer, gloria e spendore ai próprio soglio. 

Stabile soglio, cui giiistizia e fede 
Porgon sostegno e nerbo, 

E il viril senno deli' illuslre erede, 
Che amor degli anni acerbo 
L' arte di Tilo apprese, 

Per cui ]' amor dei popoli se rese. 

Iií lui t' inebria, e il careo dei diadema. 

Si ponderoso (í grave, 
T-u generosa si gli alleggiá e scenia. 



OM 33 



Che torni a Lui soave; 

E in Te d' ogni dolore 
Trovi r angiolo suo consolatore. 
E come per le aduste árabe lande 

Geme dal tronco inciso 
L' albero deli' aroma, e intorno spande 

Aura di paradiso, 
Che appresta dolei unguenti 
Sollievo di feriti e di languenti ; 

Cosi larga d' ai ta e di sussidi 

Ne' dolorati ostelli 
La man benigna porgerai, che affidi 

Gli aíIVanti poverelli. 

Dolce é col régio manto 
Terger dal ciglio degli aíllitti il pianto. 

Salvete o sposi alia piú tarda etade! 

Nè mai sui vostri ealli 
S' oda rumoreggiar d* estranie spade, 

E fremer di cavalli ; 

Ma dei bel Tago in riva 
Fiorisca eterna la palladia oliva. 
E tu, dei nostro amor parte si cara, 

Non porre in oblianza 
Questa di tanti eroi madre preclara 
Terra che ogni altra avanza, 

Ove per bel li ca arte 
Nomasi il Padre tuo Titalo Marte. 

Ma dov'erra il mio carme? Ecco repente 
L' onde il naviglio sfiora, 

Ed ElJa in suo fuggir par che dolente 
Dica dair áurea prora 
Ohl salve Itália mia, 

Rieordati di me che son la Pia. 

Giacea nel sonno dei piíi triste obblio 
Itália nostra oppressa in rio servaggio, 
Del vecchio orgoglio inesorato il fio 
Scontando, in suo misérrimo retaggio. 

Ma, nunzio etéreo dei comune disio, 
D' una steirapparia cândido il raggio; 
Ed il mancipio allor frangere ardio 
II giogo reo che ne fea turpe oltraggio. 



34 OR 

Cosi vedrai, da' tuoi disgiunto, chino. 

O Pia diletta, un popolo d'eroi, 

Che ansioso aspetta il raggio tuo divino. 

Quel divin raggio onde l'u largo a noi 
II Padre, or per Te compia il suo destino. 
E sfolgori dal Norle ai lidi Eoi. 

OMBRA (L') delia marchesa di Távora. Génova, 17C0. 
Opusculelo in-8." 

OIVGOYS (JEAN ). 

Les voyages et conquestes des Roís de Portugal, &c., recueillies de fidèles te- 
moings et memoirs du sietir Joachin de Centellas, gentilhomme portugais. Paris, 1578. 

R. Francisque MicheP diz ser este livro um dos mais raros, e parecer-lhe 
que tal volume trata das questões entre D. João III et Angot. 

ONUFRI (DIEGO CALMET ). 

Vexame Theologico- Moral da escandalosa parte que no Santo Sacramento da 
Penitencia usavam alguns confessores, de perguntarem aos i^enitentes os nomes e 
habitação de seus cúmplices. Vindicia dos editaes do Eminentissimo e Reverendis- 
simo Se7ihor Cardeal da Cunha, Inquisidor geral, em que prohibiu a dita escanda- 
losa praxe. Critica das Pastoraes dos Excellentissimos e Reverendissimos Senhores 
Arcebispos de Évora e do Algarve, por que mandaram se não denunciasse a mesma 

praxe ao Santo Officio. Author . En Madrid, en la imprenta de la Viuda de 

Francisco dei Uierro, 1746, 4.", 82 pag. 

OPIIVIOIV légale et observative sur une correspondance dernière adressée par 
le cônsul [rançais, gérant de Lisbonne au gouvernement portugais. Traduction de 
Vanglais. London, 1832. 

OPISAIVIE królestwa Portugalii y historya przednieysze w sobie Panstwa 
lego dzieje y kilku wiekoiv rewolucye zamykajaca z roznych Piszarzoiv niianowicie 
z slawnego Francuza imieuiem 1'Abbé de Vertot, zebram i dia pozytku narodu 
poskieego ividane. Lublin. Dr. S. J. 17oi, 8." 267 pag. 

(Uescripção do reino de Portugal e historia que abrange os principaes factos 
e as revoluções d'este reino em vários séculos, obra extrahida de vários auctores 
e principalmente do celebre ahbade Vertot, compilada e dada á luz para utilidade 
da nação polaca 2.) 

OPUSCULA aliquot in laudem Joannis tertii Lusitaniae regis et principis 
filii, et fratris Ludovici atque item Sebastiani primi. Salmanticae, 1568. 

ORATIO junebris in obitu Serenissimi Theodosii Lusitanorum Principis 
Joannis IV. Portugalliae Regis Invictissimi Primogeniti. Eminentiss. &c. Reveren- 
dm. Principi Virginio S. R. E. Cordinali Ursino. xxx pag. 



• R. Francisqiifj Michel, Les portiigah en France et les français en Portugal, pag. i^l. 

' Aiiguslin et Alois de Backer, liibliothcque des écrivains de la compagnie de Jesus, vol. iii, pag. Ci: 



OR ^s 

ORFEU VUE (B.). 

Les pleurs de Camoens 

Poete, lui dit Dieu, chant et soufTre sans crainte: 
Le martyre se change en rayon lumineux; 
Et puis j'ai dans moii sein une urne trois fois sainie, 
Ou je reçois les pleurs de Thomme malheureux. 

Le poete obéil ; il chante, et de ses yeux 
On voit eouler ses pleurs, douee et teiidre rosée 
Qui descend lentenient dans le sein de Dieu 
Pour être avec grand soin dans Turne déposée. 

Elle se change bientôl en millions de diamants 
Que le bon Dieu attaehe à la voilte azurée, 
Plus les pleurs sont, plus sont les refleets scintillanl , 
Et si grands I qu'il seront d'eternelle durée I 

Mon Dieu I je suis surpris que dans rimmensité 
II se puisse encore voir des lieux sans lumière : 
Les pleurs du Camoens, d'une douee clarté 
Auraient pu súrement la remplir toute entière. 
Paris. 

Appareceu esta poesia na obra impressa no Porto em 1883, intitulada Scin- 
tillações e sombras. 

ORGANTINUS.— Natural de Brescia, e admittido na companhia em 1556, 
na idade de vinte e cinco annos. Era reitor no Loretto, quando entrou para as 
missões da índia. Embarcou em Lisboa no anno de 1567, e passou o resío da 
sua vida no Japão, nos trabalhos e nas perseguições. Morreu em Nangasaki, no 
anno de 1609^ 

Epistola ad Fratres Romani Collegii data Goae, 5 Cal. Januarii 1568. 

Encontra-se nas Epistolae de rebus Indicis. Parisiis, apud Michaelem So- 
mnium, 1572, in-8." 

É provavelmente esta carta que se encontra na coUecção seguinte: 

Recueil des plus fraisches lettreSj écrites des Indes Orientales par ceiíx de la 
Compagnie de Jesus qui y font résidence fies PP. Organtin de Bresce^ Christofle de 
Acohta (Acosta), Lys de Govea, Emanuel Tesseira, Nicolo Nugnez, Pierre Masca- 
reynas, Sebastien Fernandez, Martin de Sylva, Hierosme Ruiz. . .) et envoyées Vau 
1568, 1569 it 1570 en Europe, sur la grande conversion des infidèles á J. C, tra- 
duit de Vitalieii en [rançais. 

ORIGEM DA língua PORTUGUEZA. 

«Debaixo do estandarte do christianismo é sabido que os wisigjodos se con- 
fundiram e fraternisaram com a povoação romana; mas não é menos exacto que 



Augustin et Alois de Backer, Bibliolhègue des écrivaivs dela compagnie de Jésiis, \oli, pag. 525. 



36 OR 

a subversão geral que elles causaram na sociedade hispano-romana, se estendeu 
até á linguagem. Áquella que então se ficou fallando, deram os linguisticos o 
nome genérico de romance ou romanzo. Este formou-se da mescla latino e teu- 
tonico, predominando especialmente aquelle, tanto que o seu typo ainda teste- 
munha evidentemente a origem latina, o que foi devido em grande parte á, con- 
versão dos bárbaros á religião do Crucificado. 

«Durante a dominação dos árabes, posto que ao latim se aggregaram vocá- 
bulos, phrases e idiotismos próprios da lingua d'aquelle povo, todavia nem se 
extinguiu, nem se mudou o génio e a Índole, nem finalmente seus caracteres mais 
essenciaes e salientes soíTreram transformações, sendo por certo um dos motivos 
que para isso mais contribuiu, a tolerância dos sarracenos, que permittiram aos 
christãos o uso da sua religião. 

«No tempo de Henrique de Borgonha as alterações causadas pelo francez 
relativamente ás anteriores, são de menor importância, apesar de os trovado- 
res, que no reinado d'este Príncipe vieram a Portugal terem dado ao provençal 
alguma influencia sobre a nossa lingua ^. 

«O predomínio que o latim sempre teve na Península, apesar de fusões tão 
hetorogeneas, não é motivo para admiração. Os romanos tinham occupado por 
tal forma a Lusitânia, tinham peoduzido n'ella un)a tal identificação de costumes. 
Irages e linguagem, que era impossível apagar jamais os vestígios tão vivos e 
profundos, de sua longa existência n'esta província. 



ORIGIIVAL (THE) Journals of the campaigns of lhe Península oj Field- 
Marshall the Duhe of Wellington, to tvhich is added an appendix containing the 
State papers. London, 1815. 

OUIGIiVE (DE L») des Róis de Portugal. Paris, 1612, 1G14, in4.° 
Falia d'esta obra o nosso grande escríptor, sr. Gamillo (>astello Branco, nos 
Narcóticos j vol. ii, pag. 43. 



' o Instituto, jornal de Coimbra, 1853. 

É para notar uma espécie de contradicção em que parece ter caído o nosso orudilissimo escriptor 
e philologo dislincto, D. Francisco de S. Luiz. E é que, perguntando elle qual foi o privilegio que tive- 
ram os romanos na Lusitânia, para que fizessem esquecer aos habitantes indígenas a lingua natural, 
para adoi.tarem o idioma estrangeiro, fallando mais adiante dos árabes, diz que a sua lingua foi vulgar 
c cemmum na Lusitânia; e para corroborar isto apresenta, alem da opinião de André Terreros y Paudo, 
um trecho copiado de Álvaro Cordovez, o qual aíBrma que na llespanha não havia de 1:000 cliristãos 
om que sonbi^sse escrever umi caria familiar senSo em árabe. Agora perguntamos nós com todo o res- 
poito que lhe é devido á sua memoria, o mesmo que o auctor do opúsculo : «A lingua portugucza é lilha 
da latina, e qual foi o privilegio que tiveram os árabes na Lusitânia para que fizessem esquecer aos ha- 
bitantes indígenas a lingua natural, para adoptarem um idioma estrangeiro? Como se ha de conceder 
aos árabes o privilegio que se negou aos romanos, quando de mais a mais estes foram auxiliados (o que 
áquolles nào aronieceu), por circumstancias muito poderosas e excepcionaes. 

É também para advertir que as citacfies que n"este logar faz o sr. S. Luiz, parecem conliaprodu- 
centes. Porque, querendo elle provar que o latim nunca fora vulgar na Hespanlia, exirahe uma passagem 
de Terreros y Paudo, onde este escríptor se queixa de, sob a dominaçSo dos mouros, sor esquecida a 
lingua latina, própria da nação e da religiilo, como em suas obras lamenta Santo Eulogío, arcebispo de 
Toledo. 



OR 37 

«IlLEANS (LE PEllE JOSEPH DE ). 

Vita di Maria de Savoyaj Reyna de Portogallo. Tradotte dei francese da 
P. Carlos G. Ferreira. Torino, 1698. 

ORLEANS (P. D'). — De la compagnie de Jesus. 

Histoire de M. Conslancej premier ministre du Roi de Sianij et de la dernière 
revohition de cet État. Nouvelle édition A Lyon, chez les Frères Duphin, 1754, 
in-12. xviii-233 pag. 

Vem uma noticia d'esla obra no Journal des Sçavans de 1690, de pag. 249 
a 252. 

Foram mui grandes as relações havidas outr'ora entre Portugal e Siam, c 
alguma cousa de útil se topa n*este livrinho para quem desejar estudar um tal 
assumpto, bem glorioso para Portugal. 

A obra é dedicada ao Papa Alexandre VIII. 

«Constantin Phaulkon, e depois Constâncio, nasceu cm Cephalnia, na Grécia. 
Seguiu a religião protestante, e converteu-se á catholica por conselhos e admoes- 
tações do padre António Thomaz, jesuíta flamengo, que se dirigia a Sião para 
tomar parte nas missões portuguezas da China e do Japão (pag. 14). E com 
effeito o grego abjurou solemnemente o protestantismo no dia 2 de maio de 1682 
na igreja dos jesuítas portuguezes em Sião, achando-se presente o governador de 
Macau. Casou depois com uma japoneza christã, c veiu a ser o primeiro ministro 
do Rei de Sião, ou para melhor dizer uma espécie de marquez de Pombal d'aquellc 
Bei. Houve, porém, uma revolta no paiz. O Rei e seu ministro Constâncio foram 
mortos, a religião christã perseguida, e os meninos ensinados a dizerem em por- 
tugueza aos algozes: «Corta cabeça», isto é, que antes queriam ser degolados do 
que mudarem de religião.» 

OUAIIZ (ROMERO ). 

Litteratura portugueza no seado xviii. Madrid, 1870. 

ORMSBY (J. WIL3IOT ). 

Account of the operations of the British army, and of lhe state and sentiments 
of the people of Portugal and Spain. 1808-1809. London, 1809. 

ORMUZ. 

Vue de cette ville poriugaise, en 1515 à 1622, tirêe de Braun et Hogenb. 
1617. 

ORTIZ (ALONSO ). 

Los tratados dei doctor . Tratado consolatório á la Princesa de Portu,- 

gal. Item una oracion á los reyes en latiu y en romance. Item dos cartas mensage- 
ras á los reyes, una que emhió la cibdad, la otra el cabildo de la yglesia de Toledo . 
Tratado contra la carta dei prolhonotario de Lucena. Foi. peq. 

Fué imprimido en la muy noble & muy leal cibdad de Sevilla por Alemanes 
cõpafieros. En el ano dei senor 1493. 

ORTIZ (LOREINZO ). 

El Princepe dei Mar, San Francisco Xavier. Brussellas, 1682, 8.« 



38 OS 

ORTOLANO (GIOVANNE ).— Dotlore deli' una, e i' allra híggc e, 

nella Fisica, e speculativa Filosofia Laureado. 

La fama in trionfo. Serenata da cantarsi nel Porto di Messina per la nascila 
dei Quinto Real Genito deli' ubbidientissimo alia Sede Apostólica D. Giovanni V, 
per la Dio grazia Re di Portogallo, ed Algarhi, di qua e di la Maré, ed Africa : 
Signore di Ghiné e delia Conquista, Navigazione, e Commercio d'Ethiopia, Ará- 
bia, Pérsia, ed Índia. E di D. Maria Anna d' Áustria Regina. Consegrata alie sue 
Maestà in rimarco delia sua Umile Devozione dalV JJbbidiente Génio di Thomaso 
Theiscera Leal Providitor Generale di tutta l'Armata: in occasione delia Festa 
fatia nel mdetto Porto dalle Navi di Guerra Portughesi per il detto Gloriosissimo 

Natale. Poesia dei . Musica dei Sig. D. Francisco GrUlo, Musico delta Real 

Cappella di Messina. In Messina, nella stamp. di D. Giuseppe Maífei, 1717. 

ORSEY (REV. ALEXANDER J. D.).— Chaplain to theenglish cliurch, 
beco das Aranhas, Funchal. 

Colloquial Portuguese : or, the Words and Phrases of every doy life. Com- 
piled from dictation and conversation, for the use of English tourists and visitors 
in Portugal, the Brazils, Madeira, and the Azores. With a brief Collection o\ 

Epistolary Phrases. By the . Second edition, considerably enlarged and im- 

proved. London, Longman, Green, Longman. 1860. viii-126 pag., 8.° 

ORTIZ (D. ANTÓNIO ROMERO ). 

Os seus estudos sobre a litteratura portugueza no século xix foram primei- 
ranaente publicados na Revista de Espana ^. 

ORTMANN (FRANCISCO ).— Jesuita allemão do século xvni. 

Francisci Ortmann, Societatis Jesu Presbyteri Liber de vita et pretiosa morte 
V. P. Jo. Caspari Cratz ex agri Juliacensis oppido Goltzheim Germani ac Socio- 
rum ejus V. Bartholomaei Alvarez V. Emmanuel de Abreu, V. Vincentii de Cunha, 
Lusitanorum e Societate Jesu Sacerdotum Fidei christianae ódio in regno Tunkini 
obiruncatorum die XII Januarii anuo Domini 1787 conscripta ex litteris ipsius 
Ven. . . Martyris ad suos familiares, et aliis gravium Virorum testimoniis, qui 
omnium erant conscii. Augustae Vindel. et Oeniponti. Sumptibiis Josephi Wolf. 
1770, in-8.«, 3i3pag.2 

OS GRANDES DIAS DA BRUXARIA ^^ por M. Jules Baissac . Paris, 
Klincksiek, 1890, v-735 pag. in-8.° 

Os grandes dias do bruxedo começaram, no dizer de M. J. Baissac, pelo fim 
do século XIV. Não é contestável que se acreditasse, durante a idade média, na 
intervenção do diabo nos negócios humanos, e nos dos seus subalternos, alguns 
loucos e feiticeiros, e não é também menos certo que um certo numero de pobres 
loucos fossem então condemnados e queimados como plenamente convencidos de 
terem tido commercio com o demónio, por outro nome diabo, e ainda por outro, 



' Luiz Vidart, Los poetas líricos contemporâneos de PortiKjaL Madrid, 187t>. Pag. H. 

' Aiigiislin et Alois de liackcr, Bibliothè(juc des écrivains de la Compagnie de Jesus, vol. v, pag. 361 . 

• JountU des Sçavans, julho de 1890, pag. 454. 



os 39 

O careca. Todavia é a bulia Summis desiderantes affectibtis, datada de 9 de de- 
zembro de 1484, a primeira que deline canonicamente o crime de feiticeria, e 
prescreve que os persigam com um constante rigor em todas as regiões da chris- 
tandade. Tal é a these de M. Baissac, e as provas históricas d'esta Ihese são 
depois apresentadas ; são os numerosos processos intentados contra feiticeiros 
imaginários na França, na Allemanha, na Hespanha e até mesmo na Inglaterra e 
na America, até ao meiado século xix, por meio dos tribunaes ecciesiasticos ou 
civis, catholicos ou protestantes. 

«A leitura dos documentos integralmente reproduzidos ou fielmente analy- 
sados pelo auctor d'este grosso livro, não causa menor vergonha do que susto. 
(Juantas victimas, immoladas sobre o altar, de um preconceito nascido de uma 
illusão metaphysica ! » 

OSAU (JOSÉ PELLICIEU DE TOVAll Y ). 

Mision evangélica ai reyno dei CongOj &c. Madrid, 1619, in-4." 

CSHEA (HENRY ). 

Guide to Spain and Portugal^ including the Balearic Islands. Sixth edition. 
1879, in-S.", 562 pag. 

É um dos melhores guias que conheço no tocante á Hespanha, á qual deu 
528 pag. e a Portugal somente 27 ! 1 

Diz, porém, ao leitor, que n'este paiz é que reside como rainha a Indolên- 
cia, tão querida dos portuguezes! 

Diz que no paiz ainda ha sebastianistas (pag. 531). 

Os portuguezes só não chamam á Inglaterra pérfida Albion, quando precisam 
do soecorro d'ella (pag. 531). 

O exercito anglo portuguez ficou victorioso por toda a parte, e depois de 
varias campanhas e operações estratégicas, que hão de colloear alta a Inglaterra 
nos annaes da gloria militar, os francezes foram expulsos. 

Diz que as melhores pinturas do Grão Vasco estão em Lisboa. 

No Porto costumam dar o nome de taralhões ás pessoas que faliam e escre- 
vem como fez este inglez. 

OSORII, R. P., Liisitani, Societatis Jesu Concionum Epitome. Pars hyema- 
lisj, ah Adventu tisque ad Pascha, opera ac studio Jacobi Theodardi Sartorii, Boi- 
swerdiensis Frisii P. D. (Pastoris DurstensisJ. Colónia Aggrippinae, Arnoldus 
Mylius, 1602, in-8.«, 325 pag. 

Pars aestivnlis, a Dominica PascJiatis usqiie ad Adventum Domini. Ibid., id., 
1602, in-8.% 371 pag. (por erro, 317). 

R. P. Jo. Osorii. . . Concionum Epitome de Sanctis Ecclesiae Dei, quorum 
Festa per totum annum in Catholica Ecclesia celebrantur ; opera ac studio Theo- 
dardi Pauli, Bolswerdiensis Frisii, P. D. Ibid., id., 1602, in-8.", 277 pag. 

A dedicatória d'este epitome é de 6 de fevereiro de 1598. Colónia, 1613, 
in-8.° 

A primeira edição é de Colónia, 1598. 

Mas será com effeito portuguez (lusitani), este padre Osório? A bibliotheca 
dos escriptores da companhia de Jesus (vol. i, pag. 529), pouco antes o apresenta 
como natural de Burgos. 



40 OT 

OSSORIO (D. PEDRO LUIZ DE ). 

Brei^e epilogo de glorias de el incomparable, doclOj y generoso heroe, Bayo de 
Lusitânia, el Ilustrisimo Senor Don António Lxds Ribeiro de Barros. Befeindo 
por . En Madrid, afio de 1673, 4." 

É uma poesia em quatro folhas innumeradas em honra d'este portuguez. 

Termina o folheio pelo Elogio estimable de el Excelentisimo Senor Duque de 
Linares á los siete GeroglificoSj aviendo introvenido con el Excelentisimo Seiíor 
Duque, Mayordomo Mayor, para que el autor de ellos dilatasse su pluma á tau 
soberano assumpto. 

OSTEKWALD (W.). 

Vasko da Gama und die Portugiesen. Nach Luiz de Camões epischem Gedicht 
Die Lusiaden bearbeitet. Glogau, sem data, mas é de 1865, com o retrato de 
Camões. 

Vem no Masius der Jugend Lust u. Lehre. Jahrg. ix-572 pag. 8.« (pag. 185 
a 242. 

OTTENSHEI3I (DR. G. FRAIVCK PFENDLER D' ^).— Doctor 

en medicina, cirurjia y farmácia de Ias universidades de Viena y Paris, licen- 
ciado en medicina y cirurjia de la universidad de Sevilla, miembro de la acade- 
mia imperial de medicina de Viena, consejero de Ia comision sanitária, cathe- 
dratico de química e de medicina legal, ex-cirurjiano dei dispensário oftálmico y 
auricular, ex-medico de la embajada de Áustria, miembro corresponsal de la aca- 
demia real de medicina y cirurjia de Granada, miembro de la sociedad medica 
dei norte, de la sociedad para el progreso de la cirurjia, dei circulo medicai de 
Paris, de la sociedad hidrosupatiea dei Sud de Allemania, y de otras varias so- 
ciedades de medicina y de historia natural. 

Madera, Nice, Andalucia, la Sierra Nevada y los Pireneos. Considerados 
como locales los más inter esantes y pintor escos para viajar, y más convenientes 
para curar ó conservar los tísicos y otros enfermos crónicos, preservando á los 
descendientes de parientes tisicos dei desarrollo de esta enfermedad. Seguido de 

algunas notas, episódios de viajes y óbservaciones sicologicas y filosóficas, por el . 

Obra ilustrada con 8 laminas, 24 vifietas y un panorama de la Sierra Nevada. 
Sevilla, imprenta de D. Carlos Santigosa, 1848, 8.", xiv-174 pag. 

«Do alto oceano, a cento e trinta léguas do continente, nasce uma formosa e 
fértil ilha com costas brancas escarpadas e nuas, coroada por uma fileira de 
montanhas entrecortadas por valles férteis e bem cultivados, formados por um 
terreno de destroços de basaKo, que indica sua origem vulcânica. Por todas as 
partes se apresentam hervosos e floridos bosques, áureos campos e ricos vinhe- 
dos. Vindo do mar apparece n'uma bahia risonha e pintoresca, a capital Funchal, 
elevando-se em amphitheatro, povoada por 20:000 almas, residência do governa- 
dor e do bispo. A cidade está bem construída, mas as ruas do interior são estrei- 
tas e pouca aceiadas. 

As casas, erigidas segundo o gosto inglez, fornecidas de todas quantas com- 
modidades .se podem desejar, estão situadas no centro de uma multidão de jar- 
dins, dominados por terraços, cobertos de dahiias, camélias do Japão, laureies, 
galaaga da Índia, armanazes, anona squamosa, agace americana, que .se geram 
em plena almosphera, e ricos bosques alimentam numerosas abelhas, que abas- 



00 " 

tecem aquelles simples habitantes de um delicioso c perfumado mel. Estes jardins 
ascendentes est.lo assombreados pelas palmeiras ffelix dactiliferasj c bananas da 
Africa, que, com seus cachos dourados, produzem as deliciosas tâmaras e a perfu- 
mada figueira de banana, que á maneira de pão caido milagrosamente do céu, se 
oíTerece aos habitantes como ameno e maravilhoso merendero. O guiaba, o papayo, 
a cana de assucar, formam maravilhosas paredes de verdura. Em todas as partes 
onde a natureza deixou um logar livre, se acham plantios de vinhas, oriundas 
da ilha de Chyprc, onde a cultura forma a riqueza de paiz: as uvas brancas pro- 
duzem essa primeira qualidade de vinho chamado tnadeiVa-secco ; a producção 
de vinhos em toda a ilha sobe a 10:000 pipas, pelas quaes remetteni de Ingla- 
terra Lisboa e colónias, uns vinte milhões de reales. 

* 

# # 

«No inverno passado houve uma grande concorrência, e a sociedade mais 
elevada se achou no Funchal; as habitações eram caras e diíTiceis de encontrar. 
A mãe da rainha Victoria, duqueza de Kent, com uma numerosa comitiva attra- 
hiu um crescido numero de inglezes. O duque de Saxonia Weimar e seu íilho, o 
Príncipe Alexandre da Hollanda, que desgraçadamente alli pereceu aos trinta e 
um annos, o conde Taalin, o duque de Palmei la c grande numero de pessoas da 
alta arislocracia ingleza e portugueza, e tysieos de todos os paizes do mundo, 
foram alli buscar um asylo que os abrigou contra o rigor cruel do inverno. 



* 
# # 



«Este clima convcm a todos os enfermos, o por isso ha estrangeiros que per- 
manecem alli durante todo o anno. Encontrei muitos americanos da Trindade e 
das Antilhas, que passam o verão para sublrahir-se ao calor das suas ilhas. É 
impossível achar situação mais adequada do que a Madeira para os enfermos.» 

OTTOLIIVI (VITTOUE ). 

// Teatro in Itália. Storia dedicata agli artisti teatrali e agli allievi dei con- 
servatori. Milano, 1876, 268 pag. in-8.° 
Trata de Camões. 

OUDIIV (FUANÇOIS ).— Nascido no anno de 1675 em Vignory, na 

Champagne. Entrou para o noviciado da companhia de Jesus em 1691. Morreu 
em Dijon no anno de 17621. 

S, Francisco Xaverio hymni novem et officium. Divione, J. Hessayre, 1705, 
in-12 

Ha varias outras edições. 

Foi este pequeno oíficio traduzido para verso por François Boudot, mairc 
da cidade de Dijon, no livro intitulado : La dévotion à Saint François Xavier. 



Auguslin cl Alois de Backer, Bibliothèque des écrivains de la compagnie de Jesus, vol. i, pag. 532 



42 OV 

Dijon, Bessayre, 1705, in-12. Paris, Mariette, 1717, in-12. Eiiconlra-se ainda tMi> 
differentes edições das Pratiques de pieté à Vhonneur de Saint François Xavier j 
pelo padre Duponcet. 

Mémoires sur la vie et les ouvrages des PP. Antoine Vieyra, Melchior Incho- 
fer, Denis Petau, Fronton du Duc, Jtdes Clément Scolti, Jacques de Billy, Jean 
Garniei-. nas Mémoires du P. Niceron, tomo 24, 2o, 27, 28, 29 e 40. 

OLTftElIAN, ou OIJLTIIE3IAIV (PIERKE D') — Nasceu em Valen 
ciennes no anno de 1591. Foi admittido na companhia de Jesus na idade de 
vinte annos. Morreu em 1656 ^ 

La vie miractdeuse du P. Joseph Anchieta de la Compagnie de Jesus : écrite en 
portugais par le P. Pierre Roderiges, puis en latin^ augmentée de beaucoiip par le 
P. Sebastien Baretaire, finalement traduite du latin en (rançais par un religieux 
de la même Compagnie. A Douay, de Timprimerie de Marc Wion, 1619, in-12 
peq., 462 pag. 

Tableau des personnages signalés de la Compagnie de Jesus. Exposés en la so- 
lemnité des SS. Ignace et Xavier celebrée par le Collège de la Compagnie de Jesus. 
A Douay, chez Balthazar Bellère, 1623, in-8.«, 511 pag. 

Tableau des personnages signalés de la Compagnie de Jesus. Exposés en la so- 
lomnité des SS. Ignace et François Xavier, par un père de la même compagnie. A 
Lyon, chez Claude Pigaud et Glaude Obert, 1627, in-8.°, 511 pag. 

OVIEDO (ANDRÉ DE ).— Patriareha da Ethiopia, natural de Illes- 

cas, e enviado em 1541 por Santo Ignacio a Paris, para frequentar os estudos 
da universidade. A pedido de El-Hei D. João III de Portugal, foi enviado á 
Ethiopia, e falleceu em 1580. 

Duas cartas datadas dos annos 1566 e 1568 foram insertas pelo padre Fcr 
não Guerreiro n'uma de suas obras: De Abyssinornm rebus. 

O padre António Arana escreveu a vida d'este patriareha, e o padre Nierem- 
berg deu nma noticia acerca do padre Oviedo no seus Claros Varoyies, tomo i, 
pag. 312-347. 

OVINGTON (JEAN ). 

Voyages de , faits á Surrate et en d'autres lieux de VAsie et de V Afrique ; 

avec la révolution du royaume de Golconde et des observations sur les vers à soie. 
Traduit de Vanglais. A Paris, chez Guillaume Caveliers íils, 1725. 

«O calor é violento apesar de jazer a ilha da Madeira a 30° e 40" de latitu- 
de. Aqui as febres são mui perigosas ;}or causa do calor desmedido da ilha. N'esla 
ilha os cônjuges casam-se sem que anteriormente se tenham visto um ao outro, 
em conformidade com o costume de Portugal. 

«Emquanto eu estive na Madeira, certo mancebo mui rico não conseguni ver 
sua joven esposa senão na véspera da ceremonia. Acompanhado do irmão da 
mesma permittiram-lhe que olhasse por uma fresta. Viu então duas meninas. 
Perguntou qual d'ellas lhe estava destinada. Deram-lhe em resposta: «Amanhã o 



Augasliii el Aloi, de Backer, Bibliothèque des écrivaivs de la compagnie de Jesus, vol. i, pag. 537. 



OW " 

sabereis.» E eis porque o aiictor dá a entender que a ilha eslá clieia de maridos 
em desharnionia com as mulheres, e as mulheres em desharmonia com os ma- 
ridos. 

«No Malabar os maridos oílerecem suas mulheres aos hospedes que vão 
llcar em casa d'elles. 

«Na lingua do Mogol não se admittem palavras estrangeiras, embora ás vezes 
se vejam obrigados a servirem de grandes circumlo(juios. 

«Não Ira lingua tão galante e tão engraçada como a lingua dos siamezes. 
N'ella não ha distincçâo entre género masculino e feminino.» 

Ol^ENSOlV (MISS ). 

The Missionary: an Indian Tale. (Portwjuese in East-Indies). 4tli ediliou. 
3 vol. With portraits. London, 1811. 



«Ceux qui, avant ce Prince (D. Henri), s'étaient exposés aux fn- 
reurs des flots, avaienl ('jcouvert la fin du monde, qu'ils avaient 
fixes à certains degrés du Iropique des européens ; mais Henri fit 
voir que ce n'en élait-là que le commencement. Ses pilots fnrcèrent 
celte barrière, et se Irouvèrent toul d'un coup dansun aulre univcrs. 
Ou vit, pour la première fois, des hommes d'une espèce nouveile, 
qui faisaient peur ; car ils élaienl noirs dopuis Ics pieds jusqu"à la 
tôte. On découvrit un autre firmament, des monstros et des plantes 
nouvelles. 

(L'E$pion Chinois, vol. i, pag. 219.) 
P. 

Visit to the portuguese possessions in SW. Africa. Translated by H. E. L. 
2 partes. London, 1845. 

P. D. M. E. 

In aplauso de la primeva Dama de la compania cástellana, en la primera 
comedia que represento en Lisboa^ este ano de 1739, intitulada : También hay duelo 
en las damas. Soneto acróstico. 

P. D. P. 

Description de la Nigritie par , ancien Conseiller au Conseil Souverain 

du Senegal, et ensuite commandant du Fort Saint Louis de Gregoy, au royaume 
de Juda, et à présent Gouverneur pour le Boi de la Ville Saint-Dié-sur-Loire. 
Enrichie de cartes. A Amsterdam, et se trouve à Paris chez Maradan, iibraire. 
1789, 8.0, VI1I-28Í pag. Com mappas e belias estampas. 

«... De maneira que, desde Cabo Branco até Seralionne, inclusivamente, 
não ha mais do que pavilhão francez que alli pôde commerciar; as embarcações 
de qualquer outra nação podem alli ser captivadas, e tomadas como navios de 
contrabando, exceptuadas as embarcações portuguezas nos rios de Casamansa, 
Cacheu e Bissau.» Pag. 87. 

«... conviria também, com o fim de evitar para o futuro qualquer espécie 
de dissensão, que fosse inserto no tratado com a Inglaterra, acerca d'esta con- 



46 P 

cessão, alem do termo geral desde Cabo Branco até á ribeira de Seralionne. 
inclusive, que n'elle se addicionasse o que abrange desde Cabo Branco, Portan- 
dia, rio do Senegal e suas dependências, Gorée, a ribeira de Gambia e suas de- 
pendências, e todas as ribeiras entre esta ultima e a de Seralionne, inclusivamente, 
e suas dependências, sem prejudicar os direitos dos portuguezes nas ribeiras de 
Casamansa, Cachou, etc. 

«Os portuguezes recusaram algumas vezes admiltir navios francezes a com- 
merciarem em Bissau, direito que a França sempre teve e que sempre exerceu 
com elles, com exclusão de qualquer outra nação.» Pag. 88. 

«Antes que os portuguezes houvessem construído o forte que têem no Bissau, 
faziam alli os francezes o mesmo commercio que os portuguezes, tanto na ilha 
como na ribeira e suas ilhas vizinhas. Pretendem hoje que o seu forte deve do- 
minar a bahia, e prohibem aos francezes o commercio que sempre fizeram n'esta 
parle da costa ; e achando-se alli mais fortes, desde alguns annos que têem afu- 
gentado nossos navios.» Pag. 134. 

Traz esta obra bastantes noticias acerca de Dahomey. 

«Como aquelles povos são creados na mais profunda ignorância, não podem 
deixar de ser supersticiosos, pois os portuguezes por estôs paizes o são extraor- 
dinariamente.» Pag. 202. 

«Quando os padres d'esta nação se dispõem a ir dizer missa, téem cuidado, 
antes de seus actos de galanteria, de cobrirem com um lenço ou com um trapo 
, as imagens que estiverem no quarto, com o fim de que não vejam o delicto. Este 
acto, dizem elles, não passa de um peccado venial, e vemol-os no mar, quando o 
navio é surprehendido por um temporal, dirigirem orações a um pequenino 
Santo António de pau, que trazem sempre nas suas embarcações. 

«Depois de orações repetidas, se não volta o bom tempo, lançam uma corda 
ao pescoço de Santo António e o lançam ao mar, sendo rebocado pelo navio. 
Vae, poi?, o Santo António á sirga. Finalmente quando ao mau tempo succede o 
bello, puxam então pelo Santo António, lavam-o muito bem, vestem-lhe seus 
melhores fatos e lhe dirigem novas orações; pedem-lhe que lhes perdoe por 
assim o haverem tratado, mas que se o foi a culpa teve-a elle, pois não deu bom 
tempo. E por fim vão com muita devoção polo no seu nicho.» Pag. 203 

No fim do volume apparece uma lista e diálogos na lingua de Guiné. 

P. G. 

Th(^ hhlory of lhe empire of Mnsulmans in Spain and Portugal. \ vol. in-4." 
liOndon, 1815. 

P. M. F. U. V. 

A la inmortul Infanta de Castilla la Seiiora D. Maria Francisca de Anis, 
poi' su incomparabíe heroismo y sagacidad en la partida de Cadiz, de donde la 
Heyna nuestra Senora y las Serenisiinas Sefioras Infantas D. Maria Francisca y 
I). Maria Teresa. Sevilla, Imprenta real y mayor, 1823, i.*» de 8 pag. 

P. V. 

Escreveu amplamente no Messager de Vexposition, a respeito da secção por- 
lugueza na exposição de Paris em 1868. 



PA " 

«Le grand service que les portugais rendirent à la civilisation, e'est donc 
d'avoir les preiniers élargi le eercle du monde eivilisé par leurs voyages de dé- 
couYcrtes autour de TAfrique jusqu'aux Indes.» 

PACCA (CAUDIIVAL ). 

Notizie sul Portogallo con una breve relazione delia nunziatura di Lishona. 
1795. 1802. Modena, 1836, 8.«, 1 vol. xv-i;i() pag. 

Mmoires historiqiies sur les affaires ecclesiasliqiies d'Alleínn(]ne et de Portu- 
gal pendant ses mmtiatures. Tradmt par Sioiínet. Pai'is, 1844. 

PACHECO (FU. DUARTE ).— Del orden de nuestro padre San 

Agustin. 

Sermon de la Santisima Trinidad: predicado por el P. Maestro á 

Marcos Fernandez Monsanto^, Caballero dei habito de Cristo, Fidalgo de la Casa 
de Su Majestad, y administrador general de todos almoxarifazgos de Sevilla e 
índias. Aíio 1636. Con licencia. Impresso em Córdova por Salvador de Ca. 4.", 
9 folhas. 

PACHECO (FR. PLÁCIDO" ).— Monge y Abbad de S. Benito eii 

el monasterio de Sevilla. 

Traduziu para castelhano o Compendio da vida espiritual^ obra do arce- 
bispo de Braga, D. Fr. Barlholomeu dos Martyres. Valladolid, 1604. 

PACHECO (P. M. FR. MIGUEL ).— Religioso da ordem do Cbristo 

e administrador do hospital de Santo António dos portuguezes da villa de Ma- 
drid, na mesma igreja pregado. 

Sermon dei glorioso padre Santo António. Lisboa, offieina de Manuel Lopes 
Ferreira, 1694, 4.°, 20 pag. 

PADISHANAMAH (HISTORIA DO MOGOL ). 

Obra escripta em lingua persa, onde se trata dos feitos dos nossos no Oriente. 
Entre muitas outras cousas apresenta uma narração minuciosa do cerco e tomada 
de Hugli e a relação dos feitos dos nossos em Chitagong. 

A pag. 433 do vol. i, dá uma conta por miúdo do cerco e tomada de Hugli. 
Mais adiante ainda se refere a elle nas cartas a Nazr Mohammed Khan, domi- 
nante de Balki, e ao Schah da Pérsia. 

A pag. 534 descreve-se a sorte dos captivos. No segundo volume ha uma 
relação dos portuguezes em Chitagong i. 

PADRE FEIJÓO (O). 

É o mais moderno e o melhor de todos os críticos de Hespanha, e o que 
melhor e mais soube raciocinar. Este celebre padre benidictino é mui conhecido 



' Tolboit, Audoridades para a historia dos portuguezes na índia. No Instituto Vasco da Gama. 
Nova Goa, 1874, pag. 186. 



48 , PA 

pelo seu theatro critico e universal, acerca dos erros communs em todos os 
géneros. 

Durante o tempo que este religioso trabalhou n'essa grande obra, não cessou 
de servir de alvo ás settas da superstição e da intriga. É para assombrar que 
tenha escripto com tanta liberdade n'um paiz como a Hespanha, sem se compro- 
metter com a inquisição. Não teve, porém, menos inimigos, que, sem o poderem 
perder, lhe occasionaram muitas desgraças. Foi confessor da verdade, com risco, 
mais de uma vez a vir a ser martyr. 

Atacar a maioria dos milagres, a relaxação do clero, a ignorância dos monges, 
a injustiça dos reis, a escravidão dos povos, a falsa philosophia, os preconceitos, 
os abusos da peregrinações, os exorcismos e a incerteza da medicina, era attrahir 
contra si o ódio de todas as ordens do estado. 

Os escriptos satyricos e os libellos diffamatorios corriam contra elle, e com 
furor. Consideraram, sobretudo, como um crime, o ter elogiado Bacon, Descartes 
e Newton, uns por serem hereges, e outros por se terem desviado da doutrina de 
Aristóteles. 

Todavia o padre Feijóo tinha do seu lado os verdadeiros sábios e os suífra- 
gio de todos que tinham sacudido o jugo dos preconceitos. 

Apenas um volume do seu theatro critico apparecia impresso, toda a edição 
n'um ápice era vendida, e era mister recomeçar outra. Escreviam-lhe de todos 
os togares pedindo-lhe avisos e esclarecimentos, e propunham-lhe duvidas. Apesar 
de tudo quanto tinha publicado contra os médicos, a faculdade de Sevilha consi- 
derou como um dever o pol-o em o numero dos seus sábios, como um dos 
homens que tinham fallado mais racionalmente acerca de um tal assumpto. 

Suas obras, que consistem em quatorze tomos, abrangem todos os géneros 
de assumptos, e são as mais próprias a esclarecerem os hespanhoes. 

Discute, esclarece, julga e pronuncia, ou, se não se atreve a isso, põe os 
leitores a caminho, e deixa entrever sua opinião, que é sempre o mais justo. 

PADUOIV (D. ANTÓNIO JOSÉ RUIZ ). 

Diputado proponendo para regente dei reyno á la Serenisima Seiíora D. Car- 
lota Joaquina de Bourbon^ Princesa dei Brasil tj Infanta de las Espanas. Entre- 
gado á uno de los secretários de las Cortes generales y extraordinárias para leerse 
m una de las sesiones de marzo de 1813. Precede una advertência dei editor, que 
la publica con licencia dei mismo. Madrid, imprenta de Davilo, 1814, 4.° de 3 pag. 

PAES (PEDRO ), — Celebre missionário, natural de Olmeda, na dio- 
cese de Toledo. Aos dezoito annos entrou para a companhia, em 1582, e embar- 
cou para Goa em 1588. No anno seguinte quiz penetrar na Ethiopia disfarçado 
em arménio, mas caiu nas mãos dos turcos, e padeceu um duro captiveiro pelo 
espaço de sete annos. Hesgatado em 1596 voltou a Goa, e embarcou segunda vez 
para a Ethiopia em !()03. Foi tão feliz que penetrou n'este paiz e n'elle viajou 
durante dezenove annos. Falleceu em 1022. Escreveu vários trabalhos na lingua 
ethiopica. 

Pierre Jarric traz duas cartas d'elle na sua Historia das Índias Orientaes, 
tomo III, livro i, cap. xxxii e xxxvi. 

Lettres annueles de VEthiopie, pour Van 1611. Traduzidas para italiano. 
Milão, 1621. Nápoles, 1624. 



PA 49 

PACKS ( ILPIIOWSE ). 

"No Aationalj de Paris, de 1 do corrente, chegado honlem, publica Alplionse 
Pagés uma nova correspondência de Lisboa descrevendo as duas ultimas sessões 
do congresso lillerario, e da ida a Cintra, com apreciações ii.uilo correctas e muito 
justas a respeito do nosso paiz, e dando demonstrações de muito aífceto aos 
membros portuguezes do congresso. Do panorama que se desfructa próximo do 
hotel Victor, elle diz: «É bello acima de toda a descripção, embora seja a do 
grande poeta britannieo». 

« — Qual é a cousa de que mais gostou em Portugal? — perguntou o Hei 
D, Fernando a Ladislau Mickiewicz, o filho do grande eseriptor polaco. 

«Da liberdade I — lhe respondeu este*.» 

PAGUETTI (ALESSANDRO MARIA ). 

Alia nobilita di Poríogallo in engraziamento delia generosa assistenza prés- 
tatá ai divertimento musicale nelV anuo 1737. 
R um soneto. 

PAGUETTI (FRAIVCESCA Dl BOLOGNA). 

Livietla e Tracollo. Jntermezzo posto in musica dal Signore Gioranni Battista 

Pergolesi. Bappresentato in Lisboa nel Teatro alia Trinità. Dalli Signori . 

Cario Passerini di Bologna. 16 pag. 

PAGNONE.— Capellano di S. Maestà il Re d' Itália. 

A Sua Maestà Maria Pia, Principessa di Savoia, eposa a, Don Luigi di Bra- 
ganza, Re di Portogallo nel giorno delle augusto nozze 27 settembre 1862. Omagio 
dei teólogo cavaliere . Torino, 1862. São doze sextilhas. 

PAKAI (JOÃO ).— Jesuíta, húngaro. 

Amoris ac doloris duellum pro Magno Indiarum Apostolo S. Francisco Xave- 
rio. Cassoviae, 16732. 

PALÁCIO (D. MANUEL DEL ).— Poeta hespanhol. 

Separado dei rebafio entre los dos se entabló : 

en una noche de enero — Buenas noches. 

con otro animal estrano — Donde vas? 

Iropezó un pobre cordero. ,,^^„ ^^^^,^,.^^ ^ 

Al verle más grande que él _ ^^ ^| . , ^^ ,„^ ^^^ ,^ 

y de aspecto muy decenle, ^,, ^1 ^^^^^ ^^ 

pues llevar gaban de piel _ ^^^^^^^ [,^„,^^^ ^ 

no es para toda la gente, 

con la pata entumecida "^ '"^"^ ^ frio. 

afable le saludó; — Conmigo á mi lado ven, 

y esta platica sentida y será lo tuyo mio. . . 



Diário de noticias de 7 de outubro de 1880. 

Auguslin el Aleis de Backer, BibUotMque des êcrivains de la compagnie de Jesus, vol. vi, png. 413. 



3() 



PA 



— Y lo de entrambos? 

— También. 
En la carldad me empleo 
y soy persona formal. 

— Eres rico ? 

— Ya lo creo. 

— Como le 11 amas ? 

— Chacal. 
—Vamos, pues, a mi guarida. . . 
— Admito tu proteccion. 

— Al li te daré en seguida 
buena ropa de algodoa. 

Ya verás que bien se come. 



Y de que te cobrirás? 

— De aquelio que yo me tome 
y lo que tu me darás. 

— En el Africa lejana 
soy propietario, eso si 1 . . . 
Pues tengo yo poça gana 
de esparcirme por allí. . . 

Desgraciado Portugal ! 

Hasta hoy que usurpo tu lierra 

no viste, por tu mal, 

bajo la pel dei chacal 

las orejas de Ingkterra? 



Recitou em Madrid, no anno de 1871, a seguinte poesia: A los escritores 
portugueses j por occasião da ida áquella cidade de vários escriptores portugueses: 



Juntos ayer, el Indico oceano 
acometiendo hazanas de titanes 
vió á Pizarro, Cabral y Magallanes, 
Meneses y Quirós, Gama y el Cano. 

Juntos dieron su sangre ai africano 
cien de nuestros valientes capitanes, 
y juntos lamentaron sus afanes 
dos génios, gloria dei linage humano. 



Si ambiciosa y feroz la tirania 
robaros pudo vuestra dulce calma 
en triste edad para la {)atria mia, 

Ya agostado el laurel, seca la palma, 
por otra union brindemos este dia : 
la que enlaza el cuerpo, sino cl alma. 

PALÁCIO (P. PAULO DE ).— Natural de Granada e lente de theo- 

logia em Coimbra. 

Suma Caietana, sacada en lenguaje castellana : con annotaciones de miichas 
duhdas y casos de consciência por el M." Paulo de Palácio, naiural de Granada. 
Por mandado y con appi'ohacion dei /?et\"'° e Serenissimo S. D. Henrique:, Carde- 
nal, Inf. de Portugal y Arçobispo de Ebora. Fué impreso en Lisboa en casa de 
Joannes Blavio de Colónia. Acabóse a los xx dias de mayo de 1557. Con privi- 
legio real. 



PALAU (FIIAY FttAIVCISCO ).— Maestro en S. Teologia, de la 

orden de predicadores, natural de Barcelona. 

Sermo7ies de ticmpo, dei Padre Francisco Mendoça de la Compaiiia de Jesus, 
doctor en la Sagi'ada Theologia, y Lecíor que fué de Escritura en la universidad 



PA sí 

de Ecora. Traduzidos de Icngua portutjuesa en castellana por el muij reverendo 
padre . En Barcelona, por Pedro Laeavalleria, 1C42, in-4.'', 2 vol. 

PALAZZI (CAULO FKAIVCKSCO DK CESEiVA). 

L' Er cole Lusitano per l'íllusírissimo <£• Eccellcntissimo Sig. D. Francesco de 
Sousa Conte di Prado, Marchese delle Mine, cCc. Ambasciator Straordinario d'Obe- 
dienza alia Santità di N. S. Clemente IX, per V Altezza Reale dei Sereníssimo 
Príncipe, Governatore e Siiccessore de i Begni di Portogallo. Poesia aW lllustriss. 
& Eccellentiss. Sig. D. Pietro de Sousa. ín Roma, per Francesco Tizzonni. 1669, 4.° 

PALLOTTA (D03IENICO ). 

Per la partenza deli' Illiistrissimo ed Eccelentissimo Signore Dou Rodrigo 
Afines de Saa, Almeida y Meneses, Marchese di Fontes, &c. Roma cosi parla. 
Soneto. In Roma, per António de' Rossi alia Piazza di Geri. 1617. 

PALME RSTON (VISCOUNT ). 

Speecli, tíie 1 June 1829, in Portugal. London, 1829. 
Speecli of upon tlie relation of England with Portugal. London, 1830. 
Speecli in the house of Commons. 19 April 37 on the Civil War in Spain. 
London, 1837. 

SpeecJi respecting the relations of England icith Portugal. London, 1829. 

PAL03IARES (D. MAIITIN DAVILA Y ). 

Poema natalicio en celebracion dei nacimiento dei muy augusto senor Infante 
de Portugal, hijo segundo de la Mogestad dei senor Rey Don Pedro, segundo de 
9Ste nombre, a quien se te dedica por mano, y direccion dei ilustrisimo senor 
Don Jospph Farta, cavallero de la Orden y Cavalleria de Christo, embiado que 
fm en Inglaterra por el senor Rey de Portugal, y oy en esta Corte de Madrid. 

É uma poesia. 

PALUDANO (FR. HENRIQUE ).— Minorita da província da Ger- 
mânia inferior. 

Vita Sanctae Elisabethae Reginae Portugalliae.^ 

PAiVDOLFO (BERNARDO ). 

La vita dei Beato Giovanne di Dio. Neapoli, 1631.^ 

PANEGYRICO apologético por la desqgraviada Lusitânia, de la servitud 
injusta, dei tyrannico yugo, de la insuportable tirannia de Castilla. Con el derecho, 
virlud, y cuydado de Don Juan 1 V, Rey justo, legitimo senor y buen padre. Aílo 
sessenta de su cautividad. 

Al terrible y magestuoso y ai que quita la vida y espiritu á los Principes, el 
espantoso con los Rey es de la tierra. Psalm. 75. 

Traducido de latin en castellano. Ailo 1641. Con licencia y privilegio. Im- 



' Nicol. Anl. Bibliot. Nov., vol. n, pag. 379. 
' Ibi., vol. 11, pag. 377. 



32 PA 

presso en Paris, y ahora en Barcelona, en la imprenta de Jaime Hoineu, delanie 
Santiago. Y a su custa. 8.° 16 íl. numeradas. 
Bibliotheca publica de Lisboa. 

PAOLO, P. Dl G. M. G. 

Rislretto di grammatica portoghese. Roma, 1846. 

PAOLUCCI (SCIPIO ).— Jesuita, napolitano. 

Francisci Xaverii prodigium in P. Marcello MastriUo momento temporis 
curato. Neapoli, apud Lazzarum Scorigiam, 1634, in-8." 

PAPEBUOCHIO.— Critico celebre. 

Escreveu acerca das Rainhas portuguezas santas Tbereza e Sancha, no Acta 
Sanctorumj a 17 de julho. 

Impugnou um livro composto pelo nosso celebre padre Macedo acerca das 
mesmas santas. Porém na conferencia do dia 14 de agoslo de 1721, o soeio da 
academia de historia, Martinho de Mendonça de Pina defendeu Macedo das ar- 
guições que lhe fizera Papebrochio. 

PAPEL CURIOSO entre Bobos anda en juego, unos muy tontos y otros 
muy cuerdos. Rasonamiento entre un cavallero y una dama. 
Guerra da acclamação. 

PAPEUS relative to Portugal. Correspondence relative to the Britísh deman- 
des upon the government of Portugal. London, 1831, 2 vol., foi. 

PAQUIS (MR. ). 

Histoire d'Espagne et de Portugal, par . 2 vol. Paris, 1836. 

PARADA (D. JUAIV DE RAENA ).— Presbytero, natural de la 

coronada villa de Madrid. 

Epitome de la vida y hedios de Don Sehastian, dizimo sexto Rey de Portu- 
gal y único de este nomhre. Jornadas que hizo á las Conquistas de Africa^ y sti 
muerte dagraciada. Con discursos escolásticos, políticos, historiales y morales, 
deduzidos de la misma historia. Dirigido á la Serenisima Reyna de los Angeles, 

Maria Santisima, Senora nuestra, con titulo de la Soledad. Por el licenciado . 

Con privilegio. En Madrid, por António Gonzales de Reyes. Ano de 1692, 8.° gr. 
210 pag. afora muitas innumeradas. 

Esta obra é precedida de um grande numero de poesias hespanholas, entre 
as quaes as seguintes, de D. Pedro Francisco Lanini, sagrado censor de las 

comedias. 

Más á tu pluma que á tu pátria deve 
El Lusitano Marte Esclarecido ; 
Puas á luz la verdad has reducido. 
De su fama inmortal su vida breve. 

La incrédula Opinion de su fiel Plebe 
De esperarle aun ay vivo, has convencido: 
Oh I Leallad, que á borrarte, ni el olvido, 
La muerte, ni aun el liempo no se atrebe 



PA .53 

Triunfar dei Rey el nú(nero excessivo, 
Pudo, de la infiel hueste agarena ; 
Morir pudo á su mismo ardor valiente: 

Mas conservale en la nriemoria vivo, 

(Aun más que el bronee puede, ó gran Roma, 

Tu ingenio con rhetorica eloquente). 

E lambem esfoutra de D. Pedro de Zayas : 

Triunfa la muerte de la humana Vida : 
Mas menguando la fama sus Vietorias 
En Marmoles, en Bronces y en Historias, 
Ecos resuena su Altivez rendida. 

El tiempo en su earrera envejecida, 
Borra á la Fanja sus mayores glorias, 
Ya entregando ai olvido sus memorias, 
Ya dejandola en dudas sumergida. 

Tu pluma (ingeniosisimo Baena), 
De estos comunes lindes elegante 
Tranciende ai lusitano defendido. 

De la mentira, que su ser condena, 
Triunfando eterna la verdad constante, 
De la Muerte, la Fama y el olvido. 

PARALLÈLE.— F. R. P. B. ## 

UApocalypse d'wi jésiiitej oii rélation véritable d'un voyage merveilleux à 
Lishonne. A la Flèche, 1761. 

PARAVICINO (HORTCNSIO FÉLIX ) — Predicador de su Ma- 

gestad, dei orden de la Santísima Trinidad, y Redencion de cautivos. 

Santa Isabel, gloriosisima Reyna de Portugal ; Sermon ú oracion evangélica 
en la Solenidad de su Canonizacion el Maestro Fray la dixo. En Madrid, en la 
imprenia real, afio 1625. 

Aora en Lisboa, en la imprenta de Domingos Lopes Rosa, afio 1664. 4.°, 
32 pag. 

PAUDIES (IGIVACE GASTOIV ).— Jesuita natural de Pau, onde 

nasceu em 1632. línsinou malhematicas no collegio de Luiz o Grande e falleceu 
em 16731. 



Auguslin cl Alois de Backcr Bibliothcquc des écrivains de la Compagnic de Jesus, vol. i, pag. 537. 



Si PA 

Les miracles de S. François Xavier^ Apolre des Indcs, traduit de 1'italien du 
P. BartoH. Avec un discours sur la a^éande des miracles. Paris, chez Michelet le 
Petit, 1672, in-12, 312 pag. afora o prefacio. 

Nouvelle édition. Paris, le Petit, 1710, inl2. 

PARDO (GERONOIO ).— Antes lector de Iheologia en Alcalá y 

Salamanca, y ahora assistente provincial de los clérigos regulares menores; eali- 
íicador de la suprema y visitador de los libros y librerias de estes reynos, por 
eomision dei consejo de la santa y general inquisieion. 

Discursos evangélicos, para las solenidades 'principales de los Santos. Con três 
Índices copiosos de escritura, de cosas notables, y para las ferias mayores de la 
Quaresma, y otro ai principio de los discursos. En Lisboa, por Domingos Car- 
neiro, ano 1661. 

Vem n'esta collecção um sermão do nosso Santo António, pregado em Ma- 
drid na igreja de Los Angeles. 

PARIS (G ASTON ). 

No seu admirável livro Histoire poétique de Charles Magne, caractcrisa em 
uma pagina toda a acção que os portuguezes exerceram sobre a transformação 
das Gestas Carolinas francezas^. 

PARISOT (VAL ). 

Petite histoire du Portugal, d'Angleterre, d'Allemagne et d'Espagne. Paris, 
1841. 

Petite histoire du Portugal. Paris, 1841. 

PARLIAMCIVTARY papers in session 51, George III. London, 1811. 
Treaty of alliance ivith Portugal. 

PARRA (JUAIV ADAM DE LA ).^ Advogado de ia Inquisieion. 

Apologético contra el tirano y rebelde Verganza y conjurados Arzobispo de 
Lisboa y sus parciales en respuesta á los doze fundamentos dei padre Mascarenas. 
Zaragoza, por Diego Dormer, 1642, in-4." 

E um ataque á obra do jesuita porluguez Ignacio Mascarenhas, em defeza 
dos direitos do duque de Bragança, com o seguinte titulo: 

Juslicia dei inclyto D. Juan el IV de Portugal, arbol de los fíeycs portugueses 
y Casa de Braganza, Leyes de Lamego, &c. Barcelona, por Jacques Bomeu, 1642, 
in-4.'' 

PARRA (JUAN MARTIIVEZ DE LA ).— Jesuita, natural de Pue- 

bla de los Angeles. 

Panegirico de S. Francisco Javier. En Mejico, por Calderon, 1690, in-4.° 

PARRIXO (DOMENICO ANTÓNIO ). 

Tributo Ossequioso alia grandezza e resguardevolissime Prerogatice di Sua 
Eccelenza il Signor D. Rodrigo Annes de Sa, Marchese di Fontes, cDt;. Ambascia- 



' ApoDlamcnto fornecido polo sr. dr. Theophilo Braga. 



PA ôs 

dore Estraordinario per Sim Maestà Portvghese alia Corte Romana. Soneto dedi- 
cato ali' Illustrissimo & Eccelentissimo Signor, il Signor D. Gioacchino Annes de 
Sa, Conte de Penavió, digníssimo Figlio di Sua Eccelenza. Roma, nella Stamperia 
delia Rev. Camará Apostólica, 1715. 

II plaiiso tributário; espressione d'ossequiosissima Lede ai mérito impareggia- 
hile di S. E. il Signor D. Rodrigo Annes de Sá Almeida e Menezes, MarcJiesi di 
Fontes d- Ambasciatore Estraordinario di S. Maestà il Re D. Gio. Vdi Portogallo 
alia Corte dei Romano Pontifice. Soneto. 

Espressione Rispettosissima ai mérito sublime delV Illustrissimo e Reverendis- 
simo Signor Cj, il Signor Abbate D. Giuseppe César e di Meneses, Priore delia Reate 
ed Insigne Collegiata di Sedufeita. Sonetto. Per novella testimonianza deli' Umilis- 

simo Ossequio di . In Roma, nella stamperia delia Rev. Cam. Apostólica, 

1715, foi. 

PAUTICULARS and correspondent documents relative to lhe frendi aggres- 
sion on Portugal. London, 1831. 

PASIO (FR.)- 

Copia d'una breve relatione delia Christianità di Giappone, dei mese di marzo 
1598, insino ai octobre dei medesimo anno, e delia morte di Taicosoma, signora 
d'il deito Regno. Roma, 1601, 8." peq. 

Existem alguns exemplares em que se lê: Venezia, appr. Ciotti, 1601, in-8.«i 

PASKAART van een gedeelte vau de kust van Portugal, van Zurara tot 7 
a 8 myl besiiyde de Berlefiges. Amsterdam, J. van Keulen (1708). 
Carta de navegação. 0"',50 x O'".o7. 

PASKAART van Galissien van C. de Finisterra tot aen Zurara, mel ai 
zyn diepte cn drooghte. Amsterdam, J. van Ceulen, 1708. 

PASSAR GE (L.). 

Aus dem heutigen Spanien und Portugal. Reise-Erinnerungen und Kultur- 
studien. Leipzig, 1883, 2 vol. 

Vol. II, cap. ni, BataUta, pag. 263. (Camões, eslrophe dos Lusiadas: O vence- 
dor Joanne; texto portuguez e versão allemã, por Donner. Cap. iv: Coimbra; 
Porto; Monumento a Camões. 

PASTORET. 

Moyse considere comme législateur. 

O auctor cita n'esta obra os escriptos c opiniões de vários judeus portu- 
guezes. 

PATERNINA (ESTEVÃO DE ) ou PERALTA.— Jesuíta, natural 

de Logrofio. 

Vida dei padre Joseph de Anchieta, de la compania de Jesus y provincial dei 



Deschamps et G. Brunei, Supplément au Manuel du libraire de Brunei, vol. ii, pag. 171. 



S6 PA , 

Brasil. Traducidú. de latin en casíellano por el padre . Salamanca, en la im- 

prenta de António Ramirez. Ano 1618. 8.°, 430 pag. 

PATIIV. 

Na sua obra : Étndes siir les tragiques grecs, 3." edição, Paris, 1865, trata da 
Ignez de Castro portugueza. 

PATUIGIVAIVI (GIUSEPPE ANTOIVIO ). — Da companhia de 

Jesus. 

Lettere di San Francesco Saverio, delia compagnia di Giesú, dal padre Orazio 

Forsellino già in latino e ora in vulgar, pubblicate dal P. . In Venezia, per 

Niccoló Pezzana, 1716, in-8.°, 332 pag. 

PATTYN. 

Le commerce maritime fondé sur le droit de la naiure et des gens . . . Malines, 
1727. 

Contient: «Les lois de la navigation des portugais et une recherelie très- 
profonde sur le commerce des espagnols aux Indes Orientales.» 

PAUKE. 

Reise in der Missionen nach Paraguay. Zur Gesch, der Missionen und der 
Jesuiten. Wien, 1829, in-8.« 

PAIJLET (JULES ). 

Don Luís de Camoèns, ou le poete voyageur. 

No Buletin de la société de géographie, 23 de março de t86l. Pag. I a 15. 

PAUTHIER (G.). 

Histoire des relations politiques de la Chine avec les puissances occi dental es, 
depuis les temps les plus anciens jusqu'á nos jours^ suivie du cérémonial observe à 
la cour de Pekin pour la reception des ambassadeiirs. Traduit pour la premièrc 
fois dans une langne européenne, par . Paris, 1859, 8." de xx-238 pag. 

PAW (M. DE ). 

Recherches philosophiques sur les grecs, par . Berliíi, 1788, 2 vol., in-8.° 

A pag. Ill do vol. I, diz o seguinte, fallando acerca da degeneração dos 
gregos : 

«Em Portugal e na Ilespanha notou-se até mesmo que as famílias nobres 
s5o constantemente as mais estúpidas; e, se acerca de outros paizes houvéssemos 
feito observações similhantes, haveríamos talvez obtido os mesmos resultados. 
Sem fallarmos das consequências de uma educaçilo viciosa, que não queremos 
confundir absolutamente com as causas physicas, podemos facilmente explicar o 
que se observa na Hespanha e em todo o Portugal por causas mui simplfs. Sup- 
punhanhos que existem n'um pequeno paiz isolado noventa fidalgos imbecis, e 
que somente ha casamentos entre os membros d'estas famílias, e nunca fora 
d'esla8 ; n'e8se caso a fraqueza dos pães se Iransmiltirá de tal modo aos filhos, 
que o estado nada de bom poderá esperar da posteridade de uma tal raça, e cila 



PE 57 

ha de acabar por se a ssi milhar a esses arbustos qu6 nunca foram enxertados, c 
cuja seiva somente pôde ser melhorada com a infusão de uma seiva estranha.» 

PECCIIIO (JOSEPH ). 

Trois 7nois in Portugal. Lettres. Traduction de Vitalien, par L. Gallois. Paris, 
1822. 

Tre mesi in Portogallo nel 1822. Madrid, 1822. 

Lettres historiques e politiques sur le Portugal, par le comte j publiées 

par M- Leonard Gallois. Paris, ... 1 yoI., in-8.° 

PEDRO ATVD IIVES. Ein deutsches Originaltvanerspiel in versen von funf 
Aufzugen. Wien, 1771. 

No prefacio ha referencias a Camões e vem traduzida a estancia dos Liisia- 
das que começa: «Passada esta tão prospera victoria«.i 

PELLICIER (D. JOSEPH DE TOVAR ). 

Siiccesion de los Reynos de Portugal y el Algarve. Logrono, 1641. 

Casa de los Condes de Torres Vedi^as en el reyno de Portugal. xMadrid, 1646, foi. 

PENA (FR. JOSEPH IGNACIO DE LA ).— Jubilado en sagrada 

teologia, presentado de cathedra de los de justicia, y numero en sua província 
de Castilla, de dicho real orden. 

Sermon de la gloriosisima Virgen Senora Nuestra, Maria Santissima de la 
Merced, ò Misericórdia, en la festividad de su admirable Descension de el Celestial, 
Real y Militar Orden de la Merced, Redencion de Cautivos. Predicole el M. R. P. 

M. . Dixole en su Hospicio de la Corte de Lisboa Occidental. Ofrecele ai Ex- 

celentisimo Senor D. Francisco Xavier de Meneses, Conde de Ericeira, Senor per- 
petuo de esta Villa, Puerto, y su partido, y de la Villa de Ancião, Escampados, 
S. Blas, y sus dependências ; Seíior de la Casa de Louriçal, y de el Patronazgo de 
Santa Maria de Aguiar y otros; Comendador en la Orden de Christo, de las en- 
comiendas de Santa Christina de Sarcedelo, S. Pedro de Helvos, S. Bartholome de 
Covillan, San Martin de Frazão, S. Cypriano de Angueira, S. Peloyo de Fragoas; 
de el Consejo de Su Majestad, Mariscai de Campo de sus Ejercitos, Diputado de 
la Junta de los três estados de el Reyno, Director, y Censor de la Academia Real 
de la Historia Portuguesa, Académico de los Árcades de Roma, &c. Lisboa Occi- 
dental. En la oficina Ferreiriana, 1733, 4.", 27 pag. 

PENE (M. HENRI DE ). 

Esquisses portugais. 

Vem citada esta obra a pag. 22 do Parallèle entre Ic Marquis de Pombal et 
le Raron Haussmann. Paris, 1869. 

PENINSULAR (THE) historie, romantic and literary magazine. Edited 
by lí. de Lazeu Juas. First quarter. London, 1820. With four illustrations. 



Thoophilo Braga, Bibliographia camoneana, pag 219. 



58 PE 

PENITENTE reconocimiento de un pecador á la piedad inmensa de sn Bios, 
que usando de su alta misericórdia no confundia en desolacion total á la ciiidad 
de Sevillaj en el formidable terramoto de el primero de Noviemhre de 1755, á las 
diez y cinco minutos de la mariana, cuijo justo castigo solo puJo detenerlo el amor 
de Nuestra Reyna Soberana Virgen Maria, con el didce titido de Su Santisimo 
Rosário. Romance endecasj/Uaho. En Sevilla, por Pedro Padrino. 



PEjVNY (THE) Pictorial News and famihj story paper. Saturday, July 19, 
1880. London, foi. 

Na 1/ folha Iraz os retratos de Vasco da Gama, de Camões, e a vista do 
desembarque dos restos mortaes d'estes dois personagens em Belém, e a pag. 3 a 
procissão civica desfilando por defronte do pavilhão real, e um pequeno artigo 
intitulado: Os festejos em Lisboa em honra de Camões e Vasco da Gama. 

«O povo de l.isboa tem recentemente celebrado o tricentenário do seu poeta 
nacional de modo que todos que presencearam o ceremonial declaram ter sido 
realmente magnifico. Prestando d'esta maneira honra á memoria de um homem 
que tem lançado grande honra sobre o seu paiz, apresentou aquelle um exemplo 
que as outras nações poderiam aproveitar com vantagem; pois não ha festejos 
mais caros ao coração do povo patriota do que os conferidos como tributo de 
respeito a pessoas cujas obras se téem tornado como bens moveis, de que as 
gerações téem gosado.» ... ali combining to prove in the most enlhusiastic 
manner that the portuguese people of our day possess a lively sense of the ho- 
nour reflected on them by their fellow-countrymen who fought and sung and 
sailed the sea more than 300 years ago.» 

PEPPER (CHARLES ROCKLAND ). 

Le Portugal. Ses origines, son histoire, ses productions, le traité de Methucn 
et Viinion ibérique. Paris. E. Dentu, 1879, 8.» gr., xiv-327 pag. 

Esta obra é dedicada ao duque de Ávila. 

«Eis a occasião em que o auctor concebeu o projecto de escrever acerca de 
Portugal uma monographia, que procurou tornar tão completa quanto possivel. 
Visitava, como tantos outros, a exposição universal, e tinha admirado a repro- 
ducção architectural do monumento portuguez, de que se linham servido para a 
construeção da fachada e da secção portugueza. 

"Tinha percorrido a exposição interessante d'este pequeno paiz, e tinha até 
mesmo procurado, para tornar esta visita mais fructuosa, o catalogo especial da 
secção. Sua leitura lhe havia deixado a vaga lembrança de que Portugal se 
achava, na escala das nações, nos últimos togares, e n'um estado de profunda 
decadência. Na França, como também em outros muitos paizes, conhece-sc tão 
pouco a historia e mormente a historia moderna, que era bem desculpável. Por 
isso não ficou mediocremente espantado ao ver e saber que Portugal tinha, desde 
vinte e cinco annos, feito progressos consideráveis, sob o activo impulso de um 
governo sábio e liberal, tendo á sua frente um Príncipe instruído, e applicando-se 
ás letras e ás sciencias. 

«Esta contradicção entre o que via.e o que sabia, lhe deu a idéa de recorrer 
ás fontes, nas quaes tinha bebido seus coidiecimentos, aliás muito imperfeitos, 
acerca do paiz. Releu uma historia de Portugal muito bem feita, n'um muito bom 



PE ^9 

estylo, c devida á sabia penna de mr. Bouciíot, professor de historia, distineto e 
erudito, da faculdade de Paris. 

«Esta historia, publicada em 1854, exprirnia-se em termos mui severos. . • 
o historiador descrevia o sombrio quadro em que o paiz tinha caído. Fallava da 
ilesorganisação da marinha, da desorganisação horrível das colónias, tornadas 
onerosas á metrópole, do estado miserável da agricultura e do commercio, da 
venalidade dos agentes públicos, do contrabando, da falta de estradas e de vias 
de communieação, e, o que contribuía para tornar o quadro mais lamentável, do 
preconceito invencível da nação contra a instrucçâo. 

«Eis o que era Portugal em 1854, e em 1878 o auetor d'este livro o achava 
rejuvenescido, resuscitado, para assim dizer, iniciado em todos os progressos, 
vogando a todo o panno para uma situação prospera, cheia de força e de futuro. 
Esta resurrreição foi a seus olhos como um milagre. Julgavam Portugal morto, 
e elle attestava uma vitalidade extraordinária, e um vigor incrível. 

«Este espectáculo era próprio para fazer pensar o auetor, e dar-lhc o desejo 
de penetrar mais avante no conhecimento d'este povo. E viu então quão pouco 
sabiam o que era esta nação, o que eram seus annaes, e que úteis documentos 
n'elles podiam ser encontrados. Que de maior do que a epocha heróica de sua 
historia? Que de mais maravilhoso do que a epocha da conquista das índias? 

«Camões apenas tinha tido o trabalho de relatar fielmente, n'uma linguagem 
digna dos altos feitos que elle celebrava, e do heroe cuja gloria cantava, os 
grandes acontecimentos que tinham assignalado a historia do seu paiz, para 
escrever um poema esplendido, pois os factos mais se assimilhavam a ficção da 
epopéa, do que á realidade da historia. 

O augmento rápido d'este pequeno paiz conquistado sobre os infiéis, sua 
grandeza tão assombrosa quanto súbita, o brilhantismo das proezas de seus 
heroes, a successão não interrompida de tantos soberanos gloriosos, a phalange 
apinhada de seus grandes homens, depois, repentinamente, uma decadência pro- 
funda e a escravidão, e depois de um lethargo mortal, e que parecia definitivo, 
um livramento vigoroso e rápido, qual outro quadro, devia commover mais na 
historia do que este, e qualquer outra nação o poderia apresentar? 

«A historia de Portugal é uma escola de heroísmo, como disse o grande 
Imperador; é, alem d'isto, uma historia maravilhosa, por causa das bellas acções 
de Henrique de Borgonha, AíTonso Henriques, Egas Moniz, Bernardo Froias, o 
Cid portugiieZj Álvaro Paes, Peres Correia, Martim de Freitas, Giraldo Giraldes, 
AíTonso II, Aílbnso IH, o bom Rei Diniz, O pae do povo, AíYonso, o DravOj, 
D. João de Aviz, o santo condestavel D. Nuno Alvares Pereira, o Infante D.Henri- 
que, o Rei D. João II, D. Manuel, o Afortunado, e todos esses heroes da índia, Vasco 
da Gama, Cabral, Pacheco, Albuquerque, Castro, Athayde, até Vieira e Pombal. 

PER LE FAUSTISSI3IE nozze di S. A. R. la Príjicipessa Maria Pia di 
Savoia con S. M. Don Luigi I, Re di Porlogallo, festiggiate in Génova la será dei 
xxvin Settemhre mdccclxxii nel Teatro Cario Felice. Génova, per Tommaso Fer- 
rando, typographo dei município. 

PERALTA (D. MATIIIAS DE CALDEIlOIV ) — Primiciero de 

la Congregacion de S. Francisco Xavier. 

El Apostol de las índias y nuevas gentes, S. Francisco Xavier, de la Conipa- 



60 PE 

ília de Jesus. Epitome de sus apostólicos hechoSj virtudes^ ensenanza, y prodigios 
antiguos y nuevos. México, imprenta de A. & Santistevan y Fr. Luperck», 1661, 
in-4.° 

Obra raríssima, dividida em cinco partes, uma das quaes trata dos milagres 
operados pelo apostolo nas índias. Não foi citada nem por António, nem por 
Pinelo. 

Em 1867 vendeu-se um exemplar por 130 francos i. 

» 
PERAMBULATION (LA) de Espana y de Portugal, y discurso entre 

Carlos y Felipe. En espagnol et anglais. London, d 750. 

PERCIVAL (ROBERT ). 

Voyage á Ceylan, fait dam les années 1797 à 1800 ; contenant 1'histoire, la 
géographie, et la description des moours des habitaras, ainsi que celle des produ- 

ctions natuvelles du pays, par , suivi de la relation d'une ambassade envoyée 

en 1800, au rol de Candy; traduit de V anglais par P. F. Henry. Paris, an xi 
(1803); 2 vol. 

PERDOUX (VICTOR ). 

Le Camõens, drame historique en un acte et en vers, par . Paris, 1872, 

in-i2.° 

PÈRE BELOY. 

Déclaration du droit de legitime succession sur le royanme de Portugal appar- 
tenant à la fíeyne mère, Cathérine de Médicis. Anvers, 1582. 

PÈRE DE LA COMPAGNIE DE JESUS. 

Rudiments de la langue latine, composés sur la grammaire du P. Emmanuel 

Alvarez, de la Compagnie de Jesus. Par un . A Paris, chez la veuve de Ho- 

race Molin, 1709, in-S.", 126 pag. No fim: Lugduni, typis Marcelini Sibert, 1709. 

mesmo titulo. Nouvelle édition, revue, a^igmentée et cotTigée avec soin par 

Vauteur. A Lyon, chez Anloine Molin, 1713, in-i.", 136 pag. 

PEREIRA (D. JUAIV DE SOLORZAIVO ). 

Politica Indiana, cowpuesta por el Doutor , Caballero dei Orden de 

Santiago, dei Consejo dei Rey Nuestro Senor en los Supremos de Castilla y de las 
índias. Dividida en seis libros. En Amberes. Henrico y Cornelio Verdussen. 
1703, in-fol. 

«Todos estes descobrimentos e noticias foram mui confusos para o muito 
que havia a penetrar e a inquerir em tão varias e estendidas províncias. E todas 
essas ainda assim se vieram a perder de todo na Europa, como bem adverte 
Tbomaz Bozio, por causa da ignorância da navegação, e pela diíliculdade de irem 
por terra a laes índias, havendo de atravessar tanto, que foram occupando ini- 
migos, de leis e nações diversas, até que, no tempo de nossos pães, os valorosos 
lusitanos, que são os que mais t(5em conquistado, começaram a tentar sua nave- 
gação, e depois foram penetrando no interior e exterior de todo o oriente, dando 



' Deschamps et G. Brunei, Supjjlément au Manuel du libraire de Brunei, vol. ii, pag. 198. 



PE . «» 

não só vista ás suas immensas e dilatadas provincias, mas até mesmo illuslran- 
do-as com a fé de Christo, e tirando muitas d'ellas aos mouros, que injustamente 
as occupavam. E a taes historias e recordações de gloriosas emprezas encarecem 
com rasão muitos e graves auclores. E também as não pôde negar o francez Tor- 
catulo, embora patenteando o ódio ou inveja, que os de sua nação têem á Hes- 
panha, dizendo que os portuguezes obraram façanhas taes para fugirem da misé- 
ria em que viviam. . . 

PEUEIUA (ISAAC DE LA ). 

Publicou em 1655 um livro intitulado: PrcBdamitae, e acompanhou-o de um 
outro Systema Theologicum ex Praeadamitarum hypothesi. 

«Pereira, auctor do systema das Praedamitas, sustentava: «Que a creação 
do mundo, da qual se falia no capitulo ii do Génesis, é differente d'aquella de 
que se falia no capitulo i. Que Moysés, no capitulo i, fallou da creação dos ho- 
mens em geral em todas as partes do mundo, que no capitulo ii só fallou da 
creação particular de Adão e Eva. E suppõe que entre estas duas creações me- 
deia, talvez, um grande numero de séculos; que Moysés distinguiu Adão dos 
outros homens só pela rasão de ler sido o tronco da nação judaica; que o diluvio 
não foi geral, mas sim particular á Judéa, e que nem todos os homens descendem 
de Noé, que os gentios ereados nas diíTerentes regiões da terra habitável, muito 
tempo antes de Adão, morriam, não por haverem peccado, mas por serem com- 
postos de uma matéria sujeita á corrupção.» 

PEREYRA (FRANCISCO ).— Missionário no Madure, no século xviii. 

Brief R. P. Francisci Pereyra, Missionarii S. J. in dem Reich Madura, an 
einen Priester aus gemeldter Gessellschafft; geschrieben zu Cunampattitu, dem 1 
Christmonats 1739. Inhalt. P. Pereyra, erzehlet die Armut seiner von denen hey- 
dnischen Freinden selir hedrangten Mission. Die wunderbarliche Wãrclungen des 
im Namen des H. Fraiiç. Xav. geweyhten Wassers. Die Andacht deren Indianern 
zu diesem Ileiligen. Verschiedene Bekehrungen derenselben. Die heilwúrckende 
krafft der Erde vom dem Grab Ven. Patris Joatinis de Britto. Den hulfreichen 
Beystand des H. Aposteis Jacobi in Wiedererhaltung verlohrner Sachen. Die Krafft 
des H. Tauff- Wassers in Abtreibung deren Teufeln iind derer Leibs-Kranckheiten. 
Den Schutz Mariae iiher ihre Pfleg-Kinder. Maria erscheinet einer bedrangten 
Hof-Dume im Schlaff. Die Bildnuss der Mutter Gottes bekehret eine heydnische 
Edel Frau. Die Gunst Gewogenheit einiger heydnischen Fursten gegen die Christeu 
und Missionarien. Die schimpfliche Bezikhtigung eines hoffartigen Brachmans. 
Sanda-sachebi, eines Mahometanischen Feld-Fiirstens sonderbare Lieb gegen einen 
Jesuiten. Seine Hochachtung unseres Gesazes. Standhafftigkeit deren Christen unter 
denen Verfolgungen. Zweyer Matronen aus Kòniglichem Gebliit herzhaffíe Gedult 
in Verlust aller zeitlichen Gúter, &c., cêc. Freyheit eines Kinds in Verachtung 
deren Gòzen-Bildern. Einer abdrinnigen Missionarien in Madura. ^ 

PERES (DOMIXGO GARCIA ). 

Catalogo razonado y bibliográfico de los autores portugueses que escribieron en 
castellano, por . Madrid, 1890. 



' Anguslin cl Móis de Backer, Bibliothèque des écrivains de la compagnie de Jésua, vol.Vi, pag. 433. 



6â PE 

PERES (NICOLAU ). — Hespanhol, domiciiiado em Lisboa. 

Encycbpedia portugueza, mais augmentada de novos artigos (em duas terças 
partes) que as encyclopedias franceza^ ingleza e latina de Leão: por N. P. 0. S. 
D. E. S. Lisboa, iinpr. regia. 1817, 8.» gr. 

Collecção de viagens, ib. na mesma imprensa, 1818. (Só se imprimiu até á 
folha 7-2. 

Viagem ao interior do Brasil, com uma exacta descripção das ilhas dos 
Açores. íb., na mesma imprensa, 1819, 4.» com estampas. (Transcriptas em fran- 
eez pelo viajante John Mawe, mas a traducção não chegou a ultimar-se.) 

PEREZ (ALONSO ). 

Los siete libros de La Diana, agora nuevamente ailadida con la segunda 
parte, por . 2 vol. in-16. Anvers, Pedro Bellero, I08O-I08I. 

La Diane mis en nouveau langage, par madame de Saintonge. Avec un Idile 
pour le mariage de la Diichesse de Lorraine. Paris, 1699. 

Diana. A pastoral novel. From the Spanish. in-12. London, 17;j7. 

Le Roman espagnol ou nouvelle traduciion de la Diane écrite en espagnol. 
Paris, 1735. 

La Diana, de Jorge Monte Maior. Parte 11. Milão, 1616. 

PEREZ (ÁRIAS ). 

Primavera y flor de los mejores romances y sátiras que se han cantado. 
Anadidas diversas poesias. Y aora nuevamente anadido el romance que se hizo á 
la entrada de Galicia en Portugal, en esta primcra y segunda parle. Madrid, por 
Pablo de Vai. 1659. 

PEREZ (J. ALVAREZ ). 

Los companeros de Vasco da Gama. (Aventuras de un pintor). Quarta edicion. 
Madrid. Medina y Navarro, editores. 8." 241 pag. 

É um romance, e faz parte da collecção: Bibliotheca de instruccion y recreo. 

PEREZ (JEROIVYMO ) — Jesuita, natural de Saragoça. 

Relacion completa de muchos portuguezes que derramaron su sangre por la 
Fê de Christo en el Japon. Manila, in-4.<' 

PEREZ (I). NICOLAS DIAZ Y ). 

De Madrid a Lisboa (Impresiones de un viaje), por . Segunda edicion. 

Madrid, 1877. 8." gr. vi-474 pag. Precedida de uma caria a Alexandre Herculano. 



("uanto (sic) é bella esta vida assim vivida! 
Agora, logo, aqui, alem notando 
Uma pedra, uma ílor, uma lindeza. 
Um seixo da corrente, uma conchinha 
Á beira-mar colhida . . . 

'Não é verdade ser muito suavemente lyrico o terno Gonçalves Dias ? 



PE «» 

«Parece um grego. Um mármore pentelico derretendo-se sob o ardente sol 
americano. Porém em Portugal todos os génios são assim como Gil Vicente, 
como Gamões, como Garrett. . .» 



«Os povos chrislãos (pag. 345), rendiam um culto extraordinário ao corpo 
de Christo desde o anno 220, em que foi introduzido o uso dos altares sem 
imagens nos templos, e em 787, quando o concilio de Nicea creou o culto defi- 
nitivo para todas as imagens. Não havia, porém, uma festa especial para celebrar 
a de Christo, e no anno de 1264 a instituiu o Papa Urbano IV, e dois annos 
depois a do sagrado coração de Christo. 

«Nos dias em que festividades taes eram celebradas, havia grandes funcções 
nos povos. As celebradas n'esta cidade^, relativas á procissão de Corpus Christi, 
no anno de 1438, eram cousa digna de ser vista. 

«Alem da extraordinária pompa do culto, as danças, musicas, cavalgatas, e 
jogos de alegria, não eram menor incentivo para attrahir á romaria todas as 
pessoas das aldeias circumvizinhas. 

«E os bons portuguezes d'aquella epocha, esquecendo-se por um momento 
das rivalidades nacionaes, atravessavam alegremente a fronteira, e nem mesmo 
queriam lembrar-se se algum dia a tinham atravessado para actos de hostilidade. 

«Entre os muitos festejos celebrados em Badajoz por occasião de uma tal 
festividade, era costume conferir um premio ao cavalleiro que desse maior nu- 
mero de voltas a cavallo, a uma distancia anteriormente marcada, sustentando 
com a mão direita um estandante castelhano, que era o pendão da cidade. 

«Na véspera da folgasã romaria, achando-ss reunidos vários, jovens na sala 
das armas do governador de Elvas, um d'elles concebeu o arrojado propósito de 
fazer uma aposta em como era capaz de roubar a celebrada bandeira de Badajoz 
o Irazel-a para dentro das muralhas da praça porlugueza. 

«E o intrépido portuguez cumpriu sua palavra. 

«Chegado que foi o dia seguinte, e havendo conseguido penetrar com outros 
portuguezes nas corridas, empunhou, quando lhe tocou a vez, o glorioso estan- 
darte, e a galope sobre um fogoso cavallo deu a primeira volta, e depois a se- 
gunda. E á terceira, em logar de volver desde o angulo da estacada, emprehendeu 
uma corrida a galope em direcção a Portugal. 

«Ficaram todos os hespanhoes extáticos e absortos nos primeiros momentos; 
porém, recuperando dentro em pouco a energia momentaneamente perdida, 
correram a galope atraz do portuguez. 

«E o portuguez galopava, galopava sem descanço, levando uma grande 
dianteira aos hespanhoes. 

«Viam-se já os muros da cidade de Elvas... E estando já próximo da 
praça, caminhou o portuguez em direcção a uma de suas portas, esporeando seu 
cavallo. Porém a ponte levadiça eslava erguida, e os de dentro, talvez por teme- 
rem represálias, tinham fechado as portas. 



Falla-se de Badajoz. 



«4 PE 

«Porém o portuguez, coberto de suor, e com o cavallo nadando em espuma, 
não se resolveu a dirigir-se para outra porta, porque os que estavam nas mura- 
llias llie diziam que todas estavam fechadas. 

«O governador, que tinha visto grande numero de hespanhoes caminhando 
em direcção á praça, já com receio do perigo, já com inveja da proeza que o 
joven tinha obrado, mandou fechar todas as portas. 

«Em vão o joven gritava que lh'a abrissem. Vendo que suas supplicas eram 
inúteis, e que as espadas inimigas já o alcançavam, arrojou o estandarte por cima 
das muralhas, exclamando ao precipitar-se do seu cavallo para o fosso: 

« — Morra o homem, fique a fama I 

«Arrojaram -se immediãtamcnte os castelhanos sobre o corpo do cavalleiro 
poitnguez, levando-o para Badajoz, e prenderam-o n'uma prisão mui segura. 
Poucos dias depois d'este successo, accendia-se alli, em frente, junto á porta da 
cathedial, uma fogueira immensa, e por cima das chammas pozeram um grande 
caldeirão cheio de azeite. E quando este eslava a ferver, lançaram para dentro do 
caldeirão ao portuguez, como lhe fossem dar um banho. 

«E desde então, por muitos annos depois, esteve em costume que no dia da 
procissão de Corpus Christi hasteavam o estandarte hespanhol na fortaleza de 
Elvas, e na procissão levavam uma caldeira de cobre conduzida por quatro 
homens, a qual recordava o lastimoso íim do portuguez. 

# 
# # 



«Que bonito panorama oíTereee Lisboa, vista do rio! O céu claro que a 
cobre, as douradas areias d'aquellas praias sempre alegres, e todos os edifícios 
com suas torres, seus escudos, seus zimbórios, reflectindo-se na superfície das 
aguas, é mais encantador que o de Veneza e o de Moscow !« 

De pag. 453 a 467 falia o auctor acerca de Camões. 

O auctor dá a entender que está preparando um livro intitulado a Curte (Jr 
Lisboa. 

PEIIICO Y ANEXA.— Archiducal matraca lusitana. 
Poesias alhisivas á entrada do exercito portuguez em Madrid. 

PERIÉ (EDOUARD ). 

Cliro)nque de Lisbonne. Na Revue des races latines, vol. 8.°, pag. 553, anno 
de i8o3. 

Este volume é acompanhado dos retratos de D. Pedro V e D. Estephania. 

«Lisboa quasi que em nada se parece com a maior parle das cidades euro- 
péas que lenho visitado Compõe-se de duas cidades, as quaes nenhuma muralha 
separa, mas que nem por isso são menos distinctas, embora confundidas no am- 
phitheatro encantador que se prolonga da Torre de Belém até á barra do Tejo. 

«<As arvores de seus jardins, seus palácios antigos, seus edifícios modernos e 
seus zimbórios se confundem n'um céu quasi constantemente puro. Suas collinas 
revestidas de verdura, e matizadas com lindas habitações, palácios, o passeio de 
S. Pedro de Alcântara, que a domina, tudo encanta os olhos do viajante recem- 
chegado, e para elle é Lisboa a pérola das cidades. 



PE «s 

«Uma das cousas que logo chamauí a allenção do recemchegado é a praça 
do Couimercio e a magnifica estatua de El-Rei D. José, inaugurada na epoclia do 
famoso marquez de Pombal, que occupa o centro d'esta praça. Quasi todas as 
grandes ruas da cidade eslão aceiadas, e são direitas e largas, bordadas por altos 
prédios, em geral ao gosto moderno. 

* 



"O lindo Iheatro de D. Maria II enfeita esta praça. Do seu peristylo enxer- 
gámos o antigo convento do Carmo, com seus muros arruinados, mas ao mesmo 
tempo repassado d'esse ar de severidade que nos peneira nos velhos templos ca- 
tholicos. Ao contemplarmos suas ogivas, e suas abobadas, julgar-nos-hiamos 
antes na presença dos restos de uma fortaleza, do que em frente de um templo 
christão. E tenho observado que todos os ediíicios religiosos, construídos durante 
a idade media, inspiram a mesma reflexão. 

«Mormente na península ibérica era mister que assim fosse. Não vinham os 
mouros em epoehas não mui distantes umas das outras tentarem converter as 
igrejas em mesquitas, como nós havíamos convertido suas mesquitas em igrejas? 
Quando os olhos se desviam do velho edifício para o moderno Iheatro, pergun- 
támos a n6s njesmos se na realidade o mundo andou. 

"Da praça de D. Pedro IV entrámos n'um passeio publico, tão bello como 
o podemos imaginar, e tão bem tratado como os parques mais estimados da 
Inglaterra. É cingido pelas alturas da cidade, e ao abrigo de sua sombra se pôde, 
comtudo, julgar isolado no mundo, quando se passear nas horas em que a socie- 
dade portugueza não está no costume de o fazer. Emquanto ao mais, a influencia 
lunica é grande nas ruas e nos passeios de Lisboa, a não ser em epòchas solemnes. 
A chusma raras vezes vem interromper as phanlasias do poeta. 

«Lisboa, todavia, occupa uma área tão grande dez vezes como aquella de 
que teria necessidade para estar assentada á sua vontade nas margens do rio. 

«Os portuguezes conservam um orgulho de raça, uma independência de 
movimentos, e uma poética indolência que ainda mais contribue para a tranquil- 
lidade da sua capital. Logo que as relações estão estabelecidas, conhece-se que o 
isolamento do exterior occulta uma doce familiariedade do lar domestico, o que 
não é mais do que um encanto acrescentado á residência da rainha do Tejo. 

"Fui acolhido com uma amizade cavalheiresca, da qual ainda estou maravi- 
lhado, e cujos eíTeitos se não fazem esperar para a Revista das raças latinas. 

"El-Rei D. Pedro V recebeume a 6 do mez ultimo em audiência particular. 
Basta conversar um momento com este Príncipe para adquirirmos as provas de 
sua precoce e elevada intelligencia, fecunda por meio de mui sérios estudos. Sua 
conversação, um pouco sabia, é por extremo agradável. Seu primeiro cuidado foi 
o de me auctorisar a inscrevel-o, assim como a seu pae e a seus irmãos, na lista 
dos assignantes da Revista. 

"O marquez de Loulé, presidente do conselho e seus collegas, acolheram-me 
como não acolhem senão nas terras latinas : o acolhimento foi o mesmo em todos 
os grandes personagens-jornalistas, presidentes dos estabelecimentos publicos, e 
grandes iiidustriaes que vêem com prazer que a Revista das raças latinas se propõe 
a coadjuvar em tudo quanto pôde secundar a prosperidade de Portugal. 

õ 



CG PE 

«Lisboa é a villa do mundo, um jardim da Europa. Alli falla-se tanto o 
francez como o portuguez, e por toda a parte a civilisação se desenvolve mila- 
grosamente. 

«Como se dá então o caso de que suas artes, sua índuslria, seu commercio, 
sejam apenas conhecidos, a não ser da Inglaterra, a qual apenas se inquieta em 
relação áquillo que elles podem ter de commum com seus próprios interesses? 

«Provém isso da culpada preoceupação d'aquelles que deveriam ser os defen- 
sores das raças catholicas. Emquanto aos portuguezes elles têem bastante con- 
sciência no seu próprio valor para não esperarem com paciência que lhes seja 
feita justiça. Entre elles o espirilo de nacionalidade é dominante; seu desejo de 
bem estar não é tal que lhes faça immolar tudo ao novilho de oiro. 

«O culto da apparencia lhes é muito menos caro que o da verdade. Acolhem 
todos os progressos, mas estão de pé alraz, contra Iodas as loucuras. Foram os 
primeiros na Europa que souberam fazer entrar em seus logares certos grandes 
linanceiros que se tinham esquecido de mais que o dinheiro deve estar ás ordens 
das nações.» 

O resto do artigo versa sobi'e o casamento de D. Pedro V. 

PEUPIANtS.— P. J. 

Oraliones in Beatam Elisabetham Lusitaniae Reginam XVIIl. Romae, 1587. 
Oratio 1 ad IIL Laiidationes in B. Elisabetam. 

PEUPIlViVlV (JOÃO ) — Nasceu em 1530 em Elche, no reino de 

Valência, e entrou para a companhia em 1551. Brilhou em Coimbra e em Roma 
por suas lições de eloquência: em Lyon e em Paris por suas explicações de es- 
criptura sagrada. Morreu em Paris no anno de 15CG^ 

I. De Societalis Jesn gymnasiis ac de ejus doctrinae ratione coram Joanne 111 
Lusitaniae rege habita Conimbricae Kal. Oct. 1555. 

II. Laudatio fiinebris Ludovici Principis cjusdcm Joannis 111 Regis fratris Ger- 
mânia ibidem dieta eodem anno. 

III. IV e v. Quae triíim librornm vicem gerunt Laudationis in B. Elisabelham 
Lusitaniae Reginam^, anniversariis natalis ejus diebus nonarum Jidii annoriim 1556, 
1557 et 1558 dictae. 

Vem estas orações na obra intitulada: Petri Joannis Perpignintii Societatis 
Jesn Presbyteri Orationes duaedevinti. Additae siint orationes qiiinque, quinque 
Presbjjterorum Societ. Jesn, Romae pritnuni dictae. llac tertia meo edilione a men- 
dis plurimis repurgatae novis additionibus marginaUbus et Índice duplici tam Ora- 
tionum quam Rerum et Verborum in commodum juventulis adouctae. Cólon iae 
Aggrippinae, sumptibus Petri Henningii, 1650, in-i2, 565 pag. afora a epistola 
dedicatória, o prefacio e os Índices. Coloniae, 16G1, in-12. 

VI. R. P. Petri Perpiniani Societatis Jesu, de vita et moribns li. FAisabethae 
Lusitaniae Reginae Historia. Coloniae Agrippinae, sumptibus Bernardi Guallheri, 
1G09, in-8.", 188 pag. 

No fim: Coloniae Agrippinae, excudebat Stephaiius Ileimníuden, sumptibus 
Bernardi Gualtheri, Anno mocix. 



' Auguslio cl Alois (Ic Dacker, Bibliolhèijue dts écrivains de la compaguie de Jést(S, vol. i, píig. 5Í8. 



PE "7 

MI. Petri Lazeri Soe. Jesu, de vita eí scriptis Petri Joatmis Perpiniani Dia- 
triba. Homae, 1749, in-8.«, 599 pag. com o retrato do aiictor. 

Esta edição, feita pelo padre Pedro Lazeri, é dedicada á Raiiilia de Hespa- 
nlía, reinante, pelo padre Manuel de Azevedo, jesuíta portuguez. Contém : 

1.° Dezenove discursos, entrando n'eiies o Panegyrko de Santa Izuhel de 
Portugal, divididos em 3 livros; 

á." Vie de Saint Elisabeth de Portugal, eu trois livres. 

PEIUVEY310\D (CUAULES ). 

Le Portugal devant 1'Eiirope et le monde ou les trailés et la jiolitique du ira- 
rail. Lisbonne, 1854, 8.°, xiv-168 pag. 

O auetor quer provar que l^rtugal precisa tratar da siu politica de trabalho. 

PEUUOT (VICT. ) et AU3IAIND 1>U 3IESNIL. 

Camoiins. Brame ^i cinq actes et en prose. Paris, 1845. 

Foi representado pela primeira vez em Paris no real theatro do Odéon, a 29 
de abril de 1845. 

A noticia sobre a representação do mencionado drama Camões vem na obra 
de Paul Porei e de Georges Monval, intitulada: Histoire administrative, anêcdo- 
tique et littéraire du second tJtêãtre frauçais (1818 à 1853). Paris, 1882, vol. n, 
cap. XIII, 18i'4. Notice siir la representation du drame Camoens, par Perrot et 
Dumesnil. 

PEUSIA. 

Memorias dos Cónegos Regulares, por D. Caetano do Bem. Pag. 112. 

«Na primeira conferencia da academia real d'este anno, 1731, se deu parle 
aos académicos de baver avisado João de Saldanha da Gama, vice-rei do estado 
da índia, que em uma pequena ilha situada no mar pérsico, pouco distante da 
ilha de Ormuz (que pôde ser a que se conhece com o nome de Lareca), havia 
uma antiga mesquita, e corria por tradição entre todos os mouros, que n'ella se 
conservam certos depósitos, que nenhuma pessoa podia tirar, porque logo, em o 
emprehendendo, morria repentinamente; porém que alguns portuguezes, despre- 
zando este agouro, entraram na mesquita e trouxeram d'ella dois caixões cheios 
de livros antiquissimos, uns escriptos em lingua arábica, outros na persiana, os 
quaes foram entregues ao mesmo vice-rei, que, fazendo-os examinar, se achara 
que alguns tratavam de medicina, outros de historia, suíTicientemente encaderna- 
dos, e que muitos, especialmente os de medicina, tinham mil annos de antigui- 
dade, tão bem escriptos que pareciam impressos; que se ficava fazendo extractos 
do que cada um continha para os remetter a este reino. (Gazeta de Lisboa, de 
1731, pag. 48.) 

PESCE (JOSÉ E. ). — Superintendente do palácio do governo. 

Guia do emigrante para a Republica Oriental do Paraguay. Com breves notas 

e observações, por . Segunda edição correcta eaugmentada. Imprensa a vapor 

da nação, rua Solis, 69. 1885, 8.«, 174 pag. 

«A lingua hespanhola é a que se falia em todo o paiz. É muito raro que um 
filho do paiz, regularmente instruido, não conheça o francez, o inglez, o italiano 
e o portuguez (pag. 43). 



68 PE 

«A população nacional dispõe de sobrados meios ao seu alcance para intei- 
rar-se dos suecessos locaes, da marcha económica e administrativa do paiz, e das 
outras nações, e por fim para seguir nas differenles phases do seu progresso o 
movimento inleliecfual do mundo inteiro, pois existem muitos periódicos eseri- 
ptos nos idiomas liespanliol, francez, inglez, italiano e portuguez, e varias revis- 
tas scientificas, litterarias, commerciaes, industriaes, etc. 

PESSIIVUS (P. PETRUS ). 

De vila et morte P. Ignatii Azevedii et sociornm ejm e Societate Jesu. Romae, 
1679, 4.» 

PESTANA (D. CYPUIAIVO DE PINA ).— Natural de Lisboa Oc- 
cidental. 

Poema heroi/co ai nuevo natalicio dei Sereníssimo Seíior Don Alexamlro, In- 
fante de Portugal. Ofrecido a el miiy augusto Seíior D. Jmeph Francisco António 

Ignacio Roberto Augustino, Príncipe dei Brasil. Eseripto por . En Madrid, 

1723. 

PETAN (em latim Petavius) DENTS. — Um dos sábios mais distinctos do 
seu século. Nasceu em Orleans no anno de 1583. Morreu no coilegio de Glermont 
em 16521. 

Basílica in honorem S. Francísci Xaverii a fundamentis exstructa, miimficen- 
tia Francísci Sublet de Noyers, a Collegíi Claromontani Alumnis S. J. luudata et 
descnpta. Parisiis, Cramoisy, 1641, 1664, in-4.» 

S. Franciscus Xaverius Crucis In incidam marí ahsorptam vectore cancro re- 
cuperai, pag. 121. 

Visus humano major bárbaros Bodagas fugat, pag. 123. 

Acenos pugnantes longe díssitus videt ac vincit, pag. 126. 

Apparecem estas três poesias na collecção intitulada: Parnassns Societatis 



PETEUBOnOUGH (BENOIT ). 

De vila et gestis Henríci. Edição Th. Hearn, tomo ii, pag. 403. 

Trata da viagem de Mathilde, que para se dirigir de Portugal a Flandres 
desembarcou na Rochella. 

Acerca d'esta njulher de D. AÍTonso líf, Rei de Portugal, V. também Raoul 
de Dicet, na Collecç.ão de Ttoisden, col. 623; Madox, The Jlistory of lhe Exche- 
quer, pag. 252; Léopold Deliste, Chronique de fíobert de Torígní, Rouen, 1873, 
pag. 128 2- 

PETIIEO (ESTEVÃO ).— Jesuita, húngaro. 

Ilei^culis Christíani, seu S. Francisci Xaverii S. J. hidiarum Apostoli ac Thau- 
maturgi Labores duodecim. Tyrnaviae, typis academicis, 1664, in-8." 



• Aujçuslin el Alois de Backcr, Bibliolhèque des écrivains de la compagnie de Jesus, \-o\. i, p.ig. 5,')8. 

* R. Franci.'((iuc Michel, Les portuyais en France, ele, pag. 6. 



PI 69 

PETICIOIV lamenlahle ai Reij nnestro Senor D. Felipe V (que Dios guarde), 
que haze un afectuosíssimo vassallo sui/o, en médio de la captividad de la Imperial 
Toledo; notada por cl lieal Prophela David, ai Psalvio 136 Super flumina Bahy- 
lonis, &c. 

TETRO (NICOLAU ).— Jesuila, húngaro. 

Vanegipicus D. Francisco Xavcrio. Claudiupoli, 1734. 

PETKACCIO (IMUTIIOLOMEU ).— Jesuíta, italiano, natural de 

Messina. 

Vila dei B. Francesco Xaverio, raccolta da diversi aidori. Messina, Pietro 
Biea, IGOo, in-4.° 

PEZERAT (P. J.). — Ingenieur chef de la repartition technique de la 
chambre niunieipale. 

Mémoire sur les eludes d'améUoratio'ns et embelissements de Lisbonne,par . 

Lisbonne, 1865, 8.", 24 pag. 

PIIILAUETE (CHARLES ). 

Eludes sur Vontiquité. Paris, 1849. 

A pag. 114 falia com extraordinário elogio de Camões i. 

PHILIP AU (FU, II.). 

Notice sur la serradelle, plante foxirragère de Portugal, in-8.*' 

PIANO (FR. MARIANO DE ). — Capuchinho da província de 

Toscana. 

Compendiosa narração da vida do venerável padre fr. Lourenço de Brindise, 
capuchinho italiano, natural do reyno de Nápoles, professo na província de Veneza, 
fallecido em Lisboa aos 22 de julho do anno 1619, e depositado no convento das 
freiras descalças de Santa Clara de Villa Franca, do reyno de Leão, que a Santa 
Sé trata de beatificar. Offerecida á Fidelissima Augusta Magestade da Rainha Mãy 

N. Senhora D. Mariana de Áustria, pelo P. . Lisboa, na regia oííicina Syl- 

viana, e da academia real, 1752, 8.^ 24 pag. afora a dedicatória e as licenças. 

PICAMITH (CH. DE ). 

Vimprimerie nationale de Lisborine à Vexposition universelle de 1867. In-8.° 

PíCULER ((iUI ). — Jesuita, e eanonista celebre. Nasceu em PerckoíT, 

na Baviera, e morreu no anno de 1736 em Munich^. 

Béponse á un ami sur la queslion proposée, touchant un contrai de prêt à in- 
tei-ét, par lepère Antoine Cardoso, de 1'Oratoire de Porto. Lisbonne, 1788, 2 vol., 
in-12. 



' Thcophilo Braga, Bibliographia camoneana, pag. 219. 

* Augustin et Alois de Backer, Bibliothèque des écrivains dela compagnie de Jesus, yoli, pag. 570. 



70 PI 

O auctor alaca principalmente o padre Pichler, o qual sustentava que as leis 
civis e o costume são títulos sufficientes para legitimar os juros recebidos da 
quantia mutuada. 

PICO (DR. RANUCCIO ). 

La Principessa Santa, overo la vita di Santa Elisahetha Reina dí Portugallo. 
Venelia, appresso Giovanni Gueriglio, 1627, 4." 

PICQUET (CHARLES ). 

Carte chorographique des environs de Lishonne. Lisbonne, 1821. 
Livre des postes d'Espagne et de Portugal en Espagne et eu France. Avec carlc' 
Paris, 1810. 

PICTURE (A) of Lisbon, taken on the spot, hy an inhahitant. With sketcJm. 
Second edition. Lisboa, 1811. 
Ibid. London, 1809, 242 pag. 

PIÈCES nouvelles du procès des Jésuites de Portugal. Ânecdotes sur raffaire 
du Paraguay. Traduction de ritalien. Lisbonne, 1760, 23 png. 

PIEDADE (DIOGO DA ). 

Dialogo sobre a Historia de Portugal, emportuguez e [rancei. Coinjbra, 1830, 
8.", 1 vol., 303 pag. 

PIELAT (B.). 

Octoglotton or phraseology in 8 langues : [rançais, latin, cspagnol, poriugais, 
italien, [laniang et anglais. Amsterdam, 1700. 

PIERRE (LA) de touchc politique 1691. VAnneaude Gigès. XXV Dialogue. 
Jiixte la copie imprimée. A Venise. Chez Penetrante Penelranti sur la Placo 
S. Marc, à la Tine Doublere. 1791, 8." 

oÉ obra que se compõe de vários volumes, ataviados com lindas eslampas, 
criticas e politicas. O auctor queria a todo o custo que Portugal seguisse o par- 
tido de Inglaterra, e deixasse de ver a França, promettendo mundos c fundos a 
Portugal se tal fizesse. 

«Neptuno. — Cumpriste bem todas as ordens que te dei? E liouve alguma 
cousa que obstasse a peneirar, sob as diíTerenles figuras que tomaste, todos os 
segredos acerca dos quaes cu quero ser informado ? 

"Phothko. — Os homens são tao fáceis de ser enganados, comianto que lin- 
j.lmos que vamos atraz de suas paixões, sabendo-rne eu, alem d'isso, masrarar c 
disfarçar, que me não foi diílicil allrabir todos quantos vi que me abriam sou 
coração acerca de tudo quanto eu quiz saber relativamente ás cousas que dizem ■ 
respeito ao vosso império maritimo. Eis porque vos direi que podeis loniar 
medidas seguras acerca das resoluções que tendes formado. 

«Nkptuno. — Duas cousas tenbo na mente: uma, vero commcrcio livremente 
restabelecido sobre toda a extensão de meus dominios. A segunda, assegurar ao 
maior monarcha da terra o império do mar, e lornal-o cm uma de minhas ondas, 



PI n 

tSo superior a seus inimigos, que a despeito da união dos inglczcs, dos holiamle- 
zes c dos hespanhoes, Iodas as nações sojain obrigadas a abaixar o seu pavilbão 
em frente dos francezes. 

«Protheo.— Emquanío vós os favorecerdes com tempos tão propicies, como 
aquclles que lhes tendes dado, o poder prodigioso que elles toem por mar, não 
pôde deixar de triumphar de todos os esforços de seus inimigos. 

«Neptuno. — Se esse Eolo enredador houvesse querido no anno passado, de 
accordo comigo, a esquadra de Inglaterra, não poderia ter fugido á sorte que teve 
a da HoUanda. Porém aquelle senhor dos ventos, por um capricho obstinado, 
não quiz jamais fazer com que eiles soprassem sobre a popa dos navios francezes, 
que, todavia, embora não fossem favorecidos por tal deus, que me faz muitas 
vezes roncar e bramir mais do que eu teria vontade, não deixaram, não obstante 
o sopro contrario dos ventos, de atacar e de fazer em estilhaços toda aquella 
esquadra. 

«Protheo. — Parece-me, porém, que Eolo n'este anno não coadjuvou mal 
vossas intenções; a esquadra franceza não soffreu a mais pequena borrasca, e os 
inglezes, tendo querido vir depois da retirada d'aquelles, arrostar com o capricho 
vulgar do equinoxio, viram perecer uma parte de seus navios, e abortar sua 
segunda tentativa. 

«Neptuno. — Por maior que tenha sido a perda d'esta nação infiel, está ella 
bem longe d'aquiIlo que merecem seus crimes. Enguli debaixo de minhas ondas 
aquelle grande navio a qnem seu nome torna de mau agouro para a coroa, que 
o tyranno de Inglaterra injustamente usurpou; em mim mesmo figurava ver com 
aquelle navio oscillar aquella desgraçada coroa sobre a cabeça d'aquelle tyranno. 
Olhava para elle, arrastado pela tempestade, fazendo vãos esforços para chegar 
ao porto. E por fim minhas ondas fenderam-se para lançar no fundo aquelles. 
scelerados. Schelton e sua equipagem beberam o cálix amargo que a vingança 
divina lhes tinha destinado. Felizes se sua morte podesse abrir os olhos a tantos 
traidores que se obstinam na perversidade, na qual minhas ondas os sepultaram. 

«Protheo.— Duas vezes cheguei a Portugal: uma, quando eu quiz peneirar 
as intrigas do velhaco Mercúrio, o qual, sob o nome e physionomia do conde de 
Martinitz, alli foi enviado no tempo que a liga de Augsbourg estava no seu auge 
com o fim de acabar de seduzir D. Pedro, e de fazer com que elle entrasse em 
resoluções propicias aos da liga. E na outra, depois que tendo eu visto D.Pedro 
algum tanto desenganado, tomei a figura de um dos descendentes de Vasconcellos, 
para me introduzir junto d'erse Rei, que é pouco mais ou menos tão penteado 
por sua mulher, como o Rei da Polónia o é pela sua, e fiz-lhe comprehender 
quanto lhe seria vantajoso não dar ouvidos a esses da liga, e retirando sua irmã 
de Inglaterra, romper com o inimigo de sua religião, e aproveitar-se da oecupa- 
ção desgraçada dos hespanhoes para lhes declarar guerra e tornar a ganhar a 
Extremadura. 

«É verdade que parece que cada um deixa alli D. Pedro viver tranquilla- 
menle no fim do mundo, no seu beco sem saída, como se fora um Príncipe que 
não pesasse um grão na balança. Todavia, se quizesse penetrar nas rasões solidas 
que lhe devem inspirar, não só sua religião, mas também seu interesse, estaria 
em estado de dar cá liga terríveis dores de barriga. E pagando os serviços que a 
França lhe prestou, mantendo a casa de Bragança no throno de Portugal, vingar- 



7Í PI 

se-hia bem facilmente do êxito que tiveram outr'ora as astúcias c as crueldades 
de Filippe II. 

«Neptuno. — Quando a casa de Bragança subiu ao throno, que o Rei de 
Hespanha lhe tinha usurpado, fora difficil que se podesse n'elle conservar sem o 
apoio da França. Esta monarchia, que em todos os séculos teve um cuidado par- 
ticular de alliar sempre a justiça em sua politica, e ser protectora dos direitos 
legitimos dos Principes que uma potencia injusta despojou, julgou nSo dever 
recusar seu soccorro aos novos Reis de Portugal, e sabe-se o que. fez em prol 
d'este paiz, o valor do conde de Schomberg, o qual, depois de ter grangeado 
tanta gloria n'uma guerra tão justa, se lembrou, para a macular, de desertar da 
França, e de ir perder indignamente a vida nas margens do Boyne, sustentando 
o mais detestável de todos os crimes e o mais pérfido de todos os usurpadores. 

«Não se pôde, portanto, pôr em duvida que a casa de Bragança é devedora 
aos Reis da França da coroa que cinge; e que, por dever, por justiça, por inte- 
resse do estado, estão obrigados a serem amigos dos francezes, assim como ini- 
migos eternos dos hespanhoes. E então porque privilegio vemos que, em vez de 
satisfazerem a um tal dever e a um tal interesse, tomando ás escancaras o partido 
da Europa, D. Pedro âe sepultou nos braços de sua mulher ...» 

O leitor vé já perfeitamente de que tratam taes livrinhos — cantilenas para 
fazer com que os portuguezes deixassem os inglezes e se unissem, fazendo causa 
commum com os francezes. 

Mas lá que as estampas são muito bonitas e aquellas allegorias mui engra- 
çadas, isso é uma verdade puríssima. 

E como é linda a estampa representando a Rainha a cortar os cabellos ao 
marido! 

PIGAFETTA. 

Premier voyage nutour ãii monde, siir Vescadre de Magellan, pcndnnt les an- 
nées 1519, 1520, 1521 et 1522. Suivi de Vextrait du traité de navigation du même 
auleur, et d'une notice siir le chevalier Martim Behaim, avec la desrription de son 
globe terrestre. Orne de cartes et de figures. Paris, 8.", 1 vol., lxiv-4ío pag. 

PIKIELIUS (SEBASTIÃO ).— Jesuíta, natural da Baviera. 

Nomen Francisci Xaverii anagrammatibus XVI 11, carmine latino ex iisdem 
confecto explicatum. A. D. 1792, d. 3 Dec. iiromulgalum, 111."''* Rev. D. D. Fran- 
cisco Xav. de OssoHnsko Comiti Jablonowski, Caíhedratis Ecclesiae Kujaviensis 
Canónico die nominis oblatum. Tarnoviae, typ. G. Malhiaszwski, in-i.", 44 pag. 

PIMEIVTA. Sendschreiben von dem glilckseligen Forlgaiig dor Cltristmhrít 
in deu Orientalischen Jndien. Constanz, 1602, in-8.® 

PIMEIVTAE (1V.)9 de felici statu et progressu liei Christianae in Indta 
OnVn(a/i. Constantiae, 1603, in-8.° 

PINEYUO ou PIlVEIlUS,ou PIMIEIIVO ou PI^AUIUS (LUIZ ).— 

Escriplor de origem portugueza. Nasceu em Talavera, na Caslella Nova. Foi reitor 



PI " 

de nm collegio de jesuítas na ilha de S. Miguel. Falleceu em Lisboa no anno de 
1620. 

Rclacion dei siiceso que tuvo miestra santa fé en los reynos dei Japon, desde 
el afio 1612 hasta el de 1615, imperando Cvbosano. Madrid, viuda de Alonso 
Martin, 1617, in-fol. 

La nouveUe histoire du Japon, divisée en cinq livres, oit il est traité ample- 
ment de Vétat de sa Christianté, du progrès de la foy Catholique, des grandes pcr- 
secutions qui y sont arrivèes aux chrétiens^ et des divers martyres quun grand 
nomhre, tant religieux qtie seculiers ont souffert soiibs VEmpire de Cohusama, 
jnsquà Vannée mil six cents quinze. Composée en espagnol par le R. P. Louis Pi- 
gneyra, de la compagnie de Jesus. Et traduite en [rançais par J. B. A Paris, cliez 
Jean Fotiet, rue S. Jacques, au Rosier, 1618. Avec privilège du Roy, in-S.", 16 
pag. e 879, afora o índice. 

A epistola dedicatória tem a seguinte assignatura: J. F. A. F. 

PIXHEIUO (MAIVLiEL ).— Natural da ilha de S.Miguel, onde nasceu 

em 1556. Entrou para a companhia de Jesus no anno de 1575. Embarcou para 
as missões em 1595. Prestou grandes serviços em Goa, onde morreu no aiuio de 
16181. 

Carta escripta em 3 de setembro de 1595 ao P. João Alvares, em que relata 
tudo quanto passou no Mogor nos annos de 1582, 1592 e 1595. 

Foi esta obra traduzida para italiano: 

Informatione dei regno, e stato dei gran re di Mogor, delia sua persona, qua- 
lità e costumi, e delli buoni segni, e congietture delia sua conversione alia nostra 
santa fede. Cavate dalla relatione, e da molti particolari havuti di lá Vanno dei 
1582 e dei 1591 e 1595, raccolta per il R. P. Gio. Battista Peruschi Romano, 
delia Compagnia di Giesii. In Roma, appresso Luigi Zannetli, 1595, pag. 71. 

Encontrámos aqui a obra enunciada debaixo do seguinte titulo: 

Capitolo d' una lettera dei P. Emanuel Pinnero ai P. Provinciale deli' Indie 
Orientale a Goa, pag. 41 a 53. 

Copia d' una lettera dei P. Gieronimo Sciavier scritta ai P. Gcneralc delia 
Compagnia di Giesii, pag. 56 a 59. 

Copia d' una lettera che scrive il P. Emanuel Pinnero, dal Mogor, ai P. Gio- 
vanni Alvarez, assistente alli 3 di settembre dei 1595, pag. 60 a 70. 

Avvisi delia missione dei Gran Mogor, cavato da tina lettera dei P. Manuel 
Pinnero, dei anno 1599. Âbbreviata per il P. Gasparo Spitelli. Roma, per Ludo- 
vico Zannetti, 1599, in-8.° 

Em latim: Moguntiae, apud Joannem Albinum, 160J, in-8.° 

PINHEIRO DE SOUSA (F.) 

Grammatik der portugiesischen Sprache mit zahlreichen Beispielen aus áltcren 
uiul neueren Schriftstellern. Leipzig, 1851, 325 pag., in-S." 

De pag. 200 a 232: Vianna (B. L.). Von der portugiesischen Verskunst, con- 
tendo diversos extractos dos Lusiadas de Camões. 



Aiigvistin et Alois de Backcr, Bibliothèque des écrivains de la compagnie de Jesus, vol. ii, pag. 492. 



74 . PL 

PliVTO (J. I>E ). 

Prcds dcs argumcnls contre Ics matcrialhtcs. 2^ cdifion. íia Ilnyo, 1775, 8.°, 
1 vol., 245 pag. 

PIf\ES (ANTÓNIO ).— Jcsiiita, nalural de Caslello Branco. Foi mis- 
sionário no Brazil. 

Duas carias aos padres do coUegío de Coimbra, em que trata das missões de 
Pernambuco. 

Saíram vertidas em italiano: Venecia, por Miguel Tramesino, 1590, in-S."! 

PIUIMALO. Tragedia da recitarsi nel CõUrgio Romano dagli Acadcmici 
Partenii nelle [este delia Canonizatione di Francesco Saverio spiegata in breve ar- 
gomento d' At li e scene da Gino Angelo Cappani. Roma, apprcsso Alessandro Zan- 
nelfi, 1623, in-4.° 

PITHOU (PIERRE ). 

De Vorigine des Roíjs de Portugal yssus en ligue masctdine de la maison de 
France. Paris, 1610, cliez Pierre Chevalier, in-i." 

Primitivamente tinha só 18 pag. b^oi porém aiigmentado por Dcnis Gode- 
froy. Paris, 162'i., in-4.« 

PLACE du marche à Cintra. Vue litlwgraphique vers 18S0. 0'",2() X 0"',20. 

PLAIV VON LTSSABON. Weimar, Gcogr. Inslit., 1806. Plan grave avec 
legende. O-jlS X 0'»,29. 

PLANA (D. PEDRO JOSEPII DE LA ) — Notário apostólico, 

secretario y visitador de el llusírisimo Sefior Arzobispo, Obispo diocesis de Bar- 
hastro, cura de la íglesia parocliial de Sé, beneficiado de Ia Santa Iglesia metro- 
politana de Nuestra Senora dei Pilar, de la ciudad de Zaragoza, y de Ias Tglesias 
de Riola, y Savifian, en el reyno de Aragon. 

Preludio encomiástico y reprcsentacion panegyrica, con que la familia de el 
llustrisimo Sefior D. Emanuel de Sentmanat, y de la Nuza, Marquês de Castel dos 
Rios, de el Consejo de Su Mojestad Católica^ en el supremo de guerra, y su em- 
hiado extraordinário en esta corte de Portugal, en que el Serenisimo Senor Prin- 

cipe D. Juan, cumple sus cuatro dichosisimos anos. Compuesta por el lizenciado . 

Lisboa, olieina de Manuel Manescal, 1603, 4.» 

Lustral celebridad con que las esclarecidas provindas de el nolnlisimo reyno 
de Portugal concurren reverentes y obsequiosas ai aplauso de el felicisimo primcr 
lustro, que cumple el Serenisimo Príncipe D. Juan, en el faustisinio dia 22 de 
oclobre de 1604, conbidando á que le publique el afectuoso respeto de la familia 
de el llustrisimo Seíwr D. Manuel de Sentmanat, etc. Lisboa, 1604. 

Concurso festivo de las gradas con que obsequiosamente unidas empemn los 
afectos á celebrar el faustisimo dia 22 de octubre de 1695, en que cumple su sexto 
uno el Serenisimo Sefior Prindpe D. Juan. Continuando esta celebridad en su casa. 



' Atigiislin çl Alois de Baekrr, Dibliolhcqnc ilcs krivains de la rompagnie de Jé^u$, vol. iv, pag. 56" 



PO 7» 

á la gloria de tanto dia, la rcspetuosa atencion de d Ilustrisimo Sefwr D. Maimcl 
de OriZy y de Santa Pau, oUm de Sentmanat . . . y repite cn igual feslividad su 
humilde afecto, la pluma de el Lizenciado . Lisboa, 1695. 

PLATEL (.VBBADE ).— (Mais conhecido pelo nome de P. Norberto.) 

Francez. 

Mémoires historiques contenant les entreprises de Jésuites contre le Saint- 
Siège. 1766. 

Lettre contenant une rélaíion de Vexécution du Père Malagrida. Lisboiíne, 
1761. 

PLATI (GUGLIELMO ). 

fíiflessioni Istoriche morali e poetiche nella vita e gesti dl D. Fernando de 
Lisbona, António el Santo. Pesaro, per Gio. Paoli Gotli. 1649, 8.° 

PLAUSIBLE y verdadera noticia de las celebres bodas ajustadas y concluí- 
das entre las dos coronas, de Espana y Portugal, en las personas reales dei Sere- 
nisimo Príncipe de Astúrias, nuestro Senor, co7i la Senora Princeza de Portugal, 
Dona Marianna Victoria de Bourbon, con el Sefior Príncipe de los Brasiles, D. Jo- 
seph I, de este nombre; y se celebraron, asi en la corte de San Ildefonso el Real, 
como en la de Madrid, su Reyno, Lisboa y sus domínios, los três primeros dias dcl 
mes de octubre dei afio 1725. con luminárias generales y comunes rcgocijos. Madrid. 
En verso. 

PLOECRNEIl (WOLFGANG ).— Jesiiila, auslriaco. 

Relatio fada in Consistório secreto coram S. D. N. Gregório XV super vita, 
sanctitate, adis, canonizationis et miracnlis Francísci Xaverii e S. J. Indiaruni 
Aposioli e.v antographo Romano recusa. Viennae, 1669 i. 

PLUIVQUETUS (F. FRAIVCISCUS ).— Hibernus Ordinis S. Ber- 

nardi nepos ejus maternus. 

Heroum Specidum de vita DD. Francísci Frcgeon cujus corpus septendecim 

post annis aede D. Rochi integrum inventum est. Kdidit . Ulisipone, cuin 

facullate. Ex officina Craesbeei:kiana. Anno 1655. 56 png. 

É dedicada a EI-Rei D. João IV. 

POETES DRAMATIQUES qORTUGAIS^. 

"O tbeatro porliiguez põe em o numero de seus auctores dramáticos uni 
Ballhazar Dias, da ilha da Madeira, que fez alguns d'esses dramas antigos cha- 
mados Autos, dos quaes a maioria versa acerca de assumptos piedosos, como na 
França os antigos mysterios; um Henrique Gomes, auclor de vinte e duas come- 
dias, das quaes mal sn conhecem alguns titulos originaes, laes, por exemplo, 
como estes: PJngtínae para reinar ; As desconfianças não ojfuscani o sol á meia 
noite, e O sol parado. Gil Vicente, que c considerado como o Plauto de Portugal, 



' Aiigustin et Alois de Backer, Bibliolhòqiic des écrivaitis de la rompagnie de Jesus., vol. vi, pag. 451. 
* Nouvellc hibliothèqne d'un homme de (joúl. Paris, 1777. 



76 PO 

serviu de modelo a Lope Vega e a Quevedo. Erasmo aprendeu o portuguez de 
propósito para ler suas comedias. Fizeram uma coliccção em quatro volumes, e 
representam algumas vezes na capital as peças de António José, que foi quei- 
mado pelo crime de judaismo; á terceira recaída preferiu morrer do que retra- 
ctar-se. 

«Em Lisboa representam-se, na maioria, peças hespanholas. 

«Os únicos poetas dramáticos que os portuguezes possuem, são: Mello, 
Gomes, Matlios, Fragoso e Cordeiro, dos quaes fazem grande caso. 

«A língua hespanhola apropriou-se de todos os géneros de poesia. Os jor- 
naes, que multiplicam as azas da fama, níio sendo ainda, n'aquelles tempos, esla- 
helecidos em Portugal, nada nos poderam ensinar relativamente á litteratura d'esle 
paiz; e os Lusíadas de Camões, do qual em outra parte tratámos, é quasi a única 
das obras que nos dá uma idéa da poesia lusitana. Honra-se ella ainda mais com 
a Ulysséa, de Pereira de Castro, da Fundação de Lisboa, por António de Sousa, 
do poema Machabeo, por Miguel da Silveira ; do Affonso, por Vasconcellos, do 
Portugal reconquistado , por Menezes; da Enriada, por seu filho, o conde da 
Ericeira. E ainda outros poetas, como Bacellar, Montemór,-Ribeiro, Manuel c 
Rodrigues Lobo, se distinguiram no género pastoril. 

«Também não devo esquecer Sá de Miranda, cujas éclogas para elle gran- 
gearam o nome de Virgilia portuguez, como a Rodrigues Lobo o de theocrila. 

«Miranda é o primeiro que mostrou a satyra ás pessoas de sua nação, e 
introduziu-se sob o vestuário de comedia. 

«D. Fernando Soto-mayor, que tinha desposado uma neta d'aquelle poeta, 
fazia tanto caso de seus manuscriplos, que os tomou por uma quantia considerá- 
vel do dote de sua mulher. Conhecemos de Joseph Freire uma centúria de epi- 
grammas; de Flávio Jacobo, dois volumes de dísticos moraes; de Diogo de An- 
drade, um poema acerca das victorias dos índios; de Henriques Gomes um poema 
heróico de Sansão; de António dos Reis, a Fabula de PolypJtemOj e uma grande 
parte das Metamorphoses, de Ovidio, em versos burlescos. O sapateiro Bandarra 
foi ao rnesmo tempo o Nostradamus e o Mestre Adam dos portuguezes. Poeta e 
propheta, era demais para se tornar assumpto da attenção do santo oílicio. E por 
isso foi também também um dos criminosos que foram julgados por occasiSo de 
um auto de fé em 16il, mas consentiram que se retirasse depois de alguns mezes 
de prisão. AíTirmam que elle linha predito em seus versos a revolução que poz 
no throno a casa de Bragança. Este paiz glorifica- se ainda com as poesias do 
padre Caetano de Lima, Eustachio de Almeida, Pereira da Costa, Félix Mendes, 
Villar Maior, Teixeira e vários outros.» 

poiíurr. 

Urn escriptor d'este nome compoz um trabalho acerca do nosso padre Antó- 
nio Vieira, trabalho que é citado a pag. ix da obra do abbadc Carel: Vieira. Sa 
vie cl ses ceuvres. Paris, 1879. 

pomsoiv. 

Curte d'Espagnc et de Portugal, divisée en tous ses royaumcs. 

POLITICAL teslament des Marquis von Pombal. Dessau, 178.'J. Rolher 
llalbmaroq. 



PO 77 

POLITIQUE d'Espagne envers le Portugal. Paris, 1832. 

POLO (GASPAR GIL ).— Natural de Valência. Jurisconsulto. 

Diana enamorada em cinco libros que prosiguen los sieíe de Jorge Montemayor. 
Madrid, 1802. 

É uma continuação d'aquella elegantíssima composição da Diana de Jorge 
de Montemayor, e cá qual, em tempos de Nicolau António, se chamava a Primeira 
parte da Diana. 

Um certo Perez, natural de Salamanca, continuou esta novella, e cedeu a 
palma ao nosso Polo (diz N. António), o qual ou igualou ou excedeu o próprio 
Jorge. Publicou-se em Valência no anno de 15()'i., em casa de João Mey, in-S.", e 
também sei que se deu á luz em Antuérpia, esta terceira parte, no anno de 1574, 
in-12, e em Bruxellas, em casa de Roger Velpio, no anno de 1613, in-12. 

Gaspar Berthio traduziu-a para latim, e acrescenta: 

«Egrégia vero compositio est, et quae, si Graeco Latinoque sermone ante 
aliquot haec saecula cont^epta fuisset, dúbio procul cum principibus scriptorum 
amabilium censeretur jam olim. Monita insunt insígnia, et ex médio rerum usu 
petita, quae palmam mérito omnibus aliis eripere ceiísentur. Scopus ipse libelli 
minime turpis, aut fanlitatis consectator est, quo vitio non pauca etiam antiquo- 
rum scriptorum monumenta vere prudentibus sordere debent. Historiae obiter 
recensitae nulla prorsus obscenitale, multa vero venere artificiose et suaviter, ne 
jacluram videas inlextae. Procul omnis sormonis et allusionum quae vernilitas 
dicitur, re ipsa autem lascívia est. Carmina faventibus adeo musis et gratiis nata 
t horum inventiones potissimum omnibus memoriae artiíicibus hoc quidem in 
genere opponere velim^» 

POLYANTHOS (THE) BOSfORÍj published by J. T. Buckingham, 1806. 

No vol. II encontram- se: 

Pag. 26 a 31: D. Pedro I of Portugal. {É uma resumida historia de D. Pedro I 
e de D. Ignez de Castro). 

Pag. 48: Dezeseis linhas contando o homicídio do duque de Vizeu, praticado 
por D. João II. 

P03IPILI (G.). — Sócio deir academia omiopatica di Palermo, membro 
deir instituto omiopalico de Rio de Janeiro, membro delia soeietà medica omio- 
patica di Francia, sócio delia riunione centrale dei mediei omiopatici tedeschi, 
diretlore delia Revista omiopatica di Roma, etc. 

// maresciallo diica di Saldanha e Vantiomiopatia. Difesa esposUiva delia dot- 
trina di Hahnemann in risposta ai discorso di anónimo professore dei Dolt. ín 
Roma. Tipografia di Gaetano Menicanti. 1864. 

POXTANO (GERARDO ). 

Epigrammas acerca do martyrio de uns cincoenta jesuítas, qiiasi todos portu- 



' Nicol. Ãnt., Bihl. Nova, vol. i, pag. 529. Sismondc de Sismon.li. De la lUlêralnre ilu Midi de 
'Europe, vol. ii, pag. 209. 



78 PO 

(jiiezeSj martyrisados no mar, quando navegavam para o Brazil,, pelos hiiguenotes. 
i^Valientes epigrammas h lhes chama Cienfuego.s*. 

POPPLAU (XICOLAUS VON ). 

Viagem por Hespanha e Portugal. 

Vem esta viagem mencionada na coilecyão Liske. 

POIl LA ADMIINISTRACION y prelada eclesiástica dei Rio de Janeiro^ 
en el estado y provindas dei Brasil y de lo que en ella tiene gran necessidad de 
remédio espiritual. Foi. de 16 pag., sem data nem logar de impressão. 

Ha um exemplar na hihliotheca da Ajuda. 

POllCEL (D. FUANCISCO MORENO ).— Natural de Sevilha. 

Uetralo de Manuel de Faria e Sousa, dei orden militar de Christo. Matriti, 
in-4.« 

poRCnESTcn (lord — ). 

lhe last days of ihe Portugiiese Constitui ion. London, 1830. 

PORQIJET. 

The portuguese tresor; or lhe art of translating easy english into portuguese 
at sight. London, 1820. 

(L. Ph. R. F. de J. Kcy to the portuguese tresor being a literal translation 

of that loork. London, 1820. 

PORRES (DR. D. FRANCISCO IGNACIO DE ). 

Fscuela ^e discursos. Formada de sermones vários, escritos por diferentes 
autores, maestros grundes de la predication. En Lishoa, en la imprenta de Pahlo 
Craeshteck. 

PORTO, Praia S. Thiago, Cap of Verd Islamls. Plan grave par J. Luffman. 
London, 1801. 0"',12 x 0"',15. 

PORTOGALLO. 

f<In queslo regno nom abbiamo da cilare verum alto uíliciale governalivo in 
favore delia dottrina di Hahnemann. 

«Dohhiamo peiò, con un tributo di massima Iode, additaie in esempio ai 
grandi ai dolti di ogni paese, 1' illuslre slatista e scienziafo maresciallo duca di 
Saldanha, il quale le deite grandíssimo favore ed impulso eontribuendo eolla sua 
alta influenza alia fondazione di dispensari, giornale e farmacie omiopathice nella 
ca|)ilale dei Portogallo. Uno di lale Mecenati per eillà, e il trionfo completo 
deir omiopalhia non sarebbe ritardato.» 

O duque de Saldanha tornou-se nos paizes estrangeiros muito conhecido, 
tornandose um acirrado fautor da homuiopathia. 



• Álvaro Cicnfucfos, La heroyca vida dei (jiandc S. lianasco de Bvrja. Madrid, 1717, pag. 4111. 



PO 7» 

POKTS (LES) de Lhhonne, Setúbal et Imrs environs. 1707. 
Existe um exemplar na bibliotheca publica de Lisboa. 

POllTCGAL. A review of the causes, íemlencij and in-ogress of lhe revolu- 
tio»j which commenced in Oporto on the 24 auijusl 1S20. Loiídon, i821. 

POUTUfiAL avant et après 1846. Notes pour servir á 1'histoire contempo- 
raine de ce pays. Paris, Juies i^enouaril & C.*, 8.", 77 pag. 

"A nação inteira tem saudades hoje d'esses tempos de bem-estar nacional a 
propósito dos quaes o Diário do governo em maio de 18i7 diz em poucas pala- 
vras, mas com \erdade: 

«Antes do começo das perturbações (haja um anno), o commercio era pros- 
pero, o credito sustenlava-se, trabalhavam activamente nos grandes melhoramen- 
tos nacionaes; alguns milhares de operários estavam empregados na construcção 
de estradas e de canaes; as famiiias viviam na abastança, cada um entregue a 
seus negócios e aos cuidados de seus interesses, gosava da paz e vivia na segu- 
rança.» 

«Não basta, todavia, recordar o bem de que se gosava então, e que ninguém 
pode contestar; cumpre examinar attentamenle o conjuncto dos actos da admi- 
nistr£ção e deduzir d'esle exame a solução das ires questões seguintes: 

«1.° Tem executado seu programma especial — restauração da carta? 

«2.'' Satisfez ás condições de um governo constitucional — beneílco e re- 
formador ? 

«3.° Ha, porventura, uma causa sufficiente para motivar a revolução que a 
supplantou? 

«A restauração da carta constitucional da monarchia, dada por D. Pedro IV 
fora unanimemente reconhecida necessária desde o Minho até o Guadiana; ella 
era indispensável para um povo desgostoso, pela experiência da revolução de 
setembro e da constituição de 1838, frueto amargo e apodrecido d'essa arvore 
venenosa. Mas não bastava restaurar a carta; era mister crear um syslema admi- 
nistrativo que estivesse em harmonia com esta lei fundamental. 

«Não havia código administrativo; aquelle que tinha este titulo, forjado d 
pressa no meio da febre legislativa dietatorial de 1836, tinha sido já declarado 
não viável pela legislação de 10 de outubro de 1840. Em 18 de março de 1842, 
appareceu o novo código administrativo, destinado a preencher esla lucuna. 

«Faltava um conselho d'estado organisado de maneira que podesse satisfazer 
a todos os encargos que lhe impõe o artigo 110.° da carta constitucional, sobre- 
tudo como tribunal de revisão e de appellaçâo dos conselhos de districto, cojno 
instancia superior dos poderes executivo e moderador. 

«Via-se organisado em Portugal, pela primeira vez, esse corpo venerável, a 
que os publicistas consideram como a chave da abobada do edifício monarchico- 
constitucional. 

«Bestabeleceu-se igualmente o tribunal do thesouro, como consequência da 
restauração da carta, e annexaram-lhe o tribunal de contas, tantas vezes recla- 
mado e tão necessatio. 

«Completou- se, pois, a obra da restauração, tomando a organisação social 
mais perfeita do que ella o tinha jamais sido. Prouvera a Ueus que se tivessem 



80 PO 

operado ao mesmo tempo às reformas reclamadas pela camará dos pares, o the- 
souro, as secretarias, a posta, os arsenaes e muitas outras administrações do 
estado. Prouvera a Deus, principalmente, que se hou\esse reformado a organisa- 
ção judicial, cuja corrupção anarchica paralysa a acção da justiça. A intervenção 
da politica nos actos judiciaes introduz no corpo social o desprezo das leis, com 
o qual a existência das sociedades se torna impossível. 

•Mas para estas reformas uma dictadura se tornava indispensável, e a res- 
tauração não quiz ser dictadora. Pelo contrario, separando-se da força militar 
que a cercava, quando a carta foi proclamada em Lisboa, a restauração não 
pensou em mais do que oppor o voto nacional aos esforços dos ambiciosos liga- 
dos contra ella. 

('Elevada ao poder pela força da opinião publica, a despeito das intrigas do 
palácio e das cabalas dos clubs, não quiz ella abusar de sua força para reformar 
largamente e sem vã piedade, como o deveria fazer. Longe d'alli pensou em pro- 
ceder immediatamente as eleições para esta legislatura, a primeira que entre nós 
desempenhou sua missão até ao íim. 

«Desde então jamais este ministério governou sem cortes; conforme uma 
marcha politica verdadeiramente constitucional, mostrou sempre sua tendência 
para largar o poder no seio da representação nacional, composta em grande 
maioria dos caracteres os mais dislinctos, dos homens os mais illustres que 
possue a nação portugueza. Os grandes luminares d*esta assembléa legislativa, 
teriam, porventura, produzido essas pretendidas faltas, que serviram mais tarde 
de pretexto para as perturbações populares previamente combinadas? A falta 
principal, é que se tem querido fazer a applicação dos princípios os mais lumi- 
nosos e os mais salutares do systema governamental adoptado hoje com proveito 
pelas nações mais íllustradas, a um povo que ainda não está preparado para os 
comprehender e d'elles sentir as vantagens. 

«Muito longe nos levaria esta discussão apologética dos actos do corpo legis- 
lativo, sobre quem recáe, em grande parte, a responsabilidade d'essas leis sen- 
satas, taxadas de «servis», porque as desfiguraram, e ao qual cabe o mérito de 
vários outros actos universalmente applaudídos. Virá um tempo em que esta 
polemica ha de merecer elogios. 

• Agora voltemos os olhos para os actos emanados d'esla administração, 
actos que produziram esta epocha de paz e de prosperidade, da qual toda a 
gente, tanto ricos como pobres, se lembra hoje com prazer. Traz ella á memoria 
as lembranças do reinado de D. Manuel, o Venturoso, ou ainda a administração 
vigorosa e civílisadora do marquez de Pombal, esse campeão do verdadeiro 
progresso, odiado pelos inglezes, inimigo dos jesuítas e perseguido com tenaci- 
dade por uma eaballa oligarchica de alguns nobres degenerados ; nobres tão 
orgulhosos como maus, que se esforçavam para o supplantar, de oecultar sua 
própria capacidade com os privilégios de seus antepassados, gravados nos perga- 
minhos, velhos, na verdade, mas manchados I . . . 

«E quantos argumentos não nos forneceria a analogia... Quantas relações 
ou pontos de contacto não acharíamos entre dois homens d'estado separados por 
um lapso de noventa annos I 

«Voltemos, porém, a esse risonho quadro da tranquillidade, da qual os por- 
tuguezes (e ninguém o ignora), toem gosado durante seis annos; cada um então 
occupava-se exclusivamente de augmentar sua fortuna Estranhos á profissão das 



PO 81 

armas, quasi que eram iiulifferenles a essas revoltas parciaes, suscitadas nas 
classes militares por alguns indivíduos reconhecidos como revolucionários de 
profissão. 

«Quando taes symptonjas de desordem appareciam, os cidadãos diziam uns 
para os outros: 

« — Nós lemos um governo bastante previdente, e assas forte para restabe- 
lecer a ordem, e para governar bem o reino. Vamos governar nossas casas.» 

«K o industrial corria a activar sua forja, o negociante ia para a bolsa con- 
cluir uma transacção vantajosa, o mercador occupava-se em servir os freguezes 
que aflQuiam a seus armazéns. O capitalista associava-se a novas emprezas para 
augmentar sua fortuna, melhorando a do paiz. Toda a gente ganhava o bastante 
para viver, e por conseguinte pagavam sem reluctancia os impostos legalmente 
estabelecidos. Se alguém se mostrava refractário, exerciam contra elle a acção 
das leis, porque a justiça não tinha cadeias, e não receiava os punhaes dos uial- 
feitores. Á sombra da paz, da ordem e da justiça, a agricultura annualmente 
fazia progressos; os cereaes estavam baratos, e o povo comprava o pão e os 
géneros de primeira necessidade pelo preço mais baixo que jamais se viu em 
nossos dias. 

«Empregavam mais de onze mil pessoas só nas estradas, assegurando a 
todos trabalho permanente e bem remunerado. Os trabalhadores não eram os 
únicos que recebiam um salário vantajoso; os artistas também encontravam 
alguns beneficios nas fabricas, que por todos os lados se estabeleciam. Emquanto 
ás manufacturas, principalmente de ferro, de seda e de algodão, bastavam em 
grande parte para o consumo do paiz. E ainda mais, alimentavam ellas o com- 
mercio do ultramar, que tinha tomado um grande desenvolvimento, e cada se- 
mana viam partir para as nossas possessões africanas alguns navios carregados 
com os productos da nossa industria e da nossa cultura, e voltavam com carre- 
gamentos de urzella, couros, gommas e varias outras matérias primas, das quaes 
uma parte era reexportada para os portos da Europa conjunctamente com os 
vinhos, fructas e sal do nosso solo. 

«Estas trocas davam vida e movimento ao commercio, bem como o compro- 
vavam os rendimentos das alfandegas. O povo portuguez tinha, portanto, rasão 
para viver contente na abastança, ao passo que o da Irlanda e de outros cantões 
da Inglaterra se revoltava por causa da falta de trabalho e da carestia dos vive- 
res. Mais contentes ainda viviam os empregados do estado, que recebiam os seus 
ordenados de um mez em cada trinta dias, e eis porque elles eram exactos no 
cumprimento dos seus deveres. O credito, esse thermometro da confiança que 
merecem os governos, em que altura estava n'aquella epocha ? Pergunlae-o ás 
folhas commerciaes d'aquelle tempo, consultae os algarismos da bolsa, e lá vereis 
que as inscripções de 5 por cento tinham subido a 73, ao passo que em 18'i2 
não passavam ellas alem de i8. Vereis também que as acções do banco de Lisboa 
têem subido muito alem de 8001000 réis. Recordae-vos da massa de metaes 
amoedados que affluiu para Lisboa, a ponto de produzirem uma depreciação nas 
(specirs metallicas. Recordae-vos d'esses enthusiasmos para com as novas em- 
prezas, esse espirito de especulação associativa que predominava em 1844 e 1845. 
Talvez fossem excessivas e desregradas; mas era um indicio incontestável da 
confiança de que no paiz e fora do paiz gosavam esses homens que governavam 
Portugal. Era a marca de uma tendência rápida para uma civilisação progressiva, 

6 



82 PO 

presagiando brilhantes fortunas, que dois annos de estabilidade bastariam para a 
consolidar. E com eifeito a prompta abertura das estradas e dos canaes dava aos 
capitães improductivos e accumulados em Lisboa e Porto uma passagem fácil 
para irem levar uma maior fertilidade para as províncias, para animarem cada 
vez mais a agricultura e as artes, para darem um maior valor á terra, e um maior 
valor ao trabalho ...» 

PORTUGAL heing some accoimt of Lishon and of a tour in the Alemtejo. 
With four coloured plates. London (about 1860). 

PORTUGAL UV 1872. Constitutional Life of a Nation of the Latin Race. 
An Essay piiblished in January 1873. In the diplomatic Memorial of Paris, prc- 
sented hy the translator to the portuguese bond-holders. 8.» gr. Lisbon, National 
Printing Office, 1873. 40 pag. 

No Memorial diplomatique. Paris, 1873. 

«No começo do século xv o Infante D. Henrique adoptou para sua divisa as 
palavras francezas: Talent de bien faire. Fundou a escola náutica e o observató- 
rio de Sagres, no cabo de S. Vicente, no extremo da península e da Europa. Seus 
discípulos, os navegadores Tristão Vaz, Pereslrello, Zarco, Gil Annes e muitos 
outros, começaram essa não interrompida serie de viagens e explorações maríti- 
mas, que terminaram dois séculos depois.» 

PORTUGAL et Vunion ihériqne. Le Brésil sons la domination portugaise. 
UEspagne et Gibraltar. Paris, 1872 a 1873. 

PORTUGAL her King and her Comtitution. Dy a British Officer. London, 
1829. 

PORTUGAL (HISTORY ) by S. P. London, 1667, 8.» 

PORTUGAL (LE) devant 1'Europe et le monde, ou les traités de 1815 et 
la politique du travaíL Lisbonne, 1854, 8.«, 168 pag. 

tTodavia, ao lado das potencias de primeira ordem, que possuem por sua 
numerosa população forças formidáveis, existem estados secundários, cuja in- 
fluencia exterior é de fraco peso na balança do mundo. 

«Entre esses estados, Portugal, pela sua posição excêntrica, e fora das gran- 
des correntes internacionaes que decidem os destinos dos povos, merece uma 
attenção muito particular. 

«A Bélgica, a Suissa, o Piemonte, que marcham a par com Portugal, apre- 
sentam um caracter particularmente dilTerenle. Ou são alternadamente satélites 
ou viclimas das potencias de primeira ordem. Apertados entre a França, Prússia 
e Áustria, estes estados independentes só nominalmente, não o são de facto, A 
neutralidade é lhes prohibida, e os campos de batalha se abrem sobre território. 

«Esta dependência faz da Bélgica, da Suissa e do Piemonte estados políticos, 
dos quaes prescindiriam muito bem, pois esta servidão os destróe, esmaga e 
arruina. 

«Portugal é independente e não perderia sua liberdade, porque a Inglaterra 



PO 83 

podesso em algum dica tlesembarcar alli algum troço de tropas. Pelo contrario, 
na sua posição aelual na Europa, a Ini^laterra representa a liberdade; e no caso 
de uma guerra contra o império de Napoleão, tem necessidade do ter um pé no 
continente, e por isso a alliança d'esta potencia não seria uma calamidade para 
Portugal. 

tUma guerra continental entre a França e as potencias do norte apenas teria 
um ténue echo em Portegal. 

«Uma guerra de Napoleão III contra a Hespanha, é impossivel; a áspera 
lição que d'aUi recebeu Napoleão I deve ter passado para as tradições de familia. 
Ora, é o único dos casos, em que Portugal, para salvar a independência da pe- 
nínsula, deveria levantar-se em massa e pegar em armas. Porém é difficil admit- 
lir uma tal supposição. 

«Uma guerra franco- hespanhola, e por conseguinte contra Portugal, é im- 
possivel; não sendo a Hespanha uma potencia marítima, teria tudo a perder para 
uma alliança, cujo resultado certo seria arrancar-lhe suas colónias. Alem d'isto é 
pouco provável que o povo hespanhol se deixe lançar em uma guerra desastrosa 
no interesse do despotismo de Napoleão III contra as idéas de liberdade apre- 
sentadas pela Inglaterra. 

«É verdade que poderíamos suppor que a Hespanha se decidiria a uma 
alliança franceza contra a Inglaterra, para empolgar Portugal; mas uma tal sup- 
posição não tem base alguma. Se uma confederação ibérica tem de surgir algum 
dia, não ha de ser a conquista, mas sim a paz, que a ha de trazer. 

«Portanto, Portugal, quer por sua situação excêntrica, quer pela alliança 
ingleza, acha-se n'uma feliz posição para não ter um papel importante a repre- 
sentar na política externa do drama europeu que se preparar. 

«Esta posição é inapreciável, e nem por isso Portugal deixa de ser um 
membro da grande familia européa, e sob este ponto pesam sobre elle deveres de 
solidariedade. 

«Taes deveres, embora sejam de uma ordem diíferente, nem por isso deixam 
de ser menos gloriosos. Se não provém da politica guerreira, provém da poli- 
tica pacifica, o que ainda é melhor. E Portugal, como já o dissemos, gosa do 
privilegio de se encontrar ao abrigo dos abalos tumultuosos que agitam a Bélgica, 
a Suíssa e o Piemonte. 

«A Portugal, pois, pertence a iniciativa de oíTerecer á Europa o exemplo de 
um estado ou as leis da economia administrativa social, as mais perfeitas que 
hão de reger a nação. 

«E a Portugal, também, a gloria de instaurar a politica do trabalho, a poli- 
tica do bem estar ...» 



PORTUGAL (LE) et son emprunt extéi^ieur (1832), devant les tribunaux 
[rançais. Suite des appréciations de la presse portngaise. Ce qu'il faut penser des 
articles depuis le jugement de première instance dans quelques journanx (rançais, 
suivi de documents complémentaires pour servir 1'histoire de Vempnmt 1832, ex- 
traits de VHistoíre chronologique de Portugal et du Moniteur 1828-1834. Paris, 
Librairie Moderne, 1880, 4.", 216 pag. 

PORTUGAL (LE) vis-à-vis de 1'Espagne. Londres, 1842. 



84 PO 

PORTUGAL IVA ALLEMATVBA. 

O sábio escriptor germânico tlr. Williem Storck devotou-se, póile tlizer-se 
que inteiramente, á vulgarisação no seu paiz da nossa iitteralura. A ollc se deve 
já a traducção dos sonetos de Anthero e de outros trabalhos. 

Em (ai empenqo, embora o dr. Storck comece por ter n'esse trabalho um 
prazer pessoal compensando todas as eanceiras, tem o sábio lusophilo um novo 
livro no prelo para breve apparecimento. Intitula-se: 

Aus Portugal und Brasilien. 1250-1890. Ansgewahol. Grdichte verclputscht. 

É uma preciosa collecção de poesias de todos os séculos da litteratura por- 
tugueza, traduzidas nos mesmos metros em que originalmente foram escriptas. 

Contém 225 números. 

PORTUGAL or the young travellers: being some account of TJsbon and ils 
environs and of a tour in Alemtejo. London, 1830. in-12. 

PORTUGAL (TIIE) history, or a relation of the troubles that happened in 
the coutt o f Portugal, in the years 1661 and 1668. By S. P. London, 1677. 

PORTUGALLIA ET ALGARBIA, quae olim Lusitânia, auctore Veu- 
nando Álvaro Secco. Amsterdam, apud G. et J. Hleuw, 1647. 

PORTUGUESE (THE) question from n." 89 of the Edimburgh ReviewA\o\. 



PORTUGUESE (THE) Shisme investigated and the danger of adhering to 
it plainly for the inslruclion of ali good Catholics in a few words. Colombo, 1846. 

Ha um exemplar na bibliotheca publica de Évora. 

Em Madrasta também muito se escreve a respeito do nosso padroado no 
Oriente. 

PORTUGUEZES (OS) EM MADRASTA (UVDIA ), por Joaquim 

Heliodoro da Cunha Eivara. 

«7 de junho de 1861— Pelo fallecimenlo do arcebispo de Carlhago, e con- 
sequente interrupção dos trabalhes da commissão, teria eu logo recolhido a Goa 
se não coincidisse aquelle lamentável suceesso justamente com a epocha em que 
era acabada a navegação da costa Occidental. 

«De todos os expedientes o que me pareceu melhor, foi ir passar a Madrasta 
O tempo que era assim forçado a estar ausente de Goa, não só pela commodidade 
de me achar em Madrasta entre os nossos padres, mas para poder visitar aquellas 
missões, e habilitar-me melhor para o futuro cumprimento de meu cargo, se o 
pensamento da circumscripção das dioceses fosse avante. 

«Sai, pois, de Konur, n'este dia 7 de junho, ás seis horas da manhã. Acom- 
panhou-nos a pé mais de uma milha o capitão Nichol, e ahi nos despedimos. 
De Konur a Metapoliam fui em rnachila, conduzida por bargares, que lêem um 
choto que parece que manteam o pobre passageiro e recorda a celebre scena da 
manteação de D. Quixote, e a mim me fez lembrar a que usava no meu tempo 
de Coimbra, certa troça de estudantes que moravam na rua das Cozinhas, em 
que entrava um cavalleiro de iiraga, conhecido pelo nome do seu solar, que hoje 
lhe serve de titulo de viscondado. 



PO 8S 

«Mas, continuemos a descida da montanha e descancemos um pouco em 
Metapoliam, onde chegámos ás onze horas e três quartos da manhã. Se pela 
manhã sentíramos frio em Konur, ás dez horns sentíamos calor na planície. 
D'aqui fomos em carro a Coimbatorc, a cujo hotel chegáínos ás novo e meia da 
noite. 

« — Não ha quarto, mas podem ficar no salão. 

« — Sim. 

ff Deram -nos de ceíar quatro costeletas de carneiro, sem carne. 

'< — Pois não ha mais nada, rapaz? Nem ovos, nem manteiga, nem queijo. . . 

« — Sim, senhor, ha. 

«— Pois traze. 

««Depois de alguína hesitação trouxe uma côdea de queijo nojenta. No dia 
seguinte, quatro rnpías e meia pelas costelletas, e mais ainda, duas rupias e meia 
pelo carro que nos havia de levar de Coimbatore á estação, e que nós já havíamos 
pago em Maliapurão, quando ajustámos o carro. É emprezario e arrematante um 
senhor Smitli, que lira couro e cabello aos passageiros. 

«Não pararam aqui as nossas desventuras de Coimbatore. Antes da ceia, 
quando éramos ainda crentes que haveria ceia, chegou-se a nós um inglez velhote, 
a fazer-nos muitas cortezias. Maravilhou o caso, por ser fora do ordinário; mas 
tudo foi explicado quando o homem pediu de ceiar, e ainda depois da ceia, boa 
ou má, alguma cousa de esmola. 

«8 de junho. — Chegámos á estação ás onze horas da manhã. Partiu o trem 
para Salem ás doze e cinco minutos; chegada a Salem ás cinco e meia da tarde. 
Hotel ainda incompleto, mas não houve rasão de queixa. 

«9 de junho. — Saída de Salem ás dez horas e meia da manhã. Chegada á 
estação de Madrasta em Rayapurão ás oito e meia da noite. Esperava-nos o padre 
Amarante, governador do bispado de S. Thomé de Meliapor e outros padres, e 
tinham prestes carruagens, em que fomos d'alli para o palácio episcopal de 
S. Thomé, distancia de 4 milhas. 

«O padre Benjamim Francisco de Amarante, natural de Carmona, em Sal- 
cele, residia no bispado de S. Thomé de Meliapor, havia já mais de trinta annos. 
Homem de porte grave, peritissimo na lingua tamul, depois de ser mestre no 
seminário d'aquella diocese, a governava então, e governa ainda hoje com muita 
honra sua, pi'oveito da missão e gloria do nome portuguez. 

"Fui seu hospede cmquanto estive em Madrasta; e sígnificando-lhe aqui 
meus agradecimentos, não faço mais do que o que devo ao bom e esmerado tra- 
tamento que d'elle recebi. 

"Também conservo gratas lembranças dos mais padres da missão, com que 
tratei. 

«10 de junho. — De Madrasta pouco ou nada direi, que não seja relativo a 
cousas portuguezas, como acerca das outras terras fica advertido. 

«O palácio episcopal é casa soíTrivel, feita ao gosto portuguez antigo, mui 
diverso da elegância e conforto das edificações modernas inglezas de Madrasta. 
Junto d'elle ha outra casa também antiga, que servia de seminário. Separada do 
palácio episcopal, por uma rua lateral, cslá a igreja eathedral, boa para uma 



86 PO 

parochia, mas inferior ao que devia ser, na sua qualidade de sé episcopal. Não 
pude saber ao certo o tempo de sua fabricação, mas só que não é a primitiva 
igreja ; e, ao que parece, é obra do século passado. Sobre a porta lateral d'esta 
igreja está o escudo das armas de Portugal com coroa aberta e outra similhante 
sobre a porta do palácio episcopal. 

«Tanto na igreja como n'um adro adjacente á porta lateral, ha muitas campas 
com epitaphios, de entre os quaes lançaremos aqui os que dizem respeito aos 
bispos da diocese. 

«No dito adro interior ha um fragmento de campa, que tem restos de armas 
de bispo, cujo brazão é um coração trespassado de settas, e ao redor levanla-se 
também no resto de uma inscripção, estas palavras : 

S. B. 1. Episcopus Meluporensis. ' 

'fparece referir-se ao primeiro bispo de Meliapor, que foi D. Fr. Sebastião 
de S. Pedro, que morreu arcebispo de Goa. 

«Na capella de S. Thomé : 

(Armas) 

Aqui jaz D. Fr. Paulo 

DA ESTRELLA, FrADE DA 3.^ OrDEM 

Da Penitencia, 3." Bispo de 

Meliapor, Provincial da (?) 

SUA religião 

governou 2 ANNOS E 7 MEZES 
morreu A 9 DE JANEIRO DE . . . 

(O resto está apagado.) 

«Como, porém, este bispo chegou sagrado a Goa em 1633, e partiu para o 
seu bispado em 1634, vem o dia da sua morte a ser o de 9 de janeiro de 1637. 

«Na capella mór da sé: 

(Armas) 

Sepultura do Ill.'"° Senhor D. Gaspar 
Affonso, da companhia de Jesus 

QUARTO bispo DE MeLIAPOR. 
Foi SAGRADO A 2 DE AGOSTO 

DE 1693. Falleceu aos 24 
DE Novembro de 1708. 

«E no alrio interior já referido, ha outra campa que diz: 

D. D. Gaspar Alphonsus 

Episcopus Meliaporensis 

Anno 1695. 

(Armas) 



PO 87 



«x\a capclla mór: 



(Armas) 

JOSEPH 

Soe. Jesu 
Ep. Mail 

CONSAG. 

DiE XXIV Martii 
1726 

SUPREMUM DIEM 
EXPLEVIT DIE 

XV Martii 1744. 
(É o bispo D. Joseph Pinheiro.) 

«Na capei la mór: 

(Armas) 

Sepultura do Ex.™° e Rev. Senhor 

D. Fr. António da Encarnação 

Religioso de Santo Agostinho 

Sagrouce (sic) 

Bispo de Meliapor 

em o convento de Nossa Senhora da Graça de Goa 

AOS 22 DE 
POSSE DO BISPADO AOS 

14 DE Maio de 1750, e 

FALLECEU AOS 22 DE SETEMBRO 
DE 1752 

«Na capella mór: 

Sepultura do Excellentissimo 

E Rm" Senhor D. Fre 

Bernardo de Santo Caetano, 

Religioso Eremita de 

Santo Agostinho 

Bispo de Meliapor. 

FaLLECEU aos 4 DE 

Novembro de 1780 

«Na capella de S. fhomé: 

(Armas) 

HlC JACET 
ExIMIUS AC REVERENDISSIMUS DOMINUS 

Dnus 

Emmanuel a Jesu Maria Joseph 
Ordinis Eremitarum 

s. augustini 

QUi Electus Episcopus 

Meliaporensis 

DIE 29 Januaru anni 1787 

ET CONSECRATUS DIE 13 APRILIS ANNI 1788 

Obiit DIE 13 Januaru anni 1800 

52 aetatis anno nondum expleto 

Requiescat IN page 



88 PO 

«Pela singularidade do conceito ponho mais estes dois epitaphios, ambos 
no átrio interior da porta lateral : 

Nesta calheta segura 

Livre de correntes e mares 

Abaixo desta pedra dura 

Jaz Maria de Linhares 



«O outro é : 



Aqui jaz nada 



«Havia o hospício de Santa Rita, dos frades de Santo Agostinho em S. Thomé. 
É boa casa; estava arrendada para collegio e escoln protestante, mas á hora que 
isto se escreve acha-se transformada em novo seminário diocesano pelo padre 
Amarante.» 

PORTUGISISKA Nationens Manifest til Europas Suverana Jurista och 
Jolk. Stockholm, 1822. 

POSSART (DR.)»— Professor. 

Grammatik Portugiesischen Sprache, von . Leipzig, 1851, 8." gr. iv- 

323 pag. 

O auctor ailemão parece achar-se muito versado na lilteratura portugueza. 

POSSINI (PETRI ) — Soe. Jesu. 

De Amio Natali S. Francisci Xaverii Dissertatio. Editio tertia prioribus 
emendatior. Lisulis, typis Francisci Fievet, 1680, in-8.'' 

De vita et morte P. Ignatii Azevedii et Sociorum ejus e Societate Jesu libri 
quatuor. Autore Petro Possinn ejusãem Societatis. Romae. Ex lypographia Varesii, 
1679, in-4.«, 611 pag. 

POUR SA MA J ESTE Marte Anne, Reine de Porlngolle. Née Archidu- 
chesse d'Autriche à son passage à Prague, lorsquelle se reiídit avprès du Roy son 
Èpoux. Et pour Son ExceUence Monsigneur Ferdinand Teles de Sylva, Comle de 
Villarmayorj Ambassadeur de Sa Majesté Portugaise. 

POURCELLE (EDGAR ) et ROIVAVE^TURE (E.). 

Essais historiques sur le Portugal; statistique. 1872. 

P0USS1NE8 (PIERRE ).— Jesuita, francez, nascido em 1609 e lal- 

lecido em 1686. 

S. Francisci Xaverii Epistolae novae 18 ex Archetypis Lusitanicis et Ilispa- 
nicis latinitate donatae. Romae, apud Varesium, 1661, in-8." Parisiis, apud Sc- 
baslianuin Cramoisy, 1661, in-8." 

S. Francisci Xaverii Novarum Epistolarum libri septem, quibus priores 18 
suis locis inseruntur. Romae, typis Varesii, 1667, in-8.« Pragae, 1667, etc. 



PO «9 

S. P. Francisci Xaverii e Soe. Jesu, Epistolarum lihri iv. Ex hispano in lati- 
num conversi ah Horatio TurseUino, ejusdem Socictatis Jesu sacerdote. Editio no- 
vissima, recensita, et epistolarum summariis aiicta. Anluerpiae, ex-oííicina Plan- 
tiiiiana Balthasaris Moreti, 1657, in-2i, 474 pag. afora o Índice. Appendix sive 
liber V. Epistolarum S. P. Francisci Xaverii. . . a Petro Possino ejusdem Societa- 
tis Jesu nunc primum ex autographis partim Hispanicis, partim Lusitanicis lati- 
nitate et luce ducatarum. 

S. Francisci Xaverii Epistolae veteres quinque, et novae per sejHem libros 
distinctae, ex ipsismet autographis manu S. F. Xaverii Hispânico vel Lusitanico 
idiomate conscriptis, &c., a P. Horatio TurseUino et a P. Petro Possino ejusdem 
Societaiis Sacerdotibus latinitate ac luce donatae, postea nova cum archetypis in 
IndiiSj, aliisque terrae partihus facta collatione accuratius emendatae. Pro appen- 
dice accedit retalio de statu Japoniae brevis et curiosa a P. Adamo Weidenfeldt 
Coloniensiy e Societate Jesu conscripta, et nuperrime Turnaviae impressa. Coloniae 
Agrippinae, apuii Haeredes Jo. God. de Berges, 16912, in-12, 864 pag. e 58 para 
a carta do P. Weidenfeldt i. 

POWER. 

The history of the empire of the musulmans in Spain and Portugal^ by . 

London, 1815, in-4.° 

POZZE (LA^UREi\T DELLE ) ou DE PUXEIS — Nasceu em Flo- 
rença em 1568; fez-se leligioso na idade de dezoito annos; veiu a ser reitor dos 
coUegios de Montepulciano e de Tivoli, e morreu na sua pátria em 16532. 

Lettere annue dei Giapone, China, Goa e Ethiopia. Scritte ai M. B. P. Gene- 
rale delia Compagnia di Giesú. Da Padri deli' istessa Compagnia, neglianni 1615, 
1616, 1617, 1618, 1619. Volgarizati dal P. Lorenzo delle Pozze delia medesima 
Compagnia. In Milano, appresso l' heredi di Pacifico Pontio, e Gio. baptista 
Piccaglia, 16âl, in-8.°, 368 pag. Mesmo titulo: In Napoli, per Lazzaro Scorrigio, 
1621, in-8.«, 404 pag. 

Esta ultima edição é mais completa do que a anterior. Contém : 

Leltera annua dei Giapone. Scritta dà Padri delia Compogyiia de Giesii ai 
M. H. P. Generale deli' istessa Compagnia, gli amii 1615 e 1616. Di Macao, 13 di 
Decembre 1616. Assignado : Gio. Vreman, pag. 3-93. 

Lettere annue di Goa, scntte da i Padri delia Compagnia di Giesú, ai molto 
R. P. Muttio Vitelleschi, Generale Vanno 1618 e 1619, di Goa 1 di Febraro 1620. 
Assignado Gaspar Luiz, pag. 94-137. 

Lettera scritta d' Etiópia, ai M. H. P. Mutio Vitelleschi, Generale delia Com- 
pagnia di Giesíi, Vanno 1611, daí P. Pedro Paes, delia stessa Compagnia, pag. 
138-1 7á. De Goa, 18 Febraio 1620. Assignado: xMiclielle delia Pace. 

Lettera annua, scritta ai M- fí- P. Mutio Vitelleschi, Generale delia Compa- 
gnia di Giesii, dalla Cim, per ordine dei P. Francesco Viera, Visitatore Vanno 
1618. . . Di Marão li 15 di Gennaio 1618. Assignado, Gamillo di Costanzo, pag. 
173-254. 



Aiigiislin et Alois dt; Backer, BiblioUièque dcs écrivains de la CompagviedcJésiis, vol. i, pag. 593. 
Id., vol. II, pag. 502. 



90 PO 

Lettera delia Cina. Al medesimo R. P. Generale nel 1618. Di Macao 20 di 
Nov 1618. Assignado: Affonso Vagnane, pag. 255-277. 

Letlera annva dei Giapone. Al medesimo P. Generale nel 1618. De Macao 
(sic) 28 dl Dec. 16 Í8. Assignado: Camillo Coslanzo, pag. 277-372. 

Lettera annua dei Collegio di Macao, Porto delia Cina, ai M. R. P. Miitio 
Vitelleschi, Generale delia Compagnia di Giesú, 1617. Di Macao, 8 di Gennaio 
1618. Assignado: António di Sousa, pag. 373-380. 

Lettera anmiale dei Collegio di Macao, ai Moita Reverente (sic) P. Mutio Vi- 
tclleschi, Generale delia Compagnia di Giesú 1'anno 1618. Di Macao, 21 di Gen- 
naio 1619. Assignado: Francisco Eugénio, pag. 387-40Í. 

PKADO (D. JACINTO DE AGUILAR Y ).— Natural de la ciu- 

dad de Granada y soldado de Su Majeslad, que en esta jornada se halló. 

Certisima relacion de la entrada que hizo Su Majestad, y sus Altezas en Lisboa ; 
y de la jornada que hicieron las galeras de Espana y de Portugal, desde el Piierto 
de Santa Maria hasta la famosa ciudad de Lisboa. Donde se refiere las pret^encio- 
nes, fiestas y grandezas que se hicieron en ella, y otras nmchas cosas notables, su- 
cedidas en esta jacion. Compuesta por . Dirigida ai generoso Conde de Sa- 

lana, Apolo presente de la nacion espanola, cavellerizo maijor dei Principe de 
Castilla, gentilhombre de camará dei Rey nueslro senor, y primer gentilhombre de 
la de su Alteza, comendador mayor de Calatrava, capitan de una de las companias 
de los hombres de armas de Castilla, hijo dei llustrisimo y excelente cardenal de 
Lerma, tan conocido en el mundo por sus grandezas, como por sua antigua calidad. 
ímpreso en Lisboa por Pedro Graesbeek, afio de mdcxix. 8.", 20 pag. 

Escrito histórico de la insigne y valiente jornada dei Brasil, que se hizo en 
Espana el ano de 1625. Al capitan Martin de Juztiz, noble de la muy antigua y 
leal Provinda de Guipuzcoa. Por . 4.° 

Bibliotheea publica de Lisboa. 

PRADT (M. DE ). — Aneien arí^hevéque de Malines. 

UEurope après le Congrès d'Aix-la-Chapelle, faisant suite au congrès de 
Vienne; par . A Paris, chez F. Bechet Ainé, 8.", xxviii-377 pag. 1819. 

Les trois derniers mots de VAmérique méridionale et du Brésil. 2^ édition, 
revue, corrigée et augmentée. 

A 1." edição parece ler sido feita em 1817. 

Les six derniers mots de VAmtrique et du Brésil, faisant suite aux deux ou- 
vrages ci-dessus sur les colonies. 

PRANDOMONTANUM (FR. ANTONIUM MARIAM ).— Concio- 

natorem Capucinuin. 

Gentilis Angollae fidei mysteriis Lusitano idiomate per R. P. Antonium de 

Coucto, Soe. Jes. nunc autem Latino per . Admodum Rev. Patris Procurato- 

ris Generalis Commissarii socium instructus, atque locupletalus. Romac, typis S. 
Ojngreg. de Propaganda Fide, 1061, in-4.", 115 pag. afora a dedicatória, prefa- 
cio, etc. 

Este catechismo' é impresso em três volumes, dos quaes o primeiro é em 
latim, o segundo na lingua de Angola e o terceiro em portuguez. Francisco 
Pacconio é o auctor d'elle, segundo se v6 na epistola dedicatória. O padre Anto- 



PO 91 

nio do Couto o resumiu, c o padre António Maria Prandomenlano ou de Monte 
Prandone ou Prodomontano o verteu para latim ^ 

PRAT.-- De la Gompagnie de Jesus. 

Hisloire du bienheurenx Jean de Britto, de la Compagnie de Jesus, missionaire 
du Madure, et martyr de la foi, composée sur des documents aiithentiques par le 
R. P. de la même Compagnie. Société de Saint Victor pour la propagation des bons 
livres. Paris, librairie cenlrale de la société, 1853, in-8.°, xyi-438 pag. Bruxeiles, 
libraiiie calholique de L. de Wageneer, 1853, in-12, xv-il4 pag. Imprimeric de 
F. Parent, à Bruxeiles. 

Esta Vida foi vertida para allemão. 

A primeira edição foi dada á luz em França 2. 

PRAXL (FRANCISCO ).— Jesuíta, natural de Crem. 

Panegyricus Francisco Xaverio dictus. Tyrnaviae, 1758, in-12. 

PREDICIIE dei P. António Vieira, dette e stainpate in lingiia portoghese, 
tradotte nelV italiano dal P. Annibale Adami. Roma, 1(383, in-4.° 

PREDICHE varie dei P. António Vieyra, tradotte delia língua spagnuola 
nella italiana. Venezia, 1690. 

PREFUMO (ANTÓNIO ). 

Grammatica da lingua italiana para os portuguezes, por . Lisboa. Na 

typographia de Bulhões. 1829, 4.» 260 pag. 
É oíferecida ao barão de Quintella. 

PRELÚDIOS encomiásticos ao que obrarão D. Manuel Pereira Coutinho e 
seus filhos D. Francisco Joseph Coutinho e D. Pedro da Sylva Coutinho, no choque 
que no Campo de Monsanto teve com o inimigo, em 11 de junho de 1704, o Real 
Exeixito da Deyra, mandado pelo Excelentisimo Marquez das Minas, governador 
das armas de aquella provinda, do conselho de estado, &c. London. Pi inted by 
Fr. Leach, 1704. 4.°, 54 pag. 

É uma coUecção de poesias compostas por vários auctores. 

PRESCOTT (WILLIAM ). 

Historia dei reinado de los reyes Católicos D. Fernando y D. Isabel. Madrid, 
1845. 

Historia dei reinado de Felippe II. Madrid, 1856. 

PRESSERVE (Hl. DE ). 

Le mariage ou Vavenir de Portugal. Paris, 1862. 



' Augnslin et Alois de Backer, Billiothèque des écrivains de la compagnie de Jesus, vol. ni, pag. 550. 
» Id., vol. V, pag. 103. 



92 PO 

PUIEZAC (31. DE ). 

Observations sur un livre intitule: Philippe le Prudent, fils de Charles le Quint, 
vérifié roy legitime de Portugal, des Algarves, cC-c.^ composé en latiu par D. Jiian 
Caramuel Libkowitz. Paris, 1640, 8.° 

PRIÍVCE (LE) vendu ou Contrai de Vent de la Personne du Prince libre et 
innocent D. Edouard, infant de Portugal. Paris, 16i3, in-4.« 

PROELESS (JOH.). 

Luiz de Camoens. leipzig, 1880. 2 pag. in foi., eoni o retraio do nosso 
poeta. 

Camoens. Feier in Lissabon. 

PROEZAS dei senor general Gvido Estaremberg, quando passo á Madrid á 
coronar por Rey ai senor archiduque Carlos de Áustria. 

PRONOSTICO FELIZ. Nihil sub sole novum. Soneto. 
É relativo á guerra ila successão. 

PROPAGANDIST (THE) imposture unmasked, and the Indian catholics 
undeceived in regard to the celebrated portugucse schism in Índia, by a Bomnn 
Catholic Poriuguese^ submissive to the Pope, and to his Queen. Caicutta, í8'j7. 

PROSPECTUS pour placer à la tête de 1'ouvrage intitule: Administration 
du Marquis de Pombal. Contenant les causes de la jouissance et de la faiblesse de 
Portugal. Ouvrage préliminaire. Anisterdam, 1 786, 8.°, 108 pag. 

íla outra edição : Amsterdam, 8.", 348 pag. 

PROSPER (SAIIVT AUGUSTE ). 

Histoire de Portugal. Paris, 1844, in-8.° 

PROSPERO PERAGALLO.— Prior da igreja do Loreto, em Lisboa. 

Cristoforo Colombo in Portugal. Studi critici. Génova, lipog. Sordo-Muli, 
1882. 

Cristoforo Colombo e la sva famiglia. Rerista generale degli errori dei Sig. 

E. Barrisse. Studi storico critici de . Lisboa, typographia Portuense, 1888, 

in^.", 336 pag. 

O auctor d'esta obra, servindo-se também ás vezes de escriptores portuguc- 
zes, refuta um grandissimo numero de asserções falsas, attribuidas a Christovão 
Colombo, entrando n'eiias também uma nacionalidade falsa que lhe queriam 
atlribuir, ernbora seja notório o ser genovez. 

Versadissimo no eonhecimenio dos escriptores portuguezes, o que é muito 
para admirar, por ser estrangeiro. 

«Nelle prossime feste dei centenário di Colombo, il Portogallo lia pertanto 
un seggio d' onore. Fa pena solo che il suo He, sviato da suptTbi consiglieri o 
forse diílidente delio slraniero, iion eseguisse 1' impresa da coslui proposta: ma 
ad ogni fnodo la piccola nazione, su cui regnava, ha in opera di scoperle geogra- 



PO 93 

fische una soma tale di meriti, da non invidiare nulla alio piíi grandi nazione 
d' Europa, fiioria ai Porlogallo.)) (Pag. 187.) 

E i]uer-iiie parecer que d'aqui por diante ninguém deverá escrever acerca 
de Cliristovão l^oiombo sem consultar a citada obra do sr. Peragallo. 

PUOSSESO (sic) verbal, no qual se conléni a declaração que o Marquez de 
la Fuente, embaixador extraordinário de El- Hei Catholico na corte de França 
tem ftito a Sua Maçjestade, em nome de El- liei seu senhor y para dar satisfação a 
Sua Magcstade no tocante ao que succedeu com a cidade de Londres, aos dez dias 
do mez de outubro próximo passado, de 166 J, entre os embaixadores de França e 
de liespauha, e juntamente tudo o que se passou n'esta primeira audiência, de 24 
de março de 1662. Em Paris, I6t)2, 4.° 

liibliotheca publica de Lisboa. 

rUOUDIIOX (PEOUO JOSÉ ). 

Na obra: Justice dans la révolution et VèijUse, elogia (Camões. 

PRZIKRIL (CARLOS ).— Jesuila, natural de Praga. Viveu na índia 

portugiieza. 

Grammatica linguae Canarinae, quam gentiles Goani et circumjacentes Elhnici 
inter se loquuntur. 

Epistolae, quibus Civiías, Colleyium et portus Goani, mores Orientalium des- 
cribiintur, et errores plurium scriptoriim , qui in hac matéria versati sunl, dele- 
giintur^. 

PUFENDORF. 

Escreveu em allemão, e publicou em 1686 a Introducção á historia dos 
principaes estados da Europa. Está vertida em franeez. 

No tomo I, liv. III, trata da lucta do prior do Crato com Castella, e espe- 
cialmente da conquista dos Açores pelo marquez de Santa Cruz, cujos triumpbos 
desconsidera por não ter soífrido resistência o general hespanliol.2 

PULCUAUELLI (COIVSTAIVCIO ) — Jesuita, italiano. 

Panegyris in B. Franciscum Xaverium Societalis Jesu. 
Appárece este panegyrico na obra intitulada: Parmassus, Societalis Jesu. 
Francofurti, 1654. 

PITIION (PIERRE ).— Jesuita, allemão. 

Vda S. Francisci Xaverii Societalis Jesu Indiarum et Japoniae Âpostoli, a 
P. Dominico Boidiours, Societalis Jesu, gallice scripta a P. PytJton, ejusdem Socie- 
talis latine reddita. Monachii, surnptibus Joannis Jacobi Remy, typis Malhiae 
liiedl, 1712, 816 pag. 

PUPPIRUOFFER (AGOSTINHO ).— Jesuita, bungaro. 

Panegyris D. Francisco Xaverio. Tyrnaviae, 1761. 



Auguslia el Alois do Backer, BiUiothèque des écrivains de la compagnie de Jesus, vol.vi, pag. 474. 
Sr. Cainillo Caslello Branco, Narcóticos, vol. ii, pag. 45. 



«No momber of the honourable Guild of Lilcralure ever fulfilled 
liis Iraditional dostiny more completely Ihan did Camoens. Like 
Milton, Olway, Goldsmilli, Chatterton, and many others, lie com- 
poscd his immortal work ofton in sorrow and his misery, and so lie 
died : bui lliegem ofgenius, brilliantandendiiringaslhc diamond, 
was always Ihere, and as is lhe wont of lho woiks of Ihose npon 
wliom, according to lhe old classic legend, and gods brcalhed in 
Ihoir cradlc, it has flashed out aflcr Ihiee ccnluries.» 

(Tlie Graphic. An illustrated weckly Newspaper. 10 julho 1880. 



QUADROS (ANTÓNIO DE ).— Jesuíta, missionário na índia por- 

tugueza. 

Letra escripta ao P. Diogo MirãOj em 8 de dezembro de 1855. (Saiu vertida 
para latim com outras cartas indicas.) Lovanii, apud Rutgerum Velpium, 1570, 
in-8.«, desde pag. 105 a 126. Ibid., ibid.. 1566, in-8.°, desde pag. 226 a 259. Em 
italiano, per Michele Tramezino, 1565, in-8.° Saiu também no livro: Avisi jmr- 
ticolari dair Indie de Portugall, parte iii, a foi. 204. 

Outra escripta a 18 de dezembro de 1855, a qual saiu, com a precedente, 
vertida em latim : Cum aliis Epistolis Indkis et Japonicis. Lovanii, apud Rutge- 
rum Velpium, 1570, de pag. 135 a 182. Vertida para italiano por Michele Tra- 
mezino, 1565. Também saiu no livro: Diversi avisi, &c., a foi. 215. 

Outra escripta a 19 de novembro de 1559, vertida em italiano com outras. 
Venetia, por Tramezino, 1562, in-8.", e para latim: In Epistolis Indicis et Japo- 
nicis. Lovanii, apud Rutgerum Velpium, 1566, in 8.°, de pag. 260 a 333, e na 
mesma obra e typographia, 1569, in-8.« 

QUAUTEULY REVIEW (TOE). 

O n.« 54 de outubro de 1822, London, John Mnrray, traz a biographia do 
nosso Luiz de Camões. 

O de 2 de abril de 1822, pag. 1 a 39, traz um artigo de critica sobre as 
Memorias da vida e escriptos de Camões, por Adamson, o sobre o Oriente, do 
padre J. A. de Macedo. 



«6 QU 

QUARTETO glosado á la amorosa y Christiana respuesía que su Majestad 
Católica dió ai excclenlisimo scnor marquês de ValdecaíiaSj ai íiempo que le dió la 
noticia de que sus reales armas avian vencido á las dei enemigo^ deciendo no son 
las suyas, sino las dei poderoso brazo de Dios. Glosa. 

QUATTINI (MIGUEL ANGE DE ) et DEKIS DE PLAISAN- 

CE, — Missioimaires. 

Ohservations de quelques animaux, et d' une plante extraordinaire, faites dans 
un voyage an royaume de Congo^ par . 

Encontra-sc esta carta a pag. 48o do vol. ii da obra iíititiilada : Collecfion 
académique, composée des mémoires, arts ou journaux des plus celebres academies 
et sociétés littéraires étrangèresj &c., Dijon. 

Diz o auclor d'esta carta, que no Brazii certos animaes, a que ainda o auctor 
dá o nome de piolhos de Piíaraó, inlroduzem-se no pé, entre a pelle e a carne, 
e de um dia para o outro crescem até ao tamanho de uma fava, e não os arran- 
cando produzem uma ulcera insupportavel, a qual corrompe todo o pé. 

No reino do Congo ha serpentes de vinte e cinco pés de comprido, as quacs 
engolem uma ovelha. 

Ha também n'este paiz formigas de um tamanho tal, que o auctor, acban- 
do-se doente n'um certo dia, foi obrigado a pedir que o tirassem para fora do 
seu quarto, com medo de ser devorado por ellas, como acontecia muitas vezes 
aos habitantes de Angola, entre os quaes se encontram ás vezes pela manhã 
esqueletos de vaccas que as formigas comeram em uma noite. 

No vol. Ill falla-se do nosso Zacuto como auetoridade. 



QIJESTION importante touchant les Jésuites. La Société mêrite-t^elle les 
égards qiion a pour elle à Rome et en France, relativement à Vajfaire de Portu- 
gal? 46 pag., in-8.« 

QIJESTIONS au minislère sur la situation de la France avec l'Angleterre, 
VEspagne et le Portugal. 

QUETELET (Mil.)* — Secretario perpetuo da academia real de Bruxellas. 

Publicou o Episodio de D. Ignez de Castro, do Adamastor e a Batalha de 
Ourique, encontrando-se os dois últimos fragmentos nas Lições de littcratura, 
publicadas em ("íand em 1822, na oílicina de MM. de Busscher. 

Apparecem estas noticias a pag. 241 do vol. i das Obras de Camões, do vis- 
conde de Juromenha. 



QUEVEDO (D. JUAIV ). 

Descripcion de la solcmnidad con que en esta corte se celebro la noticia de las 
felices bodas de la Majestad de Dou Pedro Segundo, con la muy alta y sobei-ona 
senora Dofia Maria Sofia Isabel, oufjustisimos Ileyes de Portugal. Por el seíior 
Don Joseph de Faria, enbiado extraordinário de Sus Majestades y cavallero de la 

orden de Christo; ã quien la consagra, dedica e ofrece con toda veneracion . 

4.«, 15 pag. 



QU «7 

QUEXAS de la tibieza de Espana ai ver tan ultrajada la fé; y elogios á su 
defensor Felipe V, nuestro senor, que Bios guarde. Komance. 
Guerra da successão. 

QUICIII::K/\T (J.) — ProfesscLir à l'ócole impériale de Chartres. 

llistoire de Sainte Barbe. Collège. (Jommunauté. Instiluliou. Par . Paris. 

Librairie de L. Ilaclielte tV C.*^, 18()0. 3 tomos: 1.", :]8:2 png.; %'', 4lo pag.; 3.", 
't25 pag. 

Esta obra é dedicada á memoria de Pierre Anloine Victor de Lar.neau, 
quando Sainte Darbe, graças a elie, entra no quinto século da sua existência, no 
dia 1 de outubro de 1860. 

«A universidade de Paris existiu por muito tempo sem coilegios, e quando 
começaram a fundar alguns oslabelecimentos d'este género, não passaram de 
pequenas casas de caridade, nas quaes alguns estudantes pobres de uma mesma 
cidade, de uma mesma diocese e de uma mesma província, achavam abrigo c 
sustento alé que elles tivessem obtido seus graus. Davam o nome de porcionis- 
las (boiírsiers) aos que eram admillidos a gosarem d'este beneficio. Quando 
reunidos todos, formavam uma fracção imperceptível do povo universitário. 
N'aquelle tempo não havia ensino publico senão para a philosopbia. Mas no fim 
do século XIV o exereieio das classes foi instituído em alguns* coilegios com tão 
bom exito, que animou outros a imitai-os. Professores de latim deram em horas 
fixas lições, ás quaes poderam assistir estudantes externos. Dentro em pouco 
receberam, com residência dentro dos coilegios, debaixo do mesmo tecto, e á 
mesma mesa dos poreionistas, aquelles estudantes que podiam pagar pensão; 
mais tarde a falta de logar nos coilegios fez estabelecer, debaixo do nome de 
pedagogias algumas casas que se podem comparar aos nossos pensionados, se- 
guindo os cursos da universidade. Citam-se, finahriente, três pedagogias, que, 
por causa do grande numero de seus estudantes, tiveram três classes suas, e que 
mereceram dar-se-lhes o nome de coilegios, embora não tivessem doação nem 
poreionistas. Sainte Barbe, na sua origem, foi um d'esses estabelecimentos exce- 
pcionaesi. 

«Todos os historiadores de Paris repetiram, de accordo com Félibien^, que 
Sainte Barbe deve sua fundação a um professor de direito canónico, por nome 
Jean Hubert, o qual tomou, com obrigação de pagar censo á abbadia de Sainte 
Geneviòve, uma casa com um terreno situados na rua de Reims, em face do 
collegio d'este nome. Citam como prova de um tal arrendamento um contraio 
lavrado perante o prevoste de Paris, com a data de 10 de maio de 1430. Porém 
este contrato, cujo original nos foi conservado 3, não diz que João Hubert tenha 
feito sua acquisição para fundar uma pedagogia, e o contrario é demonstrado 
por outros documentos, de onde se segue, que a casa occupada por elle se con- 
verteu em propriedade de um "mercador de pannos e de meias, estabelecido na 
encruzilhada Saint Severin. Alem d'isto o nome de Sainte Barbe não se encontra 
nem durante a vida de Jean Hubert, nem durante os primeiros annos que se 



' Roberi Goulel, Compendium de multiplid parisiensis universitatis magnificentia. 1517. 
* Histoire de la ville de Paris (pubUée en 17 25), tomo ii, pag. 1047. 
" Archivos do império. S. 1:509. N." 3. 

7 



98 QU 

seguiram á sua morte. Foi em 1463 somente que o vemos apparecer, a propósito 
de censo pago á abbadia de Sainte Geneviève: «pela casa que se costumava 
chamar o botei ChAlon, e que presentemente tem o nome de Collegio de Sainte 
Barbe«; de sorte que a existcneia de Sainte Barbe começou, não em a casa de 
Jean Hubert, mas no hotel de Ghálun, e muito tempo depois de li30. 

«Em que data, com certeza? 

«O registo de censo de Sainte Geneviève nol-o diria, se estivesse completo; 
mas vê-se que este documento apresenta entre 1449 e 1403 a mais lastimosa 
lacuna. 

«Felizmente outros testemunhos se acham alli para fall.írem em logar d'elle. 
Interrogando os titulos do hotel Chalon e a vida do personagem inscripto como 
censuario diante da menção que se acaba de ler, é possível 'chegarmos á verdade 
de maneira tão precisa como se ella estivesse consignada em todas as cartas em 
um acto authentieo. 

«Sauval, auctor melhor informado do que Félibien, e no qual nada se en- 
contra para a gloria de João Hubert, designou o hotel de Chalon como o berço 
de Sainte Barbe *, Somente a parecença dos nomes o enganou. Julgou ser neces- 
sário escrever Chalons em vez de Chalon, e sob este fundamento construiu no 
alto da montanha casa para uso dos bispos de Chalons-sur-Marne, domiciliados 
em todo o tempo no bairro Saint Martin. Nada toem que fazer aqui, bem como 
os outros dignitários ou originários da cidade champenesa. O velho historiador 
de Paris suscitou, pelo seu engano, um erro monstruoso, quando algqns escripto- 
res, querendo conciliar as palavras d'elle com as de Félibien, attribuiram a João 
Hubert a propriedade do pretendido hotel de Chalons, transportado por elles 
para o meio da rua de Reims, 

«O hotel de Chalons estava situado nas ruas des Chiens e des Cholets, e 
Sainte Barbe foi fundado no 1.° de outubro de 1460, no ultimo anno do reinado 
de Carlos VH, sendo reitor da universidade Martin Lcmaistre. 



# 

# # 



«GeoíTroi Lenormant fundou Sainte Barbe, não como pedagogia, mas como 
collegio, instituindo n'elle algumas classes, e dando-Ihe professores, que deviam, 
debaixo da sua direcção, applicar os methodos e repetir as lições. Não tratou de 
dotação. Ateve-se á boa rasão, que lhe dizia que o futuro de um collegio tem sua 
segurança, menos nas riquezas que possue, do que na boa disciplina e na excel- 
lencia do ensino. Foi este regimen a primeira feição pela qual se distinguiu uma 
casa, cujo destino era conservar sempre um caracter á parte entre os outros 
estabelecimentos da universidade. 

«Não era costume em Paris estarem os collegios debaixo da invocação dos 
santos. Tinham todos o nome do seu fundador, ou o do paiz do qual recebiam 
porcionistas. Ao asylo que GeoíTroi Lenormant abriu aos estudos, devendo abrigar 



llisloire el recherches des antiquités de la ville de Varis, tomo ii, pag. 108 e 380. 



a mocidade de todos os paizos, não teve que llie dar o nome de tal ou qual 
logar; e teve modéstia bastante para não querer que tivesse seu próprio nome. 
Procurou no inartyrologio um patrono mais elevado, e sua escolha recaiu sobre 
a virgem sabia, que, dizem, passou na mais tenra mocidade para a eternidade, 
depois de ter conseguido só pela forra do raciocinio o conhecimento do verda- 
deiro Deus, depois de haver mesmo, da boca de Origenes, recebido o comple- 
mento da fé, depois de ter vencido na discussão os mais babeis defensores do 
paganismo grego. 

«Taes são os factos que a legenda nos fornece acerca da bemaventurada 
Barbara, martyrisada em Nicomedia no tempo do Imperador Maximiniano. Uma 
santa cercada d'esla gloria, era para os litteratos da idade media o que teria sido 
Minerva no espirito da antiguidade, Minerva na qual ninguém pensava no anno 
da graça de 1460, e cuja lembrança, no entanto, estava em vésperas de ser res- 
taurada; de tal modo que a Santa Barbara de GeofTroi Lenormant teria talvez 
sido o Atheneu de Paris, se este doutor houvesse formado seu estabelecimento 
cincoenia annos mais tarde, na epocha em que, pelo effeito das reminiscências 
clássicas, os collegios começaram a intitular-se gymnasios, e as universidades 
academias. 

«Mas Barbe, isto é, Barbara, na sua forma latina e universitária, não era 
somente o nome de uma santa; foi este também o termo que, na linguagem das 
escolas, significava o argumento elementar, o syllogismo articulado por — maior — 
menor — e consequência sobre generalidades positivas. A exposição da lógica 
começava pela definição de bainhara, e a maior parte das grandes verdades mo- 
raes se resolviam em barbara. Não haveria alli, por causa da dupla significação, 
um motivo para o nosso fundador ter preferido o vocábulo Santa Barbara ? 

«Estas sortes de considerações, que taxaríamos de puerilidades, eram muito 
do gosto da epocha. Se Geoffroi Lenormant não pensou n'isso, podemos apostar 
que a allegoria foi notada por outros, e que mais de um adivinhador de horós- 
copo predisse os altos destinos do ensino das artes, que se inaugurava debaixo 
da invocação de Barbara^. 



«CAPITULO XIV.— Principalado de Diogo do Gouveia — Fundação do Rei do Portugal em Sainle 
Barbe'. 

«Os Reis D. João II, D. Manuel e D. João III, em cujos reinados Portugal 
se tornou tão florescente pelo commercio com a índia, foram homens piedosos, 
tanto quanto amigos das luzes. As conquistas de seus navegadores fizeram nascer 
n'elles menos prazer do ganho que ambição de converter á fé os reinos e as ilhas 
do Oriente. Faltando-lhes gente para uma tão grande empreza, mandaram estudar 
á sua custa nas diversas universidades da Europa, e particularmente na de Paris, 
um grande numero de rapazes, por meio dos quaes contavam formar missioná- 
rios, depois que elles tivessem sido instruídos. Pertenciam estes rapazes quasi 
todos á pequena nobreza, muito empobrecida depois que toda a actividade do 



' Depois de Malhurin Morei começa a serie do? Gouveias, cuja cliegada cerra aquilio a que se 
pôde dar o nome de tempos heróicos do «Sainte Barbe». V^ol. i, pag. 7). 
' Idem, vol. i, pag. 122. 



100 QU 

paiz se linha voltado para o negocio. Uma familia de Gouveias, que tinha rami- 
llcações em Évora, Beja e Coimbra, só ella forneceu uma dúzia de piofessores, 
todos os quaes tomaram seus graus em Paris. (Pag. 123.) 

«O primeiro que se encontra com este nome é Diogo, o qual foi cognomi- 
nado O antigo em a nossa universidade, para o distinguirem de alguns de seus 
parentes, que tiveram o mesmo prenome. Mandaram-no para França em tempo 
de Carlos VJII. Seu epitaphio, que se via outr'ora na calhedral de Lisboa ^ dizia 
que fora reitor em Paris, embora seu nome se não encontre na lista dos reitores 
formada por Duboulay; mas como ha n'esta lisla uma lacuna de 1500 a 1507, é 
mui natural o pensarmos que exerceu n'este intervallo de tempo a magistratura, 
da qual seus compatriotas lhe fizeram um titulo de honra depois de sua morte. 
Fez-se depois receber como doutor em Iheologia. Como tal, Uobert Estienne 
muito o maltratou, por ter feito parte das diversas edições que censuraram suas 
edições da Bíblia: 

«Eu lhes apresento no seu conclave nos Mathurins, são as palavras de 
Robert Estienne, o Novo Testamento por mim impresso; e presidiam então 
Gouveia e Le Roux, que me tinham grande ódio, pessoas muito ignorantes em 
tudo, mas njuito cautelosas em armarem ciladas aos innocentes. Viam ser grego 
o que está impresso. Pedem que se lhes apresente o velho exemplar (o manus- 
criplo). Imaginae que era para lerem n'elle I - 

«Pôde haver motivo para esta censura de ignorância do grego, porque o 
tempo em que o Gouveia tinha estudado, não era aquelle em que o grego fazia 
parte da instrucção; mas a accusação de perfídia não nos parece justificada. 
Longe d'isso, é contradicta pelo próprio auctor, contando em um outro logar, 
que quando Gouveia e seus consortes appareceram no grande conselho para onde 
o Rei os tinha convacado a respeito da questão das biblias, provocaram a risota 
da asseuibléa «por causa de suas altercações tumultuosas, por discordarem todos 
juntos, e estarem furiosos um contra o outro.» Seguramente adversários que, em 
um momento tão solemne, dão o espectáculo de sua discórdia, não são pessoas 
bem cautelosas. Deixavam-se elles arrastar pela paixão, assim como Robert Es- 
tienne fallava com azedume contra um homem ulcerado pelos actos judiciaes, 
dos quaes se via ser victima. 

«N'uma peça burlesca, escripta em forma de caria, Theodoro de Beze recor- 
dou uma certa visita da Sorbonna a Francisco I, com o ílm de ter occasião de 
dizer que os cardeaes da comitiva do Rei se divertiam muito á vista dos sublimes 
doutores, que se apresentaram «todos cheios de muco e enlameados», e o próprio 
nome de Gouveia está approximado d'esta scena com uma intenção accentuada 
de malicia. 

«Mas não passa isto ainda de uma insinuação sem alcance. Os ares e a 
apparencia de prefeito de coUegio não deviam ser próprios de Diogo de Gouveia, 



' Diojjo Barbosa Machado, Bibliolheca Lusitana, tomo i, pag. G36. 

' Os censores dos Uieologos de Paris, pelos quaes elles linliam falsamente condemnado as biblias, 
sendo impressões de Robert Estionne, pamphleto impresso cm parte em a Nouvellc biographie généruleí 
de Didot, art. Estienne. 



QU KH 

que linha frequentado a côrtu. Durante todo o tempo que passou na França teve 
accesso junto de nossos Reis, para os negócios do seu paiz: «Approximou-se e 
serviu a cinco Heis de Portugal e a quatro de França», dizia ainda o seu epi- 
tapliio. 

«Se a estes aggravos, articulados antes contra a Sorbonna do que contra o 
próprio Gouveia, ajuntarmos uma alcunha ridícula, a de Devora mostarda (Sina- 
pivorusj, que seus inimigos de religião apanharam no vocabulário dos collegios*, 
teremos tudo quanto o século do nosso doutor nos disse em desabono d'elle, e 
concordaremos que não é d mais o ter sido exposto só a taes censuras quem 
andou envolvido em uma das mais terríveis luctas de que ha memoria. 

«Em 1516 escrevia-lhe El-Rei D. Manuel para que viesse ser oppositor a 
uma cadeira de theologia então vaga em Lisboa 2. Pediu e obteve a graça de se 
subtrahir a este convite, tendo na mente um projecto, cuja execução lhe parecia 
dever ser mais agradável ao Rei. Tratava-se de comprar Sainte Barbe, e de reunir 
n'aquelle edifício todos os pensionistas portnguezes. A reputação do collegio 
estava então no seu npogeo. 

«Encorporar seus jovens compatriotas na legião barbista, era, nos cálculos 
de Gouveia, ajun'ar um novo estimulante a emulação; e por outro lado tinha a 
convicção que esses mesmos rapazes, até então disseminados por uma e outra 
parte, se fossem submettidos á mesma disciplina, e fornecidos com a mesma 
instrucção, formariam um corpo mais homogéneo para a missão á qual eram 
destinados. 

«Mas, comprar Sainte Barbe, apresentava diíficuldades insuperáveis. Robert 
Dugart, de proprietário dos edifícios e do terreno, que elle era ao principio, 
linha-se tornado proprietário do estabelecimento, e não queria ceder a posse por 
dinheiro algum. Diogo de Gouveia não obteve tratar com elle senão na qualidade 
de arrendatário, e conheceu, pelos processos que surgiram pouco depois, com que 
homem tinha de tratar. Havendo entrado na posse em 1520, foi citado e condem- 
nado ao Châtelet desde o mez de fevereiro de 1523, por um atrazo no paga- 
mento do seu arrendamento 3. 

"Eis, comtudo, o nosso collegio aberto aos portuguezes, e posto, por isso, 
debaixo da protecção do Rei d'elles. Algumas parccllas de oiro que trazem 
annualmente das índias, se desviaram para elle, e hão de contribuir a tornar 
n'elle o ensino ainda mais activo e brilhante. Sabe-se isto na universidade, e 
falla-se com louvor do principal, a quem é devida esta boa fortuna. Elle, porém, 
não está contente sem que tenha tornado o seu privilegio regular e duradouro. 
Faz uma viagem a Lisboa com o fim de ir expor ao Rei D. João III, successor 
de D. Manuel, que, não tendo nenhuma segurança para o numero dos pensionis- 
tas da coroa, não sabe sobre que base assentar sua casa; concedem- lhe que o 
numero permanente da colónia portugueza seria de cincoenta estudantes'^. 



' Epistola magislri Benedicti Pasxavantii. Theodoro cie Bòzc applica esta mesma alcunha a André 
de Gouveia, sobrinho de Dioso, na (làloria das igrejas reformadas, liv. i, pag. 28. 

' Francisco Leitão Ferreira, Noticias chronologicas da universidade de Coimbra, em a narração 
intiluiada: Collecçam dos documentos e memorias da academia real da historia portugueza, anno 1729, 
parle i, patr. 4^2. 

' Velho inventario dos títulos de Sainte Barbe, nos archivos do império, S. 6:351 bis. 

* Epistola de João Fernel a Diogo de Gouveia, á frente do Monolosphaerium. 



102 QU 

«Esta fundação data de 1526. Foi celebrada em Sainle Barbe eom festejos, 
versos e discursos, nos quaes associavam em commun) elogio o [\ei D. João e o 
cardeal Infante D. AíTonso, seu irmão, Príncipe a quem achavam sempre lendo 
latim ou grego, e que tinha contribuído com todo o seu poder para o estabele- 
cimento das cíncoenta bolsas i. 

«A universidade ufanou- se com uma preferencia que a elevava aos olhos da 
Europa, e se se concebeu algum ciúme do estrangeiro, não se deixou de applau- 
dir a homenagem publica que um Rei poderoso rendia ás leiras 2. 

«Diogo de Gouveia é representado por aquelles que estiveram ás suas ordens 
como um mestre vigilante e capaz, cheio de gravidade, de uma probidade a toda 
a prova, e que sabia mais do que tudo conservar nos mancebos o fogo da emula- 
ção 3. É verdade que veiu n'um momento propicio. Quando tomou o governo do 
Sainte Barbe, a grande geração que encheu o século xvi com suas idéas, come- 
çava seus estudos. O desejo de chegar á perfeição em todos os géneros abrasava 
os corações, e não era preciso puxar muito por discipulos que não desejavam 
outra cousa senão excederem seus mestres. 

«O merecimento de Gouveia consiste em ter favorecido um ardor que era 
para muitos collegas um motivo de medo. Por este meio attrahiu a Sainte Barbe 
o que havia de mais distincto, como discipulos ou como mestres, e seu eollegio 
foi mais do que em nenhum outro tempo, um viveiro de grandes homens. 

•A continuação dos seus actos administrativos achar-se-ha mais longe, 
quando houvermos feito conhecer os outros portuguezes, seus parentes pela maior 
parte, dos quaes fez seus auxiliares, depois de ter sido seu instituidor. 

«CAPITULO XV.— Os Gouveias sobrinhos. — Outros professores e discipulos portuguezes cm Sainte 
Barbe. 

«Quatro sobrinhos de Diogo de Gouveia O antigo, filhos de uma irmã d'este 
e de um gentilhomem castelhano da casa de Ayala, tiveram o nome de sua mãe, 
para maior gloria da família. É d'estes que se torna indispensável fallar primeiro. 

«Manuel de Gouveia, o primogénito dos quatro, foi um professor de huma- 
nidades de primeira ordem. Ensinou rhetorica em Poitiers e em Coimbra^, tinha, 
porém, anteriormente, feito uma longa residência em Sainte Barbe. Foi alli que 
se estreiou depois da sua inceptio; tomou parle, primeiramente, nas classes de 
grammatica, para uso das quaes mandou imprimir em 1534 uma grammatica 
latina, pelo syslema da de Donat^. 

«Quando começaram os cursos do eollegio real (mais tarde eollegio de 
França), fundado por Francisco I, foi um dos ouvintes assíduos de Paulo Paradis, 
o primeiro que occupou a cadeira de hebraico. Fez-se notar por este sábio a 
ponto que este, quando compoz um tratado de pronuncia, o formou em forma de 
dialogo, entre Marcial de Budé e Matheus Budé, e é Gouveia quem toma a lição 



' Epistola de João Ferncl ao fíei de Porlwjal, á frente do Cosmothcoria. 

* Epistola de Vives ao Rei de Portugal, á frente do tratado De (kiisis corruplorum arlium. 

' Epistola de Fernel cilada acima; de João Gelidio, á frente do tratado De quinqvc universalibus ; 
de António Pin, á frente do seu fiommentario ao terceiro livro de Quintiliano ; Discurso de Belliayo cm 
Coimbra, citado por Diojío Barbosa ; Bibliolheca lusitana, tomo i, pag. 656. 

* Diogo Barbosa^Macbado, Bibliolheca lusitana, Joiuo iii, pag. 404. 

* Institutioncs in octo orationis partes. In-S.*" Paris, 1534. 



QU 



103 



a Budé^. Não se entregavam, n'aqiielle tempo, ao mesquinho calculo, em virtude 
do qual vemos cada um reduzir seus conhecimentos á medida do proveito que 
d'elies pôde tirar. Nosso portuguez aprendeu o hebreu pela única satisfação dQ 
augmentar os recursos do seu espirito. Possuiu o talento de compor versos latinos 
com uma facilidade e graça que os comparavam com os de Ovidio. Tinha feito 
uma collecção d'elles, cujo manuscripto viu Elias V-inet em Poitiers^. Perdida 
ou destruída, esta obra para nós está perdida. Sua grammatica, apesar de im- 
pressa, também se não encontra em nossas bibliolhecas. 

«Depois de Marcial vinha André, excellente orador no dizer de seus contem- 
porâneos e d'aquelles que escreveram nos tempos modernos, como se escrevia 
no século de Augusto. Empregando-se em ajudar seu tio, fez em nosso coliegio 
o aprendizado de um mister, no qual Montaigne testemunha que excedeu todos 
os outros. «As palavras do illustre pensador são: «Que foi elle, sem compara- 
ção, o maior principal da França ^.w 

«Tinha elle deixado um grosso volume maiiuscripto, dos discursos que reci- 
tou em Santa Barbara. Esta obra, a ser que ainda exista, deve encontrar-se em 
Portugal, onde a viram aquelles que d'ella deram noticiai 

«Apenas nos restam de André de Gouveia dezeseis versos jambicos, compos- 
tos por elle para servirem de epilogo ao curso impresso do seu professor de phi- 
losophia ^ 

LlBRI COLLOQUIUM 

Nefanda iniquae cerno linguae vulnera. 
Abire noilem, sed manere têmpora 
Quieta; nam nunc non licet per invidos. 
Dolent (quod acre est) blaterones ethnici 
Quod exeam. 

Andreae Goveani 
Imo te ut queant altingere, 
Deum precantur ; nam volentes ruribus 
Inserere amomum, seminarunt stercora, 
Quae adhuc manu tangi recusant, ni prius 
Crocos in hortis eolligant, quos omnibus 
Dedit legendos praepotens Valentia. 
Subinde magni litterarum principes 
Tulere morsus. Adde quod solum boni 
Ilabent Catones et protervos judices. 
Ob id quid, oro, est quod timere debeas ? 
Loquaculos ne hujus, libeíle, feceris. 

LlBRI COLLOQUIUM 

Nihil laboro: laetus imo prodeo. 



' Paiili Paiadisi, Vendi, hebrakanim lilterarum regii inlcrprelis, De modo lajcndi hebraico dialo- 
(jtis, in-8.' Paris, Gorment, 1534. 

' Carla de Vinet a Scholt, Hispaniae bibliothcca, tomo iii, pag 475. 

' Essais, lib. I, chap. xxv. 

* Diogo Barbosa, Dibliotheca lusitana, tomo i, pag. 150. 

" No fim lio Iralado do Gdidius: De quinque unioersalibus. 



lOi QU 

«Aiilonio de Gouveia, o mais novo da família, oíruseou a reputação de seus 
irmãos mais velhos. É um d'esses espíritos raros que lião de fazer o ornamento 
da Renascença. Só foi enviado a Paris depois de seus outros irmãos, tendo sido 
guardado por muito tempo por seu avô, que teria querido ver continuada por 
elle a gloria militar de seu pae. Elle próprio diz que, apenas seu tio Diogo de 
Gouveia o fez beber pela taça das musas, sentiu-se nascido para outro género de 
cavallaria. Foi, com eíTeito, o cavalleiro errante da eloquência e da erudição. 
Sua vida passou-se em viagens para ir oíferecer desafio aos professores afamados. 
Ficou vencedor de todos quantos ousaram medir-se com elle. Bordeaux, Toulouse, 
Paris, Cahors e Valence podem attestar seus triumplios. Não ligava importância 
senão aos applausos dos francezes, pondo o nosso paiz acima de todos os outros, 
convencido de que devia ao ar que na França se respira o ter-se elevado acima 
de seus compatriotas. Nunca se consolou de ter sido constrangido a deixal-o nos 
últimos tempos da sua vida ^ 

«De Thou o mencionou na sua Historia como o único a quem os doutos 
concederam a gloria tão rara de ter sido ao mesmo tempo um grande philosopho, 
um grande jurisconsulto e um grande poeta 2. Sua reputação como philosopho 
proveiu-lhe da lucta que sustentou contra Ramus, e da qual se faltará depois. 
Gomo jurisconsulto é ainda contado em o numero d'aquelles que abriram aos 
modernos a intelligencia do direito romano. Na primeira vez que foi ouvido por 
Gujas explicar o código, esteve a ponto de renunciar ao ensino, tanto este conhe- 
ceu sua inferioridade! Não nmdou de pensar senão porque reconheceu que no 
seu formidável antagonista a perseverança não era companheira do génio ^. 

«Como poeta, António de Gouveia recebeu as homenagens da Europa inteira. 
O prussiano Knobeldorf o attcstã: foi aos olhos de todos o mestre dos mestres '*. 
Marco António Moret lhe submelteu, tremendo, sua primeira collecção, pedin- 
do-lhe que introduzisse n'el!a todas as correcções que julgasse convenientes-''. 
Seus versos latinos são, com effeito, de uma graça perfeita. Eis alguns epigrarn- 
mas do tempo em que, já professor em Sainte Barbe (3nsinou alli desde Í527) 
aperfeiçoava seus estudos por meio da leitura constante dos auctores. 

«Acerca de lhe ter pedido seu irmão Marcial alguma cousa d'elle para inse- 
rir na sua própria collecção : 

Frater amice, tibi nostro dare carmina libro 
Esset in argutum meltere ligna nemus. 

«A seu irmão, que tinha caçado para elle uma lebre, enviada á direcção de 
António : 

Accepi, frater, leporem, tibi ponitur: annon 
Id vere est leporem perdere et accipere? 



' Diogo Barbosa, Bibliolheca liaitana, tomo i, paj;. 291 ; iJayle, Dictioimirc llistorique j Duboulay, 
Uist. univers., tomo vi, pag. 1)20. 

' De 1 liou, Ilistoire universelle, lomo v, pag. 101 . 

* Papirius Masson, citado por Barbosa. 

* Epistola a António de Gouveia, em seguida ao poema intitulado : Luletiae Parisiorum descriptio, 
authore Euslathio a Kiiobcldorf, Prutheno. Paris, Wccíh'1, 15i3. 

* Epigramma de .\luret, uus Flores epigrammaíum exoptimis quibusquc aucloribus '' ligcntcrcxcerpti 
per Lodegerinm a Quereu. 



QU 



105 



«A não )|uerci' Diogo de Teive acreditar que um espirito rombo fosse capaz 
de um roubo na cozinha, respondeu : 

Sepositas cpulas media invenisse culina, 
A stupido faclum Tevius esse negat. 
Sepositas epulas, Tevi, invenisse culina, 
Nare valere quidem, mente carçre puto. 

«A Clemente Marot, de quem havia traduzido em versos latinos algumas 
poesias ligeiras: 

Marotte, niagnum os Galliae, 
E gallicis tuis bonis 
Latina si faeio mala, 
Ignosce bárbaro et hospili. 

«Citaremos ainda dois distichos de uma de suas epistolas, para provar que 
Elias Vinel* e lodos os biographos depois d'elle se enganaram não dando a 
António de Gou^^eia senão dois irmãos, em logar de três: 

Três vidi fratres, três me videre sorores, 
Sorsque tui partus ultima, mater, ego. 
Gallia três studiis florens ignobilis oti 
Ceperat: accessi quartus et ipse tribus^. 

«Assim, um quarto Gouveia, do ramo de Ayala, se collocava, pelo seu nas- 
cimento, antes de António, e veiu a Sainte Barbe ao mesmo tempo que Marcial 
e André. Qual era o seu pronome? 

«Temos motivo para crer que se chamava Diogo, como seu tio; pelo menos 
um Diogo de Gouveia, chamado de Paris para a universidade de Coimbra, aqui 
ensinou grammatica, de 1539 a 1556; foi depois professor de theologia e cónego 
na cathedral de Lisboa. Pôde, porém, haver duvida em o considerar como per- 
tencente ao ramo de Ayala, cujos membros tinham nascido em Beja, ao passo 
que elle nasceu em Coimbra 3. 

«Um terceiro Diogo de Gouveia, sobrinho também do antigo, mas por um 
irmão d'este, distingue-se em nossos fastos universitários pelo cognome de Júnior, 
Foi durante seis annos principal de Sainte Barbe. Tudo quanto lhe diz respeito 
encontrará seu logar na historia de sua administração. 

«Emquanto aos outros Gouveius que fizeram seus estudos em Paris, apenas 
sabemos seus nomes e a data do juramento que prestaram á faculdade das artes, 
quando receberam suas cartas de escolaridade. Roque e Simão juraram em 1525; 
Damião, João e Miguel, em 1527, e Diogo Rodrigues em 1533. É singular que 
este ultimo esteja indicado no registro como natural da diocese de Paris. Emfim, 



' Carta a Schott, já cilada. 

^ Esles versos e todos quantos os precedem, são tirados da coIlccçSo impressa cm Leão, em casa 
de Sebastião Grypho : Antonii Goveani epigrammata. 

' Leitão Fcrri'ira, Noticias rkronologicas da universidade de Coimbra, pag. 754 e segg. 



106 QU 

um António de Gouveia, natural de Évora, começou um curso de philosophia 
em 15121. 

«Fora d'esta fecunda descendência, eis os portuguezes que se apresentam: 
«Diogo de Teive, o Tcvius, fallado em um dos epigrammas precedentes. Veiu 
muito novo para a França; ensinou em Paris, Bordeaux e Coimbra, e pensou na 
sua madureza em dotar seu paiz com uma historia em latim, da qual apenas 
escreveu um episodio: O cerco de Diu pelos turcos. Seus discursos e versos, re- 
putados admiráveis pelos auctores portuguezes 2; e louvados também por Tlieo- 
doro de Bèzc^, não se encontram nas nossas bibliolhecas publicas'*. Uma stricta 
amizade, que durou toda a vida, tinha-se formado em Sainle Barbe, entre elle, 
António Gouveia e Buchanan. 

«Inspirou ella a este ullimo um improviso encantador^: 

Si quidquam, Goveane, fas mibi esset 

Invidere tibive Teviove, 

Et te nostro ego Tevio invidercm, 

Et nostrum tibi Tevium inviderem. 

Sed cum me nihil invidere sit fas 

Vel tibi, Goveane, Teviove, 

Si fas est quod amor dolorque cogit, 

Vobis imprecor usque imprecabor. 

Utcrque ut mihi, sed cito, rependat. 

Hoc pravum ob facinus malun.quc pcenas: 

Te mi Tevius invidere possit, 

Tu possis mihi Tevium invidere. 

Ambobus mihi si frui lieebit, 

Coelum dis ego non suum invidebo, 

Sed sortem mihi di meam invidebunl. 



* 
# * 



«Houve também em Sainte Barbe um Manuel de Teive, talvez irmão de 
Diogo, mas de quem nada se sabe, senão que seguiu em 1528 o curso de mathe- 
mathicas de João Fernel^. Esla familia era de Braga. 

«António Leitão, também de Braga, foi reitor no primeiro trimestre de 1533, 
e ao mesmo tempo ensinava philosophia em nosso collegio"'. Aqui occupou a 
cadeira de physica desde 1547. No mez de março d'este anno, seus collegas da 



' Dubonlay, Ilistoire iiniversellc, pag. 920. 

' Barbosa, Bibliotheca lusitana, tomo i, pag. 702. 

' Prefacio á segunda edição do suas poesias ligeiras: Thcod. liczac VczcUi pocmalum cdilio se- 
cunda. Paris, II. Eslicnne, 1569. 

* Fez-se uma edição em Salamanca, em IS.^iS. 

" Hendecasyllabon, liber n." 5. 

« Ad omnimoda virlute pranditos jwenes, Joanncm Ximenez, Emaiiuelcm de Tievcs caclerosque 
condiscípulos, Joannis Daplistae Lusitani exhorlatio, no fim do Monalosphaerium de Fernel. 

' Duboulay, Uistoirc miverselle, lomo vi, pag. -453. 



QU 



107 



nação de França o investiram nas fiincções de procurador. Sua assignalura no 
registro da nação está acompanhada de uma divisa em grego, da qual o sentido 
é este: «Eu não procuro ser rico, nem faço votos para o vir a ser. Meu desejo é 
viver na mediocridade, onde estamos ao abrigo das catastrophes'». 

«Parece que n'estas palavras está o echo do preceito gravado sobre o pedes- 
tal de uma estatua da Sabedoria^ que foi erigida pelo mesmo tempo em Coimbra, 
na sala dos actos solemnes da universidade : Disce vivente in servitute et mori in 
paupertaíe^. 

«Belchior Belliago, fdho de um empregado da alfandega, não tinha génio 
para praticar a moral de Leitão. Desde o tempo de collegio mostrou uma pro- 
pensão pouco vulgar para mercadejar com totlas as cousas, e mais tarde, embora 
se tivesse dedicado ao ensino da philosophia, fez do seu aposento em Paris, como 
em Coimbra, um verdadeiro gabinete de negócios: 

Belleago cunctas tractat artes commodc, 
lias praeler unas quas docet ; 
Nec fíEneralor alter illo doctior, 
Nec campo quisquam argutior', 

«Tinham-lhe posto o alcunha de Judeu. Era, no entanto, um homem de 
talento. Subjugou o Rei D. João III pela sua eloquência, e fez com que o nomeas- 
sem bispo de Fez in partihiis, e serviu na capella real até á sua morte 4. Temos 
pena de não havermos podido encontrar um elogio de Sainte Barbe, que proferiu 
em Coimbra, como discurso de abertura, na entrada de 1548 ^ 

«António Pinho, ou Pinheiro (Pin), nascido de uma família obscura e pobre, 
deu nas vistas a António de Gouveia por causa das suas felizes disposições, que 
o mandou pôr na lista dos porcionistas da coroa 6. Recebido mestre cm artes, 
distinguiu-se pelo ensino de humanidades. Do curso que professou em Sainte 
Barbe em 1537, saiu a primeira interpretação completa que houve do terceiro 
ivro de Quintiliano. Impresso primeiramente á parte ^; este commenlario foi 
fundido depois nas edições Varionim. 

ff António Pinheiro propunha-se a elucidar do mesmo modo o resto das in- 
stituições oratórias. Desviou-o d'isso a theologia. Voltou para Portugal com o 
íim de fazer a educação do Príncipe Real D. Sebastião, e morreu bispo 8. 

«Simão Rodrigues e Sebastião Rodrigues de Azevedo, seu irmão, foram 
gentis-homens da diocese de Vizeu, dos quaes havemos de encontrar o primeiro 



' Oò po'jXo u.ai ttXouO-Iv {úc) oò^' £'j-/,oaai, àXXa [j/a £Í'r, ^viv aTTO rwv óxí^fov {^k)^ jr/i^iv 
sy/vv TO'. {$ic) /.axíóv. Manuscripto da Bibliotheca Mazarina, n.° H 2682 A, fl. 32. 

* Fcrdinand Denis, Camoens et ses conlemporains. 

' Bachanan, Hendecaxyllabon, liber n."' 9, cf. 7 e 8. 

* Barbosa, Bibliotheca lusitana, tomo i, pag. 487. 

* De disciplinarum omnium studiis ad urnvcrsam arademiam conimbricensem oralio habita Kat. 
Ocl. 15Í8, in-4.° Coimbra, J. Barrerius et J. Alvares. Citado por Barbosa. 

" Epistola de António Pin (?) a Diogo de Gouveia, no começo do seu Commentario Quintiliano. 

' Ncão temos podido encontrar a edição original, que c de 1538, mas bouve uma reimpressão 
textual no Quintiliano, editado por Ouen Pelit: M. Fahii Quinliliaui oratoris eloquentissimi de institu- 
tione oratória, libri xii. In-fol. Paris, 1549. 

" Scbolt, Hhpaniac bibliolhcca, tomo iii, pag. 47G. 



•08 QU 

entre os fundadores da sociedade de Jesus. Foram formados no lempo de Diogo 
de Gouveia, O antigo^. Ignorámos se era a mesma família a que pertencia um 
Peiagio Rodrigues, regendo uma cadeira de philosophia em 1542 2. 

«João Ribeiro, de Lisboa, por ordem chronologica, deveria ser mencionado 
antes de todos aquelles que vimos de mencionar. Começou por se entregar ao 
commercio. Arruinado n'uma viagem que fez á Abyssinia, pensou em se eongra- 
çar com as letras, das quaes elle nunca tinha lido mais do que um conhecimento 
imperfeito 3. Era do tempo de El-Rei D. Mauuel. Seguiu as lições de Coqueret, 
assistiu ás brilhantes estreias de Celaia, n'este coUegio, e desde então se affei- 
çoou ao professor valenciano, que para elle foi como um idolo. Depois de ter 
repetido suas lições de dialéctica em Beauvais, veiu desferrar- se para Saintc 
Barbe, quando Celaia alli veiu domiciliar se, com o fim de se impregnar da sua 
doutrina sobre a metaphysica^. A suas mãos foi confiado o facho do celaismo, 
depois da retirada do mestre para o seu paiz. Ribeiro sustentou-o com mão firme 
durante os primeiros annos do prineipalado de Diogo de Gouveia 5, sendo coadju- 
vado n'este cuidado piedoso por um professor champenez, por nome João Papil- 
lon, primeiramente seu domestico, o qual morreu vinte annos depois no posto 
eminente de grão mestre de Navarra 6. 

«Resta-nos de João Ribeiro uma curiosa carta que escreveu em 1517 a seu 
irmão Gonçalo Dias, camarista do palácio, para o converter á philosophia e attra- 
hil-o para o seu lado n'este eollegio, onde elle tinha encontrado a felicidade'^. 



# 
# # 



«A perfeita orlhodoxia de Diogo de Gouveia provinha, talvez, da sua ami- 
zade aos jesuítas e dos sarcasmos que elle experimentou da parte de Roberto 
Estevão, se ella não fosse comprovada por testemunhos directos. Fernel louvou 
a firmeza de que elle deu provas na defeza da religião *. Diogo Barbosa falia de 
um tratado manuscripto que elle compoz para refutar as proposições de Lulhero^ 
Finalmente foi sub-deão da faculdade de theologia durante quasi todo o tempo 
que os princípios religiosos se discutiram na França sem ajuda das armas. Deve, 
portanto, ser contado em o numero dos bons calholicos de sua epocha, e segura- 
mente não foi elle culpado de que todos os seus mestres c discijiulos se não 
parecessem com elle. 



' Diogo Barbosa, Bibliothcca lusitana, lomo in, pag. 7Í21. 
' Duboulay, Histoire univcncUe, tomo vi, pag. 920. 

* Epistola do Ribeiro a sf^u irmão, indicada abaixo. 

* Epistola de Ribeiro a João Gonlier, cm seguida á Pelri Hispani summulae logicalcs, cum aposi- 
onibus Joannis de Celaya. Pari», .1. Duprc, 1515. 

* João Gclidins, no prefacio do sen tratado: De quinque universaitbus. 

" Duboulay, Histoire uvivcrselle, tomo vi, pag. 955; L;iunoy, llerjii Navarrae gymnasii hist., 
pa^'. 696. 

^ Joannes Ilibeyro Olisiponensis spcctata índole adolesccnii Gnnsalo Jacobi, fclicissimi Lusitaiiormn 
regis a cubículo mínislro fratrique suo, cm seguida ao Commcnlario do Celaya sobro a Vhysira de 
Aristóteles. 

" Epistola dedicatória de Monalosphafrium. 

" Dhiliothcra lusílava, tomo i, pag. r56. 



ou •»« 

«Mas, como deler o espirito de exame quando elle começa a voar? Como, 
finalmente, impedir que se exercite em um assumpto, quaudo applaudem suas 
conquistas em outros? A imprensa tinha multiplicado as edições dos livros 
santos; envergonhavam-se do tempo tão pouco afastado, em que alguns doutores, 
mesmo eminentes, não lintiam jamais aberto um evangelho, e não conheciam o 
texto fundamental da religião senão pelo missal ou pelas cilações dos auctores^ 
Cada um estava habilitado para ler e comparar; e assim como fora das lições do 
collegio, pelo estudo das obras primas da antiguidade, muitos adquirirarn saber 
e gosto superiores ao de seus mestres, da mesma forma, fora das instrucções 
religiosas, pela leitura de textos sagrados adquiriram opiniões propriamente 
d'elles, as quaes coníirmaram uns na fé recebida e afastaram outros para uma 
distancia maior au menor. 

«D'aqui procede, que todos os matizes da orthodoxia, como da heresia, se 
encontraram na geração que passou por Sainte Barbe, entre 1520 e 1530. Ao 
lado do ascetismo communicativo dos primeiros jesuitas, achámos o myslicismo 
desenfreado de Postei; ao lado do rigorismo inquisitorial de Demochares, a tole- 
rância de Gélida e de António de Gouveia, que não obstou a que estes homens 
virtuosos fossem irrepreliensiveis na sua fé; ou ainda mais é o septicismo mal 
sopeado de Buchanan, ou a independência philosophica de António de Gouveia, 
que uma voz inimiga taxou de materialismo, e que fez associar o nome d'esle 
homem distincto com os de Boaventura Despcrriers e Babelais'^. Emquanlo ao 
espirito de seita, é representado por aquella que d'ella foi a encarnação, por João 
Calvino. 

«Não concordam, a maior parte dos biographos, em que estivesse Calvino 
em Sainle Barbe. Decidem-se a favor do collegio de La Marche, na alternativa 
posta por Duboulay, de que fosse Calvino discipulo de Sainte Barbe, na opinião 
de uns, e de La Marche, segundo outros 3. Comtudo, se procurarmos quaes são 
esses uns e outros, dos quaes quiz fallar o historiador da universidade, acharemos 
que se reduzem a u.m único e mesmo auctor, o qual é Theodoro de Bèze. 

«Com eíTeilo, Bèze escreveu duas vezes a vida de Calvino. Na primeira 
d'estas obras, composta em 1563^, diz que recebeu Calvino as lições de Maíhu- 
rin Cordier no collegio de La Marche; e na segunda vida, que é de 15Gi, diz 
que Cordier foi o mestre de Calvino em Sainte Barbe. Assim vemo nos em du- 
vida, conduzidos pela única testemunha que se exprimiu acerca da circumslancia 
de que se trata. E não ha meio de nos decidirmos pelos factos conhecidos da vida 
de Cordier, pois na sua passagem, quer seja por Sainte Barbe, quer por La Marche, 
não se baseia, igualmente, senão sobre a dupla asserção de Bèze a respeito de 
Calvino. 

«Pelo que nos toca cortámos já a diíTiculdade, contando Malhurin Cordier 
entre os professores de Sainte Barbe. Dois motivos mui plausíveis nos determi- 



' As censuras dos Iheologos de Paris, pelas quaes tinham falsamente condemnado as bíblias 
impressas na typographia de Rob^írlo Estevão. 

' Gaivino, De scandalis. 

^ Histoire de la vie et morl de M. Jean de Calvin, de Noyon, ministre de Genève. 

* Discours de M. Theodore de Bezze, contenant en bref l'histoire de la vie et te la morl de maistre 
Jean Calvin, pag. 32. 



110 . ou 

narain a esle partido. Por um lado é a estima dos barbistas a favor de Cordier, 
do que nos fornecem a prova, não somente os versos de Voulté em seu louvor, 
mas até mesmo uma associação que se formou mais tarde entre André de Gou- 
veia e elle. Por outro lado, estando necessariamente errada uma das asserções de 
Theodoro de Bèze, tinha a verdade mais probabilidade de se achar n'aquella, que 
é posterior na data, altendendo a que as mudanças introduzidas na segunda 
redacção de uma mesma obra, téem sempre passado por serem correcções. 

«Alem d'isto, algumas investigações ás quaes nos entregámos a respeito do 
collegio de La Marche, nos convenceram de que esta casa não teve celebridade 
até depois de 1530. O exercício das classes era n^este collegio tão restricto no 
começo do século xvi, que apenas alli se contavam dois regentes de grammatica'; 
e é este um estado de cousas que se não compadece com uma circumstancia 
conhecida dos primeiros estudos de ('alvino. Sainte Barbe, pelo contrario, estava 
no mais alto ponto de fama, e particularmente recommendado na calhedral de 
Noyon (de onde se pôde dizer que saiu Calvino), por isso que uma dignidade 
d'esta igreja fora um dos agentes do nosso principal António Pelin, por isso que 
um outro, natural de Noyon, Pierre Billory, educado para ser cónego da cathe- 
dral. foi certamente discípulo do barbista Democharòs assim como o provam 
estes versos do mesmo Democharès : 

Nescius non sum tenerae juventutae, 
Qua simul gratae studim Minervae 
Ac satis doetos tulimus magistros^. 
Dubis amice. 

«Podemos acreditar o próprio Calvino, quando aíTirma que foi ao principio 
mui fervente catholico^. Jejuava mais do que se exige á mocidade, e só achava 
prazer em meditar e em fallar da religião, considerando os brinquedos como uma 
cousa insupportavel. Emquanto ao trabalho, foi em suas classes o que o viram ser 
em Genebra até ao derradeiro dia da sua vida; teve-lhe paixão^ para não dizer 
febre. Era uma tal disposição, que, junto a uma memoria prodigiosa, e a um 
raro poder de raciocínio, fez fructificar no seu espirito as lições de Cordier; 
preparou n'elle um dos grandes escriptores do século xvi e de todos os séculos. 

«Acabou suas classes ao inverso de Ignacio de Loyola; pois ao passo que 
este, depois de recordar precipitadamente seu latim em Montaigu, veiu estudar 
philosophia em Sainte Barbe, Calvino, deplorando a rapidez de seus estudos 
litterarios em Sainte Barbe, foi estudar a philosophia em Montaigu. Ha motivo 
para crer que se viu obrigado a isto pelas queixas a que a sua falta de assistên- 
cia no capitulo de Noyon dava origem. No momento em que seguia as lições de 
Montaigu, põde-se dizer que elle estava em uma escola ecclesiastica, e que se 
preparava, por meio de uma instrucção especial, para possuir dignamente os 



' Thurot. De 1'organisation de l'enseignement dans 1'universitè de Paris, au moyen âge, pag. 90. 

' No principio do livro intitulado: Divi Thomae Aquinatis commentaria in três Ariítotelis Ubros 
De anima, cum duplici lextus interprclalionc, d-c, recognita ab Anionio Democharo, Ressoneo, et illuslrala. 
In-foi. Paris. Kerver, 1539. 

* Primo quidem, quum superstitioni papalus magis pertinaciler addictuf essem qnam uí facile csset 
a tam profundo luto me extrahi. (Prae falia Commentarii inpsalmos.) 



QU 



111 



beiíelicios, cuja posso llie havia sido conferida antes da idade. Eis a única expli- 
cação racional que se pôde dar ás duas culpas assacaJas contra elle pela asseni- 
bléa capitular, e cuja menção, consignada nos registos da catliedral, sem o motivo 
que tinha provocado, foi glosada do modo mais malévolo por seus detractores i. 

«Do collegio Forlet, onde se domiciliou, travou relações com os adeptos de 
Luthero e de Zvvinglo, já numerosos na cidade. Dirigiu os conciliábulos d'elles, e 
por elles íicou no costume de ser considerado como um apostolo, e não poupou 
passos com o fim de ir preparar nos coUegios visinhos, e aitida inteiramente 
cheios de seus mestres e de seus condiscípulos, aquiilo que elle chamava «a ceara 
do Senhor». Como ainda não tinha abjurado publicamente o catholicismo, e como 
o viam assistir aos oflicios, seus passos não despertavam suspeitas 2. 

••Temos motivos ])ara crer que a porta de Sainte Barbe lhe foi aberta todas 
as vezes que se apresentou. E a este tempo devem remontar as conversas que 
teve, certamente con» António de Gouveia, e nas quaes se baseou mais tarde para 
dizer que o sobrinho do orthodoxissimo Diogo tinha provado primeiramente a 
a verdade evangélica'-^. 

u , , 

«Uma outra conversão, que elle operou no rebanho harbista, veiu a terna- 
nar n'um grande dissabor para o collegio e para a universidade inteira. 

«Uma das cadeiras de philosophia estava occupada em Sainte Barbe por 
Nicolau Copus, ou Kopp, allemão de origem, mas franeez de nascimento, pois 
era filho do medico de Francisco I, Guilherme Kopp, um dos antigos e mais 
gloriosos membros subalternos* (siirpótj da universidade de Paris. Este Nicolau 
Kopp entreg('U-se a João Calvino, a ponto tal, que havendo sido nomeado reitor, 
para o ultimo trimestre do anno 1533, não viu n'esta honra mais do que uma 
oecasião de prestar serviços ás idéas do seu mestre. 

«Em primeiro logar teve a seu favor as circumstancias. Quando tomou na 
mão o leme académico, um temporal levantado em logar alto veiu desfechar 
sobre a douta corporação. 

«N'uma tomadia de maus livros executada recentemente nas lojas dos livrei- 
ros de Paris, tinham tido a insolência de comprehender um poema devoto: O 
espelho da alma peccadora, composto pela sabia IVlargarida, irmã de Francisco I. 
Toda a corte estava indignada contrai os pedantes da universidade, que tal tinham 
auctorisado. O Rei pediu, eneolerisado, explicações em termos taes, que a resposta 
tinha de ser uma confissão publica de delicto. 

«Mestre Kopp sabia melhor do que ninguém que a tomadia tinha sido pra- 
ticada pelas indicações da faculdade de theologia. Comtudo, quando deu commu- 
nieação da carta do Rei, fingiu ignorância, esgotou lodos os termos que expri- 
miam espanto sobre o ter sido commettido um tão grande attentado, e em ultimo 
logar conjurou os criminosos a que se nomeassem. 

«As faculdades, que nada mais tinham feito do que prescrever em termos 
geraes a perseguição dos livros perigosos, não tiveram diíSculdade em testemu- 



' Jacques Desmay, Remarques sur la vie de Calvin. 

' Theodore de Bèze, Hisloire de la vie et de la mort de Calvin ; Uisloire des Églises du royaume 
de France, tomo i, pag. 14 ; Calvino, Fraefatio Commentarii in psalmos. 

* No tralado De scandalis. 

* Duboulay, Hisloire universelle parisiensis, tomo vi, pag. 66. 



nhar a innocencia cl'elies. Mas que fizeram os Iheologos? Descarregaram-se bra- 
vamente sobre o censor, investido do mandato d'ellos, de sorte que não ficou, 
para aguentar a carga do mal, outro a não ser um bomem muito atarantado, que 
não ousou gritar contra os seus collegas e que foi reduzido a balbuciar uma tal 
ou qual justiíicação, de onde resultava que a lomadia, considerada como boa, a 
respeito do Pantagruel e de outros romances do mesmo jaez, não tinba esse cara- 
cter relativamente a O espeUio da alma peccadora^. 

«Que se julgue da alegria que foi levaJa, não só para Sainte Barbe, ao 
aposento do reitor, mas também para Fortet, para o quarto de Calvino, como 
consequência d'este assignalado triumpho: a faculdade de theologia constrangida 
a declinar de seus juizos; um livro escripto com um espirito suspeito arrancado 
á censura ; uma Princeza que protegia os innovadores, defendida publicamente 
pelo Rei. Parecia cbegada a bora de tentarem um golpe arrojado, e tentaram-no. 

«Estava em costume pregar o reitor da universidade no dia de Todos os 
Santos, nos Matburins, perante todo o corpo docente. Calvino encarregou-se de 
escrever o sermão de Nicolau Kopp, o qual, consoante a expressão de Theodoro 
de Bèze, apresentava um sentido bem diíferente d'aquelle que se estava no cos- 
tume de ouvir 2. 

«Tudo correu tão bem durante e depois da cerimonia, que se pôde crer 
como certo uma nova victoria; mas no fim de algumas semanas recebeu o pre- 
gador uma intimação para comparecer no parlamento; os franciscanos tinham ido 
fazer denuncias ao procurador geral, segundo o boato que então se espalhou. 
Elle, porém, começou a protestar contra a violação dos privilégios da universi- 
dade ; pois, se tivesse errado no tocante á doutrina, d'isso devia dar conta ao 
tribunal académico, e não ao tribunal supremo. 

«Roune as faculdades para que estas se decidam. Os das artes e médicos são 
a favor d'elle; os decretistas votam no sentido contrario, com os Iheologos; nu- 
mero de votos igual ; nada de conclusão possível. Arrasta a faculdade das artes 
para o logar particular de suas sessões; o tempo passa-se em gritarias, em inter- 
rupções, em discussões estéreis acerca do objecto que se deve pôr em discussão, 
e ainda não chegaram a entender-se e já os archeiros do parlamento avançam 
para prenderem o presidente da assembléa. Sabe-o este, e em vez de se encami- 
nhar para Sainte Barbe, dirige-se para a porta de S. Martinho. Por aqui saiu elle, 
e caminhou sem parar até ter chegado a Basilea, de onde nunca mais voltou 3. 

«Pelo que loca a Calvino, a policia desceu até á morada d'elle. Já tinha 
fugido, mas apoderaram-se de papeis, entre os quaes havia quantidade de cartas, 
que serviram mais tarde para fazer queimar algumas pessoas. 

«Foi elle procurar como refugio a casa de Luiz de Tillet, cónego de An- 
gouléme. 

«CAPITULO XXII.— Reitoria (Priíicipalat) de André de Gouveia.— Barlholomeu Lalomus. 

«Quando oecorreu o caso desagradável, cuja narraçSo acabámos de ler, con- 
sagrava já Diogo de Gouveia pouca altenção ao seu collegio. Absorvido pelos 



' Calvini Epistolae, n.° l, tomo ix das obras completas. 
' Hif loire lies Éylises du royaume, tomo i, j/ag. d 4. 
' Duboulay, Histoire universelle, tomo vi, pag. 239. 



QU H3 

trabalhos da faculdade de theologia, tinha coníiado, havia algum tempo, a direc- 
ção de Sainte Barbe a seu sobrinho André. É, pois, sobre este iiobre mancebo, 
que vem a recair o trabalho, por causa da fuga de Nicolau Kopp. Era elle extra- 
ordinariamente considerado na universidade, e eis porque o não tornavam res- 
ponsável ; todavia foi necessário recorrt-r a elle para fazer as contestações oíTiciaes, 
e sem duvida queria elle estar tão longe como o fugitivo, quando veiu o momento 
d'esta formalidade. 

«A 16 de dezembro de 1533, em virtude de uma deliberação da faculdade 
das artes, um eommissario d'esta faculdade, acompanhado pelo escrivão da uni- 
versidade e por três bedéis, se apresentou em Sainte Barbe para fazer o processo 
verbal. Pediu ao chefe da casa noticias do reitor; a resposta foi que o reitor se 
tinha ausentado havia mais de quinze dias, e que desde então não tinha tornado 
a appareeer. Inqueriu depois a respeito do que se tinha feito dos objectos per- 
tencentes á universidade, que o reitor guardava na sua casa como deposito. 
André de Gouveia declarou ter Kopp levado o sêllo, mas que tinham encontrado 
no seu quarto o registo das inscripções dos mestres em artes e uma enfiada de 
chaves. Acrescentou que alguém o tivera vindo procurar na ante- véspera e tinha 
depositado em suas mãos, da parte do mesmo Kopp, tresentas libras e três 
dinheiros, representando o estado da caixa académica no momento da sua des- 
apparição. 

«Dinheiro, chaves e registo foram entregues ao eommissario, que passou o 
competente recibo, e segundo a relação lançada no registo da universidade i, tudo 
se limitou a estas palavras, tanto estudo houve em excluir de uma redacção 
oíficial os desenvolvimentos que podessem causar desgosto ao honrado Gouveia. 

«Este incidente não aíFectou mais a reputação de Sainte Barbe do que a de 
seu director. Como a heresia estava já nas famílias, havia bem poucos collegios 
nos quaes ella não houvesse já penetrado, e a faculdade das artes não se assus- 
tava muito, não obstante as gritarias incessantes que um tal proceder fazia soltar 
aos theologos. A Sorbonne teria querido que se esgotassem os meios de rigor; 
o corpo docente illudia o mais que podia propostas d'este género. O mais urgente, 
no pensar d'este, era favorecer o progresso dos bons estudos, no que elle via a 
salvação do futuro. Ora, por este lado, o nosso collegio attrahia a si todos os 
suífragios. 

«É certo que Sainte Barbe sobresaía então, sem contestação, a todo o grupo 
de estabelecimentos em cujo meio se achava collocado. A mediocridade em que 
vegetavam os Cholets, Reims e Fortet nos dispensa contal-as. Le Mans apenas 
acabava de nascer; Coqueret, apenas entregue ás discussões intestinas, tinha 
perdido o chefe, por decreto da universidade, ao qual tinha devido sua prospe- 
ridade; um desastre ainda maior acabava de ferir Lisieux. Um principal visioná- 
rio, que queria fazer d'esta casa a escola modelo das línguas, em concorrência 
com o collegio real, que tinha já estabelecido algumas cadeiras de grego e de 
hebraico, que se propunha a estabelecer ainda outras para o ensino do chaldaico 
e do árabe 2, unicamente occupado por taes pensamentos, tinha deixado ir a 
administração por agua abaixo e tomado a liberdade de vender algumas proprie- 



Archivos (la universidade, registo 13, cora data de 16 de dezembro de 1533. 

Epilogo das MedKationes graecanicae in artem grammalicam autore Nic. Clenardo. Paris, 1531. 



114 QU 

dades do seu collegio, com o lim de acudir ás despezas, e por íim linha-se visto 
obrigado a fugira 

«Montaigu, modelo de bom governo e regorgitando sempre de alumnos, 
tinha decaído, comtudo.. na opinião, por causa do seu apego ás cousas velhas. 
Foi por isto que se tinha deixado íicyr a distancia do seu rival. Emquanlo á 
mocidade que detestava os capettos, foi uma alegria publicai -o, mormente quando 
o governo de Sainte Barbe foi entregue nas mãos de António de Gouveia, mais 
approximado d'ella por sua idade, embebido de todas idéas generosas do seu 
século, e no qual não se sabia a que dar a preferencia, se ao caracter, se ao 
talento. 

«Mais de uma vez, sem duvida, a poesia das classes foi empregada a pintar 
o contraste dos dois impérios separados pela largura de uma rua; aqui, voltada 
para o meio dia, e inundada de luz, uma Athenas que florescia debaixo das leis 
de um nobre íilho familia, provido de todos os géneros de humanidade ; acolá, 
balida incessantemente pelo Aquilão, uma Sparta doentia e retrograda, cujos dois 
soberanos não excitavam cá por fora mais do que a repulsa e a mofa; Noel 
Baide, o doutor corcunda, enfadonho, sempre prompto a zangar-se e a gritar: 
«anathemal»; Pedro Tempête, o grande castigador dos estudantes 2, que tomava 
por tarefa justificar seu nome pelo barulho da palmatória. 

«A sympathia do maior numero dos professores para com Sainte Barbe 
mostra-se pela honra tão rara que lhe coube em 1533, de fornecer dois reitores 
consecutivos á universidade. Quando Nicolau Kopp foi eleito, recebeu as insignias 
das mãos de André de Gouveia, o qual acabava de fazer uso d'ellas antes d'elle3. 

«A brisa do favor continuou a soprar em 1534. Quatro mezes depois da fuga 
de Nicolau Kopp, foi ainda um regente do nosso collegio, a quem os eleitores 
(intrants) proclamaram na igreja de S. Julião, o pobre. 

«Era este ultimo António de Mery, estudante de medicina, já chegado ao 
grau de licenciado. Fez-se conhecer por um compendio de therapeutica de Ga- 
leno, que elle entregou aos prelos de Simão de Colines durante a sua magis- 
tratura'*. 

«OíTereceu, na dedicatória, esta obra, ao embaixador de Portugal, D. Fer- 
nandes Buy de Almada, navegante distincto, o qual vinha de pacificar .por meio 
de uma feliz negociação, graves discórdias sobrevindas entre as duas coroas. Este 
grande personagem honrava com suas visitas os Gouveias e o collegio, no qual 
tinha numerosos protegidos. 

«Tendo alguns estudantes portuguezes sido obrigados a sair de Paris por 
causa da miséria, elle para alli os tornou a mandar á sua custa, e estabeleceu 
para elles bolsas que se addicionaram ao numero d'aquellas que o thesouro real 
pagava já. Durante todo o tempo que se conservou em Paris procedeu de modo 



' Voullé, Epigrammala, liv. i, pag. 71 c 87, in Tarterium : Ephlola preliminar de ílubert Sussa- 
naeus a Georges de Combes, no principio da obra intitulada : Alexandri quanlilates cmendal<ie a S\ma- 
naco, quibus tampauca sunt detracla ut aucloris vetus fácies agnosci pomit. Paris, 1539. 

« Rabelais, liv. iv, cap. xxt. 

* Duboulay, Histoire universelle, tomo vi, pag. 238. 

* Perioche septem lihrornm primorum melhodi Galcni cum quibusdam Itim ah eodem lum aliis au- 
thoribus tradtictis (ul vocant) receptionibus, per Antonium de Mery, mcdicum. In-i6, Paris, i83t, com 
uma epistola dedicatória datada: Ex aedibus Barbaranis nostri vero rectoralus parisiensis mense terlio. 



QU 



115 



qiie seu comportamento fosse a expressão dos sentimentos do seu soberano para 
com as letras e os litteratos. Viram-no certo dia acompanhar elle mesmo um 
licenciado portuguez, que ia buscar o barrete de doutor a Nôtre Dame^. 

«Voltemos, porém, a André de Gouveia. 

«Sua regência académica, tendo sido tão pacifica quanto a do seu anteces- 
sor foi agitada; não deixou, para assim dizermos, vesligios nos documentos. Foi 
a continuação da obra de Diogo de Gouveia por um homem que era capaz de 
ainda aperfeiçoal-a. 

«^^unca a disciplina foi mais religiosamente observada, nem o pessoal do- 
cente mais completo. Com Marcial, António e Diogo de Gouveia, o moço, com 
Teive e Belliago, a constellação portugueza brilhava com todo o seu esplendor; 
Strebeo continuava a formar os rhetoricos ; pelos cuidados do joven principal, 
um d'esses cursos extraordinários, em que todas as novidades se podiam produ- 
zir, coube a um mestre que occupava todas as trombetas da fama; queremos 
fallar de Bartholomeu Latonus. 

"Latomus, ou Mauer, ou iVIemaçon, natural de Luxemburgo, era um amigo 
de Erasmo, e um representante da philosophia allemã. Formado nas universida- 
des das margens do Rheno, não conheceu jamais a scolastica, senão pelo desprezo 
que lhe davam seus mestres 2. A exemplo d'este, as idéas de Platão se entrelaça- 
vam n'elle com as de Aristóteles; porém nas suas meditações tinham-se appli- 
cado principalmente á composição litteraria, e era um d'aquelles que limitavam 
a dialéctica ao estudo dos processos empregados pelos grandes mestres na arte 
de escrever. João Sturn e elle trouxeram á França o tratado de Rodolpho Agri- 
cola. De inventione dialéctica, que era o livro fundamental d'esta doutrina. Foram 
acolhidos como os apóstolos do evangelho, dos quaes Jacques Lefèvre não tinlia 
sido mais do que o precursor. 

«Por mais que os theologos denunciavam como am symptoma de pestilência 
o abandono de Aristóteles por Agrícola^, aeceitaram a nova dialéctica com uma 
predilecção sem igual, e o terreno da philosophia foi invadido pela rhetorica. 

«Deu isto origem, em 1534, a uma revolução na faculdade das artes. Os 
professores de humanidades, e os de grammatica atraz d'estes, exigiram que os 
fizessem sair da inferioridade aviltante, na qual os estatutos universitários os 
tinham conservado até enlão a respeito de seus collegas, os philosophos. 

«Com effeito, ao passo que estes, depois de cinco annos de exercício (eis a 
que se dava o nome de quinquennitimjj podiam aspirar aos benefícios que a 
igreja reservava para os que se entregavam ás letras, de regentes das outras 
classes, no tempo da velhice nada mais podiam fazer do que entrar como per- 
ceptores nas casas ricas ou trabalharem nas lypographias. 

«A universidade não oppoz resistência. Inscreveu os grammaticos e os rhe- 
toricos entre os candidatos aos benefícios, declarando que as cousas que elles 
ensinavam deviam ser reputadas como artes liberaes, debaixo do mesmo titulo 
que os diversos ramos da philosophia 4. 



' Lpilão Ferreira, Noticias chronologicas da universidade de Coimbra, n.° í:187. 

* Goujcl, Mémoires sur le collhje royal, parte ii, pag. ii6. 
■'' Dubonlay, Hístoirc tmiverselle, tomo vi, pag. 235. 

* Duboulay, Jlistoire universelle, tomo vi, pag. 251. 



"6 QU 

«Latomus assignalou sua entrada em Sainte Barbe, pela impressão de um 
resumo de Agrícola. Foi o presente que oífereceú a André de Gouveia, para lhe 
agradecer a hospitalidade que recebia em sua casa, e ao mesmo tempo um instru- 
mento de trabalho para apressar os progressos de seus discípulos ^. Foram estes 
mui numerosos; vieram-nos ouvir de todos os collegios, e talvez contasse Ramus 
entre os seus ouvintes. 

«Pedro Ramus, creado de um gentil homem que estudava no collegio de 
Navarra, fez seu curso de philosophia de 1531 a 1534. Lê-se na interessante 
historia da sua vida, escripta recentemente por D. Waddington^, que, emquanto 
se estava preparando para seus exames de licenciado, ia mui frequentemente a 
Sainte Barbe, com o íim de assistir ás lições de João Penna, o mestre com quem 
Santo Ignacio aprendeu philosophia. 

«M. Waddington certamente peccou por excesso de confiança, acceitando 
sem verificação, emquanto ás visitas de Ramus a Sainte Barbe, o testemunho do 
abbade Goujet, pois a única base d'este para aíTirmar o facto é um contrasenso 
commettido por elle sobre o texto do auctor a este propósito **. 

«É de receiar que M. Waddington tenha ainda peccado por temeridade de 
inducção, estabelecendo por sua alta recreação entre Ramus e João Penna um 
commercio que nunca podia existir, pois João Penna seguia a doutrina de Aris- 
tóteles, da qual Ramus estava a ponto de se declarar publicamente adversário, 
não esperando, para isso, mais do que a occasião do exame. Assim, á primeira 
vista, nada ficaria da anecdota introduzida em a nova vida de Ramus. Gomtudo 
é permittido conserval-a, se lhe substituirmos o nome de Bartholomeu Latomus 
pelo de João Penna. 

««Emquanto Ramus viveu, gloriou-se de proceder conforme Sturn e Lato- 
mus, relativamente ao methodo de analyse que elle applicava aos auctores da 
antiguidade 'í. Este methodo era-lhe já familiar antes de ter obtido seus graus. 
Não ha motivo, á vista d'isto, para conjecturar que, emquanto a nova dialéctica 
foi professada em o nosso collegio, Ramus, para vir ouvil-o, se subtrahiu a maior 
parte das vezes que pôde ás lições exclusivamente aristotélicas de Navarro? 

«O curso do professor allemão deu mais brado do que se teria desejado em 
Sainte Barbe. Attrahiu a atlenção de Francisco I, e decidiu este Príncipe a fazer 
uma cousa, diante da qual tinha recuado até então. O collegio de França funceio- 
nava desde 1530, não consistindo ainda senão em duas cadeiras, uma de hebraico 
e a outra de grego. Budes instava com o Rei para que ajuntasse a este ensino o 
de latim; mas o Rei objectava as queixas que os principaes não deixariam de 
levantar contra uma extensão, na qual haviam de ver uma concorrência funesta 
para o exercio dos collegios. 



' Epitome commentariorum dialecticae inventionis Rodolphi Agricelae, per Barlholomaetim Lalo- 
mum arlanensem, com uma epistola dedicatória a António de Gouveia, datada do 16 de setembro de 
1533. 

» Riimus, su vida y escriptos, pag. 21. In-8.* Paris, Meyrueis, 1S55. 

" Goujet cita o discurso pronunciado em Santa Carbara no anno de 1557, por Legcr Duchesne, 
que nomeia somente entre os estudantes celebres do collegio, a António de Gouveia, adversário de 
Ramus: Antomus GoveaniíS, de cujus incredibili doctrina nemo dubitat, qid illius festiva epigrammata, 
argulum conclusionum libram, acutam in P. Ramum dispnlationem graves ín jus civile commentarios 
viderit. 

* Petri Rami vita a Nicolauo Nancellio. Paris, 1599. 



QU 



117 



«Finalmente a cadeira de latim foi creada a favor de Latomus. As gritarias 
excederam tudo quanto se tinha calculado; mas Latomus nem por isso deixou 
de íicar sendo professor régio, e retribuído pelo thesouro. Reuniu em volta de 
si ainda mais ouvintes do que linha reunido quando esteve a serviço de Gouveia ^ 

«A retirada de Streheo para junto do bispo de Lisieux, occorreu pelo mesmo 
tempo que a de Latomus, de sorte que foi como uma conspiração dos grandes 
para arrebatarem á universidade os individuos que faziam o orgulho d'ella. Uma 
recordação amarga se associou com o anno que viu tirar estas duas bellas colum- 
nas do templo académico: Strebeo e Latomus; testemunhas, esses dois versos 
introduzidos vinte e cinco annos mais tarde no elogio fúnebre de Pierre Galland : 

Et dum mutarent académica tecta, remotis 
Strebaei et Latomi non bene cardinibus^. 

«Os adeuses de António de Gouveia a Sainte Barbe seguiram de perto os de 
seus iliustres collaboradores. Resignou o governo no qual seu tio o tinha inves- 
tido, para acceitar propostas que lhe foram trazidas de Bordeaux. 



»CAPirULO XXIÍI.— Os collegios de Guyenna cm Bordeaux e das Artes em Coimbra.— Nova ordem de 
estudos. 

«Não é sair do nosso assumpto o seguir os barbistas nas colónias que fun- 
daram ao longe, e onde levaram as instituições da mãe pátria. 

«Havia um século que a cidade de Bordéus possuia nos seus archivos o 
alvará para uma universidade, que não tinha ainda conseguido estabelecer, quando 
o consulado pelo qual aquella era administrada, em 1534, pediu a André de 
Gouveia que viesse ajudal-o em uma empreza, que os progressos das luzes não 
permittiam que se adiasse por mais tempo. Tratava-se de fundar ura collegio 
único, acima do qual funccionariam uma escola de direito civil e uma escola de 
medicina. Um mau collegio municipal, ao qual davam o nome de collegio de 
Guyenna, existia já em Bordéus. Nunca tinham podido resolver as familias con- 
sideráveis da terra a mandar a elle seus filhos. 

«Mui recentemente, um certo Tartesius ou Tartois, que não é outro senão 
esse grande propagador dos estudos das linguas, que vimos trabalhar tão desas- 
tradamente em Lisieux, tinha-se vindo offerecer como devendo pôr n'um abrir e 
fechar de olhos o collegio de Guyenna acima de todos os outros, e nada mais 
tinha conseguido do que sossobrar em um novo naufrágio. É este pobre estabe- 
lecimento que tinha de fornecer á fundação projectada, seu nome e casas, que se 
augmentariam com as vizinhas. André de Gouveia teria a direcção : e para alli 
havia de levar mestres de sua escolha. A cidade encarregava -se de todas as des- 



' Goujet, Mémoires sur le collèrjc royaly parle i, pag. 28. Duboulay, Ilistoire universelk, tomo vi, 
pag. 2U. 

* Ode ad Guillelmum Gallandium, tjymnasiarcham becodianum, anctore Cláudio Roilleto Belnensi, 
cui accessit ejusdem de obiti P. GcUlandii, latinarum litterarum regii professoris, secunda edilione aucta 
et recognila elegia. Paris, 1559. 



íf8 QU 

pezas, e estabelecia para o pessoal docente ordenados capazes de attrahirem os 
homens de merecimento^. 

«André de Gouveia só tomou conselhos do seu amigo Gélida; decidiu-se 
promptamente, e entrou a trabalhar para formar o seu contingente de professores 2. 

«O primeiro que poz na lista foi Mathurin Cordier, recentemente chegado 
de Nevers a Paris. Deu-lhe para col legas a João Binet, Cláudio Boudin, Diogo 
de Teive, Nicolau de Grouchy, Guilherme de Guerente e vários outros que se não 
conhecem. 

«Disse-se no seu logar que Teive foi educado em Sainte Barbe; Grouchy e 
Guerente por alli tinham passado, quer como estudantes, quer como professores; 
ambos normandos e genlis-homens, ambos unidos por uma amizade exemplar, 
da qual a communidade de talento formava o primeiro élo : Guerente, huma- 
nista ; Grouchy, philosopho e antiquário. Seus nomes andam como inseparáveis 
em todos os livros nos quaes se trata d'elles3. 

«O collegio de Guyenna participa ainda com Sainte Barbe da honra de ter 
possuído Gélida e Buchanan ; mas tanto um como outro só mais tarde se junta- 
ram á colónia, o primeiro por causa de questões que o obrigaram a deixar o 
collegio do cardeal Lemoine, do qual tinha chegado a ser principal; o segundo 
fugindo á cólera do primaz da Escossia, a quem elle tinha oíTendido ''. 

f<0 bom êxito do novo estabelecimento não sé fez esperar. Desde o primeiro 
anno o numero dos alumnos foi considerável, e com o andar dos tempos não fez 
mais do que augmentar, á medida que se foram deshabituando de enviar a moci- 
dade bordeleza a aprender o latim, quer em Bourges, quer em Poiliers ou Tou- 
louse. Nomes que ficaram sendo immortaes não tardaram em figurar sobre a 
lista dos discípulos formados pelos nossos professores barbistas: Montaigne, La 
Boetie, Joseph Scaligero, e Diogo Mendes de Vasconeellos, que lhes foi levado 
de Portugal pelo bispo de Vizeu \ 

«Difficuldades foram suscitadas, todavia, por aquelles aos quaes offusca qual- 
quer empreza que tem bom resultado. Censuraram, como uma cousa incompatível 
com o interesse publico, a independência excessivamente grande deixada á admi- 
nistração do collegio, e com o concurso dos empregados fcommisj da cidade, 
que estavam afiQictos por não terem maior ingerência n'esta parte do serviço, 
esforçaram-se por provocar uma reforma, espalhando o boato de que a reforma 
estava decidida. 

«Assustaram- se os professores a tal ponto, que alguns se dispunham já a 
abandonar o logar, quando o parlamento, instruído do que se passava, os mandou 
vir á sua presença, achando-se André de Gouveia á frente d'elles. O primeiro 
presidente, fallando em nome da sua companhia e do consulado, lhes deu agVa- 
decimentos em termos magníficos pelos serviços que diariamente estavam pres- 
tando á cidade ; exhortou-os a perseverarem, tranquillisou-os acerca da sua situa- 



' De Lourbe, De scholis litlerariis omuiuin gentiuin; Voullc, Epigrammata, liv. 1, pag. 71 ; Víiiel, 
Schola aijiiitanica. 

' Jjusinus, Vita J. Gclidac; lioberli Brilanni Alrehatis einstolarum libri duo, II. 29. 

* De Lurbc, Chi tniqne bordeiam ; Montaigne, Essais, loino i, caj). xxv; de 'lUou, Uisloire univer- 
selle, lomo iii, pag. 419. 

* Businus, Vila J. Gelidae; Biiclianan, De vita sua. 

■* Diogo Barbosa, Dibíiotheca tusilana, tomo i, pag. 675. 



QU 



119 



ção, mostrou- lhes a futilidade das conversas com as quaes se tinham prematura- 
mente assustado, e por fim mandou-os para seus trabalhos, declarando-lhes que 
a camará os tomava de ora avante debaixo da sua protecção especial i. 

«Em outra occasião procurou a malevolencia comprometter o collegio por 
meio de pasquins, que foram aílixados pelas ruas, depois da execução do pri- 
meiro protestante, a quem suppliciaram em Bordéus. Todos os estudantes de 
uma camarata foram lançados na prisão, por este facto, mas, depois de tomadas 
informações, tudo se reduziu a simples suspeitas contra a pessoa de um creado. 
O pobre diabo foi entregue ás mãos de Gouveia para receber o castigo da sala-, 

«Mas, é menos a historia do collegio de Guyenne que nos convém expor 
aqui, do que o quadro do seu regimen interior, pois ver-se-ha que a pedagogia 
tinha feito progressos n'um quarto de século, e ter-se-ha a imagem dos regula- 
mentos que estavam em vigor em Sainte Barbe; imagem aperfeiçoada, é verdade, 
tendo podido ser eirectuados alguns melhoramentos, aos quaes se oppunha a força 
das tradições universitárias sobre esta terra virgem do bordelez'. 

«Applicou-se André de Gouveia a pôr em pratica a doutrina dos humanistas, 
os quaes queriam que os jovens espíritos fossem familiarisados com as formas 
oratórias do pensamento, antes do que exercitados na investigação de sua natu- 
reza. Reduzia a dois annos o curso de philosophia, o qual era de três em Paris, 
e baniu dos estudos litterariõs todo o exercício' preparatório sobre a lógica. 

«Empregou depois uma solicitude, que não poderíamos louvar demais, em 
que todos os estudantes de cada uma das classes tirassem proveito das solicitudes 
do professor. Eis porque augmentou o numero das classes denominadas de 
grammatica, elevando-as de dez a doze, e quiz que em todas as classes, particu- 
larmente nas baixas, houvesse algumas secções em que os estudantes, repartidos 
segundo sua força respectiva, fossem submettidos a exercícios graduados. Fez- se 
isto sem alongar o tempo dos estudos, havendo exames contínuos no decurso do 
anno para comprovarem os progressos feitos, e para fazerem passar os alumnos 
de uma secção ou de uma classe para a secção ou para a classe superior. 

«As classes, como em Paris, eram comparáveis com as legiões romanas, e os 
que as compunham, designados, assim como antigamente os legionários, por seu 
adjectivo ordinal, desde os primários^ os quaes correspondiam aos rhetorieos 
actuaes, até aos decumanos, ou principiantes. As duas classes addicionadas por 
Gouveia, formaram subdivisões da sétima e da sexta; os estudantes, segundo o 
que elles aprendiam em uma ou em outra subdivisão, ajuntaram á sua denomina- 
ção ordinária o epilheto majores ou maiores. 

«Reinavam a ordem e o aceio nas salas destinadas para as lições. Os meni- 
nos já se não rolavam no pó do ladrilho ; estavam sentados em banquinhos cui- 
dadosamente alinhados. A nona e a oitava, incomparavelmente mais frequentadas 
do que as outras classes, porque davam n'ella a instrueção elementar sufficiente 
ao maior numero, estavam dispostas em amphitheatro, e os banquinhos separados 
cm dez secções sobre onze estrados successivos. 



' Carla do Roberto Breton a Gélida, foi. 37. 

- Theodorc de Bèze, Ilistoire des Églises du royaume de France, tomo i, pag. 28. 
' Quanto se segue é cxtraclado do regulamento de André de Gouveia, impresso em Bordeaux, 
debaixo do titulo de: Schola aqiiitanica, in-12, com um prefacio de Elias Vinel, datado de 1583. 



120 QU 

«Tres vezes no dia, segundo o antigo uso, o som da campainha trazia os 
estudantes á presença de seus professores; mas as horas eram mudadas. A classe 
curta, reunia-se ás 12, depois do jantar; as duas classes de duas horas tinham 
logar : de manhã, ás 8 horas, e de tarde ás 3. 

«A classe do meio dia era para a exposição dos principios; as da manhã e 
da tarde para a explicação dos auctores. Tudo isto se dava em pequena dose. A 
partir da oitava, copiavam os alumnos algumas linhas de um auctor, ou uma 
regra do rudimento, as quaes deviam servir de texto á lição, e o que elles tinham 
copiado eram obrigados a sabel-o de cór. Um d*elles recitava o primeiro membro 
da passagem transcripta, um outro fazia a paraphrase d'elle em latim, um ter- 
ceiro traduzia palavra por palavra para francez, e assim por diante. O mestre 
introduzia a pouco e pouco as observações que julgava convenientes, e depois 
entregava-se por fim a um género de interrogação, o mais útil possivel, alterando 
de todos os modos o pensamento do auctor explicado, e perguntando o que 
queria dizer n'este ou n'aquelle caso. Os meninos aprendiam por este meio a 
propriedade dos termos, ao mesmo terppo que se familiarisavam com as regras 
de grammatica, e com os recursos da syntaxe. 

«Emquanto ao gothico processo das disputas, já se não conservava senão 
como exercicio da memoria nas classes de grammatica, sendo reservado somente 
uma meia hora depois da classe da manhã para qUe os estudantes, sem deixarem 
seus logares, se interrogassem mutuamente acerca d'aquillo que acabavam de 
ouvir. 

«O tempo que lhes sobrava, depois do cumprimento dos deveres de cada 
dia, empregavam-no em compor themas ou versos latinos, acerca de matérias 
dictadas pelo mestre, e levavam copias que eram tiradas publicamente. 

«As classes do sabbado eram empregadas na recitação geral de tudo quanto 
se tinha aprendido durante a semana. As disputas d'este dia eram mais longas, 
e estabelecidas sobre um outro pé. Consistiam n'um verdadeiro exame, pelo qual 
seis estudantes de cada classe, cada um por sua vez, eram examinados por outros 
seis estudantes da classe superior; assim os primani eram juizes dos secundam, 
os secundam dos tertiani, etc. A prova consistia em composições, cujo assumpto 
era deixado á escolha dos auctores. Faziam copias em grossos caracteres, os 
quaes se fixavam á entrada de cada classe. Os examinadores liam, faziam em 
voz alta suas observações, discutiam as objecções de quem lh'as queria apresentar, 
e classificavam, finalmente, por ordem de merecimento, as seis copias, das quaes 
não declaravam os auctores senão depois da sentença dada. 

«Esta parte que a mocidade tomava no ensino não existia senão a partir da 
oitava. Nas duas classes inferiores o professor fazia tudo, exceptuando o dos de- 
cumonos, o qual delegava aos mais fortes de seus triarios o cuidado de ensina- 
rem suas letras aos novos, que as não sabiam. Toda a parle do programma rela- 
tiva á instrucção elementar foi escripta, sendo dictada pelo bom Cordier, que 
n'ella fez passar a ternura do seu coração para com a joven idade. Enconlram-se 
n'ella minuciosidades encantadoras, como, por exemplo, a tolerância recommen- 
dada ao mestre. 

«Cicero, Terêncio e o rudimento de Despauterio, eram a base do ensino do 
latim. Na quinta começavam a compor versos, e a explicação de Ovidio era 
addicionada á dos prosadores. Só começavam com Virgílio na segunda e com 
Horácio na primeira. Os preceitos da rhetorica eram expostos desde a terceira. 



QU 



121 



A classe do meio dia, na segunda e na primeira, era consagrada ao estudo da 
historia, em conformidade com Justino e Tito Lívio. Havia, alem d'isto, para os 
primários, concursos de declamação, que tinham logar aos domingos, na grande 
sala, perante todas as classes reunidas. 

«Foi para estes exercícios que Buchanan escreveu suas tragedias S. João 
Baptista e Alcestes, sendo esta ultima traduzida de Euripides. 

«Guerente e Muret, que se estrearam em Bordéus no anno de 1543, traba- 
lharam, também, para o mesmo reportório. Aquelles dos discípulos que recitavam 
melhor eram escolhidos para representarem a peça com o apparato Iheatral, 
perante o publico convidado. Montaigne louva muito este divertimento. 

«Cinco classes superiores, das quaes o aceesso está franco aos ouvintes 
externos, representavam ao mesmo tempo no collegio de Guyenne, o duplo curso 
de phílosophia e as lições extraordinárias de Sainte Barbe. 

«Eram, primeiramente, os dois annos de phílosophia, cujos discípulos se 
distinguiam pelos nomes de dialectici e physici. Os exercícios estavam aqui regu- 
lados como nas classes de grammatica, exceptuando que os argumentos duravam 
duas horas. Cada anno teve seu professor, contrario ao uso de Paris, segundo o 
qual um só regente era encarregado de toda a instrucção philosophica de uma 
mesma promoção de estudantes. 

«Emquanto Gouveia foi principal em Bordéus, a cadeira de dialéctica foi 
orcupada por Nicolau Grouchy. Este sábio mandou imprimir um resumo de suas 
lições, que Elias Vinet considerava como obra prima n'este género. Eram as 
Praeceptiones dialecticae. 

«Duas outras cadeiras, uma para o grego e outra para as mathematicas, es- 
tavam estabelecidas em condições inteiramente diíferentes. Davam todos os dias 
alli uma lição de uma hora, no intervallo que mediava entre a classe do meio dia 
e a da tarde. Todos os estudantes de grammatica, desde a quinta, eram obrigados 
a frequentar o curso de grego. A assistência ao de mathematicas era obrigatória 
somente para os secundam^ primários e philosophos. Como o curso de nialhe- 
matieas durava dois annos, d'aqui resultava a obrigação de que, quando chega- 
vam ao fim de seus estudos, o tinham frequentado duas vezes. Emquanto ao de 
grego, o professor, por causa da composição do seu auditório, o tornava a come- 
çar todos os annos, de modo que repisavam cinco annos a seguir a mesma cousa. 
Alem d'isto, nenhum trabalho eífectivo sendo exigido, o resultado d'estas lições 
era para o maior numero o terem de confessar ao sair d<rcollegio que «emquanto 
ao grego quasi que não percebiam palavra». 

«Eis a confissão que fez Montaigne i depois de ter recebido este defeituoso 
ensino; mas o methodo parisiense era tal, e tão enraizado nos espíritos, que, até 
ao fim do século foi impossível fazer n'elle alguma alteração, mesmo depois que 
Hamus, pondo o estudo do grego na mesma altura que o latim, no collegio de 
Presles, fez a experiência a mais feliz e a mais decisiva 2. 

«O quinto curso publico instituído no collegio de Guyenna consistia em uma 
lição de tlieologia, que linha logar no primeiro domingo de cada mez. Foi uma 
fundação devida ao tão bom, Ião virtuoso, tão douto e tão equitalivo presidente, 



' Eísais, liv. I, cap. xxv. 
' Nanccl, Pelri Rami vita. 



122 



QU 



Briand de Vallée, senhor do Douhet^ quando ainda nSo era mais do que conse- 
lheiro no parlamento de Bordéus. 

«A ordem dos esludos estabelecida, como acabámos de ver, repousava sobre 
uma excellente disciplina, a qual tinha por base a unidade do governo. 

«André de Gouveia foi um verdadeiro monarcha no seu reino, e um monar- 
cha segundo o ideal da idade media, isto é, que governava com a assistência dos 
seus pares. Tinha como taes todos seus professores, nada tinha de escondido 
para elles, nem queria que elles tivessem menos franqueza para com elle. Com o 
fim de que não enfeudassem seus discípulos respectivos, investiu cada um d'elles 
com o mesmo direito de inspecção e de correcção sobre todas as partes do col- 
legio, e esla igualdade manteve-a elle por sua attenção em os tratar a todos com 
a mesma delicadeza, e a não reconhecer entre elles nem primeiro nem ultimo, a 
representar em seus discursos o professorado como um sacerdócio, cujo caracter 
em nada era mudado, qualquer que fosse o objecto ou o grau do ensino. Por um 
outro lado anniquilou a importância dos pedagogos ou perceptores dos discípulos 
em particular. Prohibiu-lhes que ensinassem por outros livros que não fossem os 
das classes, que dessem themas particulares e até mesmo que se servissem das 
vergastas. Eram apenas superintendentes obrigados a obedecerem em tudo, quer 
ao mestre, quer ao principal 2. 

«Tal é a constituição que fez do collegio de Guyenna, um dos mais flores- 
centes e o melhor collegio da França. 

«No mais bello momento d'esta prosperidade, André de Gouveia foi desviado 
da sua obra pelas instancias de um solicitador do qual foi impossível ver- se 
livre. 

«A universidade de Coimbra, transferida para Lisboa desde 1377, tinha sido, 
havia pouco, restabelecida no logar da sua fundação. O Rei D. João III quiz que 
d'esta deslocação datasse para o seu reino uma era nova, e que Portugal se 
mostrasse emfim capaz de marchar a par, no ensino, com os outros estados da 
Europa. 

"Empregou-se n'isto como n'um dos cuidados mais essenciaes do seu governo. 
Dizem que obrigava a que lhe dessem conta dos trabalhos dos collegios, e que 
conhecia pelos seus nomes sendo dotado de uma rara memoria, a todos os estu- 
dantes que alli estudavam 3. Todavia, nem esta solicitude, nem a dedicação com 
a qual o serviam tantos professores formados pela sua munificência nas univer- 
sidades estrangeiras, lhe tinham podido ainda dar uma Sainte Barbe, ou um 
collegio de Guyenne. Eis porque mandou fazer propostas e escreveu elle mesmo 
para Bordéus, com o fim de obter de André de Gouveia que viesse para Coimbra, 
com o fim de n'esta cidade estabelecer uma casa que fosse digna filha da escola 
bordeleza. O Rei não tencionava arrancar seu vassallo a uma cidade, da qual elle 
era o ornamento; depois do primeiro impulso dado, Gouveia ficaria livre para 
regressar á sua pátria adoptiva. 

«O maire e os jurados de Bordéus, tendo concedido ao seu principal uma 
licença de dois annos, conferiu este a Gélida o cuidado de o substituir durante 



' Rabelais, liv. iv, c.ip. xxlvii. 

' Monl.ai>;ne, Essais, liv. i, cap. xxv. 

* Diogo barboía, Bibliotheca lusitana, lomo 11, pag. 569. 



QU 



123 



sua ausência, e poz-se a caminho para Portugal. Levava comsigo a Grouchy e 
Guerente, Teive e um oulro porluguez chamado Mendes, Arnoul Fabrício de 
Bazas, Elias Vinet e George Duchanan, que' tinha regressado, depois de uma 
ausência, na companhia de Patrix Buchanan, seu irmão ^ 

«Gouveia poz em actividade o celebre collegio das artes, mas não teve tempo 
de o ver prosperar. Succumbiu a uma doença a 9 de junho de 15i8, menos de 
um anno depois da sua chegada a Coimbra. Antes de expirar exprimiu os dese- 
jos, postos em execução logo depois, de que Diogo de Teive lhe succedesse em 
Coimbra, e Gélida em Bordéus. Gravaram no seu tumulo o seguinte epitaphio, 
inspirado pelo de Viigilio: 

JuLiA Fax genuit, bapuit Conimbrica corpus, 

EXCOLUIT MENTEM GalLIA, OlYMPUS HABET. 2 

«Sua morte foi o preludio de toda a sorte de desgraças, que vieram a cair 
como a saraiva sobre seus companheiros. 

tPrimeiramente Georges Buchanan foi lançado na prisão por causa de uma 
satyra contra os franciscanos, a qual tinha elle escripto na Escossia. Solto pouco 
depois, apesar dos esforços dos seus inimigos, julgou que não tinha mais socego 
a esperar, e embarcou para Inglaterra na primeira occasião^. 

«Emquanto a Grouchy, tendo querido dar aos estudantes de Coimbra uma 
edição latina de Aristóteles, tomou para base da sua traducção a que o benedi- 
ctino Joachim Périou tinha publicado alguns annos antes. Era uma obra muilo 
bem escripta, mas defeiada por numerosos còntrasensos, os quaes Grouchy cor- 
rigiu. Um exemplar da edição portugueza caiu nas mãos de Vascosan, o qual 
propoz a Grouchy que reimprimisse aparte a Lógica. O volume appareceu com 
o titulo de: Lógica de Aristóteles, traduzida por alguns sábios. 

«Havia á frente um prefacio enviado por Guerente, no qual se fazia toda a 
justiça ao talento de Périon ; mas como os auctores não estavam dispostos em 
concordarem que se enganaram, mesmo quando os louvam n'aquillo que fizeram 
bem, Périon zangou-se, gritou por toda a parte que o tinham «barbarisado«, e 
para se vingar abriu contra Grouchy um fogo com folhetos diffamatorios, que 
fizeram grande estrondo em Portugal, estrondo que se prolongou mesmo depois 
do regresso de Grouchy para França'^. 

«Em ultimo logar, Diogo de Gouveia e a maior parte de seus professores, 
atacados em suas doutrinas pelos adversários occultos, foram alvo de denuncias 
que estiveram a ponto de os indispor com o santo oííicio. Não comprehenderam 
a que tendiam tiros taes, senão por uma ordem do Rei, com a qual o provincial 
dos jesuítas se apresentou uma manhã, para tomar posse do collegio das artes. 

«Nosso Simão Rodrigues, tendo tomado um império absoluto sobre o espi- 



' liusinus, Viti Gelidae. 

* Diogo Barbosa, Bibliotheca lusitana, tomo i, pag. Í50. 

' Buch.inan, De vila sua. 

' Joachimi Perionii benedictini Cormariaceni oratio qua Nicotai Groscii caltiviiiias atque injurias 
oslemlit et rcfellit, Paris, Thomas Richard, 1354. Aristotetis lógica ah cruditissimis hominibus conversa, 
(oin um aviso ao leilor por Guerente, e uma poesia do mesmo dada por Tliomas Richard em 1561. 



1Í4 



QU 



rito de D. Jo5o III, arrancou de sua fraqueza essa medida, que foi o primeiro 
passo para submetter a universidade de Coimbra á sociedade de Jesus ^ Sic non 
vobis. 

«Os que tinham vindo de tão longe para dotar Portugal com um de seus 
mais famosos estabelecimentos litterarios, tiveram esta recompensa dos trabalhos 
que tinham tido, e o mais duro para elles foi que receberam taes favores de um 
antigo condiscípulo 1 

«Teive foi enterrar-se em um canonicato, que lhe foi dado para consolação 2. 

«Dos francezes, uns voltaram para Bordéus, outros para Paris. 



«(CAPITULO XXIV. — Principalado de Diogo de Gouveia, o moço.— Turnebo e outros mestres afama- 
dos — A cadeira de rhelorica dividida entre dois professores. — Processo relativo a um estudante 
de pbilosophia fugido. 

• Sainte Barbe, com os Gouveias, era como a arvore com ramo de oiro, 
plantada nas margens do Averno, onde, á medida que arrancavam um, vinha 
immediatamente outro para o substituir. Quando André partiu para Bordéus, 
teve por successor a seu primo Diogo, cognominado O moço, cujo governo em o 
nosso collegio foi mais longo que o d'elle, pois durou sete annos. Foram ectes 
ainda bellos annos, embora a prosperidade não reinasse sem seus desgostos. Mas 
se houve dias nefastos, não cessaram, comtudo, os estudos de ser bons, e as ca- 
deiras de algumas classes foram occupadas por homens de merecimento de pri- 
meira ordem. O ensino de António Pinheiro (Pin) é d'esse tempo. 

«Os nomes de Laberio e de Turnebo formaram com o d'este portuguez uma 
trindade que bastaria para a gloria da administração debaixo da qual elles ensi- 
naram. 

«Henrique Laberio, Lorreno, oriundo de Noncourt, foi um discipulo aífe- 
cluoso de Ravisio Textor, o que parece indicar que estudou em Navarra 3. Os 
doutos do tempo reputaram-no como um dos melhores humanistas. Talento cheio 
de doçura e de graça, foi d'aquelles cuja reputação se estendeu alé pelo mundo 
que não fallava latim: Lutetiae ornamentiim et dulce decus, chama-lhe Léger 
Duchesne. Debaixo d'este titulo attrahiu a atlenção do duque de Longueville, 
que o retirou da universidade para o ter na sua casa'*. Esta mudança de condi- 
ção occorreu quando elle estava em Sainte Barbe, pelo anno de 1540. Apenas 
nos restam d'elle algumas poesias com excellentes versos, disseminadas pelas 
collecrões contemporâneas, uma, entre outras, que elle addieionou ás inscripções 
de Voulié, na edição publicada por Simon Colines^ É um elogio do próprio 



• Compendio histórico da universidade de Coimbra no tempo da invasão dos denominados jesuítas, 
pag. 3, Lisboa. 1771. 

- Diogo Barbosa, Bibliotheca lusitana, tomo t, pag. 7(,2. 

'■^ Ilenrici Labeni Noncuriani quacrimonia de mvrte sni Ravisii Textoris, ad Ludovirum Miletum, 
virum scientia etprobitate spectabilem, hypodidasculum Savarrensem, no principio da Opus epithetorum 
de Ravisius Textor. 

' Lodegarii a Quercu oraliuncula habita Parisiis, in Athaeneo barbarano, 1557. 

' Joan. Vulteii, lihcmi inscriptionum libri duo, 1538. Ha no fim das Xenia, que terminam a 
mesma collecvào, uma outra poesia de Laberio, suljre a morto de Vouité: ad Joanuem Venellum, Me- 
tensem arcliidiaronum. 



QU 



li25 



Voulté, lie onde resulta que este mancebo, caro a loclos os grandes escriplores 
da Renascença, tinha cursado seus estudos em Sainte Barbe : 

Nostrae Vulteius decus palaestrae, 
, Qui in ianugine et ulili Juventa 
Jam sibi cumulavit hoc honoris 
Emblema, ut studio senes adaequet, 
Scribendi in ratione purus, uber; 
Nulla ampulla, labor loboris insons; 
Pro nutu varius, faeetus, asper, 
Doctis mentibus auribusque adhaerens^ 
Ut saxis hedera arborique bacea, etc. 

«Laberio dirige estes endecasyllabos a um de seus discípulos, Honoré Vera- 
cius, a favor do qual mostra desejos de o ver coUocar-se em primeiro logar 
depois de Voulté : 

Tantum hoc te volo, si sequaris ausus, 

Ante te atnbulet hic poeta rarus, 

Sed post te immodicum ordinem relinquas. 

«Exprimindo-se assim acerca do celebre poeta, nada mais fazia Laberio do 
que pagar-lbe em admiração o tributo que d'elle recebia em aíTeieão e em res- 
peito, do que é testemunho um trecho do próprio Voulté, cuja versão aqui vae: 

«Publicou-se um opúsculo diífamatorio, do qual suspeitas que uma passagem 
é dirigida contra ti, Laberio, e tu me fazes passar por auctor d'elle. Seria eu, 
pois, tão privado de senso, e tão aguilhoado pelo desejo de fazer mal, que viesse 
a querer perturbar com miríhas aggressões, perseguir com mofas, e dizer raios e 
coriscos contra aquelle que nenhum motivo de queixa me deu, que não faz mal 
a ninguém, e que é a própria bondade para com todos? Se o crés, Laberio, en- 
ganas-te. Eu quasi nenhum caso faço dos ataques dos maus, e para que eu me 
vingue é mister que tenha sido por longo tempo provocado; tão longe estou de 
começar guerra contra ti. Quer tu queiras, quer não, sou teu amigo» ^ 

"Tanto um como o outro foram arrebatados ás letras por uma morte pre- 
matura. 

«O nome de Adriano de Turnebo é immorredouro. Seus contemporâneos 
tudo admiravam n'elle: o saber, a eloquência, o estylo, o caracter e até mesmo 
a distinceão de maneiras; pois, ao passo que a vida de collega marcava então os 
homens com um sainete inextinguível, não teve elle de pedante mais do que a 
túnica e o gorro. São as expressões que Ronsard folgava de empregar a respeito 
de Buchanan, António de Gouveia e Turnebo 2. 



Bendecasyllabon, liv. iv. 

De Thou, Histoire universelle, tomo v, pag. 100, e lomo vin, pag. 665. 



i2t^ . QU 

«Seu patriotismo tem seu tanto de assombroso, se olharmos á epocha em 
que viveu. Ás offertas magnificas, que recebeu de quasi lodos os governos es- 
trangeiros, preferiu a residência na França, onde, todavia, não saiu de um estado 
próximo da penúria, e onde sua alma terna teve que soffrer tanto, por causa das 
desordens civis, das quaes foi testemunha, chegando isto ao ponto de lhe abreviar 
a vida. 

«Emquanto a talento, teve elle mais do que ninguém, o de restabelecer ao 
seu brilho o pensamento mutilado dos auctores. O que n'este género fez, não 
cansou ainda a admiração dos críticos. 

«Entrou em Sainte Barbe no anno de 1538, com o fim de substituir António 
Pinheiro (Pin), quando este deu de mão ás letras para se entregar á Iheologia. 
Ensinava havia seis annos, e já a restituição dos textos era sua preoccupação 
constante, a ponto que Pedro Ramus o censurava de sacrificar todos os outros 
exercícios áquelle. Porém Ramus nunca poupou as pessoas que lhe desagradavam, 
e Turnebo entrou n'este numero. Dava-lhe o nome de «espirito litterario«, o que 
na boca d'elle era synonymo de intelligencia acanhada. Turnebo, por outro lado, 
fugia de Ramus, a quem elle considerava como nada mais do que um ladrador 
perigoso. Acabaram por se estimarem como deviam fazel-o dois corações tão 
nobres, mas foi depois de longas altercações, ás quaes algumas diatribes arroja- 
das tanto de uma parte como da outra, deram maior brado do que seria conve- 
niente, embora os dois adversários fossem conduzidos, por uma sorte de respeito 
humano, a não se combaterem senão com armas emprestadas. Ramus escreveu 
contra Turnebo, debaixo do nome de Omer Talon, e Turnebo contra Ramus sob 
o de Leger Duchesne. Foi por esta occasião que proferiram contra Turnebo a 
accusação de se entregar com excesso á correcção dos auctores. Eis em que 
termos se exprimia o pretendido Omer Talon : 

«Lembro-te de qual foi o teu ensino em Sainte Barbe, quando eu comecei a 
reger a primeira classe em Dormans. Succedias tu a mestres consummados na 
arte de instruírem a mocidade, a um Diogo Strebeo e a um António Pinheiro. 
Em que passate um anno inteiro? Em marcar variantes e em propor emendas. 
Nunca te aconteceu uma só vez sequer o dictares a menor matéria de discurso, 
nem de epistola, nem de verso; não corrigiste um só thema; de maneira que 
toda a erudição ostentada por ti me fez o eíTeito de cobrir uma bem pequena 
bagagem, e me deu suspeitas de que te abstinhas de tantas parles indispensáveis 
antes por impotência do que por systema. 

«Ha mais. Quiz verificar uma conjectura. Certo dia em que nossos discípu- 
los tinham de argumentar uns com os outros, recommendei a um que te recitasse 
uma poesia feita por elle, na qual eu quiz, para te experimentar, que elle intro- 
duzisse certos erros. Pois é verdade; tu levaste tudo, tu approvaste tudo com 
esse ar desabrido, que te faz assimilar a uma rapariga modesta e acanhada ^» 

«Dar a entender que Turnebo não sabia conhecer os erros contra a prosódia I 
A maledicência não pôde chegar mais longe. Ramus, em uma outra passagem 
também não recuou a ponto de se não fazer o echo da caiumnia : 



' Admonilio Talaei, pag. G09 da collecçílo intitulada : Petri liami et Andomari Talaei collectauae 
praefcUiones, oraliones, epistolae. Paris, 1577. 



QV >27 

«Chega da Itália ou da Allemariha um auctor emendado em dois ou Ires 
legares? Immedialamente tu te lanças por cima d'elle, e compras todos os exem- 
plares. Pouco depois ouve-se dizer, com um grande estrondo de elogios, que 
Turnebo restituiu isto e aquillo; e comludo tiveste cuidado de pôr á vista de 
teus discípulos a edição errada; a edição correcta só está nas tuas mãos^» 

«Eis as aberrações do Ímpeto. Ramus tinha em si sangue liegense. Irritava-se 
facilmente, saltava, como o touro, sobre tudo quanto lhe fazia sombra, e passava 
muitas vezes além das balizas ás quaes pretendia chegar. Comtudo, tinha uma 
sagacidade admirável. Despojando seu juizo d'aquillo que tem de excessivo 
ficará talvez esta opinião, que Turnebo dava um logar excessivo á critica nas 
lições, em que a doutrina deveria occupar o tempo primeiro que tudo. Esto 
grande mestre era antes feito para o ensino superior do que para a regência de 
uma cadeira em um collegio. Viu-se no seu logar no dia em que a morte de 
Tusanus lhe abriu as portas do collegio real. 

«Turnebo teve um amigo intimo, um outro elle mesmo, normando, como 
elle, educado, como elle, no collegio de justiça, e que tinha tomado seus graus 
ao mesmo tempo que elle, para lambem reg^ntar, como elle, nas classes de hu- 
manidades 2; foi Léger Duchesne, o personagem do qual dizíamos ha pouco que 
o nome serviu para cobrir as invectivas do Turnebo contra Ramus. Julgados 
dignos, desde o começo, de exercerem o commando sobre os primarii, os dois 
amigos, por uma associação singular, concordaram em repartirem entre si os 
cuidados da mesma classe 3; um enearregava-se do ensino de manhã, ao passo 
que o outro dava o ensino de tarde. Tinham os seus nomes entre o pessoal do- 
cente do collegio, onde ensinavam como se não tivessem sido mais do que um ; 
e recebiam de seus discípulos a simples retribuição estabelecida para cada regente 
pelos estatutos académicos. 

«Ignorámos se elles hauriram a idéa d'esta alliança na terna affeição que os 
unia, ou então se foram induzidos a elia pela emulação, pois uma fraternidade 
inteiramente igual existiu ao mesmo tempo entre Ramus e Omer Talon. Seja 
como for, a universidade ficou commovida ao ver dois talentos de primeira 
ordem entrelaçarem-se em laços tão apertados e confundirem-se até certo ponto 
para o cumprimento de um mesmo dever. Se o exemplo não teve muitos imita- 
dores, é porque havia poucos homens dispostos a eontentarem-se com tal salário, 
ao qual um só podia aspirar; pelo menos a admiração foi geral. 

«Muito tempo depois de terem as duas sociedades sido desfeitas pela morte 
prematura de Talon, e pela promoção de Turnebo, fallaram d'elles como de um 
rasgo que fazia empallideeer a amizade proverbial de Damão e Pythias, de Har- 
modio e Aristogiton ; fallava-se ainda d'elles, quando os jesuítas adquiriram sua 
reputação como instruidores da mocidade, de sorte que estes padres, que anda- 
davam na pesquiza de boas tradições, julgaram haver n'esta alguma cousa que 



' Admonilio Talaei, pag. 577. 

' Lodeuarii a Quercu oratio fiinebris de Vila et interitu Adriani TurneU, nas obras completas do 
Turn.'ho. 

•^ Edinond Richcr, Apologia pro Senaliisconsiilto advcrsus schohe Lexovcae paranomum (1C02), 
pag. 19. 



1Í8 QU 

aproveitar para utilidade dos estudos, e desde enlâo repartiram nos seus collegios 
o ensino da rhetorica entre dois professores *. A universidade vein a fazer o 
mesmo que os jesuítas, e ainda hoje vemos observar-se a mesma pratica nos 
lyceus. 

«Para voltarmos a Léger Duehesne, temos a certeza que elle regentou de- 
baixo da direcção de Diogo de Gouveia, O moço, no momento em que se provar 
que Turnebo se poz ao serviço d'este principal. Só elles dois regeram a classe 
de rhetorica, e eis o que explica que durante um anno inteiro de ensino Turnebo 
não dictou a seus discípulos nem assumpto para versos, nem argumento para 
discursos. Tinha destinado para si a parle das explicações, deixando a seu amigo 
o cuidado de dirigir os exercícios da composição. N'isto achava Turnebo em que 
reparar, porque o trabalho era dividido de diverso modo entre Talon e elle; mas 
comprehende-se que não passava isso de um caso de conveniência pessoal, que 
não obstou a que o programma do curso fosse desempenhado em Sainte Barbe 
tão bem como em Dormans. 

«Se as rasões que vem de ser dadas não são julgadas sufificientes para lan- 
çarem o nome de Léger Duehesne na lista d'aquelles que regentaram entre nós 
em 1538-1539, allegaremos o testemunho do próprio Duehesne. 

«N'um discurso recitado em Sainte Barbe em 1557, este professor lembrou 
como cousa já antiga, que elle tinha tido debaixo das suas ordens os primarii do 
collegio; limitou-se tão somente a louvar a attenção, docilidade e boa ordem, 
que tinha então encontrado em seus discípulos 2, visto não ter tido necessidade, 
aitendendo ás cireumstancias, de fallar de uma associação, cuja lembrança estava 
ainda presente a todas as memorias. 

«Turnebo e Léger Duehesne deixaram Sainte Barbe para se dirigirem a Tou- 
louse á custa do cardeal de Châtillon. Pretendem alguns que no seu regresso 
para Paris, em 1544 ou 1545, teria Turnebo feito um novo contrato com Gouveia 3. 
Baseia-se esta opinião sobre uma proposta de Nicolau Bourbon, o qual morreu 
-quasi centenário, em tempo de Luiz XílL Dizia este velho professor, muitas 
vezes, que tinha visto Turnebo, Buchanan e Muret regenlarem juntos no mesmo 
collegio, e não deixava nunca de acrescentar que cada uma das três partes do 
mundo ter-se-hia julgado bem ditosa com ter um só d'estes três homens. Seu 
encontro deve ter occorrido, eíTectivamente, depois da vinda de Turnebo para 
Paris, visto que Buchanan e Muret para alli vieram de Bordéus por aquelle 
tempo, e que, emquanto a Muret, na idade somente de vinte annos, e que via 
pela primeira vez a capital, não é possível que tenha regentado n'uma epocha 
anterior a qualquer dos nossos collegios. Mas é mister que Sainte Barbe renuncie 
a reivindicar para ella a posse simultânea dos três illustres humanistas. Ménage, 
que tinha interrogado a este respeito a Nicolau Bourbon, ouvira d'este mesmo 
que tal honra coube ao Collegio de La Marche*. 

«Sem sairmos dos nomes ahalísados nos fastos universitários, podemos citar 
ainda outros coUaboradores de (jouveia, O moço. 



' Goajet, Memoires historiques sur le collège nyal, parlic 11, pag. 179. 

' Lodegarii a Quercu oratiuncula habita Paiisus, in Alhaeneo barbarano. 

' AnnolaçTies de Thomas Ruddiman á vida de Biiclianan, no principio das olirascompl<'lasd'esle. 

* M('nage, Antibaillet, tomo i, pag. 328. 



QU 



129 



«Em primeiro logar, ISieoias de Martimbos, homem de uma condição eon- 
summada, um dos bons professores de philosophia do seu tempo. Oriundo de 
flournai, pertencia na universidade á nação de Normandia, que o escolheu para 
seu procurador no fim de 1539. Pouco depois foi reitor. Fez apparecer, emquanto 
ensinou em Sante Barbe, uma traducção do tratado de Aristóteles, Peri her- 
menias^. É a mesma de que se falia na historia das igrejas reformadas, por 
causa do brado que deram em Senlis certos sermões, em que o accusavam de 
favorecer com excesso os heréticos. Parece que elle acreditou, eíTectivaniente, na 
possibilidade de fazer concordar as duas communhões; mas abandonou esta idéa 
quando viu os desgostos que ella lhe trazia. Comprou por uma retirada honrosa 
o prazer de morrer em repouso 2. 

«João Calmus, natural do valle d'Aillan, perto de Sens^, foi um bom huma- 
nista, mas de um caracter petulante e altivo, que obstou a que elle se fixasse em 
nenhuma parte, e tornou-se incommodo em lodos os collegios que o contrataram. 
Acharemos as provas d'isto mais adiante. Quasi que não empregou o seu talento 
em mais do que em compor peças para as representações do collegio. Tendia 
para o género cómico ; mas, em vez de se arrastar pelo trilho das velhas farças, 
resuscitou, pela imitação de Terêncio, a comedia de caracter. 

«Michel de Villenes, regente de grammatica, foi nomeado procurador da 
nação de França em 1518, quando j.á tinha ganho em Sainle Barbe as prerogati- 
vas do quinquennmm '^ . 

«Nicolau Ilirigaray, basco, da villa de Mongellos, ensinou philosophia em 
Lisieux, depois em Sainte Barbe, onde regeu o anno de physica de 1539 a 1540. 
Foi, como o precedente, piocurador da nação de França ^. 

«Resta- nos a relação de um processo, ao qual deu origem por ter recebido 
na sua classe um physico, transfuga de Calvi^. Tinha este discípulo vindo a 
Sainte Barbe para se sublrahir á rapina do principal, e do professor de Galvi, e 
ao fazer isto, tinha obedecido a seu tio, a quem pertencia a superintendência de 
seus estudos. Foi, todavia, citado a comparecer perante o tribunal académico, 
porque o discípulo de philosophia que tinha estado um anno e um dia leccionado 
pelo mesmo regente, já não podia acabar o sou curso com outro que não fosse 
aquelle. Todo o que faltava a esta obrigação era reputado como desertor, e se se 
viesse a saber que tinha ido para um outro collegio, a lei pronunciava a privação 
dos privilégios universitários contra o principal e contra o professor que lhe 
tivesse dado asylo. 

««Vários collegios de Paris (e parece-nos que Sainte Barbe pertence ao nu- 
mero) começaram então a ter regentes especiaes para cada um dos annos de phi- 
losophia, como se viu que tal se praticava em Bordéus. Gouveia viu o inconve- 
niente que teria para o novo regimen a manutenção do antigo estatuto; julgou 



' Liber Arislolelis de inlevpreíalione. Paris, J. L. Tisletan, 1339. 

- Lannoy, Regii Navarrae gymnasii historia, pag. 737. Diiboiílay, Hisloire univcrselle, forno vf, 
pag. 9G5. Archives de Vuniversilé, reg. 19, foi. 129. Thoodore de Bòze, tomo i, pag. 

* Duboiílay, Hisloire uniuerselle, tomo vi, pag. 398; Ms. II. 2:682-A, ãã Bibhotkeca Mazarina^ 
foi. 18. 

M.S. II. 2:682-.\ da Dibliotheca Mazarina, foi. 16. 
"■ Ibid., foi. 18. 

• .\rchivos da universidade, regijio 19, foi. 115, 1:21 e 151, novembro de 1339 a março de 1340. 

9 



130 QU 

que era tempo de deitar por terra um costume secular, mas ao mesmo tempo 
julgou dever disfarçar seu ataque. Tendo a responsabilidade penosa d'aquelles 
que acolhiam os desertores, tendo do seu lado a maioria dos principaes e regen- 
tes de philosophia, tanto Martimbos como elle portaram -se como defensores do 
interesse geral. N'esta qualidade fizeram opposição á sentença que constrangia a 
voltar para Calvi o estudante de novo recebido em Sainte Barbe. 

«Nossos dois mestres manobraram com a experiência de advogados consu- 
mados. Faltaram ás primeiras citações, depois compareceram na hora precisa, 
certo dia em que o tribunal se não tinha aberto ás horas competentes; mas foi 
para se retirarem, depois de terem pedido certidão da negligencia de seus juizes. 
Em breve esgotaram todos os termos juridicos, de modo que podessem cansar a 
paciência da parte adver.sa, e atlrahissem injurias, as quaes teriam de ser julgadas 
pelos tribunaes. Por fim embaraçaram muito o tribunal, porque empregaram um 
novo meio de defeza, que era o respeito devido ao direito das familias. Não se 
tinha nas leis universitárias prestado jamais attenção á vontade do paiz, e com- 
tudo a razão, que começava a illuminar os espíritos, dizia haver alli alguma 
cousa que se devia tomar em consideração. Aproveitaram-se também de uma 
falta que se achou. O professor de Calvi não pôde apresentar a prova material 
de que o discípulo tivesse estado no seu ensino pelo espaço de um anno e dia, 
embora fosse isto notoriamente publico. A primeira sentença foi annullada, e 
assim Gouveia, Martimbos e Mirigary retiraram-se triumphantes, tendo ficado 
bem no seu processo. 

cCAPlTULO XXV.— Reitoria de Diogo de Gouveia, o moço.— As comedias do collegio.— O Lendil.— 
Revista em Santa Barbara.— Batalha no bairro de Sainl Marceau. 

«Disse-se que antigamente os grandes eleitores, encarregados de designarem 
o reitor da universidade, recebiam seus poderes das nações por meio do suíTragio 
universal, e que eram nomeados mesmo na igreja de S. Julião, o pobre, aonde 
tinham ido, em sessão publica, desempenhar-se do seu mandato. Mudou-se isto 
em 1524, por causa das rixas frequentes ás quaes dava logar esta eleição preli- 
liminar. O parlamento lavrou uma sentença, a qual constrangia as nações a 
votarem por secções nos collegios designados para este effeito'; medida efficassi- 
sima, para se opporem aos sopapos dados nas igrejas, mas não para obstarem aos 
próprios sopapos. 

«Appareceram as provas nas eleições de 16 de dezembro de 1538. Diogo de 
Gouveia, O moço, tinha-se apresentado para ser reitor. A escolha de um intrante^, 
que lhe foi favorável, causou uma lucta entre os Picardos, reunidos no collegio 
de la Marche. Felizmente para o resultado final, as outras nações rendidas desde 
o principio ao partido barbista, usaram de termos mais pacíficos. A Allemanha 
não hesitou em investir do seu mandato a um professor nomeado de Sainte Barbe, 
mestre Simão Snesson. Em S. Julião, o pobre, as cousas caminharam ás mil 
maravilhas ; foi de curta duração o conclave ; a formula de proclamação decla- 
rou : «nomeado por unanimidad.e e por inspiração do Espirito Santo, a scienti- 



• Duboulay, Histoire universelle, tomo vi, pag. 162. 

* Pessoa escolhida pela respectiva nação para eleger o reitor da universidade de Coimbra. 



QU 13» 

fica pessoa e gentil liomeai perfeito, mestre Diogo de Gouveia, vigilantíssimo 
principal da casa de Sainte Barbe i. 

"Ha\ia rasão para gabar a vigilância do novo eleito. Deu provas d'ella desde 
as primeiras assembléas a que presidiu, vindo denunciar vários ataques pratica- 
dos contra a consideração ou contra os interesses da universidade. Levantou-se 
também contra muitos usos incompatíveis com a disciplina dos collegios, tal 
como elle a eomprehendia, e fez publicar outros tantos decretos para dar remé- 
dio a tudo aquillo. Entre outras cousas obteve a abolição das farças que se re- 
presentavam por occasião das festas dos Reis 2. 

«Três mezes de exercício eram muitissimo pouco para um reformador como 
elle. Tinha na mente um plano inteiro de reorganisação, para vantagem dos estu- 
dos e da boa ordem. Queria que, por um rompimento completo com as tradições 
do passado, se supprimissem todos os divertimentos, todos os jogos, todos os 
exercícios escolares susceptíveis de se tornarem uma occasião de tumulto e de 
escândalo ; queria ainda que o curso de philosophia fosse reduzido a dois annos, 
que as disciplinas pagassem um direito ao collegio, que os actos fossem taxados 
de tal sorte, que toda a exacção cessasse a respeito dos aspirantes aos graus. 

«Prevendo as diíliculdades que haviam de ter os principaes em fazerem 
triumphar taes innovações, e a fraqueza com que haviam de ser sustentados 
n'esta tarefa pelo tribunal académico, era seu desígnio provocar a intervenção do 
parlamento e fazer lavrar uma sentença, a qual não podasse deixar de cumprir-se, 
sem as penas impostas pelo tribunal. 

•Não teve vagar para apresentar tal projecto em nenhuma das assembléas 
que se reuniram emquanto elle esteve na posse do cargo; mas desenvolveu-o 
perante seu conselho na ultima vez em que elle o reuniu em Sainte Barbe ^. 
Escutaram-no com frieza, por verem um ataque á independência do corpo, na 
aúctoridade do qual elle pretendia investir o parlamento. Sem lhe fazer objecção 
acerca do fundo das cousas, subordinavam o tomal-o em consideração a uma im- 
mensidade de exigências preliminares, que eram tão somente um meio de recuar 
tanto quanto possível a execução. 

«Gouveia comprehendeu que pedia excessivamente de uma só vez. Abateu 
sua ambição a ponto de executar no interior de seu collegio uma parle do que 
linha no pensamento, renovando comtudo suas instancias em pontos separados, 
todas as vezes que visse ensejo favorável. 

«Começou por dirigir seus esforços contra as representações scenicas e 
passeios com armas, duas cousas que faziam então o supplicio dos principaes, 
amigos da boa ordem. 

«Se reflectirmos que o theatro francez, repudiando por um momento suas 
origens populares, se conformou com o reportório escolástico, e que por alli co- 
meçou seus illustres destinos, poder- se-ha entrever a importância que teve a 
comedia nos collegios. N'elles se ergueu ella quasi ao estado de uma instituição, 
tantas circumstancias se reuniram para a protegerem e fazerem florescer. Inde- 



' Aixhivos da universidade, registo 19, foi. 29. 

* Duboulay, Histoire tiniverselle, tonio vi, pag. 330. 

* Duboulay, Histoire universelle, tomo vi, pag, 334. 



13â QU 

pendentemente do prazer extremo que n'ella achava a mocidade, tinha-se tornado 
uma necessidade para o publico, convidado para todas as grandes representações. 
Por outra parte, os melhores pedagogistas viam n'ella um exercício sem igual 
para aperfeiçoar a memoria, a pronunciarão e a gesticulação. Aftectou ella con- 
verter-se em uma escola para os costumes, quando a superintendência da policia 
tornou perigoso o género satyrico, o qual atacava o caracter dos grandes perso- 
nagens ou os actos do governo. 

«Appareceram então essas tentativas á moda de Terêncio, sobre as quaes 
João Calmus baseou sua reputação. Porém taes composições foram geralmente a 
obra de auctores mui jovens, aos quaes faltava a observação e o fundo pbiloso- 
phico necessário para alcançar o fim a que se propunham. Procuravam fazer rir 
não sabendo ao justo quaes eram os personagens que convinha ridicularisar para 
triumpho da moral. 

«A obra prima de Calmus, que nos foi conservada, é d'isto a prova evidente^ . 
O assumpto da peça é o infortúnio de um rapaz provido n'um beneficio ecclesias- 
tico por seu pae, com o fim de o mandar estudar nas escolas. Em vez de conti- 
nuar seus estudos enamora-se de uma joven harpista, com quem se quer casar 
por força. Porém a familia da donzella põe por condição ao seu consentimento a 
resignação do beneficio, que será cedido ao futuro cunhado do noivo. Dirigem-se 
a um d'esses medianeiros, que faziam a corretagem dos beneficios por meio de 
assignados em branco, comprados por elles na corte de Roma. O da peça é um 
trampolineiro ; quando se vê senhor da resignação vae negocial-a com um fre- 
guez, que lhe dá muitos escudos. Está o casamento a ponto de se romper; é 
mister que o apaixonado pague uma quantia mais forte para fazer entrar o tilulo 
nas mãos d'aquelle para quem elle o destinava, e assim se consummam as bodas 
do estudante com a harpista. É bastante para Calmus o ter vilipendiado o ven- 
dedor de bulias, e feito rir á custa do comprador um pedante enriquecido, que 
saboreia por alguns momentos o prazer de ser chamado «senhor cura»; as honras 
da guerra ficam definitivamente para aquelle que, sem seus pães o saberem, con- 
trahe um louco matrimonio á custa de um acto de simonia. 

«Concebe- se o asco do severo Gouveia contra divertimentos, no fundo dos 
quaes se achava a approvação de similhantes exemplos. 

• Emquanto aos passeios militares, provocados primeiramente pelo arma- 
mento da universidade em tempo de Luiz XI, tomaram elles em tempo de Fran- 
cisco I uma extensão intolerável. Já não queriam os estudantes irem aos passeios 
sem terem á sua frente, não somente tambores e pifanos, mas até mesmo solda- 
dos alugados, que lhes servissem para os respeitarem, ao passo que estudavam os 
que passavam pelas ruas. Faziam com que aquelles lhes fornecessem também 
arcabuzes e pólvora para darem tiros quando saíam da cidade. Era no tempo do 
Londit, feira que se fazia em Saint Denis, durante os mezes de junho e julho. 
Primitivamente a universidade para alli se dirigia em corporação, com todos seus 
subalternos, para darem maior solemnidade á inspecção, que o reitor ia fazer alli, 
do pergaminho posto á venda ; pois a jurisdicção do reitor se estendia até ao 



' Comcedia receniev edita authore Joanne Calmo, quinonnullaper eundem adjecta sunl quae nm 
parum ad cognoscendam et scribendam comcediam conferunt. Paris, chez les succcsscurs de Maurice de 
la Porte. Cora uma dedicaloria: Adolesccntibus primi ordinis Sexovei. 



QU 



133 



commercio do pergaminho e do papel, e não podiam estas matérias ser expostas 
á venda sem que anteriormente se tivesse examinado a boa qualidade do seu 
fabrico. 

«Alguns inspectores auclorisados (attritésj^ visitavam o papel em nome 
d'e]le, e elle mesmo era obrigado a visitar o pergaminho. 

«Na occasião, pois, em que ia a Saint Denis para approvar ou rejeitar aquelle 
que tinham trazido os vendedores feirantes, da escolta que lhe fazia toda a mo- 
cidade escolar, resultava uma interminável fileira; a circulação ficava suspensa 
na cidade durante horas inteiras, e se algum acompanhamento muito apressado 
tentava cortar o cortejo, o motim rebentava infallivelmente. Por causa d'isto 
foram os collegios eliminados em 1504 da profissão de reitor. Desde então iam 
ao Lendit em separado, como para passeio recreativo. Os mestres aprovcitaram-se 
da occasião para darem, dentro de uma barraca ou na hospedaria da aldeia, o 
jantar da «grande segunda feira de verão» 2. Durante os preparativos visitavam 
os discípulos o thesouro de Saint Denis, forneciam-se nas exposições das fazendas 
das miudezas necessárias para o estudo, ou banhavam-se no rio, cousa prohibida 
em Paris, como opposta á decência 3. 

«Tudo isto se poderia ter levado ao cabo na maior harmonia, se, por uma 
tradição funesta, o passeio do Lendit não tivesse sido posto em o numero das 
festas populares, durante as quaes toda a disciplina era suspensa. Começava por 
algazarras e terminava por actos de intemperança, que davam logar a toda a sorte 
de excessos. Como o porte de armas de fogo e a companhia dos soldados nada 
mais faziam do que aggravar as consequências de u.na tal relaxação, o nosso 
principal, depois da salda da reitoria, fez tantos esforços que induziu os que 
pensavam como elle a fazer com que o parlamento prohibisse as saídas com 
acompanhamento de tambores e homens armados. Uni decreto foi lavrado n'este 
sentido e publicado ao som de trombeta nas immediações da universidade e da 
cidade '». 

«Esta medida foi muito mal recebida em Sainte Barbe. Dispoz ella os espí- 
ritos para uma revolta, que outras Decorrências não tardaram em fazer rebentar^. 

«Tinha composto Calmus, de combinação com alguns dos seus coUegas, 
varias comedias latinas e francezas, cujos papeis foram distribuídos sem que o 
principal o soubesse. Parece que estas peças não eram d'aquellas que devessem 
ser approvadas. Houve sussurro na repetição, e por isso prohibíu-se que fossem 
representadas em publico. Calmus e seus collaboradores, asperamente reprehen- 
didos, concentraram o rancor, jurando vingarem-se por meio de desgostos os 
mais cruéis que haviam de causar ao mestre Gouveia. Um hespanhol, matreiro 
de força maior, sub-regente, chamado Manuel Cervere, poz-se á frente da sua 
colligação. Inspiraram a seus discípulos a ídéa de irem a Lendit em apparato de 
guerra, sem se importarem de modo algum do principal e da sentença do parla- 



' A palavra altrité nem sequer se encontra no diccionario de Littré. 

* Richer, Historiae academiae parisiensis, vol. iv, 1. 1. Ms. suppl. lat. da bibliollieca imperial. 
' De disciplina et inslitutione ptierorum Othonis Bi'unfelsii paraenesis. 

* Duboulay, Histoire iiniverselle, tomo vi, pag. 336. 

' A narração que se segue é tirada dos documentos perlcncenles a este processo, dos quaes Du- 
boulay imprimiu tão somente uma parte (Histoire universelle, tomo vi, pag. 339 e segg.) ; o resto acha-se 
nos archivos da universidade, registo 19, foi. 83 c seg. 



134 QU 

mento. Elles próprios recolheram a subscripção para alugarem tambores, assim 
como os espadachins, fornecedores de mosquetes e de espadaihões. Pela manhã 
do dia lixado para a execução da conspiração, abriram uma porta trazeira. Toda 
a comitiva desfilou sem barulho ; depois, apenas se viu na rua, achando alli os 
companheiros que deviam formar sua vanguarda, começou a berraria, executando 
uma marcha triumphal em volta do collegio. O passeio a Saint Denis executou-se 
nas bochechas de toda a auctoridade. 

«Outras violências assignalaram o regresso. A grande porta do collegio foi 
forçada, e pancadas distribuídas pelos creados que a defendiam. Embora tivessem 
regressado cedo, a eífervescencia se prolongou até á noite fechada nas salas e no 
pateo. A porta da escadaria, que deitava para os quartos dos regentes, tinha sido 
fechada e aferrolhada por ordem superior; voou em estilhaços debaixo dos es- 
forços repetidos dos pés, dos punhos, e das alavancas, com que foi empurrada. 
O interior de Sainte Barbe assimilhou-se a uma cidade tomada por assalto. 

«Comtudo, Gouveia, muitíssimo experimentado para se coniprometter no 
meio d'este motim, estava conferenciando com seu tio, a quem elle tinha cha- 
mado para junto de si, para se tratar de uma repressão exemplar. O mais sensato 
parecia-lhe largar o sceptro até que se tivesse feito justiça. A ordem renasceria 
por si mesmo á vista do velho Gouveia tornando a tomar o governo da casa. Não 
seriam punidos os estudantes, mas somente os mestres que os tinham excitado á 
rebellião. Era indispensável que estes fossem expulsos immediatamente; seus 
substituidores estavam já escolhidos. Mas o castigo não devia limitar-se a isto só. 

«O principal, ultrajado, passou a noite a escrever um relatório do occorrido, 
depois uma supplica ao parlamento, pela qual, declarando Galmus e seus cúm- 
plices expulsos de Sainte Barbe por causa da sua desobediência á auctoridade 
suprema, pedia ao tribunal que lhe prohibisse o ensino nos outros collegios da 
universidade. 

«No dia seguinte, depois do levantar, o tio, em pé diante do collegio reunido 
e silencioso, exprimiu-se em termos severos acerca das desordens da véspera. Os 
grandes criminosos tinham ficado nos seus quartos, não ousando affrontar sua 
presença. Fallou da expulsão d'elles, de serem a causa dos eslragos causados, e 
dos actos judiciaes, a que ficavam expostos; depois tornou a fallar do comporta- 
mento d'elles para o vituperar com vivacidade tal, que usando contra elles do 
termo mais desprezível que existia no vocabulário das escolas, chamou-lhes 
marmittons (bichos da cozinha). 

«A sua indignação communicou-se extraordinariamente aos regentes que 
tinham ficado do lado do partido da ordem. Um d'elles esteve a ponto de pôr 
Galmus em graves embaraços; pois tendo encontrado Galmus em um corredor, 
e vendo que este procurava encetar uma discussão, não contente de lhe fechar a 
boca com um violento sopapo, arremetleu contra elle e o perseguiu com a espada 
desembainhada até ao meio do pateo. 

«Muito embaraçados com a sua situação, pois se viam tratados como Ímpios, 
excluídos do refeitório, assim como de suas classes, e, o que é peior, ameaçados 
de perderem seus meios de existência, nossos conspiradores resolveram sairem-se 
bem por um conflicto de jurisdicção. Manuel Gervere apresentou a causa á assem- 
bléa da universidade. Gomo hábil advogado, attenuou seus maus procedimentos 
sem 08 negar; insistiu, pelo contrario, sobre o aggravo de Gouveia o novo, aliás 
grave, que tinha tentado subtrahir alguns desgraçados accusados a seus juizes 



QU *3S 

naturaes. Mas este meio não aproveitou, visto que se tratava da violação de uma 
sentença do parlamento, e que o juiz legitimo em caso tal era o parlamento. 

«A universidade decidiu que havia de observar a neutralidade, exprimindo, 
todavia, o vivo desejo que teria de ver os dois partidos accommodados um com 
o outro. 

«Gouveia, que tinha a firme resolução de não chegar a nenhum accordo, 
commetteu o erro de se deixar adormecer depois dò seu bom resultado. Ao passo 
que estava esperando o eíTeito do seu requerimento, algumas solicitações, das 
quaes elle não desconfiava, determinaram o tribunal a largar o requerimento, 
para o enviar ao tribunal do reitor. Al li, por mais que se defendeu como um 
leão, no terreno da legalidade, o partido da indulgência o supplantou. Teve de 
acceitar, embora protestando, uma sentença que condemnava seus adversários a 
evacuarem Sainte Barbe, depois de terem pago os memoriaes apresentados a res- 
peito d'elles, e sem levarem comsigo nenhum dos seus discípulos, mas também 
sem serem privados do direito de ensinarem em outros collegios. 

«Mal se estava no desfecho d'esta tragedia (tragedia engendrada por come- 
dias, como o tinha dito Cervere no seu arrasoado) que a desordem começou sob 
uma outra forma. 

«Os barbistas n'um passeio foram espancados pelos guardas campestres do 
arrabalde Saint Martin, por terem estragado as vinhas que guarneciam as encos- 
tas de ia Bièvre. Os outros collegios, tomando o partido do de Sainte Barbe, 
tiveram uma grande batalha contra os operários do arrabalde, que tinham con- 
corrido para a defeza de suas propriedades. Eis em que termos o caso é narrado 
n'um dos discursos de Eutrapel : 

«No meu tempo, diz Polygamo, corriam as cousas de um modo bem diverso 
de quando esse doutíssimo Turnebo lia no collegio de Sainte Barbe o terceiro de 
Quintilianno, pois então um bando e companhia de carapuceiros do bairro de 
Saint Marceau, juntos e reunidos a esses bellos senhores e guardadores de vinhas, 
tendo-nos soccado e apanhando em flagrante, apanhando e saqueando como es- 
torninhos as uvas alem do que a escriptura sagrada permitte o que é honesta e 
discretamente, nos bateram e chegaram muito bem ás nossas costellas, fossem 
quaes fossem as representações que nós soubéssemos allegar, que, por nossas 
cartas e titulos relativos aos Mathurins, todos os vinhedos e terras adjacentes de 
Vauvert pertenciam a nós e eram próprios da universidade. Jamais na batalha 
de Cerisoles, onde estive debaixo das ordens do capitão La Mole, que alli se 
manteve, não se encontraram tantos cossoletes, arcabuzes, chuços, morriões e 
alabardas dos imperiaes, espalhados por aqui e por acolá, como se viu n'este 
renhido encontro das vindimas, Terencios, de Octo partibiis, de Pellissons^ de Pro 
Milone, de Bucólicas de Virgílio e tinteiros abandonados n'aquelle grande susto. 
Mas antes de ter passado um mez, a universidade, todas as camarás reunidas, 
com bastões ferrados e não ferrados, apoiadas por um regimento de impressores, 
todos altos na mão, se arrojou, sem outro reconhecimento, sobre estes mestres 
fabricantes de bonnets e sócios, que, derribados e postos em fuga, tiveram todos 
suas ferramentas, caldeiras, espetos e outros instrumentos, quebrados e derriba- 
dos, o que deu occasião aos chapelleiros de se fazerem subrogar no direito dos 
bonnets, o uso dos quaes é bem prejudicado. 

«Foi como uma calamidade o renovarem-se os tumultos no tempo do homem 
o mais amante da disciplina, e que professava sobre este ponto opiniões fixas. 



136 QU 

Parece que isto inspirou a Gouveia o novo o desgosto para com uma carreira, 
onde se estava exposto a taes dissabores; talvez que também elle confessasse que 
no seu caracter havia alguma cousa de imiompalivel com a flexibilidade do qual 
é muitas vezes indispensável fazer uso, quando ha rapazes para encaminhar. 

«No principio do anno de 15iO, tendo-se feito receber na sociedade de Na- 
varra, abdicou o governo de Sainte Barbe para se entregar exclusivamente á 
theologia^ Apenas foi doutor partiu para o seu paiz, onde sua capacidade lhe 
abriu o accesso dos grandes negócios. Foi conselheiro do Hei D. Sebastião depois 
de ter servido a D. João III como embaixador no concilio de Trento. Morreu 
grão prior da ordem de S. Thiago, em Palmella, no anno de 17562. 



cCAPITULO XXVI.— Renovação do priacipalado por Diogo de Gouveia, o antigo.— Esforços de Mar- 
timbos para o encurlaracnlo do curso de philosophia.— Ducllo philosophico de .\ntonio de Gouveia 
c de Ramus. 

«Depois de dez annos de retiro, Diogo de Gouveia, o antigo, tornou a tomar 
o cargo de principal, embora tivesse bastantes outras occupações, porquanto, 
depois que a heresia se propagou no reino, foi investido de uma sorte de dele- 
gação permanente, para substituir nos conselhos da universidade ao deão da 
faculdade de theologia, que quasi de outra coiísa não se occupava senão de 
demandas judiciaes. Mas como um relógio trabalha por si mesmo quando está 
montado, um collegio não tem necessidade de sentir a todos os momentos a mão 
que o dirige, uma vez que tenha sido posto a bom caminho e que o tenham 
provido de mestres experimentados. 

«A principio a faculdade das artes quiz patentear sua satisfação do governo 
que ia começar em Sainte Barbe, erigindo alli uma nova eathedra recloral. Foi 
a favor d'este «homem exeellente e philosopho illustrissimo^», Nicolau Martim- 
bos, que soube dar provas, duiante a sua magistratura, de actividade e de deci- 
são, embora houvesse passado a idade em que ordinariamente se escolhiam os 
reitores. Um acto de auctoridade, pelo qual poz termo a um tumulto que punha 
difiQculdades na eleição de seu suecessor, acabou de o pór na opinião como um 
homem decidido'^. Por isso a administração lhe convinha menos do que a direc- 
ção dos estudos. As ameaças dos theologos contra o novo ensino philosophico 
chamaram-no para um campo de batalha menos conveniente aos seus meios. 

«Tinha-se implantado o melhodo allemão nos collegas de facto, sem que se 
houvesse posto cousa alguma nos programmas para auclorisar a inlroducção d'elle. 
O theor dos estatutos académicos era sempre o dos séculos passados. Não tinham 
cessado de prescrever as disputas sem fim, os exercícios sobre os soplnsmata, e 
os quod libeta, o estudo diurno e nocturno dos questionar ii, isto é, dos escolás- 
ticos, que tinham reduzido o texto de Aristóteles a theoremas =*. 



• Launoy, fíegii Navarrae gymnasii historia, pag. 271, 408 e 409, 
» Diogo Barbosa, Bibliotheca lusitana, tomo i, pag. 657. 

• Archivos da universidade, registo 19, foi 174. 

* O intrante de Picardia faziase esperar; a assistência exigiu que se fizesse a eleição sem elle- 
Enlâo Marlimbos se retirou para ir procurar o eleitor ausente, e como no seu regresso já estivesse no- 
meado uni reitor, fez improvisar novos tnlranles. 

* Estatuto de 1534, renovado em 1542. em Duboulay, Histoire univenelle, tomo vi, pag. 247 e 378. 



QU 



137 



«Havia, pois, um desaccorilo eoinplelo entre o que se ensinava e o que se 
devia ensinar. D'ahi as lamentações continuas dos partidários do velho methodo. 
Quando iam aos exames da rua do Fouarre, e tentavam introduzir nas argumen- 
tações publicas alguma cousa dos seus tempos de rapazes, acolhidos pelas mofas 
dos concorrentes e dos examinadores, elles alli eslavam para sua vergonha, e vol- 
tavam com a morte na alma, publicando em todos os tons que o sentido de Aris- 
tóteles estava perdido, que d'alli, com certeza, derivava a peste da heresia. 

«Era principalmente no seio da faculilade de theologia, que taes cousas, 
repetidas á saciedade, produziram seu eíTeito. A Sorbonne não dormiu mais, até 
que os antigos estatutos houvessem sido tornados a pôr em vigor por um decreto 
especial, que prohibiria aos humanistas tocarem no quer que fosse da dialéctica, 
que obrigaria os regentes de philosophia a prestarem juramento em como haviam 
de exercitar seus discípulos nos bons questionários. 

"Martimbos, que se contava entre os innovadores, não tratou de deixar 
passar isto sem replica. Foi á assembléa da universidade perguntar: «Que se 
entende por questionários?» Acrescentou que se submetleria, se lhe podessem 
indicar um d'esses aurtores, que tivesse senso commum ; que elle protestava que, 
se queriam fallar d'aquelles pelos quaes elle linha começado antigamente sua 
instrucçâo, ou para melhor dizer, consumido n'uma pura perda o tempo de 
seus verdes annos. Ousou dizer isto perante o deão da faculdade de theologia, 
que viera pessoalmente para sustentar uma Ihese, na qual se sabia que Diogo de 
Gouveia não teria desenvolvido assas de firmeza; professando a este respeito 
uma opinião contraria á da corporação, a única resposta que deram a Martimbos, 
foi a apologia do antigo ensino, com o qnal nem elle nem os collegas se queriam 
mais conformar'. 

«O professor barbista pensou enlão em pôr termo cás recriminações, obri- 
gando a universidade a tirar um anno ao curso de philosophia. Era uma idéa de 
Gouveia. Vimos que André a tinha já posto em execução no seu collegio de 
Guyenne, e que Diogo, o moço, a tinha lançado por escripto no seu projecto de 
reforma académica. É certo que, reduzindo a dois annos o curso que durava três, 
achando-se lodo o tempo absorvido pela exposição das matérias, já não havia 
margem para questões e dichotes. 

«Este projecto reuniu um tão grande numero de adhesôes, que a faculdade 
de theologia, certa de o ver approvar de improviso para a discussão publica, 
poz-lhe antecipadamente opposição por um appello para o parlamento. Apesar 
do appello, a deliberação teve logar. Martimbos proferiu um discurso cheio de 
senso e de força, onde reclamava, primeiramente para a faculdade das artes, o 
direito de retocar seus regulamentos e programmas, sem a intervenção das outras 
faculdades; era de toda a justiça, pois que as outras faculdades não tinham que 
consultar a das artes para modificar, como ellas o entendiam, seus eslalutos res- 
pectivos. 

«Demonstrou depois a possibilidade de expor em dois annos a totalidade 
das matérias philosophicas, visto que o curso quasi que não durava mais tempo 
nos conventos, onde se ensinava; porque se negava então aos regentes de toga 



' SessíSo de 28 de novembro de 1542, no registo 20 dos arcliivos da universidade. 



138 QU 

aquillo que se concedia áos regentes de habito i. Terminou accentuando de que 
importância é um anno na idade da vida, onde se tem de escolher uma carreira. 

«A discussão, continuada na assembléa seguinte, foi encerrada por uma cri- 
tica mui viva do reitor (era então Paulo Galiand), acerca da connexidade que se 
tinha estabelecido entre a conservação da religião e o modo de ensino de uma 
sciencia que não concordava com a religião em vários pontos esseneiaes. Os theo- 
logos, segundo o orador, achariam armas muito mais para sua vantagem no es- 
tudo da rhetorica e das linguas, e não tinham motivo para se inquietarem tanto 
acerca de Aristóteles. 

«Não obstou isto a que os theologos persistissem na sua opposição. Procu- 
raram arrastar n'ella os decretistas na occasião do voto; mas estes, inspirados de 
outro modo pelo barbista João Quintin, que era então seu deão, oppozeram-se á 
reforma. Foi dito que a universidade, reunidas todas as faculdades, por decreto 
lavrado á maioria de votos, reduzia um anno á duração do curso de philosophia. 
Não restava mais do que a diíTieuldade do appello ao parlamento, que se tinha 
quasi a certeza de ganhar, fazendo intervir a auctoridade do Rei 2. 

«Quando as cousas iam n'um tão bom caminho, foram subitamente detidas 
por um incidente que ninguém poderia esperar. Pedro Ramus fez appareeer ao 
mesmo tempo dois tratados, nos quaes negava todo o valor á lógica ensinada 
segundo o Organon de Aristóteles^, e esta exageração, cuja audácia revoltou a 
universidade inteira, veiu a ser um espantalho nas mãos dos collegas retrógrados, 
que representaram o desprezo escandaloso de Ramus a respeito de Aristóteles, 
prestes a tornar- se opinião geral, se se persistisse em querer encurtar o ensino da 
philosophia. Por isto o decreto já promulgado ficou sem forças, e a reforma de 
Martimbos foi afugentada ainda por um meio século, como pertencendo ao nu- 
mero das utopias perigosas. 

«Mas o que fez entrar na obscuridade ao regente dos dialécticos do collegio 
de Sainte Barbe fez entrar em scena o dos rhetoricos, que era então António de 
Gouveia. Segundo a expressão de um auctor do tempo, se o sol tivesse sido tirado 
do firmamento, isto não despertava clamores mais formidáveis do que os que 
acolheram os livros de Ramus'-. Todos os partidos se approximaram para ferirem 
com analhema esses perigosos escriptos. Os fanáticos de nada menos fallavam do 
que de rodar, de enforcar e de queimar o infame; houve mesmo requerimentos 
n'este sentido apresentados ao parlamento e ao Rei. Felizmente, pessoas podero- 
sas pensaram com mais prudência, que o raciocínio era a única arma conveniente 
a empregar contra o paradoxo, e que para honra da philosophia convinha mais 
confundir Ramus do que envial-o para o outro mundo. Esta opinião foi a do 
bispo Duchastel, que se achava junto de Francisco I na posição de um ministro 
de instrucção publica. Aconselhou ao Rei que mandasse preparar um campo 
fechado, onde o calumniador de Aristóteles seria posto ás bulhas com um dos 
valentes membros subalternos da universidade. António de Gouveia já se tinha 



' tNon posse minus regentes in toga quam in cvciillo.* Duboulay, Hhtoire rmiverselle, tomo yi, 
pag. 381. 

* Ibid., p.ig. 384. 

* Irislilutiones dialecHcae e Animadversiones in dialecticam Aristotelis. 

* Avdomari Talaei, ephtnla ad C.arnJnm, cardinalem Lotlioringiae, á fronte das Académica. 



QU 



139 



offerecido para este combate, do qual, segundo todas as apparencias, a idéa tinha 
vindo d'elle. As cousas deviam passar segundo o ceremonial usado para estes 
dueilos a todo o transe, que eram ainda auctorisados algumas vezes, quando 
alguns gentis homens tinham de decidir entre si graves questões de honra. 

«Francisco I viu n'aquillo alguma cousa que sorria ao seu génio cavalhei- 
resco. Por cartas regias, a batalha foi ordenada entre Ramus e Gouveia, assisti- 
dos cada um de dois tenentes da sua escolha. O commissario designado como juiz 
do combate, foi um doutor chamado João de Salignac^. Gouveia tomou para lhe 
fazerem companhia a Pedro Danes e Francisco de Vimercato; Ramus, um medico 
chamado João de Bomont e o nosso João Quintin, seu amigo intimo, a quem elle 
tinha devido mil léguas do celaismo, pois o tinha subjugado ás suas opiniões 
philosophicas. Em compensação Quintin exercia sobre o caracter de Ramus a 
mais salutar influencia. Este mentor o corrigiu, por seus salutares conselhos, de 
muitos defeitos; alguém notou, comtudo, que não chegou a reprimir uma dispo- 
sição para o riso, que era tão forte em Ramus, que mesmo na cadeira se deixava 
ir atraz d'ella pela causa mais fútil. 

«Todos os auctores que narraram o duello sobre Aristóteles, não prestando 
attenção mais do que a Ramus, omittiram dizer, ou não souberam, que foi do 
coilegio de Sainte Barbe que saiu seu adversário para o ir combater. Nada, com- 
tudo, é mais certo. Elias Vinet conta que na sua viagem de Bordéus a Paris, em 
loi2, achou António de Gouveia dirigindo uma classe no collegio de seu tio; ora, 
era no principio do anno escolástico que foi testemunha da tentativa de Ramus^. 
Ha lambem um commentario do discurso de Cicero contra Vatinius, datado de 
1542, que dá lodos os ares de ter saído dos preparativos aos quaes se entregava 
Gouveia, e que foi impresso, póde-se dizer, sobre o território de Sainte Barbe, 
na officina de João Luiz Tilletan ou de Thielt^. 

«Este impressor, discípulo de Estienne, e sogro de Guilherme Morei, a quem 
elle en)pregou como corrector de provas desde 1540 ^ morava defronte do colle- 
gio de Reims, em uma casa construída havia pouco tempo, ao lado do velho 
hotel des Coulons. Seu estabelecimento é o mesmo que Thomas Richard illustrou 
depois, debaixo da insígnia da Bíblia de oiro. Os impressores, sendo contados 
entre os subalternos (siippots) da universidade^ procuravam assim a vizinhança 
dos collegíos. Por aquelles tempos, Conrad Bade, da família dos Ascensius, esta- 
beleceu suas imprensas em frente da grande porta de Sainte Barbei nos casebres 
que se escostavam á igreja de Saint-Symphorien, de sorte que o nobre navio do 
qual Diogo de Gouveia aguentava o leme, teve ao mesmo tempo, tanto pela proa 
como pela popa, dois pharoes accêsos, para espalharem ao longe a luz, a typo- 
graphia de Tilletan e a de Conrad Bade. 



' Duboulay, Histoire universelle, tomo vi, pag. 388. 

' Carta a Schott, Bibliotheca Hispaniae, tomo iti, pag. 475. 

' Antonii Goveani in M. Tullii Ciceronis orationem inVatinium testem commentarius ad Aemilmm 
Ferret tum jurisconsultorum facile principem. Parisiis, apad Joan. Lodoicum Tiletanum, ex adverso 
collegii Ramensis, 1542. 

* Prefacio de um livro intitulado: Observationes Guill. Morelii Tilliani in M. T. Ciceronis libros 
quinque de finibus honorum et malorum, etc. Parisiis, apud Joannem Lodoicum Tiletanum, ex adverso 
collegii Ramensis, 1545. Este fado nio se encontra nem em Chevilier nem em La Caille. 

* Theodori Bezae Vezelii poemata; Luteliae, ex oflicioa Conradi Badii, sub prelo ascensiano, et 
regione gymnasii D. Barbarae, 1548. 



140 



QU 



«Para voltarmos ao caso de Ramus e de António de Gouveia, elle se passou 
á porta fechada. Esta medida, que fez soltar grandes gritos ao ramistas, era, 
comtudo, dictada pela prudência; pois, se tivessem admittido um auditório, com 
a eíTervescencia que estava nos espiritos, teria sido impossível obstar ás interru- 
pções, e provavelmente ás vias de facto. O peior inconveniente do segredo é o 
de ter dado origem a narrações contradictorias, entre as quaes não é fácil dis- 
cernir a verdade ^. Diremos, pois, senão como as cousas se passaram, ao menos 
como eljas parecem ter-se passado. 

«Em primeiro logar suscitou-se uma invencível diíficuldade relativamente á 
posição do debate. Ramus entendia começar theoricamente pela definição e pela 
divisão da dialéctica, ao passo que Gouveia queria que pozessem immediatamente 
em discussão a competência de Aristóteles como dialéctico. Passou-se o dia em 
argumentações, que nenhuma cousa decidiram ; a hora separou os dois adversá- 
rios, sem que, nem um nem outro tivesse recuado uma pollegada. 

«Segundo toda a apparencia, o portuguez reconheceu, depois d'esta primeira 
prova, que luctava com um adversário mais vigoroso do que tinha pensado ao 
principio, e na previsão da inflexibilidade de Ramus, preparou para o dia se- 
guinte uma manobra, que devia ser um tropeço. Com eíTeito, depois de ler come- 
çado a segunda sessão pela repetição dos assaltos da véspera, de repente Gouveia 
propoz transigir, acceitando o debate sobre a divisão da dialéctica. Mas, em boa 
lógica, era possivel encetar a divisão, deixando de parte a definição? Sem duvida 
Ramus fe/ ouvir a este respeito as cousas as mais fortes, e se o seu antagonista 
achou na flexibilidade de seu espirito bastantes recursos para não ficar calado, 
não se retirou com as honras do dia. É certo que á saída se ouviu desapprova- 
rem a concessão que tinha feito. 

«Vollou no terceiro dia com a idea que tinha tido no principio, de disputar 
sem preliminares sobre o valor de Aristóteles. Ramus, a quem isto não fazia 
conta, pediu a Salignac que tornasse a pôr a questão nos termos em que a tinha 
deixado na véspera. Á vista da recusa d'elle ficou despeitado e disse que renun- 
ciava á lucta. Offereceu a seus tenentes o tomarem a parte no logar d'elle; recu- 
saram. Perguntaram a Ramus se lhe agradava o designar outrem; respondeu que 
não. Então o juiz do campo conferiu a victoria a António de Gouveia. 

«Embora o resultado não houvesse sido mui brilhante, a universidade aco- 
lheu a noticia d'elle com transporte. Foi celebrado por alguns panegyricos, no 
dizer dos quaes nem Hercules nem Theseo, nem todos os domadores de monstros 
tinham feito cousa alguma comparável. O vencedor, embaraçado com tantas ho- 
menagens, jul>rou de seu dever merecelas mais, recomeçandu o combate, de 
modo que percorresse todo o sladio. Fez um livro contra Ramus-, livro elegante, 
mas mui cheio de cólera, e no qual conviria que as cousas fosseni consideradas 
de mais alto. N'elle se encontram observações judiciosas, mas não um corpo de 
doutrinas que se antepozessem áquillo que se tratava de refutar. D'aqui fica 



' Duboulay, Hisloire universeUe, pag. 388. Epistola de Omer Talon, ao cardeal de Lorena, já 
citado: Ramm, sua vida e seus escriptos, par M. Waddinglon, pag. 47. 

* Antonii Goveani pro Arislotele responsio adversus Petri Rami calumnias adJacobnm Spifamium, 
gymnasii parisiensis cancellarium. Paris, Siinon de Colmes, 1543, datado de 27 de novembro, no Om do 
prefacio. 



QU 



141 



sendo a prova palpável que Ramus, apesar dos seus desvios, possuía n'um grau 
superior o alcance philosophieo. 

«Não se reconheceu isto no momento. O livro que servia ás paixões do 
publico, quando mesmo tivesse sido cem vezes mais fraco, teria ainda passado 
por uma obra primorosa. A faculdade das artes votou por acciamação que seria 
impresso á sua custai Foi por todas as universidades da Europa levar a gloria 
do seu auetor. 

«Tal é o grande triumpho que Sainte Barbe teve para registar nos seus 
fastos de 1543. 



«CAPITULO XXVn.— Dccrescimenio da prosperidade de Sainte Barbe.— Processo.— Insurreição dos 
esludantes da universidade era I5í8. — Diogo de Gouveia, o anligo, expulso por Robert Dugasl. 

«O estado de repartição de uma laxa á qual a universidade foi submettida 
em 1540, nos mostra Sainte Barbe occiípando, por sua importância material, o 
quinto logar entre os collegios de Paiís. Tinha ella adiante de si. Navarra, Mon- 
taigu, Bourgogne e Calvi^. Como n'um tempo ella tinha participado do segundo 
logar com Bourgogne e Montaigu, deixando Calvi atraz, e que d'esta vez, pelo 
contrario, é ella quem marcha atraz de Calvi 3, a uma tão grande distancia que 
sua cota é de cinco escudos de oiro, denota isto uma diminuição notável do pen- 
sionado. É preciso, talvez, attribuir a causa ao virem os portuguezes em menor 
numero, desde que a universidade do seu paiz foi restabelecida em Coimbra, ou 
a ter a fundação das cincoenta bolsas sido abolida, ou a tsr sido consideravel- 
mente reduzida. 

«Também a epocha, á qual havíamos chegado, é aquella em que os estudos 
começaram a ser perturbados profundamente pela sinistra preocuppação do dogma. 
Alguns estudantes figuraram entre as victimas devoradas diariamente pelas fo- 
gueiras da greve ^, de sorte que as famílias ricas para alli olharam com muita 
attenção, antes de exporem seus filhos a tão medonha sorte. Quasi que se não viu 
mais nos collegios a accumulação de porrionislas, que quasi por toda a parte 
tinham obrigado a suspender camas de rede por cima dos leitos nos dormitórios. 
Houve menos d'esses discípulos que ajudavam a supporlar os encargos de seus 
estabelecimentos, mas houve outros tantos, se não foram mais, d'aquelles que, 
para proveito, traziam tão somente a desordem para aquelles estabelecimentos, 
para os quaes sua phantasia lhes dizia que se encaminhassem. 

«Na entrada de 1541, uma nuvem de hespanhoes caiu em Santa Barbara^. 
Viíiham, a exemplo de seu compatriota Ignacio de Loyola, reparar tarde uma 
instrucção, cujos princípios haviam sido inteiramente baldados. Tendo já estu- 



' Archivos da universidade, registo 20, sessSo de 20 de novembro de I5'i3. 
» Ibid., registo 19, foi. 136. 

^ É a ordem respectiva, na qual Roberto Gonlet a colloca, como pedagogia: Compendium de mui- 
liplici parisíensis Universitatis magnificcntia. 

* Carta de Knobeldorf a Gcorge Cassander, principal do collegio de Bruges, na collecçào de Ilcin- 
sins, intitulada: Illtislrium et clarorum virorum epislolae sclccliores, contur. i, pag. 37. 

* Jo. Matth. Magnus, De praesenti Parisiensis Academiae rerum statu oratio, 1388. 

* A narração que se segue é tirada do registo 20, foi. 65, dos archivos da universidade. 



í« QU 

dado uma parte da sua philosophia em Salamanca, debaixo da direcção do moii- 
tacucciano Gaspard Lax, foram obrigados, a maior parte, a seguirem os exerci- 
cios do terceiro anno, ao mesmo tempo que voltavam aos primeiros elementos da 
lógica. 

«Entraram primeiramente como pensionistas para casa de Diogo de Gouveia; 
depois, no fim de alguns mezes, foram morar para a cidade, debaixo do pretexto 
de pobreza, e outros porque diziam ser o collegio insalubre, por causa de algunjas 
doenças que appareceram na primavera. Na realidade preferiram a liberdade do 
discípulo a um constrangimento que era já excessivo para elles o supportarem 
durante o tempo das lições. N'uma classe de sessenta estudantes Gouveia viu que 
não tinba mais de quatro pensionistas. 

tO bom do principal não teve necessidade de calcular por muito teij)po para 
perceber que em taes circumstancias se arruinava. A classe foi feebada. Come- 
çaram então as lamentações dos hespanhoes, quando, vindo como de costume 
para as lições, acharam a porta fechada. Dirigiram-se ao reitor com o seu regente, 
que não perdia menos do que elles em serem despedidos de uma tal forma. Diogo 
de Gouveia foi chamado para dar explicações. Declarou que o estado financeiro 
do seu collegio lhe não permittia pagar a um professor só para cinco aiumnos 
que lhe pagavam mezada, e provou que os estabelecimentos académicos o aucto- 
risavam a proceder como procedeu. 

«Comtudo, o professor desapossado eia um certo Firmin Dure, homem de 
talento, porque Nicolau de Grouchy o empregou mais tarde na revisão das suas 
traducções de Aristóteles *; e era igualmente tido em consideração por causa da 
grande reputação que tinha deixado na universidade seu parente Roberto Dure, 
cognominade O afortunado, outr'ora principal de Plessis^. Por attenção para com 
elle, o reitor exigiu que aquelles de entre os queixosos que tivessem meios 
tomassem domicilio no collegio, e por este meio o curso foi continuado até ao fim 
do anno escolar, mas é duvidoso o ter sido recomeçado no anno seguinte.» 

QUIEN PEIVSAUA. 

El viaje en valde, dei licenciado ^ y venida de los portugueses á Madrid. 

Existe um exemplar na bibliotheea publica de Lisboa. 



Ha venido, á que sepamos, 
de Portugal la miséria, 
á vista de la lacedia, 
que en su exercito palpamos, 
y no nos enveigonzamos 
que tenga en Madrid entrada 
gente tan despilfarrada, 
sin aliento y sin comida, 
a que ha sido esta venida? 



' Aristotelis Urganum Joachimo Jferionio, Nicolao Gruchio, Fitituno Durio inUrprclibui. 1563. 
' Dubouiay, Histoire universelle, tomo vi, pag. 140 e 970. 



QU 



143 



QUl^ET (EDGAU ). 

Nas Vacances en Espmjne e no Génie des religions, encoiitrain-se paginas 
maravilhosas sobre a epopéa de Camões relacionada com a nacionalidade portu- 
guezo e com a civilisação européa*. 

QUIIVTANA (I). MA]\UEL JOSÉ ) Nasceu em Madrid no anno 

de 1772. 

Obras completas, na Colleccion de autores espaíioles desde la formacion dei 
lenguage hasta nuestros dias. Madrid, 1851. 

El duque de Viseo. Tragedia en três actoSj, representada la primera vez por 
los actores dei Coliseo dei Príncipe, en 19 de mayo de 1801. 

Poesias. Nueva edicion aiigmentada y corrigida. Madrid, en la imprenta 
nacional, afio de 1813. 

A seguinte poesia é dedicada a Luiza Todi, quando cantou no thealro de 
Madrid as duas operas de Armida y Dido. 

Que se nego de la falaz Armida 
Al magico poder? Su voz sonaba ; 

Y el báratro profundo 

De sus lóbregos senos alanzaba 
El tremendo escuadron que la servia. 
Vierase ai punto de infernal veneno 
Toda inundarse en derredor la esfera ; 
Arder el rayo y retumbar el trueno ; 

La rápida carrera 
Suspenderse dei sol ; bramar los vientos ; 

En sus hondos cimientos 
Estremecerse ai mar ; y mal segura 

La tierra contrastada. 
De sus exes eternos desquiciada. 

Mas quando ai fin enamorada y ciega 
El corazon indómito rendia, 
Y de perder su amante recelosa 
En los fines dei orbe le escondia ; 
Ya no era enlonces la espantosa maga, 
Era ya una deidad. El polo yerto 

Ostentose cubierto 

Con el manto de Flora; 

Por los fecundos prados 

Las fuentes murmuraban, 

Y de esencias banados 

Los céfiros jugaban con las flores ; 

Volaban los amores, 
Las gracias y el deleite en pos de Armida. 



• Theophilo Braga, Bibliographia camoneana, pag. 221. 



iU QU 



Y ella entretanto, de Rinaldo asida, 
El coro de las aves escuchaba, 

Que ai placer y ai amor la eonvidaba. 

Tal fué entonces Armida; y tal ahora 
Tui oh poderosa Todi ! la presentas 
Ya en ternura y delicias anegada, 
Temerosa después, y ai íln furiosa, 
Viendo su gloria y su beldad bollada. 
fnvencion celestial ! No, no es Armida 
La que así nos enciende, 

Y el agitado espíritu suspende: 

El menlido poder, que por su encanto 
Tuvo en los elementos contundidos, 

Hoy en nueslros sentidos 
Lo alcanza el arte, y lo renueva el canto. 

Soberana armonía 1 
En qué sus dulces y halagíieilas flores 

Mas bien que en tus loore^ 

Esparcir deberá la poesia? 

Pêro ? como en su vuelo 
La poderosa voz seguir podria. 
Que pasma ai mundo, y maravilla ai cielo? 

Ella parte suave: 

Y ora orgullosa y grave 
Del espado los âmbitos domina; 
Ora en quibros dulrisimos se pierde 

Y delicada trina: 

Ora sube ai Olympo, ora desciende, 

Y ora como un caudal rico y sonoro 
Vierte subitamente en los oidos 

De su riquesa armónica el tesoro. 

Sola, la admiracion enmudecida 
Seguiria puede en su veloz carrera; 

Y do ha vivido el corazon de fiera 

Que se negáse esquivo 
De su expresion celeste ai atractivo? 
Ohl No es posible el evitar su império: 

La fogosa energia 
De su gesto y accion se le prometten, 

Y su magico accento y melodia 

Aqui vence, aqui triunfa, aqui arrebata: 
Vedia de gloria y majeslad vestida 
Quando dei sólio el esplendor retrata: 
Vedla después desesperada y llena 
De cólera y soberbia amenazando : 



QU 145 



Nube parece, que espantosa truena, 
O terrible Aquilon quando soplando 

Con hórrido silbido 
Sacuda el universo combatido. 

Mas qual benigna suavidad se siente? 
Él es, el blando amor, el hijo ardiente 
De Ia lierniosa y divina Citeréa. 
Más dulce y grato que la miei hibléa, 
Más puro que los céfiros su acento 
Sale inflamando el viento, 

Y por do.quiera su ternura inspira. 

Ya Irás el bien perdido 
Vaga anhelante y con dolor sospira : 
En el dulce trinar pinta el gemido, 

En los lilandos gorgeos 
Aparecen los tímidos deseos, 
La amorosa inquietud, las ânsias tiernas, 
La risa alegre y apacible juego 
Que ceban tanto el delicioso fuego. 

Ya con tono más grave 
La sublime constância se ve ornada, 
Ó en celeste delíquio modulada 
Del caro bien Ia posesion suave. 

Entonces gime el insensible; entonces 
Hasta los duros mármoles se agitan ; 
Amor aprende á amar; á amar ineitan 
El éco, el viento, y de tu voz herido 
Por su divino impulso es arrastrado 

Mi corazon vencido. 
Salta en pecho, y sin césar palpita, 
Todo anegado en el amante anhelo 
Que inspira el canto ; su vehemente Ilama 
Veloz discurre por mi sangre y venas, 

Y en todas ellas su calor derrama: 
Derrama su calor, que vuelto en llanto 
Sin ser posible á contenerle el seno. 
Salta á la vista en delicioso encanto. 



Quien de tu Génio mensurar podria " 

La extension y el ardor? Dinos, en donde 

Tuvo su oriente? En donde 

Se adestro á desplegar tal osadia, 

Y de tanta riqueza salió Ueno? 

Fué acaso allá donde el felis Ismeno 

Corrió bailando Ia sonora Tebas? 



iO 



446 QU 



Ó mas bien sobre el Ismaro sombrio, 

Do por la vez primera 
Los ecos de la musica sonaron, 

Y trás si arrebataron 
Los hombres y las íieras, 

Las rocas y los árboles ? Do Orfeo 
Su lira de oro celestial pulsaba, 
Los vientos á su voz se condolian, 

Y á Euridice llamaba 

Y Euridice los montes respondian? 

Igual empezo, ó superior tu impeles 

Al seno dei olvido 
Los pesares amargos y crueles. 
Yo lo vi, lo senti. Del hondo Avicrno 

Por mi mal abortado 
Un esquivo cuidado devoraba 
Mi triste corazon ; quando presente 
Vi la Sidónia Reyna, que clamaba 
Contra el Troyano pérfido, inclemente. 

Barbara atrocidad I huye el ingrato 

Sin que bastantes sean 
De la misera amante las querellas 
Su fuga á suspender; huye, no cura 

Los preciosos tesoros 
Que fiel le prodigaba la hermosura; 
Tesoros 1 ay 1 de amor y de ternura. 

Y se entrega á la mar! que de lamentos I 

Que horrorosos acentos I 
Que desesperacion ! En vano Hora 
La triste, y corre enfurecida y gime ; 
En vano ai cielo en su dolor implora, 

Y á los hombres tambien ; hombres y dioses 
Al dolor y ai horror la abandonaron. . . 

Morirá la infelice 
Sin hallar compasion?... Grande, sublime, 
Terrible situacion, que sorprendido 
Mi espíritu admiraba, 

Y olvido su afliccion llorando á Dido. 

Y que tan dulces 

Hayan de fenecer! Mantua te pierde, 
Mantua, que tanto te admiro ; desierto 
Se verá el gran teatro, donde un dia 
Al éco de tu canto y los aplausos 
El soberbio arleson se estremecia. 



QU 1" 

Mustio el espectador irá á busearte, 

Y no te encontrará; y en tal vacio, 
Do está, dirá, la enamorada Elírida? 
La encantadora Eifrida? Adonde fueron 

La diílce Hipermenestra, 
La arrogante (Cleópatra y (^leofilda? 
Sombras sublimes, cuya hermosa idéa 
Inventar y animar ai Génio pudo. 
Será que nunca ya mi mente os vea ? 

Anda, vive feliz, corre el sendero 

Que á tu briilante gloria abrió eJ destino; 

Mas que le falta á su esplendor divino ? 

El universo entero 
Su honor, su encanto, su deidad te aclama 

Llevada en raudo vuelo 
Por la sonante trompa de la fama, 
Pasmarás las edades ; y asombrado 
Te nombrará el artista, y confundido 
Por más osado que su Génio sea. 
Tu el término serás de su esperanza. 
Dique á su presuncion ; el desde lejos 
Adorará tus soberanas huellas, 

Y lucirá tal vez con tus reflexos. 
Así en el alto Olympo las estrellas 
Drillan ; mas solamente en noche umbria 
Cediendo el resplendor y la victoria 

Al gran planeta que preside ai dia. 

QUIIVTIIS (CAMILLO EUCOERE ).— Jesuita, napolitano. 

Camilli Eiicherii de Quintiis. Inarime seu de Balneis Pithecusarum libri VI 
Sei^enissirno Lusiíaniae Regi Joanni V dicati. Neapoli, excudebat Félix Mosca, 
1727, 8.^ 320 pag. 

QUIROG/V (JOSEPH ) — Jesuita, hespanhol. 

Descripcion dei rio Paraguay, desde la Boca dei Xaura hasta la confluência 
dei Paranáj por el P. Buenos- Aires. Imprenta dei estado,, 1836. 



Le portugais est bon, charilable, lolerant, sincere, amical, inde- 
pendaut, digne, courageux, et plus dévoué à la pairie qu a sa famille 
et à ses amis. II est franchement hospitalier. L'ótraDger est toujours 
le bienvenu en Portugal. 

(Grand dictionaire universel du XIX siècle. (Pierre Laroasse.) 



R. n. — Auctore Júris civilis, doclore Anglo. 

De Successione Regni Portugalliae Dissertatio Jurídica: Jus Philippi Serenis- 
simi Hispaniarum Regis prae Braganto jam intruso astruitur, et impostura Lusi- 
tanorum in suo supero Manifesto varie detegitur. Burges Flandrorum. Ex typo- 
graphia Nicolai Breygelii, 1643, in^.*», in-12, 120 pag. 

RABBE (ALPHONSE ). 

Resume de VHistoire du Portugal^ depuis les premiers temps de la monarchie 
jusqu'en 1823, par Alphonse Rabbe. Paris, 1827, 1 voi. in-18. 

RACCOLTA di alcuni Discorsi composti da alcuni insigni Oratori delia 
Compagnia di Gesú. Deca Prima. Seconda edizione. Napoli, nella stamperia di 
Felice Mosca, 1718, 5 vol. 

Vem o seguinte : 

Problema agitato nella Reale Academia delia Sereníssima Cristina Regina di 
Suezia, in Roma; qual fosse piu Ragionevole, se il riso di Demócrito, che tutto 
scherniva, o' V pianto di Eraclito, che di tutto piangeava. Discorso primo, a favore 
di Demócrito, dei Padre Girolamo Cataneo, delia Compagnia di Giesu, pag. 69. 

Discorso secondo, a favore d' Eraclito, dei Padre António Vieyra, delia Com- 
pagnia di Gesu, pag. 83. 



150 RA 

Panegirico di S. Francesco Saverio, do padre António Balzo, pag. 177. 

Panegírico di S. Francesco Saverio, recitato in Benevento, anuo 1105. Alia 
presenza deli' Emin. e fíev. Cardinal Arcivescovo, Fr, Vicenzo Maria Orani, do 
padre Nicolo Vulcano. 

RACCOLTA dl relationi de' regni dei Giapone, nel quali si intende non 
solo il frutto et progressi de* nuovi christiani deli' índia, ma si raccontano ancora 
molti particolari avisi Venezia, Quinti e Ciotti, 1608, in-S.*» pequeno. 

RACKZINSKY (CONDE DE ). 

Esteve em Portugal e analysou varias pinturas, no que se mostrou co- 
nhecedor. 

Na sua excursão artística pelo nosso paiz mostrou-se bem atilado e sensato. 

Confessa ingenuamente que não pôde esclarecer o problema da nacionalidade 
dos quadros de Vizeu, uma das mais bellas riquezas artísticas que possuimos em 
Portugal. 

Passados bastantes annos, quando se tratava de commemorar os descobri- 
mentos portuguezes e os de Colombo, tratou-se no Porto de analysar os quadros 
e obras artísticas da misericórdia d'aquella cidade, e veiu á lembrança uma ou 
outra obra artística. 

Um caso de arte entreve alguns dias as attençôes do publico. Foi a exposi- 
ção do celebre retábulo Fons vitae, na galeria dos retratos da misericórdia. 

O conde de Rackzinsky, na sua excursão artística pelo nosso paiz, teve 
occasião de ver a afamada preciosidade. No seu livro: Les arts en Portugal, o 
conde cita a opinião corrente de que o retábulo é do grão Vasco, mas não lhe dá 
grande credito. Parece-lhe pertencer ao primeiro quartel do século xvi (lol8), 
concebido segundo a influencia allemã, talvez de Holbein. 

Outros críticos, portuguezes e estrangeiros, vindos depois, têem perfilhado 
esta ultima bypolhese. 

O conservador da galeria da Rainha Victoria, o sr. Robínson, n'um estudo 
feito sobre a pintura portugueza, declara-se em sentido diverso, e acha que é 
«uma obra superior, a única obra prima da arte nacional portugueza». 

O quadro é realmente feito no estylo gothico, e segundo o plano e a escola 
representada na Allemanha por llolbein, e entre nós pelo supposto auctor do 
S. Pedro, da cathedral de Vizeu. 

Deixando aos archeologos e aos críticos da arte a paternidade do Fons vitae, 
historiarei apenas as peripécias que precederam a sua restauração. 

Ha dois ou três annos, como o quadro apresentasse estragos, cujo progresso 
poderia inulilisar para a historia da arte aquella verdadeira maravilha, resolveu 
a misericórdia mandal-o restaurar, ouvindo previamente um jury competente, 
que se pronunciasse sobre a conveniência ou inopportunidade da reparação. 

Um grupo de professores da academia de bellas- artes portuense decidiu-se, 
por maioria, pela restauração, e por unanimidade sobre o restaurador, que seria 
António de Moura. 

Posteriormente o sr. conde de Samodães, provedor da misericórdia e também 
inspector da academia, resolveu, por descargo de consciência e desafogo de res- 
ponsabilidades, consultar um jury mixto d(í professores dcí Lisboa e Porlo, ([ue 
se manifestou a favor da restauração, lambem por maioria. O restaurador seria o 



RA isi 

sr. Moura ou o sr. Greno; estando o segundo impossibilitado de executar aquelle 
trabaliio peias suas occupações artísticas, íicou em campo o sr. Moura. 



RADA (D. JUAN DE DIOS Y DELGADO ). 

Mujeres celebres de Espana y Portugal. Barcelona, foi. 

RADONVILLIERS (ADBÉ ). 

Este abbade, na sua obra Traité de la manière d'appre7idre les langues, Paris, 
1768, in-12, faz elogio ao merecimento d'este sábio portuguez, e dos serviços que 
prestou ao desenvolvimento do ensino na França i. 

RAFFLE. 

A Java, de Raílle, raras referencias tem aos portuguezes, mas a sua Vida e 
Jornal dão uma relação da chegada dos portuguezes a Malaca, segundo a conser- 
vam os indigenas2. 

RAGOZI (SAUL RADA ). 

Numeroso universal lamento á la muerte de la Excelentisima Seilora Dona 
Maria de Guadelupe Lancaster y Cardenas, duquesa de Aveyro, Arcos y Maqueda, 
Fénix de su siglo, en que a vista de su excelente vida se precisa el dolor á lamentar 
su muerte. Dedicado ai Excelentisimo Duque de Arcos^ Aveyro y Maqueda. Escrito 
y consagrado á Su Excelenza, por . 8.", 12 pag. 

RAJATUS (FRAIVCISCO ).— Jesuita, natural de Palermo. 

Symbola et inscriptiones adornatae honori SS. ígnatii et Xaverii. (Encon- 
tram-se na obra composta por António Aíllitto, intitulada: Idea deli' apparato 
per la Canonizatione de SS. Ignatio Loyola e Francesco Xaverio, nella Casa Pro- 
fessa delia Compagnia di Giesu, di Palermo. Palermo, Giov. Battista Maringhi, 
1622, in-4.« 

Reguaglio degli Apparati^ e Feste fatte in Palermo per la Canonizatione de* 
SS. Ignatio Loyola e Francesco Xaverio Vanno 1622. Ibid., 1622, in^.*» 

Foi esta descripção reimpressa, lib. iii, pag. 36, da obra de Francisco Baro- 
nio: De Majestate Panormitana, libri quatuor. Panormi, apud Alphonsum de 
isola, 1630, in-fol. 

RALSTOIV. 

Um jornal portuguez, em 1880, publicou a seguinte noticia: 
«O sr. Ralston, a maior auctoridade da Inglaterra com relação ao estudo das 
tradições populares, consagra no Academy, n.** 433, a parte de um artigo ás inte- 
ressantes publicações do sr. Gonsiglieri Pedroso : Contribuições para uma Mytho- 
logia popular portugueza, e aos Contos populares portuguezes^ publicados pelo 
sr. Adolpho Coelho. Com relação á ultima obra diz o sr. Ralston: «Uma excel- 



' Vicomle de Grouchy, Elude sur Nicolas de Grouchy, pag. 25. 

" Tolbort, Aiicloridades para a historia dos portuguezes na índia. No Instituto Vasco da Gama, 
Nova Goa, 1874, pag. 135. 



1S2 RA 

lente inlrodueção (pp. v-xxxii), se acha prefixada aos Contos, na qual o auctor 
exprime mui judiciosas opiniões em relação á transmissão dos contos populares, 
Elle não quer adinittir que os contos te-niiam uma só origem m} thica, por exem- 
plo, considerando o mylho como um dos productos radicalmente differentes, 
ainda que elementos mythicos entram livremente nos contos. Nem crê n'um 
vehiculo unieo para a transmissão das historias, quer na Europa em geral, quer 
em qualquer paiz em particular.» 

O sr. Gaston Paris, a primeira auetoridade de França com relação ás tradi- 
ções populares, julgou também mui favoravelmente, na Rumania, a publicação 
do sr. Adolpho Coelho. 

RAMBLES in Madeira and Portugal 

É atlribuidà a composição d'esta obra a um certo Mr. Lyall i. 

UAMIREZ (DIEGO ).— Jesuita, hespanhol. 

Del insigne milagro en Nápoles por S. Francis Xavier con el P. Marcello Mas- 
trilloj de la Compania de Jesus, a 3 de enero de 1634. Madrid, 1634. Vienna, 
1635. Traduzido do italiano. 

RAMIREZ (D. MANUEL ANTÓNIO ). 

Verteu para hespanhol a obra do padre Lafitau : Histoire des découvertes et 
conquêtes des portugais dans le nouveau monde. 

Esta versão hespanhola foi estampada em Madrid, no anno de 1774, 8.» 

RAMOS DEL MANZANO (D. FRANCISCO ). 

A nuestro Santisimo Padre Alexandre Vil, sobre la provision de los obispados 
vacantes m la corona de Portugal. Madrid, por José Fernandez de Buendia, 1659, 
in-fol. 

RAMUSIO'S (GIOVANI BATTISTA ). 

Viaggio di Giovani Leone (Descrizione deli' Africa) e le Navigatione di Alvise 
da Cadamosto; di Pietro di Cintra; di Annone ; di un Piloto Portoghese; e di Vasco 
diUjama. Vinezia, 1837. 

RAN (HERIBERT ). 

Geschichte der Entwickclimg des menschlichen Geistes. Allgemeine Ktdlurge- 
schichte ron iJtren Uranfángen bis auf die Gegenwart. Ein Buch fiir jedes Haus. 
Neue Augs. Neustadt a. d. H. 1881. 2 vol. em um só. 

No tomo II, cap. ix, a pag. 379 e seguintes, falia da poesia e litteratura na 
Hespanha e em Portugal e de Camões. 

RANQUE. 

Lettres sur le Portugal. Sem data. 



Roberl While and James Y. .íolirison, ^]ade^ra, pag. 223 



RA 1S3 

RANSOMER (JACOBI ) Societatis Jesu. 

Annuae Paraquariae annorum 1626 et 1627. 

Trata das missões do Paraguny e vem citada esta obra a pag. xxi do livro 
Relation des missions du Paraxjuay, traduite de 1'italien de Muratori. 

RASIS (GAYANGOS )K 

«Gabriel Rodrigues Escabias, no seu Discurso apologético, já, citado, intro- 
duz a propósito de Illiberio ou Elvira, que quer que seja a mesma que Ilipula 
Magna e Granada, varias citações de Rasis trocadas e augmentadas á sua maneira, 
affirmando que o códice antiquíssimo de onde as extrahiu foi dado de presente 
a seu senhor o almirante de Aragão pelo imperador da Ailemanha Rodolpho II, 
e provinha da livraria do famoso mosteiro de Fulda, vasto arsenal em que o 
padre Roman de la Higuera e outros improvisadores litterarios pretendiam en- 
contrar as monstruosas novidades e ridiculas patranhas, com que conseguiram 
obscurecer e embrulhar por algum tempo a historia ecclesiastica d'estes reinos 2. 

«Assentes estes preliminares, vamos tratar do ponto principal que nos pro- 
pozemos investigar, isto é: — se houve na Hespanha um historiador chamado 
Rasis, que obras deixou escriplas, e por fim se é ou não traducção do árabe a 
Chronica castelhana que apparece debaixo do seu nome. 



«Rasis é corrupção de Razi, e com o artigo Ar-Razi, nome ethnieo, que 
significa «o oriundo ou natural de Ray ou Rayya», cidade e districto da Pérsia. 
Costumam os árabes designar seus escriptores ou personagens celebres pelo nome 
de sua pátria ou domicilio, assim como nós também dizemos Nebrissense a Elio 
António de Lebrija ; Abulense a Tostado ; Brocense a Francisco Sanchez das Brozas, 
e assim a outros. Razij pois, significa um individuo qualquer, nascido, oriundo 
ou domiciliado em Rayya; sendo vários os escriptores árabes conhecidos por 
este appellido, como : Abu Requer Mohammed ben Zakaryya, Ar-Razi, medico 
famoso, cujas obras, vertidas para latim, formaram, juntamente com as de Avi- 
cenna, e Averves, a base dos conhecinjentos médicos na idade media 3, Mohammed 
ben Ornar At-temini Al bekri Ar-Razi-^, theologo distincto e doutor da seita 



' V. Gayangos, pag. 254, vol. 11. 

• Unem desejar ler o muito que Rodrigues Escabias acrescentou de sua própria invenção ao texto 
genuíno de Rasis, pôde cotejar a obra do dilo escriplor (foi. 12-14), com os extractos da Chronica, que 
addicionàmos como appondice a esta memoria. k\\\ se verá como, só com o fim de confundir seus adver- 
sários, e sustentar opiniões ridiculas acerca do sitio e povoação de Granada, faz dizer a Rasis que Gra- 
nada foi fundada por Hercules, o qual lhe poz o nome de Illiheris, de uma nela d'elle, e que os antigos 
lhe chamaram depois Ilipula Magna, e outras novidades por este teor. 

" Gerardo de Carmona, e nào de Cremona, como alguns acreditaram, traduziu para latira algumas 
obras de Ar Razi, e entre outras seu Al-hawi on Contiens, que se imprimiu pela primeira vez em Brescia, 
no anno do 1486. 

* Trata d'elle Ben Jallecan no seu Diccionario de homens illustres. Era natural de Ray, c oriundo 
de Tabaristan ; teve os sobrenomes de Beu \l-jattib e Tajro-d-din. 



»3i RA 

xafeita, a cuja consolidação e luzimento contribuiu sobremaneira com seus escri- 
ptos, Abdo-r-rabman ben Om;ir ben Sahl Abu-1-buseyn Ar-Razi, fundador de 
uma escola de sufies ou mysticos ; Ahmed hen Faris Ar-Razi, philologo erudito» 
do qual se conserva um diccionario mui copioso e estimado, da lingua árabe ; 
Abu Yusuf Yâcub ben Mohammed Ar-Razi, Iraductor dos Elementos, de Euclides, 
e muitos outros, que poderiamos citar. 

Nenhum dos escriptores acima mencionados foi historiador, nem residiu na 
Hespanha ^ ; e portanto será indispensável ir procurar o auctor da nossa Chronica 
entre os árabes andaluzes. Porém, como são muitos os que, ou por terem nascido 
no referido districto de Rayya^ ou por serem oriundos d'a]li, usaram do sobre- 
nome ou appellido de Ar-Razi, ahster-nos-hemos de apontar aqui seus nomes e 
profissões, e passaremos desde já a tratar dos três historiadores que houve na 
Hespanha conhecidos por este nome. 

• Mohammed ben Musa ben Boxeyr ben Chenad ben Lakit Al-Quenani, ou 
da tribu de Quenana y Ar-Razi, isto é, natural de Ray, na Pérsia, veiu á Hes- 
panha pelo anno 250 da hégira, ou 86o de Christo. Mercador de profissão, trouxe 
comsigo jóias, drogas e outras producções do Oriente, e estabeleceu-se em Córdova, 
corte então dos Reis da familia de Umeyya. Sua afí'abilidade e bom trato, assim 
como sua instrucção e honradez, lhe grangearam o favor de um poderoso guazir, 
e ultimamente de Mohammed ben Abdo-r-rahman, quinto monarcha d'aquella 
esclarecida estirpe, que lhe conferiu destinos de importância, e o empregou em 
vários negócios árduos de seu serviço. Foi um d'estes, o apaziguar certas dissen- 
ções occorridas em Granada entre árabes e mulados^, por causa da morte vio- 



' Embora se acreJilasse geralmente que Abu Bcquer Ar-Razi veiu á Hespanha e habitou por 
algum tempo em Córdova, onde dizem que escreveu para Almansor um livro, ao qual poz o nome deste 
celebre ministro, é um erro que propagou Hotlinger no seu Bibliothecario, pag. 253. Rasis morreu na 
hégira de 311, isto é, 16 annos antes de q^scer Almanzor; nunca veiu á Hespanha e dedicou sua obra a 
Abu Saleli Mansor Ben Nuh, sultão de Sumanida. 

* Apesar de ter havido também na Hespanha uma provincia chamada Rayya, por se haverem 
flxado n'clla os árabes originários d'aquella região, e de terem Archidona, primeiro, e depois Málaga, 
obtido o nome de Medina Rayya, por terem sido cabeças ou capitães d'aqueile districto, os naluraes das 
ditas cidades usavam do patronímico ou nome ethnico áeAr-rayyi, seguindo uma formação grammatical 
differente. 

■ Na relação da viagem e embaixada feita em tempo de Carlos lí, por um ministro do Imperador 
de Marrocos, enviado a Hespanha para tratar, se encontra acerca d'este Ar-Razi uma noticia mui im- 
portante, que nào podemos deixar passar era silencio. Fallando de Tarifa, ponto onde desembarcou, 
refere o embaixador a entrada de Tarif, que, como é sabido, foi dislincta, e precedeu um anno a da 
Tarik, tomando d'aqui pretexto para introduzir na mera narração de uma viagem ou itinerário desde 
aquelle porto á còrle, passando por Sevilha e (;ordova, um sem (im de noticias, cada qual a mais curiosa, 
extrahidas de livros que nos são inteiramente desconhecidos, porém que sem duvida eram vulgares no 
seu tempo. 

Tratando, pois, de Algeciras e da sua mesquita, chamada em outro tempo «das bandoiras», ex- 
plica a origem do dito nome, e em seguida acrescenta: «Diz Mohammad ben iMozeyn : Achei na biblio- 
theca de Sevilha, no anno de 471, nos dias de Ar-Radhi, fdho de Al-molamed, um pequeno volume, com- 
posto por Mohammed Ben Musa Ar-Razi, O livro das bandeiras, no qual livro trata de como entrou 
Muza ben Noseyr, e de quantas bandeiras entraram com ello na Hespanha, dos corayxítas e outros 
árabes. Enumora-as o auctor, e diz que oram mais de vinte, a saber: duas d'cllas eram do mesmo Muza 
ben iNoscyr: uma deu o principe dos crentes, Abdo-l-malcq-ben-Al-waIid, quando lhe conferiu o governo 
de Ifrigniya (Africa orientai) e das regiões situadas mais alem ; e a outra a deu o principe dos crentes, 
Alwalid b>.'n Abdo-1-maleq, quando o connrraou no governo de Africa oriental c mais paizes que conquis- 



RA iss 

lenta de um renegado chrisláo por um habitante de Elvira. Morreu Ar-Razi no 
regresso d'esta embaixada, em a lua de Rabi, ultima do anno 273, que corres- 
ponde ao mez de outubro de 886 ^ 

«Deixou escripto um livro de historia e genealogia, intitulado: O livro das 
bandeiras^; alem d'isso um filho seu, de quem fatiaremos mais adiante, cita-o a 
miúdo em suas obras como narrador de feitos, que presenciou no Oriente, ou de 
que foi testemunha ocular na Hespanha. 

«Filho do acima mencionado, foi Ahmed ben Mohammed ben Musa Abu 
Bequer Ar-Razi, celebre escriptor, a quem sua extraordinária erudição em maté- 
rias históricas, lhe obteve o sobrenome de At-tariji ou O c/<rom'sía. A ttribuem-lhe 
varias obras sobre historia e geographia da Hespanha árabe, entre as quaes me- 
recem particular menção as seguintes : Uma descripção topographica da cidade de 
Córdova; uma historia genealógica das familias mais notáveis e illustres que 
vieram morar na Hespanha ; Uns annaes da Hespanha árabe, desde sua conquista 
por Tarik ben Zeyyad e Musa ben Noseyr, até aos tempos de Abdo-r-rahman Hl, 
oitavo Rei de Córdova 3. Ignora-se o anno da sua morte, mas é presumir que 
vivesse ainda pelos annos de 325 da hégira, ou 936 de Christo. Faliam d'elle 
Ben Hayyan, Ben Bessan, Al-homaydi, Adh-dhabbi, Ben Rexqual, Ben Al-abbar, 
Ben Al-jattib, e quantos historiadores hão escripto acerca de nossas cousas, 
citando-o a miúdo, e copiando amplos fragmentos de suas differentes obras his- 
tóricas. 

«Mas ouçamos o que acerca d'este Ar-Razi e de seus escriptos diz Almaccari 
no liv. II, cap. IV de sua historia, tratando das obras litterarias dos árabes anda- 
luzes : «Ahmed ben Mohammad ben Musa Ar-Razi Ar-tariji, escreveu varias 
obras de historia e de topographia de Hespanha, e com especialidade um bastante 
volumoso, em que descreve os caminhos, portos, montes, rios e cidades principaes 
da peninsula; os seis chund^j ou districlos militares, em que então estava divi- 
dida, o numero e qualidade de suas províncias, as producções tanto vegetaes 
como mineraes de seu solo, e até mesmo outras noticias individuaes, que em vão 
se procurariam em outras obras d'aquelle tempo.» 



lasse até Al magreb. Outra terceira bandeira era a de seu filho Abdo-1-aziz, o que entrou cona clle na 
Hespanha; e as outras eram do coraxylas, caudilhos árabes, e principaes governadores, que vieram com 
clle. Também traia Ar-Razi no seu livro de outras familias que entraram com Muza e não traziam 
bandeira, 

E mais adiante: «E dizem que a reunião dos caudilhos (para deliberar) n'aqueile honrado consis- 
tório, se verificou no sitio mesmo da mesquita das bandeiras, em Algeciras, o qual se chamou desde 
então assim, e que por isso mesmo Al-Razi intitulou sua obra O livro das bandeiras. 

O manuscripto, que ó copia de letra de D, Manuel Vacas Lepina, pára hoje nas mãos do meu 
amigo c companheiro D. Serafin Eslevanez Calderon. 

' «Mulado», corrupção de «Muwailad», que vale tanto como filho ou descendente de paos que não 
são árabes. Dava-se este nome aos filhos de renrgados christàos. 

' Estas noticias são tiradas da Historia de Al-maccari, livro vi. 

• Desta ultima obra, que devia ser mui importante, acham-se frequentemente citações e extractos 
em Ben Hayyan, Ben Al-abbar, Ben Al jaltib e outros. 

* Chund, que faz seu plural achnad, significa propriamente exercito, reunião de homens alistados 
formando corpo; lambem: divisão ou districto militar. Deu-se este nome a cinco províncias de Syria, 
chamadas Damasco, Emessa, Kennesrin, Al-ordan e Filistin. Quando Baich e os árabes da Syria ou 
chaldeos, como Ihet, chamam nossos antigos clironistas, vieram á Hespanha, foi preciso dar-lhes terras 
e províncias em que morassem, segundo o chund, a que pertenciam ; de onde proveiu chamarem a <ira- 
nada, Damasco; a Sevilha, Emassa; a Jaen, Kennesrin; a Málaga, Ai-ordan, e Xerez, Filistin. 



ÍS6 RA 

«E em outro logar: «Alem da obra citada acima, Ahmed Ar-Razi escreveu 
uma historia dos Beis de Córdova, na qual refere seus memoráveis feitos e ditos, 
desgraças, victorias e derrotas. Também eompoz uma deseripção topograptiica 
de Córdova, igual em tudo á que escreveu de Bagdad o celebre historiador 
Ahmed ben Abi Tahir, e na qual assignala os nomes de todas suas ruas, praças, 
arrabaldes e descreve seus edifícios públicos, mesquitas, palácios, banhos, pontes 
e jardins^» 

«Esta noticia foi copiada por Al-maccari da obra de Adh-dhabbi, o qual a 
tomou de seu mestre Al-homaydi, sábio mallorquim, que eompoz varias obras de 
historia, e entre outras uma biographia de homens celebres intitulada Ihigyato- 
l-moltamis fi tarij rechali-l-andalus. Da obra de Adh-dhab-bi se conserva uma 
copia antiga, ainda que bastante maltratada, no Escurial ; a de Al-homaydi não 
se encontra (que nós saibamos), senão na bibliotheca Bodleyana de Oxford. 
Como Al-maccari é auctor comparativamente moderno, pois escreveu pelos annos 
àò 1634, e poderia parecer suspeito, vamos trasladar aqui a noticia de Ar-Bazi, 
segundo se acha no códice de Oxford. 

«Ahmed ben Mohammed At-tariji, O chronistaj versado nas historias, escre- 
veu acerca das cousas notáveis de Almagreb (Occidente), vários livros e entre 
elles um mui grosso, no qual descreve os caminhos ou itinerários de Hespanha, 
seus portos e principaes cidades; os sete chund ou districtos militares, as parti- 
cularidades de cada uma de suas provindas, e aquillo que n'ellas se acha, que 
se não encontra em outras. Assim o refere Abu-Mohammed ben Hazm, o qual 
faz o elogio de Ar-Razi.» 

«Depois d'este artigo, aeha-se o seguinte: «Ahmed ben Mohammed ben 
Miisa-Ar-Bazi Abu Bequer Andalusi (domiciliado em Hespanha), Cortobi (vizinho 
de Córdova), era oriundo de Ray ou Bayya. Escreveu acerca da historia dos Beis 
de Hespanha, de seus ministros, de suas desgraças e guerras, um livro mui volu- 
moso. Corapoz também uma obra em que descreve Córdova, seus limites e prin- 
cipaes edifícios, parecida com a que a respeito de Bagdad eompoz Ahmed ben 
Abi Tahir, na qual este referiu a historia da dita cidade, e tratou dos companhei- 
ros e cortezãos de Almansor. Assim o diz Abu Mohammad ben Hazm, o qual 
acrescenta que Ahmed ben Mohammad ben Musa escreveu também a respeito de 
linhagens de Hespanha ^ uma obra em cinco tomos grossos, do melhor e mais 
abundante em noticias que jamais se escreveu. Assim o affirma o dito Abu Mo- 
hammed ben Hazm, ainda que não está claro se este Ahmed ben Mohammad ben 
Musa é o mesmo a quem chama Ahmed ben Mohammad Attariji, ou diíTerente, 
dois logares da sua historia, ainda que são para mim um mesmo 3; porém, só 
Deus sabe a verdade das cousas.» 



' Cousa desejada para aquelle que appelcco insliuir-sc na historia dos varões illuslres de Hes- 
panha. 

' Ben Al-Abbar cita uma obra de Ar-Razi, intitulada: Collecção de linhagens, a qual, sem duvida, 
é a mesma aqui citada. (Cod. Escur., foi. 119, na Vida do guacir ChehwarJ 

• Segundo B^'n Jallccan, em suas Mortes dos varões illuslres, Abu Mohammed foi uma espccie de 
Tostado, poslo que, por seu fallecimento, occonido na iiecira de 466, se acharam escriptas por seu 
punho muitas das obras originaes, as quaes formavam cerca do 400 volumes in-1'olio, ou 80:000 cadernos 
de papel. Veja-so taiubcm AI-Maccari, tomoi, foi. 147 da Iraduci-âo iugleza. 



RA 157 

«o Abu Mohammed ben ílazm aqui cilado, foi fillio de Ahmed ben Hazm, 
guacir de Hixem II. Pela morte de seu pae, Decorrida na hégira de 402, sucee- 
deu-lhe no emprego; foi, alem d'isso, eseriptor diligenlissimo em todas as maté- 
rias, e deixou S entre outras obras, uma historia de Hespanha intitulada: Os 
bordados da noiva, ou noticias dos califas de Córdova^ e uma risela ou epistola, 
em que trata da aptidão dos árabes hespanhoes para todo o género de sciencias, 
e dos progressos que n'ellas fizeram 2. D'esta ultima tiraria Al-homaydi, que foi 
discípulo de ben Hazm, as noticias que dá a respeito de Ar-Razi. 

«Filho d'este, e neto do primeiro, foi Iza ben Ahmed ben Mohammad ben 
Musa Ar-Razi, que também devia ser eseriptor, posto que Ben-Hayyan, Ben-AI- 
jatibb e outros o citem a miúdo nars suas respectivas chronicas. Nada dizem 
d'elle os biographos andaluzes, do que se infere que, ou não alcançou a celebri- 
dade de seu pae, ou as obras que escreveu não foram mais do que um extracto 
ou compêndio das d'este, achaque mui commum nos litteratos árabes, entre os 
quaes o jilho ou discípulo de um auctor trasladava e copiava sem acanhamento 
algum as obras de seu mestre. Sem embargo o valenciano Ben-Ab-abbar Al-codhai 
attribue a este Ar-Razi, isto é, a Iza, íilho de Ahmed, e neto de Mohammed, 
umas memorias históricas dos hachebes, ou primeiros ministros dos Reis de Cór- 
dova, e ha fundamentos para crer que ao dar á luz as obras históricas de seu 
pae Ahmed, as continuaria até seu tempo. Não existindo nos diccionarios biogra- 
phicos do Escurial noticia alguma a respeito d'este eseriptor, não sabemos dizer 
de um modo positivo em que epocha floresceu; porém se seu pae Ahmed vivia, 
segundo temos dito, no reinado de Abdo-r-rahman 111, ou seja pelo meiado do 
século x da nossa era, ha rasão sobrada para crer que alcançou os tempos de 
Hixem II, decimo Rei de Córdova, o qual começou a reinar no anno 366 da hé- 
gira (ou 976 de Christo) administrando seu império, ou melhor, reinando em seu 
nome o celebre guacir Mohammed ben Abi Aamer, mais conhecido pelo cognome 
de Almanzor. 

«Fica pois provado que houve na Hespanha três historiadores com o nome 
de Ar-Razi: o primeiro, chamado Mohammad ben Musa, que floresceu durante os 
reinados de Al-haquem T, Abdo-r-rahman 11 e Mohammed I; o segundo, Ahmed 
ben Mohommad ben Musa, que provavelmente vivia ainda no anno 323, no rei- 
nado de Abdo-r-rahman IH ; e o terceiro e ultimo, Isa ben Ahmed ben Mo- 
hammad ben Musa, que alcançou os tempos de Hixem II. Temos visto pelos 
extractos de Al-homaydi, que Ahmed deixou eseriptas duas obras parecidas no 
seu texto á Chronica castelhana, a saber : uma descripção da Hespanha árabe e 
uma historia dos seus Reis; a mesma que, segundo todas as probabilidades, 
addicionou e continuou até seu tempo, seu filho Isa. Se a isto se acrescentar que 
o exemplar que foi de Ambrósio de Morales se altribue a Ahmed, filho de Mo- 
hammad ben Musa Ar-Razi, fica desde logo estabelecida a identidade do auctor. 

«Falta-ncs agora provar que a Chronica castelhana é traducção, embora 
má, de uma d'estas obras, talvez de ambas, e não, como se acreditou até hoje, 
uma novel la, á qual se poz, para a auctorisarem, o nome de tão celebre eseriptor. 



' Al-Maccari (lomo 1, foi. 171-190), copia uma grande parte d'csta epistola, na qual se dão inte- 
ressantes pormenores acerca das obras lilterarias dos árabes hespanhoes. 
» Cod. Escur., num. 1:649, foi. 9, v. 



158 RA 

•Al-maccari, se não teve presentes as obras originaes de Ar-Razi, teve ao 
menos presentes as de outros historiadores mais modernos, que seguiram as 
pegadas d'aquelle escriptor, e o copiaram á letra, como são: Ben Hayyan, Ben 
Baxcual, Ben Said, Al-homaydi, Ben Alabbar de Valência, e Ben Al-jatlib de 
Granada; introduz no liv. i, cap. i, de sua Historia, vários fragmentos da des- 
cripção de Hespanba, de Ahmed, os quaes, cotejados com seus correspondentes 
paragraphos da Chronica castelhana^ tornam clara sua identidade, e confirmam 
nossa asserção. 

«Para maior segurança, porém, eis aqui o seguinte, traduzido do árabe: 
«Disse o Xeque Ahmed ben Mohammad ben Musa Ar-Razi: «A terra de Anda- 
luz é o ultima do quarto clima até ao presente, e é tida entre os sábios por 
terras de bons campos e férteis veigas, ricas em fruclos de todas as espécies, 
regada por caudalosos rios, e cheia de mananciaes de agua doce. Acham-se 
n'ella mui poucos reptis venenosos; é bafejada por bons ares e temperatura; a 
primavera, outono, inverno e estio se succedem sem que se note differença na 
passagem de uma estação para outra. Os fructos nascem sem interrupção, succe- 
dendo-se uns aos outros na maior parte dos mezes do anno. Por isso nas costas 
e districtos adjacentes todos os fructos são mui temporãos, ao passo que no 
Tseguer^ e na sua terra, nos paizes montanhosos, são geralmente mais tardios; 
de sorte que duram todo o anno as bondades da terra e nunca faltam seus fructos 
em qualquer estação que seja. Tem, alem d'isso, uma propriedade, a qual con- 
siste em se assimilhar á índia em vários fructos e producções singulares, produ- 
zindo plantas, que são peculiares áquellas regiões, taes como o mahaleb^, que é 
o mais excellente dos tónicos ou refrigerantes, e a mais avantajada entre as varias 
espécies de aikaii, e tão somente se cria na índia e n'esta terra. 

«Hespanba tem cidades fortes e castellos inexpugnáveis, torres bem presi- 
diadas e alcaçares excellentissimos. Tem, outrosim, terra e mar, planícies e mon- 
tanhas; sua figura é triangular, apoiando-se em três ângulos ou pontas, dos quaes 
o primeiro é o sitio em que se acha o ídolo ^ de Cadiz, bem conhecido em toda a 
Hespanba, alli onde está a saída do Mar Mediterrâneo, chamado também o Xemi 
ou de Syria, o que banha as costas meridionaes da Península. Com o segundo 
até ás parles orientaeá de Hespanba, entre as cidades de Narbonna e de Bordhil 
(Bordéus), as quaes se acham hoje em dia nas mãos dos Francos, olhando para 
as duas ilhas de Malhorca e de Menorca, e para a proximidade dos dois mares, a 
saber: o mar que circumda toda a terra (Oceano), e o mar que lhe corre pelo 
meio (Mediterrâneo). Entre estes dois mares está a terra, que chamam as portas, 
e serve de entrada para os que vem á Hespanba desde a terra grande ou conti- 
nente, ou desde o paiz dos Francos. A distancia entre os dois mais é de dois 
dias de jornada, e a cidade de Narbonna olha para o Mediterrâneo. 



' Por Tseguer, que hoje em dia se pronuncia teguer, entendem os árabes o Aragão e sua fronteira, 
de onde proveiu darem o nome de tagarinos aos mouros d' aquellc reino. Os zegrés de Granada eram 
também oriundos de Aragão. 

* Mahaleb ou Magalep, espécie de cerejeira brava, chamada por outro nome arvore de Santa Luzia, 
cujo fruclo era antigamente usado como perfume. 

• ídolo, spnam; assim chamavam os árabes a todo o lemplo ou construcçâo, como lambem a toda 
.a figura ou estatua do tempo dos romanos. Al-Maccari diz que no alto da torre ou vigia de Hercules, em 
Cadiz, havia uma estatua de bronze que tinha na mão direita as chaves do estreito. Veja-se acerca d' isto 
o que diz a Chronica gerai de El-Rei D. Âffonso, cap. V. 



RA 1S9 

«Fixa-se o terceiro angulo entre o Soptentrião e o Occidente, na terra cha- 
mada Chaliquiya (Galliza), alli onde os montes chegam ao mar, e no píncaro de 
um dVlles se ergue um alto edifício parecido com o idoio de Cadiz, o qual serve 
de alalaya para a terra da Bretanha ^. 

«Disse Al-Hazi: «As Hespanlias são duas, segundo a diversidade do sopro 
de seus ventos, a queda de suas aguas e o curso de seus rios, a saber: Hespanha 
Occidental e Hespanha oriental. A occidental é aquella cujos rios desembocam no 
Oceano occidental, e na qual chove com ventos do poente. Seus limites são, co- 
meçando nas partes do Levante juntamente com a mefaza^^ que sáe do norte até 
o districto de Santa Maria, subindo um pouco até ao partido de Agreda, nas im- 
mediações de Toledo, inciinando-se depois para o poente e chegando até aquella 
parte do Mediterrâneo que fica em frente de Garthagena, a nova, na terra de 
Lorca. Toda aquella parte que se defronta com o occidente d'esta linha, chama-se 
Hespanha occidental. A oriental, conhecida também pelo nome de Hespanha a 
rcn)ola, é aquella cujos rios correm para o oriente, e na qual chove com os ventos 
de levante. Seus limites são, partindo desde a extremidade dos montes dos vas- 
cões, e seguindo o curso do Ebro até ao paiz de Santa Maria ■^. Ao norte d'esta 
zona e ao occidente, está o mar Oceano, ao sul o mar do Algarve, do qual, se- 
gundo já dissemos, sáe o mar que banha as costas de Xam ou Syria, chamado 
por outro nome Mar Tyren (Tyrrhenum maré), que vale tanto como mar que 
corta a redondeza da terra; outros lhe chamam Mar Grande. 

«Os anteriores extractos, feitos, segundo já dissemos, da obra de Almaccari, 
correspondem aos paragraphos 3, 4 e o da Chronica casielhanaj e se hão de en- 
contrar no appendice n.*» 1. Por elles se virá no conhecimento de que, mesmo 
barbaramente feita, e mui interpolada;^ segundo mais adiante diremos, a Chronica 
é real e eífectivamente traducção de uma obra de Ar-Razi. É preciso não perder 
de vista que Gil Perez não sabia a lingua arábica, e também não fez mais do 
que escrever o que Mohammad e outros lhe dictavam, como elle mesmo declara 
no seu prologo; que n'aquelles tempos as traducçôes que se faziam antes apre- 
sentavam o sentido do que a letra*; que o original está escripto em sentido ele- 
vado e conciso, e portanto mui diílicil de trasladar para uma lingua tão pobre 
como devia então ser a gallega ou portugueza; e por ultimo, que não existindo a 
versão primitiva, não sabemos até que ponto as duas castelhanas, que sobre ella 
se fizeram, foram posteriormente alteradas ou corrompidas. Que o foram muito, 
e de um modo tão cruel, que apenas ha só um nome próprio que conserve sua 
forma original, se collige do mesmo texto da chronica, e principalmente da parle 
relativa á descripção de Hespanha, que a nosso ver é a mais importante. 



' Aqui por terra de Bretanha poderá enlender-se a Inglaterra. 

. Mefaza, significa, pois, árido e inculto, linha de fronteira, e por conseguinte não é facil deter- 
minar sua situação. 

' Santa Maria de Abreu Razin, chamada por outro nome. 

* As versões latinas de Averroes, Avicenna, Abulcassis e até do mesmo Rasis, feitas por Gerardo 
Carmonense, impropriamente chamado por alguém Cremonense, ou de Cremona, Mantino e outros, são 
uma prova de como se traduzia na idade media. Quem houver tido ensejo de comparar as traducçôes 
com o original, ha de concordar comnosco, em que os iraduclorcs d'aquelles remotos tempos não se 
recommcndam pela sua fidelidade. 



160 RA 

«Não nos será Ião fácil o provar que a segunda parte da Chronica é também 
iraducção do árabe. Ê provável que o traductor portuguez, não encontrando nos 
escriptos de Ar-Razi uma noticia bastante extensa dos Reis da Hespanha primi- 
tiva, da vinda dos phenieios, carthaginezes e mouros ; da irrupção dos alanos, 
suevos, vândalos e outras nações do norte, dos godos e seus Reis até aos tempos 
de D. Rodrigo, supprimiria a dita falta com a ajuda dos chronicões e memorias 
que existissem no seu tempo; talvez, também, com as poéticas tradições de uma 
idade, em que a fabula e as ficções cavalherescas substituíam as mais das vezes 
a historiai 

«Do mesmo modo, no século a que alludimos, Affonso, o Sábio, introduzia 
na sua Historia da grande conquista do ultramar, as aventuras do cavalleiro do 
Cisne, e um escriplor anonymo fazia da historia de Roma um livro de cavallaria. 
Ainda assim, comtudo, é evidente que o traductor deu mais apreço ás memorias 
fabulosas dos árabes, do que és tradições christãs. Por exemplo, a vinda de His- 
pan á Hespanha 2 ou Espan, filho de Japet, e os vários feitos do seu reinado, 
taes como se referem na Chronica, podem-se ler em Al-maccari, copiados de um 
liostoriador que floresceu em Córdova pelos meiados do século ix da nossa era 
vulgar. A tradição de que um Rei de fíespanha tomou á força de armas a Ria ou 
Jerusalém, saqueou seu templo e trouxe para Hespanha, entre outros objectos 
preciosos, a celebre mesa de Salomão, e uma esmeralda ou carbúnculo magnifico, 
que o conquistador Musa achou depois n'uma igreja de Merida, acha- se referida 
pelos mesmos termos, por quantos escriptores antigos ou modernos trataram com 
individualidade os successos da conquista 3. 

«É lambem para advertir que em nenhuma parte da Chronica castelhana se 
notam tantos e tão frequentes indicios de gratuita interpolação como n'esta; mui 
a niiudo o traductor, esquecendo que é interprete de outro auctor, falia elle 
mesmo, como se a relação fora sua própria, e não de outro; e por ultimo é aqui 
onde se encontra a celebre divisão dos bispados, attribuida a Constantino ^ e que 
tanto ha dado que pensar a nossos críticos modernos, e o nome de um Rei godo, 
chamado Acosta, successor de D. Rodrigo, que alguns pretendem, sem mais fun- 
damento, incluir na serie de nossos Reis. 

«Apesar do exposto, não nos atrevemos a dizer que esta parte da Chronica 
soja inteiramente uma addição de Gil Perez, ou de quem quer que for o traductor 
de Rasis ^ Os árabes conheciam nossa historia muito melhor do que pensámos ; 



' Muitas d'estas fabulas acharam cabimento na Chronica geral de El-Rei D. Affonso, e Marianna, 
e alguns outros de nossos melhores historiadores, admittiram-as «em rebuço. 

* Gesta Romanorum con applicationibus moralisalis ac misticis. 1489, foi. 

' E dizem que um Rei reinou na maior parte da terra e saiu de Sevilha depois que leve Hespanha 
em seu poder, e foi a ília, e tomou-a á força, e matou e destruiu cem vezes mil judeus e captivou outros 
tantos, e espalhou pelas terras outros tantos, e trouxe muitas pedras maravilhosas para Sevilha, Cór- 
dova e foledo, e esto Rei esteve na tutrada da casa santa de Jerusalém . . . c El-Rei . . . Depois vieram 
sobre a casa santa de Jerusalém muitas hostes, que de todas as partes dos Reis alli havia, e este Rei, 
que sairá de Sevilha, manteve-se no senhorio de Hespanha vinte annos, o qual nunca eraprehendea 
cousa que não levasse a cabo, e este tomou a mesa de Salomão, e a pedra que depois tomaram em Me- 
rida, c o cântaro de aljôfar que para alli trouxera lambem o Rei do Hespanha. V. Al-Maccari, tomo i, 
Apen., p. XXV. 

* V. Flores, Espana Sagrada, tomo iv. 

* A versão portu;íueza da Chronica suppõe-se feita por um clérigo porluguez, chamado Gil Perez, 
com auxilio de um mouro chamado Meslro Mabomat (outros acrescentam el-Aalarife) ; e dizemos que se 



RA «61 

nâo poucos fallavam e até mesino escreviam em latim ou em romance, e houve 
sempre em Córdova, Toledo, Sevilha e outras cidades principaes, infinitos mosara- 
bes versados na historia e antiguidades de sua pátria, os quaes traduziram para 
o árabe varias obras latinas. Durante o reinado de Al-haquem II, e cabalmente 
até ao tempo em que devia florescer Ar-Razi, se fez uma traducção de Paulo 
Orosio, citado frequentemente pelo geographo Al-becri e por outros. A que escre- 
veu o bispo francez Edelberto, corria também traduzida para o árabe, pois a cita 
Al-mesudi, escriptor do século x, nos seus Prados de oiro. Um dos tomos da 
Chronica de Ben Hayyan, de Córdova, trata exclusivamente dos reinos de Astú- 
rias e de Leão, e está compilado, segundo o declara seu auclor, sobre memorias 
originaes de christãos refugiados em Córdova. Outro tanto pôde dizer-se de Mo- 
hammad Al-hichari, ou de Guadalaxara, escriptor do século xi, quem deixou 
escripta, entre outras, uma historia dos Reis de Leão e de França, e outra dos da 
Sicilia, desde sua reconquista pelos normandos. Por ultimo, Ahen Jaldun, escri- 
ptor africano, mas oriundo de Sevilha, e que fez uma viagem a Granada, consa- 
gra um capitulo de sua vasta e excellente cyclopedia histórica á historia e chro- 
nologia de vários reinos christãos da Península no século xiv i, sendo para adver- 
tir que é tanta a clareza e acerto com que trata de successos tão antigos e 
estranhos á sua nação, que mais de um ponto histórico, obscuro até agora, e 
embrulhado, pôde ser illustrado com o seu auxilio. 

«Porém, se cabem duvidas, e mui rasoaveis, emquanto á authenticidade 
d'esta parte da Chronica, não se dá o mesmo com a que, começando na batalha 
de Guadelete, refere as cousas dos árabes, e contém a chronologia dos Reis de 
Córdova. Ao nosso modo de ver, nada se oppõe a que esta parte seja traducção 
de Ar-Razi, o qual, segundo já dissemos, escreveu a historia dos Beni Umeyya. 
Deixando de um lado os infinitos erros de traductores e copistas, demasiado fre- 
quentes, desgraçadamente, em obras d'esta espécie, a consequente corrupção dos 
nomes próprios, e a escassa intelligencia dos que ajudaram a Gil Perez na sua 
difficil tarefa, não ha nenhum dos successos que alli se referem, nem das datas 
que alli se assignalam, que não estejam auctorisados pelos historiadores de maior 
reputação; e por mais que Casiri se tenha esforçado em provar o contrario, seus 
argumentos são de pouco peso, na presença dos testemunhos irrecusáveis da 
historia. 



suppõe, por se não encontrar outra prova da dita asserção, que o declara assim a copia, que foi do por* 
tuguez Rezende. Acrescent-vse que a versão foi feita por mandado de El-Rei D. Diniz de [Portugal, 
sobrinho de D. Alonso, o Sábio (1279-1325); mas nem na Chronica d'esle Rei, composição de Ruy de 
Pina, nem em outros livros que temos consultado, se acha a menor noticia relativa a este assumpto. 

É pena que Gayangos nem sequer lesse no vol. v da Monarchia lusitana, as seguintes palavras 
cscriptas por fr. Francisco Brandão (pag. 10): «Trabalhou muito El-Rei D. Diniz por enriquecer a 
lingua portugueza, e para este fim mandou traduzir u'ella muitos livros escriptos em varias linguas, que 
hoje nos faltam. E em particular se traduziu por sua ordem, da lingua arábiga, a Historia do mouro 
Rasis, chronista do primeiro Almançor, Rei de Córdova, na qual se deu uma noticia das cousas de Hes- 
panha anliguas mui necessárias.» 

Gil Porez, segundo aífirma Rezende na epistola latina a Barlholomeu Quevedo, foicapellão de 
Pedreanes Porsel, nobre cavalleiro da illustre casa de Avoim, cuja genealogia e descendência &e encon- 
tra, com effeito, em o Nobiliário do conde de Barceílos, filho de El-Rei D. Diniz, ediç. Lavanha, pag. 335. 

' Memoriales á la academia, na sua junta ordinária de 5 de outubro de 1847 , traducção caste- 
lhana deste interessante capitulo, illustrada com annotações e observações chronologicas. 

11 



16i RA 

«Citaremos um exemplo : Diz a Chronica que Mohámmad I, a quem chama 
Mafoma, morreu no anno 273 da hégira, depois de um reinado de trinta e quatro 
annos e dez mezes, e que seu filho Abdollah morreu quando andava a era dos 
mouros em trezentos annos, datas que estão concordes ambas com a chronologia 
dos melhores auctores, havendo decorrido vinte e sete annos inteiros entre a 
morte do primeiro e a do segundo. Casiri, comtudo, funda n'este anno um dos 
seus prineipaes argumentos contra a Chronica castelhana, sem reparar que entre 
Mohámmad e Abdollah houve em Córdova outro Rei chamado Almondzer, irmão 
de Mohámmad, o qual, segundo a mesma Chronica e as melhores memorias dos 
árabes, reinou um anno, onze mezes e quinze dias. 

«Porém, se é bem certo que temos a convicção mais intima de que esta 
parte da Chronica castelhana é igualmente traducção de uma historia dos Reis de 
Córdova, composta por Almed Ar-Razi, e continuada por seu filho Iza^, até aos 
tempos de Hixem 11, também o é que não temos achado entre as muitas passa- 
gens que da dita obra copiam ou extractam Ben Hayyan^, Al-hoomaydi', Ben 
Bessan^, Ben Al-abbar^ e Hen Aljatib^ nenhuma que prove tão completamente 
nossa asserção, como as relativas á descripção de Hespanha, que já deixámos 
copiadas em outro logar. Sem embargo, como teremos de ver opportunamente em 
as notas a esta parte da Chronica castelhana, na mesma relação e ordem dos 
feitos se nota certa unidade e similhança, que, a nosso modo de ver, não deixam 
duvida alguma emquanto a ser traducção de Ar-Razi ou de algum escriptor que 
seguiu suas pegadas. É provável que o traductor portuguez, a quem não deviam 
interessar muito as cousas dos mouros, supprimisse certos pormeneres alheios ao 
seu propósito; talvez a obra também não chegasse a suas mãos senão em com- 
pendio, cousa mui vulgar na historia da litteratura árabe. 

«Poremos remate a esta historia trasladando para aqui uma passagem de 
certa chronica árabe, que se conserva na bibliolheca real de Paris, escripta por 
un) anonymo até aos fins do século x. É tal a similhança que n'ella se nota com 
a Chronica castelhana, que se poderia conjecturar ser obra de Ar-Razi, ou de 
algum escriptor que o copiou á letra, tanto mais quanto termina no reinado de 
Al-haquem II, epocha em que, segundo o que fica dito, floresceu e escreveu Isa 
Ar-Razi, filho de Ahmed Ar-Razi, e neto de Mohámmad ben Musa Ar-Razi, e 
onde conclue também a Chronica castelha7ia'' . 



* São commuDS entre os árabes bespauhoes os exemplos d'esta classo. A historia que cscrcvPQ 
Abdollah-AI-hichari (ou de Goadalajara), foi a.idicionada em primeiro logar por Abdo-I-malcq ben Said, 
depois por dois filhos d'esles, chamados Ahmed e Mohammed, em seguida por Musa, o Olho de Moham- 
meil, e ultimamente por Abu-1-hasan, filho de Musa, n'um período de cento e vinte e cinco annos. 
Al-Mnrcari, liv. ii, cap. v. 

' Bill. Bodl., n. 137. 
« Ibid., n. 464. 

* Ibid., D. 749. 

» Bihl Escur., n. 1:670. 

« Ibid., n. 1:667. 

^ Encontra-se no fim da obra de Abu Bequer Mobammed ben Ornar ben Abdo-I-azis, escriptor do 
século X, mais conhecido pelo cognome de Ben Alrulyya, ou o Descendente da goda, por trazer sua ori- 
gem de Sarah, neta do Rei Witiza. Intitula-se Collecção de memorias históricas sobre a conquista de 
Hespanha, e começa pelo reinado de Al-walid ben Abdo-1-maleq, em cujo tempo invadiram e conquista- 
ram 08 árabes nossa península. 



RA í«3 

"Depois de referir com mui e mui interessantes pormenores a primeira 
entrada de Tarif, a quem nossos chronistas e historiadores confundem com Tariq 
ben Zeyyad, a que este fez um anno depois, a Ijatalha de Guadaleto e a tomada 
de Ecija, diz assim : 

«E enviou (Táriq) a Mugueitz el rumi, liberto de Al-walid ben Abdo-1-ma- 
leq, sobre Córdova, a qual era n'aqueHe tempo a maior de suas cidades, e hoje 
em dia é a casba de Hespanha e seu cairoioan^, e a sede de seu império. Ia 
Mogueitz com 700 ginetes, que não enviou Táriq com peão algum, fazendo-se os 
muzlimes lodos montados (á custa dos infiéis) ~. 

«Também hábil nas cousas da guerra e ao mesmo tempo mui astuto, pois 
como visse que a gente que tinha ás suas ordens, não mostrava animo para 
defender-se, dispoz que as mulheres de Oriola, vestidas de homem, com o cabello 
solto e lanças nas mãos se deixassem ver sobre os muros da cidade, misturadas 
entre os poucos soldados que o deixavam, e postas á vista do exercito sitiador, 
até que podesse obter uma capitulação honrosa. Isto assim disposto, o mesmo se 
disfarçou em faraute, e havendo antes solicitado e obtido o competente salvo 
conducto, se apresentou no campo dos muslimes, e não cessou de negociar com 
o que os mandava, até que obteve uma capitulação para si e para os seus, de- 
baixo das condições seguintes: que toda a província de Tudmir disfructaria a 
paz outorgada, sem que se lhe fizesse violência 3, nem pouca nem muita, e que 
elle, Theodomiro, ficaria por governador da província, conservando seus bens e 
propriedades. Concluída (e firmada) a capitulação, Theodomiro se deu a conhe- 
cer, e lhes disse seu nome, e em seguida os introduziu na cidade. E os muzlimes, 
como não vissem dentro ninguém capaz de resistir, se arrependeram do que 
tinham feito, de modo tal, que não deixaram, por isso, de cumprir com o pa- 
ctuado. Escreveram logo a Tariq, dando-lhe noticia do occorrido; e pouco depois, 
tendo deixado em Tudmir alguma gente, o resto do exercito se poz em marcha 
para reunir-se com Tariq em Toledo. 

«Emquanto isto se passava em Oriolas, Mogueitz tinha ao Rei de Córdova 
sitiado na igreja. Havia já três mezes que o tinha cercado, e tanto os sitiados 
como os sitiadores estavam fartos e cansados do sitio, quando certo dia, ao ama- 
nhecer, veiu alguém a Mogueitz, e lhe disse : «Oelche saiu sósinho, e fugindo 
em direcção á serra de Córdova, é seu intento reunir-se com os seus em Toledo; 
deixou sua gente dentro da igreja.» 

«Partiu, pois, Mugueitz, em seu seguimento, sósinho e sem levar a ninguém 
dos seus; e, quando o christão o viu, turvou-se, e mettendo esporas ao cavallo, 
saiu do caminho, e chegou a um fosso, por cima do qual quiz que seu cavallo 
saltasse; este tropeçou, partiram-se-lhe os braços e caiu. Chegou logo Mogueitz 



' Quer dizer: «Sua capital e sua metrópole». A casha ou alcazaba, como nos outros dizemos, é o 
centro da cidade, a parle mais nobre d'ella, onde reside ordinariamente El-Rei ou o governador. Cairowan 
é o nome de uma cidade fundada por Ocba ben Nafe, um dos conquistadores da Africa, a qual foi por 
long )s tempos capital das possessões árabes n'aquella re{,'ião. 

* Os barberescos, que vioram cora Tariq, eram pela maior parte gente apé; e não pôde ser de 
outro modo, não tendo então os árabes marinha para tr insportar á Hespanha 12:000 cavallos. Todos, 
ou a maior parle, segundo dá a entender Al-Maccari, se achavam monlados depois da batalha de Gua- 
dalele. 

* Isto é, que nenhuma parte da província, nem pouca, nem muita, seria tralada como paiz con- 
quistado. 



164 RA 

seu captivo, sendo esle o único Príncipe godo que veiu a cair nas mãos dos 
musulmanos,' porquanto os restantes, uns fugiram para as Astúrias e outros 
capitularam. 

«Depois d'isto voltou Mogueitz contra os christâos que ficaram em Córdova, 
e os fez a todos prisioneiros, passando-os logo a cutello, rasão pela qual aquella 
igreja se ficou chamando desde então a «igreja dos captivos ^ 

«Emquanto ao Rei seu prisioneiro, guardou-o perto da sua pessoa para o 
apresentar a seu tempo ao Príncipe dos fieis. Reuniu logo aos judeus de Córdova 
e os fez morar juntos (n'um bairro separado) ; elle mesmo fixou sua residência 
na alcáçova, e deu a cidade por habitação a seus soldados. 

«Tal é a relação do anonymo parisiense; compare-se com os respectivos 
paragraphos da Chronica castelhana, e ver-se-ha não ser tão arrojada a nossa 
proposição de attríbuir a Ar Razi, ou, pelo menos, a algum escriplor da sua 
escola, e que seguiu suas pegadas, a obra de que se trata, a qual, seja dito de 
passagem, "é uma das mais importantes para a historia nacional, e mereceria bem 
ser vertida para o nosso idioma. 

«Seja como for, e voltando á Chronica castelhana, tanto a parte geographica 
como a histórica merecem ser tiradas do olvido em que têem jazido até hoje, e 
cremos, portanto, dever publicai- as em appendice, com as opportunas declarações 
e correcções, com o fim de que os affeiçoados a esta ordem de estudos possam 
julgar do seu merecimento respectivo, e aproveitarem-se das noticias que encerram. 

«Ainda que não tivemos á vista nem o códice de Toledano, nem o que foi 
de Ambrósio Morales, e se julga estar boje na livraria do Escoriai, consultamos 
duas copias, ao parecer fieis e exactas, que se conservam entre os manuscriptos 
d' esta academia, e das quaes uma que foi do marquez de Valdeflores, está feita 
sobre o códice de Toledo, tem nas margens as variantes do de Morales. Tivemos 
também á vista a que foi do doutor Bernardo de Aldrete, e que se conserva no 
archivo da secretaria de estado. 



«Et nos maestre Mohammad, et Gil Perez, clérigo de Don Peynos Porcel, 
por mandado dei mui noble rrei Don Dionis, por la gracia de Dios, rrei de Por- 
tugal, trasladamos este libro de arábigo en lengua portogalesa, e tememos por 
bien de seguir el su curso de Rasi. De mi, Gil Perez, os digo que non menti mas 
sin menos de quanto me dixeron Mohammed, et los otros que me leieron. 



* 



«E Merida é aíamada por todas as terras como forte. E digo-vos que não ha 
homem no mundo que por miúdo possa contar as maravilhas de Merida. Estando 



' Al-Maccari copiou ludo islo quasi á letra, sem dizer, comludo, que o auclor, segundo ootra 
▼ersâo, diz que Mogueitz intimou os christâos a que se rendessem, p como clles se negassem a isto 
lançou fogo á igreja, a qual se ficou cbamaudo, desde aqucllc dia, «a igreja dos queimados>« 



RA 165 

alli Ixim, certo dia em que sua corte regressava das cidades de Hespanha, disse 
Ornar, seu filho: «Ouvi eu dizer ao alcaide Gablotte, filho de Audalla, quando 
fallava das cousas que seu pae vira e ouvira ao passarem á Hespanha»; e f aliando 
d'isto como das bondades de Menda, disse : «Tendo eu grande desejo de pedras 
de mármore para aformosear com ellas minhas obras, que estava fazendo de 
novo, aconteceu assim que eu entrei em Merida, depois que ella foi destruída, e 
encontrei tão boas obras de pedras mármores e de outras qualidades, que muito 
me maravilhei, e fiz tomar e levar todas aquellas de que julguei meu pae gostar, 
e andei um dia pela cidade e vi no muro uma pedra mármore tão lisa e lusidia, 
que tão somente se parecia com o aljôfar, e tão clara era, que a mandei arrancar 
do muro. E depois de a terem arrancado, empregando muita força, pozeram n'a 
diante de mim, e havia n'ellas letras de ehristãos, que estavam n'ella gravadas; 
e fiz ajuntar os ehristãos que havia em Merida para que vissem o que estava 
escripto n'ella, e que m'o dissessem, e não achei quem me soubesse dizer em 
linguagem nenhuma cousa do que ella dizia, tanto estava escripto em escuro 
latim. E disseram-me que não conheciam ninguém que a soubesse ler, senão um 
clérigo, que havia em Coimbra. Mandei-o vir á minha presença, e era admira- 
velmente velho. 

# 
# # 

«Beja é uma das antigas cidades que ha Hespanha, porque foi feita em 
tempo de Hercules, o valente, vindo a ella Júlio César, que foi o primeiro que 
começou a repartir a terra. E Beja é mui boa terra, de mui boa sementeira, e 
mui boa para creações e para colmeias, e de muitas flores e proveitosas, e mui 
boas para as abelhas. E Beja tem villas e castellos que lhe obedecem, dos quaes 
Merlola é um. E Mertola jaz sobre o rio Guadiana, e é castello mui antigo. E no 
seu termo jaz uma villa, á qual os antigos chamaram Ebris, e agora chamam 
Évora. E o termo de Beja confronta com o mar e com o Algarve todo. 

«Confronta o termo de Beja com o de Santarém. E Santarém jaz ao poente 
de Beja e ao poente de Córdova. E jaz sobre o rio Tejo. E no termo de Santa- 
rém ha cousas mui boas, e é terra mui saborosa; e na planície pôde haver duas 
sementeiras no anno, se quizerem, tanto a .terra é hoa por natureza. E o castello 
de Santarém jaz n'um monte grande, e mui alto, e mui forte. E não ha logar por 
onde o possam combater senão com mui grande perigo. 

«Confronta o termo de Santarém com o de Coimbra. E a cidade de Coim- 
bra é mui forte, e é castello mui alto e mui nobre e jaz sobre o rio que tem o 
nome de Mudei, e este rio nasce na serra da Eslrella, e jaz sobre muitos castellos 
e mui bons, e mui fortes, que obedecem a Coimbra. E a cidade de Coimbra é 
mui boa e mui abundante de todos os bens, e tem uma ribeira de sementeira na 
ribeira do rio, que não ha tão boa em toda a Hespanha. E a cidade de Coimbra 
é de muitas hortas e de muitos fructos de todas as qualidades, são na maior 
parte olivaes e produzem o melhor azeite que ha em todo o mundo. 

«Confronta o termo de Coimbra com o de Exilania. E Exitania jaz ao le- 
vante de Coimbra 1. E é cidade mui antiga, c jaz sobre o rio Tejo, e é um logar 



' Ktitania corresponde a Idanha a Velha. 



1C6 • RA 

mui forte e comprido, e bom de pão e de vinhas e de pescado. E é terra mui 
deleitosa. E no seu termo ha muitos castellos e mui fortes, e mui sãos para a 
vida dos homens, um dos quaes é Montesanto. 

«Confronta o termo de Exitania.com o de Lisboa e com o de Santarém. E 
o termo de Lisboa é dotado de muitos bens, e ha n'eiio muitas cousas saborosas. 
E a cidade de Lisboa ajuntou a si toda a terra, e os bens d'ella e do mar, em 
todos os tempos. E no seu termo criam mui bons açores. 



# # 



«E o outro rio é o que chamam Douro, e nasce na serra de Moncaio, e é 
mui grande rio e leva muita agua, e entra no mar ao poente, perto de uma cidade 
a que chamam Gaia, e agora é chamada o porto de Portugal. 



# 

# # 



Segue-se um appendice (talvez um acrescentamento feito por Gil Peres ou 
por qualquer que fosse o traduclor de Ar-Razi), extraliido de varias obras, con- 
stando: 1." breve resenha da povoação de Hespanha, e sua historia nos tempos 
fabulosos; 2.° vinda dos phenicios e carthaginezes; 3." dominação romana; 
4." serie dos Reis godos até D. Rodrigo. 

KATTAZZI (MADAME MARIA ). 

// matrimonio ossia Vavvenire dei Portogallo. (Prima versione italiana.) To- 
rino, stamperia de compositori tipographi, 1863, in-8." de 40 pag., com o retrato 
da auctora. 



RATTAZZI (PRIIVCESSE ). 

Le Portugal á vol d'oiseau. Portugais et portvgaises. Deuxième édition. Paris, 
in-S.", xix-410 pag. 

Faltando acerca do sr. marquez de Vallada, diz: «Que se fora Hei de Portu- 
gal, prohibiria que elle se apresentasse em publico com o seu coche de gala, em- 
bora n'uma tal prohibição arriscasse a coroa. (Pag. 36.) 

«O duque de Saldanha, que eu gostava de receber algumas vezes com 01o- 
zaga, quando ambos eram embaixadores em Paris, era um dos vultos mais curio- 
sos e mais populares de Portugal. iNa qualidade de marechal era adorado pelo 
exercito; seus serviços, agudeza de espirito e talento, o tinham collocado na 
mais elevada gerarchia, e por muitos annos gosou de admiração universal. Para 
o fim da sua carreira desappareceu, porém, o seu prestigio, ou pelo menos dimi- 
nuiu notavelmente. Foi porque o valente tinha obrigado a que lhe pagassem 
caro seus serviços, e Portugal, embora assas rico para lhe pagar sua gloria, não 
deixava, por isso, de achar assas pesado o encargo. Na verdade ha bem poucos 
homens que trnliam ficado Ião caros ao paiz, por isso que suas despezas eslan- 



RA '«7 

cavam um orçamento inteiro. Quando linha necessidade de dinheiro, o governo 
abria os cofres, e as chaves não creavam ferrugem. O duque ameaçava com a 
revolta do exercito, e por isso mandavam -no immedilamenle para uma missão 
ou embaixada. 

«O governo, enraivecido, imaginou dar-lhe para addido um homem dedi- 
cado, encarregado de telegraphar para Lisboa todas as vezes que o marechal 
desse indícios de querer embarcar. 

«A este nada custou adivinhar de que funcções vinha encarregado o novo 
diplomata, agora addido á sua pessoa como um vade mecum indispensável. Por 
isso, quando a bolsa do marechal se achava despejada, convidava o vade mecum 
para almoçar, e por essa occasião participava-lhe com uns ares de confidencia, 
que, achando se necessitado da quantia tal, dentro de dois dias partiria para as 
margens do Tejo. 

«O diplomata-vigia corria logo ao telegrapho e dava parte ao governo do 
expediente argentifero do duque. E o governo, para evitar ao velho guerreiro as 
fadigas e as despezas da viagem, enviava-lhe de prompto a quantia de que neces- 
sitava, isenta das despezas da remessa. Devo, porém, declarar, que o dinheiro 
não se agarrava aos dedos do marechal, pois ambas suas mãos estavam estendi- 
das para os desgraçados. Poucos homens na sua vida, têem, tanto como elle, 
soccorido seus similhantes. Bastava ser pobre para ser bem acolhido.» 

«O povo portuguez (pag. 66), alem da bondade de coração e mansidão de 
coslumes que lhe é própria, tem a seu favor ainda outras duas qualidades — a 
docilidade e a paciência. Os expedientes os mais arbitrários, os actos os mais 
violentos em nada perturbam sua mansidão. É o estoicismo e o fanatismo de 
mãos dadas e elevados ao seu requinte. 

«Póde-se até mesmo comprehender por meio de duas locuções. Falla-se de 
miséria, de vexames, de abusos; responder-vos-hão: «Tenha paciência!» Dizem 
que esta ou aquella cousa seria necessária, e que seria mister tomar uma resolu- 
ção, mostrar energia e defender seus direitos; respondem-vos: «Tenha paciência I 
Amanhã!» E se eu morrer de fome? «Tenha paciência!» E se for preciso come- 
çar já a trabalhar : «Amanhã.» 

haudensis (alexander — ). 

Resj)onsum secundam de legitima successione in Portugaliae regnum. Médio- 
lani, apud Paulum Gothardum Pontium, 1580, 4.° ♦ 

RAULIIV (R. P. JOAM FAGUNDES ). 

Historiae Ecclesiae Malabaricae. 

Falia desta obra a Gazeta de Lisboa do dia 30 de maio de 1754, acrescen- 
tando que é illustrada com dissertações no nosso arcebispo D. fr. Aleixo de Me- 
nezes. 

RAUMER (FREDERICH VON ). 

Historisches Faschenhuch. Folge III, Jahrg 11. Leipzig, 18o0, in-S." 
A pag. He seguintes vem: Strophes de Camões et histoire critique de 1'epi- 
$ode de Inês de Castro. 



168 , RE 

RAVARA (GALEANO ). — Poeta italiano que residiu em Portugal 

110 anno de 1850. 

Appareceu uma poesia fúnebre á memoria da failecida Princeza D. Maria 
Amélia, na Revista universal lisbonense, de 1852, pag. 389. 

RAY (JOANNES ). 

Stirpium europaearum extra Britannias nascentium Sylloge. Londres, por 
Smith e Walford, 1694, S.^, 45-400 pag. Ibid., 1696. 

Estão reunidos ii'este livro vários trabalhos alheios a outros próprios do 
auctor, interessando aos botânicos hespanhoes os seguintes : Plantae rariores his- 
panicae et lusitanicae et C. Clusii Historia et aliis collectae Plantarum Alpinarum, 
pyrenaicarum rariorum manipulus ex Horti Regii Parisicnsis Catalogo D. Tour- 
nefort collectus: Viridarium lusitanium Grisley^ resectis duntaxat indicis, ameri- 
canis, hispaniciSj nostriSj inque Europa passim sponte nascentibus. 

RAYMOIVD (E.). 

UEspagne et le Portugal. 

RAYIVAL (L. ABRE ). 

Só depois de cinco edições, sempre diíferentes, foi que a Historia do Sta- 
thouderat (1 vol. in-12), pelo abbade Raynal, chegou a essa perfeição, onde nós 
a vemos. Durante muito tempo lançaram-lhe em rosto que não passava de ser 
agradável; mas hoje encontram-lhe menos verdade do que attractivos, e quasj 
que n'ella não se deparam trechos da historia que se façam ler com uma agradá- 
vel attenção. Os personagens são encadeados com arte, e o auctor soube enca- 
minhar tão bem seus heroes, que só com o retrato que d'elles faz, adivinhar-sc- 
hiam quasi todas suas acções. Eis o que torna a narração tão interessante, pois 
toma-se sempre muita parte em occorrencias, cujos auctores nem sempre ficam 
tão bem conhecidos. 

READ (W. HARDING ). 

Charte of the Island of Saint Michael Ponta Delgada, 1806. 

REBOLLEDO (COIVDE DE ).— Natural de Léon. 

Voto dei sobre las tréguas de Portugal. Lisboa, en Ia imprenla de Diego 

Soares de Bullones. Ano 1667. 4.° 
Bibliotheca publica de Lisboa. 

RERUS (DE) gestis Joannis H Lusitanorum Regis optimi Principis nuncu- 
patij ad ougustissimum Regem Petrum 11. Auctore Emmamiele Tellesis Sylvioj 
Marchio7ie Alegretenti & juxtus Editionem Ulyssiponensem. Hagae Comitis, apud 
Adrianum Moetjens, 1712. 

No Journal des SavantSj de 1713, vem uma noticia d'esta obra em quasi 
ires paginas (de 76 a 78). 

REGIIERCIIES historiques, critiques et bibliographiques sur Améric Ves- 
puce et ses voyages. Paris (sem data). 



RE Í69 

IVECHERCUES stir Améric Vesptice et sur ses prétendues découvertes en 
1501 et 1503. Paris, 1836. 

REGHERGBES sur la priorité de la découverte des pays situes sur la cote 
occidentale d'Afriqae, au dela du Cap Bojador, et sur les progrès de la science 
géographiquej après les navigations des portugais au xv siècle. Paris, 1842, in-8.'* 

RECIT du nouveau monde qui fut découvert par Christophe Cólon genevois, 
en 1'an 1492 et cinq ans après. Améric Vespuce florentin fit les plus grandes dé- 
couvertes. 

RÉCLUS (ELISÉE ). 

Nouvelle géographie universelle. Paris, 1876. 

«Portugal é um dos mais pequenos estados soberanos da Europa, ainda que, 
durante um curto periodo da tiistoria, tenha sido o mais possante. 

«Oecupa uma superfície inferior á de muitos governos da Rússia da Europa, 
e até mesmo n'essa pequena extensão é muito pouco povoado, exceptuada a 
parte septentrional, que é uma das regiões do continente em que os habitantes 
estão mais chegados uns aos outros. 

«Pareceria á primeira vista, que, por um resultado natural das attracçôes 
geographieas, Portugal deveria fazer parte integrante de um estado ibérico, 
abrangendo todas as províncias alem dos Pyrenéus. 

«E todavia não é um eífeito do acaso, nem a consequência de oceorrencias 
puramente históricas, o ter tido Portugal quasi sempre uma existência nacional 
independente da Hespanha. 

«Em primeiro logar cumpre que notemos ser a parte da margem que veiu a 
ser portugueza, quasi rectilínea, e que se distingue ella pela extrema uniformi- 
dade de suas margens, e contrasta absolutamente com as costas hespanholas. 

«As mesmas condições de ventos, correntes, clima, fauna e vegetação se 
encontram sobre todo o desenvolvimento do littoral lusitano, e por consequência 
os habitantes dever-se-hiam acostumar ao mesmo género, nutrir as mesmas 
idéas e tenderem naturalmente a agruparem-se n'um mesmo grupo politico. Foi 
por meio do littoral e a pouco e pouco, que Portugal se organisou em estado 
independente; o reino formou-se successivamente de um valle fluvial ao outro 
valie fluvial, do Douro ao Minho, do Tejo ao Guadiana, passando por todos os 
graus intermédios, conforme a expressão do geographo Kohl. E em segunda 
depois de ter sido m4Bsientaneamente destruído, foi reconstituído da mesma forma. 

«Assim como praticaram os Reis de Hespanha, praticaram-no também os 
soberanos de Portugal, aconselhados pelo tribunal da inquisição, expulsando do 
paiz todos os súbditos, dos quaes desconfiavam não serem ferventes calholicos. 

«Contra os mouros, os expedientes aproveitados para os expulsarem, foram 
sem misericórdia, mas houve alguns períodos de espera na perseguição dos 
israelitas. 

«Milhares de judeus hespanhoes, arrostando com a escravidão e com a morte, 
se domiciliaram em Portugal, perto da fronteira da Hespanha, e, graças uma 
conversão apparente, fundaram na terra do exílio importantes communidades. 
Muitos vestígios ainda existem da antiga população israelita, mormente, conforme 
dizem, nos arrabaldes de Bragança e em toda a província de Traz-os-Montes. 



170 . RE 

•É conhecida a acção que os judeus portuguezes exerceram e ainda exercem 
na Hollanda, na França e na Gran-Bretanha. 

«Na epoi-ha do exilio eram estes escriptores, médicos e legistas, bem como 
os graniies especuladores de Portugal. 

«Tinham fundado em Lisboa uma academia, de onde saíam os homens mais 
instruidos do reino. 

«O primeiro livro impresso em Portugal, foi-o por um judeu. 

«Spinosa, esse pensador tão nobre e tão poderoso, também era descendente 
de judeus portuguezes. 

«Os portuguezes não estão somente eivados do sangue árabe, berber e judeu, 
mas alé mesmo, em grande escala, participam do sangue dos negros, mormente 
dos da parte meridional, e dos do litoral marilimo. 

«Antes de serem os negros da Guiné exportados em chusmas para as plan- 
tações africanas, a escravatura não só era menos activa, mas era nos portos me- 
ridionaes de Hespanha e Portugal que se vendiam os escravos africanos. 

«O historiador portuguez Damião de Góes, calcula que seriam uns dez ou 
doze mil por anno os pretos importados para Lisboa no século xvii, não entrando 
n'esle numero os mouros. 

«Em harmonia com testemunhos contemporâneos, eram tão numerosos os 
brancos como os negros que se encontravam em Lisboa. 

«Em cada casa burgueza os serventes eram pretos ou pretas. E os ricos 
possuíam grandes chusmas, que compravam nos mercados. 

«No fim do ultimo século as pessoas de côr formavam ainda a quinta parte 
da população de Lisboa. E quando taes pessoas vinham de Nossa Senhora da 
Atalaia, igreja erguida n'uma collina no lado opposto do Tejo, poderíamos crer, 
na presença de taes chusmas de pretos, que nos achávamos n'um paiz africano. 

«A pouco e pouco os cruzamentos fizeram entrar na massa do povo todos os 
elementos elhnicos provenientes das populações as mais diversas da Africa tro- 
pical. E os portuguezes tomaram das feições d'elles e de sua constituição physica 
um caracter mais m<TÍdional do que o comportava sua primitiva origem. E na 
realidade tornaram-se um povo de côr. 

«Attribuem alguns aucfores á influencia persistente do sangue negro a no- 
tável immunidade dos immigrantes portuguezes, que se expõem ao clima do 
Brazil, das índias e da Africa austral, paizes temíveis, onde morrem quasi todos 
os outros colonos da Europa. 

«É verdade que a maioria dos portuguezes dão-se bem e prosperam no 
Brazil, mas precisamente a maioria de taes immigrantes lusitanos é originaria 
das províncias montantiosas do norte, onde os cruzamentos com os africanos 
foram raros. A sobriedade dos colonos portuguezes parece ser a principal rasão 
de sua facilidade na acclimação. 

«Actualmente os estrangeiros que têem mais influencia sobre a população 
portugueza*, são os gallegos, os quaes se encaminham em grande numero para 
Lisboa e para outras cidades de Portugal, com o íirn de n'ellas exercerem os 
misteres de padeiro, carregador, guarda portão, capataz c creado. 



' R6clu8 assim o diz, vol. i, pag. 924. 



RE 171 

«Em geral pouco se mesclam com os ouiros habitantes, e tanto menos, 
quanto os meltem a ridículo por causa de sua linguagem tosca e de sua ruslici- 
dade ; porém suas colónias medram incessantemente e sua acçSo sobre a popula- 
ção que os rodeia, aiigmenta na proporção. 

«Alem d'islo, a abastança que elles quasi sempre acabam por adquirir, 
graças á sua sobriedade e ao seu espirito de economia, faz esquecer facilmente 
sua origem, 

«A mescla de todgs estes elementos diversos não produziu uma raça bel la. 
É raro que os portuguezes se possam comparar com seus vizinhos os hespanhoes 
no tocante á nobreza do rosto. 

«Suas feições, em geral, nenhuma regularidade têem. Seus narizes são arre- 
bitados, seus lábios grossos. 

«Se entre elles encontrámos mui poucos aleijados e enfermos, em compen- 
sação entre elles diíTicilmente encontrámos homens de boa figura. Rechonchudos, 
com bom cachaço, e com uma grande disposição para engordarem. E em certos 
districtos ainda encontrámos resquícios de lepra. A maior parte das mulheres 
são baixas e gordas. Não possuem a belleza varonil das hespanholas, mas distin- 
guem -se pelo brilho dos olhos, cabello abundante, vivacidade de physionomia, 
e maneiras amáveis. 

Gabam muito os viajantes as boas maneiras, desejos de obsequiar e bondade 
natural dos camponezes de Portugal, não estragados ainda pelos hábitos eom- 
merciaes. 

«Ainda que tendo entre os estrangeiros uma reputação de barbaria, devida, 
á recordação de seus crimes nas conquistas da índia e do Novo Mundo, a maio- 
ria dos portuguezes tem uma compadecida ternura para com aquelles que padecem. 

«Gostam do jogo, mas não brilham por causa d'elle. São apaixonados das 
corridas de touros, mas têem o cuidado de lhes pôr cortiças nas pontas dos cha- 
velhos, e o animal é reservado para novos simulacros de luctas. 

«Bem diíTerentes, emquanto a isto, de seus vizinhos hespanhoes; tratam 
bem os animaes domésticos, e até mesmo se distinguem por um talento especial 
para amansarem feras. 

•Nas margens do Guadiana criam fuinhas, das quaes se servem como de um 
gato, contra os ratos e cobras. 

«Em suas relações mutuas, são os portuguezes obsequiadores e polidos. 
Dizer acerca de uns lusitano, que elle é malcreado, corresponde a oíTendel-o do 
modo o mais sensível. 

«Também nos espantámos da elegância excessivamente ceremoniosa de seus 
discursos. . 

"Distinguem-se com vantagem d'elles, portuguezes, contra os gallegos, que 
faliam uma geringonça diíBcil de se comprehender, os camponios portuguezes, 
que téem, em geral, uma grande pureza de linguagem. Exprimem-se até mesmo 
com uma facilidade e uma escolha de palavras das mais notáveis n'um povo tão 
pobre de instrucção. Nunca se ouve nenhum juramento*, nenhuma expressão 
indecente sair da sua boca. 



Mr. Rédus parocia eslar no reino da Lua, quando escrevia estas asserções. 



*« RE 

«Embora grandes palradores, e até mesmo falladores, acautelam-se cuida- 
dosamente nas suas conversas. 

«Portugal forneceu grandes oradores; um de seus poetas — Camões — tem 
logar entre os mais illustres que o mundo viu nascer. 

«Podemos, porém, pôr em duvida se a Lusitânia pôde dar nascimento a 
artistas propriamente ditos, pois, exceptuado o mythico Grão Vasco S do qual 
até mesmo não sabemos a nacionalidade, não tem tido nem pintores, nem escul- 
ptores 2. 

«O próprio Camões o confessava: «Nossa nação, dizia elle, é a primeira em 
«todas as grandes qualidades; nossos homens são mais heróicos do que os outros 
«homens; nossas mulheres são mais bellas do que as outras mulheres. Nós, porém, 
«sobresaímos em todas as artes da paz e da guerra, exceptuando tão somente a 
«arte da pintura.» 

«A lingua dos portuguezes muito se parece com a dos castelhanos emquanto 
ás radicaes e á construcção geral, mas é menos ampla e menos sonora. 

«Bem pouco numerosos, quando comparados com as centenas de milhões de 
homens que povoam a Europa, não pesam os portuguezes, actualmente, mais do 
que com um ténue peso nos destinos do mundo. 

«Durante, porém, um momento histórico, foram elles os primeiros no com- 
mercio ; seu génio precedeu o de todos os outros povos. 

«É verdade que os hespanhoes repartiram com os portuguezes a gloria das 
grandes descobertas no século xv. 

«Foram os portuguezes que, depois dos venezianos e dos genovezes, torna- 
ram essas descobertas possíveis, sendo os primeiros a emanciparem a navegação, 
cessando de costear o litoral, para se arrojarem ao alto mar, longe de qualquer 
praia. 

«Foi lambem o portuguez Magalhães o primeiro que emprehendeua circum- 
navegação, terminada somente depois da sua morte. Igual proeminência não se 
encontrará mais. 

«As forças equilibram-se entre os povos; uma tendência de igualdade, de 
valor geographico, se produz nas diversas regiões, por causa da crescente facili- 
dade dos meios de troca e de communicação. Não poderia, portanto, Portugal 
esperar tornar a representar o papel que representou outr'ora entre as nações. 

«Porém seus recursos bem utilisados, e a grande vantagem da sua posição 
na extremidade do continente, bastam para lhe assegurar no futuro um logar dos 
mais honrosos. 



IIECOIVVEIVÇÃO apologética e resposta a uma carta que ao Eminentissimo 
e Reverendíssimo Senhor Cardeal da Cunha, Inquisidor, escreveu o Excellentissimo 
e Reverendissimo Senhor Bispo de Elvas, na qual se dissolvem as suas duvidas, e 
se desvanecem os seus escrúpulos, escripta por um seu amigo verdadeiro, ainda que 
encoberto. Madrid, na officina dos herdeiros de Francisco dei Hierro, anno 1746, 
4.", 85 pag. afora o Protesto e a Declaração do auctor. 



< Pois não fallaremos do GrSo Vasco e fal lemos do grande Sequeira. 
* Nfto Icm tido escuiptorcs? Esta é muito boal 



RE "3 

RECORD (A) of Church Reformation Work in Sjmin, Portugal, México 
and other parts Christendom. 

É uma obra de propaganda protestante. 

Por exemplo, a pag. 213 do vol. iii, 1882, diz que o sr. Casseis adiantou, 
com muita generosidade, mil libras para se comprar terreno e construir um 
templo que podesse conter tresentas pessoas. Faz elogios ao sr. Dias, do qual diz 
ser mui versado na Biblia. 

Assevera que para o livro das orações aproveitaram-se do Missal de Braga, 
e os baptisados se faziam cá moda dos anglicanos. 

No dia 18 de julho de 1882 reuniram-se 103 creanças na escola de Villa 
Nova de Gaia, as quaes andaram a brincar na quinta do visconde de Silva 
Monteiro. 

«Nós não desejámos (pag. 99) fundar uma nova religião, mas simplesmente 
limpal-a (isto é, a própria religião) da corrupção dos séculos, e reconquistar as 
antigas liberdades da igreja lusitana, por tanto tempo sujeitas ao estrangeiro jugo 
de Roma, e espalhar por todo este paiz uma doutrina, que ha de ser a eatholica 
e apostólica, para uma igreja que ha de ser portugueza e não romana.» 

Dá também noticia de um casamento em Villa Nova de Gaia. 

«Em Rio de Mouro tudo corre muito bem. O sr. Costa e sua mulher traba- 
lham com lealdade na congregação e na escola. A escola lusitana tem chegado a 
reunir 250 creanças ; este numero, porém, ainda pôde ser augmentado. Morreu 
uma creança, e o sr. Costa, com alguns amigos e com os alumnos, foi acompa- 
nhar o enterro.» (N.° 6, junho de 1882.) 

Em o n.o 9, de 1882, setembro, figura Portugal conjunctamente com a Hes- 
panha e o México. N'estes Ires paizes, dentro de vinte e cinco annos, pelo menos 
25:000 pessoas renegaram da sua adhesão á igreja de Roma. E d'este numero 
quasi a metade organisou-se para as igrejas, tendo uma constituição episcopal. 

No Porto, n'estes últimos e poucos mezes, os serviços do reverendo dr. Dias, 
ministro instruído e hábil, oulr'ora padre da igreja de Roma, têem sido seguros, 
e podem ter grande alcance coadjuvados pelo sr. Casseis. 

Em dezembro de 1882, tinha ido estabelecer um serviço n'um logar cha- 
mado Marzo, ao sul do Douro. (Pag. 213.) 

Em Portugal está patente um vasto campo. Praticamente, prevalece em 
plena liberdade e consente-se que os protestantes abram igrejas e escolas onde 
quizerem, e as annunciam publicamente nos jornaes. 

RECUEIL (BREF) des particularités contenues aux leitres envoyées par 
M. de Perieu à MM. ses parents et amis de Fr ame, de le Marignan (sic), au Brésil, 
ou il est encore à présent, pour le service de Sa Majesté três chrétienne Loiíis XIII. 
Lyon, par J. Poyet, 1613, in-8.° 

RECUEIL de divers voyages faits en Afrique et en Amérique, qui n'ont 
point été encore publiées; contenant V origine, les mcsurs, les coutumes et le com- 
mercê des habitants des deux parties du monde, avec des traités curieux íouchant 
la haute Ethyopie, le débordement du Nil, la Mer Rouge et le Preste- Jean. Le tout 
enrichi de figures et de cartes géographiques. Paris, L. Billaire, 1674, 4." 

Traz de pag. 253 a 262 um extracto da Ethiopia, de Balthazar Telles. 



174 RE 

RECUEIL des pièces importantes concemant la rupture declarée entre la 
Cour de Rome et celle de Portugal. 8.", 1 vol., lxiv-14 pag. 

RECUEIL des pièces qui navaient pas encore paru en France, concemant 
le Procès des Jésuites et de leurs complices en Portugal. 176i, in-12, 47 pag. 

Estes documentos não se encontram na Collecção impressa em Amsterdam. 

Seconde suite de pièces nécessaires et interessantes relatives au Procès des Jé- 
suites en Portugal. In- 12, 84 pag. 

Contém o decreto do Rei Catholico Filippe V, acerca de varias accusações 
intentadas contra os jesuítas do Paraguay. 

Dernière suite de nouvelles pièces interessantes et nécessaires à 1'instruction du 
Procès des Jésuites PortugaiSj avec un détail historique de ce qui s'est passe à 
1'occasion de leur expulsion de tous les États de la Couronne de Portugal. In- 12, 
22 pag. 

RECUEIL des pièces pour servir d'addition et de preuve à la Relation 
abrégée concemant la republique établie par les Jésuites dans les domaines d^outre- 
mer, dos Róis d'Espagne et de Portugal, et la guerre qu'ils soutiennent contre les 
armées de ces deux Monarques. 1758. 

RECUEIL de toutes les pièces et nouvelles ijui ont paru sur les affaires des 
Jésuites, principalement dans 1'Amérique et le Portugal. Sem logar de impressão, 
1760, 3 voi. 

RECUEIL de tous les écrits de la Cour du Portugal et autres faits par des 
particuliers à Voccasion de Vaffaire des jésuites, traduites en langue hollandaise. 

Dá-nos esta noticia, a pag. 15, a Quinzième suite des nouvelles interessantes 
au sujet de Vattentat commis le 3 septembre 1758, sur la personne sacrée de Sa 
Majesté Très-Fidèle le Roi de Portugal. 

REDARES (H.)* 

Emploi du vin iodo laudanisé. Paris, 1883, in-i.*» 

REDI. 

Observations sur diverses choses naturelles. 

Apparece este traballio na Collectioji académique, composée des mémoires, 
actes ou journaux des plus celebres academies et sociétés liltéraires étrangères, etc. 
Dijon, 1757, vol. v, pag. 5il. 

«Contam que em 1662 vieram das índias Orientaes três religiosos da ordem 
de S. Francisco á côrle da Toscana, e fizeram ver ao grão-duque Fernando II 
certas pedras, que se achavam na cabeça de varias serpentes, e das quaes pedras 
falia Garcia da Horta.» 

O auctor trata com desenvolvimento este assumpto, e um tal trabalho, no 
qual muito se falia dos nossos poriuguezes, por me parecer mui curioso, tradu- 
ziria eu com todo o gosto, se tivesse a meu dispor, em casa, a obia de Redi. 

REDUCCION y redituycion dei reyno de Portugal a D. João IV, por frei 
Fulgencio Leitão. Turim, 1648, 4.» 



RE «'3 

REFLtXlOlVS stir le desastre de Lisbonne et sur les autres phenomenes qui 
ont accompagné ou suivi ce desastre. Europe, aux depens de la compagnie, 1756, 
in-12. 



ttEFORMAÇAo das Escamoth. Amsterdam, 5513, 4.°, 1 tomo, 3i pag. 
Vem esta obra citada no catalogo maiiuscripto do biibliomanico Pedro José 
da Silva. 

REGKLSPERGER (CHUISTOVÃO ).— Jesuita, austríaco. 

Hym)ii duo ad B. Virginem Mar iam et S. Franciscum Xaverium. 
Cnltus S. Francisci Xaverii^ ex itálico P. Marianna. Viennae, 1761. 
Devotio decem dierum Veneris ad S. Franciscum Xaverium^ ex itálico. Vien- 
nae, 1763. 

UEGIAE Suae Majestati Mariae Annae Portugalliae et Algarbiae Reginae, 
Austriae Archi-duci natae. Pragae. Ad despensatum Regem transeunti Simid et 
Excellentissimo ac lllustrissimo Domino Ferdinando Teles de Silvãj A Villarmajor 
Comiti Portugalliae Regis Legatio. 

REGGIO (P. MICHEL ANGELO DE GUATTINI DA ). 

«Aquillo que o padre Miguel Angelo notou de mais curioso na sua viagem 
de Génova a Lisboa, de Lisboa a Pernambuco, no Brazii, e d'alli até Loanda e 
ao reino do Congo, onde morreu, faz o começo d'esla relação, e o remate abrange 
o que o padre Diniz observou de mais particular na sua missão do Congo, mas, 
principalmente, na província de Bamba, e no seu regresso á Itália pela Hespanha^ 

«Alem dos portos, cidades e iogares, cuja descripção se encontra n'esla obra, 
vemos n'ella ainda os diversos costumes dos habitantes de todos estes paizes, os 
animaes, as plantas e os fructos que n'elles se encontram. 

«Em Pernambuco, que é uma das províncias do Brazii, encontram-se diver- 
sas sortes de povos, que andam totalmente nús Alguns outros ha que tão so- 
mente se sustentam de carne humana ou de carne de feras. Distinguem-nos dos 
outros, porque trazem diversos bocadinhos de pau, ou pedras de diíferentes cores, 
no rosto, ao qual cobrem. 

«Quando algum d'elles cáe doente, marcam-lhe um praso para dentro d'elle 
se curar, e se ao fim d'este tempo não recuperam sua saúde, matam-no e co- 
mem-no, para caritativamente o livrarem de todos os males que padeceriam, se 
por mais tempo estivessem doentes. Os filhos procedem de idêntico modo para 
com seus pães, quando se acham velhos, e pretendem d'esle modo teslemunhar- 
Ihes muito maior amor, fazendo cessar de uma só vez todos os incommodos da 
velhice, do que procurando tão somente allivial-os, como se pratica nas outras 
partes. 

«Porém, se este costume é horrível e cruel, ha um outro, assas divertido, 
n'um logar mais no interior do paiz, ao qual dão o nome de S. Paulo, pois dão a 
cada estrangeiro que alli chega uma mulher, que toma o cuidado de lhe dar toda 



' Journal des Sçavans, 11 de julho de 1678, pag. 148. 



176 RE 

a qualidade de satisfações, sem que tenha outro cuidado mais do que o de comer, 
de beber e de se divertir. A mulher se encarrega de tudo o mais, e cada uma 
d'ellas faz alardo de apresentar a seu marido, mais do que a todos os outros ; 
deve, porém, ter cuidado em não lhe dar ciúmes, pois n'esse caso seria d^ prom- 
pto envenenado. 

«O porto de Loanda, capital do reino de Angola, é mui bello. As riquezas 
dos habitantes consistem, principalmente, em o numero de escravos que servem 
para transportar as pessoas em vehiculos similhantes ás cadeirinhas. Alguns ha 
que chegam a ter 12:000. 

«Não ha moeda n'este paiz, porém servem-se, para o commereio, de certos 
bocados de tecido ou de esteira, que têem diversos preços, segundo sua grandeza. 
O muys de vinho alli se vende até 150 escudos, mas também vale dois e meio 
dos nossos. Gostam d'elle extraordinariamente, e contam a tal respeito um caso 
engraçado do grão duque de Bomba, que é uma província do reino do Congo, 
que uma vez recusou a coroa, como elle mesmo confessou áquelles padres, para 
poder sempre ser vizinho de portuguezes, e beber de vez em quando, por inter- 
venção d'elles uma pinga de vinho ou de aguardente. 

«Ha no Congo um Rei, um grão duque, um duque, um marquez e um conde, 
cada um dos quaes governa uma das cinco províncias, as quaes compõem o reino. 
Na de Bamba, onde estão grão duque, só elle pôde apresentarem guerra 160:000 
homens, mas não ha mais do que miseráveis. Logo que seus filhos se acham 
alguma cousa crescidos, já não fazem mais caso d'elles, como se não lhes perten- 
cessem.. Na sua linguagem vulgar, fallando de alguém, põem o titulo depois do 
nome; assim, em vez de dizerem o senhor padre^ como os italianos e hespanhoes, 
dizem : Ngamgo Fonet, Padre Se7ihor. Não téem médicos, nem remédios. Curam 
as doenças tirando-lhes sangue. Prohibem-lhes principalmente os ovos, e até 
mesmo julgam serem muitos maus para áquelles que têem boa saúde. No emtanto 
as gallinhas são mui caras em todos áquelles paizes. No Brazil uma gallinha vale 
uma piastra; no reino de Angola vendem-na por um sequim, e no Congo não se 
poderia obter por menos de uma pistola. 

«Encontram-se no Brazil certos animaes, aos quaes dão o nome de piolhos 
de Pharaô, os quaes se introduzem nos pés, entre a pelle e a carne. E se não os 
fazem extrahir quanto antes, introduz-se n'ella uma chaga e uma ulcera insup- 
portável, e todo o pé apodrece. 

«No reino do Congo não vemos taes sortes de animaes, mas encontrámos 
n'elle serpentes de vinte e cinco e pés de comprimento, que engolem de um 
trago ovelhas inteiras, como aquella de que já falíamos, que enguliu uma rapa- 
riga de dezoito annos. É mui divertida a maneira como as apanham, pois, como 
para fazerem a digestão, ellas se estendem ao sol, os mouros as surprehendem 
n*este estado, matam-nas, e depois de lhes haverem tirado a cabeça, a cauda e 
as entranhas, comera -nas, e acham- nas ordinariamente gordas como porcos. 
Alem d'estas serpentes ha no Congo uma quantidade espantosa de ratos e de 
formigas. São estas ultimas tão grossas e em tão grande numero, que o padre 
Diniz conta que, achando-se certo dia na cama, doente, foi obrigado a pedir que 
o levassem para fora da sua cabana com medo de ser devorado por ellas, como 
acontece muitas vezes em Angola, onde pela manhã se encontram esqueletos de 
vaccas que foram devorad.is pelas formigas durante a noite. 

«As plantas e os fructos não são tão bons no gosto como os da Europa. 



RE Í77 

Fazem a vindima duas vezes no anno, porém as uvas nunca são bem doces. 
Entre os fructos raros que se acham no Brazil, existe um chamado Niceífo, que 
sendo cortado pelo meio faz ver a imagem de um crucifixo; e a arvore que pro- 
duz este fruclo tem isto de particular — o ter só duas folhas, cada uma das quaes 
pôde cobrir inteiramente um homem. 

REGLI (CAV. DOTT. FRAIVCESCO ). 

A Sua Maestà Maria II da Gloria^ Regina dei Portugallo. Carme in morte 
di Cario Alberto. Typ. Fory et Dalmazzo, sem logar de impressão nem anno. 
In-8.», de 29 folhas. 

REGNUM Portugalliae divisum in quinque provindas et subdivisum, una 
cum regno Algarbiae speciali mappa exhiberis per J. B. Hamannum. 1736. 
É carta colorida. O-^jS? X 0'",45. 

IIEGIVORUM Hispaniae et Portugalliae tabula generalis in provindas di- 
visa, per D. F. Lopes, emend. F. L. Giissefeld. Editio Hommanianis haered. 1782. 

REGNORUM Hispaniae et Portugalliae tabula generalis Delisliana, aucta a 
J. B. Homanno Noribergersi. 1730. 0«',47 x 0">,58. 

REGNORUM Hispaniae et Portugalliae tabula generalis Delisliana jam 
nuper edita, nunc denuo revisa a J. B, Homanno. 1730. 

REICHARD (M.). 

An Itinerary of Spain and Portugal. London, 1820. In- 12. 

REIG (JOSEFH ).— Jesuíta, natural de Murla. 

Josephi Reigii, Presbyteri Valentini, epistolaram et orationum libri três. Bo- 
noniae, 1 790. 

Um d'estes discursos é a respeito de S. Francisco Xavier. 

REIIVHARDSTOETTNER (CARL VON ).— Docenten und der K. 

Polyt. Hachschule zu Míinchen, ele. 

Luiz de Camoens der Sãnger der Lusiaden. Biographische Skizze von . 

Zweite Auflage. Leipzig, verlag des Hausfreundes, 1879, 8.°, 69 pag. 

Die Plautinischen Lustspiele in Spãteren Bearbeitungen L Amphitoriovon . 

Leipzig, Wilhelm Friederich, 1880, 8.« gr. 77 pag. 

Beitrage zur texthritik der Lusiadas de Camões. Habilitationsschrift von . 

Mtinchen, 1872, in-8.0 

No n." 4 do Litteraturblatt filr germanische und romanische philologie, refuta 
opiniões de Lindner sobre Portugal, e de Schmitz sobre o maravilhoso de Luiz 
de Camões ^ 



Theophilo Braga, Bibliographia camoneam, pag. 223. 

12 



178 RE 

REISE des OesteiTeichischen Fregate Novara tm die Erde in den Jahren 
1857, 1858, 1859. 

Foram destinadas 64 paginas no 1." volume d'esta obra monumental para 
deseripção da ilha da Madeira, á qual tecem os maiores elogios. 

RELAÇAM da Roda da Fortuna ou Inconstância mundana jococeria curiosa, 
noticiosa e proveitosa, dividida em duas partes, com duas meditaçoens. Primeira 
para consolação dos afflictos ou pouco afortunados; segunda para desengano dos 
fofos, soberbos e exaltados da fortuna. Impresso em Sevilha por D. Florêncio 
Joseph de Blas y Quesada, impressor mayor de dicha ciudad. 

RELAÇÃO da grandiosa embaixada que em nome das Magestades dos Se- 
nhores Reys de Portugal deu n'esta corte de Madrid as Magestades dos Senhores 
Reys Catholicos, o Excellentissimo Senhor D. Rodrigo Annes de Sa Almeida e 
Menezes, Marquez de Abrantes, em dia de Natal de 25 de dezembro de 1727. Es- 
crita na lingua portugueza em obsequio do mesmo Excellentissimo Embaixador e 
de todos os seus nacionaes. Por Lourenço Cardana, mercador de livros na rua da 
Tocha. Impressa em Madrid na oíTicina da Musica, por Miguel de Rezola. Ano de 
1728. 4.", 16 pag. 

RELACIÓ de la entrada dei ejercito português en la, Galicia. Barcelona 
por J. Montevat, 1643. 

RELACIÓ de la presa y capitulacion de la gran y rica Villa de Paymogo, 
per lo general de las armas dei Rey de Portugal, D. Juan IV, a 19 de Mars de 
1644. Barcelona, 1644. 

RELACIÓ deis successos de Portugal desde tot Gener fins ai Comensament 
de Mars dei any 1642, ahont se relatan alguns combats entre castellans y portu- 
guesas en terras de Castella y de Portugal. La professo feta en Lisboa en memoria 
de la coronacio dei Senor Rey de Portugal. Lo baptisme de dos Princeps Maomé- 
tans. La Redamontada dei Duch de Medina Sydonia, y la Rurla que un Capellà 
castella feu a un soldat de la matexa nacio ah altres successos. Traducida de fran- 
cês en Catalã. Ab llicencia. En Barcelona, en casa de Jaume Matthevat devant la 
Rectoria dei Pi, any 1642. 4 folhas innumeras. 

Bibliotheca publica de Lisboa. 

RELACIÓ deis successos venturosos de las armas de Portugal, ha hon tan 
guanyat moitas banderas deis Castellans, y cremat moitas vilas y llochs, y entre 
eUs a Monterey. Barcelona, en casa de Jaume Mathevat, estamper de la ciutat y 
su universitat, any 1642. 

RELACIÓ molt certa y verdadera deis ditxosos y felices sucessos de las armas 
dei Rey de Portugal, y deis embelecos usan los Castellans. Y tambe de las virtuts 
particulars dei dit Rey. Juntamente lo modo dei Rendiment de Badajòs, y Estre- 
madura, y de la Resolucio ha presa la Galicia. Tambe se dona relacio de las 
grans prevencions ha fetas, y fá dit Rey. Any 1642. Ab licencia deis superiors. 
En Barcelona, per Gabriel Negues, en lo Carrer de Sanl Domingo, 4.» 



RE 



179 



RELACIO molt verdadera de la victoria que han tingut las armas dei Rey 
de Portugal contra las de El Rey de Castella^ a 17 novembre 1642. Ah licentia. 
En Barcelona, en casa de Jaume Mathevat. any 1642, 8.*', 4 folhas. 

Bibliotheca publica de Lisboa. 

REL ACIOIV de algunas perdidas que tuvo Felipe IVy Rey de Castilla, para 
siempre jamás. Amen. Lisboa, na officina de Domingos Lopes Rosa. Anno 1642, 
8.**, 4 folhas não paginadas. 

Bibliotheca publica de Lisboa. 

RELACIO verdadera de la navegacion que han fet los vaxelles dei Rey 
Christianissim (que Deu guart) desdel Port de la Rochella, fins ai Moll de Barce- 
lona, y las cosas particulars que en dita navegado los ha succehit: Ab las salvas 
quês feren en Lisboa a la desembarcado dei senor Marques de Brezé, General de 
dita Armada. Ab llicencia. En Barcelona, en Ia Estampa de Jaume Romeu, devant 
S. Jaume. Any 1642, 4.°, 4 folhas não paginadas. 

Bibliotheca publica de Lisboa. 

RELACIO verdadera que ha portai un religioso de Valência donant avis de 
una grau victoria que han tingut las armas portuguesas contra las castellanas, a 
28 de agosto de 1643. Barcelona. 

RELACIOIV de algunas cosas notables que en estos últimos anos de 82 , 83 y 
84 han acontecido en los reynos dei Japon, sacadas de las ultimas cartas de los 
padres de la Compania de Jesus ^ que llegaron este ano.de 85 j en el galeon de Mo- 
lucca. (Sem logar nem anno.) i 

RELACTON succinta en un curioso romance que refiere por menor el vis- 
toso apparato con que entro en la plaza de Yelves el Ex.""" Duque de Ossuna a 
dar el parabien a el Rey D. Juan V de Portugal de los felices casamientos y los 
carinos afetos con que fueron recebidos de la Infanta de Espana. Sevilla. 

RELACION verdadera de la feliz expugnacion y rendimiento de la plaza de 
Alcântara, que consiguieron en nombre de Carlos III las armas lusitanas con las 
de los altos Aliados desde el dia 10 hasta 17 de abril de 1706. Barcelona, 1706. 

RELACIOIV veridica, escrita en reales octavas dedicadas ai nacimento, vida 
y virtudes dei Bemaventurado Padre San Juan de Dios. Foi. Em verso. 
Bibliotheca publica de Lisboa. 

RELACION de la forma en que se celebro en la Corte de Vienna el despo- 
sorio dei Rey de Portugal D. Juan V, con la Archiduquesa D. Marianna de Áus- 
tria. Barcelona, 1708. 



Auguslin et Alois de Baoker, Bibilothèque des écrivains de la compagnie de Jesus, vol. vi, pag. 238. 



180 RE 

UELACION de las fiestas que los hermanos de la Tercera Ovden de la Villa 
de Madrid hicieron en el Convento de S. Francisco á la Canonizacion de Santa 
Isabel j reyna de Portugal, en 18 de octobre y duraronnuevedias. Barcelona, Í6i5. 

RELaCION de las fiestas que se hicieron en Lisboa, con la nueva dei casa- 
miento de la Serenissima Infanta de Portugal, Dona Catalina (ya Reyna de la 
Gran-Bretana), con el Serenissimo Rey de la Gran-Brelana, Carlos Segundo de 
este nombre, y todo lo que succedió hasta embarcarse para Inglaterra. Con licen- 
cia. En la oficina de Henrique Valente de Oliveira, impresor de El Rey Nueslro 
Sefior. Ano 1662, 4.°, 12 folhas não paginadas. 

RELACION dei martyrio de quatro embaxadores portugueses de la Ciudad 
de Macau. Manila, 1641. 

RELACION de la solemnidad y pompa con que en Malta fiié recebido el 
sombreiro y espada bendecidos, embiados a el Emin. Sr. Gran Maestro dei Orden 
de S. Juan, Fr. D. António Villena. Sevilla. 

RELACION de la victoria que los portugueses de Pernambuco alcanzaron 
de los de la Compania dei Brasil, en los Carerapes, en 1649. Traducida dei ale- 
man. Vienna de Áustria, 1649. 

RELACION de lo sucedido en la islã de la Tercera, desde el veynte y três 
de Júlio hasta veynte y seys dei mismo, mil y quinientos y ochenta y três anos. . . 
Impresa en Alcalá de Henares, en casa de Sebastian Martinez, 1583, in-4.«», gothico, 
4 folhas. 

Um livreiro de Paris pedia, em 1876, 400 francos por um exemplara 

RELACION de três victorias que han alcanzado las armas portuguesas 
contra las castellanas, ora nuevamente succedido a dos dei mes de febrero hasta 
quatro de marzo de 1643. Barcelona, 1643. 

RELACION (nueva y curiosa); romance en que declara, y da cuenta de la 
feliz victoria que han conseguido las católicas armas dei reyno de Portugal contra 
las dei soberbio y bárbaro rey de Mequinez, en la ciudad de Mazagan. Madrid, 
4 pag., in-4.°, sem data. 

Appareeeu um exemplar no leilão da livraria do marquez de Pombal, no 
anno de 1888. 

RELATION de ce qui s'est passe en Portugal par rapport aux opérations de 
la campagne de 1108. In- 12. 

RELATION de la conjuration de Portugal. Leon, 1703. 



' Dcschamps el G. Brunei, Supplément au Manuel du libraire de Brunei, vol. ir, pag. U5. 



RE 181 

RELATION de ce qui s'est passe dans les Indes Orientales en ses trois pro- 
vinces de Goa, dé Malabar , du Japon, de la Chine et autres pais nouvellement 
découverts. Par les PP. de la Compagnie de Jesus. Paris, Seb. CraQioysi, 1651, 
in-8.°, 114 pag., com o retrato de S. Francisco Xavier ^ 

RELATIOIV de Vétahlissement du Christianisme dans le royaume de Corée, 
redigée en lalin par Mgr. de Gouveia, évéque de Pékin, et adressée le 15 aoút 1797 
à Mgr. de Sainl Martin, évéque de Caradre et vicaire apostolique de la province 
de Sutchuen, en Chine. Traduction faite sur une copie 7'eçue à Londres le 12 juillet 
1798. Londres, 1800, 32 pag., in-12. 

RELATIOIV de la Inquisition de Goa. Amsterdam, 1719. 

RELATIOJV des Missions du Paraguay, traduite de Vitalien de M. Mura- 
tori. A Paris, chez ia Veuve Bordelet. 1757, 8.", xii-403 pag. 

Esta obra é mui favorável ás missões jesuiticas no Paraguay. 

O traductor confessa que fez algumas alterações quando traduziu de italiano 
para francez. 

Muratori asseverava que a igreja catholica nâo tinha missões mais flores- 
centes que as da igreja catholica. «A cruz triumpha n'estes paizes bárbaros. Um 
grande numero de povos adora o verdadeiro Deus, e gosa hoje da sorte a mais 
digna de inveja.» Pag. xxxiii. 

«Vou apresentar ao leitor um quadro fiel d'este paiz tão afortunado; ver-se- 
hão n'elie homens os mais bárbaros talvez que existissem no mundo, mudados 
em ferventes christãos, republicas que não conhecem quasi outras leis senão as 
do Evangelho, e nas quaes as virtudes as mais perfeitas do christianismo se con- 
verteram em virtudes communs. 

«Cumpre, para a edificação do mundo christão e para a gloria da igreja 
romana, que um tão belio estabelecimento, e que tantas virtudes dignas da nossa 
veneração, quer nos missionários, quer nos neophytos, não fiquem desconheci- 
das. (Pag. 4.) 

«Toda a costa marítima do Brazil pertence aos portuguezes. Pretenderam 
elles outr'ora estender seu domínio até ás margens do rio La Plata; mas apesar 
de suas pretensões, attribuiram sempre os hespanhoes a si essa parte da costa 
que está situada entre o Cabo S.Vicente e a embocadura do Rio, embora para 
alli não enviassem colónia alguma. Comludo os portuguezes conseguiram fundar 
um forte na ilha de S. Gabriel, defronte de Buenos Ayres, e n'aquelle sitio se 
mantiveram até agora, apesar de todos os esforços empregados para os deitarem 
fora. Este estabelecimento foi sempre muito prejudicial á nação hespanhola. 

«Alem do Rio de Janeiro e para o Cabo de S. Vicente, onde termina o 
Brazil, construíram os portuguezes sobre um rochedo mui escarpado, a cidade 
de S. Paulo, á qual alguns dão o nome de «Piratíninga». 

"Os habitantes d'esta cidade, que não tinham mulheres europêas, as foram 
tomar entre os índios. Da mistura de um sangue tão vil com o nobre sangue dos 
portuguezes, nasceram filhos que tiveram todos os defeitos de suas mães e não 



Deschamps et G. Brunei, Supplément au Manuel du Ubraire de Briinet, vol. n, pag. 446, 



182 RE 

tiveram nenhuma das virtudes paternas. Caíram n'um tal descrédito, por causa 
do desregramento de suas mães, que as cidades vizinhas teriam crido perder 
sua reputação, se tivessem continuado a ter alguma communicação com os habi- 
tantes de S. Paulo. Embora fossem originariamente portuguezes, julgaram-os 
indignos de usarem de um nome ao qual deshonravam com suas acções infames. 
Deram-lhes o nome de Mamelus, que ficaram tendo no paiz, embora sejam mais 
vulgarmente chamados, pelos historiadores, Paiãinos, Paidicianos e Paulopoli- 
tanos. 

«Tinham-se, no emtanto, conservado fieis a Deus e a seus Príncipes durante 
alguns annos, e devia-se isto, principalmente, aos cuidados do famoso padre 
José Anchieta, o apostolo do Brazil, e de outros padres da companhia de Jesus, 
que tinham em S. Paulo um collegio fundado pela cidade. Mas por fim, quer 
achassem n'aquelles padres um forte dique, oppondo-se a seu desregramento, 
quer não tivessem sido muito bem tratados pelos governadores do Brazil, expul- 
saram os jesuítas e sacudiram quasi inteiramente o jugo do dominio portuguez, 
pois só obedecem aos governadores quando o querem fazer, isto é, quando o seu 
interesse é obedecer, de modo que se forma n'esta cidade uma espécie de repu- 
blica que se governa por suas leis particulares. 

«S. Paulo, que não tinha ao principio mais de 400 habitantes, entrando 
n'esse numero os escravos negros e os Índios, conta hoje alguns milhares dentro 
das suas muralhas. Admittem indistinctamente o refugo de todas as nações. É o 
asylo de todos os salteadores porluguezes, hespanhoes, inglezes, hollandezes e 
italianos, que na Europa fugiram aos supplicios merecidos pelos seus crimes, ou 
que procuram passar impunemente uma vida licenciosa. Um negro que se possa 
subtrahir ás mãos de seu senhor, tem a certeza de ser alli bem recebido. 

«Os mamelus dizem bem alto que não dependem de ninguém. Pagam, com- 
tudo, annual mente, ao Rei de Portugal, um quinto do oiro que extrahem de suas 
montanhas, pois também elles têem minas. Não deixam de protestar, quando 
pagam, de que o não fazem por medo, nem para cumprirem uma obrigação in- 
dispensável ; mas sim unicamente como respeito e attenção a este monarcha. 

«A situação vantajosa de S. Paulo, e as fortificações que os habitantes 
n'aquelle sitio augmentaram, fizeram perder aos portuguezes, se não a vontade, 
ao menos a esperança de submetterem a cidade. 

«Alem das armas que são communs a todos os índios, os mamelus tèem 
ainda um grande numero de armas de fogo, que lhes foram levadas pelos negros 
fugitivos, ou que elles próprios roubaram aos viajantes nas estradas. Parece que 
sabem fabricar pólvora para artilheria. 

«'Dizem também que ha no meio d'elles alguns padres e frades, mas ha com 
certeza bem pouca religião em S. Paulo; e se os mamelus tomam ainda o nome 
de christãos, respeitam bem pouco as leis do christianismo. 

«Com eíTeilo, depois que os mamelus se subtrahiram á auctoridade dos vice- 
reis do Brazil, applicaram-se a uma espécie de rapina digna das nações mais 
barbaras. Viram-nos espalharem-se todos os annos pelas terras dos Índios, leva- 
rem escravos, uma infinidade d'esses desgraçados, para os fazerem trabalhar nas 
minas e nas plantações de assucar. As terras dos arrabaldes de S. Paulo só 
foram cultivadas por esses escravos índios. As províncias de Guaíra, do Paraguay 
e do Bio da Prata eram as mais expostas ás incursões dos mamelus; foram 
também a estas que eíles maltrataram mais. Destruíram algumas povoações índia- 



RE 183 

nas muito numerosas, e n5o conservaram senSo aquellas que lhes pagavam tri- 
buto. Depois de terem saqueado os paizes vizinhos, levaram a assolação aos 
paizes mais remotos. Haveria, sem duvida, difficuldade em acreditar, se este facto 
nSo fosse attestado por todas as relações, que os mamelus penetraram varias 
vezes até ás margens do lago dos Xaraies, e do rio Maranhão, que elles algumas 
vezes percorreram em cinco ou seis mezes até mil léguas do paiz, sem que se 
possa comprehender como achavam meio de viverem tão longe da sua terra, 
sendo obrigados a atravessarem povoações que se achavam em grande numero 
nas margens do lago de que já fallei, e poucos houve que escapassem ao seu 
furor. 

«Nem sequer as cidades e colónias hespanholas foram respeitadas por estes 
bárbaros, que saquearam algumas e roubaram seus habitantes. Quatorze povoa- 
ções christãs foram destruídas por estes salteadores, e no espaço de cento e trinta 
annos fizeram escravos a mais de dois milhões de Índios, dos quaes cincoenta 
mil tinham abraçado a religião christã. 

«De tantos homens que elles levaram, apenas houve um entre cem que lhe 
fosse de alguma utilidade. A maior parte pereceu de miséria antes de chegar a 
S. Paulo. Aquelles que para alli levaram sãos e salvos, dentro em pouco morre- 
ram por causa do mau ar que se respira n'aquellas minas e por causa do trabalho 
excessivo das plantações de assuear. Viu-se um registo authentico, pelo qual se 
provava que de trezentos mil Índios captivados e levados pelos mamelus em 
cinco annos, apenas restavam vinte mil. 

«Reclamou-se com muita instancia á piedade dos Reis de Portugal, e estas 
queixas reiteradas fizeram publicar diversos éditos mui rigorosos contra os ma- 
melus, que d'elles pouco se importaram, e esses éditos não obstaram a que se 
continuasse a assolar o paiz, como anteriormente. 

«Os Reis de Portugal adiaram talvez de mais o tomarem as medidas neces- 
sárias para destruírem esse asylo aberto a todos os crimes. 

«Os padres da companhia de Jesus achavam já nos logares da America 
meridional, onde tinham coUegios, um vasto campo para exercerem seu zelo, 
quer fosse necessário manter e augmentar a piedade entre os habitantes das 
cidades, quer fosse mister dar missões á gente dos campos, indianos pela maior 
parte, os quaes cultivavam as terras dos hespanhoes. Espalhavam-se de vez em 
quando pelos paizes infiéis. Todos seus cuidados se limitavam então a baptisar 
as creanças moribundas, e a instruir alguns adultos que pareciam mais dóceis a 
suas instrucções. Mas suas residências n'estes paizes selvagens era apenas pas- 
sageira-. 

«Pelo meio do século passado estes heroes christãos formaram a corajosa 
empreza de se irem estabelecer no meio dos selvagens os mais distantes das 
cidades e das habitações hespanholas. A experiência lhes tinha ensinado ser o 
único meio de colher fruclos sólidos e duráveis entre estes povos. 

«Mas como fazer receber o christianismo a homens dispersos por aqui e por 
alli, como feras embrenhadas nos bosques ou escondidas em cavernas, sempre 
desunidos, sempre errantes, continuamente armados uns contra os outros, que só 
respiravam vingança, e que levavam a barbaria até fazerem suas comidas as mais 
deliciosas da carne dos seus similhantes? 

«Julgaram os missionários que para o conseguirem era preciso ir empre- 
gando pouco a pouco os mesmos meios de que se serviram antigamente nos 



184 RE 

séculos os mais remotos aquelles que emprehenderam civilisar os povos selva- 
gens com os quaes a Ásia e a Europa estavam então cheias. O primeiro cuidado 
dos antigos sábios foi reduzir a bárbaros a sociedade, e mostrar-lhes quanto a 
vida civil, quer em relação ao alimento, quer em relação á habitação, quer nas 
guerras mesmo que faziam uns contra os outros, era preferível á vida brutal que 
aquelles povos tinham passado até então. Tnduziram-nos habilmente a fazer um 
ensaio d'ella. Estes indianos tornaram-se mais tratáveis pelo uso da sociedade e 
acostumaram-se a praticar, como de combinação, as virtudes que convêem a 
seres racionaes. 

«Os primeiros estabelecimentos foram fundados na província de Uruguay, 
para a qual os missionários tinham anteriormente lançado os olhos, por lhes ter 
parecido mais própria para a execução de seus desígnios. 

«Aquelles homens que de humanos quasi nada tinham senão a figura, que 
não estavam occupados em mais do que em contentar seus appetites brutaes, são 
hoje modelos de todas as virtudes ehristãs. A pureza de seus costumes, e sua 
devoção, pintam aos olhos a perfeita imagem da primitiva igreja.» 

Esta obra trata lambem das guerras que os portuguezes sustentaram por 
causa da colónia do Sacramento. 

RELATION des trouhles arrivés dans la cour de Portugal en Vannèe 1667, 
et m Vannée 1668, ou Von voit la rénondation d'Alphonse VI. 1674, S.*», 1 vol., 
336 pag. 

RELATION du voyage du Sieur de Montauhan, Capitaine des Filibustiers 
en Guinée, dans Vannée mil six cent quatre-vingt- quinze ; avec une description du 
royaume de Cap Lopes, des ma^urs, des coutumes, & religion du pays. In- 12. A 
Bordeaux, 1697. 

O Journal des Sçavans, de 26 de maio de 1698, dá noticia d'esta obra. 

RELATION du voyage et retour des Indes Orientales, pendant les années 
1690 & 1691, par un garde de la Marine servant sur le bord de M. Duquesne, 
Commandant de VEscadre. In-12. Paris, chez la veuve de J. B. Coignard & J. B. 
Coignard le fils. 1692. 

«A França, apesar de estar inteiramente occupada ha quatro annos em sus- 
tentar a guerra na Europa, tem ainda lido forças assas consideráveis, não somente 
para manter seu commercio nas índias Orientaes, mas para também n'ellas in- 
commodar o dos inimigos!. 

«Foi com um tal fim que em 1690 poz do verga de alto uma frota de seis 
navios, que partiu para Port-Louis a 24 de fevereiro, dobrou o Cabo de Finis- 
terra a 2 de março, deixou á direita as ilhas da Madeira, sem as reconhecer, e 
achou-se perto do Pico de Teneriífe no dia 11 ao meio dia. 

«Passou o trópico de Câncer em a noite de 15 ou 16, e fundeou a meia 
légua da ilha de S. Thiago no dia 18 ás duas horas da tarde. 

«O padre Tachard, jesuita, o guarda marinha, auctor d'esta relação e um 
official, desembarcaram e viram n'ella os negros inteiramente nús, á excepção de 



' Journal des Sçavans, março de 1693. 



RE t85 

um panno que tapava as partes pudendas. Foram procurar o governador a uma 
igreja, onde um padre preto celebrou a missa, acolytado por um diácono pobre- 
mente vestido. 

«'A cidade de S. Thiago tem approximadamente uns cem fogos, e o bispo é 
um franciscano vindo de Lisboa.» 

RELATION succinte et sincère de la missio7i du P. Martin de Nantes j capu- 
cirij missionaire apostolique dans le Brésil, parmi les indiens appelés Cariris. 
Quimper, chez Jean Perier, 1706, in-l2. 

«O padre Martin foi missionário de 1671 até 1688 *. 

RELATIOIV véritable de ce qui s'est passe à Lisbonne^ aii sujet de franchi- 
ses des quartiers que prétendent les ambassadeurs et envoyés des puissances étran- 
gères. 1710, 4.« 

RELATIOIV véritable de ce qui s'est passe dans 1'armée du Prince Eugène. . . 
avec les nouvelles de 1'Armée Venitienne et celles d'Espagne et de Portugal. 1777. 

RELATIOIV von der freudenreiche Bekehrung des Kònigreichs Yota in Ja- 
ponien. Augsburg, 1617, 'm-L° 

RELATIONE delia festa celebrata in Malta ad honore di Santo Francesco 
XaberiOj Apostolo delV Indie, drizzata alV Illustrissimo Conte Xavier. In Malta, 
con licenza de' superiori, 1649, m-L"" 

RELATIOIVES três: I. Aus Japan was sich darin, anno 1601. DenJcwúrdi- 
ges zugetragen. II. Von den Reisen etlicher Priester der S. J. in das Kõnigreich 
México. III. Von Ableiben des mãchtigen Kônigs Magor. Ausgburg, 16H, in-4." 

RELATIONS véritables et curieuses de Visle de Madagáscar et du Brésil, 
avec Vhistoire de la dernière guerre faite au Brésil entre les portugais et les hol- 
landaiSj trois relations d'Égypte et une du royaume de Perse. Paris, Courbé, 1 vol., 
in-4.° 

Encontra- se na obra Histoire des dernières troubles du Brésil, par P. Moreau. 

RELAZIOIVE delia condamna ed esecuzione dei Gesuita Gabriele Malagrida, 
dal Abbate Platel scritta ad un Vescovo di Fr anda ^ tradotta dal francese in ita- 
liano. Lisbona, 1761, in-8.°, 29 pag. 

RELAZIOIVE delia morte de Padres Bartolomeo Alvares, Vincenzo de Cunha, 
Gio. Gaspare Crata, &c. Roma, 1739. 

RELAZIOIVE delia vita e martirio dei venerabil padre Ignazio de Azevedo, 
ucciso degli Eretici, con altri trentanove delia Compagnia di Gesu, cavata da' pro- 
cessi autentici formati per la loro canonizzazione. Dedicata alia Sacra Real Maestà 



Dcscliamps cl G. Brunei, Siipplcment au Manuel du Ubraire, vol. n, pag. 150. 



186 RE 

di D. Giovanni V, Be di Portogallo. In Roma, noUa stamperia di António de' Rossi, 
1743, 4.° gr., 202 pag. Com uma bella estampa representando o martyrio dos 
padres jesuítas. 

A este respeito V. também Cienfuegos. 

HEMARKS (A FEAV) on the present state of the commercial relalions of 
Englaiid with Portugal, Spain and Italy, and on the means of improving them. 
Second edition. London, 4872, 1 vol., 118 pag. 

REUf ARHS on the letter and Review of one in Unity and Delta, both 
which appeared in the Catholic Expositor for May 1848, pages 118-115. Madrid, 
1843. 4.°, 15 pag. 

Versa sobre a questão dos direitos do padroado portuguez no Oriente. É a 
favor dos direitos de Portugal. 

REMOND (FRANÇOIS ).— Jesuita, natural de Dijon. 

Panegyricae Orationes XV de S. Ignatio Loyola, et XV de S. Francisco Xa- 
verio. Epitome Vitae eorum. Una de S. Carolo Borromaeo cum aliqiiot clarorum 
Virorum Elogiis. Plaeentiae, apud Jacobum Ardizzonum. 1626, in-4.° 

Francisci Remondi Divionensis e Societate Jesu Panegyricae Orationes XXX, 
in laudem Sanctorum Ignatii Loyolae Soe. Jesu Fundatoris et Francisci Xaverii 
ejusdem Societatis, Indiae et Japoniae Apostoli. Antuerpiae, ex-oííicina Maltini 
Nulii, 1627, in-8.«, 371 pag. afora o Índice. 

Francisci Remondi Divionensis e Societate Jesu Panegyricae Orationes XXX, 
in laudem SS. Ignatii Loyolae, Societatis Jesu Fundatoris, et Francisci Xaverii, 
ejusdem Societatis, Indiae et Japoniae Apostoli. Cum panegyrica Oratione in 
laudem S. Caroli Cardinalis. His accesserunt elogia quaedam doctissima, ah eodem 
auctore conscripta. Lugduni, apud Jacobum Cardou, 1627, in-16. 

IVENAUD (J.). 

Essais sur l'huítre portugaise. Bordeaux, 1876. 

RENIER CHALONS. 

D. António, Roi de Portugal. Son histoire et ses monnaies. Par . Bru- 

xelles, 1868, in-8.", com 4 estampas com as moedas de D. António. 
Tem um supplemento. 

IIEIVTERIA (MARTIM )•— Jesuita, hespanhol. Viveu no México. 

Panegirico de S. Francisco Javier, Apostol de las índias Orientales, y Patron 
de Megico. En Megico, 1682, in-4.» 

RÉPOIVSE à la Relalion (envoyée par le cardinal Torregiani aux ministres 
clrangers résidens à Rome), de ce qui a précédé et accompagné 1'cxpulsion dii Car- 
dinal Acciojuoli, de la Cour et du Royaume de Portugal, ou Von montre qucls sont 
les égards que les ministres du Pape prétendent avoir eus pour Sa Majeslé Trcs 
Fidèle le Roi de Portugal. Sem designar o local da impressão, 1760. 

RÉP0N8E au jésuite, auteur de la lettre sur la conjuration contre le Roi de 
Portugal. 1759, 8.<» 



RE Í87 

REPORT of the Committee nppointed to direct the distribtition of the grant 
voted hy the Parliament of the United Kingdom of Great Britain and Ireland, for 
the relief of the inhahitants of the distrids in Portugal^ laid traste hy the enemy 
in the year 1810. Ordered hy the House of Commons, to be printed 6 July 1814. 
In-fol., 31 pag. 

REPORT af the Commissioners appointed hy the Government of Portugal for 
the construction of raihvays in that country. London, Bridgewater, Printer. 1852, 
8.« gr., 24 pag. 

REPORTS of the portuguese commissions and financial agents. Expeditions 
in favour of Donna Maria II. London, 1833. 

REPORTS transmitted to the Portuguese Government of the proceed of the 
commission for the expedition to Portugal in favour of D. Maria II. 18S1-183S. 
London, 1835. 

RESCRIPTIOJV (LA) du Boy de Portugal, envoyée à Notre Saint Père le 
Pape des gestes faictz en la mer Rouge, et de la paix, paction, convenance et 
alliance commencée par luy avec presbytre Jehan Roy de Ethiopie. Escript à Lis- 
bonne le huytièsme cour de may de Vincarnacion. 1521, golhico, in-8." peq. 4 folhas. 

«Folheto mui curioso e de uma extrema raridade; fazia parte da collecção 
Vallière (n." 3:071 do catalogo) e foi tornado a vender por 3:900 francos no 
leilão do barão Pichon. 

«Esta collecção de Vallière não figura no catalogo impresso, mas acha-se 
no catalogo manuscripto redigido por Du Bure, em o n.° 1:013, com estas pala- 
vras : trocado por um outro ^ 

RESEXA dei negocio de las cuentas dei Ex.""" Sr. Juan Alvarez y Mendiza- 
bal, con el gohierno de S. M. F. Lisboa, typographia franco-portugueza, Lalle- 
mant & G.**, 1858, in-8.<', 44 pag. E segue-se um appendice com xxiv pag. 

RESPOSTA a huma carta que da Cidade de Coimbra se escreveu á de Lis- 
boa ; na qual se pedia com grande encarecimento lhe dissesse o seu parecer sobre o 
presente caso, e de tudo o mais que tivesse succedido. Escripta pelo anonymo, que 
se constatou. Barcelona, na officina de Domingos Zuzarle, anno 1746. 4.", 20 pag. 

Versa sobre o sigillo da confissão. 

RESPOSTA ás duas cartas, com que o Cirurgiam Portuguez, assistente em 
Londres, fingiu responder ás outras duas que se tinham escrito ao A. da Gazeta 
Litteraria, sobre reparos que este jez á Oraçam Inaugural, recitada na Real Aca- 
demia de Cirurgia Portuense em 30 de janeiro de 1751. Mostram-se os erros e 
imposturas dos AA. da Gazeta, e das Cartas : Expostos em outras que escreve ao 
dito Cirurgiam Porttiguez, hum praticante de cirtirgia assistente na Cidade do 
Porto. Carta primeira. Con licencia. Barcelona, por Pablo Serras, ano de 1765. 



Dc3ch;imps et G. Brunnl, Supplément au Manuel du libraire, vol. ii, pag. 407. 



188 • RE 

RFSPUESTA ai Sermon predicado por el Arzohispo de Cranganor en el 
Auto de Fé celebrado en Lisboa en 6 de setiembre afio 1105, por el autor de las 
«Nolicias recônditas de la inquisicion». Obra posthuma, impressa em Villa Franca. 
8.", 1 vol.j x-104 pag. 

RESUMEM' breve de la vida dei P. António Vieira, sacada de las obras que 
se imprimieron en Barcelona en 1134. Barcelona. Id. Pamplona, Imp. de Aífonso 
Biirguete, 1735, 8.» 

REUIVIONE delia Reale Famiglia in Torino nélV anno 1865. Epigraphi dei 
cavaliere ed uffiziale Isidoro Bertente. Tipografia Giuiiani, 1865, in-fol. 

A I Sua Maestà \ Luigi I di Braganza, Re Portogallo. j // Cielo \ Conservi e 
Protegga | Tutta \ La Reale Famiglia \ Delizia. Amore. Decoro | E. Con. Essa \ 
II. Re. Luigi. 1 \ Felicita dei Portugallo \.Ed. II. Prode. Principe \ Cario Nopo- 
leone Bonaparte. | Sia Loro Propizio di fausto viaggio | É di vita diuturna \ Pros- 
pera e Felice. 

REUSl\EUO (ELIAS ). 

Opus Genealogicum Catholicum de praecipuis Familiis Imperatorum, Regum, 
Principum, aliorumque Procerum Obis Christiani. Francfort, 1592, foi. 
«A foi. 98 refere a serie dos Reis de Portugal. i» 

REVEL (ADÉLE ). 

Naples, Rome et Florence. Impressions de voyage. 

Abrégé d'un journal écrit pour ma famille. Turin, imprimerie typographique 
éditrice. 1863, in-8.°, 71 pag. 

REVISTA dela cultura hispano-portugueza-latino-americana. Madrid, 1877 
in^.*» 

REVUE espagnolCj portugaise, brésilienne et hispano -américaine. Année de 
1858 (septième). 

«N'este volume, a pag. 120, apparece a Diana de George de Montemor. 

«Pelos íins do século x\i e nos primeiros annos do xvii, a França tinha-se 
hespanholisado; António Perez foi então o lieroe da epocha e o idolo de Paris. 
Este homem leviano, orgulhoso, amável, intrigante, apaixonado e desgraçado, 
tornou-se o prototypo, o ideal d'esse povo, completamente embrulhado no mys- 
terio e na poesia. Suas romanescas aventuras, sua proscripção, que foram sua 
gloria e quasi sua apotheose, patentearam a peninsula sob sua verdadeira cla- 
ridade. 

«Quando essa velha Hespanha, que se julgava imponente e magestosa como 
a côrle de Filippe 11, serena e santa como seus lúgubres mosteiros, appareceu 
toda fervente em ódios, intrigas, crimes e amores, as mulheres não pensaram em 
mais do que em as noites de Valência, serenatas e duellos debaixo das janellas 
das sacadas. 



' D. António Caelano de Sousa, Historia genealógica da casa real portugíieza, vol. i, pag. 209. 



RE i»« 

«Antes do século xvii os grandes nomes que tinham illustrado a França n5o 
eram conhecidos senão pelos eruditos ; depois de António Perez foi uma verda- 
deira invasão ; multiplicadas ao in( lito, as traducções boas ou más eram recebi- 
das com enthusiasmo; toda a gente lia: a corte, a cidade, nobres, damas e bur- 
guezes. 

«A Diana de Montemor é um dos melhores livros entre aquelles que sobre- 
viveram á ephemera attracção. Muito antes de chegar á França, no fim do 
século XVI, este romance já tinha muita celebridade na Hespanha. A primeira 
edição appareceu em 1560. Havendo a morte surprehendido o auctor no momento 
de terminar sua obra, D. Alonso Perez, medico de Salamanca, se encarregou de 
a continuar. Em 1564 imprimiram sob o seu nome, em Alcalá de Henares, um 
supplemento da Diana em oito livros, dedicados a D. Berenguier de Castro y 
Cerbellon. Embora este ultimo trabalho fosse mais amplo do que o original de 
Montemor, o romance só appareceu completo quando Gaspar Gil Polo lhe addi- 
cionou uma terceira parle, dividida em cinco livros, e os quaes dedicou a D. Je- 
ronyma de Castro y Bolea. De entre estes três escriplores, só são mais estimáveis 
o primeiro e o ultimo. 

«Cervantes, no exame da bibliolheca de D. Quixote, põe em primeiro logar 
a Diana de Montemor, e condemna ao fogo a segunda ; mas emquanto á terceira 
deve ser conservada, como se o próprio Apollo d'ella fosse o auctor. Com eífeito, 
na Diana de Montemor ha mais imaginação do que na de Gil Polo ; mas este 
ultimo também escreve bem. Sempre elegante, raras vezes lhe falta a precisão. 
Suas situações são bem pintadas; suas descripções vivas e coloridas i, e até 
mesmo muitas vezes é de uma ingenuidade encantadora, e suas imagens em 
algumas occasiões são arrebatadoras no tocante á frescura é a poesia. 

«Sarrazin marca grandes bellezas n'esta obra, e lambem falia de seus nume- 
rosos defeitos. «A historia do mouro Abindarraez, diz elle n'um de seus opúscu- 
los, parece-me tão ingenuamente narrada, que, se a separássemos do romance, 
poderia ella ser comparada com as passagens mais bellas que n'este género a 
antiguidade nos legou.» 

«Lope de Vega disse: 

Quando Montemayor con su Diana 
Ennobleció la lengua castellana. 

«Lemos na Historia da litteratura hespanhola^ por Bouterweck, que o maior 
mérito de Montemor consiste em fallar sempre de ternura, sem cair na monoto- 
nia. A versificação de algumas passagens, diz elle, nem sempre é^ harmoniosa e 
correcta; mas, em outros casos, une-se a harmonia com a arte no encadeamento 
dos pensamentos. Sua prosa serviu de modelo a todos os auctores de romances 
d'este género; jamais é trivial nos seus termos; suas phrases são sempre bem 
cadenciadas. 

«A Diana é do teor seguinte, julgada por Florian: «Esta obra pecca por 
causa do encadeamento, da inverosimilhança e da multiplicidade dos episódios. 
Tem alem d'isso o defeito capital de começar pela infidelidade não motivada da 



' V. Adolphe de Puibusque, Histoire comparée des liltéralures espagnole et française. 



190 RE 

heroina, e de empregar a magia para curar o heroe da sua paixSo ; mas um 
nunca acabar de pormenores e muitos trechos de poesias infiltram um caracter 
de sensibilidade, que penetra o leitor e o faz derramar lagrimas. Muitas vezes o 
bom gosto é oflendido, e faz com que as lagrimas sejam derramadas. 

«A primeira traducção conhecida é a de Gabriel Chappuis. Foi impressa 
em Lyon, no anno de 1582, chez Louis Cloquemin. 

«Passado algum tempo um anonyrao publicou em Paris a primeira parte, 
somente com o hespanhol ao lado. Em 1621 Jean Bertranet corrigiu esta edição. 
Em 1631 appareceu uma nova, onde se acham reunidos os três auctores, embora 
Montemor seja unicamente assignalado no prefacio. A enfadonha exactidão que o 
distinguiu não obstou a que se saísse bem. Não é preciso citar, entre as versões, 
mesmo as peores, o livro que madame Saintonge publicou em 1665, sob o titulo 
de Diana de Montemayor. E não passa de ser, quando muito, mais do que uma 
imitação não boa do original. 

«Cousa para admirar 1 Na França, no século xvii, o êxito da Diana é pro- 
digioso, e, não obstante, nenhum dos traductores tinha sabido, pelo menos, dar 
d'ella uma leve idéa. Alguns, indo atraz do que tinham ouvido dizer, tinham 
d'ella uma idéa disparatada e obscura. Outros, crendo, sem duvida, embellezar o 
hespanhol, afogavam- no no palavreado emphatico que afflige a litteratura d'aquella 
epocha. E não foi senão no século xviii, quando estava quasi no esquecimento, 
que a obra de Montemor foi verdadeiramente bem comprehendida e vertida com 
gosto. Queremos fallar do romance hespanhol ou nova traducção da Diana de 
Montemor, que appareceu em 1735. O auctor anonymo cortou no seu trabalho 
quasi todos os versos do original. Aquelles que se encontram no seu livro são 
menos uma traducção do que uma imitação, imitação superior, quando elle esea- 
bicha o pensamento das inchaduras ridículas do hespanhol, mas muito inferior 
quando tenta traduzir essas phrases ingénuas, breves, sonoras, brilhantes, onde 
cada palavra é uma imagem, um pensamento; em francez uma pagina bastaria, 
um pensamento bastaria para resumir o sentido, e a belleza d'essas passagens 
está precisamente na concisão e na simplicidade. Eis porque não é para assom- 
brar que seja fraco n'esse caso. Mas como indemni sacão verga com arte e sem os 
desfigurar certos trechos que muitíssimo pertenciam aos contadores antigos; sob 
sua penna intelligente conservam elles sua originalidade e se afastam menos dos 
nossos costumes. O traductor tem rasão para introduzir levemente a descripção 
do palácio de Felícia, e sobre os costumes dos heroes. Minúcias laes, privadas 
de côr e caracter nenhuma altenção merecem. 

«O romance em Montemor, não estando acabado, o traductor foi buscar o 
fim em Gil Polo. 

# 

# # 

«Sabemos melhor a historia do livro do que a do auctor. 

«George de Montemor veiu ao mundo em 1520, em Montemor, pequena villa 
de Portugal, não longe de Coimbra. Filho de parentes obscuros, tomou volunta- 
riamente o nome de sua villa natal. Não tendo recebido a mínima inslrucção, 
entregou-se ao estudo da musica, que cultivou com bom êxito. Sua voz era tão 
bella, que foi collocado em o numero dos artistas de que se compunha a capella 
do infante, que mais tarde veiu também a ser musico de Filippe II. Este logar 



RE 19» 

lhe deu ensejo para ver o mundo, e foi então que desenvolveu em si tudo quanto 
havia de observação, em sua feliz natureza. Percebendo quanto a instrucção lhe 
era indispensável, cercou-se de livros e entregou-se ao trabalho. No meio d'essas 
numerosas occupações tornou-se amoroso e portanto poeta. Em versos elegantes, 
harmoniosos e ingénuos, cantou seus amores. Marfida é o nome que deu em suas 
poesias á bella andaluza a quem elle adorava. 

«Mas este romance, embora bem começado, teve um triste desenlace. George 
voltando para a Hespanha depois de uma bem longa ausência, achou o seu idolo 
casado. Não morreu repentinamente, mas sente-se na Diana, que compoz então 
para se distrahir, que a ferida não podia ser por longo tempo cicatrizada. Seu 
livro teve uma tão grande acceitação, que a Rainha de Portugal o chamou para a 
sua corte e o accumulou de benefícios. Mas no coração de um poeta a fortuna 
não pôde substituir o amor. George, esgotado pelas insomnias, morreu em 1561. 

# 
# # 

«Sismondi conta um a um os defeitos de um tal romance: 

«A scena pastoril de Montemor, diz elle, passa-se nos sopés das montanhas 
de Leon; o tempo não é fácil de reconhecer; a geographia, os nomes, o que ha 
de natural nos costumes e nos usos, é moderno, mas a mythologia é toda pagã. 
Se os pastores dansarem aos domingos com as pastoras, só invocam a ApoUo e a 
Diana, e também ás nymphas e aos faunos. 

«A pastora Felismena é educada em casa de sua tia, a abbadessa de um 
mosteiro; sua creada de quarto, justificando-se junto d'ella, invoca o nome de 
Jesus, e todavia sua vida inteira é regulada pelos deuses pagãos. Vénus, irritada 
contra sua mãe, a condemnou desde o seu nascimento a não experimentar jamais 
senão desgraças nos seus amores, ao passo que Palias lhe tinha promettido alguns 
triumphos guerreiros. Por fim refere como já eram antigas as aventuras de Abin- 
darraez, contemporâneo de Fernando o Catholico; todos os nomes dos heroes da 
corte, ou que com elles travam relações, são imaginários. 

«Alem d'isto, a Diana de Montemor está collocada n'um mundo de tal modo 
poético e tão afaslado da verdade, que cumpre que não nos detenhamos n'elle 
com o fim de examinar os anachronismos ou inverosimilhanças. 

«Eis, pois, bastantes defeitos de Montemor; mas ainda ha mais que dizer. 

«Cervantes, Florian, Bouterweke e o próprio Sismondi dizem somente que 
sua prosa é mais elegante, mais simples, mais harmoniosa que a dos escriptores 
que o tinham precedido, e que seus versos graciosos e sonoros o collocam entre 
os melhores poetas hespanhoes. Mas nenhum d'esses homens celebres ao lerem 
a historia de Belisa, a de Felismena, principalmente, não parece ter visto que 
ha uma outra cousa que um amável narrador ou contador — um poeta brilhante. 
O auctor, todavia, n'estas paginas, melhor que em outras, dá a medida de sua 
intelligencia: a comedia Rosina, as hesitações de sua joven amante, a scena das 
exprobações, trazem á lembrança Molière e Galderon. Emquanto aos pormenores, 
são finos, delicados e verdadeiros. Lendo no original estas palavras nimiamente 
curtas e excessivamente raras, é para sentir que o auctor não tenha podido des- 
envolver o gérmen precioso que n'elle se percebe. Se Montemor, em vez de ser 
arrastado pela imaginação para fora da sua natureza, tivesse lançado os olhos em 



192 RH 

volta de si, na vida real, ter-se-hia convertido em observador judicioso e pro- 
fundo. E se não seguiu o caminho brilhantemente traçado por Cervantes e Cal- 
deron, seria menos pela impotência de sua organisação do que pela. bizarria do 
seu destino. 

«No momento em que seu espirito, engrandecido por estudos sérios, lhe 
permittia sentir a verdade, comprehender o mundo, tornou-se apaixonado — 
como apaixonados nos tornámos aos trinta annos, quando somos um homem de 
intelligencia e de coração. 

«Sismondi admira-se de ver Montemor, que foi soldado, não se occupar da 
vida dos campos n'um tempo em que tudo ardia em enthusiasmo e em ambição. 

«Ha em todos os seus versos, diz elle, uma moUeza lydiana, que poderíamos 
esperar dos italianos effeminados pela escravidão, mas que confunde em homens 
tão homens — nos guerreiros de Carlos V. 

«Se Montemor se tivesse desviado do seu século, da natureza e da verdade, 
poderia elle ser uma outra entidade ? Seria bastantemente forte para separar a 
cabeça do coração? Não. Elle era fraco. Sua Diana o comprava, e muito mais 
sua historia — pois elle morreu vencido por sua indomável paixão.» 

REYBAUD (M. CHARLES ). 

Le Brésil. Paris, imprimerie de Henri Plon, 1856, in-8.° 244 pag. 

RHAY (THE ODORO ). 

Diz a Bibliothèque des écrivains de la compagnie de Jesus, por Augustin et 
Alois de Backer, vol. vii, pag. 20, que a maior parte das noticias com que ampliou 
a Historia latina, que escreveu da descripção d'aquelle reino, que saiu impressa 
em Paderbornae, apud Henricum Pontanum, foram extrahidas, pela maior parte, 
da obra composta pelo padre António de Andrade, e intitulada: Relação do novo 
descobrimento de Tibet. 

RHO ou RHAUDENSIS (JACQUES ).— Jesuita, natural de Milão. 

Em 1620 partiu para a China, residiu por algum tempo em Macau e defendeu 
esta cidade contra os hollandezes. Havendo, finalmente, penetrado no interior da 
China, pregou a fé na província de Chansi, e em 1631 foi mandado á corte para 
alli se applicar á redacção do Calendário imperial. Entregou-se a este trabalho 
conjunctamente com o padre Scliall, até 1638. Durante sua residência na China 
usou do nome de Zo-ya-kou e do sobrenome de Wei-Chao. Estes nomes encon- 
tram-se no rosto das numerosas obras por elle compostas em lingua chinesa. 

Lettere due delia sua navigazione e delle cose deli' índia. Milano, per il Bideli, 
16201. 

Todas as outras obras são em chinez. 

RHY8 (UDAL AP. ). 

An account of the most remarkable places and curiosities in Spain and Por- 
tugal By . London, printed for J. Osborn, 1749. 4." iv-332 pag. 



Augustin et Alois de Backer, Bibliothèque des écrivains dela compagnie de Jesus, \o\. v, pag. 619. 



RI ' . 1^3 

lilBADEIVEYUA (F. 3IARCELLO ) Hespanhol. 

Historia de las ]slas dei Archipehujo, China, Tartaria, Cochinchina, Malaca, 
Sianij Camboja y Japon. Barcelona, 1601, 4."i. 

RIBAS (GIOV ). 

// Giubilo Nazionale, elogio in musica nel Régio Teatro dei Porto in occasione 
deli' entrada di S. A. S. il Reggente D. Migíiel di Braganza e Bourbon, nei regii 
stati di Portogallo, (acendo il giuramento alia Constituzione dal Re suo Augusto 
FrateUo. Scritto in Italiano e trádotto letteralmente in Portoghese dal Cavalier 
Gandra, Segretario dei Governatore Militare delia Província, &. Musica dei Pro- 
fessore . Porto. Stamperia nella Slrada Santo António, n.« 80. 1828. 8.«, 

7 pag. 

RIBEIUO (JOHN ). 

Hislory of Ceylon, presented by captain John Ribeiro to lhe King of Portugal 
in 1685. Translated from the portuguese by the Abbé Le Grand. Re-translated 
from the french, with an appendix on the past and present condition ofthe Island, 
by . Ceylon, 1847, in-8.» 

RIBERA (EL DOCTOR D. FRANCISCO SUAREZ DE ^).— Me- 
dico de camará de Su Majestad, dei Grémio y Claustro de la Universidad de 
Salamanca, sócio de la Regia Sociedad, medico chimico de Sevilha, etc. 

llustracion y publicacion de los diez y siete secretos dei doctor Juan Curvo 

Semmedo, confirmadas sus virtudes con maravilhosas observaciones. Su autor . 

Dedicado ai Eminentisimo e Reverendisimo Senor Don Carlos de Borja, y Cen- 
tellas Ponce de Leon, presbytero Cardenal de la Santa Iglesia de Roma, &. Con 
privilegio. En Madrid, en la imprenta de Domingos Fernandez de Arrojo. Ano de 
173t 8.", 240 pag., alem de um grande numero de folhas não paginadas. 

Traz o retrato do cardeal D. Carlos de Borja, a quem a obra é offerecida. 

O auctor hespanhol faz n'este livro muitas censuras ao nosso medico Curvo 
Semmedo, asseverando que alguns segredos d'este medico eram anteriormente 
conhecidos, e que outros não dão o resultado favorável por elle apregoado. 

É obra que deve ser consultada por quem desejar escrever minuciosamente 
ííeerca da medicina em Portugal. 

RICARDO— Allemâo. 

Escreveu um compendio grammatieal, formado dos commentaHos com que 
Vellez enriqueceu a grammatica latina do nosso Manuel Alvarez. Falla-se d'estH 
trabalho na grammatica latina do mesmo Alvarez, impressa em Paris no anno 
de 1839. 

RICCI (LOURENÇO ).— Jesuíta, natural de Florença, onde nasceu 

em 1703. 

Epistola ad universam Societatem, data 7 Octob. 1758, pro novendialibus 



■* Nicol. Ant. Bibliot. Nova, vol. n, pa^í. 81. 

13 



194 RI 

obsequiis Dei praestandis Deiparae sine labe concejHae ad ejusdem opem impetran- 

danij <^C' 

Epistola subscripta 8 Decemb. 1159 de Societatis calamitatibus, incipit. Anno 
praeterito fiisis de communi precibus, dòc. 

Epistola de eodem argumento data 30 Novenib. 1762 et incipit. In tot tantis- 
que calamitatibus, &c. 

Epistola data 10 Decemb, 1768, ejusdem argumenti et incipit. Etsi ad ferven- 
tem in orationibus perseverantium, &c. ^ 

RICCI (MATIIEUS ).— Fundador da missão da China. Nasceu em 

Macerata, no Marca d'Ancona, em 1552. Tinham -no destinado para o estudo do 
direito, mas preferiu a vida religiosa, e entrou para a companhia em 1571. Quem 
o dirigiu em o noviciado foi o padre Alexandre Valignano, missionário celebre, 
a quem um príncipe de Portugal chamava o Apostolo do Oriente. Ricei concebeu 
a idéa de o acompanhar até ás índias, e tão somente se deteve na Europa o tempo 
necessário para estudar o que era necessário para uma tal empreza. Veiu até 
mesmo acabar seu curso de Iheologia em Goa, onde chegou em 1578. O padre 
Valignano tinha-se já dirigido a Macau, onde se preparava para abrir a seus 
collegas as portas da China. A escolha d'aquelles que tinham de ser os primeiros 
n'esta nova carreira, era de summa importância. Caiu sobre os padres Roger, 
Pasio e Ricci, todos três italianos. Tiveram, em primeiro logar, de aprender a 
lingua do paiz, e depois de algum tempo de estudo, aproveitaram-se os missio- 
nários da faculdade que os portuguezes de Macau tinham obtido, de se dirigirem 
a Macau para commerciarem, e elles os foram acompanhando, cada um por sua 
vez. O ultimo foi Ricci, e seus primeiros esforços não pareceram ao principio 
mais effieazes do que tinham sido os do padre Roger. Viram-se ambos obrigados 
a voltar a Macau. Só foi em 1583, que, tendo o governo da provincia de Cantão 
sido confiado a um novo vice-rei, tiveram os padres licença para se estabelece- 
rem em Tchao-King-fu. Ricci, que tivera occasião de conhecer o génio do povo 
ao qual queria converter, percebeu desde logo que o melhor meio de conseguir a 
estima dos chinezes, era mostrarem-se nas pregações do Evangelho homens es- 
clarecidos, dedicados ao estudo das sciencias, e bem diíferenles n'isso dos bonzos, 
com os quaes estes povos estão sempre promptos a confundi I -os. Foi desde esse 
tempo que Ricci, que tinha aprendido geographia em Roma, debaixo da direcção 
do celebre Clavius, fez para os chinezes um mappa-mundo, no qual se conformou 
com os hábitos d'este povo, collocando a China no centro da carta, e dispondo 
os outros paizes em volta do Reino do Meio. Riccioli acrescenta (Almageit. nov., 
1651, foi., pag. xl), que, para se conformar ainda mais com as idéas dos chine- 
zes, Ricci em vez de seguir a projecção stereographica ordinária, em viitude da 
qual a parte central é vista mais por miúdo que nenhuma outra, n'elle, pelo 
contrario, representou a China em ponto maior. . . O continuador de Leon Pineio 
julga que este mappa-mundo de Ricci é o mesmo que diz Gemello-Carreri ter 
visto na bibliotheca de Pekin. fGÍ7'o dei mundo, parte iv, foi. 198.) Ricci compoz 
lambem um pequeno catechismo em lingua chineza, o qual foi recebido, segundo 



' Augustin cl Alois de Dacker, Bibliothcque des écrivains de la compagiiie de Jesus, vol. iv, pag. G20. 



RI Í95 

(lizom, com grandes applausos, pelas pessoas do paiz. Desde 1589 * era ello o 
único encarregado da missão de Tchao-King, sendo seus companheiros levados 
para outros logares pelos desejos de multiplicarem os meios de converter os chi- 
nezes ao christianismo. Teve muitas vezes de luctar com diíTiculdades que lhe 
suscitavam os governadores da província, e até mesmo se viu obrigado a deixar 
o estabelecimento que linha formado com grandes diflQculdades na cidade de 
Tchao-King, e vir fazer a residência em Tehao-tcheou. N'este ultimo logar, um 
chinez chamado Tchin-tai-so, pediu ao padre Ricci que lhe ensina§se chimica e 
mathematicas. O missionário prestou-se de bom grado a este desejo, e seu discí- 
pulo veiu a ser mais tarde um dos seus primeiros catechumenos. Havia muito 
tempo qiie Ricci tinha formado o projecto de se dirigir á corte, persuadido de 
que os menores êxitos que elle podesse obter n'ella, serviriam mais efficazmente 
em prol da causa que elle linha abraçado, do que todos os esforços que se qui- 
zessem empregar nas províncias. Até então os missionários tinham usado do 
habito dos religiosos da China, aos quaes as relações chamavam bonzos; mas 
para se mostrarem na capital, era mister renunciar a esse trajo, que não era pró- 
prio senão para fazer com que fossem desprezados pelos chinezes. Pela opinião 
do visitador e do bispo do Japão, que residia em Macau, Ricci e seus companhei- 
ros adoptaram o vestuário dos letrados. Fez- se d'isto um assumpto de censura 
aos jesuítas da China; mas era indispensável n'um império onde a consideração 
só é concedida á cultura das letras. Ricci resolveu executar seu projecto em 
1595, e partiu, eífecti vãmente, no séquito de um magistrado que ia a Pekin. 
Porém diversas circumstancias o constrangeram a deter-se em Nan-tchang-fu, 
capital da provinda de Kiang-si. Foi alli que elle compoz uín tratado sobre a 
memoria artificial, e um dialogo a respeito da amisade, á imitação do de Cicero. 
Asseveram que este livro foi olhado pelos chinezes como um modelo que os mais 
hábeis letrados teriam diffieuldade em exceder. Por esta epocha tinha-se espa- 
lhado o boato na China, de que Taikosama, Rei do Japão, projectava uma irru- 
pção na Coréa, e até mesmo no império. O temor que elle tinha inspirado, au- 
gmentava até mesn o a desconfiança que os chinezes nutrem geralmente contra 
os estrangeiros; Ricci e alguns de seus neophytos, tendo-se dirigido successiva- 
mente a Nankin e a Pekin, alli foram tomados por japonezes, e ninguém consen- 
tiu em se encarregar de os apresentar na corte. Viram-se, pois, obrigados a 
retroceder. A única vantagem produzida por esta jornada, foi a certeza que Ricci 
adquiriu, de que Pekin era com certeza a celebre Cambaiu, de Marco Paolo, e a 
China o reino de Catai, do qual tanto se faltava na Europa, sem conhecerem a 
verdadeira situação d'elle. O missionário fez depois alguma residência em Pekin, 
onde sua reputação de sábio medrou consideravelmente. Tendo-lhe os portugue- 
zes feito chegar alguns presentes destinados para o imperador, obteve dos ma- 
gistrados a licença de vir á corte, para elle próprio os oífereeer, na qualidade de 
embaixador. Poz-se a caminho no mez de maio de 1600, acompanhado do padre 
D. Pantoja, hespanhol, de dois jesuítas chinezes e de dois jovens catechumenos. 
Apesar de alguns obstáculos encontrados na viagem, conseguiu ser admittido no 
palácio do Imperador, que lhe mandou fazer um bom acolhimento, e viu com 
curiosidade alguns de seus presentes, um relógio e um relógio de algibeira com 



' Auguslin et Alois de Backer, Bibliolhèqtie des écrivains dela compagnie de Jesus, vol. v, pag. < 



196 RI 

musica, dois objectos ainda novos na Cl)ina, por aquelies tempos. Voltado uma 
vez para elle o favor imperial, não teve o padre Hicci mais do que occupar-se 
dos cuidados exigidos pelos interesses da missão. Algumas conversões ruidosas 
foram, segundo parece, o fructo d'esles desvelos; e os trabalhos litterarios e 
scientiíicos, aos quaes o missionário se entregava ao mesmo tempo^ contribuiram 
para lhe assegurar a estima dos homens mais distinctos da capital. Um trabalho 
de um outro género foi o que lhe confiou o geral da companhia: recolher as 
memorias sobre todas as diversas missões por elle fundadas na China. Tantas 
occupações diííerentes, os incommodos que ia ter para manter com um tão grande 
numero de pessoas distinetas, relações que os usos da China tornavam infinita- 
mente enfadonhas, esgotaram de prompto as forças do padre Ricci. Morreu a 11 
de maio de 1610, deixando por successor o padre Adam Schall, quasi tão celebre 
como aquelle, pelos importantes serviços prestados á religião e ás letras. Escreveu 
quinze obras em lingua chineza. 

Annuae íitterae e Sinis annorum 1594, 1606 e 1601, quas binas posteriores 
latine reddiderunt Rhetores. Antuerpienses typis Plantinianis, 1611, in-8.° 

Annua delia Cina dei mdgvi e mdgvií^ dei Padre Matteo Ricci, delia Compa- 
gnia di Giesu. Al moita R. P. Cláudio Aquaviva, delia medesima Religione. In 
Roma, nella stamperia di Bartholomeo Zanetti, 1610, in-S." 

Litterae Japonicae anni mdcvt e mdgvii^ illae a R. P. Joanne Rodriguez, hae 
a R. P. Matthaeo Ricci, Societatis Jesu Sacerdotibus, transmissae ad admodum 
R. P. Claudium Aquavivam, ejusdem Societatis Praepositum Generalem latine 
redditae a Rhetoribus Collegii Soe. Jesu. Antuerpiae, ex-oílicina Plantiniana, apud 
Viduam et Filios Jo. Moreti, 1611, in-12, 201 pag. 

richeuii (petui — ). 

Libri duo apologetici ad refutandas naenias, et coarguendos blasphemos erro- 
res, detegendaque mendacia Nic. Durandi qui se Villegagnonem cognominai. Excu- 
sum Hyerapoli (sic), Genève, per Trasibulum Phoenicum, anno 1561, in-4.<* 

Contém uma gravura em madeira representando Polyphemo. 

Cem francos no leilão do barão Pichon. 

Pierre Richer era um dos dois ministros pedidos por Villegagnon e enviados 
de Genebra ao Brazil ; póde-se ver em Théodore de Bèze, em Jean de Lery e em 
outros historiadores, qual foi a amenidade que regulou as relações entre Villega- 
gnon e estes dois ministros. 

Este opúsculo virulento foi traduzido : 

La réfutation des folies rêveries, execrables blasphemes, erreurs et mensonges 
de Nic. Durand, qui se nomme Villegaignon; divisée en deux livres; auteur Pierre 
Richer. Sem logar de impressão, 1562, in-8.®, com uma estampa representando 
Polyphemo. 

Esta figura satyrica é o emblema de Villegaignon, o qual, pela sua estatura 
e ferocidade, podia ser comparado com o cyclope. 

Trautz, 210 francos, barão Pichon. 

La suffisance de maistre Colas Durand, dit chev. de Villegaignon, pour sa 
retenue en VÉtat du Roy. Item, espousette des armoiries de Villegainnon. Sem logar 
do impressão, 1561, 8.° peq., 24 pag. 

Barão Pichon, 105 francos. 

Mr. Brunet, que cita este folheto, só lhe dá 11 folhas, isto é, 22 pag. 



RI iJ^ 

Uma outra edição de 14 pag., 52 francos, Putier. 

L'EstriHe de Nicolas Durant, dit le chevalier de Villerjaignon, sem logar de 
impressão, 1501, 8." peq., k folhas. 

Barão Pichon, 85 francos. Potier, 40 francos *. 

RICIION (VICTOR ). 

Gomes de Amorim diz a seu respeito o seguinte : 

«O sr. Victor Richon era um escriptor dislincto, que foi acolhido em Lisboa 
pela melhor sociedade, e que fundou aqui um jornal intitulado Le Lishonnin. 
Depois de ter estudado a lingua porlugueza, traduziu alguns escriptos do sr. Ale- 
xandre Herculano, e fez-me a honra de verter o Ódio de raça^ para a lingua 
franceza.» 

Acerca d'esse drama escrevia Richon: 

«Como é nossa intenção não dar conta senão das obras autochtonas que 
apparecerem na scena portugueza. abstemo-nos de fallar d'ellas hoje, contentan- 
do-nos com prevenir os srs. assignantes que o nosso próximo numero ha de 
conter uma analyse critica e litteraria do drama tão cheio de interesse, de vida e 
de originalidade, do sr. Gomes de Amorim, Ódio de raça, o mais bem interpre- 
tado, talvez, de todos quantos temos visto representar pelos actores portuguezes. 

«Este quadro tão vigorosamente traçado pelo auctor, torna-se de medonlia e 
atroz realidade sob o desempenho de Tasso, Theodorico, e principalmente da 
formidável tapuia, a Sinhá Deljjhina, que, descendo á ultima escala da degradação 
humana, soube elevar-se até ao sublime do horror, sem jamais parecer nem 
ignóbil nem repellente. 

«II n'est pas de serpent, pas de monslre odieux 
Qui, par l'art embelli, ne puisse plaire aux yeux. 

«O auctor abriu caminho aos escriptores dramáticos: compoz uma peça, 
verdadeira peça, e digam o que disserem, as quarenta e tantas representações que 
a peça já conta, devem-lhe provar bem quanto outros jovens auctores que hesitam 
ás apalpadellas, e ainda não sabem em qual caminho hão de entrar, que elle 
achou o verdadeiro, e se n'elle perseverar, o bom êxito que lhe desejámos de 
todo o coração ha de ser verdadeiramente conseguido.» 

RICORDATI (D. PlETllO ). 

Historia monástica di — — , dedicada ai Sereníssimo è Potentíssimo Re di Por- 
tugallo (D. Sebastião). Veneza, 1575, in-4.° 

«Por varias vezes o monge dedica ao neto de D. João III o seu livro; e 
citando a primeira : «... havendo io per ispazio di forse venti anni, che ho con- 
sumati in comporre questa mia opera, letto e riletto molte historie universaU e 
croniche de diversi paesi, ho trovato in esse molte segnalate, gran vittorie, otte- 
nute per favor divino contra o nemici dei nome de Christo, in Africa, neli' Etió- 
pia, nelfindie, et in molte isole dei mundo nuovo, non solo da V. M., ma ancora 



' Deschamps el G. Burnol, Supplemeut au Manuel du libraire de Brunei, voJ. n, jjaj,'. 
* Francisco Gomes de Anionin (Thealro), Ódio de Raça, pag. i59. 



895. 



1<J8 RI 

de gl' antenati suoi, e particolarmente difendendo la parte noslra contra Tempia 
setta di Mahometani, etc.» 

"Este frade era melhor escriptor que propheta, e nâo me parece que Deus 
lhe desse grande importância aos rogos. No remate da dedicatória dizia elle ao 
Rei, acutilado três annos depois em Africa: «baeiãdo gli riverentemente la Regia 
mano, faro fine : pregado Iddio ehe si come gl' ha coneesso d' agguagliare la 
grãdeza e felicita de' maggior Re dei modo : cosi gli cõservi il Regno quieto e 
pacifico in molti secoli e accresca gl' anni suoi in lunga età.^» 

RICORRENDO il giorno delia Coronazione delia Saniità di N. Signore 
Papa Pio Sesto felicemente regnante. Componimento poético da cantarsi nel palazzo 
dei Signor D. Giovanni d' Almeida de Mello e Castro, Ministro Plenipotenziario di 
Sua Maestà Fedelissima presso la Santa Sede, il di 7 Aprile 1190. In Roma, 
nella stamperia Pagliarini. 

RIENSI (LOUIS DE ). 

Patané, lieu charmant et si cher au Poete 

Je n'oublierai jamais ton illustre retraite; 

lei Camoens, au bruit du flot relintissant. 

Mela Taecord plaintif de son luth gémissant. 

Au flambeau d'Apollon allumant son Génie 

II chanta les Héros de la Lusitanie: 

Du Tage à Turne d'or, loin des bords paternels 

De Bellone il cueillit les lauriers immortels: 

Malheureux exile, cet emule de Homère 

Acheta son Génie au prix de sa misère. 

II posséda, du moins, pour charmer ses douleurs, 

Les baisers de Tamour et les chants des neuf soeurs. 

Lusus et les chinois honorent sa mémoire : 

Le temps qui détruit tout, agrandira sa gloire. 

Moi, qui chéris ses vers, qui pleurai ses malheurs 

J'aimais à saluer ces bois inspirateurs. 

Je visitais cent fois cet humble et noble asile; 

Dans ta grotte, ó Louis, mon coeur fut plus tranquilie. 

Agite plus que toi, je fuyais dans les champs. 

Et le monde et mon Cdíur, Tenvie et les tyrans. 

Au Grand Louis de ('amoens, portugais d'origine castillane, 
Soldat rehgieux, voyageur et poete exile; 
L'humble Louis de Riensi, français d'origine romane, 
Voyageur religieux, soldat et poete expatrie. 
:{0 mars, 1827. 

RIER/IS (IVICOLAU MARTI.\EZ ). — .lesuila, hespanhol. 

Explicações e notas á Prosódia do P. Manuel Alvares. Valência, 1099. 



Camillo Caslrllo Branco, Narrotiros, vol. ii, paj.'. 42. 



RI ' 199 

IIIGAUD (LUCAS ). Ignora-se a nacionalidade, mas era estran- 
geiro. 

Cozinheiro moderno, ou nova arte de cozinha, onde se ensina pelo methodo 
mais fácil e mais breve o modo de se prepararem vários manjares, tanto de carne 
como de peixe, mariscos, legumes, ovos, lacticinios, varias qualidades de massas 
para pães, empadas, tortas, timbales, pasteis, bolos e outros pratos de entremeio; 
varias receitas de caldas para diferentes sopas ; caldos para doentes, e um caldo 
para viagens longas, ele, etc. Terceira edição, correcta e emendada. Lisboa, na 
oflQcina de Simão Thaddeo Ferreira, 1798. S.° de viii-461 pag. 

RIO (S. GOMEZ ). 

Les deportes brésiliens en 1822. 

Foram publicadas estas scenas históricas, nas quaes figuram os portuguezes, 
na Revue des races latines, 1858, dezembro. 

RIOS (DON ANGEL FERNANDEZ DE LOS ). 

Mi mision en Portugal. Diário de ayer para ensenanza de maííana. Paris, 
1877, 726 pag. 

Escreveu sob o pseudonymo de Rosi na llustracion de Madrid, em 1870, 
uma serie de curiosos artigos acerca do que de mais notável se encontra na 
capital da monarchia portuguezai. 

RIOS (GUILHERME DE LOS ).— Jesuita, hespanhol, natural de 

Ecija. 

Panegirico dei Apostol de las índias S. Francisco Javier. México, por Diogo 
Garrido, 1621, in-4.° 

RIOS (D. JOSÉ AMADOR DE LOS ).— Individuo numerário de 

las rcales academias de la historia y bellas-artes de San Fernando, catedrático 
dei doctoradó en la facultad de filosofia y letras de la universidad central, inspe- 
ctor general de instruccion pública. 

Historia social, politica y religiosa de los judios de Espana y Portugal, por el 
llustrisimo seíior . Madrid, imprenta de T. Fortanet, 1875-1876, in-4.« 

Começa a tratar dos judeus portuguezes no cap. vr do vol. i. 

Las razas históricas de la Península Ibérica. Carta ai. Senur Doctor Don Júlio 
Vilhena, Miemhro effectivo dei Instituto de Coimbra. Madrid, 30 de junho de 1873. 

Foi publicada esta carta em o n.° 5 do Instituto, jornal de Coimbra, setem- 
bro de 1873. 

Amador de los Rios toma o partido do sr. Júlio de Vilhena contra o sr. Theo- 
philo Braga. Tinha este ultimo escriptor asseverado que Roma conquistara com 
a espada, mas que não povoava, deixando ás povoações submettidas seu dominio 
e costumes, e submetlendo-as com a absorvente adminislração do seu governo 
militar. 



Luiz ViJarl, Los poetas lirkos contemporâneos de ForlunaL Madrid, 187á, {lag. 



200 RI 

Porém o sr. Amador de los Rios assevera que a população ibérica da penín- 
sula foi quasi exterminada; que no tempo do Imperador Antonino gosava a 
peninsula de unidade de direito «debaixo das azas do império romano^, achan- 
do-se feita a fusão dos povos ibéricos e constituída a família hispano-latina. 

Assevera, outrosim, que se não chegou (pag. 213) a constituir durante a 
dominação wisigothica uma verdadeira unidade nacional, como se não constituiu 
também um verdadeiro império, manlendo-se até á calastroptie de Guadalete as 
leis deletérias e privilégios irritantes que se oppunham á realisação de tão grande 
obra. 

Revista de Espana. Quinto ano. Tomo xxix. (Noviemhre y Deciembre.J Ma- 
drid, 1872. 

Começa n'este volume, a pag. 402, o trabalho de Amador de los Rios, inti- 
tulado : Estúdios arqueológicos y monumentales. Portugal. 

Principia por tratar com algum desenvolvimento dos sarcophagos romanos 
cm Portugal (pag. 468, etc.) ; falia depois nas estatuas do jardim botânico de 
Ajuda, estados das artes nas monarchias christãs ao eíTectuar-se sua conquista 
(vol. xxx), e da igreja de Cedofeita, cuja fundação attribue á primeira metade 
do século XIII (pag. 153), Sé Velha de Coimbra, e na discrepante versão de uns 
caracteres árabes que n'ella se encontraram (pag. 166). Trata largamente da Sé 
de Lisboa, asseverando que as capellas do claustro foram fundadas entrado já o 
século XIV (pag. 159). 

Em summa, este trabalho de Amador de los Rios deve ser lido por quantos 
se applicam ao estudo da historia da arte. 

No vol. xxxiii falia por miúdo da Batalha, de Cintra, e assevera que o estylo 
do palácio real é mudejar; nota que a estatua de D. Pedro IV no Rocio é obra 
de francezes, e que francezes estavam fazendo estatuas para o arco triumphal do 
Terreiro do Paço, e que notava tanto mais este facto, quanto se fallava em Por- 
tugal em renascimento das artes 1 (Pag. 18, vol. xxxiii.) 

A igreja de Belém e muitos outros edifícios não foram esquecidos no volume 
seguinte. No vol. xxxvi trata largamente do palácio de Subripas, em Coimbra; 
falia com enthusíasmo do púlpito de Santa Cruz de Coimbra, e exclama : «el 
púlpito de Santa Cruz de Coimbra constituye en el suelo português la más esti- 
mable presea dei renacimiento plateresco.» (Vol. xxxvi, pag. 465.) Pergunta, 
porém, se a obra é portugueza e em que se baseiam para o aíTirmarem.- 

AíTirma no seguinte volume que as construcções de Lisboa e de Coimbra 
em tempo do marquez de Pombal são obras de estrangeiros, e termina asseve- 
rando que nos últimos séculos os monumentos architectonicos, tanto d'esta cidade 
como dos tempos médios, justificam a unidade ibérica. 



RISTRETTO (BKEVE) delia vila e miracoH di S. Gonzalo d' Amarante^ 
jjortoghese, deli' Ordine de Predioatori. Roma, 1672. 

IVITTEK (J08EPII ).— Sacerdote de la Compania de Jesus y doctor 

en sagrada teologia. 

Vida y virtudes de la Serenisima Seilora Dona Maria Ana, lieyna de Portu- 
gal y los Aljarvps, Princesa Heal de Hungria y liohemia, y Archiduquesa de Aus- 



- RI 201 

triaj etc. Escrita en idioma latino por el padre , y traducida ai castellano 

por el padre Joseph Gverra, sacerdote de la misma Compania y predicador de los 
dei número de S. Al. Católica. Impresa de Orden y á expensas de la íieyna Nuestra 
Seúot^a (que Dios guarde). En Madrid, en la oficina de António Marin, 1757. 

Lehen und Tugenden Mariae Annae Kônigin in Portugall imd Algarhien, 
gebohrnen Kòniglichen Prinzessin in Hungarn und Bôheini, &&. Lateinisch be- 

schrieben von . In das Teutsche iibersetzet vou einen Priestern geiibersetzeí von 

einen andem Priestern gemelter Gesellschaft. Passau, gedruckt bey Friedrich 
Gabriel Mangold, HochfUrstl. Hot Buchdruckerern, i7o9, in-8.", 308 pag. 

RITTKUSUUSIO (IVICOLAU ). 

Genealogia Imperatorum, Regum, Ducum, Comitum, praecipuorumqiie aliorum 
Procerum Orbis Christiani. Tubinge, 16C4, 2 vol.^fol. 

Na taboa 23 trata dos serenissimos duques de Bragança, c nas laboas 152 e 
e 153 dos Reis de Portugal. Obr?i exacta, e que corre com estimação i. 

RI VER A (D. luís ). 

Poesias de . Lisboa, typographia da Revista universal, 1852, 8.", ix- 

114 pag. 

Alem de poesias n'um álbum do poeta portuguez António Xavier liodrigues 
Cordeiro e no de Lopes de Mendonça, escreveu a seguinte ode A Camões, dedi- 
cada á ex."" sr.^ condessa dei Casal: 

Perdóname, poeta, si profano 
En rimas di mi lengua casteliana, 
Tu nombre de los angeles hermano, 
Tu inspiraeion de lo inmortal hermana. 
El génio vive cuando el hombre espira; 

Y en los cristales dei sonante rio, 

Y en la espesura de la humbrosa selva, 

Cantando el aura gira 
• Su nombre por el côncavo vacio : 

Y cuando acabe de estinguirse el hombre 
Del mundo envuelto en la hedionda escoria, 
La última luz dei astro de su gloria 
Reflejerá la gloria de su nombre. 

Ya las alegres playas de Occidente 
No escuchan I ayl ai espirar el dia 

Tu cântico doliente, 
Relâmpago feliz de la poesia. 

En majestad sombria 
Salada el mar tu cuna y tu sepulcro. . . 



D. António (Caetano »lc Sousa, Hi'itor ia genealógica da casa real portugueza, vol. i, pag. 212. 



202 RI 

Y ai agitarse las revueltas olas 

Del pielago que brarna, 
No miran en tropel las banderolas 
Del noble vencedor Vasco da Gama. 



El génio, donde está? — Porque apagado 

El resplendor de su divina antorcha, 

No alumbra ai mundo con sus rayos de oro ? 

Ayer orlado con su luz el prado 

De Helicona, ostentaba su tesoro 

De ricas perlas y sublimes dones. 

Tudo acabo ! — y el manto de la muerle 

Apago — ai cubijar su cuerpo inerte — 

La más dulce cancion de sus cauciones 1 



La gloria dei poeta está en la tumba — 

Nacen los ecos de su fama en ella — 

El hombre vive y se escarnece ai hombre — 

Camões, Milton y Homero babeis llorado 

Lagrimas de abandono y amargura. . . 

— Solo queda ai poeta desdichado 

El amor de su propia desventura I — 

Augustas sombras de divina raza, 

Dormid, dormid en paz I — bien los desprecios 

Tolerasteis dei mundo y sus agravios — 

Dornjid en paz, poetas I — 
No temais que las fiestas de los necios 
Interrumpam los suenos de los sábios I 



Camões! Camões! la vida es un inlierno 
Cuando la vida Ia comprende el hombre. 
— Amar la dicha y ai correr trás ella 
Veria desparecer como en el cielo 
El lânguido reflejo de una estrella. — 

Y esto es vivir 1 Ilevar siempre en el alma 
La historia de los íieros desenganos, 

Y unas trás otras escribir en calma 
Las horas de dolor que llaman anos 
Ay ! tu tambien para llorar naciste... 

Tu — como yo — la vida has maldecido — 
Tu — como yo — llevaste un infierno 
En las rolas entranas escondido. — 
Pêro cantaste. . . y ai cantar tus penas 

En médio Ia agonia, 
Fué tu muerte tu última poesia. 



RI 



Aguas que en vuestro curso hábeis bafiado 

El fértil suelo di mi pátria amada, 

Tal vez en Portugal hais escuchado 

Sq primera cancion enamorada. 

No murmurasteis su tranquilo acento? 

Su voz enternecida 
No llegó hasta vosotras por el viento 

Y el aura eonducida? 
Y no os parasteis á escuehar atentas 

Su angélica armonía, 
Como el hombre en mitad de sus tormentas. 



Escuchó la primera profecia? — 

Ay, nol — que indiferentes á sus versos, 

Sin comprender la voz de sus cantares, 

Arrojasteis sus ecos 
Entre las ondas de los roncos mares. 
Un presagio tal vez fué vuestra huida ! . 

El mundo le esperaba — 
Su corazon ardiente le llevaba 
Á los revueltos mares de la vida. 



Amor, amor, ardia en esperanzas 
Tu corazon — á un angel adoraste — 

Pêro ai sonar amores. 
Tu tambien — como todos — le enganaste. 
La dicha, quando jovenes, buscamos, 
Corremos trás la gloria y los placeres . . . 
Y todos á la vez nos enganamos. . . 
No hay angeles aqui — aqui hay niujeres f 
Débil tu corazon se estremecia 
Al recordar las gracias de tu amada — 

Maldicion dei destino ! 
Tu, que arrojastes inspirado ai mundo 
El libro de tu pueblo lusitano, 
De amor llorastes en amargo duelo 

Por su desden tirano. . . 
No era tu pátria el mundo, que era el cielo ! 



Yo, que he de hacer en mi dolor profundo 
Sin el fuego inmortal que Dios inspira? 
Seguir indiíTerente por el mundo — 
Mas ya que entre los necios me confundo, 
Rompo á tus pies mi desdichada lira I 



203 



20i 



RI 



A la fiiente de las lágrimas. A la ex.""" senora D. Maria de la Concepcion 
Ferreira da Silva. 



Una idéa, pensamiento I 
Alma triste, una ilusionl 

Y llevadme por el viento 
(^on rápido movimiento 
A Ia celeste mansion, 

El huracan de la vida 
Por mi frente dolorida 
Zumba con hórrido afan I 
Para una idéa querida 
Nunca falta un huracan. . . 

llusiones, ay I ya han muerto 
Sobre este pecho vacío. . . 
Solo queda en el desierto 
De Su concavo sombrio 
Un corazon casi yerto. 

Corazon que sin ca ri fio 

Y enfermo para adorar, 
Solo puede conservar 
Algun recuerdo de nifio 

Y un harpa para cantar. 

Cantar! y á quien? A las flores? 
Qué ha de cantar á flor 
Quien no vé en ella colores; 
Quien ha perdido el amor 
De la flor de sus amores?. 

Clara luz dei médio dia 
Angélica melodia 
De una alta lira inspirada, 
Lanzad en mi frente helada 
Un pielago de poesia I 

Dadme á conocer la lira 
Que tiernamente se inspira 
Cantando el amor de Incs, 
Poeta por quien respira 
Un amor que ya no es. 



— Aqui fuel — dice una fuente 
A cuya limpia corriente 
Lágrimas le dieron ser. 
Mostrando asi tristemente 
El amor y el padecer. 

Del alba á los resplandores 
Un cedro les presta paso, 

Y entre las dormidas flores 
Una voz que se oye acaso 
Canta lágrimas y amores. 

Lágrimas y amores ! — si — 
El amor es un desvelo, 
Que nos eleva hasta el cielo, 

Y las lágrimas aqui 
Presta ai amor consuelo. 

A la sombra de ese cedro 
Lloraste de amor, Inês — 
Ayl no temas, que á tus pies 
Viene á rendirse D. Pedro 
Con su cetro português. 

Qué importa el dolor interno 
De esta vida transitória, 
Si hizo Dios por tu memoria, 
Á tu verdugo un infierno, 
Para tu amor una glona? 

Todos cantan tus amores; 
El guerrero en sus empresas, 
Las damas en sus loores, 

Y aun los pobres pescadores 
De las playas portuguesas. 

Camões, que amaba y sufria, 
Canto y se llevó la palma. 
Mostrando en su melodia, 
Que si tu le distes alma, 
El te regalo poesia. 



Mas yo, pobre passajero, 
Y en esta tierra extranjero, 
Oue puedo darle á tu amor?. 
Un recuerdo de dolor 
En mi suspiro prostrero I 

Coimbra, 16 de enero de 1850. 



RO 



205 



Coíjipoz ainda, entre outras, a seguinte poesia intitulada Lisboa: 



Quien es esa encantada 
Vision que sobre ei rio, 
Duena de su albedrio 
Tan adormida está? 
Adonde va esa fada 
Que en caprichoso vuelo 
Su frente eleva ai eielo, 
Sus pies hunde en la mar? 



Qué hermosa ! — Gomo juega 
En su lábio la sonrisa I 
Tórtola de los valles 
Y perla de la mar. 
Sobre esta cinta de aguas 
Que mansa se divisa, 
Perdida en lontananza, 
Perdida mas ailá. 



Porquê murmuran lentas 
Las auras vagarosas, 
Porquê si el sol declina 
La baila de fulgor? 
Porque lanzan su aroma 
Los lírios y las rosas, 
Suspiros de las bellas 
Y emblemas dei amor? 



Sultana de occideute 
Que en tu dormido espacio 
Remedas un palácio 
De magico esplendor 
Guardada de las fúrias 
Del viento y las tormentas 
Te ries y sustentas 
A su feliz rumor. 



Porquê si con su planta 
Va destrozando flores, 
La fé de sus mayores 
Holló tal vez ahi? 
Porquê si nació hermosa, 
De su hermosura esclava, 
En su indolência acaba 
La fê dei porvenir? 



Siempre sereno y limpio, 
Su pabellon flotante 
Suelta*sobre tu frente 
La mano dei cenit. 
Amada de las luces, 
Del oceano amante. 
Arbusto dei Oriente, 
Porquê naciste aqui? 



Has escuchado esas vocês 
Que en las alas dei viento van; 
Eco de futuros goces, 
Diehas que llegando estan ? 
Es un pueblo que levanta 
Su cabeza, y que quebranta 
Su tremenda esclavitud ! 
La humanidad que camina I . . . 
La libertad que fulmina 
Del cenit en la altilud I . . . 



ROBERT (CLÉMENCE ), 

Le Mar quis de Pombal. In- 12. 



TVOBERT (WHITE ). 

Madeira, its dimate and scenery, by 



4857. 



nOBITVSOIV (J. C). 

The early j^ortugiiese school of painting. ln-4. 



206 RO 

Catalogue of the special loan exhibition of Spanish and Portuguese ornamen- 
tal arty Kensington Museum, 1881. Edited hy . London. Clay, Sons and 

Taylor, 8.«, 208 pag. 

ROBIXSON (CIPTAIX ). 

Peninsular War. By . 

ROBLES (D. RODRIGO DE CARAVAJAL Y ), 

Batalha de Toro. Poema. Limae Indorum ^ 

ROr.A (D. ALGLSTllV DE LA ). 

Discurso sobre las Dissertationes Académicas^ impresas en Lisboa, que tratan 
de la venida y predicacion dei Apostol Santiago en Espana. Madrid, sem data. 

ROCCA (LlJIGl ). 

AIV Augusta Regina di Portogallo Maria Pia, in morte dei Principe Odone. 
Carme. Torino, 1866, 8.«, 2 folhas. 

Donna Regai perdona 

Se dei tuo lulto amaro 
Questo mio carme ancora oggi ragiona! ... 

Egi era a Noi si caro 
I! giovin Prence, e a Te vive coslrello 

Con si possente affetto, 
Che Tudirne ridir le miti impresse 
Sempre fia dolce ali' alma tua cortese. 

ROCIIEL (FILIPPE ) — Jesiiila. 

Panegyricus D. Francisco Xaverio ducius. Tyrnaviae, 1769. 

ROCUETTE (L. S. DE LA ). 

A Chart of the coasts of Spain and Portugal, tvith the Balearic Islands and 
part of the coast of Bombay. London, 1779. 

ROCOLES (J. B.). 

De la fortnne marastre de plusieurs princes et grands seigneurs de tontos 
nations, depuis environ deux siècles. 

Falia de Montezuma, Rei do México; de Atalalipa, Rei de Cuzco, pag. 74 a 
78; de D. Sebastião, Rei de Portugal, pag. 184 a 186; de Miguel de Vascnnrellos 
(ministro de eslado em Portugal), de pag. 229 a 230, e do duque de Caminha, de 
pag. 231 a 232. 

ROEDER (MARTIUS ). 

Publicou Martins Roeeder na Gazeta Musical, de Mil3o, em os números 4 e 
18 de março de 1877 o retrato e uma honrosissima biographia do falleddo com- 
positor portuguez Joaquim Silvestre Serrão. 



• Nicol. Anl., Bibliot. Nova, vol. ii, pag. 262. 



RO '^0' 

E dá-se, pois, o caso, de que este é desconhecido em Portugal, ao passo que 
na Itália é considerado como compositor de musica sacra. 

Nasceu em Setúbal, em 16 de agosto de 1801, e morreu na ilha de S. Miguel 
a 20 de fevereiro de 1877. 

ROEMEll (JOAN\ES JACOBLS ). 

Scriptores de plantis Hispaniae et Lusitaniae. Naremherg, 1796. 

Encontram-se n'esta obra : 

Domingos Vandelli : Fasciculus planíarum cum novis generibus et speciebm. 

Do mesmo aucíor: Florae hisitanicae et brasiliensis specimen. 

Cartas de Linneo e de Haen a Vandelli. 

UOI (LE ) DE PORTUGAL, conte, siiivi deíi Deiix Achilles, conte 

dédicatoire, et d'une építre au Juif HerscheL 1788, 8.°, 1 vol., 160 pag. 

UOJAS (JUAN luís DE ). 

Relaciones de algunos successos postreros de Berbéria. Salida de los Mouriscos 
de Espana e entrega de Alarache. Dirigidos á Don Fernando Mascarenhas, Caba- 
llero de la Orden militar de Christo. 

«Trata largamente de Ceuta e das façanhas do marquez de Villa Real, de 
D. AlTonso de Noronha e outros sustentáculos da gloria portugueza de Africa, 
onde até mais tarde luziu o astro do puro, nobre e desinteressado portuguez, 
convertido na Ásia em cobiça sanguinária de mercadores. — Alexandre Hercu- 
lano, Advertência preliminar aos Annaes de D. João IIl^. 

ROMAN FREI (AIXTOMO DE SAN ). 

Jornada y muer te dei Rey D. Sebastian de Portugal. Vailadolid, 1603, 4.° peq. 

Historia general de la índia Oriental. Los descubrimentos y conquistas que 
han hecho las armas de Portugal y nel Brasil, y en otras partes de Africa y de la 
Ásia, y de la dilatacion dei Evangelio por aquellas grandes provindas desde sus 
principios hasta el ano de 1557. Vailadolid, por Luís Sanches, 1603, in-fol. 

ROMAX (FR. JEROIXYMO ).— Da ordem dos eremitas de Santo 

Agostinho; chronista da casa de Bragança. 

Historia da Serenissima Casa de Bragança, na qual comprehende muita ge- 
nealogia, e a ascendência do conde D. Nuno Alvares Pereira, manuscripta. 

Vi a copia, que tem o duque do Cadaval, tirada da que se conserva na biblio- 
theca regia; o mesmo auctor, nas obras militares d'estc reino, de Alcobaça e 
Santa Cruz, trata de muitos commendadores, dos quaes tem feito, em muitos 
volumes, larga e exacta menção, Manuel Coelho Velloso, secretario da Mesa da 
Consciência e Ordens ^ 

R03IAXCE CÓMICO, en que un leal vasalo dá cuenta á la Reyna Nites- 
tra Seiiora de lo que ha succedido desde que sus Majestades se ausentaron de la 
Corte, haíta la feliz victoria conseguida de las Católicas armas en Villa Viciosa; 



* Camillo Caslello Branco, Narcóticos, vol. u, pag. 41. 



208 RO 

y juntamente glosada la respuesta que el Rey nuestro Senor dió ai Excelentisimo 
Senor Marquês de Valdecanas, diciendo que sus armas no habian vencido,, sino el 
Bravo poderoso de Dios. 

Guerra da successão. 

Bibliotheea publica de Lisboa. 

ROx^IANCE CURIOSO en elogio dei Rey Nuestro Seíior Don Felipe Quinto 
(que Dios guarde), en titulo de Comedia. Compuesto por una Senora de esta Corte. 

ROMANCE DE LOS CIEGOS de Madrid á nuestro Rey y Senor Don Fe- 
lipe Quinto (que Dios guarde muchos anos). 

ROMER (I. I.). 

Scriptores de plantis Hispanicis, Lusitanicis, Brasiliensibus. Nurembergae, 
179(), 8.", 184 pag. 

ROIVCESVALLES (SATVTA MARIA DE ).— Na Navarra. 

Corre como tradição que a Rainha Santa Izabel visitara em romaria este 
celebre sanctuario, e que n'elle se conserva ainda hoje um manto de seda encar- 
nado, bordado por suas próprias mãos 2. 

RONDINA (F. X.). 

A Divindade de Nosso Senhor Jesus Christo reivindicada contra Ernesto 

Renan; discurso do padre , recitado na Sé de Macau; com additamentos e 

notas pelo mesmo. Offerecido ao ex.°"^ e ref.""* sr. José Luiz Alves Feijó, bispo 
eleito de Macau. Macau. Na imprensa do seminário diocesano, 1864, 4.°, 61 pag. 

Pio IX perante a revolução. Discurso recitado na Sé de Macau pela occasião 
de se solemnisar o 25." anno do Pontificado de Pio IX. Por . Com additamen- 
tos e notas do auctor. Offerecido pelo mesmo ao J//."'" Leal Senado. Macau, ál de 
junho de 1871. Typographia Mercantil, 4.° peq., 40 pag. 

ROQUEFORT (K. MOIJGIIVS ).— Conseiller de Ia Cour Impériale 

d'Aix, membre du conseil general du département des Alpes maritimes. 
Histoire chevaleresque du Portugal. Paris, 1862, 8.° de xv-156 pag. 

ROSEINKRANZ (K.)* 

Handbuch einer allgemeinen Geschichte der Poesie. Halle, 1832, 1883. 3 vol. 
33o, 282, 444 pag., in-8.« 

(Vol. ni. Geschichte und ihre Geschichte. Eine Entwicklung der poetischen 
Ideale der Vòlker. Konigsberg, 1855, xviii-775 pag., in-8.'' Cant. in. Das Roma- 
nische Ideal der Ritterlichkeit, pag. 616 a 623. Die Portugiesen und Camoens.J 

» 
ROSSELL. — Actor cómico hespanhol. 
Recitou no theatro dos Buffos, em Madrid, em uma occasião que n'aquella 



í). António CaPlano de Sousa, Historia genealógica da casa real portugueza, vol. i, pag. 210. 
Madoz, Dicionário geográfico de Espana, vol. xiii. 



RO 209 

cidade obsequiaram os nossos compatriotas que aili tinham ido, as seguintes 
coplas : 

A San Isidro Somos hermanos 

de Portugal y es natural 

vienen personas que hoy estrechemos 

de calidad, nuestra amistad, 

y en la pradera porque supimos 

les vi comprar los dos luchar 

muchas rosquillas por nuestra pátria 

de Fuen Labrá. y la libertad. 

Al gran Camoens 
se admira acá, 
como á Cervantes 
el In mortal. 
Vaya un aplauso 
para acabar 
á los hermanos 
de Portugal. 

ROSSI. 

Frei Luiz de Sousa. 

Foi representado no theatro do Gymnasio pela companhia Rossi na noite 
de 27 de janeiro de 188i. 

A distribuição foi a seguinte: 

Manuel de Sousa Rossi. 

Magdalena de Vilhena A. Brignone. 

Maria Belli-Blanes. 

Fr. Coutinho P. Viseardi. 

Um Peregrino G, Brizzi. 

Elmo Paes E. Cassini. 

Prior de Remfica V. Andreani. 

Um Leigo Maillard. 

Miranda Pisani. 

Houve applausos. 



ROSSI (JACQUES TllOMAS DE ).— Jesuíta, napolitano. 

Letlera dei P. Giacomo Tomasso de' Rossi delia Compagnia di Giesu, scritta a 
12 Ottobre l' anno 1741, dal Madure ai Padri N. N., che contiene un insiyno mi- 
racolo di San Francesco Saverio. In Palermo, nella stamperia de Giuseppe Gra- 
migniani, 1743, in-8.» 

Vierter Brief R. P. Jacobi da Rossi, S. J., an seinen Brudern P. Salvalorem 
de Rossi, S. J., geschriehen zu Madura, dem 29 Heumonats 1738. Inhalt. Verschie- 
dene Gnaden, die Gott denen Christen durch die Fúrhitt der seeligsten Jungfrau 
und des H. Francisci Xaverii ertheilet hat. 

Fiinfter Brief R. P. Jacobi de Rossi, S. J. geschrieben an einen Priester der- 
selben Gesellschaft, nach Rom, aus dem Reich Madura, dem 20 May 1739. Inhalt 

14 



m RO 

P. Rossi erzehlt, loie viel er verflossenes Jahr getouffet, und Bcicht gehoret. Die 
Andacht deren Indiadern in Madura gegen der Maiter GotteSj den Heil. Francis- 
cum Xaveriunij und V. P. Joannem de Britto. Den Zustand cines Apostolischen 
Arbeiters in dieser Mission^ pag. 15 a 17. 

UOSSI (TOMASO ) — Patrizio di cillà di Castello 

A Sua Altezza Reale D. Isabella Maria di Broganza e Borbone per il régio 
sangue e per le piú specchiate virtú chiarissima che si compiacqiie assistere la don- 
zella Brígida Rossi, quando il giorno 5 giugno 1864 vestiva l' abito religioso nel 
nobilc monastero deite Domenicane di S. Caterina da Siena in Roma, prendendo il 

nome di Maria Domenicaj, il Padre delia donzella dedica questa poesia alle- 

grandosi dei bel destino delia sua figlia amantissima. In-4.°, uma lauda. 



Tre volte benedetta! 
Che da questo atro vórtice d'aíranni, 

Siccome uii Angioletta, 
In alto spieghi intemerata i vanni, 

E ascosa in sacro velo 
Sparisei ai mondo e ti avvicini ai Cielo. 



ROTUKEAU.-— Membre de la société d'hydrologie medique de Paris. 
Quando trata na sua obra acerca de Portugal, das principaes aguas mineraes, 
somente descreve os banhos de Lisboa como puramente hygienicos. 

ROUFFEYRAUX (LÉONCE DE ). 

Le Portugal. Paris, 1880. In-S." gr. Librairie Dentu, 289 pag. 

ROURE (CONUAT ). 

Na obra impressa no Porto em 1883, Srintillações e sombras, appareceu esta 
poesia intitulada: A Camões: 

Mana Deu ai poela: «Canta e piora; 
La gloria vé després dei sofriment; 
ai pit tinch un' urna hont à tot hora 
las llagrimas dei triste hi van cayent.» 

Lo poeta obeheix. Al temps que canta, 
en cristal Is lo seu pior surt convertit, 
y va cayent com una pluja santa 
en Turna que Deu guarda dintre'l pit. 

Y transformai alli en milions d'estrellas, 
per la volta dei cel 1' escampa Deu. 
Quan més piora '1 poeta, més son ellas, 
y van brillant las llagrimas arreu. 

No sé, Deu meu, com en lo cel s' hi nota 
un sol espay sense gentils clarors I 
Pêra inundar dei cella volta tota, 
han de bastar de Camoens tants de plors ! 
Barcelona. 



RO 211 

UOUSSE.\U (JOSUÉ ) — Impiimeur. 

Ensaio da arte grammatical porttigueza e franceza, para aquelles que, sa- 
bendo a Hngua franceza, querem aprender a porttigueza. Lisboa, na oíficina de 
António Pedroso Galvão. 1703, in-4.° de 8-176 pag. 

Este aiictor, no prologo, diz o seguinte com relação a si: «Eu, na imitação 
de Zenon, tendo perdido o que me restava na frota onde o senhor de Walstain, 
embaixador do império, foi aprisionado dos francezes, me íiz grammatico.» 

Esta grammatica tem uma dedicatória ao marquez de Fontes, I). Rodrigo 
Pedro de Sá e Menezes. 

Histoire (L') de Portugal et des Algarves, qui contient ce qiii s'est passe de 
plus considérable dans ces devx royaumes depiiís que Ttibal y amena les Coíonies, 

jiisqiià la mort du Cardinal Roy Don Henri ; par ^ qui a orne son ouvrage 

des figures des liois de Portugal, d'une carte géographique et de quelques remar- 
ques, dont la principale est Vétablissement de 1'inquisition dans Lisbonne. Dans 
Amslerdam, chez l'auteur, demeurant dans le Goudt-bloem-straat, in de glaze, 
maakers gang., 1714, in-4.°i 

O estylo d'esta historia é o que n'ella encontrámos de mais notável. É tão 
avelhado, que se o auctor tivesse de idade dois ou três séculos, poderiamos sus- 
peitar que a teria composto em idade bem tenra. O estylo de que fazemos uso 
actualmente, parece insupporlavel ao sr. Josué Rousseau, o qual tem bastante 
cuidado de informar a tal respeito o betievolo leitor fbienvceiUant lecteur), n'um 
prefacio tão curioso, quanto o é o próprio livro. Dá a este prefacio o nome de 
Prologo, porque diz respeito á Historia de Portugal «como um tecido do acções 
trágicas». 

«Emquanto ao meu estylo de escrever em lingua franceza, diz elle, eu te 
declaro, benévolo leitor, que a tinha começado em estylo ordinário; mas, quando 
a tornei a ler, achei-a n*uma tal confusão e tão afastada das quatro regras gram- 
maticaes, que minha vontade ficou suspensa. Considerei em primeiro logar, que, 
se escrevesse esta historia em deformidade do estylo ordinário, uma quantidade 
de pessoas, que não íôem erudição e que estão acostumadas a este mesmo estylo, 
enfadarse-iam da leitura, desapprovando-o; mas veiu-me depois ao pensa- 
mento que este estylo commum está todos os dias sujeito a mudanças, e que 
pouco importaria que elle desagradasse ás pessoas não letradas, comtanto que os 
grammaticos o approvassem. Porque se podessemos uma vez suj-^itar o estylo de 
escrever ás leis da grammatica, ficaria fixo, assim como o grego litteral e o latim, 
emquanto esteve sujeito ás vicissitudes do vulgar. 

«Continuando, pois, n'este pensamento, principiei a purifical-a dos erros 
communs á medida que se imprimia esta historia, continuando-a assim até ao 
fim; eis o motivo por que não é uniforme por toda a parte.» 

Parece que, com eíTeito, compondo a primeira parte, que termina no nasci- 
mento de Jesus Christo, não tinha ao principio procurado ornar seu estylo com 
as graças que depois procurou ajuntar-lhe, e que só têem toda a sua perfeição na 
segunda parle e na terceira. O franco gothieo mana um tanto em maior abundan- 



' Vem esta apreciação da Historia de Portugal de Roussoac, no Journal des Sçavans, a pag. 188, 
do anno 1715. 



212 RO 

cia da fonte, n'estas duas partes. A segunda comprehende o que os romanos, os 
godos e as outras nações do norte fizeram em Portugal até ao tempo do conde 
D. Henrique. 

Começa por estes termos: «A paz derramava em flocos suas benignas in- 
fluencias sobre todo o universo no anno em que o Redemptor do género humano 
nasceu; Octaviano Augusto mandou fechar o templo de Juno (o que então foi 
pela terceira e ultima vez), por uma alegre demonstração d'es8a tranquillidade 
universal, da qual participou durante o resto de seus dias, n'uma nobre felicidade. 
Gosavam então os portuguezes também das graças que esta bemaventurada filha 
do Céu prodigalisava então nas provindas portuguezas, que tinham sido inter- 
rompidas, pelo estimável apreço da honra, que se adquire no campo de Marte, 
quando se combate a favor da liberdade de sua pátria. Mas todos seus esforços 
foram vãos, pois não se poderam librar de ser subjugados pelos romanos. . . 

«Embora, porém, fossem subjugados,'© senado romano os deixava viver em 
repouso, com o fim de os conservarem com poucas despezas debaixo do seu jugo. 
Sendo assim, a escravidão em que elles se encontravam, abrandada pela mansi- 
dão de Quadratus e de Titus Flavius Claudianus, legados de Augusto, que esta- 
vam então na Hespanha, lhes era respeitável. . . 

«No anno decimo quinto, a morte, diligente escrava de Alropos, foi a Roma 
fechar as pálpebras ao Imperador Augusto. A republica portugueza com isso 
ficou dorida, e para manifestar sua dor assignalou-se com pompas fúnebres, 
quasi tanto como em Roma.» 

A terceira parte abrange a continuação do dominio romano e godo; a in- 
vasão dos mouros e sua derrota ; a historia dos Reis que os expulsaram e a dos 
successores d'estes principes até á morte do cardeal Rei D. Henrique. 

A respeito d'esta morte o sr. Josué Rousseau exprime-se assim: «A morte, 
que viu a inquietação em que o Rei cardeal se tinha abysmado por excessiva 
ambição mundana, veiu sem demora desatolal-o. Signifieou-lhe, pois, apesar 
d'elle estar muito inquieto, que sendo curto o tempo do seu reinado, como o era, 
com eífeito, ella lhe concedia um pouco de praso com o fim de poder acabar de 
discutir seus negócios emmaranhados ; ella, porém, zombou d'elle, e o tratou do 
mesmo modo como trata aos outros humanos, u fim de abrir para o povo um 
caminho seguro para se desembaraçar de um Rei actualmente irresoluto, pois elle 
não tinha procedido até então senão por meio de irresoluções inquietantes, em 
detrimento dos bons conselhos que lhe suggeria. . .» 

As observações chronologicas que acompanham o texto chamam-se na 
linguagem do sr. Rousseau Noticias chronicaes. É um pequeno amontoado de 
occorrencias acontecidas em outras partes, mas não em Portugal. Eis a primeira 
d'estas noticias, e servirá para dar idéa das outras: 

«Durante o tempo d'esta primeira epocha, Melchisedec mandou construir a 
cidade de Jerusalém, durante o reinado de Tubal (em Portugal) e um pouco 
depois Semiramis mandou edificar os muros de Babylonia. Noé morreu na Itália, 
o qual n'este paiz inventou, antes de morrer, as fechaduras para fecharem com 
segurança as portas. Vesta, que era a mulher d'elle, instituiu a ordem das Veslaes. 
Abrahão florescia durante o reinado de Brigo. As Amazonas tornaram-se notá- 
veis. Phaeton foi á Itália, e depois de lá estar occorreu uma sécca tão grande, 
que forneceu ensejo aos poetas para inventarem uma fabula. O Rei de Salem 
morreu durante o reinado de Beto. Durante todos estes mencionados annos. Mel- 



RO «13 

chisedec morreu, no qual estava o suinmo sacerdócio, que passou a Jacob, porque 
Esaú se tinha tornado indigno d'elie. Jacob servia a Labão durante o reinado de 
Gerião.» 

Nosso impressor conta a seu modo, no fim de suas Noticias chronicaes, o 
estabelecimento da inquisição no reino de Portugal. «No tempo em que, diz elle, 
se estabelecia na Hespanlia, havia na corte de D. Fernando um mancebo, bem 
disposto, por nome Saavedra, natural de Córdova, o qual tinha uma incompará- 
vel facilidade em contrafazer a letra de outrem. Subtrahia algumas vezes cartas 
a seus amigos, imitava-as, e depois de estarem imitadas ficava com o original e 
entregava as que tinha imitado. Recebiam-as elles, e liam-as sem desconfiarem 
de que ellas eram escriptas por uma outra mão. Depois de ter assim varias vezes 
experimentado sua destreza, fez diligencia para saber como o núncio de Roma, 
que estava então na corte de Hespanlia, expedia as bulias e breves apostólicos. 
Quando o soube perfeitamente, eommunicou seu projecto a alguns mancebos seus 
amigos, o qual era contrafazer as bulias selladas em Roma, e ir a Portugal, na 
qualidade de Núncio do Papa, para alli estabelecer um tribunal de inquisição. 
Approvaram elles o projecto, e offereceram-se para o acompanharem. Quando 
tudo esteve prompto, o falso núncio partiu, devidamente trajado, e lá chegou. 
Depois de lá ter chegado com vestes de núncio, lá foi recebido sem dififieuldade. 
Manifestou suas patentes ao Rei e ao clero de Lisboa, que foram tidas por ver- 
dadeiras, e d*elle teve para hospedagem uma casa situada perto da Ribeira, onde 
presentemente está a alfandega. Depois de residir n'aquella casa, mandou prender 
uma grande quantidade de judeus, e mandou processal-os em conformidade com 
o tribunal de Hespanha. Estava prompto para celebrar em publico um auto de 
fé, quando o Papa ínnocencio III, que já estava advertido do que se tinha pas- 
sado, mandou ordem a D. João III, Rei de Portugal, para que mandasse prender 
Saavedra como impostor, até que elle desse outras ordens. Foi, pois, preso em 
Lisboa, e d'alli remettido para Roma, onde foi condemnado ás galés. Porém este 
castigo foi modificado, continua o impressor, por isso que o crime commeltido 
era em beneficio da jerarehia romana. 

«O Papa Pio enviou Luiz Lipomano, na qualidade de núncio, ao Rei de 
Portugal, para occupar o logar de Saavedra. Logo que chegou a Lisboa mandou 
continuar os processos que Saavedra tinha principiado a instaurar, sem innovar 
cousa alguma na maneira como tinha começado. O Rei D. João proveu então 
D. Henrique, arcebispo de Rraga, no cargo de inquisidor geral, e mandou fazer 
prisões e seu auto de fé no anno de 1540, ao qual o Rei e os prelados assistiram.» 

Algumas estampas, toscamente gravadas, acompanham esta observação. Os 
pretendidos retratos dos Reis de Portugal, não são de mão mais delicada, bem 
como as vinhetas. Tudo isto é do mesmo gosto que o estylo. A respeito do mappa 
de Portugal, que precede o volume, é assas bem executado. Os caracteres que o 
sr. Josué Rousseau empregou na impressão são perfeitamente bellos, e nada 
obsta a que, na qualidade de impressor, não passe por um bom artista. 

nOY (ALEXANDER ). 

La Maison de Bragance. Paris, Edouard Vert, imprimeur, in-S.» de 29 pag. 

ROY (M.). 

lllustrations de IHistoire d'Espagne et du Portugal. Limoges, 1843, 8." 



âii RU 

ROYAUMES (LKS) d'Espagne et de Portvgalj divises par grandes provin- 

ceSy colores avec une belle cartovche. 0'",30 X 0'",44. 

ROYAUMES (LKS) d'Espagne et de Portugal, divises par grandes provin- 
ces, dressés sur les observotions astronomiques. 

ROYAUMES (LES) de Portugal. Par le Sr. Bellin. Yem&e,chez se. Paris 
1776. 

ROYER (ALPIIO.\SE ). 

ilistoire universelle du Théátre. Par . Paris, 1869, 6 vol. 

A Historia do theatto portuguez apparece iio vol. ii, de pag. 263 a 312. 

ROZALES (UZIAU ).— Porluguez. 

Panegyrico ao Excellentissimo Senhor Tristão de Mendonça Furtado, digno 
Embaixador em os Estados de Flandres, feia Magestade Serenissima de El-Bei 

D. João IV de Portugal. Por . Em Arnslerdaín, impresso por mandado de 

Mosseh Belmonte, em casa de Paul Matheus, a 2 de Mayo. Anno 16il. 

É em verso. 

RUDERS (C. J.). 

Nagra anmãrkningar ôfver Portugall. Slockholm, 1803. 
Portugisisk resa beskrifern i bref til Vãnner. Stoekholm, 1845. 

RUE (DR. MR. DE LA ). 

Novo methodo de grammatica para aprender com perfeição e ainda sem uso 

de mestre, a lingua franceza, e de aUium modo a portugueza. Pelo . Lisboa, 

na oíBcina patriarchal de Francisco Luiz Ameno. 8.°, 320 pag. 

RUINKEL. 

Traduziu pára lingua ingleza o poema dramático Camões, de SlaíTeldt, ori- 
ginal em dinamarquez. 

RUSCALLA (VEGEZZI ). 

11 Giodeo portoghese, per . Torino, 1852. 

É a vida do celebre cómico portugue? António José da Silva, auctor de 
muitas comedias notáveis, e a quem a inquisição mandou queimar em 19 de 
outubro de 1739. 

RUY DE PINA. 

«Muito poucas nações, ou antes nenhuma, nos séculos xv e xvi causou 
maior espanto por seus feitos heróicos; nenhuma fez brilhar tanto a sua nacio- 
nalidade; nenhuma mostrou a coragem, energia e independência, que caracterisou 
este pequeno canto da Europa. Enlâo, abençoado por Deus, ousou, com a cruz 
n'uma mão e a espada na outra, levar o pharol da civilisação e o bálsamo da fé 
a nações descor»hecidas e barbaras, adquirindo d'est'arte novos florões para as 
coroas dos seus monarchas. 



RU íis 

«E com rasão se chama ao século xv a epoclia heróica da historia de Portu- 
gal, assim como ao xvi a idade de oiro da língua portugueza. No primeiro d'estes 
séculos vemos apparecer gloriosa a espada de ura Affonso V, gravando em cara- 
cteres indeléveis o nome portuguez sobre os muros ensanguentados de Arzila e 
Tanger, com o que mereceu á historia o appellido de Africano. 

«Em seguida, a imprensa, que apenas se achava na sua infância, começando 
a publicar importantissimas composições em prosa 1 A poesia tomando um cara- 
cter singelo, terno e apaixonado! Um sábio infante soltando dos lábios um su- 
bliíne fiat lux, e do immenso dédalo da nossa legislação formar-se o primeiro 
corpo systematico de leis ! 

«No reinado de D. Manuel, finalmente, Portugal, rico, feliz e poderoso; é 
então que Duarte Galvão e Huy de Pina publicam as suas Chronkas, que as 
letras e as artes florescem, que o celebre Vasco da Gama descobre a índia, e 
Portugal se enriquece com o commercio do Oriente I 



' Enconlram-se, infelizmente, nos escriptores das outras nações, numerosas provas da pouca im- 
portância Ulleraria que se nos attribue. Um exemplo bem frisauto achámos na Encydopedia moderna, 
começada a publicar-se em Paris em 1850, debaixo da direcção de Mr. Léon Renier. Ahi vemos que, 
sendo bem longos os artigos sobre a historia lilteraria e a historia politica dos outros paizes, os que nos 
dizem respeito são relativamente os mais curtos e mais deficientes, acrescendo alem d'islo a circumstan- 
cia de serem todos escriplos por Mr. Léon Vaisse, o qual, por uma raridade inacreditável, se dedicou a 
estudar os annaes tão abundantes e variados do nosso Portugal, 

Mencionaremos também o Curso de litteratiira moderna, de Eduardo Menechet, publicado depois 
da sua morte, em 1848, o qual, constando de quatro volumes, apenas consagra trinta e três paginas á 
nossa litteralura, e n'ellas falia somente de Miranda, Ferreira e Camões. Um Bouterwek, um Ferdinand 
Denis 6 um Schaefer apparecem raras vezes e também um Sismondi. 



Cesl dans Tarchiteclure navale que les porlngais se sonl toujours 
disUnguées, et il faut avouer que si leurs architecles ne sont pas 
supérieurs, ils ne sont pas non plus inférieurs à ceux d'aucune 
aulre nation ; aussi tous les connaisseurs étrangers et nalionaux 
s'accordent-iis à dire que les vaisseaux portugais sont remarquables, 
surlout par Télégance de la coupe, la soliditó de la construclion et 
Ia céléritó de leur marche. 

Balbi, Essai statistique, vol. ii, pag. 2H. 



S, # # # 

Voyages de France, d'Espagne, de Portugal et dltalie. Amsterdam, 1770, 
8." 4 vol. 

S. P. 

The Portugal histonj: or a relation ofthe troubles that happened in the Court 
of Portugal in the years 1667 and 1668. Lisbon, 1677, 8.% 1 vol. 347 pag. 

S. Z. B. 

Parecer de un buen espanol sobre una question interesante. Cadiz, imprenta 
palrioiica, 1813, foi. 

«Começa assim: «Se trata de si conviene poner ai frente de la regência de 
Espana á la Sefiora Doila Carlota Joaquina, Princeza dei Brasil. > 

O auctor favorece esta opinião. 

SÁ (DOX ANTÓNIO DE AZEVEDO Y ).— Portuguez. 

Sermones dei D. F. Francisco Fernandez Galvan, Arcediano de Cerbera en el 
Arzobispado de Braga. Los qiiales contienen desde el ultimo Miercoles de Ceniza, 
hasta la Dominica de la Octava de Pascua. Traducidos de lengua portuguesa en 

caslellana, por . Con licencia. En Barcelona, en casa de Sebastian Matevad. 

A costa de Juan Simon, mercader de libros. Ano 1615, 4.", 185 folhas. 



■2i« SA 

SAARS (JOHANIV JACOB ). 

«Sir Eirierson Tennent faz menção de Saars como auctor de uma relação 
allemã da campanha em que Colombo foi tomada ^k 

SAAVEDRA (D. HEI\lVAI\DO DE MOLINA Y ). 

Epistola apologética a D. Felipe el Grande contra el parecer de cierto minis- 
tro consultado por S. Magestad sobr&la recuperacion de Portugal. Colónia Agrippi- 
na, 1650, 4." 

SABRAN (LUÍS ).— Natural de Londres. 

Sermon préché à Londres^ 1687 lors de la fête de Saint François Xavier. 
Imprime à Londres, 1687, in-4.°, 39 pag. 

SACRA RITUUM Congregatione Ex.'"'' et Rev ■"'» D. Card. Origo Meliapu- 
ren. Beatificationis sen Declarationis Martyrii Ven. Servi Dei loannis de Brito 
Sacerdotis Professi Societatis Jesu. In odium Fidei a Regulo Marava interfecti. 
Positio super, dúbio an sit signanda Commissio Introductionis Causae in casu, et 
ad effectum de quo agitur, Romae, 1714. Typis Reverendae Camerae Apostolicae. 
Foi., 10 pag. 

Summarium super Introductione Causae et Signatura Commissionis. In- foi.» 
pag. 51. 

Animadversiones R. P. D. Fidei Promotoris super Dúbio; an signanda Com- 
missio introductionis Causae in casu, etc. In-fol., pag. 4. 

Responsio ad Animadversiones R. P. D. Fidei Promotoris super Dúbio an sit 
signanda Commissio introductionis Causae in casu, etc. Foi. pag. 20. 

Summarium additionale super Dúbio an sit signanda Commissio Introductio- 
nis Causae in casu, etc. In-fol., pag. 11. 

Sacra Rituum Congregationis Ex.""" et iíej?.™" Card. S. Clementis Meliapuren. 
Beatificationis seu Declarationis Martyrii Ven. Servi Dei Joannis de Britto Sacer- 
dotis Professi Societatis Jesu. Secunda positio super dúbio an constei de Martyrio, 
et causa Martyrii; nec non de Signis, seu Miraculis in casu et ad affectum de quo 
agitur. Homae, 1744, ex typographia Rev. Camarae Apostolicae, Foi., 18 pag. 

São as novas Animadversiones R. P. Fidei Promotoris super dúbio an constei 
de Martyrio et causa Martyrii in casu et ad effectum, etc. 

Responsio ad Novas Animadversiones R. P. Fidei Promotoris, super dúbio, 
etc. Pag. 114. 

Aliae Animadversiones R. P. Fidei Promotoris super dúbio, et de quibus 
Signis seu Miraculis constei in casu et ad effectum, etc. Pag. 11. 

Responsio ad Alias Animadversiones R. P. Fidei Promotoris super dúbio an, 
et de quibus signis, etc. Pag. 68. 

Summarium additionale super dúbio an, et de quibus signis, etc. Pag. 10. 

Consilia Medico -Phisica (sic) in sensu ventatis de mandato Eminentissimi 
Ponentis tradita ab Alexandra Pascoli archiatrorum in Vrbe Collega consiliario, 
et in archigymnasio Romano praxis medicae professore primário. Pag. 23. 



' Tolbort, Audoridades para a lãsturia dos porlufiuezes na índia. Nn Instituto Vasco da Gama. 
Nova Goa, 1874, pag. 136. 



SA 



âi9 



O processo foi interrompido e continuado em 1851. O padre Joseph Boero, 
postulador das causas da bealificação e da canoiíisnção, continuou com ardor e 
levou a bom termo este processo tão importante para os ritos malabares, que 
encontram sua jusliíicação na beatificação do venerável João de Brito. 

Sacra Rituutn Congregatione Ex."^" et fieu."'» Domino delia Genga. Meliapnren. 
Beatificationis, seu dedarationis martyrii Ven. Servi Dei Joanni.^ de Britto Sa- 
cerdotis Professi Societatis Jesu. Prima Positio svper dúbio an constei de Martyrio 
et causa Martyrii; necnon de signis seu miraculis, in casUj et ad elfectum, de quo 
agiíur. Romae, 1S51. Ex typographia Josepbi Brancadoro, in-fol., 3(> e 3á4 pag. 

Secunda Positio super diihio an constet de Martyrio et causa Martyrii^ nec non 
de signis seu miraculis j in casu et ed elfectum, de quo ogitur. Romae, 1851. Ex 
typographia Josepbi Brancadoro, in-foi., 245 pag. 

Novissima positio super dúbio an constet de Martyrio et causa Martyrii, nec 
non de signis seu miraculis in casu et ad effeclum de quo agitur. Romae, 1851. 
Ex typograpbia Brancadori, in-fol., 7 pag. 

Novissimae animadversiones R. P. Promotoris Fidei super dúbio an constet 
de Martyrio et de causa Martyrii in casu, etc. Pag. 19. 

ílesponsio ad novissimas animadversiones R. P. Promotoris fidei super dúbio 
an constet de Martyrio et de causa Martyrii, nec non de signis seu miraculis in 
casu, etc. Pag. 32. 

Summarium additionale. Pag. 6. 

Votum quod super quatuor miraculis pro veritate ferebat Joseph de Matthaeis 
publicus medicinae professor in Romana Universitate, ex Archiatrorum Collegio, 
Pag. 5. 

Informatio super dúbio an constet de Martyrio et causa Martyrii, nec non de 
signis seu miraculis. Homae, 1851. Ex typographia Josepbi Brancadoro, in-fol., 
9 pag. 

Positio super dúbio, an stante approbatione Martyrii et signorum Tuto pro- 
cedi possit ad solemnem V. S. D. Beattficationem? Romae, 1851. Ex typographia 
Josephi Brancadoro, in-fol., 10 pag. 

O padre Boero lavrou, emíim, os decretos: do Martyrio, datado de 29 de 
outubro de 1851; do Tulo, datado de 17 de fevereiro de 1852; da Beatificação, 
datado de 18 de maio de 1852, e compoz o ofiQcio do beato João de Brito. 

Lettre du P. Lainez, supérieur de la mission du. Madure, aux Peres de la 
Compagnie, traduite du portugais, sur la mort du vénérable Père Jean de Brito. 
Le 10 Février. Nas Letlres édifiantes et curieuses. Paris, 1839, in-8.°, tomo ii, 
pag. 2i9-2o7. 

Traduzida para allemão no Wetl Bott do P. Stõcklein, tomo ii, n.''57, pag. 88 
a 96. Brief R. P. Francisci Lainez S. J. an gesamte Missionários in Madura, ge- 
schrieben allda den 10 Febr. 1693. Von dem Helden miithigen Tod V. P. Joannis 
de Britto e S. J. so den 4 Febr. 1693 um des Glaubens willen ist hingerichtet 
werden. 

Illustre certamen R. P. Joannis de Britto e Societate Jesu Lusitani, in odium 
Fidei a Regulo Marava trucidati, quarta die Februarii 1693. Auture R. P. Joanne 
Baptista de Maldonado, Societatis Jesu. Antuerpiae, apud Petrum Jouret, 1697, 
in-i.», 50 pag. 



m SA 

SAGGIO di Storia Americana do P. Ph. S. Gilii. Serie i, pag. 337. 

Encontra-se : 

Descriptio cursm fluminisj cui nomen Orinoco domini Survillé ad minores 
mensuras redacta. 

É obra do jesuíta portuguez Eusébio da Veiga, fallecido em Roma no anno 
de 1798. 

Descriptio cursus fluminis nomine Madalena. 

Foi estampada na Perla Americana do padre António Julian, serie vi, pag. 243. 

SAGNIER (HENRI ). 

Diz o Jornal do Commercio, n.° 7:408, que este escriptor francez tem publi- 
cado trabalhos notáveis sobre a estatística agrícola, tanto de Portugal como da 
Holianda. 



SAIGNE (LUCIEIV DE LA ). 

Le Portugal historique, commercial et industriei, par . Paris, A. Levy, 

libraire éditeur, 4.«, v-83 pag. 

É dedicada esta obra a Sua Magestade El-Rei D. Luiz. 

«... Como se vê, Portugal tem em tudo uma grande prioridade sobre a 
Hespanha, mormente considerado pelo lado histórico, pois já estava livre dos 
sarracenos, e possuia seus limites naturaes muito tempo antes que a Hespanha 
houvesse libertado seu solo do jugo mahometano. 

«... Que povo occupa um logar mais glorioso nos fastos da idade media, 
do que o que, durante mais de dois séculos, conquistou uma multidão de ilhas, 
dictou leis nas margens do Ganges, fundou na índia cidades immensas e feitorias, 
cobriu com seus numerosos navios todos os mares, e repartiu com a nação hes- 
panhola immensas regiões, das quaes um Papa marcava os limites?» 

SAINT-HILATRE (AUGUSTE ). 

Voyage dans les provinces de Rio de Janeiro et de Minas Geraes. Voyage 
dnns le district des diamants et sur le littoral du Brésil. Paris, 1830 a 1833, 4 vol. 

SAINT-LO (ALEXIS DE ). 

Relation du Voyage de Cap- Verd, par le R. P. ^ Capucin. A Paris, chez 

Fr. Targa, 1637, in-8.o 

«Volume raro. Foi publicado por Bernardim de Renouard, o qual collabo- 
rou na sua redacção. O auctor morreu em Rouen, no anno de 1638 ^ Vale 25 a 
30 francos.» 

SAINTE BARBE. 

Escreveu um livro acerca de Camões. 

V. Diário de noticias de 5 de março de 1880. 



• Descbamps cl G. Brnoet, SuppUment au Manuel du libraire de Bumet, vol. ii, pag. 563. 



SA 221 

SAIiVTE 3IARTHE. 

A Genealogical Hi^tory of the Kings of Portugal. Writtm in french by Scevole 
and Lovis de Sainte Marthe. 1628. Rendercd into english and continued by 
Fr. Sandford. London, 1662, foi. 

SAIXCTONGE (GILLOT ). 

Histoire sécrète de Dou Antoine, Roy de Portugal. Paris, au Palais, chez Jean 
Gingnaid, 1696, ia-8.« 

SAL V (OUATIO ). 

Vita dei P. Amadeo de Portogallo, Min. Osser. di S. Francesco. Milano. 

SALANIO (LUSITANO ), 

Discursos potiticos y militares en la vida dei Conde D. Nuno Alvares Pereyra. 
Zaragoza, 1670, k." 

SALCEDA (PAULO ).— Jesuíta, hespanhol, natural de Valladolid. 

Elogio de S. Juan de Dios. En Mejico, por Ribera, 1625. 

SALDE (JUAIV OCHOA DE LA ).— Prior perpetuo de San Juan 

de Latran. 

Primera Parte de la Carolea Inchiridion, que trata de la vida y hechos dei 
Invictissimo Emperador Don Carlos Quinto de este Nombre^ y de muchas notables 
cosas en ella succedidas hasta el ano de 1555. Dirigida ai Excelentisimo Seiior 
Don Álvaro de Baçan, Marquês de Santa Cruz, Comendador mayor de Leon, dei 
Consejo de Su Majestad y su Capitan general dei Mar Oceano y Reynos de Portu- 
gal. Recopilada en dos Partes, por . Impresa con licencia dei Consejo general 

de la Santa Inquisicion. Afio de 1585. Con privilegio real. Foi., 444 folhas. 

No fim : 

«Fué impresa esta primera parte de la Carolea Inchiridion a costa de su 
mismo auctor, en su própria posada, en Lisboa, por Marcos Borges, António 
Ribero e António Alvares, impresores, con licencia dei supremo consejo de la 
Santa inquisicion, como es costumbre en estos reynos. Acabóse a los xx dei mes 
de deciembre de 1585.» 

Parece que a segunda parle promettida d'esta obra nunca se publicou. Pelo 
menos assim era até ao tempo de Nicolau António i. 

Embora seja esta obra destinada a tratar das acções do Imperador Carlos V, 
comtudo ainda ignoro se trata mais d'elle ou dos feitos dos portuguezes. Salde 
escreve muito por miúdo acerca de tudo quanto os nossos praticaram durante a 
vida de Carlos V. 

O escriptor portuguez que pretender escrever a respeito dos reinados de 
D. Manuel e D. João III, deve consultar esta obra, que é importante. 

SALT (HEIVUY ). 

A voyage to Abyssinia, and traveis into the interior of that country, in 1809 
and 1810, in which are included an account of the portuguese settlements on the 



Nicol. Ant., Bibliot. Nova, vol. i, pag 750. 



222 SA 

east coast of Africa, iogelher with vocahularies oftheir respective languarjes, by . 

London, 1814. 

SALVA (VIIVCENT ). 

A Catalogue of Spanish and Porluguese books ivith occasional Utterary and 
hibliographical remarJcs. London, 1826, in-8.*» 

SALVADOR (JUAX ). 

Catalogtis plantarum qiiae in herbariis méis demonstrantur, por . 

Manuscripto guardado na bibliotheca de sua família, existente em Barcelona*. 

«Estão notadas n'elle as diversas localidades onde as plantas foram colhidas. 
Emquatito ás peninsulares, particularmente, guarda-se também n'esta família uma 
nota manuscripta d'aquellas que foram observadas pelo mesmo Juan Salvador, 
na companhia de Jussieu (António e Bernardo), na viagem que fizeram desde 
outubro de 1716 até fevereiro de 1717, percorrendo Catalunha, Valência, Murcia, 
Andaluzia, Estremadura e Portugal, atravessando depois Galliza, Leão e as Cas- 
tellas, quando se retiravam. Do itinerário de Jussieu (António), junto com o de 
Tournefort, possuiu Pourret uma copia, tendo-lhe acrescentado a nomenclatura 
lineana, como o fez no herbario da familía de Salvador, que se conserva 
também em Barcelona. Alem d'isto, na bibliotheca de Jussieu existia um Cata- 
logns plantarum rarioriim in insulis Balenribm, anno 1712 observatarum. Por 
Juan Salvador. 4 foi., in-12. 

SALVATORI (FILIPPE MARIA ).— Jesuita, natural de Roma. 

Compendio delia vila di S. Francesco Saverio. Roma, Puccinelli, 1795. 

SALVE querem un fidelisimovasalo que por verlo a su legitimo dueno estuvo 
preso en una carcel, dando gradas a Nuestra Senora de Atocha, en aplauso y re- 
gocijo de la feliz restauracion de Madrid, ai apaoble dominio de sus Reyes Cató- 
licos, D. Felipe V y Dona Maria Luisa Gabriela, por sus felicisimas y victoriosos 
armas Dedicala su Autor ai fíev. P. D. Fr. Francisco Lozano, Prior dei muy 
religioso y afectisimo Monasterio de Monges de San Basilio, de esta muy leal y 
coronada vila de Madrid. 

Guerra da successão. 

SAMPAYO (PETRO DE VILLAS BOAS ).— Júris Civilís Doctore, 

S. Inquisitionis Júdice df^putato, Portuensis Curiae Senatore, in Conimbricensí 
Academia publico Institutionum professore, quondam in Ponlíficio, Regalique 
simul D. Petri Collegio Collega. 

Epitome Juridica in qua prcecipua fundamenta, quibus Doclorum Legum jus 
ad Canonicatus Doctorales asseritur, compendiario contrahuntur. Ad Joannem V 

Lusilaniae Regem. Authore . Conímbricae, Ex typographia Antonií Simoens 

Ferreyra, Universítalis Typog. Ano Dní. 1736, 4.% 76 pag. 



D. Miguel Colmeiro, La bolanica y los botânicos de la península hispano-lusUana, pag. 69. 



SA 223 

SAMPEUE (GEUOXYMO ). 

Soneto a George de Monte Mayor^: 

Parnaso, monte sacro y celebrado, 
Museo de Poetas deleyloso, 
Venido ai parangon con el famoso, 
Pareceme que estás desconsolado. 

. Esfoylo con razon, pués se han passado 
Las Musas y su coro glorioso, 
A ese que és Mayor Monte dichoso, 
Eu quieu mi fama y gloria se han mudado. 

Dichosa fué en estremo su Diana, 
Pues para ser dei orbe más mirada, 
Mostro en nl Monte excelso su grandeza. 

Al li vive en su loa soberana. 
Por todo el universo celebrada, 
Gosando celsitud, que és mas que alteza. 

SAMSEDE DIGTE. Kjobenhavn. 1843, 2 vol. 

No vol. II, pag. 269 a 287, vem um poemeto intitniado: Camoens. Acha-se 
traduzida nos Eccos da Lyra teiitonica. A primeira edição é de 1808. 

SANCHEZ (EL MAESTllO FRAIVCISCO ).— Cathedratico de 

prima de rbetorica en la universidad de Salamanca. 

Na traducção dos Limadas j de Luiz Gomes de Tapia, edição de 1580, faz 
um grande elogio a Camões. 

SANCTO (FR. JOSEPH DO ESPIRITO ).— Carmelita descalço. 

Sermam decimo do Menino Jesu em seu nascimento, pregado em Madrid no 
Convento das Descalças Carmelitas. 1671, 4.", 18 pag. 

Sermam undécimo da Exallaçam da Santa Cruz, entrada dos jejuns da 
Ordem, e memoria do resgate da Santa Imagem do Crucifixo captivo. Em o Con- 
vento dos Carmelitas Descalços de Madrid. Anno 1671. 

Sermam duodécimo de acçam de graças ao Anjo da Guarda da Senhora Du- 
qiieza de Maqueda, por ovella livrado do perigo de húa queda que deu de hum 
coche alheyo. Pregado na Igreja de Santo António dos Portuguezes, em Madrid. 

Todos estes sermões são em portuguez. 

SANCTO (SALVADOR DO ESPIRITO ). — Pregador de Suas 

Magestades, capucho arrabido e prelado das religiosas da sua proyincia Capel- 
laens (sic) da mesma Rainha e Senhora Nossa. 

Sermam da Cinza pregado na corte de Londres, na Capella da Real Mages 



' Enconlra-sc na edição de Lijboa, de 1624. 



22* SA 

tade da Sereníssima Rainha da Gr an- Bretanha, em 8 de fevereiro de 1665. Por 
Fr. . Impresso por mandado de Sua Magestade. 4.», 23 pag. 

SANCTORUftl ígnatii et Xaveri in Divos relatorum Triumphus Bruxellae 
ah Aula et Urbe ceJebratus. Bruxellae, apud Joannem Pepermannum Typogra- 
phum Civitatis sub Bibliis aureis (sem data), in-8.", 105 pag. 

A dedicatória ao senado de Bruxellas é assignada por G. van Bemmell. 

SANDOVAL (D. JUAN DE ). 

Ensayos poéticos, por . Lisboa, en la Imprenla Nacional, 1855, 4.°, 106 pag. 

SANE (A, M. ). — Traducteur des Poésies lyriques portugaises et de 

VHistoire Chevaleresque des Maures de Grenade. 

Nouvelle Grammaire portugaise, suivie de plusieurs essais de traduction 
française interlinéaire, et de différents morceaux de prose et de poésie extraits des 
meilleurs classiques portvgais. Paris, 8.° gr., xv-381 pag. 

SANNA (D. VICENTE BACALLAR Y ).— Marquês de San Felipe. 

Commentarios de la Guerra de Espana desde el principio dei reinado de Fe- 
lipe Quinto hasta la paz general, &e. Por . A Bruxelles, chez François 

Foppens, 1712, in-fol., 483 pag. 

Traduzidas para francez com o titulo de : Mémoires pour servir à VHistoire 

sous le règne de Felipe V, &c., par . Tradnits de 1'Espagnol. A Amsterdam, 

chez Zacharie Chalelain, 1756, 4 voL, in-8.« 

Pôde esta obra ser útil a quem tratar de escrever acerca da guerra da suc- 
cessão. 

SANSON (M. P. MOULLART ) — Géographe ordinaire du Roi. 

Carte de VAmérique Méridionale, représentée selon le rapport que toutes ses 
parties ont avec les Cieux, entr'elles et avec VHistoire; ou Von trouve les climats et 
les principales régions soudivisées en moindres; les Ètats des Français, des Cas- 
tillans, des Portugais, des Hollandais, et plusieurs peuples naturels libres. Duas 
folhas. Obra dedicada ao abbade Mignon. 

Vem noticia d'esla obra no Journal des Sçavans, de 1707, supplemento, 
pag. 85. 

SANSON (SR. ). 

Le Royaume de Portugal et des Algarves, divise en ses archevechés, evêches et 
territoires. Par . Paris, chez Jaillot, 1695. 

L'Espagne divise en ious ses royaumes et principautés, suivant quils sont 
compris sous les couronnes de Caslille, d'Aragon et de Portugal. Tire de plusieurs 
mémoires par le . Paris, Juillet, 1692. 

SANSON D^ABBENVILLE. 

El Regno de Portugallo. Paris, 1654. 

SANTA MARTIIA. 

Wine trade of Portugal (Meetiag). Translated. London, 18i5. 



SA 225 

SANTARÉM (VISCOUNT OF ). 

A Statement of facts, proving the right of the Croivn o f Portugal , etc. Trans- 
lated into english from the original portuguese of Viscount of Santarém. London 
1856, 8.0, foi. de 44 pag. 

SAXTILIIER (ALEIXO COLLOTES DE ). 

A pag. 165 do vol. ii da Academia dos singulares de Lisboa, apparece uma 
poesia latina d'este auctor. 

SANTIS (GTO. BATTISTA DE ). 

La fama per Varrivo in Roma delV Eccellentiss. Signor Francesco Sosa, Am- 

basciador di Portugallo. Oda di . Indrizzata ai medessimo Eccelentissimo Am- 

basciador di Portogallo. In Roma, per Nicol' Angelo Tinassi. 1670, 4.» 

SAIVTISTEBAIV. 

Recitou em 1871, em Madrid, por oceasião de irem visitar aqueila cidade 
vários escriptores portuguezes, a seguinte poesia: 

Yo brindo por San Izidro invento Ia homeopatia, 

Santo plebeyo y vulgar, más de diez siglos hará, 

que hoy, si no estuviera muerto que siendo el agua un protesto, 

quizás fuera federal. la fé es la que ha de salvar. 

Que él dei vapor en las alas, Pêro á fé que daha punto 

por ser su festividad, á su milagrosidad, 

nos trajo a nuestros hermanos se usando de su influencia 

que viven en Portugal. en la corte celestial. 

Si muchos milagros hizo, alcanzaba dei Eterno 

milagro mayor hará que hubiere ventura y paz, 

estrechando antiguos lazos buen gobierno y mucho orden 

que no se rompam ya mas. en Espana y Portugal; 

Fué un milagro de importância y cada hermano en su casa 

dar salida á un manancial dijere: «Que bien se está; 

que curase calenturas, por lo amable y lo pacifica 

que es el método aleman. me gusta la vecindad.» 

Los hermanos viven juntos, 
cada cual con su caudal ; 
se aman ; se sirven, se abrazan, 
y Dios hace la demas. 

SAIVTOS (J. DE ). 

Chronologia hospitalera y resumen historial de la sagrada religion dei glorioso 
Patriarcha S. Juan de Dios. Madrid, 1715-1716, 2 vol., foi. 

SANVITORES (DIEGO LUIZ ).— Jesuita, natural de Burgos. 

El Apostol de los índias S. Francisco Xavier. En Mejico, por Lupercio, 1662, 
in-4." 

i5 



m SA 

S AR ABI A (DO]\ ANTÓNIO DE ). — Secretario, que fué, dei eer- 

tamen poético. 

Justa literária^ Certamen poético, o sagrado influxo, en la solemne, quanto 
deseada Canonizacion dei Pasmo de la Caridad, el glorioso Patriarca y padre de 
pobres, San Jiian de Dios, fundador de la Religion de la Hospitalidad. Celebròse 
en el claustro dei Convento Hospital de Nuestra Senora dei Amor de Dios, y Vene- 
rabie Padre Anlon Martin, de esta Corte, el domingo diez de Junio dei ano de mil 
seiscientos y noventa y uno. Dedicada ai Revere^idisimo P. Fr. Francisco de S. An- 
tónio, General que ha sido dos veces de dicha Religion, su primer discreto y defini- 
dor perpetuo, Comisario, que fué, en las fiestas de la referida Canonizacion, y la 
descrive. En Madrid, en la imprenta de Bernardo de Vilia-Diego, afio de 1698. 
8.**, 375 pag. Em prosa e verso. 

SAUDOU (VICTORIEN ) e NAJAC. 

«Subiu á scena no thealro da opera em Paris uma peça em três actos: Les 
noces de Fernande, cuja acção se passa em Lisboa, entre personagens portugue- 
zes de pura phantasia. 

«A musica é de Daífés e o libreto de Victorien Sardou e Nanjac. Teve 
pouco mais de mediocre acolhimento*» 

SARUABAT (NICOLAU ).— Jesuita, natural de Lyon. 

Daphnis Pastor, seu S. Franciscus Xaverius Philosophiae Patronus, per após- 
tolicos suos vitae labores sacris Eclogis celebratas. Viennae Austríae. Typis Si- 
monis Schmid, 1719, in-8.« 

SARRAZIN (DOM JEAN ) — Abbé de Saint Vaast, du Conseil 

d'État de Sa Majesté Gatholique, Son Premier Conseiller en Arthois, &e. 

Ambassade en Espagne et en Portugal (en 1582) du R. P. en Dieu . Par 

Philippe de Caverel, religieux de Saint-Vaast. Arras, typographia de A. Courtin, 
1860. 

SARUCCO (JAHACOB DE SALOMOH HIRQUIAN ). 

P7'axe da arithmetica. Amsterdam, 1766, 4.", 1 vol., 63 pag. 

O sr. Pedro José da Silva, lente no instituto agrícola, teve um exemplar. 

SASSETTI (RICARDUS RAIMUNDUS DE NOGUEIRA ).— Ex 

(]intra Lusitanus, Medicinae Candidatus. 

Theses quas annuente Summo Numine, ex-auctoritate Rectoris magnifici Petri 
Franc. Xav. de Ram, Eccl. Metrop. Mechl Can. Hon., S. Theoíog. et SS. Can. 
Doctoris, Ord. Leopold. Eq. Acad. Cath. et Reg. Brux. Sodalis, et consensu Facul- 
tatis Medicae, Praeside Joan. Maria Baud, Med. Chir. et Art. Obstetr. Doct., Medic. 
Pathol. Prof. Ord. Leopold et Leon. Delg. Eq. Fac. Med. P. T. Deano. Pro gradu 
Doctoris Medicinae, in Universitate Catholica in Oppido Lovaniensi rite et legitime 
consequendo publica propugnabat . Die Xlmensis Junii,horaXI. an. MDCCcxLir. 



Diário illustrado de 26 de novembro do 1878. 



SA 2" 

Lovanii, Excudebant Vanlinthout et Vandenzande, Universilatis Typographi. 8." 
gr. As respostas são em francez. 

SAUTER (Dll. IR. ). 

Aesthetische Exciírsionen. Leipzig, 1875, 255 pag. in-8.° 
Cap. X. Rúckhlicke, kleine Siluationsbilder. iv. Dichterelend u. Dichtertod^ 
pag. 225. Camoens. 

SAUVAGES (LOUIS ). 

Six móis en Portugal. 1861. 

SAVARY (M.). 

Lettres sur VEgypte, ou Von offre le parallèle des moeurs anciennes et moder- 
nes de ses habitants; ou Von décrit 1'état, le commerce, Vagriculture, le gouverne- 
ment et la réligion du pays; la descente de Saint-Louis à Damiette, tirée de Join- 
ville et des auteurs árabes; et Vhistoire interessante d' Ali Bey et de ses successeurs. 

Par . Deuxième édition. Ornée de cartes géographiques et augmentée dune 

table alphabétique des matières. A Paris, chez Arthus Bertrand. 1801. 4 vol., 
in-8.° 

No vol. II, a pag. 177, acha-se a seguinte passagem, que nos diz respeito: 

«Os antigos, exceptuados os egypcios (trata-se do Nilo), ignoraram sua nas- 
cente. No ultimo século um jesuita portuguez pretendeu tel-a descoberto. Eis o 
que elle diz: 

«Na provincia de Sahal, situada ao occidente do reino de Goiam, e a cujos 
habitantes dão o nome de Agus, encontram-se as nascentes do Nilo. São duas 
fontes profundas, colloeadas n'um logar elevado. A terra em volta é pantanosa, 
e treme debaixo das passadas. A agua esguicha do pé da montanha com um som 
parecido com o de um tiro de peça. Depois de ter corrido durante algum tempo 
pelo valle, recebe um segundo regato, que vem do lado do Oriente. Reunidos, 
dirigem seu curso para o norte. Outras duas correntes alli desaguam e formam 
um ribeiro que descarrega no rio leman, e, depois de longos circuitos para o 
poente, lança-se n'um grande lago. Ao sair d'este lago forma o rio Nilo, que pre- 
cipita seu curso para o Mediterrâneo.» 

«Pense- se o que se pensar acerca d*estas explicações, estas aguas não bas- 
tariam para a inundação geral, que inunda um espaço de quatrocentas léguas, 
pois ella se faz também sentir na Ethiopia.» 

# 

# # 

«Veneza commerciante (vol. m, pag. 85), tocava no mais alto ponto da sua 
prosperidade, ao passo que uma nação corajosa, animada por um Príncipe geo- 
grapho e astrónomo, trabalhava em abrir um caminho novo para chegar ás índias. 
Henrique, irmão do Rei de Portugal, instruído pela historia, sabia que se podia 
dar a volta da Africa. Armou vários navios, que, com o auxilio da bússola, des- 
cobriram os Açores e as Canárias. 

«Um de seus capitães avançou até ao cabo que termina a Africa; alli foi assal- 
tado pelos ventos furiosos : deu ao cabo o nome Cabo das Tormentas, e tornou 



228 SA 

para traz. O Hei, porém, trocou este nome pelo de Boa Espetwiça. Estas tenta- 
tivas, por muito tempo infructiferas, devem dar uma alta idéa da arte da nave- 
gação entre os egypcios, pois tinham elles duas vezes executado tão alta em- 
preza senj outros guias n.ais do que a vista das estreitas e o seu génio. Emfim, a 
gloria de dobrar este cabo famoso estava reservada a Vasco da Gama, gentil-homem 
portuguez, que abordou á costa de Malabar e voltou triumphante a Lisboa. As 
pedras preciosas que trouxe de sua expedição, a descripção pomposa que fez 
dos tliesouros dos Reis indianos, inílammaram os porluguezes; e, dentro de 
poucos annos, conquistaram í^ochim, Goa e varias outras cidades, d'onde reco- 
lheram immensas riquezas. 

* 

# # 

«Os ottomanos tinham tirado o Egypto aos árabes. Animados pelos vene- 
zianos, que lhes forneceram alguns materiaes e madeiras de construcção, com os 
quaes armaram uma frota no Mar Vermelho, tentaram deter as conquistas dos 
portuguezes e expulsal-os de seus novos estabelecimentos. Albuquerque, que os 
governava então, combateu gloriosamente a marinha ottomana, penetrou no 
golpho arábico, apoderou-se de alguns portos, e resolveu aniquilar o Egypto. 
Havendo concluído um tratado de alliança com o Imperador da Abyssinia, acon- 
selhou-o a derramar as aguas do Nilo no Mar Vermelho I A que horrores a ambi- 
ção induz os homens! Para consolidar na sua nação o commercio exclusivo da 
índia, não hesitava este almirante em fazer com que perecessem quatro milhões 
de homens, reduzindo seu paiz a um medonho deserto ! Depois do que temos 
visto n'estas cartas, acerca da possibilidade de desviar o Nilo, temos o direito de 
pensar qne a empreza era realisavel. Felizmente para os egypcios a morte levou 
o fogoso Albuquerque e o Imperador da Abyssinia não executou seu iniquo 
projecto!» (Pag. 87.) 

* 

# # 

«Emquanto os portuguezes disputavam aos venezianos e aos egypcios as 
riquezas das regiões orientaes, os hespanhoes, conduzidos pelo génio de Colombo, 
tinham descobei to a America. Dentro cm pouco o novo mundo já não bastou a 
seus desejos ambiciosos. Os marinheiros de Lisboa, marchando nas pegadas de 
Vasco da Gama, tocavam a costa de Malabar, e penetravam no archipelago indiano. 
Os navegadores de Cadiz abordaram ás Molucas Estes dois povos rivaes, par- 
tindo quasi do mesmo paiz, e percorrendo cada um a metade da circumferencia 
do globo, encontraram -se na extremidade do mundo, vindo de dois lados oppos- 
tos. Gosaram ambos dos thesouros d'estes climas, não sem os regarem com o seu 
próprio sangue e com o dos desgraçados habitantes das (]elebes, aos quaes des- 
pojaram á porfia, depois de os haverem reduzido á escravidão. . .» 

SAY (HOUACE ). 

Histoire des relations commerciales de la France et du Brésil. Paris, 1839. 

SCARLATTI (DOMEIVICO ).— Maestro di Capelia di Sua Eccelenza. 

Ajyplauso Genetliaco alia reale Altezza dei Signor Infante di Poríogallo, da 
cantarsi nel palazzo deW Eccelentissimo Signor Marchese di Fontes^ Ambasciadore 



SA M9 

Straordinario delia Maestà Portogese alia Santità di N. S. Papa Clemente XI. 

Posto en musica dal Signor . In Lucca, per Girulamo Rabetli, 1714, 4.*', 

20 pag. 

SCARUON II (I. R. 31.). 

Les Lusiades travesties. Parodie en vers. Porto, 1883. 

Que o leitor não se illuda. O mencionado livro é obra de um portuguez. 

SCEIVOGRAPHI/V degli Apparati dei Collegio di Palermo che si fecero per 
la Canonizatione di Santo Ignatio de Loiola e Santo Francesco Xaverio. Palermo, 
per Decio CiriMo, 1622, in^.», 24 pag.i 

SCHACHT (DR. IIERRMANIV ). 

Madeira und Teneiiffe. Berlin, 1859, 4.", 176 pag. 

SCHAFER (DR. UEIXRICH ). 

Geschichte der europãischen Staaten Herausgegeben von A. H. L. Heeren und 

T. U. Ukert. Geschichte von Portugal von . Erster Band. Hamburgh, 1836. 

Bei Friedrich Perthes. 5 vol. in-8.° gr. 

SCHALL (JOÃO ADÃO ). — Missionário e astrónomo, natural de 

Colónia, onde nasceu em 1591. Embarcou para a China com o padre Nicolau 
Trigfiult, e chegou áquelle império em 1622, sendo nomeado presidente do tri- 
bunal das mathematieas. 

^ Histórica narratio de inilio et progressu Missionis Societatis Jesu apud Chi- 
nenseSj ac praesertim in Regia Pequinensi; ex litteris R. P. Adami Schall ex eadem 
Societate, Supremi ac Regii Mathematum Tribwialis ibidem Praesides collecta. 
Viennae Austriae, anno 1665. Typis Matthaei Cosmerovii, Sacrae Gaesareae Majes- 
tatis Aulae Typographi, in-8.«, 267 pag. 

Histórica relatio de ortu et progressu fidei orlhodoxae in regno Chinensi per 
Missionários Societatis Jesu ab anno 1581 usque ad annum 1669, novissime colle- 
cta ex litteris eorumdem Patrum Societatis Jesu, praecipue R. P. Joannis Adami 
Schall coloniensis ex eadem Societate. Editio altera et aucta, geographica regni 
Chinensis descriptione. Compendiosa narratione de Statu Missionis Chinensis ; 
Prodigiis, quae in ultima Persecutione contigerunt et Índice. Sumptibus Joann. 
Conradi Ewmerich. Ratisbonae, typis Augusti Hanckwitz,. 1672. 

SCHAW (COL. CHAR. ). 

Memoir and correspondence. A narrative of the War in the Peninsula from 
1831-1837. London, 1837, 2 vol. 

SCHELLEY (M. MM.). , 

Biographia de Camões na obra : Lives of eminent litlerary and scientific men 
of Italy, Spain and Portugal. 1837. 



Aogastin et Alois de Backer, Bibliothèque des écrivains de la compagnie de Jesus, vol. vi, pag. 414, 



230 SC 

SCHEPELER (3IR. DE ).— Colonel et ci-devant chargé d'aífaire8 

de Prusse à Madrid. 

Histoire de la revolution d'Espagnej ainsi que de la guerre qui en resulta, 
par . Liège, 1829, 3 vol., 4.» 

Gesch. d. Revolution Spaniem und Portugals u. d. daraus entstand. Krieges. 
Berlim, 1826-1827, in-8.» 

SCHERR (DR. JOH. ). 

Dichterkônige. 2 verm. Aufl. Leipzig, 1861, 2 vol. in-12.°, pag. 316 e 454. 

Tomo I, pag. 27 7 a 316 pag.: Camões (Vida e resumo dos Lusíadas) e traducção 
de quatro episódios dos Lusíadas (Donner): Vénus (ii-29 a 44); Inês de Castro 
(III, 118 a 136); Die Trombe (v, 18 a 22); Liebesinsel (ix, 51 a 84). 

Allgemeine Geschichte der Literatur. Ein Handbuch in zwei Bãnden. 6 dern. 
Ed. Sluttgart, 1880, 2 vol., 8.» gr. 

Vol. I, pag. 458 a 466. Camoens. Sa vie et résumé du contenu des Lusiades, 
en outre pour servir de specimen cinq vers de la Lusiade ; texte et traduction alie- 
mandet par Donner. 

SCHILLER.— Poeta celebre. 

Escreveu na lingua allemã uma linda poesia, em referencia á lenda do pagem 
e da Rainha Santa Izabel. 

SGHIMBECK (ADAMI ). 

Missis P ar aguar iensis, sive Annales illius Provinciae ab anno 1688 ad 
1643. 

SCHLEGEL (FRIEDRICU - — ). 

Sãmmtliche Werke. Wien, 1822. 

Vol. i: Geschichte der alten und neuen Litteratur. Vorlesungen, gehalten zu 
Wien im Jahre 1812, Augs. 2 vol. in-8.°, 320-341 pag. 

Cap. XI. Poésie des Portvgais; pag. 95 a 97, Camoens. 

Geschichte der alten und neuen Literatur. Vorlesungen gehalten zu Wien im 
Jahre, 1812. Wien, 1847. 

Vol. II : Poesie der Spanier. Portugiesen u. Italiener, pag. 66 e 67. Camoens 
et ses Lusiades. 

Histoire de la littérature moderne et ancieune, par . Paris, 1829, 2 vol. 

• É n'este livro que se encontram os mais extraordinários louvores sobre o 
mérito de Camões. 

«Frederico von Schlegel dedicou um dos seus melhores sonetos á memoria 
de Camões; chama ao poeta portuguez um modelo, e quer, crendo no futuro 
como elle, salvar das ondas o documento da gloria allemã.» (Hardung, Portugal 
na Allemanha.J ^ 

Schlegel no jornal Europa «prodigalisou os mais honrosos elogios á litteralura 
porlugueza», segundo o P. G. do Massarellos na Pequena Chrestomathia Porlu- 
gueza, Hamburgo, 1809, pag. xii. 



' Theophilo Braga, Bibliographia camoneaua, pag. 225. 



SC 23* 

SCHLOEZEn (MU. LE PROFE8SEUR ). 

Extrahiu da obra : Petri Martyris Anglerii McdiolanmsiSf Protonotarii Após- 
tolici atque a consiliis rerum Indicarwn Opus Epistolarum. Compluli, 1530, foi., 
algumas cartas relativas a Colombo, que mandou imprimir no IO.*» fasciculo da 
sua Correspondence épistolaire, pag. 207 a 226. 

SCHLOSSER>S (F. C). 

Weltgeschichte fiir das deutsche Volk. Band. XIIL Franckfurt a. M. 1852, 
482 pag., in-8.° 

Cap. XVI : Bildung u. Literatur des 16, Jahrhunderts. Spanische (u.portugie- 
sischej Dichtkunst, pag. 456 e 457 — Camoens: Lusiade. 

SCOMAU8S. 

Portugiesische Geschichte der ãltesten Zeiten dieses Volkes his aufunsere Zeit. 
Leipzig, 1759, in-4.« 

íHistoria portugueza desde os tempos mais remotos d' este povo até nossos dias.) 

SCH3IID (DR. HERMAIVN TH. ). 

Camoens. Traverspiel in fúnk Acten, von . Drama. Miinchen, 1843, S.° 

155 pag. 



SCHMIDEL (UULDERICUS ). 

Vera historia admirandae ciijusdam navigationes, quam ab anno 1534 

ad annum 1554, in Americam juxta Brasiliam et Rio de la Plata confecit. Nu- 
rembergae, 1599. 

A edição primitiva foi publicada em allemão, Francfort, 1567, in-fol.: Histor. 
prim. de las índias, por Gonzalez de Barda (Andrès). Madrid, 1749 e 17791. 

SCHMIDT (DR. G. L. ). 

Portugal seit der Usurpation Don Migueis. Ilmenau, 1829, S.°, 1 vol. 238 pag. 

SCHMIDT (JOHANIV ANTON. ). 

Beitráge zur Flora der Cap Verdischen Inseln. Heidelberg, 1852, S.*', 1 vol., 
viii-356 pag. 

SCHMIDT (JUL. ). 

Zur Vorgeschichte unserer classischen. Literatur. Berlin, 1883. 
Pag. 471 : Camoens Lusiaden. 1572. Notice littéraire. 

SCHMITZ (E.).— Ingénieur. 

Études géologiques sur le terrain des environs de Porto. Gisements et exploi- 
tations des comhustibles fossiles. 

No vol. II da Revue lusitanienne, de Lisbonne, pag. 52 a 65. 
Id., de pag. 92 a 101. 
Id., pag. 208 a 219. 



' D. Miguel Colineiro, La botânica y los botânicos de lapeninsula hispano-lusitana, Madrid, 1858, 
pag. 28. 



m SC 

SCUMITZ (F. J.). 

Zur dreihundertjãhrigen Gedáchtnissfeier des Dichters der Lusiaden, zugleich 
der Programm zu dem Jahresberichte der h. Realschule zu Aschaffenburg fur das 
Studienjahrs 1878-1879, verfasst von . 

(Observações sobi^e a Allegorii no; Lusíadas de Camões. Para o tricentenário 
á Memoria do poeta dos LusiadaSj ao mesmo tempo como Programma para circu- 
lar de um anuo do Real Collegio em Aschaffenburg para o anno lectivo 1878-70, 
composto por J. Waiiandt' sche Druekerei Aclien-Gesellschafl, S.*», 15 pag. 

É escripto em porluguez, mas não bom. 

SCHMITZ (FRANCISCO ).— Jesuíta, natural de Colónia. 

Xaverius cogitans, das ist: Rciffliches Erwegen der Gnind- Wahrheiten, durch 
welcJies eine recht glaubige Seele gleich jenem grossen Indianer Apostei zur Clirist 
Wollkemmenheit und gewisser Heiligkeit gelangen kan. Cõllen, bey Casp. Drimborn, 
1727, in-8.« 

SGHODER (LEOPOLDO ). 

Duo Philosophiae Columina Boethius et Xaverius, ille fortunae, hic mundi 
victor. Graecii, typis Widmanstadii, 1713, in-8.° 

SCHOMBUUG (L. H. V. UEISE VON ). 

Kopenhagen nach Lissabon dem Vorgebirge der Guten Hoffmmg u. den Azor. 
Inseln. Mit Einleitg. úb den Seedienst (auf Shiffen. . .). Odense, 1784. 

SCHOTT (ANDREA8 ).— Belga. 

Censura Gasparis Barrerii Lusitani de Pseudo- Beroso, Manethone Aegyptio, 
Marco Porcio Catone & Fábio Pictore ^ 

SCnOUTEN (GAIJTHIER ). 

Voyage aux Indes Orientales, commencée Van 1658, et fini le 1665. Traduit 
de 1'hollandois. Amsterdam, 1707, 2 tomos. 

Obra muito interessante, principalmente para os portuguezes. 

8CHOUTEN (WONTER ). 

Oostindiche Voyagie. 

Trata esta obra dos feitos dos portuguezes em Ceilão. 

8CHOUVILLE (PIIILIPPE ).— Jesuíta, natural de Luxembourg, 

onde nasceu em 1622. 

fíéglemens de la Confrérie de Jesus et de Marie, établie pour Vavaneemeni de 
la doctrine chrétienne, sous la proteccion de S. Vrançois Xavier. Luxembourg, 
chez les héritiers de Jacques Ferry, in-16.® 



' Alegambe, Bibliotheca scriplorum societatis Jesu, pag. 58. 



SC 



233 



Régies et indidgences de la Confrérie de Jesus et de Marie, sons la protection 
de S. François Xavier ypour Vavancement de la dévoíion chrétienne poiír garantir 
Vhomme des cinq plus grands maux et lui procurer une sainte vie et une morte 
heurevse. A Luxembourg, cliez la veuve de J. P. Kleber, 1770, in-lS." 

Régies et indulgences de la confrérie de Jesus et Marie^ sons la protection de 
S. François Xavier^ pour Vavancement de la doctrine chrétienne, pour garantir 
Vhomme des cinq plus grands maux, et lui procurer une sainte vie et une morl 
heureuse. Par le R. P. , de la Compagnie de Jesus. In- 18.", 68 pag. 

Pcíit abregé de 1'ouvrage précédent. Luxembourg, héritiers de Jacques Ferry, 
iii-16.° 

Abregé de la vie apostolique de S. François Xavier, avec la relation de cent 
miracles qui ont élé opérés par sou intercession. En allemand. Trèves, Christophe 
Ruiandt, 1670, in-12.° Cologne, Pierre Alstorf, in-12." 

Em francez. Luxembourg, Paul Barbier, 1696, in-12.» 

Catechisnms R. P. Canisii Societatis Jesu theologi, loeitlàufig, verstãndlich, 
und Gesprãchiveiss vou newen auss-Exemplen gesieret. Mit einigen auss jeder 
Vndcrsveisung folgelden Sitten-Schluss bereichet. Und der hochlòblichen Bruder- 
schaft Jesu und Marie. Under dem Schutz und Schirm des H. Francisci Xaverii . . . 
Cõlln, bey Petro AIsforff, anno 1676. 

SCHUCHARDT (HUGO ).— Corresp. Mitgliede der Kais. Akademie 

der Wissenschaften. 

Ueber die Benguela Sprache. Wien, 1883. In coinmission bei Cari GcroId's 
sohn., in-8.° gr., 14 pag. 



Estás bom? 

Estou, sim. De onde vens? 
Venho do sertão. 
O caminho está bom ? 
Sim, senhor, está bom. 
As chuvas já passaram? 
Não, senhor, não passaram; os rios 
ainda vão cheios. 



Uaripó? 
Si. Uatunda pi ? 
Co nano. 

Co onghira occassi tchiuá? 
Si, ungana, occassi tchiuá. 
Endemdi buapitare? 
Date ungana, eapitare; molui baiucare, 
andi. 



Ueber das Indoportugiesischen von Cochim. Wien, 1883, 20 pag. 
Encontro entre amigos avizinhados : 



«Bom dia. Senhor, quilai tem saúde? 

«Tem bom, muito merece; que noves? 

«Nuca ouvi nada de particular de fallar. Hojo sedo eu ja foi por Aracudy 
por compre caringuejo. Eu ja olha ali baslanti cambron grandi e pequinino. 
Grande he fresco bunilo por faze alathi (ou azetipimenta), e cambron pequinino 
nuca vale: tudo ja fica podri. Mas caringuejo bem pouco; eu ja acha dez carin- 
guejo. Todo tem ouvo bem dilicado por fazer temprado. 

«Mas quanto ja da por dez caringuejo? 

«O I eu ja da dos fano. Pouco car he; mas que pode faze! si quere cume, 



Í34 SC 

meste paga, seja caro. Mas na mez de Novembro, Dezembro bastanti caringuejo 
lo acha. 

«Aquelora lo acha bastanti e tem bom carni também.» 



# 
# * 



«Vambos nos vai pesca hoje? 

«Vambos vai. 

«Porqui te vai? agora nâo tem maré por pegue malom. 

«Quem ja fala? agora tem bom maré por pegue malom. 

«Ante tarde ja foi dos manchu nossa jente, cada manchu ja pega sinco pcixi 
Si nos vai, nos lo pegue peixi, sigur. 

«Antos faze pronto. Nos pode vai justo sinco hora. 

«Vossa mez compre isca; eu lo faze pronto corda, fates e tanas. 

«Vosse podi impresta por mi hum anzol? 

«Deixa eu olha si tem na casa. 

«Quelai ja passa ante su pescaria? 

«Ja passa bom. Mas peixi bem ladrão, te tama isca sem faze sinti. Eu ja 
mata dos peixi ordenado; eu ja sinte peixi bem tardi, ja tinha 8 hora de noite. 
Vicente ja mata hum peixi grande de ouvo bem delicado. Eu ja mate depois 
inguia grande três. Mas he grande miserio, quande pegue inguia noite; aqueli 
quande cai na manchua, lo danfica tudo linha e nuca vale por cari : mas por 
salga e faze caruvado bem gostoso. 

«Hoje A. toma logo vai? 

«Eu toma deixe vi junto? 

«Bom, podi vi junto, mas hum coza. Se vos lo mata peixi, meste faze igoal 
quinho. Eu si lo mate, eu tama lo faze mesmo modo. 

«Tem bom. Senhor. Si nos tem fortuna, nos lo mata bom peixi, sejo jatem 
por conta de manchu su luguer. 

«Hoje noite agu luzenti. No he bom maré. Vambos vai por casa. Ja tem 8 
hora passado ; jente de caza lotem esperando por nos. Amanhãa di dia nos podi 
vai por pesca bagri com chingali. Puixa fatez, omi. 

«Vambos nos vai por caza; hojo su pescaria armação completo. 

«Cabeça de bagri dilicado por faze seco seco, por toca boca com apa ou bolo 
quenti; mais antes meste dali bom ca de grog, aquelora lotem bom apetita.» 



* # 



«Este anno festa de Paliport bem tristi, prezidente com dos sua crianças ja 
quime com poivra; tudo tem na grande perigo de morte. Dos crianças ja more 
onte, inda tem prezidente com hum servidor na perigo ; jenti te fala que nada 
escapa. Prezidente diz que he bem cainhoso ; nu tem da esmola por pobres coma 
outro prezidentes passado. Este anno bem pouco jenti lo vai por festa de Pali- 
port. 5 de Agosto lo caba festa.» 



SC *35 

«Senhor Jazinho, que dia vosse te parti por Vainaad? 

«Nuca fica seguro inda ; podi ser nesti seman. 

«Agora ai li he bom tempo, nutem muito febri. Nos quatro pesso lame tem 
lembrança por vai busca algum serviço; na nossa terra ja nutem remedi por 
passe vida. 

«Quanto lo pedi divida? 

«Nos, quanto lo santa na casa. Vosse sabe : quem quer ande, quem niquer 
mande ; por isso si busca lo ache, assi quelai te fala : «o diligenti lo fica rico, o 
perguisozo cada vez lo vai discaindo». Por isso he qui nos quere vai busque. 

«Mas, amigo, por conserta fermento, nada nutem na mo. Qui vida lo faze? 
Com quem lo valo e pedi? Qui lo faze? 

Meste busca hum remedi ; Deus he grandi.» 

* # 

«Ouvi, senhor, hoje tem um bautizada. 

«Di quem? 

«Criança di Miglinho. Vosse lo vai? 

«Eu nu tem sigur. 

«Vi emi, nos podi vai dali dos cantigo. 

«Deixa olhe, talvez nos podi vai junto. 

# 

# # 



«Quelai ja passa Putari? ja mcUa a vela? 

«Qui te fala, Nona Anji, ja mella avela? 

«O ja passa hum modo. Esti anno inverno muito forti; varjeiros ja sufri 
grandi pediçom. Avella bem pouca ja pile. Crianças tinha condina por mi qui ja 
fica obrigado de pila pouco avella. Por quem ja vi, taraa jada; nos tama ja cume. 
Aquel dia tame ja passa. 

«Ainde tem vare de Oitubro dia de Samatre, bom festa de konclio c saltão. 

* # 

«Ouvi, Acha Peni, que noves tem de vinda de governador de Madrasta? 

«O, elle lo chega na fim deste mez (31 de Agosto). Tudo genti de Cochime 
Vaipim ja faze miting por dar pilição por governo sobre tax de municipal por 
faze menus. Commissioneros de municipal te faze preparo por receber por gover- 
nador; Ires partidas te prepere addresso por presente por governo. 

''Que diz, senhor Mano? assim governador tame ja chega no 6 Vi de manhão 
bojo. 

«Ouvi, senhor, tudo esti grandi jenti te vi, te vai. Por nos nutem nehum 
bondade 1 nehum serviço tama não quer ordene por nos por passa nossa dia e 
nossa íamilia. Governo ja fica muito tristi, quando ja ouvi cauz de Vaipim; tem 
na hum triste estado, pode ser que lo faze algum bondade, si elle quere. Tem 



2W SC 

noticia que governo lo vai por Trivandrum logo ; te vae por encontra por rei 
dalli. Governador te parece coma bom home, e eu te parece que lotem quazi 60 
annos de idade. Nossa sinlior bispo já foi por encontre por governador e ja fica 
recebido com grande altenção e respeito. Governador ja fica contente, quiora ja 
olha redichina, quando ja passa por caminho da cidade ; pouco hora ja impe por 
olha quelai te bota redi e te puixa. Mas aquelie hora nenhum pexi nuca cai na 
redi. E dispôs governador com outro gente bastanto, com senhor, senhor, tudo ja 
foi por lugar de Ligh House. E dispôs na retorna ja entre na igreja catholica de 
cidadi. E logo ja sahi e ja parti por Bolgatti. Naquele dia tinha grande jante 
por governador conta de rei. Na mesmo noiti governo com outro su jenti ja parti 
por Trivandrum. Mas ja ouvi qui governador nuca vai olha por rei dalli, por 
caus que hum pesso de familha de rei ja morre. Governo con su jente ja foi por 
Madrasta por outro caminho. Ellotro qui tem falia senhor, pesso de grande paga, 
quiora te lembre pode vai, quiora te lembre pode vi. Coitadinho de nos pobre I 
si quere vai hum lugar, com quem tudo meste vale de divida? tame tem grande 
travalho por acha divida. Nossa cosa nute qui fale. Hojo por onze aras, nutem 
na cosa. Qui vida lo faze, nuca sabe.» 

# 

# # 

«Ouvi, omi, hoji tem um bom dia, hoji he anno de Acha Peni. Vamus nos 
vai da folga muito, vamos vai, lalvez nos lo passa bem. Acha Joaquim, Acha 
Pedrinho, Acha Domingo tudo lotem. Si tem cazio, podi canta dos canligo; 
bastanto dia ja tem qui ja canta.» 

# 

# # 



«Ouvi, omi, vosse tem algum serviço agora? 

«Nutem nada. Eu, ja tem mas que um mez que eu ja pega escopro macety 
na mo. Dos semana eu ja foi por sirvi na barco na mar fora ; hum suman ja 
sirvi, con dos dia depôs ja caba sirviço. Eu tem lembrança por vai por Vainaad 
por busca hum sirviço. Aqui fica nuca vale. 

«Vosse si quere vi, nos podi vai junto.» 

# 

* # 

«Hojo tem hum bautizada, criança de Acha Nicola. Vosse tem convidado ? 

«Por mi ja convida. 

«Vosse lo vai ? 

«Vamus, olha, talvez eu lo vai. 

«Vi, sinhor, nos tudo podi vai c junto podi sai. 

«Quem é padrinho de creança e madrinho? 

«Acha Mano com mulher. 

«Quiora he bautizado? 

«Acha Padri meste vi de cidadi ; lo fica sinco ora. 

«Assim cabou bautizado. 



SC 237 

«Folga muito, senhor padrinho e madrinho, folga muito, Acha Nicolo e 
outra mas família. 

«Faze meçe passa dentro; vamos nos tama hum copi de cha. 

«Sem, sinhor, neste chuiva bem bom. 

«Faze meçe tama bibinca, tama papada. 

«Este he bunito bom. 

«Cânfora ja tem agora? 

«Eu te lembre qui ja tem oifora passado. 

«Acha Nicolo, da liberdade por nos; ja he tardi. 

«Espero, sinhor, niquar fica pressada. 

«Antos meste escuza por nos. Da liberdade neste hora, ja tardi por nos dos 
de cantar um cantigo. 

«Sim sinhor, com tudo prazer. 

«Então, antes de principiar vambos nos muJba garganto. 

«Com tudo prazer. 

«Acha Peni, faze favor principiar. 

Con sangui de própria veas, 
Bella noite escreveu. 
Com poucos letras, jamais que diga 
Eu hei de amar até morre. 

Em coro 

Eu ha de amar a ti, 

Tu ha de amar a mim, 

Eu ha de amar a ti até morre. 



* 
* 



Hum conversa. — Hum dia eu tamou opportunidade de conversar com hum 
mulher sobre salvação de sua alma. Eu, perguntou ella si ella foi salvado. Eu 
lembra que semelhante pergunta he mui forte por qualquer pessoa por dizer 
«sim». Bom, diz eu, si vos não recebeu (^hristo e não foi nacido de novo, por 
certa esta pergunta he mui forte por vos fallar «sim». Ja quazi a dezeseis annos 
que eu fui salvado, não por causa que sou pela natureza melhor do que outros, 
mas somente por rezão que eu tamou lugar de hum culpado peccador diante de 
Deus e eu creo no Senhor Jesu Chrislo coma a meu salvador, e seu palavras 
declarão que por mim vida eterna, e eu creo nella. 

«Então fallou a mulher: Senhor, eu sou um membro da igreja de ##*, este 
dezseis annos passado e desde aquelle tempo até agora eu paga bom soma de 
dinheiro por sustente de ministro e outro gastos de igreja e tamon trabalho de 
fazer com os outi-os aquelle he dereito e espera na misericórdia de Deus, porque 
elle he misericordioso. 

«Respondeu eu : Verdade, Deus é misericordioso. Deus não pode mentir, e 
elle diz. Digo então si vos sois nacido de novo. 

«Respondeu ella : Não sinhor, eu não lembra que eu foi nacido de novo. 



238 SC 

«EntSo respondeu eu : Vos não posse ver o reino de Deus, si morre antes 
de nascer de novo; inferno será vossa porção, si non nasce de novo. 

•Então diz a mulher: Si aqueIJe he verdade, que vale pertenciar a hum 
igreja pagando dinheiro por sustente da igreja e depois de todo este vai no in- 
ferno, senão nascido de novo? 

«Respondeu eu : O Senhor Jesu Christo sozinho que salva peecadores. Na 
lugar ou parte de nos descançar naquella completa ou acabado obra de Christo, 
o Satanás busca para enganar vossa alma, consolando vos com mentos de vossa 
charactro moral, vosso posição de membro de igreja e de vosso bom obras. 

«Então diz a mulher com suspir: Eu soponha que devemos fazer melhor 
que pode e esperar na misericórdia de Deus. 

«Depois de algum mais palavras com este mulher, eu mostrou ella sua falsa 
esperança. 

«Este mulher, meu querido leitor, foi enganado pella diabo, o inimigo de 
Deus e dos homens, com vão confiança que ella tinha no caminho por ceos, 
ainda que foi nunca nascido de novo. Por fallar com hum pobre peccador que 
Deus heida tamar elle no ceos por causa que elle he hum membro da igreja e por 
muitos de sua bom obras, não ha o evangelho de biblia, mas outro hum evange- 
lho invenlido pela Satanás, soa fim de levar muitas almas no inferno. E porisso, 
querido irmão, cuidai de vos, não descançar vossa alma na qualquer cousa, senão 
no Christo Nossa Senhor e aquelle que elle fez na cruz. 

«Deus falia: O pagamento do peccado he a morte, mas a graça de Deus he 
vida eterno pela Jesu Christo Nosso Senhor. Amarcai então que vida eterno não 
ha pagamento, mas somente dom ou graça de Deos e o mesmo será recebido, e 
não comprado com preço algum. 

«E nos lemos outro vez: Pela graça he que sois salvas mediante a fé, e isto 
não vem de vos, porque he hum dom de Deus ; não vem das nossas obras, para 
que ninguém se glorie. 

«Pergunteis vos: Que he necessário que eu faça para me salvar? 

«Eu responde no palavra de escritura: Cre no Senhor Jesu Christo e tu 
serás salva.» 

«Na hum certa cidade tinha um mulher; por este mulher tinha um casa. 
Hum dia esta casa pegou fogo. A mulher foi bem activa e removeu todas suas 
fatas da sua casa, mas esquecei de remover sua criança que estava dormindo na 
versa dentro de casa. Por fim ella lembrou da sua criança e andou com todo 
aprestado para salvar sua criança. Mas ja ero muito tarde ; ella não podia agora 
na eaza por causa de tanta flamas de fogo. Julgai da sua tristezes e agonia, gri- 
tando: «Oh! minha criança 1 minha criança 1 

«Mesmo mode será com muito peccador quem inteiro tempo da sua vida vae 
cuidozo e tributado sobre muito cousas, mas esquecido daquelle hum cousa ne- 
cessário, a saber salvação das almas. Que vallé naquelle hora para hum homem 
fallar: Eu achou um bom legar ou bom oíficio, mas perdeu minha alma, eu tem 
bastante camerados, mas Deus he meu inimigo ; eu vivei em prazer, mas agora 
minhas penas he elerno porção ; eu envislio meo corpo com bunito vestimentos, 
mas minlia alma he nu diante de Deus. Oh ! minha alma 1 minha alma ! » 

«Quando Abrahão sentou na porta de sua tenda conforme sua custume, 
esperando por accomoder estrangeros, elle olhou hum velho vindo sua perto, 



SC «39 

quazi a centa annos de idade. Abrahão recebeu este homem com todo bondade, 
lavou seu pe e aperelhou cea e deu elle lugar por sentar. Mas olhando que o 
velho comei antes de pedir bensa de Deus sobre sua comer, perguntou porque 
resão elle não adorou o Deu» dos eeus ? 

«O velho fallou que não, adorou somente fogo e não cunheceu outro nenhum 
Deus. 

«Abrahão ovindo esto ficou raiva e botou fora o velho fora de su tenda, e 
elle foi expozado por todos mal de noite, na condição que nunca lembrou. 
Quando o velho ja foi. Deus chamou Abrahão e perguntou sobre o estrangero. 

«Abrahão respondeu: Eu botou elle fora, porquanto elle não adora ti. 

«Então respondeu Deus: Eu soffrio elle este centa annos, ainda que elle 
não deu respeito a mim ; não podia vos suífrir elle por hum noite, quando elle 
deu vos nenhum trabalho ? 

«Abrahão ovindo este, mandou trizer o velho outro vez na sua casa e tratar 
com grande hospide. 

«Vai nos faze mesmo mode, e vossa caridade achara recompensa pella Deus 
de Abrahão. 

# 

* * 

«Homem misericordiozo faze bem por sua mesmo alma. 

«Misericórdia dos malditos é cruel. 

«Língua da verdade será establisido. 

«Testemunhos verdade livra as almas. 

«Olhos de Deus tem na todo logar. 

«Melhor correcção aberto do que amor escondido. 

«Olhos dos homens nunca se (?) satisfeito. 

«Caminhos das loucas he direito na sua mesmo olhos. 

«Prosperidade fazem (?) amigos. 

«Por errar he human, por perdoar he divino. 

«Sem trabalho não tem ganho. 

«Gata escaldado teme agua fria. 

«Todo que luzia não ha (he?) ouro. 

«Melhor palha do que nada. 

«Tardança não ha mudança. 

«Mel pega mais mosquitos do que vinagre. 

«Agua calado sempre he fundo. 

«Bom palavras custa nada.» 

* 

* # 

Ueber das Indoportugiesische von Diu. Wien, 1883. In commission bei Gari 
GeroId's sohn. In-4.<', 18 pag. 

Creolo de Ceylào.— A parábola do fliho pródigo Creolo de Diu.-Parab d'um filh estravagant 

Per um certo homem tinha dois fi- Um homm tinh doiz filh : 
lhos : 

E o mais moço d'elles ja falia per o Ja fallou par su pai aquél mais pi- 

pai, Pai, da par mi a quinhão de a fa- quin, que da-cá su quião que ta per- 



no 



SC 



zenda que par mi te compete. E elle 
ja reparti per ellotros seus bens. 

E não muitos dias depois o filho 
mais moço ajuntando tudo, ja parti 
per huã terra longe, e ali ja desperdiça 
sua fazenda viv( ndo dissolutamente. 

E quando delle tinha gastado tudo, 
húa grande fome ja sucede n'aquella 
terra ; e elle ja começa pêra padece 
necessidade. 

E elle ja foi e ja ajunta si mesmo 
per um de os cidadiâos d'aquella terra; 
e elle ja manda per elle per seus var- 
zes pêra pastia os porcos. 

E elle linha desejado pêra enchi seu 
barriga de os mondadums que os por- 
cas ja come : e ninguém nunca ja da 
per elle. 

E tornando em si mesmo elle ja falia: 
Quantas jornaleiros de meu pai tem 
abundância de pão, e "eu te perece de 
fome! 

Eu lo irgue e lo anda per meu pai, 
e per elle lo falia: Pai, eu ja pecca 
contra Céos e diante de ti. 

E mais não tem digno pêra ser cha- 
mado teu filho ; faze por mim com hum 
de teus jornaleiros. 

E elle irguindo, ja foi per seu pai. 
E quando ainda elle tinha de longe, 
seu pae ja olha par elle, e já senti 
grande compaixão, e correndo, ja cahi 
sobre seu pescoço, e ja beija per elle. 

E o filho ja falia per elle: Pai, eu ja 
peeco conlra Céos, e diante de ti, e 
mais não tem digno pêra ser chomado 
teu filho. 

Mas o pai ja falia per seus servido- 
res: Trize aqui o melhor vestido, e 
vesti per elle ; e bota hum annela em 
sua mão, e sapatos em os pés; 

E trize aqui o vaccinha gourda, e 
mata ; e comemos e alegramos nos : 

Videque este meu filho linha morto, 
e torna tem vida; elle tinha perdido, 
e tem achado. E ellotros ja começa 
pêra alegra. 



tencê a éll. E êll ja repartiu por tud 
quant tinh. 

Depois de passa algum temp fez um 
imbrui de tud su fat aquell' rapaz pi- 
quin e ja foi fieá n'um lerr baslant 
lonj e estranh e ali ja deu cab de tud, 
fazend munt estragação. 

E depois de ter dad cab de tud, su- 
cedeu vi n'aquôll lerr grand carisli e 
êll prinspiou ler pricizão. 

Ja sahiu d'ali e ja ficou com um 
homm d'aquêll lerr. Mais est ja mandou 
par aquêll par um quintal d'êll par 
toma cuidad de su criação de porc porc. 

Nest lugar tinh busca êll inche su 
barrig com comer d'aquêll porc porc, 
mais ninguém nã tinh dá. 

Ate qui ja pensou e ja fallou: na 
caz de mim pai lê baslant criad qui tê 
munt comer e eu lá morre fom ! 

Eu had levanta e had vai busca par 
mim pai e had fallá: Pai, eu ja pecou 
contr Céo e diant de ós. 

Ja nã ta mercê nom de su filh ; fazê 
de mim como de ós criad criad. 

Eli ja levantou e ja foi busca su pai. 
E quand tinh ind lonj, su pai olhou 
par êll e ja ficou com pen qui ja correu 
e butou mão na su gargant par abraça 
e ja bijou. 

E su filh ja fallou: Pai, eu ja pecou 
contr Céo e diant de ós, ja uã tá mercê 
de ós filh. 

Então ja fallou su pai par su criad: 
Tira de press su melhor rôp e dá visti 
par êll e bula um anel na su dôd e 
sapal na su pé; 

Trasê tamêm um vaquinh bem gord 
e mata par nós come e par nos regala: 

Parqui est mim filh er mórt e agor 
ja ficou viv: linh perdid e ja achou. 
E tud ja começou fase banquei. 



SC 



241 



E seu íilho o mais yelho tinha ne o 
varze: e como que elle ja vi e ja chega 
per a casa, elle ja ouvi o musico e as 
danças. 

E chamando liuma de os servidors, 
elle ja enculca que tinha isto. 

E elle ja falia per elle : vosso irmão 
ja vi tem, e vosso pai ja mata a vacci- 
nha gourda, videque elle ja recehe per 
elle em bom saúde. 

E elle tinha irado e nada entra. 
Videaquel seu pai ja sahi, e ja roga 
com elle pêra entra. 

E elle repostando ja falia per seu 
pai : Olha, estes tantos annos eu ja 
servi per ti, nem eu nenhum tempo 
nunca traspassa teu mandamento, e 
ainda nenhum tempo tu nunca ja da 
par mi até hum cabrito, que eu pode 
alegra com meus amizades: 

Mas este teu filho quem ja desper- 
diça tua fazenda com mundanas quan- 
do ja vi, tu ja mata por elle o vaccinha 
gourda. 

E elle ja falia per elle: Filho, vosse 
sempre tem com mi, e todas minhas 
cousas tem vossas. 

Tinha competido que nos ja fica ale- 
grados, e ja folga ; vide que este vosso 
irmão tinha morto, e torna tem vida; 
e tinha perdido e tem achado. 



E su tilh mais grand tinh andad na 
camp e quand vt^-o e chegou pert de su 
caz, ja ouvio music e cant. 

E ja chamou um criad e ja pergun- 
tou qui couz er aquôll. 

E criad ja fallou: Ja vêo ós irmão e 
ós pai ja mandou mala um vaquinh 
parqui éll ja chegou com saud. 

Eli então ja ficou zangad e não queri 
entra. Mais su pai ja saiu e ja rogou 
par ôll par entra. 

Mais éll ja deu est repost par su pai : 
.la passou bastant ann que eu ta servi 
sem nunc deixa de repetá ós manda- 
ment e ós nunc par mim na deu um 
cabrit par eu regala com mim amig: 



Mais log que vêo est ós filh que ja 
gastou tud quant tinh com mulher de 
má vid, log la mandou mata cabrit 
gord. 

Então seu pai ja fallou: Filh, ós 
sempi tem junto de mim e tud de mim 
é de ós. 

Er preciz íazC^, banquet e função 
parqui est ós irmão tinh morrid e agor 
ja ficou viv; tinh perdid e achou. 



Portugnez de Diu : 

«Meu pay tem quebrad, seu corp não prest. 

«A senhora dá par mim licença par vai casa, porque minh filh tá corp não prest. 
«Muito dinheir gaslá quand butá putyi, e fitinh no vestids. 
«Quando veu de Goa par qui, minh vid puligava. 
«Muito susto toma meu corp na viaz. 
«Eu veu par qui nú vum vapor. 

«Murrê vú infelix Custod, não deixa nem busurucam par su famil. 
«A senhára já merca de hoj pamirá. 

«Particip Voss Senhori que honte nov vor noiti minh mulher ja tem parid, 
e dá par luz vuma bahy-chocory. 



Guarnições do vestido. 



16 



242 SC 

«Senhora visinh sabô prepara vú doce bibinc? 

«Eu bu fazê minh vid. 

«Duvás tem cabec brut, voutras nad prend, eu minh cust gast tud, dá par 
el loires, mas não prend. 

«Eu agora mesmo janta, e veu par qui. 

«A senhára dá vúm boceó a su babasinh, ham? 

«Meu coração ta madurecid, com disgost ja não ta meché. 

«A crians tá fazê datanação e estão garreand. 

«Estam dand rundad vum para \otro. 

«Par mim já tá dá. 

«Voú eavail já tá dá vum ponpé que acerta no bossó du minh filh. 

«Vú sú íiJh Domingui stá muit traquin. 

«Eu vai egrej e deixa ficar junto se minh filh Pasquin. 

«Quand eu desembarc du cavali, cahiu e dovou minh braç. 

«O cavali faz bom pass. 

«Não deixa alá a babesinh, que macurá pode ruvi culat. 

«Ná tá dá doldol du minh filh, porque leva e estraga. 

«Visinh eumê di d' hoje baífi du peix? 

«Não vé nad par fazê, butá picinh azeit, picinh alh, picinh safrão. 

«Assi fazend fica vum prat que não tá pode larga du boec. 

«Visinh, sabe que tá seiítid muit com aquelle outrvisinh de corção dur, 
aquella sú lingu dur não quebr porque está curnund, nem par (^hrist poupa. 

«Senhor, eu tá vai hoje par Muchavará, aminhã ad vi, depois Malaia vai, 
tud concert fase. 

•Mê filh lá incommod, porque vêu no sú bocc vúm preg. 

«Estaphand d'aquelle mand mude. 

«Mê pay tá foi di de hoj par hort Dangravary. 

«Dá por mim um picinh d'aquell coiz. 

«Estou augmentando com o sustento da minha família, tenho alem de pagar 
os operários que trabalham em casa: Sobre minh cabeç tá cahi sustent du tud 
minh famil, tem eu de paga lambem os operes que trabalham em casa. 

«Qunta é a terra que aqui existe? Quant mate tem aqui? 

# 

* # 

. Papagai verd 
Com bicc du lacre, 
Levai est cart 
Aquell ingrat. 

Coro 
Oh I bahy cur-cu-ry 
Pentiá cabel pela manh côd. 

Amarai chendó grand Noibo com noibinh, 

Com ping du azeite, Galinh com pentinh 

Se nao tem azeite, Baix de janell 

Butá sangue do meu peil. Ja Irucá annel. 



SC 



243 



Debaixo du ramad 
Ja naceu luvar, 
La v6 su noibo 
De chape arniad. 



Comem arec betie, 
Não cuspi nú cham, 
Cuspi nú me peit, 
Regai mé corção. 



Raminh, raminh, 
Pega na mão. 
Se querê amor, 
Larga nu chão. 

Coro 

Ohl rê manhã, 
Oh! rê manhã 
Rê manhã. 
Manda panhá 
Vuruvalh du manhã 



Oh! boiá, ohl boiá 
Ohl boiá, que é de leit? 
Não vá Jeit, 
Não vá leit 
Vacc fugi oileir. 



Capitão forma companhia, 
Marche Go-go-lá, 
Marche Go-go-lá, 
Marche Go-go-lá, 
Go-go-lá, Go-go-lá. 



Dol, babá, dol, 
Rabá querê col, 
Ni-nim, babo nínim, 
Babá piquinim. 



Sam Paulo, ja bate eino, 
Meia noite, ja nacê minino, 
Meia noile, ja nacê minino. 



Amblá-indó, 

Amblá-indó, 

Babá, porque chor ? 

Mama, papá querê babá, 

A mã butá fór. 



A ventolla ja pedi vento 
Para nosso casamento. 
Casamento du senhara, 
Du senhara D. Rita. 



SCHULTZE (DR. RUDOLF ). 

Die insel Madeira. Stuttgart, 1864, 8.*>, 1 tomo, 446 pag. 

8CHULZE (HERMAIVIV ).— Professor, 

Die portugiesische thronfolge geschichtUch erorfert. lena, 1854, in-8.° de vi- 
53 pag. 

E no fim do volume : Druck von Fromman in Jena. 



SCHURK (AD. FRTD. ), 

Boefie und kaaft der Araher in Spanien und Sicilien. Berlin, 1865, 2 vol. 
in-12.« 



244 SC 

SGUVVAB (MOISE ). 

Abravanel et sou époqiie: les deim,iers jours de Vhistòire des Juifs d'Espagne 
et leur exil fxiv et xv sièclesj. Par . Paris, 1865, ii\-8.«* 

SCORTIA (FRANCISCO ).— Jesuíta, natural de Génova. 

Ristretto delia santa Vila dei Patriarca S. Ignacio Loiola, fondatore delia 
Compagnia di Giesii e suo primo Generale. Tn Bologna, per 1' Herede dei Benaca. 
Bologna, 1624. 

SGRIBE (EUGÉNIO ). 

A Africana. Poesia de Eugénio Scrihe, vertida em italiano por M. Marcello. 
MusicM de G. Meyerheer. Lisboa, 8.", vii-99 pag. 
Personagens : 

D. Pedro, primeiro ministro Galvani. 

D. Diogo, almirante Lisboa. 

D. Ignez, sua filha Corradi. 

GuiDO DE Arezzo, navegante Naudin. 

D. Álvaro, membro do conselho Sinigaglia. 

Nelusko, escravo Merly. 

Selika, escrava Rey-Balla. 

Grão Sacerdote de Brahma Galvani. 

. Anna, confidente de D. Ignez Grassi. 

O Presidente do Conselho Reduzi. 

Um porteiro Manfredi. 

«Advertência. — A empreza d'este thealro entendeu conveniente lirarafeiç5o 
histórica ao libretto da Africana, e entendeu bem. As tradições gloriosas dos 
nossos descobrimentos maritimos não esmorecem, de certo, por Scribe se ter 
lembrado de fazer de um dos nossos mais audaciosos e i Ilustres navegadores um 
ridiculo personagem, como o pôde idear a phaiitasia apoucada de qualquer vau- 
deviiista; no emtanto é sempre repugnante, seja para que indi\iduo for, e muito 
mais a um publico inteiro, ter de assistir á exposição de um enredo, onde antes 
se amesquinha um dos maiores factos da sua historia, do que se desenha com os 
verdadeiros conhecimentos gravados na memoria de todos. 

«Na Africana nada subsiste de verdadeiro, e, por conseguinte, de histórico, 
senão o nome de Vasco da Gama. Ao próprio antecessor do feliz argonauta, a 
Bartholomeu Dias, chama Scribe «Bernardo Dias». 

«Historia, geographia, elhnographia, n'uma palavra todos os conhecimentos 
subsidiários de uma obra que toma para assumpto um facto histórico, contiecido, 
bem notório e preclaro, nada d'isto se encontra no libretto, notável só pela levian- 
dade e ignorância com que foi concebido e depois escripto. 

«Nós, em portuguez, temos um drama: Os portuguezes na índia, do sr. An- 
tónio Augusto Correia de Lacerda, que, sem ser uma obra acabada, como quadro 
dramático, abrange, todavia, o mesmo intento, que é fazer pomposa mostra da 
sumptuosidade do nosso poder n'aquellas regiões, onde o valor temerário dos 
portuguezes foi tão largamente retribuído pelas ricas paréas dos potentados que 
avassallou. 



SC "» 

«Sem tamanhos absurdos, sem desprezar a historia, podia Scribe servir-se 
do trabalho do sr. Lacerda, e crear sobre elle um apparaloso libretto, que ser- 
visse de estimulo e de quadro ao famoso maestro allemão para architectar os 
seus notáveis monumentos musicaes. Mas Scribe ignorava a existência do drama 
porluguez, o que não admira, porqu3, a julgar pelo seu hbretto da Africana, 
ignora cousas muito mais essenciaes, e entendeu adequado lançar mão de um 
velho dramalhão do repertório hespanhol, por titulo Christovão Colombo, ou Con- 
quista de Granada, de que se aproveitou por inteiro, nas scenas vi e vii do pri- 
meiro acto; e foi, decerto, este copiar sem critério, que o levou a pôr a inquisi- 
ção em Portugal no reinado de D. Manuel, quando é bem sabido que a inquisição 
só foi instituída depois, no tempo do seu successor D. João III, em 1536, 

«Mas estes anachronismos ainda seriam desculpáveis, se d'elles resultasse 
eíTeito dramático ou alguma apreciável combinação para o libretto. Porém nada 
d'isto. A inquisição é alli trazida para personificar a opposição ignara e rancorosa 
ás idéas audazes do illustre descobridor, opposição que Vasco da Gama nunca 
teve em Portugal, onde, n'aquella era, pelo contrario, se padecia até da febre das 
conquistas, como é fácil de conhecer pelas obras de Manuel de Faria Severim. 
Porém, como no drama hespanhol a que me referi, lá está a inquisição a perse- 
guir o intento de Christovão Colombo, isto é, o obscurantissimo fanático a con- 
trapor-se ao progresso ào espirito humano, Scribe não curou de ver se esta ordem 
de factos se ageilava ao que se passava entre nós, e fez- nos hespanhoes á força. 
, «Não é isto, comtudo, que lhe devemos levar tanto a mal, visto não passar 
das scenas de um libretto, porém, sim a fabula ridícula que depois urde, cuja 
ignorância transpira logo no próprio titulo. 

«Á heroina da opera chama elle «africana», e todavia esta africana não é de 
Africa, mas sim uma Rainha do Indostão I . . . 

... ò di la (isto é, do Indoslão) che il mio frágil canto 
Coito de la tempesta, in mar tranquillo, 
Ripercosso dali' onde, in preda ai venti, 

Alfin sospinto fu 
Nei trisli lidi delia schiavitu. 

«São estas as palavras do libretto. 

«N'outros versos declara positivamente Vasco da Gama 

. . . tutto svela 

Che d'oltre Africa vengano costoro, 

isto é, que tudo patentea que de alem da Africa vinham aquelles escravos, Ne- 
lusko e Selika, que dá o nome á opera. 

«Mas esbocemos cm breves traços a intriga do libretto, para mostrar que 
era incompativel deixar alli permanecer o nome de Vasco da Gama sem injuria 
para o nosso publico, ainda o menos esclarecido e exigente. 

«É sobretudo notório que Vasco da Gama se tornou celebrado como argo- 
nauta intrépido e feliz descobridor da índia. Pois são estas mesmas qualidades 
que lhe rouba Scribe. O aventuroso almirante, na Africana, não passa de um 
pobre homem a quem Selika ensina a passagem da Índia, indicando-lh'a no 



S46 SC 

mappa (uma selvagem a saber geographial), e a quem elle paga tamanho benefi- 
cio acceitando-a por esposa, a fim de subtrahir-se á morte, fugindo-lhe logo 
depois, tanto que se lhe proporciona o ensejo. 

«O Vasco da Gama histórico parte do Tejo em 1497, n'uma armada de 
quatro naus. Anima esta empreza o desejo de levar a cabo o descobrimento da 
índia, complemento glorioso de antecedentes expedições maritimas. Não ha oppo- 
siçáo a que a frota parta, nem a que o almirante se arrisque ás incertezas d'aquel- 
las longiquas paragens; ha, pelo contrario, a anciedade de conquistar, que nos 
tornou os primeiros navegantes d'aquellas eras, audácia de que resultou um dos 
primeiros e mais valiosos passos para a civilisação moderna. 

«Note-se que já antes de Vasco da Gama, em 1486, Bartholomeu Dias, e não 
Bernardo Dias, como lhe chama Seribe, havia dobrado o famoso promontório 
que, pelos perigos de navegação que o rodeiam, suscitou o nome de Cabo das 
Tormentas ao impávido navegador, e a Camões a sublime fabula de Adamastor. 
D. João II, porém, confiando que alli estava a porta aberta para a conquista de 
novos e ricos dominios, substituiu-lhe a denominação pela mais auspiciosa de 
Cabo da Boa Esperança. 

«No libretto tudo isto se altera, e sem necessidade. O cabo dá-se como não 
dobrado, e a passagem da índia ainda como desconhecida ; a Bartholomeu Dias 
como ignorado o seu destino, naufragado e perdida toda a frota que levara, quando 
elle voltou ao reino, onde foi celebrado o feito pelo monarcha portuguez, e fes- 
tejado pela Europa inteira. 

«Na Africana, Vasco da Gama parte de Lisboa, n'uma posição obscura e 
subalterna, e tão subalterna, que, quando D. Ignez pergunta por elle, na occasião 
que annunciam a perda da esquadra, D. Pedro responde-lhe que ninguém o 
conhece. 

«Depois Vasco da Gama, o de Seribe, compra n'um mercado de negros na 
Cafraria (um mercado de negros na Cafrarial), dois escravos, Selika e Nelusko, 
que vieram alli parar, trazidos por temporaes n'uma canoa, das bandas do Indos- 
tão, sua pátria, e onde Selika é Princeza herdeira da coroa. 

«Pense-se bem n'esta vinda dos dois escravos das alturas do Ceylão até á 
Ethiopia ! Que de léguas através de mares tormentosos n'uma piroga I Seribe 
nunca olharia para um mappa geographico ? 

«É, emfim, com estes dois escravos que o Vasco da Gama da Africana volve 
á Europa, os quaes lhe servem de documento vivo para demonstrar a existência 
de terras habitadas alem do Cabo ! 

«A inquisição, comtudo, toma-o por visionário. Elle vocifera, e afinal é 
meltido ii'um dos cárceres d'aquelle fanático tribunal, mas cárcere aonde todos 
entranj e saem, como se não fosse uma das condições peculiares d'aquellas pavo- 
rosas masmorras a isolação de todo o contacto exterior. É n'este cárcere que 
Selika ensina a Vasco da Gama a passagem da índia, quando o vé a scismar, com 
os olhos pregados no mappa. 

«D. Ignez obtém o perdão de Vasco da Gama, que sáe da inquisição, alcança 
um navio, e se põe a caminho para os mares da índia. 

«Mas o commando da expedição ainda não é dado a elle, senão a um tal 
D. Pedro, presidente do conselho do Rei de Portugal I 

«A bordo dos navios de D. Pedro vão os dois escravos ; e Nelusko, a quem 
como pratico é confiada a rota da esquadra, faz logo que parte dos navios se 



SC 2" 

percam, e quanto á nau almirante, dispõe elle as cousas de maneira que em certa 
altura é abordada por uma nuvem de chalupas de naturaes da sua terra, que a 
tomam, levando todos os portuguezes prisioneiros. 

«Notem como o selvagem, aqui da Europa, havia concertado esta surpreza, 
como se para alli houvesse já telegrapho eléctrico, e como se uma porção de 
canoas se atrevesse com um galeão de alio bordo 1 

«Vasco da Gama também fica prisioneiro, e é condemnado a morrer, porque 
Nelusko, que tece aqui a intriga, o odeia como rival feliz. 

«É n'este lance que Selika declara que Vasco da Gama não pôde ser conde- 
mnado á morte como estrangeiro que ousasse tocar aquella terra vedada a todos 
que não sejam seus naluraes, porque Vasco da Gama é seu esposo. 

«Esta lembrança toca o sublime do desvario, porque, segundo a seita de 
Brahma, que não tolera a menor ligação civil fora da sua communhão, a declara- 
ção de Selika, em vez de salvar Vasco da Gama condemnava-o, e também a ella, 
a perecerem, sem haver cousa alguma que os salvasse. Mas não é somente aqui o 
erro histórico, senão também em levar Vasco da Gama a terras onde dominava 
a religião brahmanica ! » 



The Africana. An opera in five acts, by . The italian translation by M. 

Marcello. Music by G. Meyevbeer. Malta. Printed at the Anglo-Maltese Press, 1870, 
in-i2.", 119 pag. 

D. Pedro, presidente do conselho do Hei de Portugal P. Mazzarini. 

D. Diogo, almirante G. Zambellini. 

Ignez, sua filha E. Cinti. 

Vasco da Gama A. O. Pavani. 

D. Álvaro, membro do conselho G. Fleri. 

Nelusko, escravo F. Proni. 

Selika, escrava R. Pantaleoni. 

O SuMMO Sacerdote de Brahma G. Ohvieri. 

Anna, confidente de Ignez C. Leonardi. 

O Inquisidor Mór L. Del Riccio. 

Um padre B. Perez. 

SEBASTIÃO VIEIRA.— Jesuíta, natural de Castro Daire. 

Littera anima dei Giappone deli' Anno mdcxiii, nella cjuale si raccontono molte 
cose d'edificatione, e martyrii occorsi nella persecutio7ie di questo AnnOj, scritta dal 
P. Sehastiano Vieira delia Compagnia di Giesu. Al molto R. P. Generais deW istessa 
Compaynia. In Roma, per Bartolomeo Zanetti, 1617, in-S.", 72 pag. 

Animae titterae ex Japonia 16 martii 1613. Romae, apud Bartholomaeum 
Zaiíettum, 1617, in-8.° 

Lettres Annuelles du Japon, des Années 1618 et 1614, oii plusieurs choses 
d'édification sont raccontées fidèlement, et les Martyres arrivés durant la jjersécu- 
tion des dictes années. Escrite au Reverend Père General de la Compagnie de Jesus j 
par le P. Sebastien Vieií-a, de la même Compagnie. Mises d'italien en [rançais au 
Collège de Lyon, par le P. Michel Coyssard. A Lyon, par (alaúde Morillon, 1618, 
in-8.», 280 pag. 



Í48 SE 

Lettre annuelle du Jappon de Van mil six cent Ireize, conlenant plusieurs 
exemples de vare vertu et divers actes des Martyrs, qui ont souffert pou7- la confession 
de la foy chrétienne durant la méme année. Escrite par le Père Sebastien Vieira, 
de la Compagnie de Jesus. Au Revercnd Père Géiiéral de la même Compagnie. Tra- 
duite dHtalien eu [rançais par le Père François Solier, de la même Compagnie. 
A Bordeaux, par Simon Millanges (sem data), in-8.^ 92 pag. 

Duas cartas escriptas do carcei^e de ledo a 7 de Abril de 1634, na Imagem 
de Virtude no noviciado de Coimbra. 

em latim, pelo padre Math. Tanner. 

em francez, pelo padre Crasset, na Histoire du Japon, tomo ii, liv. 20. 

SEBASTIEIV (D03I). Roy de. Portugal. Nouvelle historique. Paris, chcz 
Claude Barbin, 1680, 3 partes. 

SEBASTIEN (DOM) ET FILIPPE II. Exposé des négociations cntâmés 
en viie du mariage du Roi de Portugal avec Margueritc de Valois. Par le comte de 
S. Mamede. Paris, 1884, in-8.« 

SECULAU PRIEST. 

The Life of Saint Elisabeth, Queen of Portugal. London, 1859. 

SEGURA (FRANCISCO ).— Hespanhol. 

Primera parte dei Romancero historiado : trata de los hazaíiosos hechos de 
los christianisimos reyes de Portugal. Dirigido ai ilustrisimo sefior Don Miguel de 
Norona, meritisimo conde de Linares, ele, etc. Lisboa, por Vicente Alvarez, 1610, 
8.° de XIV (innumeradas), 182 folhas numeradas pela frente. 

«Compõe-se esle romanceiro de trinta e oito romances, em que se guarda, 
pouco mais ou menos, a ordem rigorosamente chronologica, sendo assumpto do 
primeiro a batalha e victoria de Ourique, e do trigésimo oitavo a tomada de Faro 
por Aífonso III. No principio do livro, de fl. viii a x, vem uma curiosa carta 
escripta ao auctor por Gonçalo Vaz Coutinho, governador, que fora, da ilha de 
S. Miguel. 

«O tomo II, ou parte ii, não consta que chegasse a ver a luz*.» 

SEGURA (NICOLAU ). 

Foi um dos maiores admiradores do nosso grande padre António Vieira. Não 
só lhe compoz um elogio em hespanhol, que se encontra nas Vozes saudosas, do 
padre Vieira, mas até mesmo fez o retraio d'este nosso orador na collecção que 
este padre hespanhol publicou de seus próprios sermões. 

SEIXAS (FRANCISCO PARDO DE ). 

Loa en que la heroyca y noble ciudad de Cadix manifesta a S. M. Elrcy N. S. 
el goso y placer de que está poseida por los fclices esponsalrs que S. M. ha rontraido 
con la Senora Infanta de Portugal, D. Maria Isabel de liorbou, y por el digno 
exemplo que recibe e imita su amable hermano, el Serenisimo Senor D. Carlos 



lonoceDcio Francisco da Silva, Diccionario bibUographico, vol. vi, pag. 244. 



SE 2W 

Maria, contrayendo iguales esponsal es con la Sefiora Infanta D. Maria Francisca 
de Assis de Borbon. 1816, 24 pag., in-24. 

SELECTAK DEVOTIOIVES ad S. Judam Thadaeum, S. Joannem Nepo- 
muccnum, S. Dismam pwnitentem lalroncm, et S. Francisciim Xaverium adjunctis 
orationibus S. Brigittae. Leopoldi, lyp. S. J., 1711. 

SELECTIOIVS m PORTUGUESE and English with Porlugucse words 
properly accented, for the use of persons learning those languages. 8.° 

SEMANA (UNA) IN LTSBONA. Infol. 

«Descuellan en los dos pueblos peninsulares dos génios inmensos, dos vidas 
cuyo paralelismo senaló incompletamente Clemencin y cuya semejanza es absoluta. 
Madrid y Alcalá, la ciudad complutense, se han disputado el nacimiento dei uno; 
Lisboa y Coimbra, la ciudad universitária, el de oiro; el que nació en Alcalá era 
de mediana estatura, blanco, de buen color, pelo castafio, barba y bigole rubios, 
ojos alegres, nariz larga, con una elevacion non desairada en la mitad (testígo de 
ingenio); los dos eran de afable, ameno y festivo caracter; los dos fueron hidal- 
gos, soldados, poetas y pobres; los dos hieieron largas y penosas peregrinaciones ; 
el uno perdió la mano izquierda en Lepanto, el otro el ojo derecho en el Estrecho 
de Gibraltar; el uno tuvo por recompensa de sus servicios una plaza de recau- 
dador de alcabalas, que dió con el en la cárcel ; el otro un cargo de provedor de 
defunctos, y fué a parar á una prision ; los dos escribieron desde su calabozo ; los 
dos recibieron algun tiempo pensiones, aunque tan escasas, que pasaron en la 
mayor miséria los últimos anos. 

Al final de esto decia uno : 

Fuime con esto, y lleno de despecho 
Busque mi antigua y lobrega posada, 
Y arrojéme molido sobre el lecbo ; 
Que cansa, quando es larga, una jornada. 

«Y cscribia el otro: 

«Quien habia de decir que en tan pequeno teatro como el de un pobre lecho, 
queria la fortuna representar tan grandes desventuras!» 

«Al dia seguiente de recibir la Extrema unccion, escribia el uno : 

4 

Puesto ya el pié en el estribo, 
Con las ânsias de la muerte, 
Gran senor, esta te escribo. 

«Poço antes de morir escribia el otro: 

«En fin, acabaré la vida y veran todos que tan aficionado fui á mi pátria, 
que no me contente solamente con morir en ella, sino de morir con ella.» 



2S0 SE 

«El que murió en Madrid fué pobremente enterrado en Ia iglesia de las 
monjas trinitarias, y no tuvo quien grabara sobre su sepultura estas nueve letras: 

Cervantes 

«El que murió en Lisboa fué pobremente enterrado en ia iglesia de las 
monjas franciscanas y á los dieziseis anos tuvo sobre su tumulo la seguiente 
inscripeion : 

Aqui jaz Luiz de Camões 

Príncipe dos poetas do seu tempo 

Viveu pobre e miseravelmente 

E assim morreu 

8ENEX. 

Spain and Portugal distinguished into their kingdoms and principalities. 
Revised by Senex. 1719. 

SENTENCE the gmuine legal, pronounced by lhe High Court of Judicature 
of Portugal, upon the conspirators against the life ofhis Majesty (From theportu- 
guesej. London, 1759. 

SEPTENVILLE (BARON DE ).— Membre de la chambre des depu- 
tes pour le département de la Somme. Officier d'académie, commandeur avec 
plaque de rordre royal et militaire du Christ, de Portugal; commandeur du 
nombre extraordinaire des ordres de Charles 111 et d'Isabelle la Catholique, d'Es- 
pagne; chevalier des ordres de Nôtre-Dame de Viila Viciosa, de Portugal, de 
Nôtre-Dame de Guadalupe, du Méxique, etc. Membre de plusieurs académies et 
sociétés savantes de France et de Télranger. 

Fastes militaires et maritimes du Portugal. Uexpédition de Ceuta en 1415 ^ 
par . Paris, 1879, 8.°, xn-143 pag. 

É dedicada esta obra ao ministro de Portugal em França, J. da Silva Mendes 
Leal ; no principio da mesma obra tem mencionadas mais as seguintes : 

Découvertes et conquêtes du Portugal dans les Deux Mondes. 

Étude historique sur le Marquis de Pombal 1733-1777. 

Le Portugal et Vuriité Ibérique. 

Le Portugal et ses colonies. 

Notice biographique sur S. M. 1. Don Pedro IV. 

Les droits de la Couronne de Portugal sur la bate de Lourenço Marques. 

Le Brésil sous la domination portugaise. 

Jean de Lery ou le Hrésil et Genève, 1534-1611. 

SERENATA da cantarsi nel fíeal Palazzo il di 24 Giugno 1726 per il nome 
delia Sacra Real Maestà di Giovanni V. Re di Portogallo. Lisbona occidentale, 
nella oíl. di Giuseppe António da Sylva, 1726, 4.° 

SERENATA. çwe se ha de cantar en el salon dei Excelentisimo Seíior Em- 
baxador de Portugal en esta Corte He Madrid, con el plausible motivo dei doble 
desposorio de los Senores Don Juan, Infante de Portugal, con Dona Carlota Joa- 



SH 2« 

quina, Infanta de Espana, y Don Gabriel António, Infante de Espana, con 
Doíia Maria Ana Victoria, Infanta de Portugal. Descripcion dei Salon y demás 
piezas, construídas y adornadas, de orden de S. E., baxo la direccion de Don Pedro 
Amai. Explicacion de los asuntos Mitológicos alusivos á esta funccion, pintados en 
el salon y galeria. En la ímprenta Real, ano 1785, 8.**, 31 pag. 

SERMAM undécimo da Exoltaçam da Santa Cruz, entradíi dos jejuns da 
Ordem e memoria do resgate da Sancta Imagem do Crucifixo captivo. Em, o Con- 
vento dos Carmelitas Descalços de Madrid. 1671. 

SERRA (PEDRO DA )•— Da companhia de Jesus; lente de prima 

de theologia no real collegio de Máximo, de Coimbra; qualificador do santo oíiicio; 
examinador das três ordens militares; consultor da Bulia da Cruzada e revisor 
geral da mesma companhia em Roma. 

Sermão panegyrico de S. João Baptista, celebrado na sua milagrosa imagem 
de pedra que está collocada na parede á porta da Santa Sé de Coimbra, pelo M. 

R. Cabido em 24 de junho de 1146. Prégou-o o M. R. P. M. . En Génova, na 

officina Lrrziana, 1751, foi., xii-lvi pag. 

SERTO Dl DOCUMENTI attenenti alie Reale Case di Savoia e di Bra- 
ganza per le auspicatissime nozze di Sua A. R. la Principessa Pia di Savoia, con 
Sua Maestà Don Luigi I Re de Portogallo. Publicazione delia Stamperia reale de 
Firenze. Setembre 1862, foi... 237 pag., edição primorosa. 

SEYRIG (T.). 

Le pont sur le Douro à Porto, de MM. G. Eiffel & C.«. Mémoire par . 

Description des projects presentes au concours, description détaillé de Vouvrage 
execute, calculs de résistance relatifs à celui-ci. Avec quatre plaiiches renfermant 
les divers projets. Extrait des mémoires de la société des ingénieurs civils. Mémoire 
qui a obtenu la médaille d'or à la société des ingénieurs civils. 

S II ARPE (DANIEL ). 

On geology of the neighbourhood of Lisbon. London, 1841, in-4." 

SIIEIL (MIGUEL ).— Professor da lingua ingleza. 

Grammatica ingleza de L. Murray, approvada pelos melhores escriptores 
d'esta lingua, adoptada para uso da real academia de marinha, e commercio da 
cidade do Porto. Offerecida ao III.""' Sr. Dr. Joaquim Navarro de Andrade, Ca- 
valleiro Professo na Ordem de Christo, Primeiro Lente Director e Decano da Fa- 
culdade de Medicina na Universidade de Coimbra, Deputado da Real Junta da 
Directoria Geral dos Estudos e Escolas do Reino, e Director Litterario da mesma 
Real Academia. Poilo, na typ. da viuva Alvarez Ribeiro & Filhos. Aiino 1820, 
8.°, 235 pag. 

SHERER (CAPTAirV MOYLE ). 

Milttary Memoirs of Field-Marshal the Duke of Wellington, by . London, 

1830,2 vol., 8.° 



m SI 

SHERIDAN (B.). 

La duègne et le juif portugais, farce en trois actes, pour le Carnaval. Tra- 
duiíe par A. H. Chateauneuf. 

SIBELO (BARROS ). 

Plano general estadísticos arqueológico, geográfico y geológico de la tercera 
via militar romana que dei Convento Jnridico de Braga se dirigia a Aslorga. 1860. 

O superintendente d'estas obras foi o legado de Vespasiano, Caio Calpetanus 
Rantius Quirinalis Valerius Festns, do qual faz menção Tácito. 

SICARDO (JOSEPH ). 

Christiandad dei Japon, y dilatada persecucion que padeceo, memorias sacras 
de los martyres de las religiones de Santo Domingo^ S.Francisco, ele. Madrid, i698. 

Cap. v: Voyage de Inigo de Biervillas, Portug. à la Cote de Malabar, Goa, 
Batavia e outros logares das Índias Orientaes. Paris, 1736. 

Trata das missões p<»rtuguezas n'aquelle remoto império, segundo assevera 
Tolbort no Instituto Vasco da Gama, 1874, pag. 135. 

SIEGEIVBEECK (MATTHIJS ). 

Museum of Verzameling van Stukken ter Bevordering van fraaije kunsten en 
Wetenschap])en. Haarlem, 1814. 

Pag. 3o a 88 : Over Camoens en zijne Lusiade, avec specimen d\me tradu- 
ction de VEpisode de Inês de Castro. 

SIENA (VIIVCENZO MARIA Dl S. CATERINA DA ).— Car- 
melita descalço, residente em Itália. 

// Viaggio alV Indie Orientali deli , diviso in cinque libri. In Roma. 

Filippomaria Mancini, 1672, foi. 

Foi em 1656 enviado pelo papa Alexandre VII com outros três religiosos da 
sua ordem ao Malabar, com o fim de pôr termo ao schisma que se tinha levan- 
tado entre os christãos e o bispo jesuíta, que o papa lhes tinha dado. 

Escreveu o padre Siena uma minuciosa obra relativa a estas discórdias, e 
da qual tem de tomar conhecimento quem desejar escrever por miúdo a respeito 
do nosso padroado no Oriente. D'esta obra se serviu Crozer na sua Historia dç 
Christianismo nas índias. 

Siena mostra-se inimigo dos portuguezes. 

SIEUR SANSOX. 

UEspagne divisée en tous ses royaumes et pnncipautés . . . sous les couronnes 

de Castille, de Aragon et de Portugal, par le . Dedié au Boi par H. Jaillot. 

1695. 

81 FACE, Drammu per musica, da raprcsentarsi in Lisbona nclla Sala 
deli' Academia alia Piazza delia Triuilà. Auno de 1737, federalo alia Nobilita di 
Portogallo. In Lisbona occidentale, nella stamperia di António Isidoro da Fonseca. 
Anno 1737. 

SIGEA (LUÍSA )•— Natural de Toledo, celebre pelos seus conheci- 
mentos da lingua latina, grega e hebraica, syriaca e chaldaica. Viveu muitos 



SI ís:! 

annos em Portugal, no palácio da celebre infanta D. Maria, filha de El-Rei D.Ma- 
nuel. Falleceu no dia 13 de outubro de 1560 ^ 
Sintra. Poema. 

SILIO. 

Camões. 

Poesia recitada pelo escriptor Silió, quando um grupo de escriplores portu- 
guezes foram, em 1872, a Madrid: 

Salud y paz, hermanos, la tierra de Castilla, 
Hidalga en sus deseos, os brinda solo el bien; 
Que solo el bien se deben, cual es el que aqui brilla, 
La pátria de Cervantes y el piieblo de Camoens! 

La misma es nuestra lengua ; lo mismo, igual se llama 
La pátria que en seno nos dá igual corazon ; 
El sol de vuestros heroes brilló Vasco de Gama, 
Cual brilla entre los nuestros y brillará Cólon f 

Mas grandes que nosolros, de libertad en nombre, 
Hábeis desvanecido las sombras dei ayer ; 
Ya vuestra ley corrije, la nuestra mata ai hombre, 
Ejemplo sois de un pueblo que libre sabe ser! 

Unidos los recuerdos estan en nuestra historia ; 
Que una nuestras almas mayor fraternidad. 
Que el sacrosanto grito que inspire nuestra gloria 
Eternamente sea de — pátria y libertad ! 

SILVA (AIVTONIO DA ).— Gallego. 

Primevas tragedias espanolas : Nise lastimosa y Nise laureada ; Dona Ignes 
de Castro y Valladares, Princesa de Portugal. Madrid, 1577, in-8.*, por Francisco 
Sanchez. 

Falia d'esta obra Nicolau António, Bihliotheca Nova, vol. i, pag. 161. 

SILVA (DUARTE DA ). — Irmão coadjutor, portuguez, que, no 

anno de 1552, S. Francisco Xavier enviou a Goa, distinguindo-se por seu zelo em 
catechisar os infiéis, e morreu no reino do Bungo, no anno de 1564. 

Carta escrita do Japão aos Irmãos da Companhia da Índia a 20 de setembro 
de 1555. Évora, por Manuel da Silva. Coimbra, por António de Mariz, 1570, 
in-4.« 

Foi vertida para latim pelo padre Manuel da Costa: Rerum Societatis in 
Índia gestarum, lib. ii, epist. iv. Dilingae, apud Sebaldum Mayer, 1571, in-8.", 
pag. 93 a 103. Coloniae, apud Gervinum Calenium, 1574, in-8.*», pag. 199 a 210; 
nas Epistolas Japonezas, Lovanii, apud Rutgerum Velpium, 1570, in-8.«, pag. 103 



' Nicol. Ant., Bibliotheca Nova, vol. i, pag. 73. 



254 SI 

a 108. Ibid., 1569, in-8.°, pag. 85 a 93 ; e por Maífejo : Epist. Indic, lib. i. Flo- 
rentiae, apud Philippum Junclam, r,88, in-fol. 

Em hespanhol, pelo padre Cypriano Soares, Coimbra, por João Alvares e 
João de Barreira, 1565, in-4.°, pag. 95. Alcalá, por Juan Iniguez Lequerica, 1575, 
in-4.°, pag. 73. 

Em italiano, nos Diversi avisi particolart delV Indie, parte in. Venetia, per 
Michele Tramezzino, 1565, in-8.°, pag. 250. 

Summario de algumas cartas que escreveu de Amanguchi a 20 de setembro de 
1555. Reimpresso com outras. Évora, 1598, foi. 

Traduzido para latim nas Epistolis Japonicis, Lovanii, 1569, in-8.^ pag. 111 
a 131, e ibid., 1570, in-8.«, pag. 109 a 121. 

SILVA (J. M. PEREIRA ).— Brazileiro. 

Biographie de Jorge de Albuquerque Coelho. 

Appareceu publicada em francez na Revue des races latines, 2« année, vol. viii. 
Junho de 1858. 

SILVEIRA (BARONEZA D. BEATRIZ DA ). 

«A baroneza D. Beatriz da Silveira nasceu em Lisboa, e foi casada com o 
barão Jorge Paz da Silveira, eavalleiro da ordem de S. Thiago, commendador de 
S. Quititino de Monte Agraço, senhor das vi lias da Silveira, Cuevas de Catana- 
zor, etc.i 

«Viveram e morreram ambos na corte de Madrid, e herdaram e adquiriram 
grandes riquezas, de modo que a sua casa era uma das mais opulentas de toda a 
Hespanha. 

«Não tiveram filhos, e como tinham casado por carta de metade, se achou 
por morte de ambos que cada um d'elles possuía 80:000 cruzados de renda 
annual e perpetua, de que o barão instituiu dois morgados para dois sobrinhos 
seus, e edificou em Alcalá um collegio para quarenta irlandezes, com grande 
ronda, para alli estudarem e saírem a pregar a fé ao seu paiz. 

«Fundou mais um magnifico hospital e um grandioso mosteiro de freiras 
franciscanas, e deixou grande porção de rendas perpetuas a presos, captivos e 
orphãos, com outras muitas obras de piedade. 

«A baroneza, que sobreviveu a seu marido, despendeu os seus 80:000 cru- 
zados, que couberam á sua parte, e as muito avantajadas sommas que importa- 
vam os seus bens moveis, pela maneira seguinte, como consta do seu testamento, 
impresso em vinte folhas de papel. E d'elle consta o seguinte: 

«Fundou em Madrid o famoso convento da Natividade e S. José, de carme- 
litas descalças, a que, em rasão da sua fundadora ser baroneza, eram admiltidas 
quarenta religiosas de conhecida nobreza de pae e mãe, as quaes entravam sem 
dote, sem propina nem tença, gastando n'esta fundação mais de 160:000 cruza- 
dos, e lhe applicou de renda perpetua annual 20:000 cruzados para sustento das 
ditas religiosas do coro e de oito leigas para o serviço de casa, e para seis capel- 
lâes e um sacristâo-mór e outro menor, um mestre de cerimonias e quatro 
moços para o serviço da igreja. Ordenou que dos 20:000 cruzados se depositas- 



Ramalhete, vol. iii, pag. 37. 



SI *ss 

sem 2:000 cada anno em um cofre, e que cada três annos se empregassem estes 
6:000 cruzados em novas rendas, para que as do convento se fossem augmen- 
tando sempre. 

«Em Alcalá reedificou, quasi desde os fundamentos, outro mosteiro também 
de carmelitas, com grande dispêndio, e lhe applicou 2:000 cruzados de renda 
perpetua. 

«Na viiia de Yepes edificou outro convento das mesmas religiosas, com 
3:000 cruzados de renda. Edificou em Salamanca um collegio aos frades trinita- 
rios descalços, e aos mesmos fundou uma casa de deserto com grandes despezas 
e lhe dotou outros 3:000 cruzados. Aos jesuítas da casa professa de Madrid 
apphcou de renda perpetua 2:000 cruzados; aos dominicos da mesma corte, 
outros 2:000; aos noviços do mesmo convento, 400 cruzados. Aos clérigos me- 
nores 700 cruzados ; aos clérigos agonisantes, 200 ; aos carmelitas calçados de 
Valle de Mouro, 400; ás carmelitas descalças de Toledo, 400; ás carmelitas des- 
calças de Guadalajara, 200; ás trinas descalças de Madrid, 200; ao mosteiro de 
Santa Catliarina de Sena, da mesma cidade, 1:500; ás capuchinhas descalças da 
mesma, 400; etc, etc.» 

SILVEIRA (GONÇALVES DA ).— Natural de Almeirim. Entrou 

para a companhia de Jesus, com dezoito annos, em junho de 1543. Foi pregar a 
fé para a Ethiopia, e foi mandado matar cruelmente pelo Rei de Monomotapa 
em março de 1561. 

Carta escripta de Cochim em o anno de 1557 ao P. Gonçalo Vaz de Mello, em 
que lhe relata os successos desde Lisboa até Goa, e o fructo que fizera em Cochim. 
(Foi traduzida para latim com outras carias.) Venezia, per Michele Tramezzino, 
1559, in-S.» 

Varias outras cartas, impressas em Veneza, na língua italiana, 1555 e 1562, 
conjunctamente com outras cartas de missionários. 

' Algumas cartas manuscriptas que existiam na casa professa de S. Roque, 
saíram vertidas para italiano. Venezia, 1562, por Mich. Tramezzino. 

SIMEONIBUS (OOIV FERDINANDO DE ).— Conli di Montorio. 

Alia Sereníssima Maria Anna, Regina, Archiduchessa de Áustria, Regia 
Sposa delia Maestà di Don Giovanni V, Re di Portogallo et di Algarbia. Augúrio 
di felice Viaggio. Soneto. Sem data nem logar de impressão. 

SIMON (EUGÈNE AUGUSTE ).— Professeur de français. 

Petite versification française, par . Lisboa, typographia de Gulierres da 

Silva, 1880, 8.«, 33 pag. 

8IMONET. 

La fièvre jaune à Lisbonne. i 863. 

SIRET (L. P.). 

Grammaire française et portugaise. Paris, an 8 de la Republique, 4.®, 1 vol, 
158 pag. 

Grammaire portugaise de , augmentéepar Joseph da Fonseca. Paris, 1854. 



m SI 

SIRI (VITTORIO ).— Gonseiller d'état et historiographe de Sa Ma- 

jesté très-chrétienne. 

Historiador italiano, nascido em Parma no anno de 1608 e fallecido em 
Paris no de 1685. 

Mercure de . Contenant 1'histoire générale de l'Europe depuis 1640 jus- 

qiien 1655. Traduit de Vitalien par M. Requier. A Paris, chez Didot, 1756. 

Tendo os primeiros volumes do seu Mercúrio propagado sua reputação, 
mandou-lhe o cardeal de Mazarin dar uma pensão com os títulos de conselheiro, 
esmoler e historiograplio do Hei i. 

Como é de suppor, muitas passagens se encontram n'esta obra relativas a 
Portugal. Mencionarei uma ou outra. 

Trata por miúdo da revolta dos portuguezes contra o jugo castelhano em 
4640, e esta narração corre de pag. 167 (vol. i), até 224. 

«As victorias da França tinham anteriormente dado extraordinários abalos 
á monarchia hespanhola ; mas a revolta de Portugal e a da Catalunha eram pre- 
sagios quasi seguros da queda da sua grandeza.» (Vol i, pag. 225.) 

«A revolta de Portugal foi encaminhada com tão grande segredo, apesar de 
tramada durante o espaço de cinco mezes por diversas pessoas de todas as ordens 
d*aquelle estado (vol. ii, pag. 118), e foi tão promptamenle executada, apenas 
rebentou, que o Rei não pôde advertir de prompto a seu irmão D. Duarte de 
Bragança, o qual havia muito tempo que estava servindo a AUemanha debaixo 
das bandeiras do imperador. 

«Havendo o rumor da revolta chegado aos ouvidos de Francisco de Mello, e 
dos outros ministros de Hespanha, os quaes estavam em Ratisbona, instaram 
estes immediatamente com o Imperador para que o mandasse prender. Apresen 
lavam diversas rasões para o moverem a condescender com suas solicitações 
Porém, vendo que diversas resoluções e perplexidades extremas o combatiam 
fizeram immediatamente com que Diego Chiroga, capuchinho, confessor da Im 
peratriz, andasse de modo que o persuadisse, com provas extrahidas dos casuis 
tas, que a coisa convinha ao bem do estado. Alguns ministros d'esta corte disse 
ram livremente que era isto violar não somente a liberdade do Império, mas até 
mesmo a fé publica e as leis da hospitalidade, e que eram mal pagos os serviços 
prestados á casa de Áustria pelo Infante. Todas estas rasões e varias outras ce- 
deram, comtudo, á mais importante de todas, que é a salvação dos povos, depen 
dente da segurança dos estados, é a lei suprema dos que governam. 

<«Deram-se as ordens necessárias para prenderem D. Duarte. Foi a prisão 
executada no tempo em que elle passava de Donavert para a corte, que estava 
em Ratisbona. Foi preso no momento em que entrava n'esta cidade, posto n'uma 
carroça, fechado de todas as partes e levado para uma casa, onde foi entregue 
aos ministros d'estado, que o enviaram, prinjeiramente para Possa, depois a Gratz, 
para o fazer passar ao castello de Milão. 

«D. Duarte queixava se energicamente da injuria que lhe faziam, e tomando 
o céu por testemunha de sua innocencia, repetia em vão que suas queixas eram 
justas, que os grandes Principeg faziam mal em terem suspeitas d'elle, e que se 



FirmíD Didot, Nouvelte Uiographie Universelle, voi. xuv, pag. 39. 



SI 2S7 

lisonjeava de que jamais o poderiam convencer dos aggravos que lhe eram im- 
putados. 

«A prisão d'este valente Príncipe, dotado das mais brilhantes virtudes, era 
notavelmente vantajosa á coroa de Hespanha, tanto mais que, no caso que o Rei, 
seu irmão, viesse a morrer durante a menoridade de seus filhos, perdiam os por- 
tuguezes, com a prisão d'elle, o único sustentáculo da sua causa, e o único meio 
de consolidarem o novo sceptro nas mãos dos Príncipes da casa de Bragança. 

«As Provincias Unidas tinham lambem enviado um embaixador ao Rei da 
Dinamarca, para negociar a restituição de quatro de seus navios, que os officiaes 
d'este monarcha tinham capturado, e para saber claramente sua intenção a res- 
peito do direito do Sund, antes de fazerem com que partisse sua frota mercante, 
que todos os annos, no mez de abril, se faz de vela para o norte, pelo Mar Bál- 
tico. (Vol. II, pag. 171.) 

«N'esle comenos o embaixador do Rei de Portugal chegou a Marenflous, de 
onde fez saber sua chegada aos Estados Geraes, que lhe mandaram dizer que 
passasse a Rotlerdam, onde lhe marcariam o dia que se desejava que elle esco- 
lhesse, com o fim de fazer sua entrada na Haya, onde seria recebido como embai- 
xador de testa coroada. 

«A entrada d*este embaixador, que se chamava D. Tristão de Mendonça 
Furtado, fez-se a 9 de abril. Eram suas carruagens seguidas da do Príncipe de 
Orange, e de grande numero de outras, todas cheias de nobreza. Três dias depois 
teve sua primeira audiência, na qual apresentou aos estados um manifesto do Rei 
seu amo. Fez depois, da parte d'este, duas propostas. Foi a primeira, que as 
Provincias Unidas cedessem todas as cidades e fortalezas que ellas possuíam nas 
índias Orientaes, e que consentissem em receber por troca o desembolso das 
despezas feitas, quer na conquista, quer na conservação d'ellas. Reduziu-se a 
segunda a pedir alguns soecorros de armas e munições, bem como ofiQciaes de 
guerra. 

«Responderam-lhe que a Hollanda tinha conquistado e conservado até este 
dia, pela força das armas, as praças da índia, e que pretendia manter a posse 
d'ellas pelo mesmo meio. Que, entquanto ao mais, podia o Rei de Portugal livre- 
mente comprar, na Hollanda, armas e quaesquer outras provisões, e que se não 
obstaria a que nenhum dos seus habitantes fosse servir nos estados d'este mo- 
narcha. 

«Um outro embaixador do mesmo Príncipe fez sua entrada em Paris com 
uma comitiva de trinta e cinco carruagens, que tinham ido ao encontro d'elle, a 
uma legna da cidade. D'este numero era a do Rei, na qual entrou, e onde se 
achavam o marechal de Châtillon e o conde de Brúlon, introductor dos embai- 
xadores. Era a carruagem seguida pela da Rainha e pelas de Monsieur, do Prín- 
cipe de Conde, do cardeal de Richelíeu e por outras. Foi conduzido ao hotel dos 
embaixadores extraordinários, e esplendidamente regalado durante alguns dias. 
Emquanlo aos' embaixadores das outras potencias na corte de França, só um 
houve que mandou sua carruagem a esta entrada. Foi o de Sahoya. Todos os 
outros se dispensaram de o fazer, embora houvessem sido convidados para 
ella pelo de Portugal, o qual foi* depois conduzitlo, com as carruagens do Rei, 
pelo duque de Chevreuse, a Saint Germain, á audiência do Monarcha e da Rainha, 
de quem recebeu o acolhimento mai» favorável, bem como do cardeal Richelíeu. 

«Um outro embaixador de Portugal appareceu também na Inglaterra, onde 

i7 



258 SI 

foi recebido de Carlos como os das testas coroadas, apesar das fortes opposições 
do de Hespanha, residente n'aquella corte. O Rei lhe tinha mandado primeira- 
mente dizer que se detivesse em Salsberi, até que se houvesse regulado sua re- 
cepção, que foi regulada com toda a satisfação possivel para elle, porque o inte- 
resse do eommereio não permittia a este monarcha que se encerrasse no rigor 
das reservas, nem que temesse as ameaças, que fazia o embaixador de Hespanha, 
de sair da sua corte. Porém, tendo o tempo acalmado este ministro, continuou a 
pedir audiências ao monarcha, em uma das quaes lhe fez vivas queixas a 
respeito do que os navios do Rei seu amo tinham de soífrer, e lhe supplicou qiie 
procedesse de sorte que o parlamento pozesse cobro a esta desordem. O embai- 
xador de Portugal foi depois introduzido no conselho d'estado com a ajuda dos 
commerciantes de Londres. Tratou-se aqui por extenso do estabelecimento do 
eommereio reciproco das duas nações, e de suas correspondências nas índias em 
particular. 

«O embaixador extraordinário de Portugal na corte da Suécia conservava-se 
n'esta cidade para pôr a ultima demão no tratado de confederação, esboçado entre 
as duas coroas. Embarcou depois em Gothenbourg com destino a Lisboa, comple- 
tamente satisfeito com a sua negociação e com o bom acolhimento que recebera 
do publico e dos particulares. A regência da Suécia enviou na companhia d'elle 
um deputado ao Rei de Portugal, para a ratificação do tratado. 

«Mas pouco faltou para que um só golpe derribasse o throno d'este soberano, 
apenas erguido. Varias pessoas das primeiras famílias de Portugal, e até mesmo 
seus parentes mais chegados, conspiraram contra a sua perda, e eram estes os 
principaes cabeças da conspiração. O primeiro cabeça, porém, foi D. Sebastião 
de Matos, arcebispo de Braga, que se linha mostrado tão avesso á revolta de 
Portugal 1, o qual, como creatura apaixonada do Conde Duque, a quem reconhe- 
cia dever sua elevação, em nada mais pensava do que em arruinar a nova gran- 
deza da casa de Bragança, e em restabelecer a dominação castelhana, á qual 
fazia profissão de ser affecto. Abriu-se com o marquez de Villa Real, no qual 
achou promptas disposições, quer este estivesse desgostoso com o novo governo, 
quer pretendesse engrandecer mais sua fortuna pela ruina da fortuna de outrem. 
Queria o arcebispo fazer a mesma confidencia ao duque de Caminha, filho do 
marquez; mas a isto se oppoz o pae, dizendo que elle estava debaixo da sua 
direcção, e que suas vontades dependeriam sempre das do pae. 

«Não lhe declarou, por conseguinte, a conjuração, a não ser alguns dias 
antes d'aquelle em que ella tinha de rebentar. 

«Não encontrou o arcebispo nenhuma difficuldade para lambem fazer entrar 
n'ella ao conde de Armamar, seu sobrinho, e outras pessoas de menor importân- 
cia n*ella foram entrando successivamente, ou com esperança nas recompensas, 
ou desgostosas do governo presente, ou com o desejo de novidades, ou por outros 
motivos mais poderosos. Os confederados correspondiam -se a occultas com a 
corte de Hespanha, a qual promettia coadjuval-os. Deviam matar o Rei, a Rainha 
e seus filhos. Chegam mesmo a dizer que o Infanle D. Duarte, irmão do Rei, 
então preso em... tinha de ser comprehendido n'este morticínio; que o alvo 



' Mereure, vol. iii, pag.|123. U. Luiz de Menezes, no seo Portugal restaurado, conl.i ns cousas de 
modo diOéreole. V. vol. ii, pa«. 896, ediçio de 1751. 



SI 28» 

d'esta mesma corte era recuperar Portugal com a menor difficuldade, e tirar 
aos povos d'este paiz o alimento para novas revoltas, aniquilando a casa de 
Bragança. 

«Devia rebentar a conspiração em 3 de jullio. Mas foi eila revelada de pro- 
pósito ao Hei, por um de seus servidores, dotado de destreza e de sagacidade, a 
quem elle obrigava a fazer diíferentes jornadas a Gastella, com o fim de espiar 
os passos de seus inimigos. Tendo este encontrado, por acaso, n'uma hospedaria, 
um cigano, portador de cartas dos conjurados, travou com eile intimas relações, 
e d'estas se serviu para fazer com que elle soltasse algumas palavras, as quaes 
fizeram com que desconfiasse d'aquillo que na realidade se estava tramando. 
Depois de o ter embebedado, e de se ter afastado com elle para um quarto de 
légua distante da estalagem, cravou-lhe algumas punhaladas, tirou-lhe todas as 
cartas e as levou ao Rei. 

«Attribuiram alguns a descoberta da conjuração á sagacidade do conde de 
Vimioso, D. Aflfonso de Portugal, major general das fronteiras da província do 
Alemtejo. Dizem que este senhor, despojado do seu cargo peio Rei, mostrou-se 
oíTendido gravemente, e, por conseguinte, que o arcebispo de Braga julgou que 
seria fácil introduzir na sua alma um aguilhão de vingança ; que algumas pala- 
vras mysteriosas, soltas da boca d'este arcebispo, juntas a outros indícios e a 
outras suspeitas, fazendo com que o Rei temesse fortemente alguma conspiração 
contra a sua pessoa, tinha este Príncipe incitado o conde de Vimioso a estudar 
com finura as primeiras expressões do azedume do prelado, para saber d'elle o 
fundo; e que, tendo-lhe este prelado feito algumas declarações acerca do atten- 
tado, as fora immediatamente declarar ao Rei. Querem outros que esta conspira- 
ção tenha sido descoberta pelo duque de Medina Sidónia, parente d'este Príncipe. 
Outros, emfim, pretendem que nem este ultimo nem os precedentes a descobriram. 
Tanto o conhecimento dos negócios dos grandes é pouco certo. 

«Como quer que seja, tendi) o Rei descoberto a conjuração tramada contra 
elle, deu por toda a parte tão boas ordens, que foram presos quasi todos os con- 
jurados. Eis de que maneira a coisa se executou. Mandou este monarcha declarar 
á nobreza, ao som dos tambores e das trombetas, segundo o uso d'esta corte, 
que queria passear pela cidade. Correu ella, promptamente, para o acompanhar. 
Antes de sair do palácio deu a entender que queria reunir o conselho d'estado, 
do qual os conjurados eram membros. Depois de estarem reunidos na sala quan- 
tos o compunham, mandou o Rei chamar os culpados um em seguida ao outro, 
de maneira que se acharam presos sem que ninguém de tal desse fé e sem que 
elles soubessem entre si a desgraça de cada um. Para se assegurar melhor de 
suas pessoas, conservou as tropas em armas, tanto as da cidade como as de fora, 
e promptas a cumprirem suas ordens, debaixo do pretexto de passar uma revista 
geral a todas. 

«No tempo em que os fidalgos conspiradores eram presos no palácio, a jus- 
tiça ia deitando a mão, sem barulho, a seus cúmplices, entre os quaes se achava 
D. Francisco de Castro, inquisidor-mór. O crime d'este provinha, não em ter 
tomado parte na conjuração, mas em não a ter revelado. Eis como ella estava 
combinada. Lourenço Pidez (?), que, na qualidade de guarda do thesouro real, 
guardava as chaves da primeira porta do palácio, devia entrar com cem homens 
no quarto da Rainha. Tinham combinado algumas pessoas para lançarem fogo á 
frota que estava ancorada em Belém. Deviam-n'o também lançar a Lisboa, por 



260 SI 

quatro lados, com o fim de que o povo, concorrendo para estes lados, deixasse 
haver liberdade de entrar no palácio, segundo o que se tinha projectado. Alem 
d'isto, para se encontrar menos resistência no povo, tinha-se resolvido que o 
arcebispo de Braga havia de sair da igreja com um crucifixo na mão, gritando: 
«Viva a lei de Jesus Christo! Morra a de Moysésl» Depois de reconhecidos os 
culpados e presos, mandou o Rei publicar um edito, pelo qual oíferecia perdão 
a qualquer cúmplice, que no espaço de quatro dias fizesse espontaneamente 
plena confissão do seu crime. Que, passado este praso, seria reputado como 
convencido do crime de lesa-majestade. Não é possível exprimir a indignação e 
o furor do povo contra os culpados. Cada um queria ser o seu algoz. 

«Encerrado o processo, marcaram o dia 29 de agosto para o dia da execução 
da sentença de morte pronunciada contra elles. Em a noite que precedeu este 
dia conduziram os guardas ao marquez de Villa Real, ao duque de Caminha, a 
seu filho, parentes chegados do Rei, o conde de Armamar e D. Agostinho Ma- 
nuel, para casa de Diogo Duarte, contigua á praça Losia (?) *, onde se levantava 
um estrado, para o qual se entrava por um passadiço. Sobre esse estrado havia 
duas ordens de degraus. Em cima do mais elevado estavam dois assentos, um 
para o marquez de Villa Real, e outro para o duque, seu filho. Em cima do 
menos elevado via-se o do conde de Armamar, e sobre o pavimento o de D. Agos- 
tinho ManueK 

«Na manhã do dia seguinte, pelas dez horas, quatro juizes do tribunal, 
acompanhados dos officiaes de justiça, visitaram este funesto apparato, para 
verem se tudo estava em ordem. Pouco depois appareceu, perante uma chusma 
innumeravel de povo, o marquez, com um bastão na mão, e um manto pendente 
dos hombros. Ao primeiro passo que deu no estrado, ao sair do passadiço, poz-se 
de joelhos, e depois de ter recitado algumas orações fez ao povo um longo dis- 
curso, que se reduzia a uma queixa sobre a sua desgraçada sorte. Perguntou 
depois a este povo se havia algum perdão para elle ; e depois de todos exclama- 
rem: «Morra, morra o marquez!», replicou: «Taes foram os gritos dos judeus 
contra Jesus Christol» 

«Então disse o algoz em alta voz : «O Rei, nosso senhor, quer que justiça 
seja feita, e que D. Luiz, ex-marquez de Villa Real, tenha a cabeça cortada, como 
traidor a Sua Magestade, aos principaes do reino e a todo o povo ; e que por 
causa do seu crime sejam seus bens confiscados e sua memoria infamada, do que 
desejava saber se o povo estava contente.» 

«Ouviu-se immediatamente toda a multidão vociferar e gritar: «Justiçai» 

«Logo que se calou voltou-se o carrasco para o marquez, e lhe amarrou os 
braços e as pernas aos pés e aos braços da cadeira em que estava sentado. 
Depois, em vez de lhe cortar a cabeça pela parte de traz, lh'a fez vergar sobre a 
cadeira, feita de propósito para este fim; e applicando-lhe a mão sobre a testa, 
lh*a cortou por diante, e cobriu seu corpo com um grande panno de seda preta. 

«O duque de Caminha apresentou-se no tablado da mesma forma que seu 
pae, acompanhado, como elle, por seus creados. O algoz repetiu, em voz alta, 
as mesmas palavras que já tinha proferido, mudando, somente, o nome do cri- 



' k. eiecDção foi na praça do Rocio. V. Portugal restaurado. O marquez de Villa Keal levava vos- 
lido UDt capui. 



SI 26» 

minoso. Este, passando por diante da cadeira de seu pae, poz-se de joelhos e lhe 
beijou mais de cem vezes os pés, fazendo julgar, por isto, a todos os espectado- 
res, que lhe pedia perdão, como reconhecendo-se auctor da desgraça; e pediu ao 
povo que resasse um padre nosso pelo descanso de sua alma. Tendo-se depois 
sentado na sua cadeira, recebeu o mesmo supplicio que elle. As turbas queriam 
que lhe cortassem a cabeça pela parte de traz, como aos traidores, mas o Rei 
não quiz consentir, porque tal género de morte era excessivamente ignominioso 
em a nação. 

«O conde de Armamar appareceu depois, acompanhado de um só moço de 
camará, e pouco depois D. Agostinho Manuel. Foram executados do mesmo modo. 

«Pedro Baeça, rico commerciante de Lisboa, António Correia e os outros 
foram enforcados nas forcas levantadas ao canto do tablado. Seus cadáveres, es- 
quartejados e expostos ás portas e principaes ruas de Lisboa, foram por muito 
tempo um espectáculo horroroso para os portuguezes. O arcebispo de Braga, e 
vários outros ecclesiasticos, acham-se até hoje rigorosamente guardados nas 
prisões. O Rei tomou lucto durante quatro horas, por causa da morte do mar- 
quez de Villa Real e do duque seu filho. 

«Algumas semanas antes tinham chegado os embaixadores da Catalunha, 
para felicitarem este Príncipe pela sua elevação ao throno de seus antepassados. 
Deu-lhes a primeira audiência, durante a qual os mandou sentarem-se e cobri- 
rem-se; mandou-os depois acompanhar á pousada que lhes estava preparada 
pela fidalguia que estava em volta da pessoa do Rei. Alem de lhes mandar pagar 
as despezas com magnificência real, admittiu-os também á sua mesa, e quiz que 
fossem servidos como elle próprio. Tendo um d'elles adoecido, honrou-o por três 
vezes com a sua visita. Os grandes do reino, conformando- se com o seu exemplo, 
não houve nenhum que não o seguisse n'esta oecasião. 

«Quasi ao mesmo tempo chegou o embaixador da HoUanda, em duas naus, 
que traziam armas para dois mil infantes, e mil ca^allei^os, com outras munições 
de guerra. Foi recebido com maiores honras que os de Catalunha. A 6 de agosto 
o marquez de Brezé appareceu n'estas mesmas costas com uma esquadra franceza. 
Mais de mil barcos foram ao seu encontro. Estavam cheios de refrescos e de 
fidalguia, para o servirem, prestarem-lhe serviços e regalal-o. A 10 o Rei en- 
viou-lhe uma galeota, com ofiiciaes da sua corte e doze suissos da sua guarda, 
para lhe pedirem que desembarcasse. Foi conduzido desde o logar em que des- 
embarcou até ao palácio, pelo meio de uma chusma innumeravel de povo, que 
fazia ouvir, em seus gritos repelidos, o nome do Rei de França. Regressou na 
tarde do mesmo dia para a esquadra, depois dos cumprimentos ordinários. 

• «A Hespanha estava desgostosa por causa do mau resultado de suas armas, 
o qual diariamente consolidava mais o sceptro de Portugal nas mãos do duque 
de Bragança. (Vol. iii, pag. 234.) 

«Tinham os castelhanos saído de Badajoz, em grande numero, para atacarem 
a villa de Olivença, distante da primeira umas quatro léguas, e situada, como 
aquella, nas margens do Guadiana, rio que separa Castella de Portugal. Foi isto 
sabido por D. Affonso de Mello, general das tropas portuguezas. Marchava em 
soccorro da praça, com a maior diligencia, quando foi informado por um correio 
que os castelhanos haviam sido tão bem recebidos, que se tinham retirado com 
perda considerável. Vergonhosos com a sua derrota, ameaçavam com tornar ao 
ataque, o que obrigou D. Afibnso a partir de Elvas, com oito mil infantes e mil 



262 SI 

e quinhentos cavallos, para ir de novo em seu soccorro. Marchou durante toda a 
noite, e tendo chegado á ponte do Guadiana, al!i soube que os inimigos, deses- 
perando da empreza, se tinham retirado para Badajoz. Mas apenas elle mesmo se 
tinha retirado, pela terceira vez a accommetteram, inutilmente, na verdade, e com 
alguma perda, vencidos, no emtanto, mais por sua própria falta de ordem do que 
pelo valor dos inimigos. 

«Todavia, o Rei de Portugal, attento em preservar seus estados dos ataques 
d'elles, ordenou stos capitães e aos outros officiaes, tanto francezes como hollan- 
dezes, que estivessem promptos a marchar d*aquelle lado, ao primeiro signal que 
elle lhes mandasse dar. 

<f A 27 de setemtiro chegou de Angola a Lisboa uma frota de dezoito navios, 
carregados de grande quantidade de mercadorias, principalmente de assucar. 
Dois dias depois chegou uma segunda, do Bio de Janeiro, carregada de outras 
mercadorias de grande valor. Traziam estas duas frotas para Portngal tanto pro- 
veito, quanta era a perda que iam causar á Hespanha. Começou-se desde então 
a cunhar uma nova moeda de oiro e de prata, que tinha de um lado a cruz de 
Portugal e do outro as armas do Rei, com os lyrios, em signal da estreita união 
e da antiga alliança das duas coroas. 

«Por este mesmo tempo espalhou-se o boato, cuja origem se ignorava, de 
que o duque de Medina Sidónia tinha correspondências secretas com o Rei de 
Portugal, seu parente, e que se interessava pelo engrandecimento da sua casa. 
Dizem a este respeito que o Rei de Hespanha se queixou certo dia ao conde- 
duque, de que a familia dos Guzmans lhe era fatal ; que este ministro, que era 
da mesma familia, mandou immediatamente ordem ao duque de Medina Sidónia 
para se apresentar na corte, sem demora; apenas este chegou, mandaram-lhe que 
se desculpasse, por meio de um escripto publico, do crime que lhe imputavam. 
Pretendem outros que este duque, sentindo- se criminoso, e vendo que suspeita- 
vam da sua fidelidade, espontaneamente apresentou este escripto. Era um cartel *, 
escripto por um Gabriel de Rei, pelo qual chamava a desafio o Bei de Portugal. 

«Eis como era concebido : 

Dom Gaspar Alonço Peres de Gusmão, duque de Medina Sidónia, marquez, conde 
e senhor de S. Lucar de Barrameda, capitão general do Mar Oceano, costas 
de Andaluzia e dos exércitos de Portugal, gentil-homem da camará de Sua 
Magestade Catholica, a quem Deus guarde. 

«Digo que, visto ser notória a todo o mundo a traição de João de Bragança, 
antigamente duque, também se deve saber o detestável intento, com que elle 
quiz taxar de infidelidade a muito fiei casa dos Gusmão, que por tantos séculos 
esteve, e estará para o futuro na obediência do seu Rei, reconhecida como tal 
pelo muito sangue que os seus téem derramado em confirmação d'isto mesmo. 
Este tyranno persuadiu aos Príncipes estrangeiros e aos vagamundos porluguezes 
que seguem o seu partido (a fim de fazer acreditar a sua malignidade, animal -os 
em seu favor e malquistar-me, posto que em vão, com o meu soberano, a quem 
Deus guarde), que eu sou um dos seus instrumentos;fundando,e estabelecendo a 



Servi-me do «cariei» qne vom em Vertol, Iraiiuzido por fr. Malheus da Assnmpçào. 



SI 263 

sua conservação no Ihrono sobre este boato, que tem feito correr por toda a parte, 
e com o qual infectava a cada um em particular, lisonjeando-se, que se elle podesse 
chegar a este ponto de fazer duvidar El-Rei de Hespanha da minha fidelidade 
no seu serviço, não encontraria da minha parte uma opposição tão forte como 
cada passo está encontrando, contra todos os seus designios. Para este fim 
se serviu de um religioso, que fora mandado a Castro Marim, em Portugal, pelo 
senado, da villa de Ayamonte, a tratar da soltura de um prisioneiro, o qual reli- 
gioso, tendo sido levado preso para Lisboa, foi subornado para dizer que eu era 
do partido de João de Bragança, e até chegou a publicar algumas cartas em con- 
firmação d'isto mesmo, e a dizer que eu havia de dar entrada livre e acolhimento 
a todas as esquadras estrangeiras que aportassem ás costas de Andaluzia ; tudo 
isto a fim de facilitar a remessa de soccorro, que pedia aos prineipes estrangei- 
ros. E aprouvera a Deus que isto assim fosse ! Eu faria o mundo inteiro teste- 
munha do meu zelo, e da perda dos seus navios, a qual elles não podiam deixar 
de experimentar, segundo as ordens que eu tinha dado, no caso que elles empre- 
hendessem similhante cousa. 

«Eis aqui algumas rasões de queixa que tenho contra elle. Porém, o princi- 
pal motivo do meu desgosto, é ser a sua mulher do meu sangue, o qual estando 
agora maculado por esta rebellião, eu o desejo derramar, e sinto-me obrigado a 
mostrar ao meu Rei e senhor, por esta acção, o resentimento que tenho da satis- 
fação que elle mostra ter da minha fidelidade, e dál-a igualmente ao publico, 
para tiral-o da suspeita, que elle talvez conceberia, pebs falsas noticias que se 
tem divulgado. 

«É por estas rasões que eu desafio o dito João de Bragança, antigamente 
duque, como tendo faltado á fidelidade que devia ao seu Deus, e ao seu Rei, 
convidando-o para um combate particular, corpo a corpo, com padrinho ou sem 
elle, o que deixo á sua escolha, assim como a qualidade das armas. O campo do 
combate será ao pé de Valência de Alcântara, n'aquelle logar que serve de limite 
aos dois reinos de Portugal e de Castella, onde eu o esperarei oitenta dias, que se 
começarão a contar desde o 1.° de outubro até 19 de dezembro do presente anno. 
Nos últimos vinte estarei eu mesmo em pessoa na dita praça de Valência, e no 
dia que elle me determinar o esperarei n'esta raia; o qual tempo, posto que mui 
dilatado, o dou ao dito tyranno, para que chegue á noticia d'elle e da maior 
parte dos reinos da Europa, e de todo o mundo ; com a condição de que elle 
certificará, conforme o desejo dos eavalleiros, que eu lhe mandarei, uma légua 
dentro de Portugal, da mesma sorte que eu certificarei áquelles, que elle pela 
sua parte mandar, uma légua dentro de Castella; e espero fazer- lhe conhecer 
perfeitamente a infâmia da acção que commetteu. Se elle faltar á obrigação que 
como fidalgo tem de acceitar o meu desafio, para exterminar esse phantasma 
pelos únicos meios que n'esse caso me restarem, vendo que elle não terá animo 
para se achar n'este combate, e para fazer que me mostre tal qual sou, e quaes 
foram sempre os meus antepassados no serviço dos seus Reis (tendo sido os seus, 
pelo contrario, uns traidores), eu ofFereço desde já, com o consentimento de Sua 
Magestade Catholica (a quem Deus guarde), a minha cidade de S. Lucar de Bar- 
rameda, residência principal dos duques de Medina Sidónia, áquelle que o matar; 
e prostrado aos pés de Sua Magestade eu lhe peço que me não dê n'esta occasião 
o comraando dos seus exércitos, para cujo emprego é necessária uma prudência 
e uma moderação que a minha cólera me não poderá dictar n'estas circumstan- 



264 SI 

cias, concedendo -me unicamente que eu o sirva em pessoa com mil cavallos dos 
meus vassallos, a tim de que, apoiando- me então unicamente sobre o meu valor, 
eu sirva não só para a restauração de Portugal, e para o castigo d'este rebelde, 
mas também para que eu mesmo, e as minhas tropas, no caso que eile recuse o 
meu desafio, possam trazei -o morto ou preso aos pés de Sua Magestade, e para 
não omittir nada d'aquillo que o meu zelo não pôde, eu offereço uma das melho- 
res villas do meu dominio ao primeiro governador ou capitão portuguez que 
entregar alguma praça da coroa de Portugal, por muito pouco importante que 
seja, ao serviço de Sua Magestade Catholica, ficando sempre muito pouco satis- 
feito de tudo quanto poder fazer a Sua Magestade, porque tudo quanto eu tenho 
o devo a elle e a seus gloriosos antepassados. 

«Feito em Toledo, a 29 de setembro de 1641.» 

»N'este desafio se notaram algumas faltas de sensatez ; entre outras, que o 
duque provocava o Príncipe pelos caminhos da honra, e o ameaçava ao mesmo 
tempo de usar para com elle de velhacaria (vol. ni, pag. 243); que lhe promettia 
toda a segurança para o duello para de ahi a uma légua em Castella, onde ello 
não era senhor, mas sim o Bei de Hespanha, cujo vassallo era. Também não era 
mui provável que o Rei áe Hespanha permitisse que um homicida tivesse para 
sua recompensa a cidade de S. Lucar, com exclusão de um duque, que teria 
levado a afí'eição até renunciar, por causa d'elle, sua própria fortuna. Em vão 
publicava elle por toda a parte que o seu desafio e a sua promessa tinham feito 
com que accendessem luminárias por causa do jubilo em todo o Portugal : o facto 
não era crivei. Alem do que, o duque de Bragança reconhecido Rei, não somente 
por seus povos, mas até mesmo por tantos Príncipes estrangeiros, estava isento 
da obrigação de se bater contra o vassallo de um outro Rei. Não havia menos 
loucura n'aquillo que seu orgulho lhe fazia dizer, isto é, que elle tinha conlami- 
nado seu sangue, dando-lhe uma de suas irmãs, porquanto ella, por meio d'esle 
casamento, tinha chegado a ser uma Rainha. Era até mesmo uma hespanholada, 
e uma estravagancia, o lisonjear-se de levar de rastos o seu inimigo até aos pés 
do Rei de Hespanha, e o ofí"erecer-se para se despojar de seus mais bellos rendi- 
mentos por causa de um homicídio imaginário. Em summa, este desafio paten- 
teava a desconfiança que o Rei de Hespanha tinha do duque, na recusa que este 
fazia, de commandar as tropas d'este Príncipe. 

«O Rei de Portugal tinha enviado a Roma o bispo de Lamego na qualidade 
de embaixador, para prestar ao Papa, em seu nome, a obediência de filho da 
Egreja. Sua Magestade Christianissima, por causa de interesses conhecidos de 
todo o mundo, empregou sua mediação com lodo o zelo possível a fim que fosse 
elle recebido e tratado como tal. O Papa recusou- se a isto sob diversos pretex- 
tos honrosos. Para gosar do beneficio do tempo, e aproveitar- se das conjunctu- 
ras com o fim de favorecer as intenções da santa sé, dizia elle qiie não poderia 
admittir o bispo de Lamego se o Rei de Portugal não annullasse antes uma antiga 
lei do paiz, que prohibia aos ecciesiasticos a herança de bens inimoveis (vol. iv, 
pag. 113), Queria que este Príncipe mandasse restituir aquelles bens, que a pie- 
dade dos povos em diversas epochas tinha deixado á Egreja, e os quaes tinha 
Sua Magestade Catholica, pouco tempo antes da revolta de Portugal, impedido 
que os ecciesiasticos gosassem, em virtude dVsta mesma lei. 

«O Papa queixava-se ao mesmo tempo de que o Rei de Portugal conservava 



SI 265 

na prisão o arcebispo de Braga, o inquisidor-mór e outros ecclesiasticos, princi- 
paes auctores da conspiração tramada contra elle. Todas estas rasões somente 
serviam para 'cobrir a resolução já tomada, de não receber o bispo de Lamego 
como embaixador, por causa da forte opposição dos hespanhoes. Encontra-se a 
prova d'islo na recusa constante do soberano Pontifice de se render ás vivas 
instancias do Rei de França, não obstante a promessa que lhe fazia, de annuir a 
ellas. 

«A negociação do cardeal de Bissi, para fazer admittir o bispo de Lamego 
como embaixador do Rei de Portugal, teve o êxito mais feliz (vol. iv, pag. 154)* 
apesar do extremo de perturbação que o Papa tinha mostrado á noticia do des- 
embarque d'este embaixador em Civitta Vecchia, e a resolução inabalável, que 
tinha tomado, de o não reconhecer como tal. 

«Esta eminência, esperando sempre o momento próprio para executar as 
ordens da corte de França, não respondeu, ao principio, ás vivas queixas do 
Papa, senão por meio do silencio. Accreseentou, depois, com sua destreza ordiná- 
ria: «Se Vossa Santidade persiste no desígnio de prohibir ao bispo de Lamego 
a entrada, é mister fortificar com um forte e com um numeroso corpo de guarda 
o palácio que elle para si escolheu fora dos nmros, para sua habitação, com o 
íim de pôr em segurança a vida de um prelado, em cuja conservação a dignidade 
da santa sé e a vossa, estão interessadas». Vê-se perfeitamente que D. João não 
sabe ainda representar o papel de Rei; que é novato n'este mister; que em vez 
de enviar para as cortes dos outros soberanos, com o fim de n'ellas ganhar amigos 
e apoio para a sua grandeza nascente, em vez de empregar seu dinheiro em for- 
liíiear suas fronteiras, em reparar fortalezas, em mandar construir outras novas, 
em logar de lançar ao mar frotas formidáveis e reunir tropas, armas e munições, 
consome seus thesouros e seu tempo em enviar embaixadores aos pés de Vossa 
Santidade. Devia, pelo menos, antes de o fazer, pedir vosso consentimento. Esta 
simplicidade da sua parte, é, comtudo, uma prova evidente da sua piedade. A 
santa sé nem por isso deixa de tirar uma vantagem considerável; este Principe, 
sem reparar em tantas outras cousas importantes, em nada mais pensa do que 
no tributo de respeito e de obediência que lhe é devido pelo logar que occupa. 
Quer elle assignalar, por actos de religião, os começos do seu reinado, e dar ao 
mundo christão um testemunho illustre de que o estabelecimento dos scepiros 
depende d'esta mesma sé. Estas rasões, e as despezas excessivas, que a guarda 
sufiTiciente para defender a habitação do bispo de Lamego, haviam de causar, o 
risco ao qual sua vida se acha exposta, por causa dos hespanhoes, n'uma casa 
de campo, devem aconselhar Vossa Santidade a recebel-o em Roma.» 

«O cardeal de Bissi*, fatiando com zelo a favor d'este bispo, fingia desappro- 
var sua vinda, embora os francezes tivessem empregado as mais vivas instancias 
para a obterem e apressarem, na crença em que estavam de que o Papa não 
poderia deixar de o receber; ao passo que, pedindo antecipadamente que elle 
fosse recebido, só d'ahi a muito tempo teria podido isto ser conseguido. As rasões 
d'esta eminência fizeram reapparecer a serenidade no rosto do Papa. Consentiu 
immediamente que o bispo de Lamego viesse a Roma. No emianto, ao boato do 
seu desembarque, em (Civitta Vecchia, grande numero de portuguezes, catalães e 



Mercure historique. vol. it, pag. 156. Passavam-se estes factos no anno de 1641. 



266 SI 

francezes se dirigiram áquelle ponto sem demora, para o receberem e escoltarem 
até á sua residência. Estavam todos armados com pistolas e outras armas de fogo. 

«O cardeal António também tinha enviado, para este effeito, quarenta caval- 
leiros com o fim de explorarem a estrada, com medo de alguma surpreza da 
parte dos hespanhoes, que se tinham gabado, antes da sua chegada, que o haviam 
de fazer passar por alguma aífronta notável. 

«Tendo este prelado, pois, chegado, com toda a sua escolta, a 20 de novem- 
bro, foi peia tarde apear-se, sem ceremonia, no palácio do embaixador de França, 
que o recebeu á porta, e lhe deu sempre a direita. Conduziu-o ao seu quarto, 
onde, depois de ter descançado por algum tempo, com os deputados da Catalu- 
nha e outros, foi cear com o mesmo embaixador. Todos os cardeaes e outros 
personagefís qualificados, súbditos ou partidários da coroa de Hespanha, consul- 
taram por muito tempo acerca da chegada d'este bispo. O embaixador de Hes- 
panha, que antecedentemente não ia á audiência do cardeal Barberin (é o cardeal 
Francisco), por causa de certos desgostos, e que tinha declarado publicamente, 
que, se o bispo de Lamego entrasse em Roma com um cortejo superior á condi- 
ção de bispo, abandonaria immediatamente a corte, fez tudo ao contrario, no que 
deu signaes verdadeiros de uma rara prudência. Dirigiu-se, no dia seguinte, á 
audiência do cardeal, a quem fez varias queixas e representou ^s desordens que 
produziria a recepção do bispo de Lamego, como embaixador; deduzindo as 
rasões pelas quaes a côrle de Roma não o devia reconhecer por tal, e misturando 
de tempos a tempos, em seus discursos, as ameaças de resentimento da parte da 
casa de Áustria 

«Publicaram- se. por aquelle tempo, diversos escriptos, tanto de uma parte 
como da outra, acerca d'esta recepção ; uns, feitos para estabelecerem a legitimi- 
dade da embaixada do bispo de Lamego, e outros para a destruírem. Eis o que 
resulta d'estes últimos: 

«Apenas são propriamente embaixadores, aquelles que são enviados por 
Príncipes que têem uma Magestade soberana, e um poder absoluto. Ora, o bispo 
de Lamego, sendo enviado pelo duque de Bragança, que não tem nem esse poder 
nem essa Magestade, mas que é vassallo do Rei Catholico, não é embaixador, e 
os outros Principes não o devem considerar como tal. O duque de Bragança é 
vassallo do Hei ('alholico, porque este Rei é senhor legitimo do reino de Portu- 
gal, por Filippe III, seu pae, e Filippe II, seu avô, o qual, como varão e primo- 
génito de Calharina*, avó do duque de Bragança, deveu, n'esta qualidade, ser-lhe 
preferido para a successão ao throno. Sendo o duque de Bragança, portanto, um 
rebelde e um usurpador, que despreza a religião do juramento e o respeito de- 
vido ao seu Príncipe natural, não tem mais direito de enviar embaixadores, do 
que têem os usurpadores e os rebeldes. 

«Pretendem alguns que se o Turco chegasse a converter-se, o Papa receberia 
sua conversão e seus embaixadores, embora não restituísse suas usurpações. Sim, 
sem duvida, seria absurdo prohibir um tão grande bem, pela obrigação de resti- 
tuir bens possuídos durante séculos, adquiridos por guerras injustas, na verdade, 
mas entre soberanos, com os quaes se tem feito mais de uma trégua e mais de 



' Calharioa era íilha de D. Dnarte, ou £duardo, irmão do Rei Henrique, e filho do Rei Manuel, e 
Filippe II era filho de D. Izabel, inni do me«mo Rei Henrique e filha do mesmo Rei Manuel. 



SI 267 

uma paz. Alem d'isso, essa conversão do Turco adquiriria a maior parte da Ásia 
á Europa, na qual entraria sem reserva, renunciando a seus erros. O duque de 
Bragança, pelo contrario, por sua alliança com os lierejes*; pela liberdade ile 
consciência que dá aos seus súbditos, em cujo numero entra uma grande quanti- 
dade íle judeus; pelo homicídio dos grandes do reino 2; pela prisão dos eccle- 
siasticos^; e pelo arrojo que tem de despojar um Rei, do qual é vassallo, afas- 
ta-se, tanto quanto se pôde, da santa sé, da qual finge approximar-se por meio de 
um embaixador. Mas o que é uma abominação, no seu excesso, é o procurar elle 
fazer com que o seu procedimento seja auctorisado por aquelle tribunal supremo, 
e tornal-o assim cúmplice da sua revolta e da sua usurpação. Não deve, portanto, 
o bispo de Lamego ser recebido, nem como embaixador do duque de Bragança, 
nem como embaixador do reino de Portugal, mas ser castigado severamente, 
para exemplo dos rebeldes e de seus fautores.» 

"Eis o que resulta dos escriptos feitos para estabelecerem a legitimidade da 
embaixada do bispo de Lamego: 

«Depois da morte do cardeal Rei D. Henrique, filho do Rei D. Manuel, houve 
seis pretendentes á coroa de Portugal : a Rainha de França, Anna de Áustria, 
que foi excluída como não descendendo do dito Rei Manuel ; António, prior do 
Crato, que, como bastardo, foi declarado incapaz ; o duque de Saboya, filho de 
Beatriz, irmã segunda da Imperatriz ízabel, que cedeu aos mais próximos ; o 
duque de Parma, filho de Maria, filha primogénita de Eduardo, que foi também 
excluído, porque, segundo as leis de Portugal, as Princezas estabelecidas fora do 
reino, taes como sua mãe, não têem parte na successão '* ; emquanto á pretensão 
da santa sé, d'ella nenhum caso fizeram. 

«Sendo excluídos todos os pretendentes, ficaram estes reduzidos a dois: 
Filippe II, filho da Imperatriz ízabel, e Catharina, filha do Infante Duarte, casada 
com o duque de Bragança, Theodosio, pae d'aquelle que vem, com justiça, posto 
na posse do throno. Filippe II baseava a sua pretensão em ser varão e superior 
na idade a Catharina. Mas, segundo a decisão dos doutores de Coimbra, devia-lhe 
esta Princeza ser anteposta, segundo as leis de Portugal, confirmadas por Inno- 
cencio IV, as quaes tornam as mulheres babeis para succederem na coroa n'este 
estado, e excluem, como já se disse, da successão as que se casam com Príncipes 
estrangeiros. Alem d'isto, devia Catharina sor preferida a Filippe, pelo beneficio 
da representação em primeiro grau, que, segundo o uso de Portugal, lhe dava a 
prerogativa de varão, sendo filha de Eduardo (?), pela qual representação excluia 
ella a Filippe, como descendente de uma mulher. 

«Foi sobre este fundamento, que nas primeiras conferencias que leve com 



' o auctor referc-se aos seus tratados com a Hollanda e com a Infçlaterra. 

' O supplicio do marquez de Villa Real, do duque do Caminha, etc. 

■' Do arcebispo do Braga a do inquisidor-raór. 

* Eis o que diz o artigo 6.** destas leis: «que a filha primogénita do Rei não tenha por marido 
scnào a um senhor portuguez, com o fim de que os Príncipes estrangeiros não venham a fazer-se senhores 
do reino. Se a filha do Rei desposar um Principe ou um senhor de uma nação estrangeira, não será 
eila reconhecida como Rainha, porque não queremos que nossos povos sejam obrigados a obedecer a um 
Rei que não houvesse nascido portuguez, pois foram nossos vassalios e nossos compatriotas, que, sem o 
soccorro de outrem, mas sim pelo seu valor, e á custa do seu sangue, nos tixeram Rei.» 



Í68 SI 

Filippe, pretendem que ella lhe dissera : «Se Eduardo, meu pae, fosse vivo, como 
entraria Vossa Magestade aqui?» E este Principe mudou de conversa. 

«Reina, pois, justamente, D. João ÍV em Portugal, não obstante a posse em 
que d'este paiz estiveram os Reis catholieos pelo espaço de sessenta annos. Se- 
gundo diz Caramuel, não ha prescripção para justificar a posse de um reino. Mas 
supponhamos que a prescripção fosse admittida, isto é, de cem annos, pelo menos* 
É o que o mesmo Caramuel resume das opiniões dos jurisconsultos. 

"Comtudo, qualquer que tivesse de ser a duração, não devia ella ser admit- 
tida em favor de Filippe IV, por isso que Filippe II, seu avô, não tendo querido 
que a causa fosse decidida juridicamente, este Principe, por conseguinte seus 
successores, se tinham conservado possuidores de má fé. Finalmente, a força das 
armas, pela qual o mesmo Filippe II se tinha apossado d'elle, tinha tornado a 
usurpação imprescriptivel, como a das outras cousas roubadas, segundo a lei de 
Justiniano, e a decisão dos mais celebres jurisconsultos. 

«Mas supponhamos, por um momento, que João IV não tenha no reino de 
Portugal um verdadeiro titulo de propriedade ; não se segue d'aqui que esteja 
privado do direito de embaixada; emquanto está em plena posse do reino exerce 
todas as funcções de soberano, e gosa livremente de todas as vantagens da sua 
posse. Póde-se responder a Filippe IV o que se conta ter Pio II respondido ao 
bispo de Marselha, embaixador de René d'Anjou, no tempo em que se tratava de 
dar a investidura do reino de Nápoles a Fernando, filho illegilimo de Aífonso: 

« — Voi havcte perso il regno, e starete senza, sin tanto eh' habbiate forze dis- 
cacciare il nemico.» 

(Perdestes o reino; ficareis sem reino até terdes força para expulsar d'elle 
ao inimigo.) 

«É assim que a pratica da santa sé, emquanto á recepção dos embaixado- 
res, tem sido ter somente attenção á posse actual. 

«Tira-se uma segunda prova do mesmo Pio II. Recebendo este Papa em 
Siena os embaixadores de Mathias, Rei da Hungria, respondeu aos queixumes 
dos do Imperador Frederico III, d'esta sorte : 

« — O soberano Pontifice declarou ser injusto o queixume; foi sempre cos- 
tume da santa sé chamar Rei áquelle que estava na posse do reino. 

«Achámos, finalmente, uma terceira prova, na resposta pela qual, segundo 
diz Baroino, o Papa Zacharias consentiu que Pepino, o Breve, fosse creado Rei 
de França. 

« — Vale mais — disse este Papa — que seja proclamado aquelle, no qual o 
poder soberano reside.» 

«Emquanto aos outros aggravos apresentados contra o Rei João, a saber: 
sua alliança com a Hollanda, a liberdade de consciência que dá aos seus vassaijos, 
o homicídio dos grandes do estado, e a prisão dos ecclesiasticos, esses aggravos 
caem por si mesmo. Onde se acha que a santa sé tenha recusado jamais receber 
os embaixadores dos Príncipes catholieos, por se terem alliado com Príncipes 
protestanlíís, por darem a seus vassallos a liberdade de consciência, por enviarem 
ao supplicio os grandes do estado, e para as prisões os ecclesiasticos armados 
contra seus dias? Os que imputam ao Rei João similhantes crimes, ignoram por- 
ventura, que uma chusma de ecclesiasticos foram mortos em Portugal por leves 
indícios, no tempo de Filippe II ; que o numero d'estas víctímas foi Ião grande, 
que o arcebispo de Lisboa, D. George de Almeida, fez conjurar o Tejo com as 



SI 269 

eeremonias ordenadas pela Egreja, com o íini de responder á afflicção dos pesca- 
dores, que se queixavam de estar excommungado este rio, não apanhando suas 
redes mais do que padres e frades em logar de peixes. 

«Os primeiros escriptos tendiam, não somente a fazer com que se recusasse 
o bispo de Lamego, como embaixador, mas até mesmo que fosse punido. Os 
outros tinham por alvo fazer com que fosse recebido não somente como embai- 
xador, mas ainda mais como enviado por um Principe zeloso para com a santa sé, 
e cujos antepassados tinham contribuído mais para a propagação da fé, do que 
todos os outros Príncipes da Europa juntos ^ Todavia, o ministro de França, 
que tinha já feito que o Papa consentisse na vinda do bispo de Lamego a Roma, 
nada esquecia para o mover a approvar n'elle a qualidade de embaixador. Porém, 
este Pontífice, dando umas vezes esperanças que havia de obter o que espe- 
rava, ou Iras represenlando-lhe as grandes difíiculdades que obstavam a que n'este 
ponto podesse satisfazer a Sua Magestade Christianissima, em conformidade com 
o desejo que elle, Pontífice, tinha, fazia ver claramente que estava temporisando 
para não irritar os hespanhoes, e para os não forçar a tomar resoluções prejudi- 
ciaes á corte de Roma, á dignidade da sé e á segurança da sua casa. 

«Emquanto aos portuguezes, para não parecerem que estavam a dormir, 
entraram armados na Galliza, onde saquearam e lançaram fogo a todos os logares 
adjacentes a Monterei ; e depois de terem destruído Valência de Revezo, voltaram 
para seus quartéis carregados de ricos despojos. No emtanto tinham-se publicado 
nas Províncias Unidas, a i3 de junho do mesmo anno, tréguas entre a coroa de 
Portugal e os hollandezes^. Por conseguinte, publicaram-se pelo tempo de que 
estamos falando, os artigos assentes entre uma e outra potencia para o commer- 
cio reciproco durante estas tréguas 3. 



«Emquanto estas tréguas se concluíam entre Portugal e as Províncias Unidas, 
a deputação da Catalunha, aferrada á sua primeira resolução, fazia uma doação 
solemne d'este Principado ao Rei Christíaníssímo, com prerogulivas que nunca 
tinham sido concedidas a nenhum Rei. 

«O embaixador de Portugal tinha concluído (15 de fevereiro de 1642), não 
sem bastante trabalho, um tratado relativo á boa correspondência entre as duas 
nações. Os artigos d'elle foram depois publicados com uma satisfação extraordi- 
nária da parte d'este mesmo embaixador, por causa das vantagens que elle trazia 
para seu amo 4. 

«Quasí pelo mesmo tempo tinham os portuguezes feito uma irrupção na 
Extremadura e na Galliza, onde saquearam e reduziram a cinzas alguns logares 
abertos, de pouca importância, na verdade, mas cuja ruína fazia ver a fraqueza 
das forças de Hespanha n'estas fronteiras. Tinham feito uma irrupção mais peri- 
gosa para a mesma Hespanha, na velha Castella, onde se tinham apossado de 



' Por causa dos seus estabelecimentos nas índias orientaes e occidentaes, bem como na Africa. 
* Mercure historique, vol. iv, pag. 328. 

' Vittorio Siri apresenta n'este logar (de pag. 329 a 335) o referido tratado, que nâo transcrevo 
por causa da brevidade. 

' Siri Iraz os principaes artigos d' este tratado. Vol. ti, pag. 67 a 71. 



270 SI 

Valverde e de S. Martinho, perto de Cidade Rodrigo, bem como da commenda 
do duque Dória*. 

«Para cobrir a fronteira de Portugal, resolveu o Rei, apesar dos nmrmurios 
de toda a Hespantia, declarar D. João Áustria seu lilho, com vistas de se servir 
d'elle de generalissimo do exercito, a quem tinha tenção de mandar para aquelle 
paiz. Deu-lhe um conselho de gueira para o coadjuvar, e para governador o 
marque/ de Castagneda, a quem significou sua resolução pela carta seguinte: 

«Marquez de Castagneda, meu parente, membro do meu conselho d'estadO; 
gentil homem da minha camará e mordomo da Rainha, minha esposa, resolvi 
enviar D. João de Áustria (a quem declarei meu filho, como sabereis), á guerra 
de Portugal, para n'aquelle paiz commandar o exercito, assim como o soccorro 
dos portos de Andaluzia. £ como desejo que se governe no seu emprego como 
convém, e que tudo esteja em ordem na sua casa, foi do meu agrado, tomando 
em conta a satisfação particular que de vós tenho, nomear-vos seu governador, 
e superintendente da sua casa. Recommendo-vos inteiramente a gerência da sua 
direcção, querendo que tudo passe por vossas mãos. Espero que, em atténção ao 
zelo e solicitude de que sempre tendes dado provas, n'aquillo que mais convi- 
nha ao meu serviço, que achareis n'esta occasião motivos novos, particulares e 
numerosos, para accrescentardes em mim a lembrança de vossos serviços. E com 
o fim de conhecerdes tudo quanto foi disposto para a ordem da sua casa, e a 
maneira como deve ser administrada, entregam-vos da minha parte duas instruc- 
ções a tal respeito,, assim como a copia de uma terceira, que lhe foi dada acerca 
de alguns pontos essenciaes, dos quaes era mister que elle fosse instruido. Dar- 
vos-hão ainda uma quarta sobre aquillo que nos pareceu dever- vos informar. 
Por meio d'estas instrucções e de vossos cuidados, couíio na Magestade divina 
que ella vos ha de ajudar a ganhar para nós centenas e centenas de prosperidades. 

«Aranjuez, 5 de março de 1642.» 

«D. João de Áustria contava então treze annos de idade. Tinha um caracter 
admirável e uma belleza rara. Emquanto ás graças parecia -se com o Rei, seu 
pae. Diíferençava-se d*elle na tez, porque a sua atirava para o moreno, tendo os 
cabellos pretos no extremo. Tinha uma aptidão prodigiosa para as sciencias, 
sabendo perfeitamente as linguas latina, franceza e hespanhola. Era tão versado 
nas malhematicas, .que o padre Ricardi, jesuita, encarregado da sua educação, 
confessava ingenuamente que não sabia mais para lhe ensinar. Tinha nascido de 
uma cómica, cognominada La Calderona, de uma belleza medíocre, mas cheia de 
graças. 

«Esta mulher, depois de ler parido, pediu ao Rei a mercê de se retirar para 
um convento, onde vivia ainda, fazendo, debaixo de secular, uma vida exem- 
plar. Seu filho, depois de ter sido reconhecido pelo Rei, foi beijar as mãos á 
Rainha e ao Príncipe das Astúrias. A Rainha recebeu-o com indifl'erença. O 
Príncipe disse-lhe, dando-lhe o tratamento de «vós», que muito o havia de amar 
se servisse bem ao Rei seu pae. Amava-o este monarcha com ternura, por causa 
das suas grandes virtudes e habilidade. Proveu-o no grão priorado de Castella, e 



' Siri, Mereurt historique, vol. vi, pag. 175. 



SI 2» 

lhe adjudicou todos os rendimentos d'elle desde a morte do Príncipe Filisberto 
até então. Honrou-o depois com o emprego de generalíssimo de Porlngal, tanto 
por mar como por terra, com ordem de ir fazer sua residência em Zafra, iogar 
vizinho de Castello Rodrigo, na Extremadura. 

«O favor concedido a D. João fez com que murmurassem todos os vassallos 
do Pei, mesmo os mais moderados. Cada um estava surprehendido, e se queixava 
de que dessem uru melhor tratamento ao bastardo, do que ao filho legitimo ^ 

«O Rei, depois de se ter entregado ao divertimento da caça e ao da comedia 
em Arganda, dirigiu-se na segunda feira para Loecties, a umas quatro léguas de 
Madrid, onde a Rainha, curada da sua indisposição, veiu cora o Príncipe das 
Astúrias e o conde duquevel*o2. Na sexta feira transportou-se a Aranjuez, onde 
foi visitado pela infanta Margarida de Saboya, que tinha chegado de Merida a 
Ocafla, logar que lhe tinha sido assígnado para sua residência, cujo ar é bom e 
está distante uma légua de Aranjuez. Beijou ella as mãos a este monarcha, por 
quem foi recebida favoravelmente ; e depois de ter tido com ella uma conversa 
secreta de duas horas, despediu-se d'elle e retirou-se para Ocafia. Desde a sua 
expulsão de Portugal, tinha ella sempre feito, por ordem do Rei, sua residência 
em Merida, na Extremadura, onde desde começo gosou de má saúde, recebendo, 
alem d'isso, da corte, tão pequeno soccorro de dinheiro, que seus creados diziam 
(para me servir dos termos d'elles), que tinha ella sido melhor tratada pelo 
tyranno de Portugal, do que pelo Rei de Hespanha. Por sete mezes não teve 
carruagem, e até mesmo quasi lhe faltavam as cousas de primeira necessidade. 
Por este motivo enviou á corte o conde Bainetti. seu mordomo, para representar 
suas necessidades e pedir 80:000 escudos, que se lhe deviam dos rendimentos que 
lhe haviam sido assignados. No fim de cinco mezes com difficuldade obteve para 
ella a residência de Ocafia, alguns ténues rendimentos e uma modesta equipagem. 

«Ao Papa davam os maiores cuidados os movimentos dos hespanhoes em 
aquelle tempo, do lado do reino de Nápoles, nos confins dos Estados da Egreja. 
Estes movimentos eram oecasionados pela aventura escandalosa, succedida em 
Roma entre o embaixador do Rei Catholico, o marquez de Los Veles e o bispo 
de Lamego. Convém que eu faça a relação, indo buscar as cousas no seu começo, 
relação muito mais diCQcíl do que a de uma acção militar, por mais embaraçada 
que seja, tendo em vista as asserções apaixonadas dos dois partidos, eivadas de 
diversas circumstancias opposlas entre si. O bispo de Lamego, tendo cada vez 
menos esperanças de vir a ser recebido pelo Papa, como embaixador do Rei de 
Portugal, por causa das difíiculdades insuperáveis que achava na sua negociação, 
determinou-se a sair da casa onde estava alojado, para ir informar os cardeaes 
da justiça do seu pedido, com o fim de preparar os espíritos d'elles para a sua 
recepção. Visitou em primeiro logar o cardeal Lanti, deão do sacro collegío. Mas 
o marquez de Los Veles, que velava attentamente sobre todos os seus passos, 
pediu com as maiores instancias ao cardeal Francisco que não consentisse que 
este prelado fosse a Roma com a pompa de ministro de um Rei, porque isso 
havia de dar causa a escândalos capazes de perturbarem o repouso de Sua San- 
tidade, e tanto mais quanto parecia que a pessoa d'esle mesmo prelado de modo 



' Mercure historique, vol. vi, pag. 185. 
» ibid.,vol. rm, pag.263. 



Í7Í SI 

nenhum era necessária,, trabalhando o inquisidor, Pantaleão Rodriguez Pacheco, 
na negociação da qual o bispo queria ir tratar. 

«O eífeito do pedido do embaixador do Rei Catholico, foi, que a congregação 
que tinha a cargo os negócios de Portugal, julgando que não convinha impedir 
o^bispo de Lamego de ir a Roma, lhe prescreveu o cortejo que devia ter, e lhe 
ordenou que conservasse abaixados os stores da sua carruagem. 

«Foi assim que no dia de S. Bernardo (20 de agosto), .se dirigiu ao palácio 
do duque de Geri na Fonte deTrevi, onde residia o marquez de Fontaine-Mareuil, 
embaixador de França. Chegou alli precisamente ao tempo em que o embaixador 
de Hespanha, (endo ido a casa do cardeal Roma para o visitar, foi, na descida da 
sua carruagem, advertido que o bispo de Lamego se achava em casa do embai- 
xador do Rei de França. Combinou immediatamente com o seu mordomo acerca 
do que se deveria fazer. Foi que se mandasse vir, do palácio de s. ex.», uma car- 
roça com quantidade de pistolas, que se distribuiriam pelos seus creados. O em- 
baixador de Hespanha, tendo entrado na sua carruagem, fez-se levar pelo caminho 
mais curto á igreja de S. Bernardo, perto da fonte de Termini, com ordem que, 
no caso de se encontrar com o bispo de Lamego, tendo os stores da carruagem 
abaixados, o deixassem passar, mas que no caso de os levar levantados, e de não 
parar, cortassem as pernas aos cavallos. Tinha o mesmo embaixador por costume 
levar comsigo alguns soldados disfarçados com a libré dos seus creados, para se 
servir d'elles no caso de um tal encontro. 

«As pessoas da comitiva do bispo de Lamego tinham n'este meio tempo 
observado um hespanhol a passear na praça Navona, e d'Í8So tinham avisado 
seu amo, que mandou que o espiassem. Tendo-o o espião seguido com destreza, 
assegurou que tinham carregado de armas de fogo, no palácio do embaixador de 
Hespanha, a carrugem de que já se fallou. 

«No mesmo tempo em que taes cousas se passavam, negociava o inquisidor 
Pantaleão com o cardeal Francisco, que tendo-lhe por acaso perguntado como 
passava o bispo de Lamego, receheu em resposta que passava bem para o serviço 
de sua eminçneia, e que estava prestes a ir visitar o embaixador de França, no 
tempo em que este tinha saído da sua casa para ir a Monlecavallo fazer a reve- 
rencia a sua eminência. 

«A esta noticia mandou o cardeal Francisco chamar o cardeal Bichi, que 
estava na sua ante-camara, fallou-lhe á parte e enviou ao cardeal António, seu 
irmão, com o fim de que sem tardança desse ordem a uma força de soldados, 
que elle commandava, para que prevenissem as desordens que poderiam occorrer 
entre o embaixador do Rei Catholico e o bispo de Lamego. Tendo ao mesmo 
tempo despedido o inquisidor, pediu-lhe que fosse ter com este prelado para o 
obrigar a retirar-se para sua casa antes do fim do dia, para se evitarem os incon- 
venientes ainda maiores que poderiam dar-se com facilidade no meio da obscu- 
ridade da noite. 

«O cardeal Bichi achou que o cardeal António tinha ido para a caça. Por 
conseguinte ordenou o cardeal Francisco a Fachinelti que fosse á pressa fazer 
tudo quanto lhe fosse possível para reter o embaixador de ílespanha, com o fim 
de obstar a que se encontrasse com o bispo de Lamego. E.sta ordem deu resultados 
perniciosos. Tendo Fachinelti retido por algum tempo o embaixador, foi isto a 
causa de se encontrar com este prelado, o que não teria acontecido se houvesse 
continuado o seu caminho. Pelo que toca a este mesmo prelado, cedendo ás per- 



SI *" 

suações do inquisidor, tinh.a já saído do rez-do-chão do palácio do embaixador 
de França (^ entrado no pateo, para tornar a entrar na carruagem e voltar 
prompta e tranquillamente para sua casa, quando o embaixador, receiando da 
parte do de Hespanha alguma violência ainda maior que a que tinha receiado a 
principio, entrou na sua casa com o bispo de Lamego para examinar os meios 
mais seguros que se deviam empregar n'uma tal occasião. Achando-se então de 
parecer diíTerente d'aquelle que tivera antes, mandou a todos aquelles que se 
'achavam presentes que se armassem o melhor que podessem para proteger o 
caminho do bispo. Este deu também ordem, a um dos seus gentis homens, de se 
dirigir n'uma carruagem ao seu palácio na praça Navona, para trazer quantidade 
de carabinas, e fazer com que todos os portuguezes viessem promptamente em 
seu soccorro, não querendo, por causa de sua própria reputação, conservar-se 
fora da sua casa sem uma ordem expressa do Papa. 

«Em execução d'aquellas que já tinham sido dadas, havia em todas as ruas 
de Roma um tumulto surdo, precursor de algum prompto e trágico acontecimento. 
Os portuguezes e os catalães corriam em chusma ao palácio do embaixador de 
França, o que fez com que Spada, governador da cidade, mandasse o prevoste 
com os esbirros para aquelle lado. 

«Começava a noite já, quando o embaixador, tendo na sua carruagem o in- 
quisidor e alguns de seus gentis-homens, se dirigia para a sua residência pelo 
caminho ordinário. Adiante da carruagem caminhava De Lusarts, primeiro creado 
da camará do embaixador de França, á frente de grande numero de francezes, 
de portuguezes e de catalães. Tendo chegado ao principio da rua que, da de 
Santa Maria in via, entre o palácio da condessa de Spada e o dos Veraldis, dá 
uma volta, avistaram no meio o embaixador de Hespanha. Este, advertido da 
resolução com a qual as pessoas do bispo vinham para elle, tendo suas armas 
descobertas, e vendo que lhe era impossível evitar seu encontro, disse: «Não ha 
meio de o evitar». 

«Ao mesmo tempo os castelhanos gritando: «Páral» e os francezes respon- 
dendo: «Pára tu primeiro!», dispararam de um lado e do outro vários tiros de 
arcabuz e de pistola, sem que jamais se podesse saber de qual dos dois lados 
tinham disparado primeiro, accusando cada um o partido contrario. O cocheiro 
do embaixador de Hespanha correu de modo tal, a toda a brida, que íazendo-se 
matar, salvou a vida a seu.amo, ao marquez de Taxis, a seus filhos e a D. Alonso 
Verdugo, sobrinho do cardeal Albornoz, que se achavam todos na mesma car- 
ruagem, e que se retiraram para o palácio d'esse mesmo, cardeal. 

«Do lado dos hespanhoes avançaram ousadamente D. Diego de Vargoz e 
outros dois, sem poderem chegar á carruagem do bispo de Lamego, detido em 
frente da porta do palácio de M. Dunazetto, e da do palácio do cavalheiro Serra, 
onde se salvou. 

«Entre os france^íes, um pagem do embaixador de Malta, tendo-se adiantado 
até á carruagem do de Hespanha, n'aquelle sitio recebeu um golpe mortal, que 
lhe tirou a vida dentro de poucas horas. Um cocheiro do embaixador de França 
e dois ereados de pé foram também mortos, o primeiro com uma cutilada de 
uma espada e os outros dois a tiro de espingarda. A perda dos mortos teria sido 
maior, sem duvida, se dois ereados de pé, portuguezes, com a espada na mão, 
não tivessem feito rosto á impetuosidade dos hespanhoes, tanto D. Diogo e um 
chamado Assencio, creado da camará do embaixador de Hespanha, e ferindo em 

i8 



274 SI 

vários logares um siciliano, que morreu pouco depois. Crêem alguns ainda iioje 
que houve um maior numero de mortos do lado dos hespanhoes que do dos fran- 
eezes; mas o processo instaurado por ordem do Papa não faz menção de outros 
que não sejam os já mencionados. É verdade que liouve grande numero de 
feridos, entre os quaes o mordomo do embaixador de Hespanha teve a mão 
direita mutilada. Os esbirros, pessoas naturalmente vis e cobardes, ainda que em 
numero de mais de cem, julgaram prudente não se envolverem na separação dos 
combatentes. 

«Todos os vassallos e partidários da coroa de Hespanha, que se achavam em 
Roma, se dirigiram ao palácio do embaixador. A cólera que os inílammava, 
fazendo receiai- desordens maiores que as que vinham de acontecer, fez sair 
o cardeal António, acompanhado de vários soldados, para interromper o curso 
d'ellas. Postou duas companhias de infanteria e cincoenta cavallos em frente do 
palácio do mesmo arcebispo, com ordem de não deixarem sair ninguém. Postou 
o mesmo numero de tropas em Saint André des Hazes, para impedir que as duas 
nações inimigas se aggredissem, assim como na praça Navona, para guardar o 
bispo de Lamego. Mandou ao mesmo tempo fechar as portas de Montecavallo, e 
armar com espingardas os guardas suissos, encarregando as patrulhas de percor- 
rem toda a noite as ruas mais suspeitas. Fez depois ronda durante algumas horas 
com um zelo infatigável, e sem procurar proteger a sua vida. Pozeram também 
guardas na chancellaria e no palácio do Príncipe perfeito. N'uma tão grande 
perturbação, o cardeal Francisco, seu sobrinho, procurou serenar os espíritos dos 
dois partidos, mandando testemunhas ao embaixador de Hespanha, porquanto 
estava penalisado pelo que acabava de succeder, e pediu- lhe que largasse as 
armas, servindo as do Papa, para defender tanto uns como os outros. 

«Porém este embaixador, que pretendia ter a rasão do seu lado, queixava-se 
de que s. ex.* se não informara bem, e disse que havia de desarmar por não 
querer combater contra o Papa. 

«O embaixador de Frarjça foi ao palácio para dar conta a Sua Santidade e 
ao cardeal Francisco do que se tinha passado, queixar-se da violência intentada 
pelo de Hespanha contra a pessoa sagrada de um bispo e do representante de 
uma coroa, e implorar a justiça de Sua Santidade. 

«O embaixador de Hespanha, pela sua parte, fazia instancias as mais vivas 
junto do Papa, para a reparação da oífensa feita á coroa na sua pessoa, por 
meio de um castigo proporcionado á falta pretendida do bispo de Lamego. E 
como nada mais se fazia do que entretel-o com bellas palavras, deliberou, com 
os cardeaes da nação, a respeito da resolução mais conveniente que se devia 
tomar. Aconselharam -lhe estes que saísse do Estado da Egreja, não se podendo 
por mais tempo conservar tranquillamente na corte de Roma sem ter recebido as 
satisfacções convenientes, e havendo sua paciência sido provocada até o ponto 
em que era difiBcil que elle se conservasse nos limites da moderação, e sem faltar 
ao respeito devido á santa sé. 

«Em conformidade com este conselho, mandou preparar suas equipagens na 
resolução de partir no domingo seguinte, como o linha declarado ao Papa. Mas 
differiu ainda dois dias, porque a congregação do estado, tendo-se reunido, os 
cardeaes Roma e Sacchetti se dirigiram a casa d'elle em nome do Papa, para lhe 
testemunharem o extremo desgosto que a Sua Santidade causava a noticia da 
8ua partida, e para de novo lhe assegurarem que ella estava vivamente sensibiii- 



SI "5 

sada com o que Jhe Mnha acontecido e declararem- lhe que desejava que adiasse 
por algum tempo sua partida, com o fim de regular as satisfações que lhe deviam 
ser dadas no fim do processo. 

«O embaixador respondeu; 

<<— Eslou mui sensibilisado pela honra que Sua Santidade e a Congregação 
me fazem. A aífronta que recebi foi publica, e houve tempo de dar Sua Santidade 
as instrueções necessárias para as resoluções que pensam em tomar. Não me 
deram, no emtanto, o minimo signal de que me quizessem dar satisfações, como 
a gravidade do caso exigia ; embora de nada me tivesse esquecido para evitar 
todas as oceasiôes de perturbar o repouso de Sua Santidade, como assas o tes- 
temunham os protestos reiterados que eu tinha feito ao cardeal Francisco, com 
o (ifn de que elle considerasse os inconvenientes inevitáveis que nasceriam, se 
nâo se fosse á mão ao bispo de Lamego, para nAo apparecer em Roma com a 
comitiva de um embaixador, ou se não se regulava a maneira como elle devia 
alli apparecer; e embora houvesse eu procurado moderar o fogo da nação e 
calmar o resentimento de meu amo. O receio de não poder obter a satisfação 
que me era devida, as delongas que n'isso se intrometteram, o castigo dos trai- 
dores, castigo que eu teria na mão se Sua Santidade quizesse separar suas armas 
das d'elles, me obrigam a sair de Roma, sem me despedir de Sua Santidade, para 
não augmentar n'ella seu pezar, fazendo-lhe a narração de tudo que é conhe- 
cido na cidade, o que me causa uma dôr extrema. Mas creio ser um menor in- 
conveniente que eu soífra esta dôr, do que occasional-a a Sua Santidade.») 

<'Foi com esta resposta que os dois cardeaes se despediram do embaixador, 
dizendo-lhe que esperavam daria elle a Sua Santidade a consolação que elle lhe 
pedia. Foi esta a rasão por que ainda se demorou dois dias, com o fim de esperar a 
satisfação que pretendia ser-lhe devida; mas não vendo esperança alguma de a 
obter, escreveu a esses mesmos cardeaes «que o serem elles enviados a elle tinha 
feito com que fosse retido todo aquelle tempo, inutilmente». 

«Os cardeaes da nação, tendo pesado maduramente todas estas considerações 
e as palavras que dirigia ao embaixador em differentes occasiões o cardeal Roma 
era nome do Papa (27 de agosto), resolveram que adiasse sua viagem até quarta 
feira A tarde ; que pediria antes audiência a Sua Santidade, para a manhã do 
mesmo dia, e o advertiria que se antes de receber esta audiência não tivesse 
recebido a satisfação que lhe era devida, expor-lhe-hia francamente os motivos 
do seu desgosto, e que se tivesse recebido essa satisfação, a audiência serviria 
para lhe dar os agradecimentos. 

«Em conformidade com o que tinha sido resolvido, escreveu ao cardeal 
Roma uma carta, na qual o advertia de duas cousas : uma, que não adiassem por 
mais tempo o dar-lhe audiência, attendendo ao aggravo que recebia sua reputa- 
ção com uma residência mais longa ; a outra, que no caso de lhe não darem as 
satisfações que pedia. Sua Santidade não o obrigasse a adiar sua jornada uma 
hora sequer, para o não obrigarem, ao mesmo tempo, a uma recusa forçada, con- 
traria á satisfação que tinha sempre experimentado em lhe comprazer em tudo. 

«Pediu-lhe o cardeal Roma que não solicitasse audiência para quarta feira, 
porque Sua Santidade tinha indicado para aquelle dia a Congregação do Estado, 
mas para o dia seguinte. Consentiu n'isso o embaixador, sem repugnância. 

«Tendo-se, por fim, reunido a Congregação (a 28), na qual foi lido o resul- 



276 SI 

tado (lo processo relativo ao caso occorrido entre eile e o^Jjispo de Lamego, 
lavraram n'ella o decreto seguinte : 

«Que se diga ao embaixador que é necessário acabar de proceder a infor- 
mações, por isso que Sua Santidade crê dever fazer subir queixas ás duas coroas 
da oífensa feita ao governo e ao lepouso publico, tanto por causa de um como 
de outro embaixador, cujas pessoas Sua Santidade ama e estima; e embora a do 
bispo esteja sujeita a Sua Santidade, por causa de seu caracter, não se pôde, 
comtudo, tomar uma resolução final, sem o processo estar concluso e o bispo 
ser ouvido.» 

«Tendo este decreto sido examinado, em serias deliberações, pelo embaixa- 
dor de Hespanha, pelos cardeaes da nação e pelo embaixador do Imperador, o 
qual, em conformidade com as ordens de seu amo, assistia cuidadosamente a 
todas as deliberações dos primeiros, resolveu-se n'ellas que s. ex.» escreveria ao 
cardeal Roma a carta seguinte : 

«Depois de me ter despedido, amanhã pela manhã, de Sua Santidade, resolvi 
partir de tarde para Tivoli ; e como o meu desejo tem sido em todos os tempos 
ver Roma tranquilla, em attenção ao respeito que devo a Sua Santidade, julguei 
a propósito advertir vossa eminência de que farei pela minha parte todo o pos- 
sível com o fim de que n'este ultimo momento nenhum dos meus creados dê a 
menor sombra de inquietação. Hão de levar pistolas de arção, carabinas e arca- 
buzes compridos, dos quaes se servem em campanha. Ficarei em muitas obriga- 
ções a vossa eminência se tiver a bondade de o participar assim a Sua Santidade 
e ao cardeal Francisco, com o fim de que este ultimo disponha, pela sua parte, 
dos meios convenientes para que tudo se passe tranquillamenle, e não haja en- 
gano igual ao de domingo á tarde, como eu espei'0 da intenção pura de Sua 
Santidade. — Sou, de vossa eminência, etc. — Minha casa, hoje, quarta feira, 27 
de agosto de 1642.» 

«O engano de domingo á tarde, de que se falia aqui, foi que na hora em que 
o embaixador tinha resolvido partir, achando-se na praça uma grande chusma 
de gente, bem como as carruagens de campo do embaixador do Imperador, para 
o acompanhar, veiu do palácio pontifício uma ordem aos soldados para irem 
immediatamente fazer retirar as chusmas de todas as avenidas, o que foi exe- 
cutado com tanta confusão, que houve tumultos geraes por toda a cidade; e, 
se o embaixador não tivesse ordenado aos da sua comitiva, que se retirassem 
para casa d'elle, teria havido um escândalo e uma desgraça ainda maior do que 
a que linha já occorrido. 

«A satisfação, que recebeu o embaixador n'e8ta occasião, foi mandarem-lhe 
dizer que tinha aquillo sido um engano dos empregados, que, não recebendo a 
virtude da sensatez d'aquelles de quem recebiam a ordem, tinham occasionado 
este tumulto, com grande pezar de seus amos. 

«Respondeu o embaixador a esta satisfação: «Que tinha o maior desgosto 
ao ver que em um assumpto tão perigoso se não procedesse com a applicação, 
que era mister, para afugentar os inconvenientes.» 

«Decidiu-se, por fim, que se dirigiria á audiência do Papa, na quinta feira, 
que lhe marcasse o mais breve que sua mortificação o permittisse, e partiria na 
tarde dVsse mesmo dia ; que os cardeaes da nação se retirariam para Frascati. 



SI 277 

Na hora combinada, foi beijar os pés a Sua Santidade, á qual testemunhou 
«quanto se sentia feliz por poder render-lhe este acto de respeito, e quão grande 
desgosto tinha em lhe terem dado um praso tão curto para se afastar de Sua 
Santidade». Narrou-lhe em poucas palavras o que se tinha passado «e a parte 
que n'isso tinham tomado os seus sobrinhos, a saber, o cardeal Francisco, pelas 
ordens que tinha dado, e o cardeal António, sustentando a animosidade do bispo 
de Lamego com o conselho, armas e soldados ; que, por conseguinte, para desviar 
de Sua Santidade todas as occasiôes de perturbações, respeitando-a até ao ponto 
que ella mesma podia conjecturar, pela maneira como elle tinha vivido em Roma, 
tomava a resolução de sair d'esta capital sem se despedir d'ella, com grande 
pezar seu. Se sua questão tão somente tivesse sido com os rebeldes, de nenhum 
modo se teria desviado, porque seu amo tinha alli vassallos e partidários em 
grande numero para reprimir seu orgulho e sua insolência, e para fazer observar 
o respeito devido a seus ministros e a seus embaixadores ; mas que, vendo por 
provas tão evidentes, o poder e as forças de Sua Santidade sustentarem o partido 
dos rebeldes, violar-se o direito das gentes e os privilégios dos embaixadores, 
tinha resolvido, para não faltar ao respeito que lhe devia, evitar as occasiões, 
afastando-se e dando parte ao Rei, seu amo. 

"O Papa respondeu-lhe mui friamente «que até áquelle tempo não lhe tinha 
o processo dado a conhecer quaes eram os culpados, se os de dentro, se os de 
fora, e que a seu tempo faria as declarações convenientes.» 

«Deixou, pois, o embaixador, na tarde d'esse mesmo dia, sua residência de 
Roma. Dirigiu-se para Aquila, cheio de resentimento, por se mostrarem os barbe- 
rinos, abertamente, partidários da França; e lastimando-se de que, na sua ma- 
neira de examinar as testemunhas e de instaurar o processo, usavam de todos os 
subterfúgios possíveis para disfarçarem a verdade do succedido. 

«Os cardeaes hespanhoes e os outros prelados dedicados á coroa, saíram 
immediatamente de Roma. Poucos dias depois, um grande ruido de armas se fez 
sentir nas immediações do estado da Egreja, não sem dar muito que receiar em 
Roma, que o vice-rei de Nápoles, tomando parte na questão do embaixador, não 
desse ajuda ao seu resentimento e á sua vingança ; alem do que, este movimento 
favoreceu muito os projectos audazes do duque de Parma. 

« Achando-se, pois, o processo concluso, o bispo de Lamego foi declarado 
ter incorrido em irregularidade, e ter-se tornado criminoso de lesa magestade. 
Prohibiram-lhe o aceesso junto do Papa, dos cardeaes e dos prelados, para o 
obrigarem depois, como assim se fez, a sair de Roma. 

«Acerca d'esta questão relativa á recepção em Roma do bispo de Lamego 
como embaixador, uma congregação particular de cardeaes, tendo examinado 
com a maior exactidão, e em conformidade com as rasões canomicas e politicas *, 
a resolução mais conveniente que o Papa devia tomar, e depois de diversas con- 
testações, foi esta mesma congregação de parecer que o bispo de Lamego fosse 
recebido como embaixador, comtudo, com a reserva ordinária, sem prejuízo dos 
direitos de outrem ; o Papa quiz, antes de dar um passo de tal importância, por 
meio do seu núncio em Madrid, sondar os sentimentos de Sua Magestade Catho- 
lica. Tendo, portanto, o núncio sido admittido ao conselho de estado, disse : 



Vittorio Sori, Mercure historique, vol. ix, pag. 351. 



Í78 SI 

«—O Papa, como vigário de Jesus Ghrislo, está na obrigação inseparável do 
legar que occupa, de manter por todos os meios possíveis a pureza da fé Calho- 
liça, cujo primeiro fundamento é a obediência que os Principes em nome d'elles 
e em nome de seus povos, juram publicamente á santa sé de Roma. Os actos de 
peccado, e a f é habitual, sendo compatíveis n um mesmo individuo, pôde o Papa 
e deve receber, mesmo de um ladrão e de um perjuro, uma promessa authentica 
de que se hão de manter firmes na fé Catholica. Por conseguinte, embora se 
supponha o duque de Bragança criminoso de roubo, como usurpador do reino de 
Portugal, e perjuro, como violador da fidelidade que tinha jurado a Fílippe IV, 
Rei de Hespanha, o vigário pleno de Jesus Christo nem por isso deixa de estar 
obrigado a aeceitar o juramento solemne que o bispo de Lamego deve prestar a 
seus pés em nome d'esse mesmo duque, como de um filho verdadeiro e fiel da 
santa sé. 

«O conselho respondeu; 

"—Pelo que diz respeito ás acções particulares do duque de Bragança, e 
mormente ás que pertencem ás decisões da Egreja, pôde o Papa e deve escutar 
e receber esse duque, mas não o juramento solemne que o bispo de Lamego 
oífereee de prestar em seu nome. A rasão d'isto é que, não havendo senão os 
Príncipes legítimos que estejam no uso de prestar á santa sé, por meio de embai- 
xadores públicos, a obediência que lhe é devida, e tendo essa obediência sido já 
prestada por Fílippe IV, como Rei legítimo de Portugal, não se pôde receber na 
forma sobredita a do duque de Bragança, sem que se supponha que o mesmo 
Fílippe já não está de posse d'esse reino, e que essa posse passou para o mesmo 
duque. O parecer dos jurisconsultos é que o roubo de uma coisa não tira a posse 
ao legitimo dono, porque se não ha essa posse actual, não deixa elle de a con- 
servar na alma, em virtude da qual posse todos os contratos que o ladrão faz 
relativos a esta mesma cousa, são sempre nuUos, por causa da falta de posse 
legitima. O duque de Bragança, não tendo, pois, a legitima posse do reino de 
Portugal, não pôde, legitimamente, fazer alguma acção que a supponha. 

« — Pôde-se entender de duas maneiras o estar uma pessoa senhora de um 
objecto; a primeira, em virtude de posse; e a segunda, em virtude de retenção. 
Suppondo que o duque de Bragança não seja o possuidor legitimo de Portugal, 
mas que o Rei Catholico conserva aposse d'elle na alma, como verdadeiro senhor, 
náo se pôde, comtudo, negar que o duque não o retenha na actualidade. Por 
causa, pois, d'esta retenção, deve o .Papa, não somente receber a dedicação do 
duque de Bragança para com a santa sé, mas conserval-a n'elle, com o fim de 
que durante esta retenção se não perca o respeito ao vigário de Jesus Christo, e 
que um reino inteiro não corra risca de vaeillar na fé. 

O conselho : 

«— Não passa isto de especulações metaphysicas, antes do que de rasões 
solidas baseadas em leis. Sendo a retenção injusta não pôde servir de fundamento 
para nenhum acto de justiça, tanto mais (jue, prestando obediência a Sua Santi- 
dade, na forma ordinária aos Principes legítimos, lem o duque de Bragança em 
mira fazer passar na idéa de lodos os outros, por justa, uma posse de um remo 
tão injustamente usurpado. As acções publicas dos Papas são julgadas pelo com- 
mum dos fieis, não somente authenticas, mas feitas para servirem de exemplo. 
Que Sua Santidade, pois, se acautele em não auctorisar por uma tal acção uma 
injustiça, e em não estabelecer, para exemplo das virtudes chrislãs, a revolta. 



SI «'9 

O nttncio : 

«—As santas intenções do Papa e as eircumstancias mesmo do facto, não 
poderiam dar occasião a temer taes inconvenientes. Em primeiro logar, porque a 
clausula «sem prejuízo da parte contraria», deixa ao Rei CathoJico todos os meios 
para fazer valer suas rasCes. Em segundo logar, porque Sua Santidade está 
prompta a receber de novo a obediência do mesmo Rei Cathoiico como Rei de 
Portugal, com o fim de que o mundo conheça que sua intenção é edificar o espi- 
ritual e não destruir o temporal. 

O conselho: 

«— O Papa deve edificar ao mesmo tempo o espiritual e o temporal, man- 
tendo ao legitimo senhor o seu reino. Sua Santidade, sabendo que ha no reino de 
l^ortugal três sortes de pessoas, as primeiras rebeldes, as segundas suspeitas e as 
terceiras fieis, as quaes passaram para a corte do Rei Cathoiico, pôde perder a 
todas, acceitando por embaixador do Rei de Portugal o bispo de Lamego. A 
rasão d'isto é porque esta acção, da sua parte, vae confirmar as pessoas rebeldes 
na sua revolta (crendo firmemente terem um Rei legitimo, por isso que o vigário 
de Jesus Gtiristo o haverá declarado por um acto pubhco); fazer encaminhar 
aquellas que vacillam, quaes são as consciências timoratas e piedosas, para o 
partido dos rebeldes, pela única rasão de que aquelle que é approvado pelo Papa 
não deve ser recusado pelo bom christão; e, finalmente, impellir a alguma estra- 
nha resolução aquellas que, havendo-se mantido fieis ao Rei Cathoiico, passaram 
para a sua corte ; e que, alem do amor da pátria e de algum incitamento, serão 
excitados por uma rasão tão apparente como a que se acaba de dizer. Se, pois, 
o Papa vier a reconhecer por embaixador do Rei de Portugal ao bispo de La- 
mego, tira elle, tanto quanto está na sua mão, ao Rei Cathoiico, o meio de 
recuperar este reino. Para evitar este tão grande mal, é do seu dever empregar 
a exrommunhão contra o duque de Bragança ; excommunhão que fará entrar os 
rebeldes no seu dever, tranquillisará os timidos e confirmará ainda mais aquellas 
que forem fieis em renderem obediência de bons vassallos a seu Rei verdadeiro. 
D'esta maneira o Papa, como bom pae de todos os crentes, obstará á eífusão do 
sangue christão e á ruina das províncias e dos reinos. 

O núncio: 

« — A excommunhão, no caso presente, causaria um prejuízo essencial ao 
Papa e ao Rei Cathoiico. Ao Papa, pelo risco evidentíssimo de que suas censuras 
não fossem temidas, e que até mesmo fossem desprezadas. Ou o duque de Bra- 
gança julga ser um Rei legitimo, ou um usurpador. Se julga ser um Rei legitimo, 
não teme a excommunhão conjo sendo fulminada contra o que elle julga ser justo. 
Se elle crê ser usurpador, também a excommunhão não terá maior effeito, pois 
não o obrigará ella a renunciar a um reino, cuja usurpação elle bem soube que 
lhe havia de custar a vida e a ruina da sua casa. A excommunhão não causaria 
menor prejuízo ao Rei Cathoiico, porque se o duque de Bragança e o reino de 
Portugal caíssem na profanação, como é provável que isto aconteceria pela ex- 
communhão, succederia lambem, como por uma consequência necessária, que o 
calvinismo ai li se introduziria com as ligações com a Hollanda, a Inglaterra e a 
Suécia, ou, pelo lunuos, o judaísmo, por causa das indignações de alguns da nação. 
N'este caso, tornar-se-hia de uma diííiculdade extrema reconquistar Portugal, por- 
que o Rei Cathoiico, castigando com o rigor da santa inquisição todos os heréti- 
cos e os judaisantes, não somente com as penas ordinárias, mas também anathe- 



Í80 SI 

niatisando para sempre sua memoria, antes quereriam morrer do que voltar para 
debaixo do seu domínio. O prejuízo que Sua Magestade havia de receber seria 
ainda mais irreparável, porque a experiência faz ver que a diversidade de religiões 
n'um estado é a causa das discórdias civis, a faísca que accende o fogo da rebel- 
liáo, o que ella bem experimenta nas províncias da baixa AUemanha. 

O conselho : 

« — São isto subtilezas sophistícas e não rasões convincentes. Que o Papa 
Urbano pense bem no que as conveniências e a equidade exigem, aliás tomar-se- 
hão deliberações que não darão muito prazer; guardando^ comtudo, o humilde 
respeito que os Reis de Hespanba têem sempre tido no coração e mostrado no 
seu proceder para com a santa sé apostólica, acima de todos os outros Reis ca- 
tholicos. 

O núncio : 

«—Não apresento rasões sophisticas, mas solidas, pelos exemplos e casos 
occorridos entre os Papas e os Reis, em conjuncturas iguaes a esta.» 

«Citou para esse fim os de Mathias Corvino e de todos os outros que os 
portuguezes allegaram a seu favor nos escriptos que publicaram e que se viram 
no livro III d'este Mercúrio. Foi com elles que se terminou a conferencia, da qual 
o núncio remetteu para Roma uma descrípção minuciosa. Mas, se os tribunaes 
dos Reis não téem outras leis senão as armas, não vejo motivo para os partidos 
insistirem tanto na força das leis, ao passo que havia tão somente necessidade de 
uma boa espada. Tinham ellas já bastante escripto e reclamado uma contra a 
outra, para prepararem os espíritos dos povos; e a causa do Rei Catholico des- 
vantagem, por causa da posse em que estava, já havia muito tempo, da coroa de 
Portugal, e o Rei João fortificado com poderosas allianças e com a aífeição dos 
seus vassallos. 

«João IV de Bragança governava com vigor em Portugal, inteiramente appli- 
cado a pôr sua fortuna ao abrigo das tentativas dos hespanhoes. Baseando sobre 
o amor de seus povos os mais sólidos alicerces do seu novo império, parecia 
governal-o antes como pae, do que como soberano, comprando o repouso d'elle, 
povo, com os suores d'elle. Rei, Mas, não se limitavam a isto os seus pensamen- 
tos. Applicava-se a fazer com que Portugal recobrasse todos os estados que tinha 
outr'ora possuído ; persuadido de que não podia achar theatro assas amplo para 
a sua gloria, nem jamais reconhecer a aífeição que os portuguezes lhe tinham 
mostrado, elevando-o ao throno de Portugal, durante o seu reinado não quiz que 
tivesse limites mais acanhados do que os que possuía quando estava debaixo do 
poder de Filippe II. Era assim que elle queria consolidar a opinião geral que 
tinham a seu respeito. Mas, com o fim de que njelhor se conheça a importância 
da sua empreza e a grandeza da perda que experimentou o Rei Catholico com a 
perda de Portugal, é mister fazer ver os estados que possuía essa coroa no tempo 
em que foi reunida á de Castella. 

«Os portuguezes, antepondo o exercício da guerra ás delicias da paz, e agui- 
Ihoados pelo desejo da gloria e pelo estender do seu império, armaram-se contra 
08 mouros de Africa. Fizeram-se senhores, dentro de pouco tempo, da Mauritâ- 
nia, Tingitania, de Outa, de Tanger, de Arzília e de ouros logares, ainda que 
depois 08 largaram a esses mesmos mouros, por isso que a conservação de taes 
logares demandava despezas consideráveis. Não conservaram senão os dois pri- 
meiros logares, como duas portas da navegação do Estreito, e fundaram^ mais ao 



SI 28» 

occideiite, Mazagão, que servia de freio a essa província. Fazendo-lhes estas 
prosperidades espp-rar outras ainda maiores, da industria e do valor d'elles, por- 
tuguezes, descobriram e povoaram a ilha da Madeira, pouco afastada de Lisboa, 
e as ilhas Terceiras, que d'ella se afastam de oitocentas e cincoenta milhas, pouco 
mais ou menos, a 40» de latitude, todas desconhecidas dos antigos, incultas então, 
e deshabitadas. 

«Henrique, filho de João I, aspirando a maiores emprezas, mandou que seus 
marinheiros costeassem a Africa pelo Oceano e procurassem paizes novos. Estes, 
correndo toda aquella costa durante o decurso de alguns annos, penetraram tanto 
alem, que descobriram toda a Ethiopia. A guerra de Alfonso V contra os caste- 
lhanos não obstou a que os portuguezes continuassem a navegação das índias 
com vantagens sempre maiores. Mas, depois de terem feito a paz com Fernando 
o Catholico, tiveram meio de se applicarem a novas conquistas. Pelo tratado 
celebrado entre elles e este monarcha, foi a paz particularmente estabelecida por 
cento e um annos. Apresentaram, segundo o costume, um termo finito por um 
termo infinito e passou- se precisamente tanto tempo entre a guerra que tiveram 
com Fernando e a ultima que sustentaram contra Filippe ÍI, na qual perderam 
com a liberdade seus Príncipes naturaes. 

«Comtudo, Portugal tinha grandemente medrado em homens e em riquezas, 
mormente com a expulsão dos mouros da Hespanha. Estes, mediante oito duca- 
dos por cabeça, obtiveram do Rei D. João ÍI a permissão de entrarem n'este 
reino para d'elle saírem n'um praso limitado, obrigando-se este Principe a forne- 
cel-os de embarcações. Não foram estas condições cumpridas com boa fé. Cerca 
de vinte famílias mouriscas, em cada uma das quaes havia, pelo menos, dez 
pessoas, tendo entrado n'este mesmo reino, quando o termo prescrípto para a sua 
residência expirou, foram feitas escravas; alguns também, para não perderem 
seus bens, receberam o baptismo, ao exemplo de uma grande parte, que, debaixo 
do pretexto de conversão, tinham ficado em Castella. Alem d'isto, o maior numero 
de judeus que se achavam em Portugal, n'este paiz se deixaram licar debaixo do 
nome de christãos novos, desconhecidos, por não usarem distinclivo. Á força de 
dinheiro foram-se misturando a pouco e pouco, por meio de casamentos, com os 
naturaes do paiz, e vieram a ser cidadãos d'este reino. 

«Emquanto aos portuguezes, costeando a Africa, construíram um forte em 
Arguim; tornaram-se senhores das ilhas do Cabo Verde, erigiram na Ethiopia o 
castello de S. Thomé, que fica precisamente debaixo do Equador. Contrahíram 
amizade com os Reis do Congo e de Angola, soberanos de povos negros; e ha- 
vendo dobrado o Cabo da Boa Esperança e a ilha de S. Lourenço, fizeram defronte 
d'esta ilha, na terra firme, a conquista de Sofala, Melinde e Moçambique. O Rei 
D. Manuel, achando os caminhos embaraçados por aquelle lado, andou de maneira 
que, possuindo os portuguezes a entrada do Mar Vermelho, correram as costas 
do golfo pérsico, e havendo passado a embocadura do Indo, entraram no paiz ao 
qual este rio dá o seu nome, onde, em primeiro logar, por meio do commercio, 
e em seguida pela força, se estabeleceram em Calicut e em outros logares vizinhos. 
Depois, debaixo do commando de Aftonso de Albuquerque, capitão famoso, des- 
embarcaram em Goa, pequena iJha do reino de Accem, vizinha do paiz do Idalcão, 
onde está hoje uma cidade com arcebispado, capital dos estados que os portu- 
guezes possuem n'estas regiões, e residência ordinária do vice-rei. D'ahi, retroce- 
dendo até á embocadura do golfo pérsico, apoderaram-se das ilhas de Ormuz, de 



282 SI 

Baçaiiu e Diu, e voltaram para a embocadura do Ganges. Tornaraiu-se senhores 
do commercio e da fortaleza de Ceylão, que alguns crêem ser a antiga Taprobana, 
onde cresce a melhor canella do mundo. Depois de terem passado para o levante, 
esse mesmo golfo e embocadura do Ganges, acharam a outra costa, na ponta da 
qual, chaujada pelos antigos a «Chersoneso de oiro», se apossaram da cidade de 
Malaca, a vinte e cinco milhas da grande ilha de Sumatra. Tendo penetrado mais, 
não somente pelo commercio, no reino de Pegu, e nos outros que jazem naTerra- 
íirme, mas até mesmo pela navegação, acharam a grande e a pequena Java, o 
reino da China, o grande archipelago das ilhas Molucas, de onde tiram a noz 
moscada, o cravo da índia e outras especiarias, e a ilha do Japão e as que lhe 
ficam vizinhas. Penetraram, por fim, tanto no interior, que tornaram invejosos os 
castelhanos, que, debaixo do commando de Christovão Colombo, acabavam de 
descobrir os paizes occidentaes. Este ciúme deu occasião a algumas rixas com 
elles, as quaes Alexandre VI terminou com essa linha imaginaria, que, dividindo 
o globo em duas partes iguaes, deixou aos portuguezes a oriental e aos castelha- 
nos a Occidental, o que deu motivo a Filippe II, quando se apoderou do reino de 
Portugal, para se gabar de ter adquirido, com uma tal conquista, a metade do 
mundo. 

«No reinado do mesmo Rei D. Manuel apoderaram-se os portuguezes do 
lado fronteiro da Ethiopia e do Cabo da Boa Esperança, da grande provincia de 
Santa Cruz, contigua ao Peru, cuja costa tem 1:500 léguas de extensão, e que, 
no emlanto, não avança muito pela terra firme. Dividem-na em oito partes, 
quasi todas as quaes deram áquelles que as tinham conquistado, debaixo da 
condição de que a maior parte da jurisdicção ficaria reservada para o Rei. E 
ainda que por muito tempo se julgou que seria de pouco proveito esta pro- 
vincia, a ponto tal que os juizes do crime de Portugal para ella mandavam os 
ladrões, os assassinos e outros criminosos, sua fertilidade a tem, comtudo, feito 
povoar de maneira que não é inferior, emquanto ao numero de habitantes, aos 
reinos vizinhos do México e do Peru. 

«Se, com estes vastos estados, se considerar que o reino de Portugal tem 
dezoito cidades e quatrocentas e sessenta e tantas villas e aldeias (chateatixj, e 
está cheio de um povo guerreiro e de nobreza, commodo para todas as partes do 
mundo, no centro de alguns reinos, e favorável para a antiga e nova navegação, 
ver-se-ha quão grande é o rasgão que fizeram no corpo da monarchia de Hespa- 
nha, e quanto território perdeu o Hei Catholico com a proclamação de D. João IV. 
Entre as outras condições, debaixo das quaes os portuguezes se submetteram ao 
jugo castelhano, em tempo do Rei Filippe II, havia uma que declarava que a 
parte oriental das índias somente seria governada por portuguezes naturaes. Foi 
por este meio fácil a todo o paiz o sacudir tal jugo, e prestar homenagem ao 
novo Rei, quando os que alli governavam souberam que tinham um Rei da sua 
nação. Foi com esta mesma facilidade que os portuguezes se apossaram das ilhas 
Terceira.*, abrigo das frotas, e tão consideráveis que só ellas formam um grande 
reino, defendido por uma fortaleza em estado de resistir ás forças do mais pode- 
roso Príncipe, construída com grandes despezas por Filippe II, e cognominada a 
«Porta de ferro das índias». A situação d'estas ilhas é tão commoda e tão van- 
tajosa, que no começo do desgraçado reinado de D. Sebastião, discutiram se não 
seria mais a propósito o transferir para alli a sede da monarchia, e deixar um 
vicje-rei em Portugal. 



SI »» 

"Pela expulsão dos castelhanos, os porluguezes tornaram a entrar também 
na posse do Brazil, conjunctamente, comludo, com os hollandezes. Não lhes falta 
senão o que pertencia antigamente á coroa, e Ceuta e Tanger, na costa de Africa, 
defronte do estreito. 

«Vou agora descrever, em poucas palavras, de que maneira o novo soberano 
recuperou as differentes parles dos seus estados, afastados de Portugal. 

«Apenas D. João se viu proclamado Rei, pensou em prevenir todas as dili- 
gencias que seus inimigos podessem fazer para desviarem estes estados de o 
reconhecerem como legitimo Hei. Enviou, por conseguinte, sem demora, a D. Je- 
ronymo Fernando e D. Luiz Miranda, um bispo, e outro governador da cidade 
do Funchal, na ilha da Madeira, para lhes participar a sua elevação ao throno 
com o consentimento unanime dos povos. 

«Á nova d'esta inslallação de um Rei portuguez, infundiu-se no coração de 
lodos os habitantes do Funchal uma alegria extrema. Enjpunhando a bandeira 
da cidade, iam em chusma pelas ruas grilando : «Viva o Rei D. João IV I», dando 
signaes de uma alegria completa. Seu exemplo* arrastou todo o resto da ilha da 
Madeira. 

«O governador do castello de Mazagão, na Africa, D. Martim Correia da 
Silva, recebeu a mesma noticia por uma carta do Rei, pela qual este Principe 
lhe promettia uma recompensa magnifica, se induzisse os habitantes a reconhe- 
cel-o. Não tiveram n'isso a minima repugnância. O ar retumbou immediatamenle 
por todos os lados com gritos de alegria, acompanhados de descargas redobradas 
da artilheria. Todos os habitantes foram surdos ás insinuações do Rei de Hespa- 
nha, o qual, por uma carta dirigida a este governador, e remettendohe muni- 
ções de bôea e de guerra, tinha tentado inutilmente conserval-o fiei. Dava-lhe 
aviso, com esta carta, de algum tumulto do povo excitado em Portugal pelos 
descontentes, dizendo-lhe que estava prompto a pôr-lhe o remédio conveniente, 
e ordenando-lhe que empregasse sua prudência e vigilância para preservar 
Mazagão do contagio, até que elle o fornecesse com um poderoso soccorro, do 
qual já tinha encarregado o duque de Medina Sidónia. O governador, depois de 
ter feito desembarcar as munições, respondeu que não sabia que houvesse tumul- 
tos em Portugal, e que, todavia, conservaria a fortaleza debaixo da submissão 
d'esta coroa. 

«A ilha de S. Miguel, da qual era governador o conde de Villa Franca, pare- 
ceu respirar com a noticia da feliz elevação de D. João ao throno. A cidade de 
Loanda, no reino de Angola, mostrou pela sua vez um jubilo levado ao auge. 
D. Francisco de Ornellas tinha sido enviado, com toda a diligencia, de Lisboa 
para a ilha Terceira, com o fim de advertir secretamente os porluguezes que 
n'ella se achavam, do que acabava de succeder, e para os animar, em nome do 
Rei, a armarem- se contra os castelhanos, para os deitarem fora. D. Álvaro de 
Viveros, mestre de campo da guarnição hespanhola, lendo sabido da chegada de 
D. Francisco, procurou lançar-lhe a mão. Porém este, havendo sido avisado a 
tempo, retirou-se para a villa de Spiaggia (?), sua residência ordinária, onde fez 
unmediataiiienle proclamar o novo Rei. Esta proclamação tornou D. Álvaro cada 
vez mais attento ao minimo movimento. Mandou assestar a artilheria da fortaleza 



' Viltorio Siri, Mercure hnlorique, vol. xi, pa(f. 333. 



S84 SI 

para manter em respeito a cidade por ella dominada, armou os habitantes e fez 
correr o boato de que uma pequena frota hoIJandeza estava prestes a approxi • 
mar-se d'estas costas. Mas, ao tempo que procurava assegurar-se da inclinação 
d'aquelJes habitantes, que são os mais suspeitos, juntando-se estes com os portu- 
guezes, começaram a revolta e o tumulto, proclamando Rei a D. João, atacando a 
botes de lança e a tiros de espingarda os castelhanos, obrigados, para se subtra- 
hirem á sua fúria, a retirarem-se para a fortaleza, de onde a artilheria, começando 
a trovejar, prejudicava consideravelmente as casas da cidade. Ao som das des- 
cargas repetidas, D. Francisco de Ornellas correu promptamente com algumas 
companhias da villa Spiaggio em soccorro dos seus. Apertou tão vivamente com 
os castelhanos, que os obrigou a largarem o forte de S. Sebastião, por meio do 
qual se fez senhor do porto e dos navios que ai li se achavam. Comtudo, D. Álvaro 
não cessava de bombardear com a artilheria da cidadella as casas da cidade e 
os habitantes que se achavam pelas ruas. 

«Emquanto ao Rei Catholico, para dar aviso ás Terceiras do que acabava 
de acontecer em Portugal, e corroborar os commandantes e os povos na fideli- 
dade, tinha enviado um navio para aquelle lado. Mas este navio, repellido pelos 
ventos e obrigado, com outros dois carregados de especiarias, a aportarem á ilha 
da Madeira, foi detido com elles pelos portuguezes, que os enviaram depois a 
Lisboa. A nova da revolta e o estado perigoso das Terceiras, tendo chegado a 
Madrid, enviaram de prompto três navios para a conservação de um paiz tão 
importante, com ordem ao governo de se defender, tanto tempo quanto fosse 
necessário, para dar occasião a lhe remetterem um poderoso auxilio. O capitão 
de um d'estes navios era portuguez. Este, accommodando seu desenho á sua in- 
tenção particular, regulou a sua navegação de maneira que fez cair aquelle que 
commandava em poder dos portuguezes, e que foi a causa de também os outros 
dois n'elle cairem. 

«Tendo-se passado tempo considerável sem que chegasse da Hespanha ás 
Terceiras não sómenle soccorro, mas nem sequer noticias, D. Álvaro, depois de 
ter soífrido constantemente todos os incommodos de um cerco, viu-se obrigado 
pela fome, que é o ultimo dos supplicios, e que nem a natureza nem a virtude 
poderiam vencer, como aos outros males humanos, a capitular. Saiu da fortaleza 
com duzentos e quinze soldados, tão extenuados, que tinham antes apparencia 
de cadáveres que de homens. Por este meio Portugal ficou senhor de uma praça 
extremamente forte, situada n'um promontório do Oceano, contra a qual são, 
para assim dizer, obrigados a voltar as proas, os navios que da Hespanha passam 
para as índias. 

«O Rei de Portugal estava inquieto a respeito da inclinação dos povos do 
Brazil, por isso que este paiz, por sua extensão e riquezas, é, como as Terceiras, 
importantíssimo; e porque, mantendo-se debaixo da obediência do Rei de Hes- 
pauha, podia occasíonar uma diminuição considerável á fortuna de Portugal, pela 
perda de uma parle de suas forças, tão poderosa como essencial. Sentindo pois, 
que para conseguil-o manter fiel a si, era mister que prevenisse o Rei Catholico, 
resolveu se enviar n'uma caravella uma pessoa com uma carta para D. Jorge 
Mascarent)as, vice-rei do Brazil, a qual continha promessas de reconhecer por 
amplas recompensas, seus serviços n'uma occasião de tão grande importância. 
Mascarenhas, tendo recebido a carta do Rei, prohibiu, debaixo das mais graves 
penas, ás pessoas da caravella, o saírem d'ella e o fallarem com quem quer que 



SI *»8 

tosse. Ordenou immedialaniente que os porluguezes se formassem em batalhões 
nas duas praças da cidade, para reprimirem os castelhanos e os napolitanos, se ú 
mínima palavra da proclamação de D. João IV ousassem agitar-se. Ao mesmo 
tempo, tendo mandado chamar á sua presença um atrás do outro, em separado, 
ao bispo, ao general de artilheria, aos mestres de campo, aos officiaes, aos supe- 
riores dos conventos, leu-lhes a carta do Rei e pediu-lhes seu parecer, e infor- 
mado dos seus sentimentos, fez com que elles passassem para outros aposentos, 
onde eram guardados, sem poderem communicar com os outros. 

«Tendo achado a todos concordes em seu parecer a favor do novo Rei, 
reuniu, sem tardar, o conselho, ao qual apresentou a carta do Rei, convidando- o 
a reconhecel-o. Não se tornou necessária muita eloquência para empenhar seus 
memhros a um passo que desejavam de todo o coração dar. 

«Tendo-se espalhado o boato n'um momento pela cidade, viram o povo 
correr pelas ruas como fora de si mesmo, e celebrarem com as mais vivas accia- 
mações o dia feliz em que o céu lhes fazia a graça de verem sentado sobre o 
throno de Portugal um Principe da nação. Eneaminhou-se em chusma e todo 
fora de si á cathedral, onde foi cantado solemnemente o Te Dmm, retumbando 
os ares por toda parte com gritos de jubilo. A mesma alegria se fez sentir nos 
habitantes do Rio de Janeiro e nas outras capitanias do Brazil, apenas souberam 
a nova da exaltação de um Rei portuguez. 

«Tendo-se propagado o boato d'este successo, n'um momento,, em toda a 
índia, passou d'ahi ás extremidades mais remotas do Oriente, sem que a procla • 
mação de D. João IV encontrasse outra opposição, que não fosse a que alli fize- 
ram os hollandezes, applicados então a submetterem ao seu dominio, como o 
lizeram, Malaca e alguns outros logares da ilha de Ceylão. Por outro lado, Manuel 
de Liz, lendo chegado a Goa com a nova carta do consentimento das três ordens 
do estado á elevação de D. João, a exemplo d'esta cidade, todos os reinos e todas 
as provindas da índia, sacudindo o jugo da obediência ao Rei Gatholico, se sub- 
metteram voluntariamente á dominação do novo Rei, dominação extendida por 
tantos paizes abundantes em especiarias, em seda, âmbar, assucar, oiro, pérolas, 
diamantes e outras pedrarias preciosas, as quaes, levadas a Portugal e espalhadas 
por toda a Europa, por meio do commercio, servem para enriquecer o Rei e os 
povos. 

tA cidade de Macau, na China, lida por uma das melhores feitorias dos 
castelhanos, submetteu-se também á coroa de Portugal, que recobrou assim, em 
pouco tempo, tudo quanto possuia antes de estar unida á de Castella. 

«Â nova de resultados tão prósperos, renovou-se a alegria no coração dos 
porluguezes, pensando terem chegado, d'ora avante, ao termo dos seus desejos. 
Mas o do Rei, principalmente, trasbordava de alegria, vendo claramente cum- 
prir-se o horóscopo de sua grandeza. Para tornar estável esta grandeza, resolveu 
reunir os estados geraes do reino, fazendo ver que procurava alcançar para seus 
vassallos a tranquillidade, por sua solicitude particular, que tendia a pol-os ao 
abrigo dos insultos dos inimigos e a ganhar-lhes o meio de viverem agradavel- 
mente no seio de uma paz segura. 

«Ás quatro horas, portanto, depois do meio dia, de 18 de setembro, o Rei, 
(juerendo fazer a abertura dos estados geraes, desceu, com o sceptro de oiro 
maeisso na mão, com a cabeça coberta de um chapéu ornado de pedras preciosas, 
e vestido com uma comprida túnica bordada a oiro, cuja cauda era levantada por 



Í86 SI 

D. João (Je Sá, seu camarista-inór, desceu, digo, do seu aposento para a grande sala 
do palácio, seguido de seus principaes officiaes, e assentou -se sobre um throno 
erigido sobre seis degraus, lendo a seus pés os sei los sobre uma abnolada. Mandou 
assentar no quarto degrau a Raymundo de Lencaster, duque de Aveiro, seu 
parente, da idade de treze annos. Atrás do assento do Rei estava em pé seu pri- 
meiro camarista; á direita, D. Pedro de Mendonça, seu primeiro capitão das 
guardas, e Thomás de Sousa, seu copeiro-mór, empunhando a espada do Rei des- 
embainhada na sua mão ; á esquerda, D. Manriques da Silva, marquez de Gouveia, 
seu primeiro mordomo ; D. Francisco de Lucena, único secretario doestado, e 
D. João de Castello Branco, alcaide-mór, todos no logar onde o throno estava 
erigido. Ao pé achavam-se D. João Mascarenhas, Jorge de Mello, referendário, 
guarda-sala e reposteiro- mór, o Rei de armas, os oito arautos de Portugal, e os 
oito porteiros, cada um d'elles com uma maça de prata. Os quatro últimos loga- 
res eram desempenhados pelo chanceller, pelos intendentes das finanças, os pro- 
curadores da coroa, o parlamento de Lisboa e o da cidade do Porto, que são 
os dois parlamentos do reino. Ao lado direito da sala estavam sentados o arce- 
bispo de Lisboa, o bispo conde de Coimbra, o de Elvas, esmoler-mór, o suífraga- 
neo de Évora, os priores da ordem de S.Thiago e de Aviz, os conselheiros d'es- 
lado, o alcaide-mór, como quem dissesse o chefe dos governadores das provincias. 
No lado esquerdo estavam os marquezes de Ferreira, os condes de Cantanheda, 
Penaguião, Redondo, Capiston (?), Ponte do Lima, Castanheira, Olhão, Arcos, 
Valle de Rei, S. João, S. Miguel e de í.atuar (?). O meio estava occupado pelos 
conselheiros de guerra, e pelos outros alcaides, pelos deputados das cidades e das 
communidades, todos em bancos preparados para este MFeito. O Rei de armas, 
tendo mandado guardar silencio, mandou assentar toda a gente, e cobrir, segundo 
o uso, somente aos duques, arcebispos, bispos, marquezes e condes. Depois do 
que, D. Manuel da Cunha, bispo de Elvas, tendo subido ao quarto degrau do 
throno, á direita, pronunciou em pé, em nome do Rei, o discurso seguinte: 

«Durante sessenta annos que os Reis de Castella foram senhores d'este 
reino, somente vimos duas vezes as cortes: a primeira vez para nossa escravidão, 
e a segunda para conhecermos o nosso erro. Desde que Sua Magestade, que Deus 
guarde, nos governa, vemol-as já, pelo menos, duas vezes eni dois annos: a pri- 
meira para nossa liberdade, e a segunda, que é a presente, para nossa confiança. 
A liberdade do homem consiste em dizer livremente o que pensa e em proceder 
á sua vontade, em conformidade com o dever na que a rasão quer e pede. A con- 
fiança do vassallo depende do amor que elle vé no seu Rei. Eis o que foi a causa 
de terem os Reis de Castella tantas difficuldades em reunirem as cortes d'este 
reino. Para isto não os convidava o amor, e ainda menos a confiança em nós. 
Queriam elles que submettessemos nossos pensamentos e nossa vontade ás ordens 
d'elles: usurpavam nossa liberdade. Sua Magestade facilita hoje as cortes geraes, 
porque seu amor vos chama para elle, e quer que em vossas necessidades vós 
lhe digaes livremente o que desejaes, com o fim que o mundo veja que sois filhos 
e não escravos, nem estrangeiros; que vós tendes vossa confiança e vossa liber- 
dade em vosso Rei e senhor (não digo bem), no vosso pae. Não contente com 
isto, seu amor é tão excessivo, que elle o força, para vossa satisfação, a despo- 
jar-se de sua própria Magestade e a deixar- vos a disposição absoluta de tudo 
que lhe pertencia, contente com o reconhecinjento que vós lhe deveis por isso. 
Está elle mortificado ao ver que seu amor, que basta para vossa confiança e 



SI 287 

para vossa liberdade, não liaste para vossa defeza, á qual ipiizera que seus dia? e 
seu sangue podesseni bastar. Eis o amor, eis o coração do Rei e do senhor que 
para vós escolliestes, do Rei, que o grande e poderoso Deus do céu vos deu. 
Julgae se merece ser amado e servido. 

«Nas ultimas cortes, Sua Magestade tirou os impostos e vós vos encarregastes 
da defeza do reino. Vós regulastes o que vos pareceu necessário para esta defeza, 
e vós vos obrigastes a meia contribuição; mas, recoihendo-a, os primeiros paga- 
mentos não pareceram eífectivos, os segundos pareceram desiguaes e os terceiros 
insuíficientes, o (juc deu origem a alguns queixumes, imaginando alguns que 
provinha isto do abuso que se fazia do dinheiro e dos géneros, e outros, emfim, 
da má ordem que havia na receita e na despeza. Digo, com segurança, que 
mesmo que tivesse havido erro, seria digno de desculpa*, porque em leuípo 
algum uma grande empreza ficou jamais inteiramente organisada na sua origem. 
Não deixará de haver erros senão quando cessar de haver homens. É mister 
soífrer esses inconvenientes, como as esterilidades, as seccas, as chuvas excessi- 
vamente abundantes e os outros cataclysmos da natureza. A capacidade do 
homem não pôde applicar remédio a tudo. Não se achará, portanto, motivo 
para fallar; haverá, pelo contrario, motivo para nos admirarmos, se considerar- 
mos em que estado estava o reino quando Sua Magestade n'elle foi reconhecido 
como senhor. Todos nós o sabemos : estava este reino sem dinheiro, sem armas, 
sem munições, sem artilheria, sem cavallos, sem navios, sem nenhum preparativo 
de guerra e sem defeza. Haverá logar para nos admirarmos, ao considerar que 
em menos de dezoito mezes todas essas cousas n*elle se encontram em quanti- 
dade considerável. As praças mais importantes reparadas, um tão grande numero 
de soldados sustentados nas fronteiras, três poderosas frotas lançadas ao mar, 
tantas embaixadas honrosas, com outras despezas necessárias, causam a surpreza 
de todas as pessoas sabias nos seus julgamentos, porque tudo isso parece menos 
um eífeito da providencia humana do que um milagre. Mas, a fim de que vejaes 
com vossos próprios olhos a verdade das cousas, a qual Sua Magestade quer 
em tudo que seus vassallos conheçam, manda ella que se declare aos três estados, 
no primeiro dia em que se reunirem em separado, a resolução que foi tomada 
acerca das proposições que vós lhes dirigistes nas ultimas cortes, e que se lhes 
mostre circumstanciadamente o emprego do dinheiro que então foi recebido. 
Manda ella que, se os meios que escolhestes não forem do vosso gosto, lhe pro- 
punhaes outros novos, que sejam mais brandos, e que deis vossos conselhos sobre 
o que julgardes melhor, para applicar o remédio mais conveniente á desigualdade 
dos pagamentos ou das deducções. Se até este dia a necessidade se oppoz a que 
se fizesse, e se as cousas foram reduzidas a este ponto pela diversidade das cir- 
cumstancias, convém também, é verdade, que os contratos feitos até este dia 
cessem, ou que se proceda em conformidade com a resolução que se tomar; que 
se receba o que vós tendes promettido para a manutenção dos exércitos, que 
vós mesmos julgardes necessários para vossa defeza. Dae, por favor, attenção a 
uma grande cousa : é que, sendo o dar e o pedir cousas, entre si tão differentes, 
só em Sua Magestade concorrem igualmente para o vosso bem. Considerae que o 
que ella vos pede não é senão por um tempo limitado, e que a vossa liberdade 



' Vittorio Siri, Mercure historique, vol. xi, pag . 348. 



m SI 

é para sempre. C.oiisiderae que a occasiáo presente é a melhor que se possa achar 
para destruir o inimigo, da destruição do qual depende a paz que nós tanto 
desejámos. Tomae em conta que os estrangeiros n5o pensam senão que não tendes 
poder ou forças, ou então que faltaes á amizade constante que tendes mutuamente 
promeltido uns aos outros. Tomae lições da natureza, que, para conservar o 
corpo, arrisca o braço. Os marinheiros, durante a tempestade, alijam ao mar 
uma parte de suas fazendas, para salvarem o que resta. Nós achamo-nos em um 
navio açoutado pela tempestade; não perigam somente nossos bens, mas também 
a honra, a pátria, a liberdade e a vida. O tratamento bárbaro, do qual o Rei de 
Gaslella faz uso para com o Infante D. Duarte, conservando-o preso, pede também 
vingança contra esses estados (digo mal), grita vingança, embora esse tratamento 
redunde na maior gloria d'esse Principe, serido causa de sua prisão o medo que 
têera do seu valor. Goratudo, vendem-no como escravo, em desprezo do caso que 
fazemos d'elle. A escravidão, a venda, o preço do justo e do innocente, pedem 
um resgate, mas um resgate de sangue, em sacrifício do nosso amor, para satis- 
fazer á nossa injuria. Prometto-vos, pois, que não deixaremos de ter companhei- 
ros para a nossa vingança. Ver-se-ha sair o grande e invencivel condestavel, 
d'essas tapeçarias, ou do seu tumulo, para vir comnosco resgatar seu descendente. 
Seguil-o-hemos, será nosso chefe, e fazer-nos-ha alcançar a victoria, victoria que 
sempre o acompanhou e que tornou seu nome immortal. D'esla forma acabare- 
mos gloriosamente a acção mais memorável que jamais tenham admirado os 
séculos antigos e novos; e o valor e gloria do nome porluguez conservar-sehão 
gravados na lembrança dos homens, serão postos em o numero das maravilhas 
que a fama publica, e farão para todo o sempre o assombro do universo.» 

«Tendo acabado de fallar o bispo de Elvas, mandou o rei de armas a todos, 
em nome do Rei, que se levantassem. Então o dr. Duarte Alvarez de Abreu 
Caduval (?), conselheiro no parlamento de Lisboa, apresentou a Sua Magestade o 
humilimo requerimento do povo; e o marquez de Montalvão, em nome dos habi- 
tantes d'esta cidade, agradeceu ao Rei sua solicitude e fadigas excessivas para o 
bem e liberdade d'esta mesma cidade e de todos seus vassallos, oíferecendo 
sem reserva o sacrifício de suas fortunas e de seus dias para o serviço de seu 
inonarcha e para o do estado, para a manutenção da liberdade e para a salvação 
do Infante D. Eduardo. Assim foi terminada a primeira sessão. 

«No dia seguinte, as três differentes ordens que compunham as cortes re- 
uniram-se em separado, a saber: o clero, em S. Domingos; a nobreza, na Trin 
dade ; e o terceiro estado em S. Francisco. Todos foram da mesma opinião, isto 
é: mandarem offerecer ao Rei liberdade plena para impor os tributos que elle 
ulgasse mais a propósito, tributos nos quaes consentiram desde logo. 

«Tendo o Rei acceitado este poder e encerrado as cortes, applicou-se intei- 
ramente a defender seu reino com forças possantes para a sua defeza. Deu as 
ordens necessárias para armar e disciplinar seus povos, aos quaes um longo 
repouso tinha tornado quasi iiihabeis para o mister da guerra, e para os impostos 
de dinheiro necessários para a manutenção da frota, bem como para a de uma 
esquadra destinada a cobrir a fronteira do seu reino e a infestar as costas de 
Hespanha e as da Mauritânia. Mas, como Portugal se acha cercado pelos estados 
do Rei Catholico, a cujos ataques se acha exposto, começou dentro em pouco a 
resentir-se da vizinhança dos castelhanos, cheios de animosidade contra seus 
povos. Porém, estes compensaram dentro em pouco suas perdas com usura, não 



SI 289 

teiulo querido ser os primeiros a começareiri as hostilidades, para fazerem ver ao 
mundo que somente desembainhavam a espada para se vingarem da oíTensa, e 
que somente corriam á victoria por se verem obrigados a fazel-o, por se verem a 
isso obrigados, por causa das suas perdas. 

«Todavia, os castelhanos, divididos em vários corpos, percorreram os campos 
de Portugal até Olivença e outros logares, passando tudo a ferro e fogo, e fazendo 
aos portuguezes todo o mal que podiam, com a vista de lhes fazerem esquecer 
seu afTecto ao Rei D. João, e separal-os da sua obediência. Mas os portuguezes, 
pelo seu lado, tendo formado um corpo de exercito assas considerável, e tendo-se 
tornado senhores do campo, penetraram nos estados do Rei Catholico e correram 
sem ot)staculo á vizinhança de Salamanca, saqueando mais de quarenta logares, 
tanto na Gailiza como na Extremadura e na Andaluzia, obrigando Monterei a 
abrir-lhes suas portas, investindo Giudad Rodrigo e alcançando ricos despojos. 
Teriam, sem duvida, feito d'estas provincias o thealro da guerra, augmentando 
as desgraças dos povos de Hespanha, e os perigos d'esta coroa, se se tivessem 
encontrado praças fortes em estado de serem bem fortificadas para poderem obter 
n'ellas um asylo. Tinham os castelhanos esperado no começo que a falta de com- 
mercio na Andaluzia havia de fazer com que Portugal soffresse uma penúria 
extrema de cereaes, dos quaes o reino carece naturalmente. Mas a experiência 
lhes fez ver que a Africa, a França e a Hollanda lhe podem servir de abundante 
celleiro. Era assim que a Hespanha, nas suas extremidades, parecia cheia de 
males incuráveis, e o coração, isto é, Castella, cercado de humores malignos, a 
tornava tão fraca e languida, que soffria continuamente desmaios mortaes.» 

Eis o que de mais importante se encontra em dezoito volumes do Mercúrio 
histórico, de Vittorio Siri, a respeito de assumptos portuguezes. 

Em 1879 vi na bibliotheca publica de Rraga alguns volumes da edição ita- 
liana d'esta obra. 

8ISCAR (D. GREGÓRIO MAYAIVS Y ).— Autor da obra Vida 

de Don Nicolas António. 

Censura de Historias fabulosas, obra posthuma de Don Nicolas António, Ca- 
ballero de la Orden de Santiago, Canonigo de la Santa Iglesia de Sevilla, dei 
Consejo dei Senor Don Carlos Segundo, y su Fiscal en el Beal Consejo de la Cru- 
sada. Van anadidas algunas cartas dei mismo Autor y de otros eruditos. Publica 

esta obra . En Valência, por António Bordazar de Artazu, ano 1742, foi., 

xxxx-752 pag. 

É útil a leitura d'e8ta obra para os que escreverem dos tempos anteriores á 
fundação da monarchia portugueza. 

ST-SI. — Escriptor chinez. 

Traduziu para o seu idioma o immortal D. Quijote de la Mancha, em 1879. 
Foi coadjuvado, na interpretação, pelo interprete sinologo do senado de Macau, 
Eduardo Marques. 

8I8MONDI (J. C. L. 8IMONDE 1>E ). 

De la littérature du midi de VEurope. 2." edição, revue et corrigée. 1829. 4 vol. 
Ha uma traducção (da l.« edição), em lingua allemâ, impressa em Leipzig, 
1816-1819. 2 vol. 8." 

19 



m SO 

SKETCUES in Portugal during the war of 1834, 8.«, 1 vol., 328 pag. 

SRETCHES of Portuguese life, manners, costwns, and charader. By A. P. 
D. G. London, 18â6. 

SLICHTEIVBORSTI (AKIVOLDI ). 

Lusitânia libera, sive Inauguratio Joannis IV, Serenissimi Lusitaniae Algar- 
biaeque Regis, Commerciorum Guineae, Aethiopiae, Arabiae, Persiae et Indiae 
Domini. Lugduni Batavorum, ex-offieina Wilhelmi Ghrislianij 1641, foi. 

É uma colleeção de poesias em honra dos portuguezes. 

SLOANE (JOHIV ). 

A Voyage to the Islands Mandera, Barbados, Nieves, S. Christophers, and 
Jamaica, with the natural History of the Herbs, and Trees, Fourfooted Beasts, 
Fishes, Birds, Insects, Reptiles, &c., of the last of those Islands, <&c. Londres, 
2 vol., in-fol. 

Vem noticia d'esta obra a pag. 292 e segg. do Journal des Sçavans, 1708. 

SLOCKDALE. 

New military map of Spain and Portugal. Published by . London, 1812. 

SMITH (A). 

Uile de Madère et ses vins. Paris, 1878, in-18.° 

SMITH (JAMES ). 

On the Geology of Madeira. (Nos Proceedings ofthe Geological Society, vol. iii.) 

SMITH (JOHN — ). 

Memoirs of the Mar quis of Pombal. With extra cts from his writings and 
from despatches never before puhlished by . (]om rei ralos. London, 1843, 

SMYTH (C. PIAZZI ). 

Madeira meter eological. With 2 plats. Edimbourg, 1882. 

80LAIVD (AIMÉ DE ). 

Étude sur le Drosophylum Lusitanicum. 

SOLEMNITA8 Augustae Taurinorum occasione electionis Magni Apostoli 
Indiae S. Francisci Xaverii in Patronum. Taurini, apud Zapalam, 1668, in-4.* 

80LTAU (D. W.). 

Gesch. der Entdeckungen der Porttigiesen im Orient. 1415-1539. Braunschw., 
1821. 

SOMMAIRE des Lettres du Japon et de la Chine, de Van 1589 et 1590. 
Escrites au R. P. General de la Compagnie de Jesus. A Douay, che* la Vefve Jac. 
Boscard, 1592, in-8.«, 223 pag. 

Contém um Smnmario de uma Carta Annua do Japão, escripta em 21 de 
fevereiro de 1589. 



SO 291 

SOIVOUOS ecoa que pulsa la voz de el entendimiento , para advertir ai des- 
engaííOj en el feliz regreso y progresos victoriosos de miestro Católico Monarca 
Felipe el Animoso. D. D. P. L. D. L. E. Y. R. 

Sobre a guerra da acelamação. Existe um exemplar na bibliotheca publica 
de Lisboa. 

SOPRANl (JOÃO JEUONYMO ).— Jesuíta genovez. 

Compendio delia Vita dei S. P. Francesco Savier, delia Compagnia di Giesu. 
Canonizato co'l P. S. Ignatio, Funda tore deli' istessa religione dalla Santità di 
N. S. Gregório XV. Composto e dato in luce, per ordirie dei Reverendiss. P. Mutio 
Vitelleschij Preposito Generale delia Comp. di Giesu. In Roma, per THeredi di 
Bartolomeo Zannetti, 1622, in-8.°, 146 pag. 

Outros exemplares dizem : In Roma, per THeredi di Bartolomeo Zanetti, e 
Neapoli, per Lazaro Seoriggio. 

SORIA (FRANCISCO DE ).— De la Orden dei gran Patriarca S. Ba- 

silio, caiificador dei Santo Tribunal de la Inquisicion. 

Sermon predicado en la solemne octava, que la Congregacion dei Santo Oficio 
celebro en el Real Convento de S. Domingos, á los desagravios de Christo ofendido 

en su Imagen. Por el P. Fr. . Con todas las licencias necesarias. En Lisboa. 

En la oficina de Domingo Lopes Rosa. Ano 1644. 4.°, 15 fl. 

SORTIJA (LA) de Florencia^ de D. Sehastian de Villa Viciosa. 
Vem esta comedia citada a pag. 22 do catalogo de uma livraria que na ci- 
dade do Porto se poz á venda em 1877. 

SOTOMAYOR (D. JUAN CBUMACERO Y CARRILLO DE ).— 

Natural de Valência de Alcântara, presidente de Castella, e fallecido em 24 de 
junho de 1660 1. 

Pro legitimo jure Philippi IV Hispaniarum et Portugalliae Regis. In-4.° 

SOTOMAYOR (D. MIGUEL DE HERRERAS ).— Hijo dei capi- 

tan de infanteria, governador en actual servicio, por el (Católico Rey de Espana, 
el sefior D. Felipe V (que Dios guarde), de la Nueva Galizia, en la Admerica (sic) 
y Nueva Espana. Notário publico y apostólico de todos los reynos y seilorios de 
la Christiandad, por la Sede Apostólica. 

Motivos que expone , para aver venido desde la ciudad de Badajos a esta 

Corte, con la milagrosa Imagen de Maria Santisima, con el titulo de Divina Pas- 
tora de nuestras almas, con una dedicatória, sonetos y mas decimas, que rendida- 
mente pone debajo dei Ralamparo, de la Serenissima Senora Princesa dei Brazil, 
en reconocido agradecimento, por el rejio vestido que su Alteza ha dado a dicha 
Soberana PaMora. Lisboa, ano 1742, 4." 

SOULÈS (FR.). 

Voyage au Brésil, par ;, traduit de Vanglais. Paris, 1806. 



Memoria histórica de la universidad de Salamanca, pag. 547. 



m SO 

SOUSA (A. DE ). 

Verdadero origen dei Tribunal de la Inquisicion en Portugal. Traducida 
por . Madrid, 1789. 

SOUSA tAWTOlVIO ) — Natural da Covilhã. Pereceu em Naiigasaki, 

atormentado, a !26 de outubro de 1633. 

Carta annua do Japão, do anno 1617, ao Geral Mutio Vitelleschi, em janeiro 
de 1618. 

Foi traduzida para italiano pelo padre Lorenzo delle Pozze. 

Leítera annua dei Collegio di Macao, Porto delia Cina, ai M. R. P. Mutio 
Vitelleschi, Generale delia Compaynia di Giesu. 1617. Di Macao 8 di Gennaio. 1618. 

Acha-se a pag. 373 a 380 da collecção seguinte, edição de Nápoles : 

Lettere annue dei Giappone, China, Goa e Ethiopia. Escrite ai M. R. P. Ge- 
nerale delia Compagnia di Giesu. Da Padri delV istessa Compagnia negV anni 
1615, 1616, 1617, 1618, 1619. . . 

SOUSA (JOAQUIM GOMES DE ). 

Anthologie universelle. Choix des meilíeures poesies lyriques de divei^ses nations 
dam les langues originales. Leipzig, 1859. 
Também apresenta poesias de Camões. 

SOUSA (MADAME DE ). 

Oeuvres completes. Nouvelle edition, revue, corrigée par 1'auteur et augmentée 
d'un volume inédit. Les romans connus de Madame de Sousa, sont: Adèle de Sé- 
nanges, Emilie et Alphonse, Charles et Marie, Eugène de Rothelin, Eugénie et 
Mathilde, Madame de Tourmon. 

(V. Journal des Sçavans, anno 1821, pag. 184.) 

80UTHEY. 

Letters tvritten during a short residence in Spain and Portugal, hy . 

Bristol, 1797, in 8.» 

Escreveu um prefacio ao Amadis de Gaula, impresso em Londres no anno 
de 18031. 

History of the Peninsular War. 3 vol. London, 1823-1832. 3 vol. 4." 

SOUTH WELL (SIR ROBEUT ). 

The History of the Revolutions of Portugal, from the foundation of that King- 
dom to the year mdclxvií. With Letters of Sir Rohert Southwell during his Em- 
hassy there, to the Duke of Ormond ; giving a particular account of the deposing 
Alfonso, and placing Don Pedro on the throne. London, printed for John Osborn 
at the Golden Bali in Pater-noster How. mdccxl. 8.°, xiv-374 pag. 

Sir Robert foi enviado extraordinário do Rei Carlos II á corte de Lisboa, 
e aqui presente durante todo aquelle tempo que o paiz esteve agitado, e teste- 
munha de quanto diariamente se passava. 

Obra mui importante para quem desejar escrever acerca do reinado de 
D. Affonso VL 



* Gamillo Castello Branco, Narcóticos, Porto, 1882, pag. 23. 



SP 2'-»» 

SOUVENIRS d'tm militaire des armées françaises dites de Portugal. Paris, 
1827. 

SOUVEUAIN8 du Monde. Paris, 1718, 4 tomos, 8.» 

No tomo III, pag. 233, traia da Sereníssima Casa de Bragança, dividida em 
duas linhas: a da Casa Real reinante, e aquelies que d'ej|a descendem por varo- 
nia, a que, conforme o uso de França, diz : Celles des Princes du sang, o que na 
verdade assim é, mas isto é tão breve, que não é mais do que uma noticia do 
presente ^ 

8PAIN AND VOfiTVG AL — Historical Sketches. London, 1835-1836. 

SPAIIV a7id the Bourbon armies: a review of affairs in Spain and Portugal. 
London, 1823. 

SPATVISH S Portuguese Church Aid Society and Mexican Episcopal Aid 
fund. Report 1880. London. 

É obra de propaganda protestante. 

N'este relatório do anno de 1880, in-8.°, com 111 pag., vê-se que as cousas 
corriam em Portugal á vontade dos protestantes. 

A pag. 39 diz o referido relatório: «We are most Ihankfull to be abie lo 
report Ihat, owing to the marked biessing of Almighly God upon His work here, 
lhe good seed of the Gospel is being steadity and successfuUy sown.» 

N'este relatório encontra-se uma estampa representando a escola de Rio de 
Mouro. 

SPANISH (THE) History, or a Relation of the differences that happened in 
the Court of Spain between Don John of Áustria and Cardinal Nitard: with 
other transactions of that kingdom. Together with ali the Letters, Politik Discour- 
sesy Decrees, and other Public Acts, that past between persons of the highest qua- 
lity, relating to those affairs. London, 1678. 

Quem desejar conhecer a fundo as causas da deposição de D. Aífonso VI, 
deve ler este importante livro. 

8PECIFIC answers to the several demands of the acting french cônsul in 
Lisbon. London, 1831. 

SPIIVOLA (ANTOIVTO ARDIZONE ).— Clérigo Regular, theatino 

da Divina Providencia, napolitano, doutor na sagrada theologia, missionário apos- 
tólico, fundador dos conventos da Divina Providencia da cidade de Lisboa e da 
cidade de Goa, e das niissões da índia Oriental de sua sagrada religião, preposito, 
visitador, vigário geral e prefeito das missões, etc. 

Divindade imrticipada da Virgem Mãy de Deus, exposta com dous Sermoens 
de sua Immaculada Conceição. O primeyro da perfeita similhança com seu Divino 
Filho Jesu Christo. O segundo apologético, resposta a Censura que ouve do pri- 



D. Aolonio Caetano de Sousa, Historia gene<dogica da casa real porlugueza, vol. i, pag. 221. 



294 SP 

meirOj em que se mostra cõ grande agudeza & notável Theologia, entre as muytas 
prerogativas & excellencias que teve, que foy antes sanctificada que concebida. Antes 

sancta que formada. Antes glorificada que gerada. Pregou-os o M. R. P. Dom . 

En Lisboa. Na iaipressão de António Graesbeeek de Mello, impressor de Sua 
Alteza. 1682. 4.«, 66 pag. 

SPINOZA (BENEDICTI DE ). 

Opera quae supersunt omnia. Ex editionibus principibus. denuo edidit et 
praefatus est Carolus Hermannus Bruder Philos. Doct. AA. LL. M. SS. Theol. 
Licent. Editio stereotypa. Lipsiae, Typis et Sumptibus Bsrnh. Tauchnitz Jun. 1843. 
3 vols. 8.° pequeno. 1.", xxvin-416 pag.; 2.", xiv-354 pag.; 3.°, xviii-402 pag. 

Bento Spinosa, a quem Amando Saintes chama: Le fondateur de la philoso- 
phie moderne, nasceu, segundo diz Carlos Hermann Bruder, no dia 24 de novem- 
bro de 1632, sendo seu pae um judeu portuguez, commerciante, o qual, perse- 
guido na pátria, emigrou para a Hollanda. Teve o cognome de Baruch, o qual 
trocou pelo de Bento (Benedictus), quando largou a religião judaica. Falleceu no 
dia 21 de fevereiro de 1677, parece que de tysiea. 

As fontes para a biographia d'este homem tão celebre, são as seguintes: 

As cartas e prefácios das obras por elle escriptas ; 

Joh. Colerus, clericus ecclesiae evangel. — Lutheranae Eagensis, Vitae descri- 
ptiOf belgice scripta, Ultrajecti^ 1698. 

Id. La vie de Spinosa, tirée des écrits de ce fameux philosophe et du témoi- 
gnage de plusieurs personnes dignes de foi, qui Von connu particulièrement. Par 
Jean ColeruSj ministre de 1'église Lutherienne de la Eaye. A la Haye, 1706, 8." 

Réfutation des erreurs de Bénoit de Spinosa, par Mr. de Fénélon, archevêque 
de Cambray, par le P. Lamy, Benedictin, et par Mr. le comte de Boullainvilliers, 
avec la vie de Spinosa, écrite par Mr. Jean Colerus . . . augmentée de beaucmip de 
particularités tirées d'une vie manuscrite de ce philosophe, faite par im de ses amis. 
A Bruxelles, 1731, in-12. 

P. Bayle, Dictionnaire historique et critique. Edition 5ème_^ revue, corrigée et 
augmentée avec la vie de Vauteur, par Mr. de Maizeau. Amsterdam, 1740, tomo iv, 
pag. 253 a 271. 

Foi traduzida por Francisco Halma : Het Leven van Ben. de Spin. met eenige 
Aanteekeningen over zyn Bedryf, Schriften en Gevoelens . . . verlaalt door Fr. H. 
T Utrecht, 1698, 8.« 

La vie de Spinosa, par un de ses disciples. Amsterdam, 1719, 8.° Nouvelle 
edition, non tronquée, par un autre de ses disciples. A Hambourg, 1735. É seu 
auctor, Lucas, medico na Haya. 

Niceron Bamabite. Mémoires pour servir à Vhistoire des hommes illustres 
dans la republique des leltres. Tomo xiii. Paris, 1731, pag. 44 e segg., c nas 
Addições, tomo xx, pag. 59 e segg. 

Christiani Kortholti; de tribus impostoribus magnis. (Edouard Uerbert de 
Cherbury, Thomas Hobbes et Benedicto SptnosaJ, liber. Edio 11. Cura Seb. Kortholti. 
Hamburgi, 1700, 8.» 

Mr. Savérien. Histoire des philosophes modernes, avec leurs portraits, par . 

Paris, 1760, 8.» (Artigo Spinosa.) 

Joh. Mart. Philipson, Leben B. von Spin. Braunschw — 1790, 8.» 



SP 298 

Ainda outros escreveram a vida d'este philosopho, como Jenichen, Jaeger, 
Muenter, Diez, Heidem-eich, etc. 

Obras de Bento Spinosa contidas na edição de Leipzig, 1843. 

Tomo I : 

Renati. Des Cartes Principia Philosophiae more geométrico demonstrata per 
Benedictum de Spinosa Amstelodamensem. Accesserunt ejusdem Cogitata Metaphy- 
sica, in qiiibus difíiciliorihus quae tam in parte Metaphysices generali quam speciali 
occurrunt quaestiones hreviter explicantur. Desde pag. 1 até 148. 

Benedicti de Spinosaj Ethica ordine geométrico demonstrata et in quinque 
partes distincta in quibus agitur. I, De Deo. II, De natura et origine mentis. 
lllj De origine et natura affectuum. IV, De servitute humana seu de affectuum 
viribus. V, de potentia Intellectus seu de Libertate humana. De 149 até 415. 

Tomo II : 

Um erudito prefacio de (Carlos Hermann de Bruder, acerca das obras de 
Spinosa contidas n"e8te segundo volume, e datado de Leipsik, 29 de Decemb. 
1843. Desde pag. i até xiv. 

Benedicti de Spinosa Tractatus de Intellectus emendatione et de via qua optime 
in veram. rerum cognitionem dirigitur. De pag. 1 até 42. 

Benedicti de Spinosa Tractatus Politicus in quo demonstratur, quomodo so- 
cietas ubi imperium monarchicum locum habet, sicut et ea ubi optimi imperant, 
debet institui, ne in tyrannidem labatur et ut pax libertasque civium inviolata ma- 
neat. De pag. 43 a 136. 

Epistolae doctorum quorundam virorum ad Benedictum de Spinosa eusdemque 
Responsiones ad aliorum eius operum elucidationem non parum facientes. Começam 
a pag. 137 e terminam a pag. 354. São 75 epistolas. 

É a primeira, com a data de 1661, de Henrique, de Rhynsburg, povoação 
perto de Leyde, onde Spinosa viveu desde 1661 até 1664. Trata, tanto esta como 
algumas das seguintes, da existência de Deus. 

A epistola vi, enviada ao mencionado Henrique, contém annotações ao livro 
de R. Roybe, sobre o nitro, fluidez e firmeza. 

Na epistola vii informa Henrique a Spinosa, de que Boyle agradece as adver- 
tências feitas por este ao seu livro, e que tenciona escrever-lhe logo que seja 
alliviado de tantos negócios que o sobrecarregam. 

Na epistola viii envia algumas respostas de Boyle. Replica- lhe Spinosa na 
epistola IX, datada de junho de 1663. 

Epistola X. Falia Henrique das experiências feitas na real sociedade de 
Londres, e envia a Spinosa um novo livro composto por Boyle. 

Epistola XI. Manda recommendações de Boyle a Spinosa, e diz-lhe qual é 
o parecer d'elle acerca das observações que fizera ao seu livro. 

Epistola xii. Diz-lhe que muitas vezes conversa com Boyle acerca d'elle, 
Spinosa, e que Boyle acaba de compor um hvro notável acerca das cores, em 
latim e inglez, e uma historia experimental dos frios, e acerca dos thermometros, 
que n'elles apparecem muitas novidades, e que dentro em pouco lh*os remetterá. 

Epistola XIII. Resposta de B. de Spinosa. Falia das obras de Boyle. 

Epistola XIV. Pede Henrique, e informa de que o mesmo pedido fez também 
Boyle, que Spinosa publique livros ; 

Epistola XV. De Espinosa. Das rasões pelas quaes somos persuadidos de que 



296 SP 

cada uma das partes da natureza concorda com o seu iodo c está em harmonia 
com as restantes. 

Epistola XVI. Entre outros assumptos falia também Henrique do boato (jue 
n'aquelie anno corria (1665), de que os israelitas iam regressar á pátria. 

Todas as epistolas seguintes, até a xxi, versam sobre vários assumptos. 
N'esta, datada de 1675, declara Spinosa qual é a sua opinião acerca de Jesus 
Christo: Denique, ut de tertio etiam capite mentem meam clarius aperiam, dico, 
ad salutem non esse omnino necesse^ Chtistum secundum camem noscere: sed de 
(eterno illo filio Dei, hoc est. Dei cetema sapientia, quae sese in emnibus rebus, et 
maxime in mente humana, et omnium maocime in Christo lesu manifestavit, longe 
aliter sentiendum. Nam nemo absque hac adstatum beatitudinis potest pervenire, 
utpole quae sola docet, quid verum et falsum, bonum et malum sit. Et quia, uti 
dixi, haec sapientia per lesum Christum maxime manifestata fuitj ideo ipsius 
eandem, quatenus ab ipso ipsis fuit revelata, praedicaverunt, seseque spiritu illo 
Christi supra reliquos gloriari posse ostenderunt. Ceterum quod quaedam ecdesiae 
his addunt, quod Deus naturam humanam assumpserit, monuí expresse, me quid 
dicam nescire: imo, ut verum fatear, non minus absurda mihi loqui videntur, 
quam si quis mihi diceret, quod circulus naturam quadrati induerit. Atque haec 
sufficere arbitror ad explicandum, quid de tribus illi^ capitibus sentiam. An eadem 
Christianis, quos nosti, pladtura sint, id tu melius scire poteris. (Pag. 196.) 

Na epistola xxii deseja Henrique ser informado acerca do fatalismo, do qual 
accusam Spinosa; falia também da inleiligencia limitada do homem, da encarna- 
ção e redempção do filho de Deus : Deinde, quum capere te nequire fatearis, Deum 
reverá naturam humanam assumpsisse, quaerere ex te fas sit quomodo illa evan- 
gelii nostri et epistolae ad Haebreos scriptae locos intelligas, quorum prior affir- 
mat, verbum camem factum esse, posterior, filium Dei non angelos, sed sémen 
Abrahae assumpsisse. Et totius evangelii tenor em id inferre putem, filium Dei uni- 
genitum Xopv fqui et Deus et apud Deum eratj in natura humana se ostendisse et 
pro nobis peccatoribus àvríXurpov, redemptionis pretium, passione et morte sua 
exsolvisse. Quid de his et similibus dicendum, ut sua constet evangelio et Christia- 
nae religioni, cui tu favere opinor, veritas, lubens edoceri vellem. (Pag. 197.) 

Responde Bento de Spinosa, na carta seguinte, de que modo elle entende a 
fatal necessidade de todas as cousas e acções : Nam Deum nullo modo fato subido, 
sed omnia inevitabili necessitate ex Dd natura seqtii concipio eodem modo, ac 
omnes concipiunt, ex ipsius Dei natura sequi, ut Deus se ipsum intelligat ; quod 
sane nemo negat ex divina natura necessário sequi, et tamen nemo concipit, Deum 
fato aliquo coactum, sed omnino libere, tametsi necessário, se ipsum intelligere. 
(Pag. 198.) 

Miracula et ignorantiam pro aequipollentibus sumpsi, quia ii, qui Dd exis- 
tentiam et religionetn miraculis adsteniere conantur, rem obscuram per aliam magis 
obscuram, et quam maxime ignorant, ostendere volunt, atque ita novum argumen- 
tandi genus adferunt, redigendo sdlicet non ad impossibile, ut aiunl, sed ignoran- 
tiam. Ceterum meam de miraculis sententiam satis, ni fallor, eocplicui in tractatu 
theologico- politico. Hoc tantum hic addo, quod si a d haec attendas, quod sdlicet 
Christus non senatui, nec Pilato nec cuiquam infidelium, sed sanctis tantummodo 
apparuerit, et quod Deus neque dextram neque sinistram habet, nec in loco, sed 
ubique secundum essentiam sit, et qu^d matéria ubique sit eadem, et quod Deus 
extra mundum m spalio, quod fingunt, imaginário, sese non manifesti, et quod 



gp 297 

denique corporis hnmani compag^s intra débitos limites solo aéris pondere coèr- 
ccantur: facile videbis, hanc Christi apparitionem non absimilem esse illi, qua Deus 
Abrahamo apparuil, quando hic vidit homines, quos ad secum prandendum invita- 
vit. At diceSy apóstolos omnes omnino credidisse, quod Christus a morte resurre- 
xerit et ad ccelum reverá ascenderit: quod ego non nego. Nam ipse etiam Abraha- 
mus credidit, quod Deus apttd ipsum pransus fuerit, et omnes Israelitae, quod 
Deus e ccelo igne circumdatus ad montem Sinai descenderit et cum iis immediate 
locutus fueritj, quum tamen haec et plura alia hujusmodi apparitiones seu revela- 
lionês fuerint, captui et opinionibus eorum hominum accommodatae, quibus Deus 
mentem suam iisdem revelar e voluit. Concludo itaque, Christi a nwrtuis resurre- 
ctionem reverá spiritualem et solis fidelibus ad eorum captum revelatam fuisse, 
nempe quod Christus aeternitate donatus fuit e a mortuis (mortuos hic intelligo eo 
sensu, quo Christus divit : sinite mortuos sepelire mortuos suosj, surrexit, simu- 
latque vita et mort singular is sanctitatis exemplum dedit; et eatenus discipulos sitos 
a mortuis susdtat, quatenus ipsi hoc vitae ejus et mortis exemplar sequuntur. Nec 
difficile esset totam evangelii doctrinam secundum hac hypothesin explicare . . . 

Na epistola xxiv não se conforma Henrique com a opinião de Spinosa; res- 
ponde este, porém, na seguinte, e declara que acceita a paixão, a morte e sepul- 
tura de Christo, mas que emquanto á resurreição não passa eiia de uma aHegoria. 
(Pag. 203.) 

A epistola xxvi é de Simão de Vries, e versa sobre questões philosophicas, 
á qual Spinosa responde na seguinte. 

Na XXIX responde a Luiz Meyer acerca do infinito. 

A XXX é dirigida a Pedro Balling sobre as imaginações. 

Na XXXI escreve Guilherme de Blyenberg a Spinosa acerca da duvidosa e 
livre vontade do homem e do decreto eterno de Deus. 

Na seguinte responde-lhe Spinosa, mas na xxxiii, que é extensissima, impu- 
gna Guilherme a opinião de Spinosa acerca do peccado por mera negação, e a 
sua opinião acerca da Escriptura Sagrada ; na seguinte apparece a resposta de 
Spinosa. 

Na XXXV responde Guilherme. 

Na XXXVI, dirigida ao mesmo Guilherme, sustenta Spinosa que se deve dis- 
putar acerca de Deus e das cousas divinas de modo diflferente, fallando com 
philosophos, d'aquelle pelo qual se deve fazer argumentando com theologos. 

As seguintes epistolas versam todas sobre assumptos theologicos e philoso- 
phicos, mas a xliii, datada de 1 de outubro de 1666, é destinada a resolver 
um problema de arithmetica, e algumas das seguintes á solução de problemas 
de physica. 

Na LI remette Leibnitz um opúsculo publicado acerca de óptica, e deseja 
saber a opinião d'eile, e na seguinte declara Spinosa não ter percebido bem a 
nova opinião de Leibnitz, e pede-lhe explicações. 

Na epistola liii, aimo 1673, olíerece Fabricio a Spinosa. em nome do Eleitor 
Palatino, o cargo de professor de philosophia na academia de Heidelbcrg, com 
amplíssima liberdade para philosophar. 

Na seguinte agradece o phiíosopho, e pede que o deixem pensar. 

Epistola Lv Um anonymo consulta o phiíosopho acerca de apparições, es- 
pectros e lemures, á qual responde, dizendo não saber o que sejam espectros, e 
que a auctoridade dos antigos e dos modernos a tal respeito nada vale. Mas o 



298 SX 

anonymo replica, apresentando diversos testemunhos e argumentos para demons- 
trar a existência dos espectros. 

Epistola LViii, Haya, 1674, sobre a creação do mundo. 

Epistola Lix, dirigida a Spinosa. Sobre os espectros, contra a opinião do 
philosopho. 

Este responde na immediata. Haya, 1674. 

Epistola Lxi. Da variedade das opiniões dos philosophos, Resposta na se- 
guinte. 

Epistola Lxiir, para persuadir o philosopho a publicar livros philosophicos. 

As duas seguintes versam sobre philosophia e theologia. Resposta na im- 
mediata. 

Epistola LXMi. Pergunta-se se os attributos de Deus são dois ou mais. Em 
summa, a correspondência seguinte versa sobre o infinito, variedade das cousas, 
das novas invenções e acerca da refracção. 

Na epistola lxxiii participa Alberto Burg a Spinosa que elle se tinha passado 
para a igreja calholica, e aconselhando o philosopho a fazer o mesmo. Este, 
porém, na carta seguinte, lamenta o procedimento de Burg, e refuta os seus 
argumentos. 

Epistola Lxxv. Informa Spinosa a Lamberto van Velthuysen, que tenciona 
publicar um Tratado theohgico-politico, iilustrado com annotações. 

Tomo 111 : 

Prefacio i a xviii. 

Benedkli de Spinosa, Tractatus Theologico-politicus continens Disserta tioiies 
aliquotj quibus ostenditur libertatem philosophandi non tantum salva pietate et 
reipublkae pace posse concedi, sed eandem nisi cum. pace reipublicae ipsaque pie- 
tate tolli non posse. De pag. 1 a 271. 

Compendium Grammatices linguae hebraeae; termina na pag, 402. 

SPONDE. 

Annales historiques de Don Sébastien. 

Falia d'esta obra Viltorio Siri, no seu Mercure, vol. i, pag. 171. Paris, 1756. 

SPONTONE (CIRO ). 

Raggtiaglio fedele et breve dei fatto d' arme seguito nelV Africa tra D. Sebas- 
tiano Re di Portugallo et Mulei AvÂa Mtduco per riporre ne' regni di Marocco. 
Bologna, Benacci, 1601, in-4.*' 

STACKi: (L.). 

Inez de Castro. Braunschweig, 1883, 5 pag., 8." 

É um ensaio histórico acerca de Ignez de Castro, com referencias a (Camões. 

STAEL (MADAME ). 

Traz uma biographia de Camões, e defende-o do syncretismo dos mythos 
religiosos. (Na Biograpine universelle. Paris, Michaud, 1811.) 

«O prestigio de imaginação que persuade a Corina que o diamante adverte 
da traição é apoiado por uma tradição antiga ; acha-se esta tradição mencionada 
em uns versos hespanhoes de um caracter verdadeiramente singular. O Príncipe 



ST 299 

Fernando, portugiiez, os dirige em uma tragedia de Calderon ao Rei de Fez, de 
quem elie era prisioneiro. Aquelle Principe preferiu morrer nos ferros á desgraça 
de ceder a urn Rei mouro uma cidade christã, que o Rei Duarte, seu irmão, oífe- 
recia para o resgatar. O Rei mouro, irritado d'aquella repulsa, fez soílrer os mais 
indignos tratamentos ao nobre Principe, o qual, para Itie tocar o coração, lhe 
recorda que a misericórdia e a generosidade são os verdadeiros caracteres do 
supremo poder, citando-lhe, para isso, tudo quanto ha de real no universo ; o 
leão, o delphim e a águia, entre os animaes; e entre as plantas e as pedras pro- 
cura também todos os indícios de bondade natural, que se atlribue áquellas que 
parecem domitiar sobre as outras; é então que faz menção do diamante, que, 
sabendo resistir ao ferro, se parte por si mesmo e se faz em pó, para adveitir 
aquelle que o traz comsigo da traição que o ameaça. Não se pôde saber se esta 
maneira de considerar a natureza em relação com os sentimentos e com o des- 
tino humano é malhematicamente verdadeira, mas o que é certo é que ella agrada 
sempre á imaginação, e que a poesia em geral, e os poetas hespanhoes em parti- 
cular, d'ella liram grandes bellezas. 

«Calderon não me é conhecido seíiSo pela traducçâo em allemão de Augusto 
Wilhelm Schiegel; porém toda a gente enj Allemanha sabe que este escripor, um 
dos primeiros poetas do seu paiz, achou também o meio de transportar para a 
sua lingua, com a mais rara perfeição, as bellezas poéticas dos hespanhoes, dos 
italianos, dos inglezes e dos portuguezes. 

«Póde-se formar uma idéa viva do original, qualquer que seja, quando se lé 
em uma traducçâo feita d'aquelle moào. »— (Corinna ou a Itália, traduzida por. 
D. F. de P. P. C. Lisboa, 18.34, tomo ni, pag. 274.) 

STAFFELDT (SCUAK ). 

Em uma collecção de poesias dinamarquezas que tem por titulo: Nye Digte 
af Schack Stafeldt. Kiel, i den academiske Boghandling, 1808, 1 vol. in-8.° 
A pag. 175 vem um poemeto intitulado : Camões, em versos de ditierenles me- 
didas, e a modo dramático, sendo interlocutores Camões, um frade, o escravo 
Jau e vozes de anjos. Contém 24 pag. 

STAFFOUD ou LEE (IGNACIO ).— Jesuita, natural de Statlord- 

shire; entrou para a Companhia de Jesus, na Hespanha, no anno de 1618, com 
dezenove annos de idade. Ensinou mathematicas em Lisboa, e mais tarde acom- 
panhou, na qualidade de confessor, ao marquez de Monte Albano, nomeado vice- 
rei do Brazil. Morreu em Lisboa no anno de 1642. 

Historia de la celestial vocation, missiones apostólicas y gloriosa muerte dei 
Padre Marcelo Franco Mastrdi, hijo dei Marquês de S. Marsana, Indiatico felicis- 

úmo de la Compania de Jesus. A António Telles da Silva. Por el P. . In- 4.°, 

136 pag., afora a epistola dedicatória. No íim: Em Lisboa, por António Alvarez, 
ano de 1639, com unia estampa representando o supplicio do P. Mastrili, mar- 
tyrisado no Japão em 1637. 

Istoria delia celeste vocatione, missioni apostoliche et gloriosa morte dei P. 
Marcello Francesco Mastrili Indiano felicissimo delia medesima Compagnia, in 
lingua Castigliana, e dedicaia ai Sig. António Telles da Silva, hora transportata 
in Italiano, et dedicata aW Illustrissimo Sig. Cario Brancaccio. In Viterbo, appresso 
Bernardino Diotallevi, 1642, in 4*', 94 pag. 



300 ST 

Histoire de la miraculeuse giiérison, celeste vocatioa, missions apostoliques et 
iflorieiise mort du Père Mareei François Mastrilli, de la Compagnie de Jéms, fils 
(hl marquis de S. Marmno, composée en espagnol par le R. P. Ignace Stafford, 
de la Compagnie de Jesus, et mise en françois par le R. P. Laurent Chiffletj de la 
mesme Compagnie. A Douay, chez la Vefve Baltazar Bellere, 1640, in-8.°, 148 pag. 

STANLEY (LORD ) OF ALDERLEY. 

Barbosa. Coasts of East Africa and Malabar , translated by . 1865. 

Magellan's first voyage round the W^orld, from Pigafetta and others by . 

1874. 

STAVORINUS (J. S.).— Chef d'escadre de le Republique Batave. 

Voyage par le Cap de Bonne Esperance et Batavia, a Samarang, a Macassar, 

a Amboine, et a Surate, en 1774, 1775, 1776, 1777 et 1778, par . Traduit 

du HoUandois. Omè de Cartes et de figures. A Paris, chez H. J. Jansen. An vii de 
la Bépublique Française. 1.° vol., 386 pag.; 2.», 361. 

N'esta obra encontram- se muitas noticias relativas aos porluguezes e seus 
feitos nas partes orientaes. 

STEENACKERS. 

Louis de Camoens, lá Renaissance et les Lusiades. Paris. 

8TELZER. 

Vue du palais du Roi de Portugal à Lisbomie, du cóté de la mer. J. J Stelzer 
SC. J. B. Probst. excudit. Vue à rebour colorié, montrant le palays royal et une 
partie de la ville. 0'»,28 xO^.41. 

STENGEL (EDMIJND ).— Pistincto romanista allemão. 

No supplemento ao Allgemeine Zeilung, de 30 de janeiro de 1873, descreve 
do modo o mais lisonjeiro o movimento da litteratura em Portugal. 

STEPHENS (H.). 

Portugal. London. 

8TEVENS (JOUIV ). 

The ancient and present State o f Portugal. London, 1705. 

A new collection of voyages and traveis, into severalparts of the world, none 
of them everfore printed in English. Containing: i. The description of the Molucco 
and Philippine Islands, by L de Argensola. ii. A new Account of Carolina, by 
Mr. Lawson. iii. The traveis of the Jesuits in Ethiopia. iv. The traveis of P. de 
Ciei'a in Peru. v. The caplivity of the sieur Mouette in Fez and Moroco, &. Lon- 
don, J. Knaplon, 1711. 7 partes em 2 vol., com mappas e estampas. 

STEVENS (TI10MA8 )• 

A letter writen from Goa, the principall city of ali the East Indie», by one- 
and sent to his father M. Thomas Stevens ; anno 1579. 

Esta carta, escripla em inglez antigo, e relativa á nossa íioa, íoi pelo sr. Ger- 



ST =«>i 

soa lia Cunha publicada hui os n."" 23 e 24 do jornal Institulo Vasco da Gama, 
Nova Goa, 1873 

O sr. Gpison assevera que o P. Estevão era natural de Wiltshire, na Ingla- 
terra, e nilo de Londres*. 

STIEU (H. C. G.). 

Vasco da Gama's, zeveite. Reise, 1502-1503. in-8." 

STIMIJLUS pastorum a D. Barlholommo Martyrihns. Francopoii, 1765. 

STOCK (LE BAttON ). 

Leu matinées espagnoles. Nouvelle revue internntionale, européemip, anecdoti- 
que, artistiqiie, politique et littéraire. Avec la coUaboration des principaux écri- 
vains contemporains. 

Entre os collaboradores vêem-se os seguintes nomes portuguezes: Joaquim 
de Araújo, Theophilo Braga, Visconde de Benalcanfor, Christovão Ayres, Pinheiro 
Chagas, Eça de Queiroz, Júlio César Machado, Rodrigues e Lourenço Pinto. 

O primeiro numero (janeiro de 1883), traz um soffrivel retrato lithogra- 
phado de El-Rei D. Luiz, com um pequeno artigo biographico. N'elle se lê também 
um artigo de Maria Letizia de Rute (Princeza de Solms, Madame Rattazzi), ana- 
lysando o romance de Eça de Queiroz : O Primo Basilio ^. 

Parle, pelo menos, do Primo Basilio, foi estampada nas Matinées espagnoles. 

Barão Stock é o pseudonymo de madame Rattazzi, fundadora da nova re- 
vesta. 

STOCKDALE (J. J.). 

Proceed on the enquiry into the armistice and convention of Cintra. London, 
1809. With five milifary plans. 

New military of Spain and Portugal. 

Nairative of the Campain, wich preceded the convention of Cintra. London, 
1809. With maps. 

Traveis of the duc of Chatelet in Portugal, the manuscript revised hy .J. Fr. 
Bourgoing, translated from the french, hy . London, 1809, in-8.*» 

STORCK (WILHELM ). 

Camôens in Deutschland. Bibliographische Beitrãge zur Gedãchtnissfeier des 
Lusiaden sangers. Kolozsvar, 1879, in 16." gr., de 45 pag. 

Luís de Camoens. Sãmmtliche Gedichte. Zuni ersten Male deutsch von . 

Dritter Band. Buch dei' Elegueen, Sestinen, Oden and Octaven. Paderhorn. Druck 
und Verlag von Ferdinand Schôning, 1881, 8.«, xvi-434 pag. 



' Ce fut au letoiíi do Slephens que Ics anglais, compiftnnanl par ses récits et ses observations 
combien ils avaient négiigé leiírs avanlages, depois que le Portugal accumulait des Irésors auxqncls 
toules les nations de lEurope avaient leà raêmes droits d'aspirer, sinflammèrent des deux puissanies 
passioDS de Tinlérêt et de la aloire, et pretendirent à des biens donl on ne pouvait da moins leur ráfuser 
ie partage. (Baron Walcknaer) 

* O oecidente, i de março de 1883, pag. 56. 



m SU 

STOI\Y (THI-: AFFECTING) of Lionel and Arahella, who first discovered 
Madeira. Added lhe dangerous voyage of J. Gonsalvo Zarco to Madeira. From lhe 
Portuguese. London, 1756. 

STOTiiEirr. 

Narrative of the principal events of the Campayns of 1809, 1810 et 1811, in 
Spain and Portugal. London, 1812. 

STIIADIOTTI (CAKLOS ). 

La galleria delle virtú di S. Franceseo Saverio, Apostolo delV Indie, aper^ta 
alti di lui divoti, per imitarlo, e dedicata alia Congregazione de' Signori Cavalieri 
nella Casa de' Professi delia Compagnia di Gesú di Napoli. Napoli, nella slampa 
di Miehele Luigi Mutio, 1715, in-12.° 

SUARCE (COLONEL BARON DE ). 

Journal de Verpédition des Algarves, sous U commandement du marechal duc 

de Terceira, Année 1833. Par le . Paris, Baehelier, imprimeur-libraire, Quai 

des Augustins, n.° 55. 1834. 8." grande, ii-69 pag. 

«A ultima guerra de Portugal abunda em lanços de dedicação e de coragem; 
tem ella seus heroes e seus bellos dias. Todavia a honra de ter levado esta glo- 
riosa empreza a bom êxito, pertence, em grande parte, ao Imperador D. Pedro, 
cuja brilhante bravura e nobre firmeza de caracter nem sequer por um só instante 
se desmentiram. 

«Uma penna portugueza ha de pintar, sem duvida, as misérias e os prodí- 
gios do cerco do Porto, e ha de celebrar os memoráveis combates de Vallongo, 
nos dias 29 de setembro, 24 de janeiro, 5 e 25 de julho, 10 de outubro e 18 de 
fevereiro.» 

A tarefa que o auctor d'este diário a si mesmo impõe, é a de fazer conhe- 
cer a expedição dos Algarves, debaixo do commando do duque da Terceira. 

8UAREZ (JUAN ).— Natural de esta Corte; dei Sagrado Orden de 

los mínimos de S. Francisco de Paula, lector jubilado en S. Theologia, y actual 
de Sagrada Escriptura y Theologia Moral de la Província de Sevilla. 

Elogios fúnebres de la Serenissima Magestad de nuestro muy Catholico, muy 
alto y muy poderoso S. D. Manuel, única deste nombre de gloriosa memoria, fíey 
de Portugal, Principe Jurado de Castilla, Primer Conquistador de la índia Orien- 
tal, dei Brasil y sus Beynos, nuebo Mundo, Occidental, de uno y otro glorioso mo- 
narcha. Propagador de la Fé Catholica en ellos, açote de Meros en la Africa, 
siempre triumphante dei Turco en la Ásia, Gran Padre de Pobres; Espejo de 
Principes. Patrono y hermano de la Real Mesa de la Miseincordia desta Corte. 
Dixolos en su Real Casa de la S. Misericórdia, el dia de S. Luzia, en sus annua- 

les Exéquias el P. F. ■. Dedicolo a la S. Misericórdia desta Corte. Por Diogo 

Soares de Bulhoens. Anno de 1670, 4.*», 38 pag. 

SUB INGRESSUM Excellentissimi Comitis Cubiliarchi Domini Dom. Joan- 
nis Saa Menesii Extraordinarii Lusitaniae Regis ad Parlamentum Angliae Legati 
Angli Anonymi Schediasma. Londini. Impensis Stephan. Bowtell. Bibliopolae in 
viço vulgo dicto Popes-Head-Alley, 1652, 8.° grande, H pag. 

Ha um exemplar d'este opúsculo na bibliotheca nacional de Lisboa. 



SU 303 

SUCCE8S1 (GLI) (Mia presa delia Goletta con altre particularità de' pro- 
fjressi dello esercito et aiinata Cesárea insino alli XIX di luglio. 1535. Et anche la 
presa de Tunice. No fim : Data in Tnnisi. Die. XXVI luglio. 1535. 

V. a respeito d'eslH obra o vol. ii do Supplènent au Manuel de Brunetj, 
pag. 702. 

Faz-se menção d'esle opúsculo, porque os portuguezes tomaram parle não 
pequena na referida expedição. V. Cienfuegos, Vida de S. Francisco de Borja. 

SUCCESSO do segtmdo cerco de Diu, estando Dom Joham Mascarenhas por 
capitam da fortaleza. Ano de 1546. { vol. in-4.'' É muito raro. 

SUETVO dei General Stanhope en la imaginaria Conquista de Espana con 
las heréticas armas de Inglaterra. Romance heroyco. 
Guerra da acciamação. 
Existe um exemplar na bibliotheca nacional de Lisboa. 

SUE]\OS AY^ que &on verdades y D. Phelippe Ven Estremadura. Comedia 
Nueva. Impresso em Lisboa, 8.", 24 pag., em verso. 

São protogonistas d'esla peça, entre outros, D. Pedro II, Rei de Portugal, 
D. Vasco Figueira, portuguez, e D. Mendo Dupraga, portuguez. 

SUITE du Recueil des décrets apostoliques et des ordonances du Roi de Por- 
tugal au sujei des crimes commis par les religieux de la Compagnie dite de Jesus 
dans le royaume de Portugal et ses dépendances. 3 partes. 

SULZEU (JOH. GEORG ). 

Allgemeine Theorie der Schônen Kiinste in einzelnen nach alphabetischer Ord- 
dnung der Kunstwôrter auf einander folgenden Artikeln abgehandelt. Neue verm. 2. 
Anfl. Leipzig, 1792 a 1794 

Vol. lí : pag. 546 a 547. Heldengedichte in portugiesischer SprarAe^ Luis de 
Camoens. Vol. iv: pag. 168. Spanische n. portugiesische Satire. (Camoens.) 

SUMMAIIIO delle cose successe à Don Giovan di Castro^ Gou£rnator dei 
stato delia índia pel U potentíssimo Re di Portugallo, tanto nelle guerre contra lo 
Idalcaon Signore delia terra [erma qual é presso alia Città di Guoa, come anche 
principalmente nella uittoria che Iiebbe rõpendo V esercito dei Re di Cabaia qual 
teneua assediata la fortalezza delia Città de Dio, oue era per Capitanio di <?s.so 
don Giuan Mascharenhas, &c. Stampalo in Roma, per António lilado, 1549, in-4." 
pequeno, 20 folhas. 

SUMMARIO di documenti autentici citati nel Supplementi alie Reflessioni e 
ai appendice de Portoghesi. Génova, 1760, 4.°, 1 vol., 136 pag. 

SUPPLÉMEiVT au^ Refléxions sur le Desastre de Lisbonne, 1757. 

SURABAYA.— (Na Java.) 

«A propósito da palavra karrossa, corrupção evidente de carroça, em por- 
tuguez, aproveitarei a occasião para fazer notar que vi, e não sei descrever com 



304 SY 

que seiítiiiíeiitos, que muitíssimas palavras da nossa iiugua ainda hoje as conser- 
vam adoptadas na sua, desde os antigos tempos em que Portugal dominava 
n'aquellas paragens, pois, com effeito, eu lhes ouvia pronunciar vocábulos per- 
feitamente portuguezes, taes como : manteiga^ sapato, garfo, etc. 

«Não é isto para admirar, porque do mesmo modo ainda hoje na China, 
Malaca e nas índias, como depois verifiquei, grande numero de individuos entre 
aquelles povos não só comprehendem a nossa língua, mas até se ufanam de serem 
nossos compatriotas, dízendo-se descendentes dos nossos antepassados, e mos- 
trando, para o provar, as igrejas catholícas, que ainda conservam em alguns 
pontos, e os innumeraveis padrões da gloria que Portugal alli adquirira nos 
tempos do nosso poderio ^» 

SURIAGY A]\ÀUDA RAU. 

Grammatica da língua maralha explicada em língua portugueza. Nova Goa, 
1875. 

8URVEY Statístical and geographical of Spaín and of Portugal. London, 
1808. 

SlJTriVER-EUEIV WIN (DR. HERMANN VOIV ). 

Camões ein phíbsophischer Dichter, dargestells nach seinen Lusiaden. Wien, 
1883, in-16.« 

SWAIJVSON (MR.). 

Carta de , de Liverpool, escrita ao professor Jameson, d' Edimburgo, em 

que lhe dá relação da viagem que fez pelo Brazil em 1817 e 1818. 

Foi publicada em portuguez a pag. 218, etc, do Ramalhete, vol. i. 

SWIIVDELLS (RUPERT ). 

A mmmer trip to the Island of Saint Michael the Azores. With map and íllus' 
trations. Manchester, printed for private circulation. 1887, 8.°, de viii-172 pag. 

SYLVA (P. D. JOSÉ FRANCISCO DA ).— Clérigo Regular, e Lei- 
tor, que foi, de Filosophia e de Theologia na Universidade de Salamanca 2. 

Novena e breve compendio da vida do glorioso Santo André Avellino, Clérigo 
Regular, particular advogado para feridas, partos perigosos e pessoas morilmndas. 
List)oa, 1723, in-lô.» de 86 pag. 

8YNCHAR1STICON Amoris Império inauguratae Mariae Annae, Archi- 
ducis Austriae Joanni V Lusitaniae Regi nuptiali foedere illigatae, ah Universitate 
Vimn. Viennae, typis Gosnierovii, 1708, in-fol. 



* Francisco Travassos Valdez, Da Oceania a Lisboa, Rio áe Janeiro, 1866, pag. 158. 

* D. Thomaz Caetano df Bem, Vida de Santo André Avelino (no prologo). 



«Monsieur.— Vous avcz fait une (puvrenoble, ulilopl vnie. Volre 
Iravail siir la race latine ost excellent. Au momenl ou le nortl ohcr- 
che à terrasser Io midi, il faut que le midi se sonlève avec loutfts 
ses forces ; les homnies comme vous sont les combatants aujourd'hui 
et seronl des vaioqueurs dcmain » 

Victor Hugo ao sr. Júlio de Vilhena, a respeito das Raças histo- 
ricax da península ibérica, obra d'este ultimo oscriptor. 



T. (A.). 

History of the Azores or Western Islands ; containing an account of the go- 
vernment laws, and reUgiov, the manners, ceremonies anã charactei' of the inha- 
hitants and demonstrating the importance of these vahiable islands to the Brittsh 
empire. Hlustrated by maps and other engravings. London, 1813, 4.^ 1 vol. de 
viii-v-310 pag. 

TABAQUAT I AKBART, Historia do Mogol 

Contém ' algumas, posto que poucas, referencias aos portuguezes, incluindo 
a narrativa da morte do Rei de Badur. Refere se também á construcção da for- 
taleza de Surrate, que foi feita para obstar ás suppostas depredações dos portu- 
guezes. 

TABLEAUX de Lisbonne en 1796 fpar CarrièreJ ; suivi de lettres écrites 
de Portugal svr 1'état ancien et actuei de ce royaume. Traduit de 1'anglais (de 
Miss Philadelphie Stephens), par Jansen. Paris, 1797, 8.* 

TABLETTES chronologiques et historiqties des róis de Portugal jusqu'à 
1'année 1116. Haye, 1761. 



' Tolbort, Auctoridades para a historia dos porlngnezcs na índia. No Instituto Vasco da Gama. 
Nova Goa, 1874, pag. 18G. 

20 



306 TA 

TAGEMANN (C. T. ). 

Das Leben Sebastian J. C. und Melo von . 1782, 2 voL, 8.» 

TALASSI (ANGELO ).— Poete au service de S. A. R. le Prinee du 

Brésil, Régent du Portugal. 

A Sa Majesté Impériale Alexandre premier, empereiír de toutes les Biíssies, 
1'auguste, le 'pieux, le vainqueur. Ode pindarique. A Lisbonne, dans Tlmprimerie 
Royale, en 1813. 

UOlmo abbatuto. Poema di . Dedicato a Sua Altezza Beale Don Gio- 

vanni. Príncipe dei Brasile. Lisbona, nella stamperia di António Rodrigues Ga- 
Ifiardo, i79o, 8.°, 453 pag. 

Per il felicíssimo primo parto di Sua Altezza Reale la Signora Donna Car- 
lota Gioacchina, Infanta di Spagna, Príncipessa dei Brasile j Sc. Lisbona, nella 
Stamperia Reale, 1793. 

TAMS (G). 

Portug. Besitzungen in Súdwest Africa. M. Voriv. Ritter, 1845. 

visit to the poiiuguese possessíons in S. W. Africa. Translated by Lloyd. 

London, 1845. 

TAPROBANE Insule \ Orientalis Ethiopie acquisitio \ Et potentissimi inibi 
Regis iex alijs regibus imperantis Sub | ingatio \ navalisq \ belli victoriosa cum 
sarracenis propu \ gnatio: ac alia gloriosa ^ per Porlugalen noviter de Anno \ Do- 
mini Millessimo quingentessimo septimo gesta. 

No fim: Ex oppido Abrantes: XXV septembris. m.d.vii, em golhico, 4.<' pe- 
queno, 4 folhas. 

«Este folheto raro trata da expedição de Lourenço de Almeida contra a 
ilha de Ceylão. É elevado ao preço excessivo de 250 francos n'um recente cata- 
logo de Mr. Tross ^» 

TA SSI-YANG-KUO, 

Semanário macaense de interesses públicos, locaeSj litterario e noticioso. 
N.°* 1 a 52. Outubro de 1863 a setembro de 1864. Macau, foi. 

TAVERNIER (J. B.).— Écuyer, baron d'Aubone. 

Les six voyages de en Turquie, en Perse et aux Indes, pendant Vespace 

de quarante ans, et par toutes les routes que Von peut tenir. Suivant la copie, im- 
primée à Paris (Holl. Elzev.J. 1670, 12.°, 3 vol. 

O tomo III traz : Uma noticia do Japão, e da causa da perseguição dos chris- 
tãos em suas ilhas, etc. 

Becueil de plusieurs relations et traités singuliers et curieux, divisée en cinq 
parties. Paris, chez Gervais Clouzier, 1679, 4." 

«A diílieuldade que ha de peneirar no Japão faz com que nós, alem do que 
escrevem os hollandezes nas suas relações, nada saibamos. Estes são os únicos 
povos que toem a permissão de irem commerciar n'aquellas ilhas, que os porlu- 



Deschamps el G. Braoet Siipplément au Manuel du lihraire, de Ijrunel, vol. ii, pag. 727. 



TE 307 

guezes descobriram em 1542, até que imi miserável cozinheiro de um navio, que 
de Amsterdam navegava para as índias, tendo subido ató ao cargo de presidente 
tia feitoria do Japão, teve a phanlasia de excluir os portuguezes d'este commer- 
cio, pois inventou para tal fim calumnias tão negras contra elles e contra os 
christcãos d'este paiz em geral, que o imperador do Japão se resolveu a expulsar 
os primeiros e a exterminar os outros, cujo numero, que augmentava todos os 
dias n'este império, tinha subido até alem de quarenta mil. 

«É o que Mr. Tavernier descreve na primeira das cinco partes que compõem 
este volume. 

«A segunda é uma relação do que se passou em a negociação dos deputados 
que estiveram na Pérsia e nas índias, tanto da parte do rei, como da companhia 
franceza, para o estabelecimento do commercio. 

«Finalmente, a ultima parte é a historia do procedimento dos hollandezes na 
Ásia.» 

TEILLAIS (C. DE LA ). 

Etude hisiorique, économique et politique sur les colonies portugaiseSj leur 
passéj, leur avenir, d'après les décrets de novemhre et décemhre 1869. Paris, Impri- 
merie administrative de Paul Dupont, 1870, 277 pag. 

TEIXEIRA (MANUEL ).— Natural de Bragança. Foi ás índias em 

1551. Foi reitor dos collegios de Cocliim e de Baçaim; provincial em 1573. 
Acompanhou mais tarde uma embaixada á Cliina. Morreu em Goa em 1590, com 
eincoenla e dois annos de idade. 

Carta aos padres da Europa, escripta de Goa em 25 de dezembro de 1560. 
Foi vertida para latim nas Epist. da índia. Lovanii, 1569; ibid. 1570. Vertida 
piira italiano. Venga, 1562, 8." 

Carta aos padres da Europa, escripta de Baçaim em 1 de dezembro de 1561. 
Vertida para italiano. Venetia, 1562. 

Carta aos irmãos da Companhia de Goa, escripta do porto de Cantão em 
1564. Vertida para hespanhol. Alcalá, 1575, 4.® 

Carta escripta ao P. Geral em 2 de janeiro de 1569. Vertida para italiano, 
Roma, Bladio, 1570, 8.« 

TEMPESTA (ANTÓNIO ). 

Vita di Santo António. Roma, 1597, foi. 

É dedicada ao cardeal Cinthio, e diz-nos Descliamps, a pag. 735 do vol. ii 
do Supplemento ao Manual de Brunet, ser muito rara. 

TENAC (VAN ). 

Histoire générale de la marine, comprenant les naufrages célebres, les voyages 
autour du monde, les découvertes et colonisations, Vhistoire des pirates, corsaires, 
et négriers, exploits des marins illustres, voyages dans les mers glaciales, guerres et 
batailles navales jusqu'au bombardement de Tanger et la prise de Mogador, par le 

Prince de Joinville. Édition splendidement illusirée. Publiée sous la direction de . 

Paris, Eugène et Victor Penaud, éditeurs. 8.° gr., 4 vol. 

Esta obra apresenta baslantes noticias relativas aos feitos da marinha portu- 
gueza. 



308 XH 

TERCEUA. jornada de la comedia (^Al freir de los huevos». 
Figura n'ellca um portuguez, e é relativa á guerra da acclamação. 

TESSIKR (JULES ). — Professeur suppléant k la faculte de letlres 

de Caen. 

Le Chevalier de Gani. Relations de la. France avec le Portugal au tejnps de. 
Mazaritij par . Paris, librairie Sandoz et Fischbacher, 1877. 

«O chevalier de Gant teve muitas occasiões de fallar com Luiza de Gusmão 
sobre a politica de Portugal e de França. Em uma memoria, dirigida pelo em- 
baixador franeez a Mazarini sobre as entrevistas que tivera com a rainha em 
1655, lê-se o seguinte: 

«A Son Eminence — Monseigneur. - Si les grandes qualités de la reine de 
Portugal n'ostoient cognues de Votre Eminence ainsy que de toute la France, il 
luy seroit difíicile de se persuader qu*une femme peust estre esclairée au point 
que Test cette princesse, et que ce qui est en elle de naturel et d'aequis se ren- 
contre au degré d'elevation ou son esprit la porte; son raisonnement est fort 
solide, son discours poly et sa parolle aceompagnée de tant de graces qu'il y a 
eu d'admiier qu'il s'y puisse trouver tant de douceur, et de fermeté et de resolu- 
tion. Les langues latine et italienne luy sont aussy communes que le eastillan et 
le portugais. . .»'. 

É obra importante, e que deve ser lida por aquelles que desejarem estudar 
a fundo o reinado de D. João IV. 

TESTAMENTO politico dei marchese de Pombal o sieno ultimo istruzioni 
ai conte d' Oeiras suo figlio trovate ira i suoi manoscripto. Itália, 1782, 8.» 

Vem mencionada esta obra nos Narcóticos, de Camillo Gastello Branco, 
vol. II, pag. 44. 

THECO (IVICOL4ISE ). 

Historia Provinciae Parauariae, Societatis Jesu. 

Dizem ser um livro raríssimo, e o qual apparece citado a pag. xxii da obra, 
Relation des missions du Paraguay, traduite de 1'italien de M. Muratori. Pai'is, 
1757. 

"Os historiadores do Paraguay citam-no debaixo do nome hespanholado de 
Del Techo^.» * 

THERY (WILIIELM VOIV ). 

Camoens, traverspiel funf acten von . Bareulh, 1832. 

TUEVENOT (MELCmSEDECU ). 

Relations de divers voyages curieux qui nont point este publiées & qu'on a 
traduit ou tire des originaux des Voyageurs Francois, Espagnols, Allemands, Por- 



Francisco da Fonseca Benevidos, Rainhas de Portugal, vol. ir, pag. 79. 

Deschamps el G. Burnel, Supplement au Manuel du lihraire de Brunei, vol. ii, pag. 734. 



tiigais, AngloiSj HoUanâois, Pevsans, Árabes & aiUres Orientaux, données au pu- 

blic par des soins de [eu M. . Le tout enrichi de figures de plantes non décrilesy 

d'animaiix inconyins ã VEurope, & de Cartes Géographiques, qiii n'ont point encore 
este puhliées. Noiwelle édition augmentée de plusieurs relations mrieiíses. A Paris, 
cliez Tliomas Moette, 1696, foi., 2 tomes. 

N'esta obra, que é muito elogiada no Journal des Sçavans, 26 de março de 
1696, encontram se extractos da Historia geral da Ethiojna Alta ou Preste João, 
do P. Bailhazar Telles, e da Relation de Vempire des Abyssins, do P. Lobo; da Ásia, 
de João de Barros, ete. 

THÉVET (ANDRÉ ). 

Singularités (Les) de la France antarctique. Paris, 1558; ibid., 1878, publi- 
cada por Gaffarel. 

Treta esta obra da bahia do Rio de Janeiro*. 

TH03IAS (AIVTOmE ).— Jesuita, nascido em Namur no anno de 

164i. 

Libellus rationum, qiiibus ostenditur expedire Sereníssimo Principi Lusitaniae 
íentare fioc tempore reditimi Lusitanorum in Japoniam, missa ad ejtis Imperato- 
rcm legatione, oblatus Excellentissimo D. Francisco de. . . Comiti de Alvor Indiae 
Proregi in Epistola data Maçai 3 Decemb. 1683. 

Indicae expeditiones Soe. Jesu a calumniis vindicatae. Id est Apologia S. J. 
in índia Orientali Evangelium pí^aedicarttes adcersus accusationes Romae [actas a 
Missionariis Apostolicis S. Congregationis de Propaganda Fide. Quam typis vtd- 
gavit Doctor Claudius von ^psse/. Coloniae Agrippinae, 1684, 4/^. 

TH03IASSY (M. lU). 

No Bulletin de la société de géographie, fevereiro de 1842, vem um artigo 
acerca de Guillaume Filastre. Trata-se ii'e]le do Preste João das índias e das des- 
cobertas e conquistas dos portuguezes. 

THOMSOJV (JAMES ). 

SpaiUj its position and evangelization : also prolestant religioiís liberty abroad. 
Mission in Portugal. London, 1853. 

THWAITES (R. G.). 

The Colonies 1492-1750. With 4 maps. London, 1891. 

TICKNER (GEORGE ). 

Geschichte der schúnen Literatur in Spanien. Deutsch mit Zusãtzen herausg. 
von N. H. Julius. Ncue Ausgabe. Mit Siipplemenlband bearb. von Adolf Wolf. Lei- 
pzig, 18G7, 8.% 2 vol. e supplemenlo de 690, 867, 264 pag. 

Vol. II, pag. 180: L. de Camoens: Sinngedicht (de dentro tengo mimai). 
Traducção por Scblegel; pag. 195 e 196: Romanza — Arme quiero, madre. 



' Emile Âllain, Rio de Janeiro. Havre, 1886, pag. 17. 

• .\uguslin cl Alois de Backer, Bibliothèque des écrivains de la compagnie d« Jesus, vol, iv, pag. 696. 



310 XI 

TIECR^S (LUDWIG ). 

Schriftm, band XIX. Berlin, 8.«, 184o. 
Contém uma novella: Tod des Dichters (Camões). 
Novellenkranz. Ein Almanach auf das Jahr 1834. Berlin. 
De pag. 1 a 347 falia de Camões. 

TIERNOS SUSPIROS^ y llorosas lagrimas con que toda la fidelisima 
Monarchia Espanola demuestra su quebranto por la temprana, y mtiy sensible 
muerte de su Catholka, augusta y magnânima Reyna Dona Maria Barbara de 
Portugal, que de Dios goce. i." e 2.« parte. Madrid, en la Imprenta de Joseph de 
Castro, en la calle dei Correo. 

TIGNEIVA (LA ). 

Favola pastorais da cantarsi nel palazzo delV Eccellenza dei Signor Andrea 
de Mello de Castro, Conte das Galveas, Ambasciador Ordinário dalla Maestà dei 
Re di Portogallo, alia Santità de N. S. Papa Innocenzo XIII. Nel giorno 2 Gen- 
naro deli' anno 1724. Roma, per António de'Rossi, 1724. 8.° de 52 pag. 

Existe a referida obra na real bibliotheca da Ajuda. 

TILESIUS. 

Falia da sua viagem em Portugal o conde de Hoffii, francez, pag. 184. 

TIMES. 

O numero de 14 de maio de 1880, pag. 9 e 10, traz um artigo intitulado: 
Tricentenary of Camoens. 

TIMON (SAMUEL ) Jesuita, húngaro. 

Syllabus vocabulorum Grammaticae Emmanuelis Alvari in ordinem digestus. 
Tirnaviae, 1702, 8.» 

TIUION (J.). 

Nieuwe Kaart vau Spange en Portugal, te Amsterdam, by . 176l). 

TISSOT (P. F.)» 

Études sur Virgile compare avec tous les poetes épiques et dramatiqiies des 
andens et des modernes. Bruxelles, de Vroom, 1826, 8.«», 2 vol., 

Tomo I, pag. 1 a 189 : Considérations préliminaires, contenant aux pag. 135- 
130 une comparaison des Lusiades de Camoens avec la Jerusalém du Tasse. 

TITIIM Japonem Trágico- Comaidiam S.Francisco Xaverio Primo Japonum 
Apostolo Sacram per illustri Domino D. Francisco Vander Gracht Baroni de 
Wanghej Dom. de Scardau éc, Generosis Dominis D. Cosmo Van Prandt, D. de 
Blaesvelt... Caeterisque nobilibus viris Reipuhlicae Mechlinicnsis Senatoribus. 
Bonarum literarwn Maecenatibus DD. suis L. M. D C. Juventus Rheloricae stu- 
diosa in Gymnasio Societatis Jesu Mechliniae. Anni 1623, 4 Dezembro. Typis 
Henrici laye Mechliniae, 1623, in-4." 



TO 311 

TOFINO (THE). 

Kingdoms of Spain and Portugal, by D. . London. 

TOLBORT (T. W. II.).- B. C. S. Empregado no serviço civil de Ben- 
gala. 

On the Portiiguese Settlements in índia. 

Auctoridades para a historia dos portuguezes na índia. 

Este iiiteressantissimo trabalho foi publicado no Instituto Vasco da Gama, 
Nova Goa, 1874, que diz no terceiro anno, maio de 1874, pag. 107: 

«Haros são os estrangeiros que se occupam em investigar as cousas portu- 
guczas nas genuínas fontes históricas. Entre esses raros adquiriu agora um dos 
primeiros logares Mr. T. W. H. Tolbort, empregado no serviço civil de Bengala. 

tÉ um mancebo de variadissima instrucção, profunda e incansavelmente 
investigador. Tivemos o gosto de o conhecer durante alguns dias que se deteve 
em Goa, e n'esse pouco tempo podemos bem apreciar as parles e qualidades de 
que é dotado como cavalheiro e como homem dado ás letras.» 

Em quatro números consecutivos nos dá noticia de muitissimas obras, em 
vários idiomas, que tratam dos feitos dos nossos na Ásia. É, porém, uma tra- 
ducção dos artigos que appareceram no Jornal da sociedade asiática de Bengala 
(vol. XLir, parte i, 1873). 

TOMMASI (GIUSEPPE MARIA ).- Árcade romano, col nome di 

Litalno Euristeo, Accademico DiíTetuoso, Oscuro, Filopono e Dissonante e secre- 
tario dei Prineipe di Misserano. 

Corona poética per le reale felicissime Nozze dei Serenissimo Infante di Por- 
togalloj Prineipe dei Brasile, con la Sereníssima Infanta di Spagna e dei Serenis- 
simo Infante di Spagna, Prineipe di Astmia, con la Serenissima Infanta di Por- 
togallo. Dedicata ai Sacra Reale Maestà di Giovanni Quinto, Re di Portogallo, 
dal abbate . 

TO]\NELET (CLAUDIUS ). 

Ad Excellentissimum Ducem Jamium Excellentissimu Ducis patris sui pos- 
trema acta literis mandatem. 

foi publicado este epigramma latino na obra intitulada: UltÍ7nas acções do 
duque D. Nuno Alvares Pereira de Mello. Lisboa, 1730. 

TORRE (FRANCISCO DE LA ). 

El Peregrino Atlante S. Francisco Xavier. Lisboa, 1674. Madrid, 1728. 

TORRES (FR. JUAN ). 

Vida y milagros de Santa Izabel, Reyna de Portugal. Madrid, 1625. 

TORRES (FR. GASPAR DE ).— Mestre de philosophia e artes na 

universidade de Salamanca. 

Diz-nos Vidal, a pag. 494 da sua Memoria histórica d'esta universidade, que 
Torres escreveu uma obra intitulada: Sobre el derecho dei Rey D. Felipe II ai 
reyno de Portugal. 

Nicolau António, a pag. 534 da sua Bibliotheca Nova, vol. i, também falia 
da mencionada obra. 



312 TO 

TORKES (THEODOSIO VESTEIRO ). 

Versos. Madrid, Imprenta á cargo de Heliodoro Perez, 187i. 135 pag. 
Apparecem ireste livro versões de algumas poesias de Garrett, Mendes Leal, 
C. Casteilo Branco e Sousa Viterbo. 



TOURIGIO (ANTÓNIO MARIA ROMANO). 

Catalogiis verborum difficUiorum Grammaticae Emmanuclis Alvari. Au- 
dore . Romae, 1606, 8.» 



TORSELLINO (TURSELLINUS HORATILS ) Historiador e 

litterato italiano, jesuita, fallecido em Roma no anno de 1599. 

Emmanuelis Alvari e Societate Jesu. De Institiitione Grammatica libri iii in 
Compendium redacti ab . Romae, . . . 

Emmanuelis Alvari e Societate Jesu, De Institutione Grammatica libri m olim 
ab Horatio Tursellino ejusdem Societatis, in Compendium redacti, priore editione 
restituti, editio altera diligentur. Mediolani, ex-typographia Bibliothecae Ambros. 
apud Joseph Marellum, 1755, in-lS.", de 439 pag. 

TursellinOj Grammatica di Em. Álvaro compendiala e transportata in ita- 
liana favella. Milano, 1777, 12.» 

L/6ri três de Institutione Grammatica Emmanuelis Alvari in Compendium 
redacti ab Horatio Tursellino ad S. J. Scholas frequenta ntium ciiiditionem. Regii, 
apud Josephum Davolium et filium, 1823, 12.", de 569 pag. 

Emmanuelis Alvari e Societate Jesu,, de Institutione Grammatica libri ju, olim 
ab Horatio Tursellino ejusdem Societatis in Compendium redacti, hac vero editione, 
qtiae ad normam editionis Bibliothecae Ambrosianae Mediolanensis in lucem prodit 
emendatissime restituti. Romae, ex-typographia Hospitii Apostolici, apud Garo- 
lum Mordacchinium, 1824, 12.°, de viii-469 pag. 

Emmanuelis Alvari Soe. Jesu, Institutio Grammatica ab Horatio Turselim 
S. J. in compendium redacta. Romae, ex typis Ven. Hosp. Apost. apud Petrum 
Aurelium, 1832, 8.°, de xviii-428 pag. 

Emmanuelis Alvari Soe. Jesu, Institutio Grammatica ab Horatio Tursellino 
S. J., in Compendium redacta. Editio prima stereotypa Taiirinensis ad fidem edit. 
Romae, anno 1832. Taurini, ex typis Hyac. Marieiti, 1839, 12.°, de xvi-464 pag. 

Alvari Emmanuelis de Grammatica Institutione libri iii olim ab Horatio Tur- 
sellino in Compendium redacti, hac editione restituti, mendis innumeris sublatis. 
Bassani, suis typis Reinondini edidit, 1840, 12.*', de 378 pag. 

Grammatica di Emmanuele Álvaro de la Compagnia di Giesu Compendiala 
da Orazio Tursellino, delia medesima Compagnia, transportata in italiana favella 
ad uso delle Scuole. Edizione novissima. In Pavia, nella slamperia Bolrani, 1801, 
12.'>, de 164 pag. 

Emmanuelis Alvari e Societate Jesu, de Institutione Grammalica libri nr, ob 
Horatio Tursellino ejusdem Societatis olim in Compendium redacti. Neapoli, ex 
typograpbia Gallicana, 1826, 12.", de 471 pag. 

Horalii Tursellini e Societate Jesu, De vita Francisci Xavei-ii qui primus e 
Societate Jesu in índia et Japonia Evangelium promulgavit. Romae, ex-typogra- 
phia Gabiana, 1594, 8.«,, de 393 pag. 

Esta ediçáo, feita durante a ausência do auctor, está eivada do erros c trun- 



TO »" 

cada ; e foi isto o que obrigou o P. Tursellino a retocar a obra e a fazel-a quasi 
de novo. A edição appareceu em Roma, typis Zannetti, lo9tí, 4" 

Iloratii Turselhni e Societate Jesu De vita Fruncisci Xaverii, qui primvs ^ 
Societate Jesu in Indiam et Japoniam Evangelium iuvexit libri sex. Ab eodem avcti 
et recogniti. Antuerpie, ex officina Joacbimi Trognaesii, 159(i, 8.°, de 605 pag. 
Leodii, ex officina Henriei Honij, 1597, 12.», de 317 pag. Lugduni, 1607, 8."^ 

De vita B. Francisci Xaverii qui primus Societatis Jesu in Indiam et Japo- 
niam Evangelium invexit. Libri sex. Ab eodem aucti et recogniti, in hac ultima 
editione. Coloniae Agrippinae, apud Joannem Kinckium, 1610, 18.", de 631 pag. 
Cameraci, ex oíTicina Joannis Riveri, 1621, 12.*», de 550 pag. Diiaci, ex officina 
Joannis Bogardi, 1621,. 8.°, de 433 pag. Coloniae Agrippinae, apud Joannem Kin- 
ckium, 1621, 631 pag. 

De Vita S. Francisci Xaverii qui primus e Societate Jesu in Indiam et Japo- 
niam Evangelium invexit Libri sex. Horatii Tursellini e Societate Jesu. Accesse- 
runt ex relatione [acta in Consistório secreto coram S. D. N. Gregório XV quae- 
dam miracula quae in vita non habentur. Monachii, ex typographia Hetsrozana, 
apud Cornelium Leysserium, Electoralem Typographum, anno mdcxxvii, 24.", do 
784 pag. Rothomagi, 1676, 12." 

Tursellini Historia vitae divi Fr. Xaverii Soe. J. Ind. Apostoli. Viennae, 
1744, 4.» 

Horatii Tursellini e Societate Jesu, de Vita S. Francisci Xaverii libri sex qiiam 
emendatissime editi. Accessere selecta de eodem Tursellino praeclassimoram scri- 
ptonim testimonia. Bononiae, mdccxlvi, apud Thomam Colli ex typographia 
S. Thomae Aquinatis. Superiorum Permissu, x 8.", âe xxxi-404 pag. 

Horatii Tursellini e Societate Jesu, De Vita S. Francisci Xaverii libri sex quam 
emendatissime editi. Post novissimam editionem Bononiensem. Augustae Vind. et 
Oeniponti, suinptibus Josephi WolíF, mdcclii, 8.° de 564 pag. 

Horatii Tursellini e Societate Jesu, de Vita S. Francisci Xaverii qui primus e 
Societate Jesu in Indiam et Japoniam Evangelium invexit, libri sex, ab autho7'e 
aucti et recogniti. Juxta editionem. Antuerpensem, anni mdxcvIj quam emendatissi- 
me editi. Perniisfeu Superiorum. Augustae Vindelieorum, sumptibus Nicolai Doll, 
Bibliopolae, mdccxcvii, 8.°, de xii-427 pag. 

Vita dei B. Francesco Saverio il primo delia Compagnia di Giesu, che intro- 
dusse la Santa Fede neW índia e nel Giappone. Scritta in língua latina e in sei 
libri divisa dal R. P. Orazio Torsellini, delia detta Compagnia. Tradotta nella 
Toscana da Ludovico Serguglielmi, Cittadin Fiorentino. In Firenze, appresso Co- 
simo Giunti, 1605, 4.° In Milano, appresso Girolamo Bordone, e Pietromartire 
Locarni Côpngni, 1606, 4.", de 307 pag. Firenze, 1612, 4." 

La vie du Bien-heureux Père François Xavier, premier de la Compagnie de 
Jesus, qui a porte VEvangile aux Indes et au Jappon. Divisée en six livres par 
Horace Turselin, de la Compagnie de Jesus, et traduite en François par un Père 
de la méme Compagnie. A Douay, de Tlmprimerie de Balthazar Bellere, 1608, 
8.", de 862 pag. (É traducção do P. Martin Christophe.) 

Het leven vau dm H. Franciscus Xaverius . . uyt R. P. Horatius Tursellinus, 
verdnytst door P. Franc. de Smidt. T'Anlwerpen, Cornelis Woons, 1646, 12.^ 



Âuguslin el Alois de Backcr, Bibliothèque des écrivains de la compagnie de Jesus, rol. i, pag. 656. 



314 TO 

The admirahle life of S. Francis Xavier. Writlen in latin by Horatiiis Ttw- 
sellinus and translated into English by T. F. Paris, 1632, 4.<' de 616 pag., com 
um rosto gravado, representando o retrato de S. Francisco. 

Vom Leben und Wunderthaten B. Francis Xaverii, úbersetzt von H. Hueber. 
Miinchen, 161o, 4.° 

Apostolisches Leben und Thaten dess heiligen Francisci Xaverii der Societet 
Jesu, Indianer Aposteis. In siben Biichern von Horatio Tnrselino Gemeldter Societet 
Jesu Priestern erstlich in Latein beschriebeUj und in die Teutsche Sprach durch 
Martinum Hueber Chor-Herr und Custoden bey S. Mauritzen Stifft in Augspurg 
úbersetzt. Anjetzo aber mit Zusàtzen und neuen bevãhrten Miraken durch einen 
anderen Priester selbiger Societet Jesu reichlich verniehret. Mi Bewillingung der 
Oberen. Miinchen, gedruckt bey Sebaslian Rauch, in Verlegung, eines dem H. 
Apostei eigebnen Dieners. Inn Jahr Christi, 1674, 4.** de 627 pag. 

Aclia-se uma outra traducção allemã reunida á traducção das cartas de 
S. Francisco Xavier. 

Francisci Xaverii Epistolarum libri iv ab Horatio Tursellino ex Hispânico in 
latinum conversi. Romae, typis Aloysii Zaneiti, 1596, 4." Rhedonis, 1596, 12.« 

Francisci Xaverii Epistolarum libri quatuor ab Horatio Tursellino e Societate 
Jesu in latinum conversi ex Hispano ad Franciscum Toletum S. R. E. Cardinalem. 
Mogunliae, apud Balthasarum Lippium, sumptibus Arnoldi Mylii, 1600, 8.° de 
302 pag. 

Sancti Francisci Xaverii Epistolarum libri quatuor^ ab Horatio Tursellino 
e Societate Jesu in latinum conversi ex Hispano. Ad Franciscum Toletum S. R. E, 
Cardinalem. Burdigalae, apud Peírum de la Court, 1628, 8." de 324 pag. 

Sancti Francisci Xaverii Epistolarum libri quatuor. Nova quarumdam acces- 
sime opus omnibus Operariis Evangelicis perutile. Ab Horatio Tursellino e Societate 
Jesu in Latinum conversi ex Hispânico. Lugduni, apud Franciscum de la Botiere, 
in via Mercatoris, sub signo SS. Trinitatis, 1650. Lugduni, ex typographia Anto- 
nii Jullieron. 

S. P. Francisci Xaverii e Soe. Jesu Epistolarum. libri iv. Ex Hispano in lati- 
num conversi ab Horatio Tursellino ejusdem Societatis Jesu sacerdote. Editio no- 
vissima, recensita, et Epistolarum Summariis aucta. Antuerpiae, ex officina Pian- 
tiniana Baithasaris Moreti, 1657, 24. *> de 474 pag. Appendix sive v. Epistolarum 
S. P. Francisci Xaverii. . . Petro Possino ejusdem Societatis Jesu nunc primum ex 
autographis partim Hispanicis parlim Lusitanicis latinitate et luce donatarum. 
24.» de 357 pag. 

S. Francisci Xaverii e Societate Jesu Indiarum Apostoli novarum Epistola- 
rum libri septem nunc primum ex autographis partim hispanicis, partim Lusita- 
nicis, latinitate et luce donati a Petro Possino ejusdem Soe. Romae, ex typographia 
Varesii, 1667. 

Sancti Francisci Xaverii Epistolarum libri quatuor. Nava quarum dam acces- 
sione. Opus omnibus operariis Evangelicis perutile. Ab Horatio Tursellino e Socie- 
t.te Jesu in Latinum conversi ex Hispânico. Lugduni, apud Ant. Molin, e regione 
('olleg. SS. Trinitatis, 1682. 12." de 328 pag. Appendix sive libei' V Epistolarum 
S. P. Francisci Xaverii e Societate Jesu Indiarum et Japoniae Apostoli ; a Petro 
Possino ejusdem Societatis Jesu nunc primum ex autographis partim hispanicisj 
partim lusitanicis latÍ7iitate et luce donatarum. 

Sancti Francisci Xaverii Epistolarum libri quatuor nova quarumdam acces- 



TO 



31o 



sione opus omnibus operaHis Evangelkis perutile. Ab Horatio Tursellino e Socie- 
tate Jesu in latinum conversi ex hispano. Lugduni, apud Ant. Molin, 1692, 12.° de 
328 pag. Appendix sive Liber V Epistolariim S. P. Francisci Xaverii e Societate 
Jesu Indiarnm et Japoniae Apostoli; a Petro Possino ejusdem Societatis Jesn niinc 
primum ex autographis parlim hispanicis, partim lusitanicis latinitate et luce do- 
natarum. 

S. Francisci Xaverii. . . Epistolae veteres per qiiinque, et novae per septem 
libros distinctae, ex ipsismet autographis manu S. Xaverii Hispânico vel Lnsita- 
nico idiomate conscriptis, &c., a P. Horatio Tursellino, et a P. Petro Possino ejus- 
dem Societatis Sacerdotibus latinitate ac luce donatae, postea nova cum archetypis 
in Indiis aliisque terrae partibus [acta coUatione accuratius emendatae. Pro appen- 
dice accedit relatio de statu Japoniae brevis et curiosa a P. Adamo Weidenfelt Co- 
loniensiy e Societate Jesu conscripta, et nuperrime Tyrnaviae impressa. Coloniae 
Agrippinae, apud Haeredes Jo: Weidenfeldt et Jo: God. de Berges, 1692, 86i pag. 

TOSCAN. 

Description abrégée des ci-devant royaumes et provinces composant actuelle- 
ment le fíoyaume d'Espag7ie et celui de Portugal. Paris, 1810. 

TOULOTTE.— Ancien magistrat, aiiteur de VHistoire Philosophique des 
Empereurs Romains, de la Cour et la Ville. 

Histoire de la Barbárie et des lois au moyen age. Paris, 1829, 3 vol. 

N'esta obra, quando menos se espera, também não deixa de se fallar de 
Portugal. 

Por exemplo, no vol. ii, pag. 320, vemos citado um concilio de Braga, e logo 
as pag. 40o a 408 são destinadas (citando por auctoridade Ferreira Gordo nas 
Memorias sobre os judeus de Portugal) para descrever a maneira barbara como 
os judeus foram tratados em Portugal no tempo de El-Rei D. Manuel. 

«No tocante a tolerância religiosa, a Polónia deve ganhar muito mais, debaixo 
da protecção de um príncipe da igreja grega, do que debaixo do dominio de uma 
potencia catholica; as desgraças da Ilespanha e os crimes do clero de Portugal 
devem ensinar aos povos quanto a religião é opposta aos direitos e á felicidade 
d'estes nos estados cegamente submetlidos ao Papa.» Id., id., vol. iii, pag. 116. 

TOUR^VEFOUT (JOSÉ PITTON ). 

Éléments de botanique, ou méthode por connaítre les plantes. Paris, 1649, 
8." grande, 3 tomos. ^ 

Institutiones rei herbariae edilio altera, gallica longe auctior. Paris, 1700, 
3 tomos. Editio tertia appendicibus aucta ab António de Jussieu. Lyon, 1719, 
3 tomos, etc. 

«Antes de publicar Tournefort seus elementos, tinha vindo á ilespanha em 
três differentes occasiões, e na ultima estendeu muito suas investigações, não 
sendo enlão acompanhado por Jayme Salvador, como o linha sido nas primeiras 
viagens. Foi assim que Tournefort pôde observar uma multidão de plantas na 
Catalunha, Valência, Murcia, Andaluzia e Portugal, e igualmente no centro da 
Península, havendo visitado o Escurial, onde lhe mostraram um herbario de 



3iti TO 

plantas indígenas em logar do mexicano de Hernanilez. Era possivel ser o de 
D. Diego de Mendoza, lalvez formado na Itália, o qual Filippe II tinha adquirido, 
em 1576, com os livros de que este se fez dono, e que todavia existia na biblio- 
theca alta do Escurial, assim como na baixa outro menos antigo de plantas hes- 
panholas. As Institutiones rei herbariae não ensinam outra cousa a respeito da 
Península mais do que a existência de varias plantas, chamando Hispânica ou 
Lusitanica a cada uma das tidas por próprias de Hespanha ou Portugal. 

(f Talvez oíferecesse maior interesse, debaixo d'este ponto de vista, a Topo- 
graphie botanique, que deixou inédita o mesmo Tournefort^» 

Catalogue des plantes que M. Pitton de Tournefort trouva dans ses voyages 
d'Espagne et de Portugal, copiée sur Voriginal de M. de Tournefort. Ms. que 
esteve na bibliotheea de Banks. 

Também parece que Pourret possuiu uma copia do mesmo original, au- 
gmentada com a litteratura linneana. Outra copia, que pertenceu á bibliotheea de 
Jussieu, tem por titulo : Dénomhrement des plantes trouvées en Espagne et en Por- 
tugal, par M. Tournefort, 4." de 145 pag. escriptas pela mão de Jussieu. 

Na bibliotheea da mesma família existiam 694 debuxos de plantas colhidas 
por Tournefort nas suas viagens, correspondendo 106 a plantas de Hespanha, 
dos Alpes, dos Pyreneus e Levante, todas copiadas por Aubriet. 

TO VAU (D. JOSEPH DE PELLIKR DE SALAS, ou OSSAU, 

DE ).— Cavalleiro da ordem de Santiago, senhor das casas de Pellier e de 

Ossau, chronlsta niór de Gastei la e do conselho de (iastella. Natural de Saragoça, 
onde nasceu em 1602 Falleceu a 16 de dezembro de 1679. Um dos mais insignes 
professores de historia, em que loi sciente, e na genealogia. Entre as muitas obras 
que escreveu, genealógicas, as de que tenho noticia, referentes a Portugal, são: 

Memorial de D. Manuel Evgenio de Portugal, marquez de Trancoso, impresso 
em 1672 ; o qual, é preciso dizer, traz erros de notável consideração, e nem por 
isso arguimos este grande escriptor^. 

Casa de los condes de Torres Vedras, en el Reyno de Portugal, que procede de 
los condes de Valverde, dei apellido de Alarcon, en Castilla. Madrid, 16i6. 

Tablas genealógicas de la succession, que ha quedado de varon en varou dei 
Rei Don Enrique II de Castilla, que escreveu a favor de D. Fernando, conde de 
Linhares. 

Genealogia de la casa de Ataide. 

Succesion de los Reynos de Portugal. Logrono, 1648. Em que pretendeu 
mostrar genealógica e historicamente pertenciam os reinos de Portugal a Ei-Rei 
Filippe IV de Gasteila. Este livro impugnou egrégia e doutamente o insigne An- 
tónio de Sousa de Macedo. 

Succesion de los reynos de Portugal ; sive pro justo Regis Portugalliae titulo 
in família Austríaco- Hispana, Lucronii, 1640. 

Mision evangélica dei reyno dei Congo. 1649 3. 



' D. Miguel Colmeiro, La botânica y los botânicos de la península hispano-lusitana, pag. 68. 
■ D. António Caolano de Sousa, Historia genealógica da casa real portugueza, vol. i, pag ccxvi. 
• Nicol. Anl., Bibliotheea Nova, vol. i. 



TU 3i7 

TRACIIAUI). 

Lettre Ju Père , missionaire de la Co7npagnie de Jesus, mi revérend Pèrc 

(lu Trevon, de la mi-me Coinpagnie, confesseur de S. A. 11. Monseigneur le Dtic 
d'0)iéans, à Chandernagor, 18 janvier 1111. 

Trata da igreja poi lugueza de S. Thomé, perlo de Madrasla. Vem esta carta 
na obra, Leltres édifiantes et curimses écrifes des missions étrangères. Nouvelle cdi- 
tion. Paris, 1871. Tomo xii. Mémoires des Indcs.^ 

TUAGICOMEDIE P. Gonzavus Silveira sal vertooght worden door de jon- 
ckeydt van hei Collegie der Societeyt Jesu tot Cassei, anno 16S0, deu. . . Septem- 
hris. Ter eeren van de achtbare, Wyse voorsienighe Heeren, myn Heere den Baillu, 
Voocht, ende Schepenen der stede ende Prochie van Haeze-broiick. Door iviens libe- 
raelheyt de jaerlycksche Prysen sidlen uyt-ghedeelt worden aen de voor-sede Jon- 
ckheyt. Tot S. Omaers. By Peeter Genbels, Boeck-dnicker, in den vergulden Byhel. 
1630, 4.0 de 4 pag. 

D'esla tragicomedia é protogonista o nosso marlyr, o P. Silveira, na casa dos 
jesuítas em Cassei ^ 

TUANSLAT de 1'espagnol en [rançais de ce qu'est succedé à 1'armée de Sa 
Majesté, à laquelle commandait comme capitaine general le Marquis de Saint- 
Croix, par la bataille donnée à celle qui conduisait Don António ès iles de los 
Açores. Dovay, 1592, 8.% 1 vol. de 32 pag. 

TllA^SLATION of a ciirious memorial presented 1768 by the portiignese 
nntion to the royal board of censure to examine and revise ali books. Devises, 1769. 

TRATADO de paz entre Carlos IV de Espana y Juan de Portugal. Madrid, 
1801. 

TRAVIíLS in Spain and Portugal. With plates. London, 1831. 

TREATY quadruple between the King of Great Britain, Queen Reg. of Spain, 
K. of the french and Reg. of Portugal. London, 1835. 

TUESII.É, ou TRESILLEY, TRESILEUS (PEDRO FRANCIS- 
CO ). — Jesuíta, natural de Besançon. 

La .principessa portoghese specchio in cui praticamente se vede il progresso 
deW Anima nella perfettione deW Amor Divino. Che non è impraticabile, come 
ultri pensa; la strada delia Virtii, che conduce à conseguiria. Opera data in luce 
dal P. Píer Francesco Tresilé, delia Compagnia di Giesii. Dedicata alia M. R. 
Madre Suor Teresa Margheritta Farnese, Carmelitana Seabra. Ri tampata con 
V Aggiunta di un altro Specchio espressivo delle principali specie, e artipiii vivi 
dei amore di Giesii Christo N. S. Reggio, per Prospero Vedrotti, 1678, 12.« de 
214 pag. 

Ha uma edição anterior. Bononiae, 1664, per Joannem Baplistam Ferronium. 



Augiislin et Alois de Baoker, Bibilothèque des écrivains de la compagnie de Jesus, vol. iv, pag. 105. 



318 TR 

TRESSAN (C03ITE DU ). 

Traduction libre d'A)itadis de Gaide. Avec figures. A Paris, rue et Hôlel 
Serpente. 1787, 3 vol. 

TRESSEUVE (LE VIC03ITE MARY DE ). 

Le mariage ou Vavenir de Portugal. Paris, 1862. 

TRIAS EPISCOPORUM et Principtan Paderbornensium triplici in Socie- 
tãtem Jesu Paderanam beneficia Theodortis Furstenbergius Academia liberaliter 
fiindata, Ferdinandus Furstenbergius Templo Xaveriano magnifice exstructo, Her- 
mannus Weríierus Metternichius eodem templo solemniter dedicato ; praeludente in 
Dramate parallelo Salomone, Theatro data a Perillustri, Praenobili et Ingénua 
Juventute Académica Paderbornensi infra octavam Dedicationis Ecclesiae S. Fran- 
cisei Xaverii Indiamm et Japoniae Apostoli solemniter consecrandae. Die 14 Mensis 
Septembri anno 1692. Cum ante decennium aedificari coepta fuissetj posito primo 
lapide IS Augusti anui 1682. Paderbornae, typis Davidis Huberi, foi. de 17 folhas 
não paginadas. 

TRIGAULT (IVICOLAS ).— Jesuíta, natural de Douai. Em 1607 

partiu de Lisboa para as missões. 

Copie de la lettre dii R. P. Nicolas Trigault, contenant Vaccroissement de la 
Foy Calholique aiix Indes, Chinês et lieux voisins. Etisemble Vassiegement de Mo- 
zambic, Malaca, Amboin^ &c.j par la fíotte Hollandaise. Escrite au R. B. Fran- 
çois FleroUj Provincial de la mesme Compognie, en la provincedes Pays-Bas, datée 
de Goa en 1'Inde Orientale, la veille de Noelj 1607. En Anvers, chez Daniel 
Vervliet, 1609, 12.° 

Copie d'une lettre du P. Nicolas Trigault, Jésuite, au R. P. Fleuron, provin- 
ciale de la Compagnie, datée de Goa en Vinde Orientalej en 1607. Chapelet, 1609. 

TRIIVACRIO (DAF^'I ). — Accademico delia Reale Academia Paler- 

mitana dei Bum Gusto. 

Elementi delia Lingua Italiana, o modo facile e breve per impararla a per- 
fezione, dedicati a Sua Altezza Reale II Sereníssimo Príncipe dei Brasile nostro 
Signore da . Nella Reale Stamparia Silviana, 8.° de cxxiv pag. 

É precedida esta grammalica de uma poesia italiana : Per il faustissimo 
giorno natalizio di Sua Altezza reale, celebrato nel di Xlll maggio 1792. . 

De pag. Lxviii por diante seguem -se também poesias italianas: 

In onore di Maria Santíssima Immacolata. 

Fervorosa preghíera alia Sacra Pastora. 

Per la ricuperata salule di Sua Altezza Reale il Príncipe N. S. 

Nel felice arrívo da Madrid in Lísbona dei real pvpillo S. A. D. Pietro Cario, 
Infante delle Spagne, &. A S. R. M. Fedelissíma D. Maria I. 

Per aver passato fra il numero de* defunti S. M. Cattolica D. Cario III. 

Un viaggítore che arriva in Lisbona nel di X V novembre 1789, giorno delia 
Consagrazione dei Sacro Tempio deli' Insigne Real Monasterio dei RR. Monache 
Teresiane detto Convento Nuovo, dedicato Al Sacro Cuor de Gesú, da S. Maestà 
Fedelissíma Fondatrice Augusta ne fa la succinta descrizione. 



XR 319 

A Sua R. M. Fedelissiiua nel di XVll dicembre 1189. 

PerVanniversario delia grandiosa nascita di S. A. Ueale D. Carlota Gioacchi- 
na, Principessa delle Brasile, celebrato nel di 25 aprile 1790. 

Per li fansti sponzali deW Excellenze loro la Sifjnora D. Eugenia Maria Giu- 
seppa, nata contessa delia Vidigueira, Marcheza di Nizza. 

11 disegno dei Nuoco Tempio. Dialogo per celehrare il felicissiino giorno nala- 
lizio di S. M. Fedelissinia li XVII dicembre 1190. 

Per aver passato da questa a miglior vita V III. e Rev. Sig. D. Bartolomeo 
Stabili e Monticcioli. 

Inno per sollennizare il fausto giorno natalizio di Sua Altezza reale la prin- 
cipessa de Br asile, nel di XXV aprile 1191. 

A S. E. De' Marchesi di Ponte di Lima. 

Al dottore D. Giovanni Abate Meli. 

Per festeggiare il giorno natalizio di S. M. F., XVlI dicendjre, 1191. 

Nella spedizione delia flotta coniandata dali' Almirante Cavalier Sanches de 
Brito. 

A S. M. Fedelissinia. Supplica. 

TRmiTATE (II. P. F. PIIILIPPI A SANTÍSSIMA ).--Cai. 

nielitae Descalceati. 

Itinerariuni orientale ab ipso conscriptum. In quo varii successns itine- 

ris, plures Orientis regiones, series principum, incolae tam Christiani, quam infi- 
deles popidi religiosorum in Oriente missiones S describuntur. Lugduni, A. Jullie- 
ron, 1669, 8.<' pequeno. 

Abrange viagens á Syria, Pérsia, Terra Santa e Goa, desde 1629 até 16'i0. 

Voyage d'Orient du R. P. Philippe de la três saincte Trinité, carme déchaiíssé, 
ou il descrit les divers succez de son voyage, plusieurs régions d'Orient, leurs mon- 
tagnes, leurs mers et leurs fleuves, la chronologie des princes qui y ont domine, 
leurs habitants, tant chrestiens quinfidèles, les animaux, les arbres, les plantes, les 
fruits qui s'y trouvent, et enfin les Missions des Religieux qui y ont este fondées et 
les divers événements qui y arriverent. Composé, revu et augmenté.par luy mesme 
et traduit du latinpar iin Religieux du mesme ordre. Lyon, Ant. Jullieron, 1660, 8." 

TRIOMPIIE (LE) des Saincts Ignace de Loyola, fondateur de la Compa- 
gnie de Jesus, et François Xavier, Aposlre des Indes, au coUège royal de la mesme 
Compagnie, à la Flèche. Ou le sommaire de ce qui s'y est fait, en la solemnité de 
leur canonisation. Depuis le Dimanche 24 Juillet 1622 iusques au dernier iour 
dudit móis. Seconde édition. A Ia Flèehe, chez Louis Hebert, Impriíneur du GolJòge 
Royai, à TEnseigne du Nom de Jesus, 1622, 8.° de 70 pag. 

TRIOIVFI sac7Í di S. Ignatio Loyola e S. Francesco Saverio celebrati in 
Messina con V autoritá dei Serenissimo Prencipe Filiberto Emmanuele General dei 
maré, Vicere di Sicilia, &c. e col favor deli' Illustrissimo senato delia stessa Nobi- 
lissima Città. Nel rnese di Luglio, nelV anno delia loro Canonizatione falta in Roma 
dalla Santità di N. S. PP. Gregório XV. A 12 di Marzo. In Messina, appresso 
Gio. Francesco Bianco, 1662^ 



Augustin cl Alois de Backer, Bibliothèque des écrivains de la compagnie de Jésus,yo]. vi, pag. 37G. 



3áo TR 

TIIIOIXFO delle viriú. Serenata da cantarsi nel felicisslmo giorno natalizio 
delia S. R Maestà di Giovanni Quinto Re di Portogallo, nel Régio Palazzo. Lis- 
boiía Occidentale, nella OfiQcina di Pasquale da Sylva, 1720, 4.« 

TRIUMPHO LUSITANO. Recibimento que mando hazer Su Magestad el 
Christianisimo Rey de Francia Luis XIII a los Embaxad,ores, Extraordinários que 
S. M. el Serenisimo Rcy D. Jiian el IV de Portugal lo embió el afio de 1641. Foi 
impreso en Francia^ y aora de nuevo en esta Ciudad de Lisboa. Com todas as 
licenças necesarias. Na oíTieina de Lourenço de Anvers. 8.» grande, de 30 pag. 

TRIUMPHO LUSITANO, applausos festivos, sumjjtuosidades regias, nos 
desposorios de D. Pedro II com a Serenis&ima Maria Sophia Izabel de Baviera. 
Bruxellas, 1688, 4." 

TROGOFF (CURISTIEN DE ). 

Le Portugal. Étude contemporain, par . Librairie Allaward. 8.<»de8 pag. 

TROUIN (MONSIEUU DUGUAY ) — Lieutenant general des ar- 

mées navales, Com.i;anLleur de l'Ordre Hoyal & Militaire de Saint Louis. 

Mémoires. . . A Amsterdam, chez Pierre Mortier, 1746, 8.*» de xxxix-312 pag. 

Tem as seguintes estampas: 1.^, retrato de Duguay-Trouin ; 2.% uma nau; 
3.% Duguay-Trouin commandando o navio Jason, cercado peia esquadra ingleza. 

Em 1693 esteve Duguay-Trouin em Lisboa, com o fitn de reparar o navio 
de que era commandante, necessitado de concerto. 

No anno seguinte veiu tanjbem a Lisboa reparar a sua fragata Diligente, de 
quarenta peças. 

Monsieur Vidame d'Esvenal, então embaixador de França em Portugal, en- 
carregou o de levar a França o conde de Prado ^ e o niarquez de Atalaya, seu 
primo co-irmão, ambos os quaes estavam no desagrado do Rei de Portugal, e 
eram perseguidos com ardor por seu mandado, por terem matado o corregedor 
de Lislioa. Duguay-Trouin recebe-os com prazer a bordo, por isso que o conde 
de Prado tinha casado com uma filha do Marechal de Villeroy, «um dos nossos 
mais respeitáveis senhores». 

Descobriu na viagem quatro naus de Flessing, de vinte a trinta peças cada 
uma; navegou para ellas e combateu-as, e tornouse senhor de uma das mais 
fortes. A boa manobra e a resistência que esta fez, salvou as companheiras, as 
quaes se escaparam com o favor de um nevoeiro e da noite que sohreveiu. Vinham 
todas as quatro de Curaçáo, e estavam carregadas de cacao, de anil e de algumas 
piaslras. Os dois fidalgos portuguezes quizeram absolutamente ser espectadores 
do combate, e não cederam ás instancias que Duguay-Trouin lhes fazia, de des- 
cerem para o fundo do porão, representando-lbes que Portugal não eslava em 
guerra com a Hol landa, e que elles se expunham, sem necessidade, a ficarem 
estropiados, ou talvez a serem mortos. Apesar de todas as supplicas deixaram-se 
ficar até ao fim do combate. Depois de terminado este continuou a viagem, e os 



Duguay-Trouin, Mémoires, pag. 13. 



I 



TU 3Í1 

fidalgos desembarcaram em Saint Maio, parecendo ficarem contentes das «atten- 
ções que Trouin teve para com elles». 

Em 1696 o irmão de Duguay-Trouin foi mortalmente ferido n'uma refrega 
perlo de Vigo Esle levou o irmão, que lhe tinha morrido nos braços, a enterrar 
em Vianna do Castello. «Tcda a nobreza d'aquellas immediações (pag. bi) assis- 
tiu ao funeral, e pareceu sensível da perda de um mancebo, que attrahia os lou- 
vores e as saudades da nossa tripulação». 

Em 1705 tomou outro navio inglez á entrada do Tejo, e pouco depois tomou 
ainda, na altura de Lisboa, um outro carregado de pólvora. 

Todos sabem o que elle praticou no Rio de Janeiro, e como os francezes se 
gloriam de um feito que, na verdade, não tem muito de glorioso. 

TROVin (PELLIER DE -. J.). 

Mision evangélica ai Reino de Congo, por la Seráfica Religion de los CapU' 
chinos (y descripcion dei Reyno dei Congo). Madrid, 1649. 

TRUE (A) and particular history of the cruelties and barbarities exercised 
on varions occasions by the present usurper of the crown of Portugal D. Miguel. 

TUBIIVO (F. M.). 

El arte y los artistas contemporâneos en la Peninsula. Por . Libreria 

de A. Duran. 1871, 8." 

«Sinto deveras, ao saudar cortezmente os artistas portuguezes, não encon- 
trar motivo para elogio nem para louvor. Apresenta o sr. Fonseca, professor 
jubilado da academia de bellas artes de Lisboa, três obras: Uma nympha do 
Tejo; Eneas fugindo do incêndio de Troya e a Nympha Peristezo refugiada nos 
braços de Vénus. É lastima grande que o apreciável mestre tenha encaminhado 
sua inspiração e seus talentos para este lado. Obriga-me a cortezia a citar seus 
quadros, mas não me obrigará a severa lei da critica a negar todo o merecimento 
ás créações do hospede que com a sua presença nos favorece. Estão eivados de 
grandes defeitos, que não são inteiramente do auctor, mas sim do tempo, da 
escola e maneira a que correspondem : tempo, escola e maneira que dentro em 
pouco hão de ser no mundo artístico um verdadeiro archaismo.» 

«Pela primeira vez concorrem os artistas portuguezes a medir suas armas 
com os hespanhoes em lucta artística. Se antes deplorei não achar motivo para 
encómios ante um quadro mythologico, agora sinto um immenso prazer em dar 
os parabéns ao sr. Andrade, pela sua pintura Castello de Fusano, nas immedia- 
ções de Roma. 

«Revela este quadro um mestre que se empenha em crear todo o género de 
difiBculdades para ter o prazer de as vencer. Longe de procurar o sitio, o pano- 
rama, o contraste e o momento mais favorável, Andrade escolhe o mais ingrato, 
o mais refractário, o menos pintavel, o mais dififieil e compromettedor. Não im- 
porta. O artista já sabe o que são obstáculos, e também sabe o que ha de fazer 
para triumphar de todos elles e convertei -os em vantagens. 

«Representa a tela, que examino, um pedaço de costa baixa, uma espécie 
de lagoa ou marinha, coberta de juncos e espadanas. Levanta-se á direita uma 

21 



3n TU 

eminência abrupta, assombreada por uma mata de pinheiros, e o céu, occulto 
atrás de espessa cortina de nuvens, annuncia uma manhã fria, húmida e chuvosa. 
Quanta verdade nas aguas estanciadas I Quanta vida no celaje! Quanta finura nos 
juncos e outras plantas que rompem a superfície monótona da agua ! 

«Tem este pintor outros dois quadros, sendo o titulo do primeiro. Uma manhã 
em Rivara (Piemonte), q o outro, Uma pescaria na Liguria. Reduz-se aquelle a 
um campo coberto de herva verde, limitado por algumas arvores, e, embora pin- 
tado com engenho, não agrada. 

• Recreia mais o segundo: a costa com seus cachopos, a maré abaixando, as 
rochas, os pescadores, tudo (menos o céu) é bom. Não procure tanto o sr. An- 
drade a simplicidade n'esses assumptos, que chegará a exageral-a ; são necessá- 
rios maiores contrastes, maior movimento e maior harmonia nas suas creações. 
Não siga a seu mestre, o insigne Calaume, senão no que deve ser imitado. Pin- 
tando Calaume, como Diday, os esplendidos panoramas alpestres, conseguiram 
passageiros triumphos, e isso porque a simplicidade dos Alpes é a simplicidade 
do magestoso e do immenso.» 

«De outro paizagista portuguez, o sr. ísaias Newton, vieram para o certa- 
men três quadros : o Palácio da Ajuda, os Arrabaldes de Santarém e as Frontei- 
ras de Portugal e Hespanha. O sr. Newton é vantajosamante conhecido no reino 
vizinho como um artista consciencioso e applicado, que procura reproduzir com 
a maior fidelidade a natureza, embellezando-a com primor. Gelebra-se muito sua 
Sei-ra de Monsanto, que não conheço. Julgando a este mestre um dislincto critico 
portuguez, Luciano Cordeiro, diz o seguinte a respeito dos quadros que apresen- 
tou em 1868 na exposição da sociedade promotora de bellas artes: «Suas paiza- 
gens d'este anno denotam um grande estudo technico, muito consciência e grandes 
progressos. Ha n'elle alguma cousa do pintor de Harlem, alguma cousa como 
uma melancolia melodiosa (se a phrase é permittida), e como um extasis no 
meio de uma almosphera transparente, cheia de luz, aromas e sensualismo. Ex- 
tasis que, prolongando-se, poderia converter-se em monotonia. 

«Encontro, pela minha parte, nas paizagens do sr. Newton, certa suavidade 
agradável, certo repouso e calma, que os olhos percebem com gosto. As grandes 
massas verdes pintadas com delicada finura e até mesmo minuciosidade, o céu 
reproduzido com os movimentos de maior limpidez e calma, revela-se no con- 
juncto a maestria do pincel, mas parece-me descobrir em suas obras tendência 
para o amaciamento, para a nimiedade e para a repetição. Sobra habilidade 
technica ao artista, falta-lhe ardor, ousadia e aquelles rasgos um tanto indómitos 
e indisciplinados que denunciam o génio. Apresenta-se Newton como uma natu- 
reza doce, equilibrada, amorosa de luz e de harmonioso, amiga de idyllio, con- 
traria á lucta, ao drama e ao contraste.» 

«Que diíferença tão grande entre o estylo do sr. Newton e o do nosso con- 
cidadão Mufioz Degrain! Alli, a luz meridiana, os dourados raios de sol alu- 
miando deliciosas planuras e suaves recostos; nem uma nuvemsinha na atmos- 
phera, nem um desaccordo nas tintas do panorama f Aqui, o contraste da luz e 
da sombra, o agreste e o escabroso, o escarpado da rocha e a contraposição dos 
eíTeitos. Mufioz Degrain exagera a expressão, mas tem génio ; assim tivera outras 
cousas! Porque abunda tanto o azul em todas suas creações? Visto um de seus 



TU ^2;! 

quadros, já se possue o tom dominante de todos os outros. Parece que se forjou 
um padrão exclusivo na sua phantasia, e por elle corta todas as suas obras. A 
grande arte é variedade e unidade, e não monotonia, e as paizagens de Mufioz 
Degrain estão monótonas, porque, mesmo feitas por distinctos nomes, se repetem 
nos aceidenles principaes, e não caracterisam as notabilidades a que podem refe- 
rir-se. Dir-se-ía que todos estão pintados de cór, sem abandonar o estudo. 
Debaixo de outra relação ha n'elles amaneiramento, como nos de Andrade.» 
(Pag. 224.) 

u Entrada em Lisboa, por Tomasini, portuguez. Este artisía apresentou uns 
dez quadros de variedades, alguns d'elles bastante lindos.» (Pag. 228.) 

«Ha na sala primeira da exposição dois quadros do sr. Talavera: Um reque- 
bro e o Átrio de wmoL igreja de Andaluzia, que annunciam no artista aptidões 
excellentes; tem na mesma o portuguez, sr. Bordallo Pinheiro (José), quatro 
quadrosinhos, executados com vigor e intenção, reclamando elogio o que repre- 
senta a Leitura de Cervantes. Também recordarei a Romaria e o Mercado, do 
sr. Pereira, e a Famiíia, de Lupi, pintura correcta, expressiva e com sentimento, 
embora de côr um tanto convencional, especialmente nos contornos.» (Pag. 234.) 

«Rápida será minha revista dos quadros de variedades. 

«Hecordo: Avec mon tili e o Alpargatero, de D. Placidc Francês; a Scena 
de costumes maritimos, de Herrera ; os Dois jiigiietes, de Lercano ; Recordações de 
Toledo e os Segadores ; as Creadas varrendo e esfregando, de Martin ; A tarde de 
Sexta Feira Santa, em Olot, de Vayreda ; a Partida de Quinote, de Araújo ; O 
baptismo e o Correio fraudulento, de Franco; a Gitana, de Benso; o Menino 
italiano, de Vioda ; a Cruz Alta de Cintra, e a Fonte dos Amores, do portuguez 
sr. Christino; e os Estudos e os Divertimentos, alguns apreciáveis, de Melida. 
Obras modestas, sem pretensões nem grandes aspirações, offerecem defeitos ao 
lado de qualidades, que as fazem credoras da benevolência e da critica.» (Pag. 254.) 

«tNo salão do throno ha duas telas de Rezende, artista portuguez, as quaes 
annunciam boas faculdades. Intilulam-se: Vacina de Mortosa e o Pescador por- 
tuguez. Noto n'ellas riqueza de côr e bom debuxo.» (Pag. 256.) 

«Carece a Hespanha de pintores de animaes ; Jimenez foi uma bella appari- 
ção e nada mais. Não floresce entre nós a fauna, e não é raro, quando com tão 
pouco respeito se tem encarado e ainda encara a dignidade humana; que inte- 
resse haviam de inspirar os animaes? Não ha paiz da Europa culta onde o 
homem se mostre tão cruel para com os animaes. Aqui vemos o misero cavallo 
assassinado nas praças de touros, para divertir os espectadores; aqui annunciam 
as auctoridades corridas de gansos, espectáculo bárbaro, mais próprio de hoten- 
totes que de homens civilisados; aqui, finalmente, se organisa uma sociedade, na 
qual entra a mais nobre mocidade, e como primeiro signal de existencia"se dedica 
a fuzilar inoífensivas pombas atrás, das tapadas do Retiro I 

«Toda a arte tem um reflexo do meio em que se produz. Será o contempo- 
râneo hespanhol quanto se quizer, menos uma arte humana, que aspira a grandes 
emprezas. Modelando- se a nossa fraqueza de caracter, accusa a crise profunda 



324 TU 

que nos agita; seu caracter é a declamação e o scepticismo. Em nada crê, salvo 
honrosas, se bem que singulares, excepções. , 

«Mas se a Hespanha não gosa de um pintor d'este género, tem-o Portugal, e 
tão competente, que bem nos podemos consolar da carência própria. Thomás 
José da Annunciação só pinta animaes. Não procureis nas suas telas a figura 
humana; se alguma vez apparece, comprehende-se que representa no quadro o 
que o comparsa sobre o palco scenico. Até mesmo a paizagem, a luz, a atmos- 
phera e o céu são meros aecessorios, aos quaes se dará importância, se assim 
convier, para que a figura dos animaes se destaque sobre o fundo que mais a 
favorecer. 

«Seis obras a óleo expõe o sr. Annunciação, e ainda que algumas são de 
reduzido tamanho, nem por isso deixam de ter merecimento. A Arribana e os 
Extraviados do rebanho são mui bel los. Associa-se na palheta do pintor a cor- 
recção do desenho á belleza do colorido e ao relevo ; ha caracter em suas obras, 
e nas duas citadas a natureza se oíferece habilmente reproduzida. O fundo do 
A Arribana é notável. Andrade, com a sua paizagem do Castello de Fmano^ e 
Annunciação, com seus animaes, representam dignamente no certamen a arte de 
pintura portugueza, ainda que não indígena, mostrando, embora seja em escala 
modesta, que não é Portugal estranho ao Renascimento artístico que se nota na 
Península de ha quinze annos a esta parte. 

«Critico imparcial, devo dizer que Annunciação falseia algum tanto a ver- 
dade realista no que di2 respeito á luz e á atmosphera. Ha tintas e effeitos pura- 
mente arbitrários nos Extraviados.» (Pag. 260.) 

«Não são sufficientes, comtudo, as obras expostas para formarmos um juizo 
synthetico acerca do estado da arte de pintura entre os nossos vizinhos; mas a 
julgarmos pelos trabalhos já citados, de Andrade e Annunciação, pelos de Bor- 
dallo Pinheiro (José), Christino, Chaves, Fonseca, Lupi, Pereira, Pedroso, Reis 
(D. Guilhermina), Tomasini e Rezende, a pintura portugueza pôde ir na frente 
da arte ibérica, fazendo seus cultores poucos mais esforços.» (Pag. 260.) 

tTambem devo recordar os bustos de Belver, o Rossini de Alcoverro; e, em- 
quanto aos portuguezes, a Cabeça expressiva, de Almeida, é boa, o Adónis, em 
bronze, de Fonseca, é bello, os bustos de Rosa credores de menção especial, e a 
Camélia, de Nunes, mui estimável.» (Pag. 271.) 

«Dois projectos monumentaes contém o salão. Um de Bastos, portuguez, 
dedicado á memoria dos navegantes portuguezes; outro de Gomez, para as cinzas 
do general Zurbano. Aquelle, ainda que um pouco pesado, é grandioso; este 
carece de unidade em sua exornação, e tem o seu tanto de catafalco de igreja.» 
(Pag. 271.) 

«Os progressos da gravura em Portugal e Hespanha são incontestáveis. 
Abra-se uma obra que conte uns quinze annos, compare-se com as que se pro- 
duzem actualmente, e a consequência será grandemente consoladora. Existem já 
em o nosso território gravadores conscienciosos, que são alguma cousa mais do 
que meros executores do que faz o desenhador. Ha n'elles gosto, arte e persona- 
lidade. O gravador alcança vida na Península, e tem futuro. No departamento 



que lhes eslá destinatlo, ofTerecem-se ao estudo os testemunhos cautheiílicos do 
meu prognostico: Lemus, Rico, Alberto, Serra, Sousa, Alabern, Pranche Roselló' 
recommendam-se alli, com seus trabalhos, ao applauso dos intelligentes. 

«Notáveis progressos ha realisado o sr. Roselló, cujas obras trazem á me- 
moria as melhores recordações de Carmona, mas não é menos delicada e bella a 
serie de retratos de personagens celebres portuguezes e estrangeiros, expostos 
pelo sr. Sousa. 

«As aguarellas são género exótico na Hespanha. Inglaterra está reputada 
como a terra clássica dos aguarellistas. Tem a Península alguns que merecem 
louvor, mas nSo quizeram expor suas obras, vedando-nos assim a occasião de as 
cstu;jlarmos e applaudirmos. 

«Do sr. Bordallo Pinheiro ha uma eollecção de typos bastante expressivos.» 
(Pag. 276.) 

«Peccâria por injusto se não elogiasse as miniaturas de Tomasini, que são 
superiores em merecimento; os trabalhos dos srs. Molarinho, portuguez, c Pes- 
cador, madrilense, gravadores em talhe-doce ; os desenhos a carvão de Annun- 
ciação ; os esmaltes de Sala e Sanehez, e os desenhos a lápis ou á penna e as 
aguas-fortes de Bartolomé Maura y Tubau. 

«Reclamam lambem especialíssima menção as provas de gravuras em talhe- 
doce, expostas pelo acreditado sr. Campos, primeiro gravador da casa da moeda 
de Portugal, Tanto os trabalhos d'este artista como as medalhas e sellos de Mo- 
larinho, dizem os progressos que este ramo de bellas artes tem feito entre os 
nossos vizinhos. Felicito sinceramente tanto a um como a outro, e desejo que a 
juventude lusitana siga por este caminho, que com tanto applauso percorrem 
seus mestres.» (Pag. 280.) 

«Ainda ha pintores que seguem a senda inaugurada ha dez ou quinze annos, 
ao iniciar-se o nosso renascimento artístico contemporâneo; ainda existe quem 
se inspira na vida moderna e cultiva a historia; mas, se no tocante á idéa noto 
melhoras evidentes, no particular da execução descubro perigosas novidades; 
entre o sublime e o ridículo mette-se de permeio uma linha; o afan da origina- 
lidade costuma trazer insupportaveis extravagâncias. Quando o génio se faz 
ineomprehensivel para o senso eommum, suscita a mofa ou a indifferença. Não 
se lavram as obras de arte para as notabilidades, fazem-se para todos os homens 
que toem sensibilidade, gosto e entendimento. O verdadeiro génio aborrece o 
systematico. É livre dentro da sublimidade, que é a summa harmonia. Pinta 
como pinta, sem se importar de seguir esta moda ou de imitar aquelle exemplo. 
O génio nem imita nem é imitavel. Estude-se o que se chama escola de Murillo, 
e não se encontrarão mais do que mediocridades. Quem ousou proclamar-se dis- 
cípulo de Velasquez? Não se conhece similhante escola. 

«E, estabelecido isto, penso que é chegado o momento de perguntar se 
existe alguma na Península. Entendo que não. Envia Portugal uma dezena de 
quadros, e ainda que foram pintados pelos portuguezes, não ha rasão para dizer 
que revelam a realidade de uma escola de pintura. 

«Pinta Annunciação os animaes, seguindo, segundo parece, francezes e belgas; 
Andrade vive na Itália, e suas paizagens estão mui longe de revelar-nos algum 



326 TU 

caracter indígena. Gosta Bordallo das variedades, e usa de um colorido exótico. 
Inspira-se Newton das boas tradições, sem formar escola. Se ha quadros na 
exposição, que devam attribuir-se á arte privativa portugueza de nossos dias, 
são seguramente os de Fonseca, que correspondem a um estylo de pura con- 
venção, que possue no respeitável ancião um de seus últimos representantes». 
(Pag. 288.) 

«Artistas premiados: 

"Lupi — A família — 2.« medalha, por 11 votos. 
«Andrade — CasteUo Fusano — 2.^ medalha, por 11 votos. 
«Annunciação — Anmaes — '2^ medalha, por 12 votos. 
«Sousa; gravuras — 2.» medalha. 

«Almeida; esculptura — Ojoven grego — 3.^ medalha, 21 votos. 
«Nunes; esculptura — Cornélia — Idem, idem. 
oMolarinho; gravura — 2.^ medalha, 15 votos. 

«Gaspar; architectura— T/ieaíro de uma cidade de segunda ordem — 3." me- 
dalha.» 

Los monumentos megallicos de Andálucia^ Estremadura y Portugal y los abo- 
rígenes ibéricos. (Vem no Museo espanol de antigúedadeSj tomo vii, pag. 353.) 

TUCREY (J. K.). 

Narrativo of an expedition to explore the river Zaire, usually called the 

Congo, in south Africa, 1816, nnder the direction ofcapt. . To which is added 

thejournal of professor Smith ; some general observations on the country and its 
inhabitants, and an appendíx containing the natural history. London, 1818. 

TUDÈLE (GUILLAUME DE ). 

No seu poema histórico, escripto entre 1210 e 1219, onde descreve a histo- 
ria da cruzada contra os herejes albigenses, falia desfavoravelmente do Rei de 
Portugal por causa da sua lucta estéril acerca das heranças de suas irmãs. O mo- 
narcha satyrisado no poema é El-Rei D. Aflonso IH. 

TUHFAT UL MUJAHIDIM. 

Obra valiosa, escripta em árabe, que descreve as guerras entre os portugue- 
zes 6 08 mahometanos, entre os annos 1498 e 1583. 

Ha d'ella uma traducção ingleza, com o n." 30, na serie da commissão orien- 
tal das traducções (Oriental Translation Conimilteep. 

TUROTZI (JOSEPH ) — Jesuíta, natural de i'resburg. 

Panegyris D. Francisco Xaverio. Tyrnaviae, 1729. 



' Aponlamenlo fornecido pelo sr. dr. Tlieopliilo llraga. 

' T. W. H, Toll)orl, Aurtoridades para a hisloria dosporluguezes xa índia. No Insliluto Vasco da 
(Jama. Nova Goa, 1874, pag. 185. 



TW 



327 



TUZUK I JAUAIVGIUI. (Historia do Mogol.J 

Obra escripla em lingua persa, que trata dos leitos dos nossos no Oriente. 

«Allude a vários logares do Muqarrab Khan e aos negócios de Surrate. Uma 
passagem parece referir-se ao ataque sobre a armada de Downton, por Azevedo, 
em 1614. Em outros logares o Tuzuk refere-se a presentes dos porluguezes e a 
alguns portuguezes empregados nos domínios de Jahangir *. 

TWISS (RICHARD ). 

Traveis throiigh Portugal and Spain in 1772 and 1773j with copper-plates 
and an appendix. London, 4775, 4.*' 1 vol. de iii-465 pag. 

De pag. 375 a 465 vem um Account of the Spanish and Portuguese Litera- 
ture. 



' T. W. H, Tolbort, Auctoridãdes para a historia dos portuguezes na índia. No Instituto Vasco da 
Gama, Nova Goa, 1S74, pag. 185. 



I 



u 



Les portugais, dont !a langue a toules les niagnificences de Tespa- 
gool, sans en avoir les défauts, ont Ia supérioriló dans ravenlurc et 
dans Taudace. Us ont joué sa fortunc sur les vagues de TOcéan. 
Jamais pcuple si pcu norabreux ne íit et n'ccrivil de si grandes 
clioscs. Son Camoens esl le poèle épique de son histoire, de ses 
dccouvcrles et de ses conquêles dans Tínde. Son erapire, transborde 
cn six móis de Lisbonne en Amérique, será un jour le texle d'un 
aulre Camoens; le portugais est un grand aventurier, ravcnturier 
national, héroiqne et poétique des temps modernes. 

Lamartine, E^tretiens familiers. 



UDHE (C). 

Baudenkmàler in Spanien und Portugal. Berlin, 1889. 

ULISSIPEADE (L'). Poème. Ou les calamités de Lisbonne, par le Trem- 
blement de Terre, &c. Par un spectateur de ce desastre, siiivie de IJArchi Héros, 
admire de Tout l' Univers dans la personne Sacrée de Frédcric le Grand, Roi de 
Prusse. Et quelqu^autres pièces, &c. 12.<* 1 vol. 165 pag. 

ULLOA (D. MAUTIN DE ). 

Tratado de Cronologia para la historia de Espana. 

Occupa este trabalho todo o vol. ii das Memorias da Academia de Historia 
de Madrid. 

É útil a leitura d'esta obra aos que desejarem escrever acerca dos antigos 
tempos da historia de Portugal, tanto anteriores como posteriores ao nascimento 
de Christo. Chega ato ao tempo da Bainha D. Joanna de Castella. 

Tandjem ahi encontra o leitor, por ordem chronologica, a historia do domí- 
nio romano na peninsula ibérica. 



330 UR 

UNIO sive connubium amoris divini cum D. Francisco Xaverio Indiarum 
Apostolo carmine dediictnm, et Néo-Magistris oUatum^ promotore P. Wenceslao 
Aquinate. Pragae. Typis Universilatis. 1660, in-4.*' 

UNIONE deli' Regno di PortogallOj alia corona di Castiglia. Istoria dei signor 
Jeronymo Conestaggio. Venelia, 1642. 

UIVJUST Proclamation of his Serene Highness the Infante Don Mig^iel as 
King of Portugal or analysis and juridical refutation of the act passed by denomi- 
nated three estales of the Kingdom uf Portugal on the 11 of July^ by Desembarga- 
dor António da S. L. Rocha. Translated from the portugiiese. 1829. 

URCULLA (D. JOSÉ DE ). 

Cantata pelo motivo da visita feita ú heróica cidade do Porto por S. M. F. 
a Setihora D. Maria II e SS. MM. II o senhor D. Pedro, duque de Bragança e 
Sua augusta Esposa. Por . Porto, 1834, 12.*», 13 pag. 

URIEL DA COSTA. — Cognominado O jurista, nasceu pelos fins do 
século XVI, em a nossa cidade do Porto, e falleceu em 1647. 

Seu pae tinha deixado a religião de seus antepassados, a de Israel, para 
abraçar o cliristianismo, que professava com uma espécie de enlhusiasmo. O 
joven Gosta foi educado nos mesmos princípios, e sua piedade attrahiu sobre si 
a attenção. 

Desde sua primeira mocidade se occupou com ardor no estudo das Escri- 
pturas, leu e releu o l^ovo testamento, e meditou profundamente no sentido d'elle. 

Nomeado, na idade de vinte e cinco annos, thesoureiro de uma capella, 
pareceu destinado para uma carreira brilhante. Mas, desde muito tempo, algumas 
duvidas perturbavam sua alma, não podendo comprehender o mysterio da reve- 
lação, e encontrando mil objecções ao dogma da divindade de Christo. Chegou a 
negar a verdade do christianismo e hesitou entre o naturalismo e a religião de 
Moysés; a necessidade de se ligar a uma communidade baseada sobre doutrinas 
positivas, o decidiu para esta ultima ; e com o fim de se entregar a ella com toda 
a segurança, deixou até mesmo, com sua mãe e irmãos, Portugal, e encaminhou-se 
para Amsterdam, onde passou o resto do seus dias. 

Tendo-se submettido á cireumeisão, mudou o nome de (xabriel no de Uriel, 
e foi durante algum tempo membro zeloso da communidade judaica. Não tardou, 
comludo, em perceber que o judaismo d'aquelle tempo estava bem afastado da 
religião dos hebreus, tal como o estudo dos livros de Moysés lh'o tinha feito 
conceber. Os rabbinos e os tamudistas a tinham sobrecarregado com um montão 
de ceremonias pueris. Esta observação o aíTectou profundamente ; e não podendo 
dissimular a causa, a communicou ao publico n'um escriplo a cuja publicação os 
rabbinos se oppozeram. Mas havendo sido divulgadas algumas das suas theses, 
creram dever responder a ellas por meio de uma refutação, cujo auctor foi o 
medico Samuel da Silva. 

Provocado por um tal modo. Costa não pôde conservar-se em silencio, de- 
fendendo-se n'um opúsculo publicado, primeiramente em portuguez e depois 
n'uma versão latina, sob o titulo de: Exame das tradições pharisaicas conferidas 
com a lei escripta. 



US «31 



^Hque é de 1624, causou muita sensação. Costa já não se contentava com atacar os 
^Hrabbinos, mas já negava a missão divina de Moysés, como também já tinha feito 
^^^ a respeito da missão divina de Jesus Gtirislo, e chegou até, finalmente, a alguns 
eommenlarios acerca de todos os livros históricos do Antigo testamento. 

Notou-se que, n'um dos seus livros, Abarbanel, embora tivesse gosado 
muitas vezes da protecção dos reis, tinha manifestado opiniões muito republica- 
nas. As obras d*este sábio israelita são escriptas em hebraico, e quasi todas 
foram vertidas para latim por Buxtorfio. 

O Perosch ai Hattorah (Commentario do Pentatheuco), foi impresso en\ 
Veneza no anno de 1579; Le Perosch ai Nehim Rishomim (Commentario acerca 
dos últimos prophetas) e o Perosch Nehim Acheroxim (Commentario acerca dos 
primeiros prophetas), appareceram na collecção de Soncini; Veneza, 1520, in-fol. 
O Mtishmia Jeshuala (O pregador da salvação), collecção das prophecias relativas 
ao Messias, foi impresso em Amsterdam no anno de 1644, in-4.°; o Rosch Amana 
(Cabeça da Fé), explicando os princípios da religião judaica, appareceu em Ve- 
neza no anno de 1545, in-4.° 

Abarbanel era muito aferrado á crença de seus pães ; mas embora não fosse 
isento de azedume nem de irritação nos seus escriptos, mostrou-se, todavia, be- 
névolo nas suas relações com os christãos. Os judeus contam Abarbanel em o 
numero dos seus homens mais illustres. 

Deixou dois filhos, dos quaes um tornou-se distincto na qualidade de me- 
dico e como iitterato, por um poema italiano intitulado: Dialogid'amore; o outro 
abraçou a religião christã. E o filho único d'este publicou em Veneza, no anno 
de 1552, uma collecção de cartas hebraicas. 

URUETA (FRAY LUYS DE ). 

Historia eclesiástica j, politicaj natural y moral, de los grandes y remotos 
reynos de la Etiópia, monarquia dei Emperador, llamado Preste Jiian de las 
índias. . . compuesta por . Valência, 1610, in-4.'' 

Historia de la sagrada orden de predicador es, en los remotos reynos de la 
Etiópia, &c. 

URsm. 

N. R. af de Lusitânia provintia romana. Helsingf., 1884. 150 pag. 

USATO (L9). 

Giuccolmio di sue reverenze. O sia Lettere sparse per V Itália da Giusuiti nd 
tempo deli' attentato contra la vita dei Re di Portogallo; ron la risposta alie me- 
desime. Napoli, 1768, 8." 1 vol. de 56 pag. 



«Também fui ás montanhas de Zilza, aldeia que tem um mosteiro 
grego no sitio mais bello que eu jamais vi, excepto Cintra em Por- 
tugal. 

Lord Byron, Cartas. 



V. J. 

Models of letters in portuguese and english. Calcuttá, 1797. 

VAL (MU. DU ). 

Description et Alphahet d'Espagne et de Portugal. Paris, 1660, 12.° 
«A pag. 105 traz um catalogo dos nossos reis, em que se acha uma hrevis- 
sima summa das suas acções i». 

VALDERAS (EL LICENCIADO JUAN DE ).— Natural de Be- 

nalcaçar. 

Admirable suceso, y verdadera enarracion en que se menta como una mujer 
natural de la Villa de Avero en Portugal se hizo homhre, y como tal se embarco 
para Angola serviendo a un grumete, y despues en Mazagan como soldado hizo 
miichas hazanas, hasta que, enamorada delia una donzella, fué causa de se saber el 
enredo; vá repartida esta obra en quatro Romances, y a la postre un Esrarrainan 

a lo divino en loor dei Glorioso S. Juan Baptista. Coiupuesta por . Impresa 

con licencia, en Sevilla, por Bartholome Gomes, a la esquina de la cáreel real. 4 pag. 
Em verso. 

Bibliotheca publica de Lisboa. 

VALENTIA (GEORGE, VISCOUNT ). 

Voyages and traveis to índia, Ceylon, the Red Sea, Abyssinia and Egypt, in 
1802-1806. By . London, 1809, 3 vol. 



'D. José Barbosa, Catalogo chronologico das rainhas de Portugal, no A quem quizer ler. 



^ 



334 VA 

IrMLENTINUS (JIILIO CÉSAR ). — Parocho em Carpineto, na 

Sabina. 

Verteu para italiano a obra do nosso P. Manuel Rodrigues, intitulada : Ex- 
plicacion de la Bula de la Cruzada, con adiciones. Panihormi, 1620 ^ 

VALERA (CYPRIAN DE ). 

Dos tratados; el yrimero es dei papa y de su autoridade colegido de su vida 
y dotrina. El segundo es de la missa. Iten, un enxambre de los falsos milagros con 
que Maria dela Visitacion, Priora de la Anunciada de Lisboa engano a muy mu- 
chos; y de como fué descubierta y condenada. Londres, en casa de Ricardo dei 
Campo (traducção do nome inglez de Richard Field), 1599, 8.*» pequeno de 610 pag. 

Tross vendeu um exemplar por 47 francos (em 1847), e Morante um por 
230 francos. 

Foi reimpressa esta obra em Londres no anno de 1851 ^. 

VALERA (D. aUAN ).— Escriptor hespanhol. 

Escreveu na Revista Ibérica, de Madrid, vários artigos refutando as asser- 
ções ultra- bellicosas de D. Pio Gullon. Madrid, 1862. 

VALLARROEL (D. JOSEPII ). 

A la restituicion de Alcântara, por el Ex.'°° Senor Marquês de Bay, romance 
heróico que ofrece a su Excelência por precepto soberano. 
Guerra da successão. 

VALLE (PIETRO DELLA ). 

Des fameux voyages de , gentilhonie romain. Paris, 1665. 

Trata da índia portugueza d'aquelle tempo. 

Viaggi di , il pellegrino, con minuto raguaglio di tutte le cose notabile 

osservate in essi, descritti da lui medesimo in 54 lettere familiari, da diversi luoghi 
delia intrapesa peregrinatione, mandate in Napoli. . . Divise in tre parti, cioè, la 
Turchia, la Pérsia e V índia. Seconda impressione, con la vita delVautore. . . Roma, 
1658, 1662, 1663, 4 tomos. 

Voyages de , gentilhomme romain, dam la Turquie, VÉgypte, la Palestine, 

la Perse, les Indes Orientales et autres lieux. Nouvelle édition. Rouen, 1745, 12.° 
8vol. 

(A edição de 1614-1625 é traduzida pelos padres Et. Carneau e Fr. Le- 
eomte.) 

VALLEDOR (EVARISTO SAN MIGUEL Y ).— Duque de San 

Miguel, grande de Espana de primera dase, gran-cruz de la real y distinguida 
orden de Carlos III, y de las reaies militares de San Fernando y San Hermene- 
gildo, ele, etc. 

Historia de Felipe II, Rey de Espana. Por el Ex.'^^ Sr. D. . Segunda 

edicion, revista, corregida y reformada por su autor, y aumentada con su biogra- 



Nicol. Ant., Bibliotheca Nova, vol. i, pag. 355. (Edição de Madrid, 1783.) 
Deschamps et G. Brunei, Supplément au Manuel dii libraire, rol. ii, pag. 83t. 



( 



VA 333 

[ia, juicio critico de la obra, y un estúdio sobre la época de Felipe IL Barcelona, 
editor, Salvador Monero, 1867-1868, foi., 2.» vol. com estampas. 

No paragrapho destinado no vol. n (pag. 4oO-i53) a narrar a conquisla de 
Portugal, é justo para com os portuguezes. 

VALLERAj^íGE (P.). 

Le palantinisme, alliance fédêrale de la France, la Belgique, VAngleterre, 
1'Espagne, le Portugal Paris, 1865. 

VAiVE, CII. W. (MARQUIS DE LONDONDERIIY). 

Histoire de la guerre de la Peninsule (a. 1808 et suivans). Paris, 1828. 
A steaiu voyage to Comtantinople, hy the lihine and the Danube in 1820-1841, 
and to Portugal, Spain, in 1839. London, 1842, 2 vol. 

VANDEIV BUSSCHE. 

Flandre et Portugal. Mémoires sur les relations qui existèrent anlrefois entre 
les flamands de Flandre et particulièrement ceux de Bruges. Bruges, 1872. 
Ibid. Bruges, 1872. 

VARGAS (FRANCISCO DIAZ DE ). 

Discurso y sumario de la guerra de Portugal y sucusos delia. 

Alem das edições declaradas no primeiro volume de Portugal e os estrangei- 
ros, exisiem ainda as seguintes: 

Zaragoza, por Pedro Verges, 1644, 12.» de 99 pag. 

Nicolau António falia de outra edição estampada em Zaragoza, apud Domi- 
nicwn de Portrariis. 

VARGAS (D. TH03IAS TAMAYO DE ).— Natural de Madrid, 

chronista mór das Índias, de El-Rei Filippe IV, e ministro no conselho de ordens, 
bem conhecido pelas suas eruditas obras; ainda com o credito que deu aos 
pseudo-chronicões, se lhe não pôde negar o muito que soube; falleceu a 2 de 
setembro de 1642. Entre a muita genealogia que escreveu, imprimiu em Madrid, 
em 1633, Memorial por la casa y linage de Sousa, a favor do conde de Miranda, 
comprovado nas margens com auctoridades e illustrado com annotações. 

Restauracion de la ciudad dei Salvador, baia de Todos Santos, en la pro- 
víncia dei Brasil, por las armas de Dou Felipe IV, el gran rey católico de las 
Espanas y Índias. Madrid, 1628. 

Um exemplar, que pertencera a J. B. Colbert, foi vendido na casa Tross, em 
i873, por 79 francos. 

VÁRIOS AVISOS deis bons sucesos dei Rey de Portugal, y disposicio de 
sus armadas de mar y terra; progresos y estat de las cosas de Alemania y Flandes. 
Ab Licencia. En Barcelona, en casa de Pòre Lacavalleria, any 1642. 

VARIVHAGEN (FRANCISCO ADOLPUO DE ).— Barão de Porto 

Seguro. Escriptor brazileiro. 

Historia geral do Brazil, isto é, do descobrimento, colonisação e desenvol' 
vimento d'este Estado, hoje império independente, escripta em presença de muitos 



336 VA. 

docummtos authenticos recolhidos nos archivos do Brazil, de Portugal, da Hespanha 
e da Hollandãj por um sócio do instituto histórico do Brazil, natural de Sorocaba. 
Madrid, 1854-1857, 4.« 2 tomos. 

Amerigo Vespucci. Sou caractere, ses écrits (même les moins authentiquesj, sa 
vie et ses navigations, avec une carte indiqiiant les routes, par A. de Varnhagen, 
ministre du Brésil au Pérou. Lima, imprimerie du Mercúrio, 1865, foi. 

Le prender voyage de Vespucci, définitivement expliquée dans ses détails . . . 
Nouvelles recherches sur les derniers voyages du navigatmr ftorentin, et le reste 
des documents et éclaircissements sur lui, avec les textes dans les mêmes langues 
quils ont été écrits. Vieiíne, 1869, foi., 2-1 vol. de viii-48 e iv-54 pag., enrique- 
cido com numerosos fac-similes. 

Acha-se n'esta publicação notável uma chusma de documentos preciosos, 
escrupulosamente reproduzidos, entre outros o texto integral de Vianello, do 
qual Mr. de Humboldt apenas conheceu algumas linhas; também n'elle se encon- 
tra a reproducção da plaquetta de Dresde, a qual já se não pôde achar : Zeitung 
aus Presilig landt». 

O volume, para estar completo, deve ter a Postface, publicada em 15 de 
abril de 1869. 

Examen de quelques points le Vhistoire géographique du Brésil. Paris, 1858, 8.« 

La verdadera Guanahani de Cólon. Santiago (de Chilí), 1864, 8.°, 16 pag. e 
um mappa. 

Foi traduzido para allemâo com o titulo seguinte : Das wahre Guanahani 
des Colombus. Wien, 1869, 8." de 30 pag. 

Os índios bravos e o Sr. Lisboa, Timon 3.\ pelo author da Historia geral do 
Brazil. Lima, imprenta liberal, 1867, 4." pequeno de 124 pag. 

Sidí' importanza d'un manoscrito inédito delia Biblioteca imperial de Vienna, 
per verificare quale fu la prima isola scoperta dal Colomb, ed anche altri punti 
delia storia delia America. Viejma, 1869, 8.o 

Cancioneirinho de trovas antigas, colligidas de um grande cancioneiro da Bi- 
bliotheca do Vaticano, precedido de uma noticia critica do mesmo grande cancio- 
neiro. Vienna, typ. Imp. e Re. do Imperador e da Corte, 1870, 8.° pequeno. 

Ainda Amerigo Vespucci: Novos estudos e achegas, especialmente em favor da 
interpretação dada á sua primeira viagem, em 1497-1498, ás costas do Yucatan 
e golfo mexicano. Vienna, C Gerold, 1874, foi. 

Uorigine touranienne des américains tupis-caribes et des anciens égyptiens, 
indiquée principalement par la philologie comparée ; traces d'une ancienne migra- 
tion en Amérique, invasion du Brésil par les tupis. Yienne, Faezy et Frick, 1876, 
8." de xvii-158 pag. 



VASCO DA GAMA. Poême lyrique, par Monsieur le Comte Crmont. 
Manuscrit [rançais. 



VASCONCELLOS (CAl\OLl\A MICHAELIS DE ). 

Francisco de Sá de Miranda. Poesias. Edição critica feita sobre cinco ma' 
nmcriptos inéditos e todas as edições impressas. Acompanhada de um estudo 

sobre o poeta, variantes, notas, glossário, um retrato e cinco facsimiles,por . 

Halle. 



VE 3^7 

VASLET (LUD. ). 

Regulae Syllabarum quantitate: acc. aos métrica ^ &c. Grammaticae patri 
Emmanuelis Alvar i e S. J. Opera . Londini, 1730, S.** 

VATTEMARE (H.). 

Vasco da Gama, par . Livre de lecture à Vusagc des écoles et de Ia classe 

préparatoire des lycées et collèges. Paris, librairie Hachetle & C*, 12.° de 36 pag. 
com estampas. 

Faz parte da eollecção da Bibliothèque des écoles et des familles. 

VAXEL (PLATÃO ). 

«Na sua these de doutoramento sobre os exércitos de invasão, este distincto 
pensador define admiravelmente a acção que sobre o direito das gentes exerceu o 
nosso insigne publicista Silvestre Pinheiro Ferreira, fazendo conformar os velhos 
usos bellicos com a comprehensão da justiça, e sobretudo excluindo das moder- 
nas praticas internacionaes o chamado direito de represálias i.» 

VEDRA (LUÍS BRETON Y ). 

Salve, Regia Beldad!^ 

Ya sois de Portugal 1 Ya vuestra frente 
Los rayos de su cielo esplendoroso 
Iluminan y alhajan dulcemente 
De las auras el beso carifioso. 

Excelsa, pura, cândida y lozana 
Del Tajo vais á ser la flor más bella ; 
Lisia para acogeros se engalana 
Y de jasmines cubre vuestra huella. 

j Oh cuanto bienhadada si el futuro 
La memoria os guardare de este dia I 
Extranjero cantar, ai pueblo auguro 
En vos la nueva luz que Dios le envia. 

ídolo ya dei Lusitano suelo, 
Mitad dei alma de su Rey amante. 
Vais á calmar tan generoso anhelo 
Quando la fama vuestra gloria cante. 

El lloro que enjugueis, perla divina, 
Será de vuestra fulgida diadema. 
Cifra veraz que ostente peregrina 
Tan dulce nombre, de bondad emblema. 



' Apontamento fornecido pelo sr. dr. Theophilo Braga. 

* Foi esta poesia composta por occasião do consorcio de SS. MM. D. Luiz com D. Maria Pia de 
Saboya. 

22 



338 VE 

El sin ventura hiierfano, el anciano, 
La vinda llorosa, desvalida, 
Tendrán alívio en vuestra nívea mano, 
Recompensa feliz de esta acogida. 

Salud, Regia Beldad 1 cual rubia aurora 
Deseollando entre nácares serena 
De esperanzas el animo atesora 
Tal asomais de mil encantos llena. 

Que las flores os den su puro aliento, 
Las auras sus más graciles suspiros, 
El avecilla con sa vario acento 
Mil arrullos de amor en dulces giros. 

Y ai deponer colmado de alegria, 
Bardo sin nombre, esta humildosa ofrenda 
No desecheis su débil armonía, 
Pués de la voz dei corazon és prenda. 

VEEUSEIV (T. VAN ) — Docteur en droit. 

Dom Louisy lioi d'Espagne et de Portugal^ par . Paris, librairie Inter- 
nationale Lacroix Verbockhoven et C% éditeur, 1868, 8.® de 32 pag. 
Defende a candidatura de D. Luiz para rei de toda a Península. 

VEGA. (GABRIEL LASSO DE LA ).— Natural de Madrid. 

«Compoz diversas obras, que refere na Bibliotheca hispânica D. Nicolau An- 
tónio. Entre as manuscriptas deixou: Origen de los Reyes de Portugal y Jerusa- 
lém; Franckeneau, na Biblioteca genealógica^.* 

VEGA (GARSIAS LASO DE LA ). 

Historia de la Florida y jornada que a ella hizo el Governador Hemando de 
Soto. Lisboa, em casa de Craesbeck, 1695. 

Foi esta obra traduzida em francez pelo P. Richelet, e publicada em París^ 
2 vol., por Gervazio Gouzier, 1670 2. 

VEGA (D. JOSÉ LOPEZ DE LA ). 

Un recverdo á Camões. 

«Encómio a Camões, devido a D. José Lopes de la Vega, n'um escripto seu 
de 1857, composto de artigos lilterarios em prosa e verso. Tem por titulo. Santa 
Cristina de Valeize; e foi impresso em Pontevedra, na Galliza, na typographia 
da Viuva e Filhos de Varea, 4.°». Pereira Caldas, Encómio a Camões, n'uma 
poesia hespanhola de D. José Lopes de la Vega. Braga, 1881. 



' D. António Caetano de Sousa, Ilisloria genealógica da casa real porttigueza, vol. i, pag. ccx. 
* Nicol. Anl., Bibliotheca Nova, vol. i, pag. 514. 



VE 339 

Al Dr. José Francisco de Almeida, de Valenza do Minho : 

(Pour juger des poetes il faut savoir sentir; il faut ôtre né avee quelques 
étincelles du feu, qui anime ceux qu'on veut connaitre. — Voltaire.) 

Tu pátria de ser célebre dejára, 
si tu no hubieses sido lusitano; 
ni hubiera quien sus glorias recordara, 
faltandóle tUj numen sobrehumano. 

Ni luz, ni heróicos hechos ornarian 
Ia iierra de Herculano y de Castillo ; 
y à tu suelo natal jamás darian 
tanta gloria inmortal y tanto brillo. 



In nombre! quien dijera la historia 
de un pMeò/o para siempre inmortalisa? 
quien piensa, que de un hombre la memoria 
de un pueblo los laureies eterniza ? 

Sin Horácio y Caton, que fuera Roma? 
qué Grécia ? sin Virgilio y sin Homero ? 
La gloria de los pueblos nunca asoma, 
si el bardo en recordaria no es primero ! 

Si llega á degradarse — le reprende; 
si lauros gana altivo — le bendice : 
sus penas y dolores el comprende : 
sus horas de baldon sábio predice. 

Misera humanidad ! . . . de ti que fuera, 
que fuera — si el poeta te faltara? 
Nadie su abnegacion jamás tuviera, 
ni el oro por la fama despreciara ! . . . 



Pobre Gamoens I que instantes de amargura, 
de llanto y de dolor habrás sufrido ! . . . 
Quien, dime, más que António tu tristura 
amante ha consolado y comprendido?. . . 

Un esclavo ! que el mundo con desprecio 
miraba, y solo tu su amigo fuiste; 
de quien has recibido en el destierro 
el pan — si — negro pan que allí comíste. 



340 VE 



Vendeme el capacete, António amigo , 
que el resto es ya — no más — de mi fortuna I 
Tened por Dios — sefior — que fé yo abrigo ; 
y no daran por el cosa ninguna ! . . . 

Muramos pués ! que vale la existência, 
viviendo entre hombres pérfidos é impuros?. . . 

SeNOR ! — AUN PUEDE HAVER QUIEN LA CLEMÊNCIA 

con vos quisiera ejercer I . . . tristes apuros ! 



Qué buscamos aqui?. . . puede encontrarse 
un duradero instante de placer?. . . 
puede feliz el hombre reputarse 
con los recuerdos de su triste ayer? 

Que buscamos aqui?. . . no es miestra vida 
una arista fugaz que lleva el viento 
trás una otra iíusion desvanecida, 
más leve que el girar dei pensamiento ? 

Pobre Camoens 1 tu lapida regara 
de perlas, si inis lágrimas lo fueran ; 
y entonces solo asi le tributara 
recuerdos que la musa enriquecieran. 

De flores yo ornaré esa triste lapida ; 

plegarias ai Senor ele vare 1 . . . 

y mientras tenga ai^dor mi vidsc rápida, 

TU NOMBRE CON RESPETO INVOGARÉ I 

Tuy, Junio, 1855. 

DoN José Lopez de la Vega. 

«Em 1858 tivemos largo convívio epistolar con D. José Lopez de la Vega, 
era elle então o secretario do Provenir Hispano- Lusitano, em Vigo, na Galliza. 

«O director d'este decennario — revista de commorcio, industria, vias férreas, 
telegraphos e litteratura — era D. Francisco Tenreiro y Montenegro. 

«N'este decennario — illustrado com xilographias — dava-nos specimens dos 
nossos poetas, umas vezes por outras, o nosso dulcíssimo amigo. 

«No fecho de cada espécimen aquilatava-nos cada poeta nosso com o seu 
estro hispano-americano. 

«No n.® 2 — 20 de abril — dá-nos a Adormecida, de Palmeirim, com este 
aquilatamento : «Palmeirin és el poeta más popular dei vecino reino; és el Bé- 
ranger português. Su estilo, és correcto; su inspiracion, animada; su vena, inago- 
table ; su ternura, indefmible.» 

«No n." 3 — 30 de abril — dá-nos a Violeta, de João de Lemos, com este 



VE 34» 

aquilalamento : «João de Lemos és el Ariiao espano! ; algo dado á imilar lus poetas 
alemaiies, pêro de una inspiracion valienle — de grandes pensaniieulos — fecundo 
como Zonilla, y elegante eu la diccion como Martinea de la Rosa. Portugal no 
tiene un poeta que cante con tau melancólica dulzura.» 

«N'este mesmo n.« 3 dá-nos ainda um specimen do nosso Castilho, uo Cân- 
tico da manhã. 

«Em lineamentos d'aquilatação — àimexos a este specimen — ajunlam-se 
estas palavras: «Tendremos ocasion de hablar — como corresponde — acerca 
de este eminentisimo poeta lusitano, llamado con razón el Homero português, 
cuyas obras, por si solas, bastarian para hacer figurar á Portugal entre los pue- 
blos viás literários dei mundo. 

"No n.« 6 — 30 de maio — dá-nos ainda de Castilho um novo espécimen, 
no Cântico ao florir das arvores. 

«No n.° 9 — 30 de junho — acha-se uma bella poesia, endereçada a Valença 
do Minho, em homenagem a um «ornamento excelso» d'esta villa: contemporâ- 
neo nosso na universidade de Coimbra, e alumno alli, como nós, nas faculdades 
de mathematica, philosophia, medicina e cirurgia. 

«Referimo-nos ao dr. José Francisco de Almeida, a quem D. José Lope^ de 
la Vega endereça também o Encómio a Camões. 

«Eis aqui o começo d'este Encómio a Valença. 

Salve ! Salve I diamante brillantino 
De orillas de ese Mino celebrado I 
Bello fanal que alumbras el camino, 
Al misero y sediento peregrino, 
Que vaga por tus campos estraviado ! 
Pareces ai lucero de alta zona. 
Que alegra el corazon con su fulgor ; 
y perla que incrustada en Ia corona 
De mágica y lindisima amazona. 
Aumenta su atrativo seductor.» 

(Pag. 13.) 

«No n." 10— 10 de julho — detem-se D. José Lopez de la Vega com o nosso 
poeta, dedicando-lhe uma poesia maviosa. 

«Tem esta poesia por titulo El Ciego (Ao ill.™" sr. António Feliciano de 
Castilho, poeta egrégio de Portugal), e começa com estas duas estrophes: 

Cuando la luz de la vida 
alumbraba mi camino; 
y cual planta bendecida, 
vi mi juventud querida, 
halagada dei destino; 

• No como ahora pí^raba 

dei campo sin ver las flores ; 
ni á la vista se ocultaba 
el astro que las besava, 
con sus doradus fulgores. 



342 VE 

«No n.» 11 — 20 de julho — torna-se a fallar de Castilho, quando se trata 
especialmente de Garrett. 

«No n." 12 — 30 de julho — torna-se a fallar ainda de Castilho, quando se 
allude especialmente a Mendes Leal. 



«A Discreta Vingança^ que eu me proponho a analysar*, é a primeira come- 
dia do vigésimo volume; é uma composição histórica e nacional, e em todo o 
Iheatro hespanhol é sempre este o género que me parece ter um merecimento 
mais verdadeiro. 

«A scena passa-se em Portugal, durante o reinado de Affonso III (1246 a 
1279); o principal personagem é D. João de Menezes, que foi o favorito d'este 
rei, e que teve de se defender contra as mais negras intrigas dos cortezãos inve- 
josos. No começo da peça vemol-o com o seu escudeiro, Tello, esperando ao 
sair da igreja sua prima D. Anna, da qual se acha apaixonado. Seu rival, 
D. Nuno, alli chega por sua vez com seu amigo D. Ramiro, com o mesmo fim de 
fazer sua corte. 

«A dama appareee á porta da igreja"; deixa ella, por descuido, cair sua luva; 
ambos se precipitam para a apanharem; disputam-n'a um ao outro, medem-se 
com os olhos; vão desafiar-se; mas D. Anna, para evitar um duello, decide 
contra seu primo a favor de Nuno, de quem ella não gosta. Depois de ter sepa- 
rado a ambos, volta para a igreja com o fim de se justificar para com Menezes, 
e para lhe fazer sentir que ella não pareceu preferir seu rival senão com o fim 
de evitar um desafio perigoso. Esta scena, que serve de exposição, é destinada 
para nos fazer conhecer ao mesmo tempo o amor ditoso de Menezes, sua dispo- 
sição ao ciúme e a rivalidade de Nuno. 

«A segunda scena representa o conselho d'estado do rei D. Aífonso. Nas 
peças inglezas e hespanholas não é a entrada de um novo actor que faz uma 
scena, mas sim a reappariç.ão dos personagens, sem ligação com a scena que a 
precede. AíTonso foi elevado á coroa de Portugal por um partido que tinha de- 
posto a D. Sancho, seu irmão, príncipe negligente, voluptuoso e incapaz de reinar. 
Tinham casado Aífonso com uma princeza franceza (Mathilde, herdeira do conde 
de Bolonha); contava ella cincoenta annos, ao passo que seu marido ainda era 
novo; não tivera filhos d'ella, nem os esperava ter; por isso desejava divorciar-se 
d'esta princeza, que o não tinha acompanhado a Portugal. 

«A rasão d'estado, o desejo de segurar a successão á coroa ; por outra parte, 
os direitos da condessa e o reconhecimento que lhe deve AfTonso, são discutidos 
n'este conselho com muita nobreza. 

«Vasco, Nuno e Ramiro movem o rei a pedir ao papa Clemente IV um di- 
vorcio, que este lhe não poderá recusar. 

«D. João de Menezes, pelo contrario, quer que elle reparta os gosos da rea- 
leza com a mulher, a quem deveu a subsistência, quando não tinha estados. 

«Afl'onso põe fim á discussão, que principiava a azedar-^Se, entre Nuno e Me- 
nezes ; não conserva comsigo senão a este ultimo, do qual tinha já experimentado 



Sismonde de Sismondi, De la littératun du Midi de iEurope, Paris, 1837, vol, ii, pag. 314. 



I 



VE ^43 

a fidelidade nos tempos os mais desgraçados; annuncia-lhe que está decidido 
não somente ao divorcio, mas a desposar Beatriz, filha de AíTonso X de Castella, 
que lhe offerece em dote o reino dos Algarves. Escolhe a D. João por embaixa- 
dor á corte de Sevilha; manda-lhe que parta n'essa mesma noite, e que guarde 
o mais profundo segredo. D. João confessa com franqueza que só com pezar é 
que se afasta de sua prima Anna de Menezes, no momento em que elle a disputa 
a um rival que lh'a pôde arrebatar, e Affonso promette immediatamente encarre- 
gar-se dos interesses do seu amigo, e de elle próprio vigiar a bella de D. João. 
Este não se fia Ião cegamente, que não ordene ao seu escudeiro, Tello, de vigiar 
durante a noite, em volta da casa da sua namorada. Todavia guarda religiosa- 
mente o segredo que lhe é confiado, e parte sem se despedir de D. Anna, faltando 
n'essa mesma noite, sem a prevenir, a uma entrevista que ella tinha combinado 
com elle. 

«Não era, pois, sem motivo, que Menezes tinha recommendado a Tello que 
vigiasse durante a noite; Nuno, Ramiro e seu escudeiro, Rodrigues, approxi- 
niam-se da casa de D. Anna; era a hora que ella tinha marcado a D. João, e 
engana-se tomando Nuno por elle; mas Tello, que os espreita, consegue por meio 
de um artificio saber seus nomes. Como são três contra um, não os ataca ainda. 
Emquanto os observa de longe, o rei, que pretende cumprir sua promessa, e ter 
os olhos abertos sobre a namorada de D. João, apparece no fundo d'esta mesma 
rua. Tello, sem o reconhecer, dirige-se a elle para lhe pedir soecorro, e esta scena 
representa um excesso de cavallaria, que, apesar de ser extravagante, tem, no 
emtanto, um caracter de verdade mui original.» 

VEGEZZI (G.). 

Notizie intorno agli scritti di M, M. Barbosa dei Bocage. Torino, 1831. 

VELASCI (VELASCO ).— Ferdinandi utriusque júris consulti. 

lUiistrissimi Regis Portugalliae oratoris ad Innocenthim ociaviim pontificem 
maximum de ohedientia oratio. Romae, 1485, 4.*» de 8 pag. Gothico. 

Vendeu- se em 1862 um exemplar por 80 francos. 

«Acha-se n'este opúsculo a primeira menção das grandes descobertas dos 
portuguezes na Africa e nas índias*.» 

VELASQUEZ. 

La entrada que en el Reyno de Portugal hizo la S. C. R. M. de D. Philippe. 
Lisboa, 1583, 4.° 

VELASQUEZ (D. LUÍS JOSEPII ). 

Geschichte der Spanischen DichtJiimst. Uebersetzt und erlãutert v. J. A. Dieze. 
Gõttingen, 1769, 8.° de 355 pag. 

Parte i, cap. v. Die portugiesische Dichtkunst. Supplemento, pag. 526 a 538, 
Luiz de Camões. 

VERCLARIIVGIIE vande eers te beghinselen der Latynsche tale, Waer in 
verhandelt ivordt 't gheen meest noodigh is oen de jonck-heyt der eerste Schole, 



Deschamps et G. Brunet, Supplément au Manuel du libraire de Brunet, vol. ii,"pag. 827. 



344 VE 

onder de bestieringhe van de Societeyt Jesu. Tot Antwerpen, by de Weduwe van 
Henrieus Thieulier, anno 1723, 8.° de 135 pag. 

É uma espécie de supplemento á Grammatica latina do P. M. Alvares. 

VERDADES solidas, acrisoladas en la lealdad espanola que ofrece un fiel 
vasaloj á honra y gloria de Dios, N. Sefior y de N. Católico Monarca D. FelipeV. 

VERDIER.— Historiographo de Luiz XIV, Rei de França. 

Abrégé de 1'Histoire d'Espagne, contenant l'origine des Espagnols, leurs giier- 
res contre les Romains, les Cartaginois, et autres nations, Vinvasion des Maures, 
^a resource des Chrestiens, la naissance et le progrès des Royaumes d'Oviedo, de 
Leon, de Navarre, de Castille, d'Aragon, de Portugal, de Grenade et autres Prin- 

cipautésy recfueilUe et divisée en deux parties, par le sieur de . Historiographe 

de France. Paris, chez Estienne Lassori, 1663, 2 voi. 

VERGARA (R. G.). 

Los descubridores dei estrecho de Magallanes y sus primevos exploradores. 
Parte ii, 1553-1554 e 1584, e parte iii, 1579-1580. S. Thiago, 1580-1582. 
Los descubridores dei estrecho de Magallanes. Parte ii, 1553-1584. 

verídico ESPANOL (EL ). Lisboa, en la imprenta real, ano 1812. 

O n.° 1 tem a data de 2 de novembro de 1812. 
O exemplar que vi tinha apenas nove números ; ignoro se ha mais. 
O jornal era destinado a dar noticias da guerra e a incitar os hespanhoes 
contra os francezes. 

VERGIER (MONSIEUR ). 

Juan (D.) et Isabelle. Nouvelle portugaise, par . 1731, 8.» de 63 pag. 

Sem logar de impressão. 

VERHEYEIV (PHILIPPO ).— In celeberrima Universitate Lova- 

niensi, Artium et Medicinae Doctore, Anatomiae et Chirurgiae Professore Régio. 

Vera Historia de horrendo Sanguinis fluam ex oculis, naribus, et ore Reve- 
rendi Patris Joannis Baptistae Onraet Societatis Jesu et de miraculosa ejusdem 
sanatione per inter cessionem sancti Francisci Xaverii Societatis Jesu Sacerdotis, 
Indiarum et Japoniae Apostoli. Cum annotationibus breviqiie discursu de essentia 
miraculi et de cultu SS. Authore . Lovanii, apud Michaelem Zangrium^ 

Trata-se de um milagre attribuido a S. Francisco Xavier, e é bom que se 
veja de que assumptos tratava, por aquelle tempo, o Journal des Sçavans. 

VERJU8 (P.). 

Este padre dizia de D. Pedro II: <«0 rei todos os dias depois de jantar vae 
estar com sua mulher, e quasi que não pôde ficar sem a ver. Tem tido condes- 
cendências para com ella, que nunca se tiveram senão para com as pessoas que 
são muito amadas: e como a paixão que tem para com ella é a mais justa e a 
mais racional que se possa ter, podemos também asseverar que elle nunca a teve 



Journal des Sçavans, 2 de deioiubro de 1709. 



VE 343 

mais forte. E tanto mais provável que ha de ser duradoura, quanto a rainlía, 
pela sua parte, está enternecida dos cuidados e da aíFeição do rei, e procura 
não ter menos condescendências para com elle, do que o rei tem para com elia. 
Os que melhor o conhecem estão muito persuadidos de que elia tem já muita 
influencia sobre seu espirito, e que mais tarde ha de ter influencia inteirai» 

VERNEII (ALOYSII ANTÓNIO ).-Equitis Torquati Archidia- 

coni Eborensis. 

De Be Metaphysica ad usum Liisiianorum adolescentium. Librí Qualuor. 
Romae, cioioccliií, ex typographia Generosi Salomonii in foro S. Igiiatii. 8° 
de xxxii-240 pag. 

De Re Lógica ad usum Lusitanorum adolescentium. Libri sex. Editio tertia 
emendai ior. Olisipone, 1762, ex typographia Michaelis Roderici, Enjfi. D. Card. 
Patriarchae Typographi, 8.» grande de xxx-362 pag. 

Apparatus ad Philosophiam et Theologiam ad usum Lusitanorum adolescen- 
tium. Romae, 1751, ex typographia Palladis, apud Nicolaum et Marcum Paleari- 
nus, 8.» grande de xv-536 pag. 

É dedicada a El-Rei D. José. 

t Totum opus summo judicio ac fide conscriptum, vastissimaque nec ea vulgari 
eruditione ornatum est», diz o abbade D. Feiix Maria Nerini, na approvação d*esta 
obra. 

E o veneziano Fr. João de Lucca, acrescenta: aConcinna tot rerum grains- 
simarum dispositio, ut Auctoris ingenium^ eruditionenij judicium^ studiumque San- 
ctissimae Religionis in aspectum profert.» 

De Ortographia Latina ad Didacum Fratrem liber sigularis. Romae, 1747, 
typis Generosi Salomonii in Platea Sancti Tgnatii, 8." 

Aloysii Antonii Verneii P. U. J. U. et T. D. Archidiaconi Eborensis de Con- 
jungenda lectissima Philosophia cum Theologia Oratio ad Academiam Theologicam 
habita in Romano Achi gymnasio XIV Kal. Dec. 1146. Romae, 1747, typis Joannis 
Generosi Salomoni m Platea S. Ignatii, foi. de xx pag. Superiorum permissu. 

Aloysii Antonii Verneii Equitis Torquati Archidiaconi Eborensis in funere 
Joannis V. Lusitanorum regis Fidelissimi Oratio ad Cardinales. Sem data nem 
logar de impressão, foi. de xxiii pag. 

Grammatica Latina tratada por um meihodo novo, claro e fácil, para uso 
d'aquellas pessoas que querem aprejidel-a brevemente e solidamente. Terceira edição, 
mais emendada. Lisboa, na regia oílicina typographica, anno.1775. 

Gramática latina, tratada por um methodo novo, claro e fácil. Para uso 
daquellas pesoas que querem aprendel-a brevemente. Traduzida de francez em ita- 
liano e de italiano em portuguez. Barcelona, 1758. 8.** grande de liv-274 pag. 

VERTOT (M. L'ABBÉ DE ).— De TAcadémie des Inscriptions et 

Belles-Arts. 

Révolutions de Portugal. Troisième édition, revue & augmentée. A Paris, chez 
Nyon, 1749, vii-342 pag. 

«Les Portugais, nation brave, courageuse et impatiente du joug étranger.» 



R. Francisque Michel, Les porlugah en France et les [rançais en Portugal, pag. 65. 



346 VE 

É obra mui conhecida. Porém, o que não é mui conhecido é que Luiz de 
Boisgeiin foi quem terminou esta obra, e não Vertot. 

Révolutions de Portugal. NouveUe édition, revue & augmcntée. A la Haye, 
chez Pierre Gosse Júnior, 1756, 12.° de xii-257 pag. 

Histoire des révolutions de Portugal. Amsterdam, 1722. 

3.^ edição, Paris, 1728; 4.% Paris, 1737. 

Reimpressão, par Dubois: Paris, 1743; Paris, 1768; Paris, 1786; Paris, 1830. 

Em inglez: 4.^ edição, Londres, 1735; Glasgow, 1758. 

Em italiano, par le Fabre: Londra, 1808. 

Hespanhola, por Pagés: Paris, 1825. 

Historia de las revoluciones de Portugal^ traducidas en lengua castellana. 
Leon de Francia, 1747, in-12.« 



VERZEICIIiVISS der Werke lebender Kúnstler auf der Lxr. Austelhmg der 
Kgl. Academie der Kúnste zu Berlin. Berhm, 1883, 164 pag., 8.'' 

«Noticia acerca da pintura de Ernst Slingeneyer, em Bruxellas : «Der SchifF- 
bruch des Camoens», e conjunctamente a critica d'esta pintura, por R.S. no Ber- 
liner Tageblatt, 1883.» (Pag. 103.) 

VESPUCCI (AMEIUGO ). 

Lettera dí Amerigo Vespvcci delle isole nuovamente trouate in quattro suai 
viaggi. In-4.°, 16 folhas de quarenta linhas em caracteres romanos. As três ulti- 
mas linhas do verso da ultima folha, dizem : Data in Lisbona a di 4 di septem 
bre 1504, servitore Amerigo Vespucci in Lisbona. 

«Esta traducção italiana da carta de Vespucio é de uma raridade extrema ; 
o Briiish Museum possue o exemplar do hon. Thomas Grenville. (Cat. Bibl. 
Grenvil.j pag. 764.) 

Um exemplar, muito bem conservado, figura no 4.'^ catalogo de Hermann 
TrosSj pelo preço de 9:000 fr., realmente extraordinário. 

O exemplar de M. Tross, como o de Rich. Heber, possue, em seguida ás 16 
folhas da carta de Vespuceio, a primeira carta de Andréa Corsali. Peignot fez 
d'este Corsali um logar tenente de Vespucio; diz que tomou o commando da 
frota depois da morte d'este, etc. Tudo isto testemunha a favor da imaginação 
do excellente Peignot. Corsali e suas narrações nada têem de commum com a 
America nem com Vespucio; suas duas cartas devem ter entrada na Bibliothèquc 
Asiatique. 

Alberic' Vespucci' LaurUio \ petri francisci de Medíeis Salutem plurimã dicit. \ 
Sem logar nem dia de impressão. (Paris, Félix Baligaultet Jeham Lambert, pelos 
annos de 1502), 4.° pequeno, 6 folhas, caracteres romanos, o verso da ultima 
folha em branco; quarenta linhas cada pagina. A sentença: «dex italiaca (sic)...» 
está no íim do texto. 

Mundus nouiis \ (depois a marca de Denys Rose). No verso do titulo: Mundus 
nouus I de natura moriV et ceteris id ge \ neris gêtis q in nomio mudo opa 3. im j 
pêsis serenissimi portugallie regis \ superior ibus annis invPto Alberi \ cus Vespu- 
tius Laurêtio petri de Me \ dicis Salutem, plurimam dicit. 12.", de 29 linhas por 
pagina. 

Um exemplar imperfeito, contendo somente 11 paginas, e que pertencera a 



VE 3" 

M. Libri, foi vendido em Londres, em junho de 18C5, e adquirido pelo British 
Museum. 

M. Harrisse, na Bibliotheca americana o nos addicionameníos, descreveu um 
numero considerável de edições d'este folheto tão precioso. 

A edição, que M. de Avezac adopta como primeira, é a de PariSf Jeham 
Lambertj que M. Brunet já assignalava como parecendo ser anterior a todas as 
outras. 

A primeira edição, descripta no Manuel^ e em Harrisse (Bibl Americ, 22), 
é apresentada por este como tendo 40 linhas por pagina, e censura M. Brunet 
por lhe attribuir 42. É provável que a edição seja difterente; a que foi descripta 
no Manuel tem, com eíTeito, 42 linhas, o que se pôde verificar no exemplar do 
British Museum, o qual provém de Grenville. 

Mundus Novus, \ Alberims Vesputius Laurentio \ Petri de Medicis sahitem 
pluri I mam dicit. Sem logar nem data. 4." pequeno de 4 paginas, com 42 linhas 
cada uma ; gothico. 

M. Harrisse fBibL Americ, n.« 23), declara que um só exemplar fin a pri- 
vate library in New-YorkJ é conhecido; alem d'este exemplar de M. Lenox, dá 
noticia de um outro, pelo qual M. Quaritch pedia 100 libras em fevereiro de 1879. 

Eis os preços que obtiveram diversas edições de Vespucio ha quinze annos: 

Itinerariíim Portugallensium . . . (Mediolani), anno 1508, in-fol. 5 libras, 5 
shillings ; Libri, 40 thalers 5 ng., Sobolewski. 

Mundus Novus. No fim: Magisler lohafies Otmar: Vindelice impressit Au- 
guste I Anno millesimo quingentesimo Quarto. | Gothico, 4 folhas in-4.°. (Harrisse, 
Bibl. americ, n.° 31.) Marcam o preço de 1:500 francos, no Cat. Fontaine de 
1875, a um exemplar d'este folheto precioso. . 

Le Noiweau Monde et Nauigationis faictes p Emeric de Vespuce florêtin. Paris, 
Galiot du Pré, sem data (1516), 4.°; gothico. O exemplar Eyriès, 100 thalers. 
Sobolewski, exemplar muito remendado. 

Sensuyt le Nouveau Monde & Nauigations . . . trãslate par Mathurin du 
redouer... Paris, Denis lanot, sem data, 4.°; gothico. Se esta impressão é 
do primeiro Denis Janot, é provavelmente anterior á de Galiot du Pré, que 
só foi recebido por impressor em 1512. O exemplar Ch. Nodier, 1:105 francos, 
Yemeniz. 

Sensuyt le Nouveau Monde et Navigations faictes par Emeric de Vespuce, 
Florentin, des pays et isles nouuellemet trouuez auparauant a nous incogneuz tant 
en lethiopie q Arrabie, Calichut, et aultres pliisieurs regions estranges, translate de 
Italien en langue française par Mathurin du Bedouer. Cy finist le liure intitule le 
Nouveau Monde et Navigacionsde Almeric de Vespuce. . . Imprime nouvellement à 
Paris, sem data, 4." de iv-lxxxviii paginas numeradas. Edição não citada. Um 
exemplar foi vendido por 200 francos. 

Paesi novamente retrovati: et Novo Mundo da Alberico Vespvtio Florentino 
intitvlato. Stampato in Milano. . . cura et industria de Joanne Angelo Scinzenze- 
ler, nel mgccgcviii, 4.°; letra romana. O exemplar Nodier, 1:750 francos; Yeme- 
niz, 2:015 francos. Polier. 

Um exemplar da edição original de Vicentia, Henrico Vicentino, 1507, 4." 
pequeno, figura no Catalogo Quaritch, de 1878, c este celebre livreiro pede 140 
libras por este livro raríssimo. 



348 VI 

Paesi novamente ritrouati. . . Et de Albertutio (sic) Vesputio Florentino inti- 
tulato Mondo Nuouo. Stampata in Venetia, per Zorzi de Rusconi milaneses 1517, 
8.°, com duas columnas de 124 folhas. 40 thalers, Sobolewski. 

Paesi nuouamente trouati. . . Venezia, Z. de Rusconi, 1521, 8." pequeno. Um 
exemplar em péssimo estado, 26 thalers, Sobolewski. 

VIAGEM de Goa a Bombaim, por Luiz Miguel de Abreu. Nova Goa, 1875. 

VIAGGI fatti da Vinetia alia Tanãj in Pérsia, in índia et in Constantino- 
poli : con la descrittione particolare di città, luogki, siti, costumi, et delia Porta 
dei gran Turco: e di tutte le intrate, spese, et modo di governo suo delia ultima 
impresa contra Portoghesi. ín Vinegia, 1543, 8.° 

VIAJE de SS. MM. y AA. á Portugal, en Diciembre de 1866. Madrid, im- 
prenta e estereotypia de M. Rivadeneyra, 1867, 8." de vin-284 pag. 

«Portugal, erigindo-se em monarchia pelo meiado do século xii, cumpre, 
talvez, um destino mysterioso, e contribue para os grandes fins da Providencia, 
o adorável plano do alto, a que a vaidade moderna chama philosophia da histo- 
ria. Nas guerras contra os iníieis, na exaltação do nome christão, nas viagens a 
remotos mares, no descobrimento de terras longínquas, na propagação da luz da 
verdadeira civilisação por paizes que jaziam nas trevas e na sombra da morte, 
a monarchia portugueza, no tempo que medeia desde Aífonso Henriques até ao 
tremulo e decadente D. Henrique, o Hei purpurado, ostenta á face da Europa e 
do mundo uma serie tal de façanhas e tantos e tão legítimos títulos de gloria, que 
todas as nações reconheceram quão digna era de ser independente e respeitada, 
a que, de modestos princípios, tinha sabido chegar a maravilhoso engrandeci- 
mento. » 



«Compunham a regia comitiva as damas de S. M., grandes de Hespanha, 
marqueza de Novaliches, aia de SS. AA., a condessa de Punonrostro ; as senho- 
ras D. Fanny Erskíne de Calderon de la Barca, ajudante da aia de S. A. R. a 
infanta D. Maria Izabel, e D. Cristina Sorrondegni, açafata de S. M.; o conde de 
Punonrostro, chefe superior do palácio; o general marquez de Novaliches, mor 
domo de S. A. R. o Príncipe das Astúrias ; o gentil-homem, grande de Hespanha, 
Sefior de Roubianes; o reverendo D. António Ciaret, arcebispo de Trajanopolis, 
confessor da Rainha; os gentis-homens D. Jzidro Losa e conde dei Pilar, o inspe- 
ctor geral de gastos e officios da casa real, D. Atanasio Onate, o marquez de 
San Gregório, primeiro medico da camará de S. M.; os generaes Belestá e Fitor, 
e o ajudante de ordens coronel Quadros; o presidente do conselho de ministros 
e o capitão general Narvaez, duque de Valência; ministro d'estado, o general 
D. Eusébio Caloríge, e o ministro do fomento D. Manuel de Orovio; formando 
também parte da comitiva o conde de Ávila, ministro plenipotenciário de Portu- 
gal na Hespanha, com seu secretario ; o director geral das obras publicas, D. Martin 



I 



VI 349 

Belda; o director geral de instrucção publica, D. Severo Catalina; o de adminis- 
tração, no ministério da governação, D. Francisco Botella ; o dr. Asuero, medico 
consultor da real camará ; os officiaes da secretaria da guerra, estado e fomento, 
Prendergast, Ruata e Sabando ; os ajudantes do duque de Valência, Barbara e 
Lora ; o inspector da linba e alguns empregados e vários indivíduos da adminis- 
tração dos caminhos de ferro. 

t A Rainha de Hespanha, seu marido e seus filhos, o Principe das Astúrias e 
a Infanta D.. Maria Izabel, entraram no comboio em Madrid, pelas nove horas da 
manhã do dia 9 de dezembro de 1866.» 

O auctor espraia-se em altisonosos elogios pela maneira como o povo hes- 
panhol acolheu a Rainha por onde ella passava no seu caminhar para Portugal. 

Era um verdadeiro deliriol No auge do seu jubilo punham-se de joelhos! 
Passado algum tempo teve de se acolher a um paiz estrangeiro, e eis o que faz 
o povo : hoje adora, amanhã apedreja. 

«A Mancha, diz o auctor, demonstrou que pôde ir e iiia por sua Rainha 
até ao heroísmo, porque a inspira o enthusiasmo. Extremadura demonstrou que 
pôde ir e iria por sua Rainha até ao martyrio, porque seu amor a leva quasi á 
adoração!» (Pag. 113.) 

Foi a Rainha de Hespanha recebida em Elvas pelo infante D. Augusto, acom- 
panhado dos ministros dos negócios estrangeiros, da marinha e da justiça, do 
marquez de Ficalho, D. Manuel de Santa Iria, general Passos, governador civil 
do districto de Portalegre e seu secretario, administrador do concelho de Elvas, 
camará municipal, general de divisão, visconde de S. Thiago, governador da 
praça, procurador régio, director e empregados da alfandega, vigário capitular, e 
por varias outras pessoas. 

A Rainha chegou a Lisboa no dia 11 de dezembro, pelas três horas da tarde. 

«No es facil dar una idéa cabal dei aspecto que ofrece la ciudad de Lisboa, 
y de Ia impresion que produce en quien por primera vez se acerca á visitaria. 
Aquel inmenso anfiteatro, que se pierde en las alturas ; aquella multitud de jar- 
dines y de quintas; y sobre todo, aquel Tajo admirable, cubierto de barcas y 
buques de todas clases, aquolla inmensa llanura de agua, en euyo lejano apuesto 
confin se descubren, á los rayos de sol poniente, montailas y poblaciones, todo 
contribuye á los encantos de un panorama, que, mucho mejor que para descrito, 
es para ser visto y admirado.» 

VICENTIIVO (NICOLO ). 

L'antica Musica ridotta alia moderna prattica. . . Roma, Ant. Barre, 1555, 
foi. 

'<É preciso, para que este raro volume, escripto contra Vincenlio Lusitano, 
esteja completo, que tenha oito grandes estampas dobradas, gravadas em madeira.» 

80 francos, catai. Tross.; 60 francos, Coussemaker. 

VICTOR HUGO raconté par un témoin de sa vie, avec ceuvres inédites, 
entre autres le drame en trois actes, Ignez de Castro. Bruxelles, 1863, 8.", 2 vol. 



350 VI 

VIDA de D. Fr. Bartholomé de los Mártires, dei Orden de Santo Domingo, 
Arzohispo de Braga, en Portugal ; traducida en caMellano de la que escrivieron en 
francês, de un modo mievo y muy edificante, los Reverendos Padres de la misma 
Orden de Predicadores dei Noviciado General dei Convento de San Germán, de 
Paris. Representada con su espiritu y sus dictames, tomados de sus propios escri- 
tos. Y sacada de la Historia que en diferentes lenguas escrivieron graves autores, 
de los quales fué el primero el V. Fr. Luis de Granada. Conprivelegio. En Madrid, 
en Ia imprenta de Manuel Fernandez, ano de mdccxxvii, 4.° de 512 pag., alem 
das licenças, dedicatória e Índice, innumerados. 

Começa peia dedicatória de D. Juan Bau lista de Darza a El- Rei de Hespanha. 

Prologo do traductor. . . «Y segun mi cuenta, desde que le oyeron discurrir, 
y le vieron obrar en el Concilio de Trento, y en Roma, delante dei Papa, de los 
cardenales, y de los obispos, ya escrivian sus ilustres acciones autores graves en 
varias obras que nos han dejado: Porque, sin contar ai Santo Prelado, que muy 
á lo vivo se copio á si mismo impensadamente en su libro Stimulus pastorum, 
aun antes que viesen en él los de aquella Santa Asembléa, como una imagen de 
un perfecto obispo de la Iglesia, hallo hasta treinta escritores de distinctas na- 
ciones, portugueses, castellanos, flameneos, italianos, alemanes y franceses, que 
las reíieren con grandes elogios en diversas lenguas y en diferentes tiempos ; y 
que son de su tiempo, y como testigos de vista los de mayor autoridad. Pêro 
después los autores franceses, aviendo recogido exactisimamente todo lo que 
sobre este asunto escrivieron los otros en mucbos libros, diciendonos en su lengua 
mucíw en poço, reconozco que solamente ellos hablan en esta obra con aquel 
mismo espiritu; aquellos mismos dictamenes, y con los propios escritos de nues- 
tro Santo Prelado, de quien dijeron los padres dei concilio de Trento: Que sus 
discursos eran vivos y llenos de sentido; y que la escuela dei Arzobispo de Braga 
era la primera dei mundo. 

Advertência de los autores de esta obra: «No creemos necesario representar 
aqui qual ha sido D. Fray Bartholomé de los Mártires. Esto seria bolver á decir 
inutilmente lo que está dicho en la introduccion, ó proemio de esta Historia, donde 
se propone desde luego una recopilacion de sus acciones y de su vida. Bastará 
decir que después de su morte dichosa, que ha sido honrada con milagros, su 
memoria es venerada en Portugal y en toda Espana, y aun en las províncias de 
Francia más vecinas. Por esto los obispos célebres por su suficiência y su piedad, 
y por la vigilância infatigable con que se aplican á la salud de Ias almas que 
Dios les ha confiado, aviendo tenido más facilmente, como más cercanos á Espana, 
algun conocimiento de sus acciones y de sus virtudes, han manifestado desear 
mucho que Ia vida de un personage tan grande fuese tan conocida en la Iglesia 
de Francia como merece serio. Ellos han admirado las grandes y las raras qua- 
lidades que se hallan reunidas en su persona, y el amor que tienen á la Iglesia 
los ha heeho desear con ardor, que este Prelado, no aviendo governado y ilustrado 
sino una diocese durante su vida, se hiziesse ahora por su exemplo la luz y el 
modelo de todos los obispos de eple grande reyno. . .» 

Censura dei Padre Fr. Francisco Faxardo, dei Orden de N. P. S. Francisco, 
Lector Jubilado, Calificador de el Consejo Supremo de la General Inquisicion, y de 
sus Juntas Secretas, y Confesor de el Real Convento de Senoras Descalzas Fran- 
ciscas de esta Corte. . .; «Y en él hallo dos cosas, dignas, para mi, de especial 
consideracion. Una es la elevada matéria de el Libro, que aun es más fecunda y 



VI 351 

sublime de lo que proraete el título de él : Porque el título ofrece solo la rela- 
cion de la vida de aquel zelosisimo Prelado tan Apostólico y venerable, que se 
sefialó con adiniracion entre todos los Padres, que coneurrieran ai Santo Conci- 
lio de Trento; y quien por su viriud y eminente sabiduria niereció que San Carlos 
Borromeo governase por su dictamen las resoluciones más árduas tocantes ai 
mayor bien de su alma ; y aun tenerle el mismo Santo por modelo para copiar 
de él heróicas virtudes. . .» , 

Licença do Ordinário. 

Aprobacion dei i?."° P. M. Fr. Pedro de Ayala, dei Orden de nuestro Padre 
Sa7ito Dontingo: «Obra sin duda utilisima por muelios motivos... Lo tercero, 
porque en este libro se encuentra un gran tesoro de doctrina, y erudicion, que 
no se halla en los otros de su vida ; aquel dego libro de oro, que el mismo vene- 
rable seilor Arzobispo compuso, y intitulo Stimulus Pastorunh dei qual baste 
decir que el glorioso San Carlos Borromeo, no solo le dió á la estampa para la 
comun utilidad, sino que. por su doctrina se guio y arreglo para vivir como 
vivió, y governar como governo la iglesia de Milan. 

Papel de D. Luis de Salazar y Castro, Comendador de Ziirita en la Orden 
de Calatrava, dei Consejo de sii Majestad en el Real de las Ordens, Superinten- 
dente de los Archivos de ellas, y Chronista Mayor de Castilla y de las índias. . . : 
«Porque aunque creia estar bien informado de las eminentes virtudes de este 
venerable Arzobispo, por lo que escrivieron de su vida los Padres Granada, 
Cazegas y Sousa, confieso que no lo estaba plenamente, hasta que por el favor 
de V. m. vi esta excelente obra. No dice ella más por lo que toca á la vida y á 
los sueesos dei Arzobispo, que lo que estampáron sus mismos Religiosos, testigos 
oculares, pêro dicelo de otra forma más insinuante y más circunstanciada por 
las reflexiones y por las doctrinas. La obra es, en todas sus partes, excelente ; 
pêro el último libro está tan lleno de erudicion sagrada, y de prevenciones pia- 
dosas, que no deja que desear á los amantes de la virtud en todas esferas.» 

1.° Bartholouueus a Martyrihus ; 

2.« Ampliado por fr. Luiz de Sousa. Paris, 1860; 

3.° Paris, 1863. 

La même, 1864. 

La même du espagnol et portugais, par le maitre de Sacy. 

Abrégé, par A. Caillot. Paris, 1826. 

VIDA de Santo António. Columbo. 

Em lingua indo-portugueza. 

Possue um exemplar o ex."" arcebispo de Braga, D. João Chrysostomo. 

VIDA dei Bienaventurado Padre Gonzalo de Silveira. Madrid, 1614, in-4.'' 

VIDA y virtudes de A. Maria Anna, reyna de Portugal, pelo padre 3. Guerra. 
Madrid, 1757, 8.° 

VIDAL. 

Description des iles de Madère, traduite de Vanglais de Coriolis. (Annales 
hydrographiques, tomo ii.) 



3o2 VI 

VIDART (LIIIS ). 

Los Lusíadas de Camoens y sus tradiicciones ai castellano. (Na Revista Con- 
temporânea, de 15 de maio de 1880, de Madrid.) 

Los poetas líricos contemporâneos de Portugal. (Artículo publicado en el nú- 
mero de la Revista de Espana, correspondiente ai 10 de marzo de 1872.) Madrid, 
imprenta de José Noguera, Bordadores, 7, S.» gr. 15 pag. 

VIE (LA) de Saint Jean de Dieu, Instituteur et Patriarche de VOrdre des 
Religieux de la Charité. Paris, chez Daniel Harthemels, 1691, 511 pag. 

VIE (LA) de Dou Barthelémy des Martyrs, religieux de VOrdre de Saint Do- 
minique, archevesque de Brague, en Portugal. Tirée de son histoire écrite en espa- 
gnol et en portugais, par cinq auteurs, dont le premier est le père Louis de Gré- 
nade. 2* édition. Paris, 1663. 

VIE du vénérable Dom Jean de Palafox, Évêque d'Angélopolis, &c., ensuite 
Évêque d'Osme, Dedié à Sa Majesté Catholique. A Cologne, 1767, 8.o lvi-576 pag. 

A pag. 40 diz-se que um dos feitos notáveis do bispo D. João de Palafox, 
foi o de afugentar de Vera Cruz aos portuguezes, aos quaes repelliu paia fora 
d'alli a mais de vinte léguas da costa. 

VIE du vénérable père Jean de Britto, de la Compagnie de Jesus, mis à mort 
aux Indes, dans le Madure, en haine de la fois. S. J. 

VIEGAS (CEIVT. P ). 

Principios dei Reyno de Portugal con la Vida y hechos de D. Affonso Henri- 
ques, su primero Rey y con los principios de los otros estados christianos de Espana. 
Lisboa, 1641. 

VIENNET (J. P. G.). 

Épitre aux mules de Don Miguel. Poème. Paris, 1829. 

VIER (GUSTAV ). 

Prinz Heinrich Seefakrer und seine Zeit mit einer Einleitung úber des portu- 
giesischen Handels . . . (O Príncipe Henrique, o Navegador, e o seu tempo. Com 
uma introducção sobre a Historia do commercio portuguez e marinha até ao 
principio do xii século. Dantzig, 1864. 

VIETOR (JOÃO ).— Jesuíta, natural de Spira. 

Publicou em allemão: 

Epitome vitae S. Francisci Xaverii. Coloniae, apud Wilheimum Friessen, 
16671. 

VIEUX, An histarical — of the revolutiom of Portugal. Londres, 1827. 



Augoslin el Alois de Backer, Bibliothè<jue des éerivaiiis de la compagnie de Jesus, vol. vi, pag. 749. 



VI 353 

VIE W of lhe town of Elvas, its Aqmdact, and fort Lucie. Fine colonr en- 
graved H. Smith delenivit. Dubourg, 0'",43 X O^jOG. London, 1813. 

VIGIER (JOAm ).— Nacional do reino de França & morador n'esla 

corte de Lisboa. 

Pharmacopea Ulyssiponense, Galenica e Chimica, que contem os prhicipios, 
Difiniçoens e Termos geraes de hiima & outra Pharmacia ; & hum Lexicon univer- 
sal de termos Pharmaceuticos, com as preparaçoens Chimicas & composiçoens Ga- 
lenicas, de que se usa neste Reyno ; & virtudes & dosis dos medicamentos Chimicos. 
Hum Tratado da Eleiçam, descripção, dosis & virtudes dos purgantes vegetaes, & 
das drogas modernas de ambas as índias & Brasil. Hum vocabulário universal, 
latino e portuguez, de todas as drogas, animaes, vegetaes & mineraes, assim mo- 
dernas, como antigas. Offerecida ao Senhor Doutor Joani Bernardes de Moraes, 
Physico mor de Sua Magestade. Lisboa, na oíTicina de Pascoal da Sylva, impressor 
de S. Magestade. 1716, S." gr. de 475 pag. e mais 102 do Vocabulário Univer- 
sal latino e portuguez de todos os nomes dos simplices, afora dedicatória, prologo, 
poesias laudalivas do auctor, índice, licenças e erratas não paginadas. 

VIGNEROIV (ABBÉ LUCIEIV ) — Du clergé de Paris, de la société 

de géographie. Paris, 8.° de 291 pag. 

«... No zimbório da Estrella podemos contemplar uma vista soberba para 
a cidade, para o Tejo, e até para o Oceano. Esta vista faz scismar. Eu via enião 
passar por defronte de meus olhos, como n'uma visão, a historia gloriosa e os 
feitos deslumbrantes d*este nobre Portugal. Assistia a suas descobertas nos rei- 
nados de D. João II e D. Manuel. É Barthoiomeu Dias o primeiro que toca na 
extremidade do continente africano e que a encontra batida por tantas tempesta- 
des, á qual dá o nome de «Cabo das Tormentas», mas que o rei, com essa saga- 
cidade de previsão que só pertence ao génio, chamou «Cabo da Boa Esperança». 
(Pag. 191.) 

«Vasco da Gama, antes da sua partida, passou a noite na capella da Virgem 
e comeu o pão dos fortes, o vialico dos viajantes : cibus viatorum. 

«Arrosta então com os temporaes, dobra o Cabo das Tormentas, costeia a 
margem africana, passa aos reinos de Sofala, Moçambique, Melinde, e chega a 
Calicut, no Malabar. 

«Alvares Cabral, dirigindo -se para a índia, lança na costa do Brazil os ali- 
cerces do poder portuguez. 

«Duarte Pacheco, só em Cocliim, com três navios e iô'0 homens, resiste a 
50:000 indianos. 

«Porém o Marte Portuguez, o grande Albuquerque, apparece á minha imagi- 
nação cingido de uma aureola mais gloriosa ainda, se é possível. 

«Foi elle quem se apossou de Goa, a áurea, e de Malaca, que é o centro do 
commercio com a China, Japão e Molucas. Vale lhe esta conquista immensas ri- 
quezas: todos os rajahs da índia solicitam sua alliança; destroe depois a poten- 
cia dos árabes e dos persas, toma Ormuz, uma das mais celebres cidades ria Ásia, 
e seu génio, precedendo os tempos, ousa conceber projectos gigantescos, como o 
de entupir o porto de Suez ou deter o Nilo no seu curso, ao mesmo tempo que 
sua fé e sua piedade o impeli iam a destruir Meca, a cidade santa do Islam. 

«Quando este arrojado conquistador morreu em Goa, calumniado, e caído no 

23 



3o4 VI 

desagrado, como todos os grandes homens, Portugal estava no apogeu do seu 
poder; dominava em todo o extremo Oriente, e mesmo na China, onde um pouco 
ujais tarde ohteve do Filtio do Céu o direito de se estabelecer em Macau. É d'ahi 
que procedem as relações eommerciaos estabelecidas com o JapdO; de onde os 
portuguezes extrahiam annualmente uma quinzena de milhões. 

«Mas não era somente por meio da força brutal que o génio porluguez se 
robustecia durante estas expedições memoráveis: com uma das mãos aguentava 
o navegador o estandarte da pátria, e com a outra mostrava o Evangelho de Jesus 
Christo, e, com os soldados e com os missionários, se espalharam por novas re- 
giões. Como esquecer que foi D. .João III, rei de Portugal, o príncipe mais chris- 
tão do seu século, que mandou pedir, por intervenção do seu embaixador em 
Roma, seis religiosos da Companhia para irem levar as luzes da Fé ás índias 
Orientaesl Então estes religiosos, os fundadores da ordem, não passavam de dez, 
mas Ignacio de Loyola, a pedido do monareha, e em conformidade com a ordem 
de Paulo III, inspirado do céu, chama a Francisco Xavier. 

«Não vos oíTereeem uma província ou um reino do Levante para converter- 
des, lhe disse o papa, apresentam-vos um mundo inteiro, composto de mais reinos 
do que ha em toda a Europa. Este campo, tão vasto e tão amplo, só era digno 
de vossa coragem e de vosso zelo. Ide, pois, meu irmão, aonde a voz de Deus vos 
chama e a Santa Sé vos envia, e inílammae tudo com o fogo divino, com o qual 
vós mesmo estaes inílammado! 

«Francisco partiu de Roma a 15 de março de 1540, na companhia do em- 
baixador de Portugal, sem mais bagagem do que uma túnica, um capote velho e 
um breviário. Passou próximo do castello de Xavier, na Hespanha, sem ver seus 
parentes, apesar das solicitações de seu coração, e chegou a Lisboa, onde, apesar 
dos offerecimentos do rei, quiz hospedar-se no hospital. 

«A 7 de abril de 1541 embarcou no navio do vice-rei D. Martim AtTonso de 
Sousa, que solicitava a honra de o ter a bordo, e chegou a Goa a 6 de maio de 
1541 

«Que vida! Que heroe! Que santo! E como sua historia se entrelaça inti- 
mamente com a d'essas primeiras colónias portuguezas, cujos habitantes entraram 
immedialamente n'uma plena communidade de idéas e de sentimentos com os 
conquistadores, e cuja união politica com a mãe pátria foi consagrada pelos elos 
de uma religião de paz e de caridade, commum a lodos. 

«Francisco Xavier bem mereceu, pois, de Portugal, e póde-se dizer que 
aquelle que, por seus trabalhos innumeraveis, por sou conhecimento perfeito de 
um grande numero de idiomas, por suas mulliplas peregrinações, por centenas 
de milhares de almas que converteu ao verdadeiro Deus, pôde passar por um 
cidadão cosmopolita, e póde-se dizer que foi um grande cidadão portuguez. 

«Aventureiros, bravos, perseverantes, homens de uma raça excepcional, taes 
são os homens d'este paiz ferlil em prodígios! 

«Quão renhidos combales! Quão dolorosos sacrifícios! Que navios perse- 
guidos pelos temporaes ! Mas que poder e que triumphos ! Resuscilaram ás vezes 
a pompa e a magnificência dos antigos romanos, e entraram em Goa, como 
D. João de Castro, em carros enfeitados com folhas de palmeiras e ataviados 
com todas as insignias da victoria 1 

«Ai de mim! Um dia chegou, nefasto e cheio de lagrimas, em que sua 
herança passou quasi toda para os estrangeiros, mas, antes de deixarem essas 



VI 3^-^ 

immctisas e magnificas regiões aos hollamlezes e aos inglezes, elles sabiam ainda 
illuslrarem-se por meio de feitos de armas admiráveis, como praticou D. Luiz de 
Athayde. E agora conservam elles sua independência, toem suas lembranças 
immortaes, e eis porque, d'isso estou bem seguro, andam tão tristes e tão or- 
gulhosos, e eis porque Lisboa parece trajar o luto da pátria, um luto cheio de 
grandeza e de magestade. 

«Polidez e amenidade, bom humor e acolhimento simples e cordial, hospi- 
talidade graciosa, eis ainda qualidades que não podômos recusar aos portuguezes: 
são vivos, intelligentes, liberaes, amigos do progresso, homens de boa sociedade, 
mui ceremoniosos e amantíssimos de sua dignidade pessoal. Pelo que me diz 
respeito, d'elles só tenho a dizer bem, em tudo e por tudo.» 

VILL/V VELHA. 

View on lhe Tagus, ncar Villa Velha. Pass in lhe mountains between Nisa and 
Villa Velha. 



VILLACASTIIV (TOOIIAS DE ). 

Apostólica vida, virtudes y milagros dei santo Padre y maestro Francisco 
Xavier. Pintiae, apud Franciscum Fernandez, 1602, S.»! 

VILLALBA (F. MARCOS ) — Hespanhol. 

Epktolam consolatoriam ad Philippum II, Hispaniarum Regem, classe navali, 
qtiam in Anglíam miserat, ventis quassata et dispersa. Salmanticae, 1588, 4." 

VILLAROEL (FR. GASPAR DE ). — De la orden de nucstro 

Padre S. Auguslin, de Ia Província dei Peru, Prior y Vicário Provincial dei 
Convento de la ciudad dei Cusco. 

Dos sermones : en la fiesta de N. P. S. Augustin, el uno, y en la Canonisacion 
dei Glorioso San Ignacio de Loyola, el otro. Dispuestos por el Padre Predicador 
Fray Lids de Lagos, su companero. A nuestro muy Reverendo Padre Maestro 
Fray Francisco de la Sema, Provincial absoluto de la Provinda de nuestro Padre 
San Augustin dei Peru, Catedrático de Teologia de propiedad en la Universidad 
Real de la Ciudad de Lima. En Lisboa, por António Alvarez, anno de 1631, 4.*» 

1.*» sermão tem 14 folhas e o 2.« 16. 

VILLEGAS (D. DIEGO ORTIZ DE ) Natural de Calçadilha, no 

reino de Leão. Veiu para Portugal em 1476, acompanhando a princeza D. Joanna, 
chamada a Excellente Senhora, na qualidade de seu confessor. Foi nomeado bispo 
de (^euta e mais tarde transferido para Vizeu. Morreu em Almeirim no anno de 
lol9. 

Catechismo pequeno da doctrina e instruiçam que os Xpaãos ham de creer e 
obrar pêra conseguir a henauenturança eterna feito e copilado pollo reuerendissimo 
senor dom Diego Ortiz, bispo de çepta, &&. Lisboa por venlí fernãdez alemã e 



Nicol. Ant., Bibliotheca Nova, vo!. n, pag 317. 



356 VI 

Johã pedro bõo honiini de cremona aos xx dias de Julho. Era de mill e quinhêtos 
e qtro aniios; foi. de 78 folhas, caracteres golhicos*. 
Obra de grande raridade. 

VILLEGAS (D. DIEGO EXUIQUEZ DE ). 

Pyramide Natalício y baptismal a la Soberana^ Augusta, Excelsa Magestad de 
la Serenissima Reyna D. Maria Francisca Isabel de Saboya, Princesa de Portugal. 

Delineada . En Lisboa, en la Imprenta de António Craesbeck de Mello, afio 

1670, 4.» de 140 pag. 

VILLENA (DR.)* — Lente da universidad de Valência. 

«Este professor insigne não se contentou com herborisar, á inf)itação de seus 
predecessores, dentro do reino de Valência : chegou a penetrar nos montes de 
Castella e de Portugal pela parle do occidente e pela do levante, até Monserrate 
e Pyrenéus*. 

VINCENT (JEAN BAPTISTE GEORGE MARIE BORY DE 

SAINT ). — Correspondant de Tacadémie des seiences, Tun des ofíiciers 

supérieurs anciennement atlachés au dépôt de la guerre, et aide-de-camp de son 
exceilence le duc de Dalmatie, durant la dernière guerre d'Espagne (1808 à 
1813). 

Guide du voyageur en Espagne. Paris, Louis Janet, 1823, 8.° gr. de xxxviii- 
666 pag., avec deux cartes coloriées, dressées et dessinées par Tauteur. 

«Portugal passa por ter sido muito mais povoado do que o é actualmente 
(pag. 348) ; embora não apresentem prova alguma em favor de uma tal asserção, 
é provável que as expedições longínquas, que levaram a uma tão grande altura a 
reputação dos guerreiros portuguezes n'um tempo em que, arrojando- se nas pe- 
gadas que foram deixadas por seu immortal Vasco da Gama, submettiam os mais 
bellos paizes da índia, deveram trazer prejuízos á metrópole, alem das guerras 
inúteis, e que também custaram, mesmo na Africa, tanto sangue christão. 

«Seja, porém, como for, o que Portugal perdeu em gloria parece ler ganho 
em prosperidade interior; e deve-se esta justiça aos inglezes, porque, introdu- 
zindo-se no paiz, quer para n elle commerciar, quer para o defender, lhe intro- 
duziram algum tanto d'essa ordem interior e asseio de domicilio. 

«Com effeito, por qualquer íogar da sua extensão que entremos em Portugal, 
ao deixarmos a Hespanha, nota-se uma completa mudança no aspecto dos campos, 
das casas isoladas e das cidades. As pessoas que téem percorrido a Allemanha 
farão lima idéa d'esta mudança, lembrando-se da differença frisanle que lhes lôem 
apresentado, com pequenas distancias uns dos outros, os cantões catholicos e os 
cantões protestantes. Por toda a parte, na Germânia, encontrareis figuras grotes- 
cas de santos nas pontes, cruzes ao longo dos caminhos e dos cemitérios; os 
mendigos esfarrapados apresentam-se immediatamente nas ruas e nas estradas 
reaes; ás casas falta o asseio e as cKlades são infectas. . . 



' lonocencio Francisco da Silva, iJiciwnaiio OilHioyiuiihico, vol. ii, pag. 168'. 

' n. Mign"! Veiasco y Santos, Resem hhtorira dela universidad do Valfnria, pag. 102. Valência, 



VI 357 

«O portiiguez é aventureiro, emprehendedor, prodigiosamente agarrado ao 
solo que o viu nascer, irritável, temerário, e todavia paciente. A adversidade não 
o poderia abater e a contradicçâo o irrita. 

«Laborioso como que por acaso, ás vezes é muito leviano, e quasi sempre 
preguiçoso. Alem d'isto é essencialmente vanglorioso, e gosta muito de fallar de 
si, ou de sua gloria nacional. E como esta gloria é real, porque, desde esse guer- 
reiro, que não tinha necessidade de fazer fallar um crucifixo para merecer uma 
coroa no campo de batalha, muitos príncipes portuguezes têem sido grandes 
homens por meio das armas e da sciencia; valentes téem saído de todas as classes 
da população : Ásia, Africa e America têem retumbado com o ruido de suas 
façanhas, menos manchadas de crimes que as de seus vizinhos; as mais bellas 
descobertas geographicas dos primeiros tempos lhes são devidas ; finalmente, a 
poderosa casa de Áustria, e o próprio Napoleão, no tempo em que a victoria 
ainda não o tinha desamparado, não poderam submetter uma nação generosa, 
inflammada pelo espirito publico e invejosa da sua obediência, porque se não 
poderia ensoberbecer o portuguez com uma gloria que não tem macula? Feliz o 
povo que tem o direito de fallar sem ter de que se envergonhar de seus antigos 
triumphos I O ridículo consiste tão somente em nos gabarmos de uma gloria que 
já não existe e que já não poderíamos ter ! 

ífAlguns viajantes modernos, e principalmente os inglezes, asseveram que a 
litleratura e as sciencias não são muito cultivadas em Portugal, e pretendem até 
mesmo que folgam elles com aquella sorte de ignorância em que estão vivendo. 
Esta injuriosa asserção é tão desprovida de fundamento, como a de certos escri- 
ptores que, querendo embolsar em adulação os guineos que lhes deram para es- 
creverem acerca da guerra de 1808 a 1813, pretenderam que as tropas portugue- 
zas somente se tinham distinguido, por lhes haverem dado chefes e até mesmo 
ofíiciaes subalternos inglezes. Ninguém duvida de que alguns ofíiciaes inglezes, 
dados a tropas sem experiência, tenham podido ser-lhes muito úteis, habituan- 
do-os ao salutar jugo da disciplina; mas os portuguezes não tinham necessidade 
dos inglezes para serem impetuosos, infatigáveis, intelligentes e sóbrios, qua- 
lidades, principalmente estas duas ultimas, das quaes os inglezes apresentam 
exemplos na guerra. E, no tocante a sciencias, basta consultar as Memorias da 
academia real das sciencias e as Observações astronómicas de (Coimbra e outros 
escriptos luminosos, recentemente publicados em Portugal acerca de sciencias 
naturaes e physicas, para nos compenetrarmos de que os grandes conhecimentos 
n'aquelle paiz nem são desconhecidos nem desprezados.» (Pag. 354.) 



VIIVCKXT (WILIJAM ). 

The Periplus of the Erythrean Sea, containing an account of the navigation 
of the ancients from the sea of Suez to the coast of Zanguebar. London, 1800-1805, 
duas parles n'um volume. 

Traz esta obra o retrato de Vasco da Gama. 

VINVESA (ANTOIVII PICOARDO ).— Salmanticensis Antecesso- 

ris I. C. Hispani. 

Na sua obra, Priores practicae scholasticae Disptitationes, Salmanticae, 1606, 
faz um grande elogio ao jurisconsulto portuguez, Pedro Barbosa, na pag. 255. 



358 YI 

VIUEAU (JEAN ). — Jesuíta, da diocese de Bordeaiix. Enlrou para o 

noviciado em 1577, na idade de dezenove annos. Ensinou humanidades por alguns 
annos, e desempenhou por muilo tempo as funcções de ecónomo. Morreu em 
Paris no anno de 16381. 

Histoire de ce qui s'est passe au Royanme du Japon ès années 1625, 1626 et 1627. 
Tirée des lettres adressées au R. P. Muíio Vitelleschi, General de la Compagnie 
de Jesus. Traduite d'Italien en François par mi Père de la mesme Compagnie. A 
Paris, chez Sebastien Cramoisy, 1633, 465 pag. 

Contém este volume: 

Lettres anmielles du Japon ^ de Vannée iã.DC.\\\,\x\i,x\\u, pag. 1 a 148. 
No fim : De Macao, a 15 de março de 1626. Assignado, João Bonelli. 

Relation de la glorieuse mort du neuf Réligieux de la Compagnie de Jesus et 
d'autreSj, au Japon, pag. 149 a 252. No fim : De Macao, a 31 de março. Assi- 
gnado, Pierre Moreion. 

Lettres annuelles du Japon, de Vau 1626, pag. 253 a 340. No fim: De Macao, 
a 81 de março. Assignado, João Rodrigues Girão. 

Relation de la persécution somlevé en Tacacu contre la Saincte Foy, en Van 
1627, pag. 341 a 445. No fim: Do Japão, a 14 de setembro de 1627. Assignado, 
Christofle Ferreria. 

La mort de Uonard Massudadeuzo, le quel fut decole pour la foy en la ville 
de Ximaba le troisième de.Decembre 1627, pag. 446 a 452. No fim: Do Japão, a 
25 de Janeiro de 1628. Foi escripta pelo P. Christofle Ferreria. 

VISCAUDI (GUGLIELMO ). 

Una romanza portoghese (Dom Beltrão). Génova, tipografia Remigio Schira, 
1884, 15 pag. 

Dá noticia d'esta publicação o Occidente, vol. viii, n.« 226, 1 de abril de 
1885. 

VISTAS de las Islas de los Azores sacadas de la Carta reducida, que de 
estas hlas publico M. Bellini, ano 1755. 

VITA dei Venerabile Servo di Dio P. Giovanni de Britto, delia Compagnia 
Gesu ucciso da Barbari dei Malabar in ódio delia Fede. In Roma, 1738, nella 
slamperia dei Komarck, 8." de 124 pag. 

VITA dei Beato Giovanni de Britto, marlire delia Compagnia di Gesu, des- 
critta dal P. G. Boero, delia medesima Compagnia. Libri due. Roma, co' tipi delia 
Civilla Callolica, via dei Quirinale, n.** 56, 1853, 4." de 135 pag. 

Ha lambem exemplares 18." de 324 pag. 

VITA dei P. Giusefo Anchieta delia Compagnia di Gesu. Dedicata alia Pietà 
deW llluslrissimo Signore Giusefo Cario Ratta Garganelli. In Bologna, per 1' lie- 
rede dei Renacei, 1643, 12.« de 235 pag. 



' Angustin et Alois de Backcr, Bibliolhhine des ccrivains de la Comjmgnie de Jcsm, vol. i, i)ag. 778. 



VITA dei P. Giuseppo Anchiello, Religioso delia Coinpagnia di Gesu, Apos- 
tolo dei Brasile. Composta in latino dal P. Sebasliano Berettario, e nel volgare 
italiano ndotta da un divoto religioso, éc. Toiiiio, per gli Eredi di Gio. Doiiienico, 
1C2G, 8.» 

VllVV di S. Giovanni di Bio, Padre de' Poveri, e fondatore delia fíeligione 
de' Padri ben Fratelli. Dcscritto da un Religioso delia Conipagnia di Giesu divoto 
dei medesimo Santo. Dedicata alV IlL"'^ ed EcC"^ Signora la Signora D. Teresa 
Barronei Albani. lii Uoina, per Giiolamo Mainardi, 1725, 8.° de 2á8 pag. 

VITA di Sebasliano Giuseppe di Carvalho e Mello, March. di Pombal, Conte 
di Oeyras, &c , Segretario di Stato e primo ministro dei Re di Portogallo, D. Giu- 
seppe L Tomo IV. 1781. 

E no fim (pag. 208) : 11 restante di questa 1 V Parte formerà il principio dei 
V tomo. Isto faz-me parecer que a edição é differente d'aquella de que fiz menção 
nu tomo II do meu Portugal e os estrangeiros. 

VITA Joannis de Castro, Indiaram Pro Regis IV. In latinum conversa, in- 
terprete Fr. M. dei Rosso. Romae, 1727. 

VITA Joannis de Castro ab Hyacintho Freire de Andrada, interprete Fran- 
cisco Maria dei Rosso. Romae, 1727, 8.» 

VITA S. Francisci Xaverii S. J. Lublini, typis S. J., 1726, 8.« 

VITA S. Francisci Xaverii compendio descripta. Lublini, typ. S. J., 1691, 12.* 

VITA venerábilis Bartholomei de Martyribus. . . cum opportunis adnotatio- 
nibus a fratre Joanne Ghilardi. Monteregali, 1869. 

VICTOR (DIOGO LUIZ DE S. ).— Jesuíta, liespanhol. 

Epitomen rerum gestarum, virtutum, doctrinae, prodigiorum cum antiqua- 
rum, tum recentium Sancti Francisci Xaverii. Mexici, typ. de Agostinho de 
Santo Estevão e de Francisco Lupeico, 16611. 

VITUÉ (M. DE ). 

Description du premier voyage faict aux Indes Orientales par les François. 
Paris, 1609, 12.° 
Não citado. 
5 Ihal. 26 ngr. Sobolewki. 

VOCABULAIUE [rançais -portug ais. Bordeaux, 1820. 
VOCABULÁRIO dei Japon, declarado primero en Português por los Pa- 



Al.'gaiiibe, Bibliolheca scviplorum socielaiis Jesu, pag. 107. 



m VO 

dves de la Compaíiia de Jesus, y agora en castellano en el CoUegio de S. Thomas 
de Manilla. Manilla, 1630. 

VOCABtlLARY (The Complete), in Evfjlish and Poríiigitese to tchich is 
added a collection, &c. Madras, 4.", 1 vol. de 102 pag. 

VOCABLLARY (A) in six laiigtiageSj viz: English, Latiu, Italian, French, 
Spanish and Portuguese. London, priíited and sold by Vaillant, 1725, 8.** 

\ OITURE (MOZVSIEUR DE ). 

Lettres de . íhuxelles, 1677, 8.« 

«Devem ser mui curiosas as cartas d'este celebre poeta. Chama elle a Lisboa, 
aonde esteve, o paiz da marmelada, e diz que (em uma maitresse mais doce que 
a marmelada; e não obstante, apesar de tanta doçura, suspira por fugir de Lisboa, 
como se estivesse na Noruega. 

«Isto foi escripto ha uns duzentos e cineoenta annos. Voiture, que Moreri, 
Bayie e Bouillet diziam ter vindo a Hespanha enviado diplomaticamente ao 
conde duque de Oli vares, eslava em 1634 em Lisboa, na qualidade de agente 
secreto de Luiz XIII, para instigar o duque de Bragança a fazer-se acciamar 
rei.*» 

VOMAUNE (G.). 

Le crédit foncier portvgais. Lisbonne, 1866. 

VOSS (JOUIV HElNll ). 

Mythologische Briefe. Kõnigsberg, 1794, 2 vol. 
No tomo II falia de Camões e dos Lusiadas. 

VOYAGE autour du monde par la frégate du Roi la Boudeuse et la flut 
VÉtoile, en 1766, 1161, 1168 et 1169. Nouvelle édition augmentée. A. Neuchatel, 
1762. 

É uma obra muito curiosa, e na qual se encontram muitas passagens que 
dizem respeito aos portuguezes, como, por exemplo, de pag. 7 a 8. 

«Existe em Buenos Ayres um grande numero de communidades religiosas, 
tanto de um como do outro sexo. O anuo, alli, é todo cheio de festas de santos, 
festejados por meio de procissões e de fogos de vista. As ceremonias do culto 
fazem as vezes dos espectáculos. Os frades nomeiam as primeiras damas da 
cidade mordomas de seus fundadores e da Virgem. 

«Dá-lhes este encargo o direito e o cuidado de enfeitarem a igreja, vestirem 
a imagem e vestirem-se com o habito da ordem. 

•É para um estrangeiro um espectáculo bem singular o ver nas igrejas de 
S. Francisco e de S. Domingos, damas de todas as idades assistirem aos officios 
com o habito d'aquelles santos instituidores. 



Camilio Castpllo Branco, Narcóticos, vol. ii. pag. <3. 



VO 3«i 

"Os jesuítas oíTeredam á piedade das niullieres um meio de santificação 
mais austero que os precedentes. 

«Tinham, pois, os jesuitas, paredes meias com a casa d*elles, a chamada 
Casa de los ejercicios de las miijeres, isto é, a «(]asa dos exercicios para as mu- 
lheres». 

«Estas, e as raparigas, sem o consentimento de seus maridos ou de seus 
pães, vinham alH saatificar-se por meio de um retiro de doze dias. Eram aili 
alojadas e sustentadas á custa da companhia. Nenhum homem penetrava n'aquelle 
sanctuario, a não ser enroupado com o habito de Santo Ignacio. E até mesmo as 
creadas não podiam alli fazer companhia a suas amas. 

«Os exercicios praticados n'este santo logar, eram a meditação, a oração, o 
catechismo, a confissão, a ílageilação. 

«Chamaram nossa attenção para as paredes da capella salpicadas ainda de 
sangue, o qual as disciplinas faziam esguichar, pois a penitencia armava as mãos 
d'aquellas Magdalenas. Emquanto ao mais todos os homens aqui são irmãos, e da 
mesma côr, aos olhos da religião. 

«Ha também ceremonias sagradas para as escravas, e os dominicanos insti- 
tuíram uma confraria para prelos. 

«Têem suas capellas, missas, festas, e enterro muito decente, e tudo isto 
pela entrada de quatro reaes annual mente, por cabeça. 

«Os pretos têem por seus patronos S. Bento e a Virgem, talvez por causa 
d'estas palavras da Escriplura: Nigra suin, sed formosa filia Jerusalém. 

»No dia da sua festa elegem a dois reis: um representando o rei de Hespa- 
nha, e o outro o rei de Portugal. Dois bandos, bem armados e bem vestidos, 
formam atrás dos reis uma procissão, a qual caminha com uma cruz, bandeiras 
e musica. Umas vezes cantam, outras dansam. Ás vezes figuram combates de um 
lado contra o outro, e recitam ladainhas. A festa dura desde manhã até á noitinha, 
e o espectáculo é bastantemente agradável. 



«No dia 22 fomos fazer uma visita ao vice-rei do Brazil, o qual nos veiu 
pagar no dia 25. 

«N'esta visita oíTereeeu-nos todos os soccorros que estavam no seu poder. 
E até mesmo me concedeu a licença que lhe pedi para comprar uma corveta, 
.que me era da maior utilidade para a minha viagem. E acrescentou que se alli 
houvesse alguma que fosse do rei de Portugal, m'a oífereceria. 

«As attenções do vice-rei ainda continuaram por alguns dias; fallou-se até 
mesmo de ceias que se propunha dar-nos á margem do rio, debaixo de caraman- 
chões de jasmins e de laranjeiras, e mandou-nos preparar um camarote na opera. 

«Podemos, pois, n'uma sala mui bella, ver a representação das peças primo- 
rosas de Metastasio, representadas por um grupo de mulatos, e ouvir aquelles 
trechos divinos dos grandes mestres italianos, executados por uma orchestra diri- 
gida por um padre carcunda com fatos de padre. 

«Mr. Commerçon, sábio naturalista que vinha a bordo do Étoile para acom- 
panhar a expedição, asseverou-me ser este paiz o mais abundante em plantas que 
jamais se encontrou, e que n'ellas tinha encontrado verdadeiros thesouros para a 
botânica.» (Pag. lOi.) 



362 VO 

«A chegada das frotas torna o coinmercio do IVio de Janeiro ílorentissimo, 
principalmente a frota de Lisboa. A do Porto lr«z somente carregamento de 
vinhos, aguardentes, vinagres, comestíveis e alguns pannos grossos fabricados no 
Porto ou nas immediações. E apenas chegadas são logo as mercadorias conduzi- 
das para a alfandega, onde pagam ao rei 10 por cento. 

«Em 1580 viu-se os jesuítas admíttidos pela primeira vez n'aquellas férteis 
regiões, onde fundaram depois, em tempo de Filippe IIÍ, as famosas missões, ás 
quaes na Europa deram o nome de Paraguaj^ e mais a propósito na America o 
de Uraguay, ribeira sobre a qual se dividiram em tribus, fracas no principio, e 
em pequeno numero, mas ás quaes progressos successivos elevaram até o numero 
de 37, a saber, 29 na margem direita do Uraguay, e 8 na esquerda, governadas 
cada uma por dois jesuitas com o habito da ordem. 

«Dois motivos que é permitlido áos soberanos alliarem, quando um não é 
nocivo ao outro, a religião e o interesse, tinham feito com que os monarchas 
hespanhoes desejassem a conversão d'aquelles Índios. TornanJo-os calholicos» 
civilisavam homens selvagens e tornavam-se possuidores de uma região vasta e 
abundante. Era também abrirem á metrópole um novo manancial de riquezas e 
adquirirem adoradores para o verdadeiro Deus. 

«Encarregaram -se então os jesuitas de conseguirem estes íins, mas represen- 
taram que, para facilitarem o bom êxito de uma tão penosa empreza, era indis- 
pensável serem independentes dos governadores da província, e até mesmo que 
nenhum hespanhol penetrasse n'aquelle paiz. (Pag. 12i.) 

«O motivo em que se baseava este pedido era o receio de que os vice«reis 
europeus diminuíssem o fervor dos neophytos, que até mesmo os afastassem do 
christianismo, e que a altivez hespanhola lhes tornasse insupportavel um jugo 
extraordinariamente pesado. 

«A corte de Hespanha, approvando eslas rasões, ordenou que os missioná- 
rios fossem sublrahidos á aucloridade dos governadores, e que o thesouro lhes 
desse annualrnente 60:000 piastras para as despezas dos arroteiqs, sob a condição 
de que ao passo que as povoações fossem sendo formadas, e as terras fossem 
tendo valor, os Índios haviam de pagar annualmente ao rei uma piastra por 
homem desde a idade de dezoito annos até á de sessenta. Exigiram, também, que 
ensinassem aos indíos a língua hespanhola. 

«Começaram os jesuitas seus trabalhos com a coragem de martyres e com 
uma paciência verdadeiramente angélica. Havia necessidade, tanto de uma como 
de outra, para altrahirem, relerem, dobrarem á obediência e ao trabalho homens 
ferozes, inconstantes, e agarrados tanto á sua preguiça, como á sua indepen- 
dência. 

«Os obstáculos foram infinitos, as difficuldades renasciam a cada passo; o 
zelo de tudo triumphou, e a mansidão do missionário trouxe, linahuente, a seus 
pés esses ferozes habitantes dos líosques. Com eífeito, reuníram-n'os em habita- 
ções, deramlhes leis, introduziram entre elles as artes úteis e amenas. E, por 
fim, de um povo de bárbaros sem usos, sem leis e sem religião, fizeram um povo 
dócil, policiado e exacto observador das leis christãs. 

«Estes indianos, encantados pela eloquência persuasiva de seus apóstolos, 
obedeciam de bom grado a homens que viam sacrificarem-se pela felicidade 
d'elles, de maneira tal, que, quando queriam forn)ar uma idéa do rei de Hespanha, 
representavam-no com o habito de Santo Ignacío. 



VO 363 

«Houve, todavia, contra sua auctoiidade, um instante de revolta no anno 
de 1757. 

«Acabava o rei catholico de trocar com o de Portugal as tribus das missões 
situadas na margem esquerda do Uraguay, pela colónia do Sacramento. 

«O desejo de aniquilar o contrabando enorme tinha instigado a corte de 
Madrid a fazer a troca. 

«Ficava sendo o Uraguay o limite das possessões respectivas das duas coroas. 
Faziam passar para a margem direita os Índios das tribus cedidas, indemnisan- 
do-os com dinheiro do trabalho de sua mudança. 

«Porém, estes homens, habituados a seus lares, não poderam soíTrer o ve- 
rem-se obrigados a deixarem terras que já tinham bastante valor, para irem arro- 
tear outras novas. 

«Pegaram entdo em armas. 

«Tinham-lhes consentido, havia muito tempo, o terem armas para se defen- 
derem contra as incursões dos Paulistas, salteadores do Brazil, que se haviam 
formado em republica pelos fins do século xvi. 

«A revolta rebentou sem que jesuita algum apparecesse jamais á frente dos 
Índios. 

«Até chegaram a dizer que foram á força retidos nas aldeias, para n*ellas 
exercerem as funções do sacerdócio. 

«O governador geral da província da Plata, D. José Andonaighi, marchou 
contra os rebeldes, seguido de D. Joaquim Vianna, governador de Montevideu. 

«Derrolou-os n'uma batalha, onde morreram mais de 2:000 homens. 

«Encaminhou-se depois para a conquista do paiz; e D. Joaquim, vendo o 
terror que uma primeira derrota por alli tinha espalhado, encarregou-se de, com 
600 homens, submettel-o completamente. Com eífeito, atacou a primeira tribu, 
apoderou-se d'ella sem resistência, e, tomada esta, todas as outras submette- 
ram-se. 

«N'este eomenos a corte de Ilespanha chamou a D. José Andonaighi, e 
D. Pedro Cevallos chegou a Buenos Ayres para o substituir. Ao mesmo tempo 
Vianna recebeu ordem de desamparar as missões, e de trazer suas tropas. 

«Não se tratou então mais da troca projectada entre as duas coroas, e os 
portuguezes, que tinham marchado contra os Índios com os hespanlioes, voltaram 
com elles. 

«Foi pelo tempo d'esta expedição que se propagou pela Europa o boato da 
eleição do rei Nicolau, indiano, do qual, com eífeito, os rebeldes fizeram um 
phantasma de realeza. 



«Com eífeito, quando a gente representa a si de longe e em geral esse 
governo magico, fundado só pelas armas espirituaes, e que não estava amarrado 
senão pelas cadeias da persuasão, que instituição mais honrosa para a humani- 
dade! 

«É uma sociedade que habita uma terra fértil, debaixo de um clima afortu- 
nado, da qual todos os membros são laboriosos e onde ninguém trabalha para si; 
os fructos da cultura commum são levados fielmente para armazéns públicos, de 
onde distribuem a cada um aquiilo que lhe é necessário para sustento, vestuário, 
e conservarão de sua casa . . . 



3G4 VO 

«Os Índios tinham para com seus curas uma submissão de tal modo servil, 
que não somente se deixavam punir com o azorrague, homens e mulheres, por 
causa de faltas publicas, mas até mesmo vinham elles próprios solicitar uma tal 
punição.» (Pag. 126.) 

VOYAGE cflnnigo de Biervilla^, Portugais, à la cote de Malabar, Goa, 
Batavia, etc. Paris, 1736. 

VOYAGE en Portugal et en Espagne, 1772-1773. Trad. de VAnglais. Avec 
une carte. Berne, 1776. 

VOYAGE en Portugal et particulièrcment à Lisbonne, ou lableau moral, 
civil, politique, physique et religieux de cette capital. Paris, 1798, 8." 

VOYAGE et aventures de François Leguat et de ses compagnons en deux 
isles desertes des Indes Orientales, avec la relation des choses les plus remarquables 
qiiils ont observées dans Visle Maurice, à Batavia, au cap de Bonne Esperance, 
dans Visle de Sainte Helène, &c. Londres, 17âO, 12.°, 2 vol. 

VOYAGE (LE SECOND) de Vasco da Gama à Calicut. Relation flamande 
éditée vers mdiv^ reproduite avec une traduciion et une introduction, par J. Ph. 
Berjeau. Paris, 1881, 8." 

VOYAGE (THE) and traveis of John Hugen van Linschoten into East of 
Portugales Indies. London, by J. Wolfe, 1598, foi. 

VOYAGES en Afrique. Contenant les navigations des capitaines portugais 
et autres faites en dit pays jusqu'aux Indes, tant orientales quoccidentales. Paris, 
8.", 4 tomos. 

Vi esta oLra citada no catalogo manuscripto do bibliomaniaco Pedro José 
da Silva. 



VOYAGES en Espagne, Portugal, Allemagne, France et ailleurs. Amster- 
dani, 1796. 

VOYAGES historiques de VEurope. Tome second, qui comprend ce qu'il y a 
de plus curieux en Espagne et en Portugal. Paris, chez Pierre Aubouyn, 1693, 
in-12.« 

«A prompta venda que teve o primeiro volume d'estas Viagens, e as duas 
traducções que foram feitas, uma em flamengo e a outra em inglez, adiantaram 
a publicação d'este segundo, que representa tudo quanto a Hespanha tem de 
mais digno da curiosidade dos estrangeiros. ^> 



Jounal des Sçavans, 1693, pag. 49. 



vu 



365 



VRAl DISCOUllS de la cruelle halaille donnèe par le sérénissime roy de 
Portugal et le roy Xarise (sk), aii roy de Fees Maluc; la mort dHceux roys, le 
nombre des geutihhoimnes sígnalez tuez en lad. bataille. Trad. d'espag7iol en fran- 
çois. Paris, Nic. Bonfous. 8." peq., 8 follijis'. 

VLILLAUME <Sc li. CLERC. 

Lútcs ammelles des yacJits [rançais, belges, espagnols, italiens, porlugais, &c., 
par M. M. R. Première annnée, 188á-188J, Paris. 

VUILLEMAIiX. 

Carte physiqite et politique de Portuga L 



Doschamps elG. Brunei, Supplément au Manuel du libraire de Urunet, vol. ir, pag. 935. 



w 



«The Porluguese, wiUi an avenigc of defocls ■wliich are common 
to ali olhcr langiiagos, possessos a very licli vocabulary, and is in 
many of ils fcalurcs fuU of grace, powcr, fle.xibilily, and beauly. Its 
■wellknown cioso propinquily wilh the Latin is suflicienl lo subslan- 
liate lhe truih of Ihcse observalions.» 

Aubcrlin, The Lusiads, pag. xvii. 



AV. BEAWES. 

History of Spain and Portugal. London, 1793. 

W, G. and CH. UOTIIAM. 

Brazilj the River Plale, and the Falkland Islands; wilh nolices of Lishon, 

Madeira^ the Canaries, and Cap Verds. Illustrated by . With a large cal. map 

and other illustrations^ vieivs, portraits. London, 18o4. 

AV. F. F. P. 

History of the War in the Peninsvla and in the south of France; from the 
year 1807 to the year 18Í4, by W. F. P. Napier. New-York, 1844, 2 vol. 

AV. (J.). 

De mensuris, ponderibm et numeris, et prosódia Alvarianna aiicta et emen- 
data. London, 1719. Ibid., 1726, 8.» Dublini, 1786, 12.» 

AVACHLEU (LUDAV, ). 

Verstich einer Allgemeine)i Geschichte der Litteratiir. Lemgo, 1793-1801, 8.", 
3 \ol. 

No vol. III, Cant., l. 4: Geschichte der Spanischen iind Portugiesischen Dicht- 
kunst. Holdengedicht, pag. 3o8 a 3G4: Camoens Lusiade. (Assumpto, vida e Jitte- 
ratiira.) 

Handbuch der Allgemeinen Geschichte der Litterãrischen Cnltur. Marbourg, 
1804-1 80S, 2 vol. de 1:184 pag. VoJ. ii: Luiz de Camões. Noticias biographicas 
e litterarias. 



368 WA 

Handbuch der Geschichte der Litteratur. Leipzig, 1822-1833, 4 vol. 
No vol. III : Neuere Nationallitteratur — XI, Portugal: Poesia e Camões. (Bi- 
bliographia.J 

A\ AERDENBUnCU. 

Coppie de la lettre escriie à messievrs les Estais Generavx, des provinces 

Vúies des Pays-bas; par le sievr De , leur general^ toiíchant la prise de la 

ville de Olinda de Fernabove sur VEspagnol, avec tous les Forts d'icelle. Paris, 
".lean Bftssin, 1630, 8.° do 15 pag. 

«O original d'este folheto raio, contendo a narração da tomada de Olinda, 
cidade da província de Pernambuco, foi publicado peia mesma epocha em hol- 
landez, em Amsterdam, por Hessel Gerritsz, 4." de 5 pag. 

«Esta edição original tem o preço de 60 francos no Catalogo Maisonneuve, de 
i878, e a traducção franceza 100 francos*.» 

WAGEIVER. 

Portuguese Sprachlehre. Hambourg, 1800. 

Ders.y Uebungen in der Portug. Sprache. Hambourg, 1802. 

1L\ AGENER (im. JOUANIV DAIVIEL ). 

Merkanlilische, notizen iiber Portngall. Hambourg, 1810, 12." 

1¥AGIVER (IGNACIO).— Jesuíta 

Miracula 1). Francisci Xaverii Oberbiirgi palrala ab anno 1116, ad annum 
17ob\ in latirmm translata. Tyrnaviae, typis academicis, 1736, 8.*' 

WARELEY (AIVDRÉ — -).— Mathematico. 

Agulha de Marear rectificada ; qiíe contém taboadas para cojúecer a verda- 
deira hora do dia, estando o sol sobre qualquer rumo da Agulha : O verdadeiro 
tempo do nascer e por do Sol e das Estreitas, e os rumos da Agulha, sobre os quacs 
cilas nascem, e se põem : Juntamente com as Taboadas das amplitudes. Tudo cal- 
culado. do. Equador athé 60 grãos de latitude, tanto para o Norte, como para o 
Sul. Çí>in:a dèscripçam e Uso dos Instrumentos que mais se usam na Navegaçam. 
Comú. iámbení hmna Táboada das Latitudes e Longitudes dos Lugares. Composto 
por' — '—'.: Aér^sceutado de muntas proveitosas Adiçoens, por J. Atkinson. Tudo 
revisto e emcrdadò com Taboadas exactas da Declina çani do Sol, conforme ao mais 
novo Estilo. Por Gidhelme Mountaine, Soçio da Real Academia. Traduzido do 
original inylez, por António Vieira, Professor de Geometria na Academia Magna- 
ne7ise. Londres, 1762, 8." gr. 

É dedicada ao sr. António Fernandes, homem de negócios na cidade de 
Londres. Vol. de xi-239 pag. 

\\ALDSTEI\ (M VX. ). 

Volkslieder der Portugiesen und Catalanen in frein Anchbildungcn. Milnchon, 
1865, de 16.« 164 pag. 

Existe um exemplar na hiblioíhoca da Ajuda. 



Dcsdiamps ol G. Brunei, Supplémcnl au Manuel du Ubrairc, vol. ii, jia^j. 9.39. 



WA ^69 

WALTER (PAULO ).— Jesuita, liungaro. 

Panegyris D. Francisco Xaveiio dieta. Tyrnaviae, i743, 12." 

WALTOIV (WILLIAM ). 

A replij to the ^^Exposé des droits de Sa Majesté Très-Fidèle Donna Maria II». 
London. 1830. 

Lettre à Sir James Mackintosh sur la motion relative aux affaires de Portu- 
gal du 1" Juin 1829, par A. Lardier. Paris, 1829. 

Letter adressed to Viscount Palmerston, respeding the relations of England 
ivith Portugal. London, 1830. 

Second letter respecting Portugal and the injustice and danger of its conti- 
nuance. Lisbon, 1833. 

Letter to J. Mackintosh respecting the affairs of Portugal, suhmitting the 
affairs of Portugal to the house of commons. With appendice; S parts. 

Reply to two pamphlets entitled: Illustration of the portuguese question. 
London, 1830. 

Letter s to Earl Grey and Sir Mackintosch on the state of our politicai and 
commercial relations with Portugal. London, 1831, 2 vol. 

Reply to the «Exposé des Droits de Maria U», exhibiting the rights ofD. Pedro 
and those of his daughter to the throne of Portugal. London, 1830. 

A letter addressed to the right honourable Earl Grey, &c., <èc., on the state 
of our politicai and commercial relations with Portugal. London, 1831, 8.°, 
1 vol. de 174 pag. 

WAP. (DR.). 

Bloemlezing — honderd stuks — uit de Poezy mijner laatste vijf en ttointig 
Jarm. S' Hertogenboseh, 1865, 8.» de 192 pag. 

Cap. vii: Verscheidenheden, pag. 180 a 185: Proeve eener overzetting van 
Camoens Lusiade. III Zang, 118 en volgende Strofen. (Uit het Portugeesch, 1844.) 

A^ARING (SCOTT ). 

Voyage de Vinde à Chyras par le golphe persique. Paris, 1813, voi ii : 

«Os porf.uguezes e os hollandezes, que n'oulro tempo habitavam em Rychir, 
tinham suas casas de recreio n'este logar, ao qual se dá o nome de Bahmeny.» 
(Pag. 155.) 

f Seguindo a costa, vós vos eneontraes em Asio (Aslueh) e depois em Naban 
(Ras Nabend), onde se encontra uma grande cidade e um largo rio. 

«Os portuguezes tiveram outr'ora um estabelecimento n'este sitio. O golpho 
começa então a tornar-se mais estreito, e a vista é recreada por uma chusma de 
ilhas e pela costa da Arábia.» (Pag. 195.) 

«Ormuz, tão celebre nos fastos da historia e da poesia, é na realidade bem 
pouco digna de tanta gloria. Não passa de uma rocha estéril, privada de agua. 

«Gambarun fornece uma grande quantidade de enxofre, do qual o iman de 
Mascate aufere um rendimento considerável. 

«O auetor do Chah-Abbas-Nameh espraia-se complacentemente sobre as 
victorias alcançadas por seu soberano contra os infiéis portuguezes ; esquece-se, 
porém, de prestar justiça ao soccorro dos iníieis inglezes.» (Pag. 196.) 

24 



370 WE 

Mascate também perleiíccu aos portuguezes; porém, sua cruelilade piedosa 
e sua santa perfídia, liavendo feito revoltar os habitantes contra elJes, viram-se 
obrigados a desamparar o iogar. 

WARUE (J.). 

The pastj present and probably the future state of the wine trade. London, 
1823. 

A pag. 91 apresenta uma relação do vinho produzido no Alto Douro desde 
1772; e de pag. 95 a 98, uma noticia da exportação do vinho do Porto desde 
1678. 

WATTEIVBACH. 

Viagem por Hespanha e Portugal. Berlim, 1869. 

IVAUTEUS (A. J.). 

Le Zamhèse, son histoirej, son cours^ son bassin, ses produits, son avenir. 

Étudiés par . Bruxelles, typographie V'^ Gh. Vanderau-wera, 18G9, 8.° de 

149 pag. 

WEBB (FELIPPE BARKER ), 

Iter hispaniense or a Synopsis of plants collected in the southern provinces of 
Spain and Portugal. Paris, por Béthun, e Londres, por Henry Coxhead, 1838, 
8.» de viii-80 pag. 

«É um opúsculo interessante, cheio de observações úteis e opportunas» *. 

WEBER (C. J.). 

Dermlirilo, oder hinterlassene Papiere eines lachenden Philosophen. Von dem 
Verfasser eines in Deutschland reisenden Deutschen. Rieger, 1853-1868. 

Vol. ix: Die Nationein; cap. 15: Die Portugiesen. (Os quatro santos nacionaes 
dos portuguezes: Henrique, o navegador; o almirante Pacheco; Gamões, o Ho- 
mero de Portugal ; Pombal.) 

WEERSEEN (TRAIV, ). 

Dom IjOuís, Rot d'Espagne et de Portugal Paris, imprimerie lypograpiíique 
de G. Kuhelmann, 1868. 

W^EIDENTELT (ADAM ).— Jesuíta, natural da província rhenana. 

Dirigiu-se em 1679 para Portugal, com o fim de embarcar para as missões do 
Maranhão. Morreu na viagem da missão para onde se destinava. 

Nigra, sed formosa filia Jerusalém, Ecclesia Aethiopicaj Romanae olim filia 
multis nominibus illustris proponitur. Primum Aethiopia illustris a Sanguine Saio- 
rnonis per reginam Sabam in centum Aelhiopiae imperatores ad nostra usque têm- 
pora derivato. Deinde Aethiopia illustrior a Christiana religione per Eunuchum 
Candacis regione per S. Frumentium Aelhiopiae apostolum Aõ Xti 327 et episco- 
pum cujid vita attingitur procurata, et per S. Aelhiopiae Imperatorem Elesbaan 



D. Miguel Colmeiro, La botânica y los botânicos de la península hispano-lusitana, pag. 91. 



WH 



371 



aiiosqiie víros Religiosos stabilita. Demum Aethiopia illusírissima ah schimatis 
ejuratione aã qiiam per Socielatem Jesii et desiguatos ternos Aetliiopiae Patriarchas 
tandem anuo Christi mdc.xxii. et sequ. fuit adducta; sed relapsa in scisma pris- 
timiiii invitatur denuo a Socielate Jesu lievertei-e Sunainitis. Uuniversim Historia 
Aethiopiae pertexitur potissiinum ex manuscriptis doctissimi Patriarchae Alphonsi 
Mendes S J. in tabularia Conimbricensi fideliter e lusitanico in latinum conversis 
A:' 1680 ah A fdamo) W(eindenfelt), 4.« de 12 folhas. 

Diz a Bibliothèque des écrivains de la compagnie de Jesus, vol. v, pag. 774, 
que este iiianuscripto se conserva na bibliotlieca de Bourgogne, em liruxellas, 
n.« 12:236. 

WKLLIIVGTOJV. 

Original Journals of the Campaigns in the Pemnsula of Wellington. Campaign 
in Portugal, 1808. London, 1815. 

Original Journals of the Canipaigns in the Península of Wellington. 1808- 
1809. London, 1815-1816. 

^YERNICKE {DÍK. C). 

Die Geschichte der Welt. II: Thl. Die Geschichte des Mittelalters. Berlim, 1881, 
8.» de 811 pag. 

Pag. 646 : lynez de Castro, e episodio dos Lusíadas. 

WERMCKE (A.). 

(Lissabon.) Portugal u. Portugiesische Litteratur (Camoens). Leipzig, 1877. 
Extracto do Diccíonario de conversação, de Meyer. 

AVERTOMANIVUS (L.). 

Navigatíon and voyages in 1503 to the regions of Arábia, Egypte, Pérsia, 
Syria, Ethíopia and East índia. Translated out of latine, by R. Éden., 1576. Re- 
prínted, Edimbourg. 

WESTON (SAINT ). 

Remains of Arabíc in the Spanísh and Portuguese languages. London, 1810. 
The englíshman abroad (Greece, Latíum, Arábia, Pérsia, Hínd, China, Rús- 
sia, Germany, Italy, France, Spain and Portugal). London, 1824. 

WHITE (CAPT. ). 

Warning voice on the affaírs of Portugal. London, 1833. 



WHITE (ROBERT ). 

Madeira. Its clímate and scenery : containing medicai and general information 
for invalids and visitors : a tour of the Island, &c., and an appendíx. Illustrated 
tvith engravíngs, from sketches taken on the spot, by John Botcherby, Esq. and a 
Map of the Island. London, Cradock & C", 1851, 8.« de yiii-203 pag. 

«O capitão Marryatt descreve assim graphicamente as sensações de um 
-visitante ao chegar a esta ilha pela primeira vez : 

«Eu não conheço um terreno no globo que nos assombre e deleite ao prin- 
cipio da chegada tanto como a ilha da Madeira. O viajante embarca, e está, com 



372 WH 

toda a probablidade, confinado no seu beliche padecendo a lerrivel prostaeão do 
enjoo. Talvez tenha deixado a Inglaterra no taciturno principio do outono, ou na 
frigida concentração de um inverno inglez. Dentro de uma semana elie vê outra 
vez aquella terra firme que elle tinha deixado com pezar, e que, nos seus pade- 
cimentos, elle teria dado metade de quanto possue para tornar a ganhar 1 Quando 
elle desembarca na illi;i, que mudança ! O inverno converteu-se em verão ; as 
arvores nuas que elle deixou, estão trocadas pela luxuriante e variada folhagem; 
neve e gelo, são calor e esplendor; as scenas da zona temperada pela profusão e 
magnificência dos trópicos; um brilhante céu azul, um sol rutilante; montes 
cobertos de videiras ; um mar de azul carregado ; um vestuário pittoresco e novo; 
tudo encanta e delicia a vista, exactamente no preciso momento em que o ter 
desembarcado n'uma ilha estéril houvera sido considerado como uma grande 
fortuna.» 

Madeira. Its climate and scenery. A handbook for visitors, by Robert WJiite 
and James I. Johnson. Sscond edition, with numerous illustrations and a map of 
the Island. Edinburgh, Adam and Charles Black, 1860, 8." de xv-338 pag. 

(«Durante os cinco annos que decorreram depois que appareceu a primeira 
edição, têem occorrido tantas mudanças, que se tornaram indispensável mente 
necessárias extensas alterações.» 

«No place appeared to. me more fitted to dissipate melancholy and restore 
peace to the perturbed mind than TeneriíTe or Madeira.» (Alex. von Humboldt.) 

«If Homer*s beautiful description of the Phoiacian Isle, where fruit sueceeded 
fruit, and flower followed flower in rich and endless variety, be applicable to 
any modern one, it is to Madeira.» Bowdich. 

«The late dr. Andrew Combe, in writing to a friend (veja-se sua Vida e 
Correspondência) says: If I must go abroad, I shall most likely return to Ma- 
deira, on the simple ground that, if I must forego the pleasures of home, it is 
better to resort at once to the njost advantageous climate than to adopt the half 
measures of going to Italy, Jersey or the south England. 

«Having also made inquires, for some years past, from invalids who have 
wintered at diíferent favourite localities, such as Pau, Pisa, Nice, Rome, Malta, 
Málaga and Egypte, how the climate of Madeira, ranked in comparison with 
those they had tried, the answers have universally been in favour of Madeira. 
That of Egypt is the only one approximating to it: but in that country many 
drawbacks exist.» (Robert White and James 1. Johnson.) Madeira, pag. 18. 

«Some complain of the dulness of Madeira, and the want of gaiety, or places 
of public amusement, but, niedically considered, these are far from advantageous; 
indeed, the late a little worse than usual, bis patients generally progressed more 
favourably, for the simple reason that they then acted with greater prudence.» 
(Pag. i8.) 

Thus having passed ali peril I have come 
Within the compass of this island's space; 
The which doth seems unto my simple doome, 
The only pleasant and delighfull place 
That ever trodden was of footing's trace. 

(The Faerie Queen.J 



\Y1 373 

Madeira; its climate and scenery. A handhook for invalid and other visitors. 
Second edition, edited, and in greai part rewriten, toith tfie addition of mitch neio 
matter, by James late Johnson, with a map of the Island. Edinburgh, Adani and 
Charles Black, 1857, 8." de xv-338 pag. 

WHITE (W.). 

A tvarning voice to the British nation, on the affairs of Portugal. London, 
1833. 

WHITHEAD (JOHN ). 

Essai on the resources of I^rtugal. London, 1853. 

WHITELEY (EDWARD ).— A. M. British Chaptain at Oporto, and 

formerly of Jesus College, Cambridge. 

Macariodos or the happy Way, in the short, hut too often sorrowful Joumey 
oflife. London, 1853, S." gr. de iv-188 pag. 

A obra nada tem que ver com os feitos dos portuguezes, mas faz-se menção 
d'elles por ser trabalho de um estrangeiro residente em Portugal. 

WBITIVEY (J. L.). 

Ticknor Collection. Catalogue of the Spanish Libraryj and of the Portuguese 
Books, hequeathed by George Ticknor to the Boston Public Library, together with 
the Spanish and Portuguese Literature in the General Library — -. Boston, 1879. 

WeiTTlIVGTOlV (REV. G. D. ). 

Traveis through Spain and part of Portugal. London, 1809, 2 vol. 

IVHO is the lawful successor to the throne ? Being an enquiry into the na- 
tional laws and historical records relative to the rights of the two competitors of 
the European throne of the Braganza family. By a well-wisher of both Portugal 
and Brazil. London, 1828. 

WIIOLE (THE) proceedings of the Court of enquiry upon the conduct of 
Sir Hen. Dalrymple, relative to the convention of Cintra. London, 1808. 

WIEDEMAIVIV (FRAUU. ). 

Pombal ein grosser Mann seiner Zeit. 

Neu Ruppin, 8.°, 1 vol. de 159 pag., com estampas coloridas. 

WILDIK (BARON ). 

Aperçu statistique, économique et administratif sur le Portugal et ses colonies. 
Paris, 1878, 8.^ 

W TEEKOMM (HENRIQUE (MAURÍCIO ). 

Ztveijahre in Spanien und Portugal. Dresde, 1847, 12.", 3 vol. 
Die Str-and und Steppengebiete der Iberisdien Halbinsel und deren Vegetation. 
Leipzig, por Fleisclier, 1852, 8.« de 172 pag. 



374 WO 

Vei-such einer graphischen Darstelhmg der Boderund Vegetations verhãltnisse 
Iberischen Halbinsel. Leipzig, por Payne, 1852. 

«É um mappa geographico-botanico, e também geognostico, da península 
hispano-lusitana*.» 

WILLIÍOMM (IVORIK ). 

Zwei Jahre in Spanien und Portugal. Keiseerinnerungm von . Dresden 

und Leipzig, 1847, 8." gr. de xiy-321 pag. 

WILLKOMM (MARI ). 

Zwei Jahre in Spanien und Portugal. Dresden und Leipzig, 1847, 12.", 3 vol. 

WILSON (Sm ROBERT ). 

A narr ative of the campaigns of the Loyal Lusitanian legion under the briga- 

dier general . With some account of the military operations in Spain and 

Portugal during the years 1809, 1810 and 1811, London, 1812, 8.° de 346 pag. 

IVINTER (THOMAZ ).— Jesuita, natural deVienna. 

Annu% saecularis consecrationis SS. Ignatii et Francisci Xaverii. Viennae, 
1722, foi. 2 

WITTICH (ALEXANDER ) Allemâo. 

Nos Aannaes dos antigos estudos, de Zimmerman, no anno de 1840, vem 
uma noticia de dez inseripções romanas existentes em Portugal, e acompanhadas 
de leves annotaçôes. 

WOLOIVSKI (B.). 

Les fêtes en Portugal. Inauguration du chemin de fer de la Beira Alta. Voyage 
de la famille royale. Notes et souvenirs de voyage. Paris, chez Denlu. 

O auetor faz a descripção do que viu, da maneira a mais sympathica para 
o paiz e para os seus habitantes, e promette mais tarde publicar um estudo mais 
desenvolvido da nossa situação politica e económica. 

«Desde largos annos, diz o auetor, temos percorrido a França, a Itália, a 
Áustria, a Hungria, a Grécia, a Turquia da Europa e da Ásia, e o Egyplo, mas 
raras vezes nos foi dado encontrar uma hospitalidade tão lisonjeira c tão cor- 
dial como a que nos acolheu.» (O Luso Hawaiiano. Honolalu, 19 de janeiro de 
1884). 

WOLF (FERDINAND ). 

Dom (sic) António José da Silva der Verfasser der segenauten Opern des 
Inden (Operas do Judeu). Wien, 1860, 8.° de 32 pag. 

WOLLASTOIV (T. VEIINON ).— M. A. F. L. S. 

Insecta Maderensia ; being an Account of the Insects of the Madeiran Group. 
liOndon, 634 pag. e 13 estampas coloridas. 



' D. Miguel Colmeiro, La botânica y hs botânicos de lapcniuaula hii^pano-lttsilana, p.ig. 96. 

* Augustin et Alois de Backer, Bibliothèque des écrivains de la compagnie de Jesus, vol. vi, pag. 79íi. 



Na obra d'este auctor: On the variation of Species, Irala-se também dos 
molluscos da ilha da Madeira ^ 

WOLLSCHLAGER (C. S.). 

Handbuch der Allgemeinen Litteraturgeschichte. 2 Ausg. Eisenach (1873), 8." 
de vin-367 pag. 

Pag. 350 a 352 ; Die portugiesische Litteratur : Luis de Camoens. 

WOODLEY (G.). 

Portugal delivered. A põem. London, 1812. 

TVOODWARD. 

Manual of the Molusca. 

Trata também dos molluscos da ilha da Madeira^. 

WORD (A) or two on Port-wine. Londpn, 1844. 

Houve quem respondesse n'um opúsculo com o seguinte titulo : Appendix, 
a letter and poetic effusion exposing the falsehood of the author of «A word or 
two on Port-ivine». 

WORDSWORTH (W.). 

Concerning the relations of Great Britain^ Spain and Portugal to each other 
and to the common enemy of this crisis, and specialy as affected by the convention 
of Cintra. London, 1809. 

Dizem que esta obra é raríssima. V. Bibliotheca Hispano- Portugueza^ parte in: 
Catalogue d'une importante collection de livres anciens et modernes, sur Vhis- 
toire, la littérature et la langue du Portugal et de 1'Espagne, provenant de la Bi- 
bliothèque de João Evangelista Guerra Fontoura. Leipzig, 1889. 

WRIGHT (J. B). 

History of Religious Persecution from the apostolic age, to the present time and 
of the Inqiiisition of Spain, Portugal and Goa. Liverpool, 1816. 

WUNDERLICBE (DIE) Reisen Ferdinandi Mendes Pinto. Amsterdam, 
1671. 

WYCHE (SIR PETER ). 

Life of John de Castro IV. Seconâ edition, translated by , London, 1693. 

WYTFLIET (CORNEILLE et ANTBOIIVE MAGIN ). 

Histoire universelle des Indes occidentales et orientales et de la conversion des 
Indiens ; divises en trois parties, par et autres historiens. Douay, 1611, foi. 



' Rohcrt While and James Y. Johnson, Madeira, pag. 277. 
3 Ibid., pag. 277. 



«Les découverlcs, Ics cxploits, les conquôtes des porliigais rcm- 
plisserit de belles paj^es dans l'hisloirc. Celte nalion, i)en jçrande 
dans la géographie de I'Europe, est três grande dans toolos los par- 
tias du glohe.> 

Chauvain, Histoire de Portugal. 



XARQUE (DR. D. FRAIVCISCO ).— Dean de la catedral de Sauta 

Maria de' Alberracin, &c. 

Insignes misioneros de la Compania de Jesus en la Provinda dei Paraguay; 
estado presente de sus misiones en Tucuman, Paraguay y rio de la Plata, que 
comprende su distrito. Pamplona, imprenta de J. Mieon, 1687. 

XAVERIUS (FRATVCISCUS ). 

Epistolae xli. 

«D. João Suares, bispo de Coimbra, foi quem as mandou imprimir cm Al- 
calá de Henares no anuo de 1575, pelo impressor João Ifiiguez de Lequerica, 4." 

Foram traduzidas para latim por Horatio Tursellino, e impressas em Homa 
na typographia de Aloysii Zanetti, 1596. Moguncia, Balthasar Lippio, 1600. Em 
portuguez e Iiespanhol, Roma, na officina de Varesio, 16671. 

XAVEUIUS (S.) apud Sinas moriens Tragcedia a Sereníssima, lllustrissi- 
ma^ Perillustri, Generosa, Nobili, Praenobili, Lectissimaque Celeberrimi Trium 
Coronarum Gymnasii juventute acta Ludis Autumnalibus. Coloniae, 1734. Die 
XX VII et VIII Septembris. Personae S. Xaverius. Alvarus Lusitanus cum Sócio. 
Mandarimus. Mercator Sinensis. Iníerpres Stnicus. Antonius S. Fidei vianim Xa- 
verii Comes Medicus. Genielli Japonês. Personae mutae. Horpes. Nauta. CõUen, bey 
Johan Engelert neben der Unnaw, 8.** de 64 pag. 



' Nicol. Aul., Bibliolheca Nova, vol. i, pag. 499. Por esta occasião dá Nicolau António noticia dos 
escnploies quo se aproveitai am da Vida de S. Francisco Xavier, por Lucena. 



378 XU 

A tragedia é em cinco actos, e tem 1:223 versos. Os coros sâo em lingua 
allemãi. 

XAVIER (FR. FRAIVCISCO ).— Carmelita italiano, missionário no 

Canará, arcebispo de Sardes, vigário apostólico de Verapoly^. 
Diccionario e Grammatica Concani-Portiiguez. 

XAVIER (SAINT ). 

Lettres traduites. Paris, 1855. 

XUAREZ (GASPAR ).— Jesuita, natural de S. Thiago, noTucuman. 

Vida iconologica dei Apostol de las índias S. Francisco Xavier. Roma, M. 
Puccinelli, 1798, 8.° 



' Augastin et Alois de Backer, Bibliothèque des écrivains de la compagnie de Jesus, vol. vii, pag. 198. 
^ Joaquim Heliodoro da Cunha Rivara; Grammatica da limjua Concani, clc. Nova Goa, 1857, 
pag. XXXIX. 



«Inclinábasc mucho ella á Ia dos veccs buena Lisboa, no tanto 
por ser Ia mayor poblacion de Espana, uno de los três empórios de 
Europa; que si a otras ciudades «e les reparton los renonibres, ella 
los tiene juntos, fidalga, rica, sana y abundante, quanto porquê 
jamás se halló português necio, en prueba de que fué su fundador 
el sagaz Ulises.» 

(Lorenzo Gracian, El criticon, vol. i, pag. 89.) 



YEPES (DIEGO DE ).— Toledano. 

Entre as obras que imprimiu, de que faz menção D. Nicolau António na 
Bibliotheca Hispânica, deixou manuseripto: Notas ai Conde D. Pedro. Falleceu 
pelo anno de 16061. 

YOUIVG (GUILHERME ). 

Copia do impresso em Londres extrahido da Bíblia e offerecido á nação por- 

tuçpieza, por ^ acrescentado por um verdadeiro portugiiez. Lisboa, na imprensa 

regia, 1832, 4.° de 15 pag. 

YOUIVG (IV.). 

Portugal in 1828 , comprising sketches of the staie of private society and of 
religion under D. Miguel. 

YSLA (RLY Dl AZ DE ). 

Tractado cõtra el mal Serpentino: que vulgarmente en E^ana es llamado 
bubas, q fue ordenado en el ospital de todos los santos de Lisbona ; fecho por ruy 
diaz de ysla. Fue impreso en la muy noble y muy leal ciudad de Sevilla, en casa 
de Dominica de Robertis, impresor de libros. Acabose a veynte y siete de setiêbre 
ano D. MDxxxix, foi. de 64 folhas numeradas, figuras em madeira; gothico. 



D. António Caetano de Sousa, Historia genealógica da casa real portugueza, vol. i, pag. 



380 YS 

Trata-se n'este raro volume de Christovão Colombo e da America. Foi re- 
impresso em Sevilha, por André de Burgos, no anno de 1542, foi. de 23 folhas, 
e duas folhas innumeradas; gothico. 

António cita, com a mesma data e na mesma cidade, uma edição impressa 
por Dominico de Robertis^. 



Deschamps e G. Brunet, Supplément au Manuel du libraire, vol. ii, pag. 962. 



«Golomb lenail son anibilion des portugais: son imaginalion 
s'échauíra ; et après pinsieurs remarques snr les mondes qu'on 
connaissoit, il jugea qu'il devait y en avoir un aulre qu'on ne con- 
naissoil pas. Tous les princes de TEurope étoient si pauvres qu'il 
ne s'en trouva aucun qui eúl les moyens d'avoir deux ou Irois vais- 
seaux pour alier prendre possession doce nouvel univers. L'Espa- 
gne en accepla Tofíre. mais non pas la dépense. Quelques citoyens 
se colisèrent ensemble pour faire les frais d'une entreprise qui 
Jevoit chauger la face de TEurope.» 

(UEspion Chinois, vol. r, pag. 221.) 



ZACUTl Lusitânia Mediei^ & Philosophi prapstantissimi Operum lomus pri- 
mus in quo de Medicorum Principum Historia libri sex : ubi medicinales Historiae, 
de morhis internis, quae passim apiid Principe Médicos occurrunt, concinno ordine 
disponuntur, Paraphrasi, & Commentariis illustrantur : necnon Quaestionihus , 
Duhiis, & Observationibus exqiiisitissimis exornartur. Editio postrema a mendis 
purgatissima. Lugduni, Sumptibus Joannis Antonii Hiiguetan, 1667, foi. de 98ipag. 

É dedicada a Luiz Xlll, rei de França. 

ZAMBRANA (D. JOSEPH DE BARCÍA Y — ^-).— Oiiispo de Cadiz, 
dei coiisejo de Su Majestad, canonigo dei Sacro Monte y Catedrático de Escri- 
tura de sus Escuelas. 

Despei'tador Christiano Marial de varias sermones de Maria Santissima en